...ah!, a herança árabe deste Mediterrâneo entre tudