Gilles Deleuze - O que é o ato de criação... por rodrigo-lucheta-1
... Nesta palestra, dos conceitos às expressões artísticas e científicas, o filósofo explica, de forma ilustrativa, o cerne essencial da capacidade criativa através do dissecar dos objetos criados... Vale a pena ouvir e ler (porque a conferência está legendada em língua portuguesa)!... Pretexto para a dissertação temática, Gilles Deleuze opta pela abordagem do conceito de "Ideia" em duas ~das linguagens mais paradigmáticas da arte: o Cinema (com destaque para o de Bresson, o de Kurosawa e o de Straub) e a Literatura - registo que, neste contexto, relativamente à abordagem literária, talvez o mais extraordinário desta sua reflexão seja a interpretação da essência construtiva subjacente aos personagens de Dostoiewsky. O exemplo da singularidade dos protagonistas das densidades narrativas de Dostoiewsky evidencia aliás, na perfeição, o sentimento instintivo de sobrevivência que nos permitiu e permite escapar à "sociedade do controle", que Deleuze nos apresenta definida pela circulação da informação e da comunicação controlada... Contudo, no que a esta definição diz respeito, não posso deixar de registar, estribada na pertinência do trabalho interdisciplinar e transdisciplinar que a Filosofia também implica, que, por exemplo, no trabalho de antropologia social concretizado no terreno em meio rural em Portugal, evidenciei, em 1993, a partir da categoria das relações de género (a nível social e de parentesco) a natureza da sociedade de controle caucionada pela gestão da circulação da informação e, consequentemente, pelo controle intencional da comunicação. Neste contexto, G.Deleuze define e defende a obra de arte como acto de resistência o que, sendo uma evidência justa e correctamente afirmada é, porém, demonstrado logicamente com base num erro enunciativo e demonstrativo decorrente da definição de comunicação que Deleuze aqui nos propõe: a comunicação como informação, ou seja, como "conjunto de palavras de ordem"!... Porque, na verdade, a comunicação não coincide com a informação: transcende-a!... e é exatamente nesta transcendência que a obra de arte coincide essencialmente com a comunicação uma vez que a obra de arte só o é quando é percepcionada e reconhecida como tal... e o reconhecimento, a partir do acto percpetivo é, em termos cognitivos, um acto resultante da descodificação - processo indissociável da comunicação! Por isso, sim, ao contrário do que defende G.Deleuze, a obra de arte, mesmo enquanto acto de resistência é, sempre, essencialmente, um acto de comunicação!... sendo admissível e interessante perceber ou discutir até que ponto esse acto de resistência não resulta (apenas?!) de uma especificidade da sua natureza comunicacional: a de não ser direcionada para destinatários particulares! A possibilidade conduzir-nos-ia a uma outra tese, pela qual nos reaproximaríamos do conceito de liberdade, uma vez que é pelo facto de se não deixar reduzida à percepção direcionada de destinatários que a obra de arte, enquanto acto de resistência comunicante, escapa (ou pode escapar!) à "sociedade de controle"!
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domingo, 31 de agosto de 2014
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
Choque de Galáxias - Da Poeira Interestelar à Vida
Foi há 7.000 milhões de anos que aconteceu o choque de galáxias que uma equipa de investigadores, liderada pelo jovem astrofísico português Hugo Messias (bolseiro de pós-doutoramento do Centro de Astronomia e Astrofísica da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa - CAAUL), conseguiu captar através do trabalho conjunto dos telescópios ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) que conseguiu ultrapassar a opacidade das poeiras conhecidas na região e o indispensável telescópio espacial Hubble. O resultado deste trabalho que consistiu na materialização de uma ideia brilhante, a saber, utilizar uma galáxia como "super-lente" para ver o que se encontra "por detrás dela" ou, dito de outro modo, o que a antecedeu, foi publicado esta terça-feira na revista Astronomy & Astrophysics. O choque galáctico agora fotografado ocorreu quando o Universo tinha apenas metade da sua atual idade, sendo considerado um fenómeno comum na dinâmica astronómica... de tal modo que se pensa que é provável que a galáxia em que habitamos, conhecida por Via Láctea, venha a colidir, no futuro, com a galáxia de Andrómeda. Fascinante, a Vida continua a ser o Mistério que justifica todo o conhecimento, toda a ética, todo o respeito e todo o Amor e que ridiculariza todo o medo, toda a agressão, toda a desconfiança, toda a guerra e toda a injustiça. Os seres humanos deveriam aprender a valorizar e a preservar o Milagre de que são matéria e prova irrefutável.
(sobre a notícia que aqui partilhamos ler mais AQUI e AQUI)
terça-feira, 8 de abril de 2014
"Santuários - Cultura, Arte, Romarias, Peregrinações, Paisagens e Pessoas"
Entre 12 e 14 de Setembro, vai realizar-se, no Forum Cultural Transfronteiriço de Alandroal, o I Congresso Internacional dos Santuários, intitulado: "Santuários - Cultura, Arte, Romarias, Peregrinações, Paisagens e Pessoas". A iniciativa, internacionalmente inédita, nestes moldes, pretende trazer à visibilidade pública, o conhecimento e a divulgação de todas as formas de manifestação do que subjaz ao conceito de "santuários" em que, à dimensão religiosa, estão sempre associadas dimensões telúricas, sociais, culturais, políticas, estéticas, comerciais e lúdicas. Da Antiguidade mais remota aos nossos dias, a existência e a importância dos santuários tem acompanhado a vida humana e, podemos dizê-lo!, ocupado um papel de relevo na sua dimensão psico-social e cultural. A iniciativa, promovida e organizada pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, a Unidade de Arqueologia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, o Instituto de Sociologia e Etnologia das Religiões da Universidade Nova de Lisboa e o Centro de Estudos do Endovélico em articulação com a Câmara Municipal de Alandroal, atendendo ao valor inestimável do lugar de S. Miguel da Mota e do culto a Endovélico, justificam a escolha do local; quanto à diversidade multifacetada e pluridisdisplinar da temática dela temos reflexo na composição internacional da sua Comissão Científica que integra académicos e cientistas portugueses, brasileiros, espanhóis, italianos, gregos e até de Malta e da Escócia, demonstrando bem que a abrangência da abordagem se não irá reduzir a restritas elites académicas mas que se reveste de um profundo interesse geral pela quantidade de informação inédita, curiosa e valiosa que trará ao público, proporcionando a sua análise e discussão. A divulgação do Congresso pode ser acompanhada na nossa página de Facebook, através do acesso que aqui se indica: https://www.facebook.com/congresso.santuarios?notif_t=page_invite_accepted e no site do Congresso onde se pode aceder a toda a informação bem como à inscrição para participantes e oradores (a chamada de trabalhos está a decorrer até 30 de Abril) pode aceder-se aqui: http://santuarios.fba.ul.pt/index.html. Apareçam e divulguem! Vai ser uma revelação :))
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Cadernos do Endovélico - 1
Foi no sábado, 21 de Setembro, pelas 21.30h, que, no Forum Cultural Transfronteiriço de Alandroal foi apresentado o nº1 da revista "Cadernos do Endovélico" onde se encontram publicadas as comunicações do Congresso "Por Terras do Endovélico: Território e Cultura, Caminhos da Identidade", realizado nos dias 5,6 e 7 do passado mês de Julho e cuja qualidade científica justifica a procura e a leitura atenta. A pluralidade das abordagens arqueológicas, etno-literárias, etno-históricas e etnológicas, protagonizada por académicos e investigadores de "primeira água" e justíssimo prestígio, conferem à obra uma coesão que, seguramente, marcará a investigação e o conhecimento tanto no plano local, como regional e nacional através da formulação de sérios contributos capazes de reforçar, indiscutivelmente, na senda do desenvolvimento, a defesa intransigente da cultura, do património e da construção identitária.
(fotografia via João Maria Grilo no Facebook)
(fotografia via João Maria Grilo no Facebook)
terça-feira, 13 de agosto de 2013
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Convite...
Na próxima 5ªfeira, dia 31 de janeiro de 2013, pelas 19h, na Casa de Goa, falarei sobre:
"Goa - Retrato do Século XXI - Entre a Continuidade Cultural e a Mudança Social"...
Até lá :)
sábado, 16 de junho de 2012
Da Inestimável Herança da Humanidade...
As mais antigas pinturas rupestres (re)conhecidas como tal, criadas pela mão de povos neanderthais que habitavam a Península Ibérica, junto de Santillana del Mar, na Cantabria(Espanha), durante o Paleolítico, datam de mais de 40.000 anos - idade atribuída a outros conjuntos peninsulares, como o de Santiago do Escoural (esse mesmo onde, por estes dias, a prospecção do ouro voltou a ser notícia). Considerando a vasta dimensão dos períodos temporais para que estas datações nos remetem, é muito interessante registar, uma vez mais no espaço ibérico, na Gruta El Castillo, em Espanha, uma pintura rupestre com mais de 40.800 mil, cuja investigação é da responsabilidade do arqueólogo João Zilhão e de uma equipa que integra mais 11 investigadores... sobre esta matéria e a título de exemplos da arte rupestre localizada na peninsula ibérica, pode ler-se Aqui, Aqui, Aqui, Aqui e Aqui.
sábado, 28 de abril de 2012
domingo, 1 de abril de 2012
Da Realidade e dos Sonhos...
É voz corrente que os produtos cerebrais que se consubstanciam em expectativas e sonhos, são uma das mais importantes fontes alimentares da resiliência, da persistência e da confiança - como muito se tem verificado ao longo da História da Humanidade e como, quiçá!, se perceberia muitissimo melhor do que se reconhece, se de tal evidência houvesse mais registo e prova! Daí que seja particularmente interessante registar que, atualmente, esta realidade é cientificamente reconhecida e que o impacto social dos sonhos adquiriu, por esta via, estatuto de incontornável relevância... e se o medo que envolve a potencial adesão incondicional a este conhecimento implica o receio de um certo "facilitismo da crença" e de uma eventual secundarização da racionalidade (com custos sociais que poderiam vir a significar alterações organizacionais por ora imponderáveis), a verdade é que, pelo que conhecemos até à data, a materialização dos sonhos decorre sempre do exercício de uma racionalidade estruturada -que pode, apesar disso, ser conduzida mais ou menos (in)conscientemente... vale a pena ler as notícias que nos chegaram via Isabel Lousada no Facebook: AQUI... mas, também, AQUI).
sábado, 24 de março de 2012
Sociomuseologia... pela mão de Alfredo Tinoco
"Cadernos de Sociomuseologia" é uma publicação regular que, do Movimento Internacional da Nova Museologia (MINOM) à Universidade Lusófona, encontrou um lugar seguro no âmbito da promoção do trabalho e da investigação museológica... e ontem, a título póstumo, foi publicado o exemplar da autoria de Alfredo Tinoco, etnomuseólogo, professor, cidadão e amigo, cuja capacidade de articular a teoria e a prática encontrou na sociomuseologia a transversalidade de uma área de trabalho privilegiada para concretizar, de forma coerente e integrada, a investigação-acção cujo fundamento encontramos, sempre!, na função social dos fenómenos e dos saberes. "Cadernos de Sociomuseologia" de Alfredo Tinoco, um livro que, seguramente!, dá a pensar e enriquece, com a simplicidade e a grandeza generosa que caracterizou a sua forma de estar na vida.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Para uma Epistemologia da Crise...
A crise económica, social e política com que as sociedades europeias se defrontam não decorre do que se pode designar por "falhanço das ciências sociais" - tese sugerida num oportuno comentário do Porfírio Silva ao post anterior. Pelo contrário, na minha opinião, a crise decorre de uma negligência intencional no uso e recurso a um saber técnico e tecnocrático sustentado através de dinâmicas que, em última análise e em detrimento do conhecimento científico, viabilizam a eficácia da manipulação dos interesses financeiros (em termos de controle dos movimentos de circulação dos capitais)... e se esta lógica funciona é porque aos interesses instalados em que se integra a comunicação social, as explicações simplistas servem de justificação para o legitimar dos enquadramentos "teóricos" das medidas que, enunciadas sob a aparência de uma pretensa racionalização científica (que, regra geral, ninguém problematiza), servem de caução à tomada de decisões. Na verdade, não foram os cientistas sociais a criar, implementar e desenvolver estas dinâmicas económicas, sociais e políticas... quando muito, foram os protagonistas políticos sob pareceres e "estudos" pretensamente científicos, feitos por pessoas que se pensam e se intitulam (ou se deixam intitular) como "cientistas sociais" que serviram de justificação e fundamentação aos regimes... o que é, de facto, muito diferente do que devemos entender e entendemos por "espírito científico"! De facto, na minha perspectiva, a crise, a desigualdade, a injustiça e a desinteligência processual decorrem da ausência de espírito científico, contrário ao saber que socialmente nos é apresentado como tal e que mais não é do que generalização abusiva, retórica e estatística deficientemente interpretada - instrumentos que têm servido de "pseudo-ciência" para validar a vigência da orgânica económico-social e política contemporânea. Entretanto, como escrevi em resposta ao comentário do Porfírio que muito agradeço!, penso que esta é uma das feridas em que se deve colocar o dedo: repensar e esclarecer a relação entre epistemologia, ciências sociais, política e desenvolvimento.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Das Verdades como Matéria para Mentiras...
Vendem-nos mentiras para nos obrigarem a ignorar a Verdade e a aceitar as ilusões gratuitas com que nos compram a alma. Até quando?... e quão longe vão nesta loucura ignóbil? Vale a pena ouvir até ao fim os exemplos que nos traz Eduardo Galeano:
(via Entre as Brumas da Memória)
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
"Ocupação Sexual dos Espaços e Redes de Comunicação Social..." no AL-TEJO
Foi publicada no passado dia 3 de Outubro, no blogue AL-TEJO, a referência ao meu trabalho intitulado "Ocupação Sexual dos Espaços e Redes de Comunicação Social" (ler Aqui). Cabe-me agora agradecer ao autor do texto e administrador do blogue, Francisco Manuel Tatá a honra e a alegria, sinceras e sentidas por essa referência e pelos comentários que suscitou. Bem-hajam!
domingo, 30 de janeiro de 2011
Cairo, Londres, Paris - Os Museus da Minha Vida






Os Museus são máquinas do tempo... fantásticas, encantatórias, inesquecíveis... revisitei na minha memória, a propósito da Revolução no Egipto a que El Baradei chamou "os dias mais felizes das nossas vidas", as Pirâmides de Gizé a que subi numa tarde do sol escaldante da minha adolescência num daqueles momentos únicos que marcam para sempre as nossas vidas e, naturalmente, o Museu do Cairo... seria porém injusta a sua evocação sem referir outros 2 museus que guardo no património do que sou, os Museus Britânico em Londres e Jeu de Paume em Paris... deles, e por esta ordem: Cairo, Londres e Paris, deixo 2 imagens de cada um... para uma viagem partilhada...
domingo, 5 de dezembro de 2010
A Natureza do Paradigma - Conhecimento, Ciência, Cultura e... Poder Político
Ontem, no Centro Unesco do Porto, decorreu, sob a organização do arqueólogo e justamente reconhecido académico, Vitor Oliveira Jorge, uma sessão científica e cultural que merece a melhor atenção (como quase tudo o que este Professor cria, organiza e proporciona) de todos os que têm tempo e interesse para dedicar ao conhecimento e ao seu papel na vida das sociedades contemporâneas. Nesta sessão, além da apresentação do volume 50 da melhor revista da especialidade em Portugal, "Trabalhos de Antropologia e Etnologia", publicada pela SPAE-Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia (em que tive a honra de participar como autora do trabalho: "Paisagens Etno-Arqueológicas e Culturas Regionais - do Endovélico a Mérida e aos Almendres"), teve lugar uma Conferência de Ana Vale, doutoranda em Arqueologia, que, a propósito do sítio de Castanheira do Vento, problematizou o conceito de paradigma recorrendo à reflexão de Giorgio Agamben e desenvolveu uma reflexão sobre a utilidade de recurso ao método analógico em Arqueologia. O debate que, em seguida, teve lugar, abordou grande parte das questões epistemológicas que enquadram os problemas contemporâneos e de que destaco os que se referem à metodologia científica, à complexidade do conhecimento e à natureza da democracia. Por isso, quando hoje me deparei com a entrevista do Ministro Mariano Gago (ler aqui) considerei que seria, no mínimo!, injusto, não trazer até aqui a referência a uma vertente do trabalho científico muito mais próxima do que consideramos investigação fundamental do que da sua vertente pragmática que nos surge, pelo menos aparentemente!, como a única reconhecida pelo poder político... afinal, a tecnologia científica de fins utilitários e a proclamada aproximação das universidades às empresas não tem garantido, nos moldes em que está a ser desenvolvida, a promoção efectiva de uma cultura científica e de uma valorização do Conhecimento, capazes de permitirem às sociedades a sustentabilidade e a resiliência necessárias à coexistência com a mudança que os tempos, presente e futuro, nos colocam de forma incontornável e a que, malgré tout (refiro-me em particular à propaganda e à produção real recorrente e decorrente desse "desafio" europeu que ficou conhecido por "Processo de Bolonha"), continuamos sem dar respostas consistentes, comprometendo, para além de tudo o mais, a tão desejada "coesão social"... Será talvez!, um problema de adequação dos referenciais de pensamento e acção à realidade objectiva do mundo em que vivemos... mas, também por isso, vale a pena ouvir Giorgio Agamben sobre o que entendemos por Paradigma, no vídeo a que acedemos através da página do Facebook de Vitor Oliveira Jorge e cujo texto podemos ler Aqui:
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
História Viva - um trabalho notável na blogosfera
Cumpro hoje uma homenagem devida ao blogue História Viva, um espaço que se distingue, no mundo da bogosfera, pela qualidade e a originalidade. O seu editor, Eduardo Marculino, cumpre, no Brasil, uma função notável na gestão da publicação de textos científicos que, inscritos na área das Ciências Sociais, incide sobre temas da História Contemporânea numa perspectiva multidisciplinar cujo alcance se prolonga às Ciências Sociais que integram história, política, antropologia, sociologia, literatura, economia e muitos outros olhares que, de facto, transcendem em muito o que, em Portugal, continua a ser percepcionado como conhecimento disciplinar, estanque, escolástico e, como tal, de cientificidade problematizável. Por isso, hoje cumpro o que, de há muito, sinto como um dever: divulgar, por esta via e com particular destaque para Portugal e toda a comunidade lusófona, uma forma efectiva, útil, eficaz de trabalhar e promover a Cultura com o espírito de missão cívica e pedagógica que a Democracia merece. Torna-se difícil e até injusto seleccionar alguns post's deste blogue que recolhe e publica textos e trabalhos temáticos de diferentes autores, procurando manter a comunidade actualizada sobre a construção cultural da realidade, divulgando biografias e promovendo, sempre, o conhecimento... contudo, arrisco, a título de exemplo e apenas com o objectivo de elucidar a natureza do História Viva, propôr-vos algumas leituras editadas recentemente:
De entre outros, muitos!, trabalhos a destacar que só uma leitura cuidada e progressica deste blogue, vale a pena referir a iniciativa Semana Histórica de que fica também o registo de alguns trabalhos:
Resta-me formular a todos, votos de Boas Leituras!
Nota: alguns dos textos para que aqui se encontra o respectivo link, foram, pelo interesse que suscitam, acrescentados posteriormente à data de publicação inical deste post.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
O Museu do Côa
Foi hoje inaugurado o Museu do Côa, unidade museológica de um notável potencial se a estrutura tiver meios de gestão e manutenção capazes de a rentabilizarem. De facto, o maior museu de arte rupestre do Paleolítico, ao ar livre, reveste-se da maior importância em termos internacionais... não apenas do ponto de vista histórico e científico mas, também ou porque não dizê-lo (?), essencialmente, do ponto de vista, cívico e pedagógico. As sociedades contemporâneas, ditas do conhecimento, coexistem com mistificações supersticiosas sobre a vida e o funcionamento dos seres vivos revelando a frágil capacidade de pensar a existência e o fenómeno tem repercurssões na vida pública dos cidadãos numa dimensão que vai dos relacionamentos interpessoais à fenomenologia complexa das interacções comportamentais que integra a própria criminologia... por isso, urge informar, formar e educar crianças e comunidades de modo a que possam apreender o mundo de forma científica, considerando a ciência como uma forma de leitura equilibrada da realidade onde o sonho coincide com a noção da realidade, sem se lhe sobrepôr ou substituir... Contudo, no mundo de hoje, os grandes equipamentos infra-estruturais e, inerentemente, os que possuem natureza cultural, requerem uma organização multidisciplinar dinâmica que se não esgota, de forma alguma, nas concepções tradicionais da museologia... e se o Museu do Côa tem, por si próprio, essa potencialidade, enquanto pólo activo de promoção do desenvolvimento regional, requer uma atenção redobrada sob pena de se desperdiçar um investimento fabuloso que o mundo quer e deve conhecer (a notícia pode ser lida AQUI).
terça-feira, 13 de abril de 2010
Da Cultura ao Pragmatismo Insensato... o caso do Museu Nacional de Arqueologia

Não se compreende que uma visão esclarecida da Cultura defenda e promova a mudança do Museu Nacional de Arqueologia para as instalações da Cordoaria Nacional, sendo conhecidas as reservas que o local oferece. Ao nível das águas, a Cordoaria Nacional não garante condições de segurança à preservação do valioso espólio que integra o património do Museu que, até agora, tem estado alojado no Mosteiro dos Jerónimos. O património histórico-arqueológico nacional é uma herança que, ao longo dos anos, não tem sido objecto da atenção e valorização que a sua importância justifica, vítima dessa negligência estrutural que tem sido a (des)consideração política pela cultura e, consequentemente, pela própria museologia... e se há, no nosso país, Museu que tenha feito um trabalho digno de destaque, é, indiscutivelmente, o Museu Nacional de Arqueologia. Não se compreende por isso (repito!) que se pretenda agora reeditar uma iniciativa que, desde o Estado Novo, tem sido adiada pela falta de garantias de segurança no que à conservação do seu espólio respeita. Cabe aliás dizer que seria perfeitamente justificável a construção de raiz de instalações condignas para o património arqueológico que, guardado nos Jerónimos, tem nos seus Reservados, material que, per si, o justificaria - mais: se o Museu dos Coches justificou o investimento em novas instalações, que critério cultural é evocável para que a lógica se não aplique ao Património Arqueológico?... em última análise, é caso para dizer que, "para pior, já basta assim"!... (Ver AQUI)
sábado, 6 de março de 2010
Uma Reflexão... pela Humanidade, pelo Chile e pelo Planeta
"As catástrofes da natureza" é o título de um texto publicado pelo Professor Raul Iturra no Aventar, cujo espaço de escrita começarei a partilhar a partir de Abril... Chileno, o Professor Raul Iturra é um antropólogo, um cientista social e um cidadão com cujas reflexões muito continuo a aprender... e que, naturalmente!, vale muito a pena ler.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Claude Lévi-Strauss, o Incontornável...


Claude Lévi-Strauss, autor fundamental da Antropologia, morreu hoje, com 100 anos de idade. Com um pensamento inovador, capaz de descobrir padrões onde a sua existência não era evidente, denotou a importância das relações de parentesco na morfologia social enquanto descobria e demonstrava a universalidade dos mitos. Destacam-se, entre as suas obras, estudos maiores sobre a dimensão social do ser humano, tais como: "As Estruturas Fundamentais do Parentesco" (1949), "Tristes Trópicos" (1955), "O Pensamento Selvagem" (1962), "Antropologia Estrutural" (1958)", "O Cru e o Cozido" (1964), "Do Mel às Cinzas" (1966), "O Homem Nu" (1971) e "Antropologia Estrutural-2" (1973) mas, talvez acima de tudo, o pensamento contemporâneo fica a dever-lhe a construção e aplicação do estruturalismo como instrumento metodológico profícuo que acabou por produzir a emergência da Antropologia Estrutural. Em Portugal, onde a compreensão da extensão e significado das Ciências Sociais e, particularmente, da Antropologia, está ainda muito aquém do seria de esperar de uma sociedade que, no século XXI, afirma a valorização da Cultura, da Ciência e do Conhecimento, Lévi-Strauss teve um discípulo que com ele trabalhou no Collége de France e que publicou uma das mais importantes obras de investigação fundamental em Antropologia em Portugal. Refiro-me a Armindo dos Santos e, em particular, à sua obra "Heranças - Estrutura Agrária e Sistema de Parentesco numa Aldeia da Beira Baixa", publicada pelas edições Dom Quixote, na colecção Portugal de Perto (nº25), em 1992... e, a este propósito, com humildade mas, também com muito orgulho pelo quanto me deu a aprender, devo dizer que tive a honra de ter Armindo dos Santos como meu orientador e director de teses ao longo do meu trabalho de investigação, um trabalho que se tornou a minha própria forma de estar na vida... Protagonista de um pensamento incontornável, Claude Lévi-Strauss merece, cada vez mais, a nossa atenção à luz da eterna vontade de aprender e da revisitação crítica de que emerge a atitude científica com que se pensa e escreve a ciência sobre a nossa própria natureza e condição.
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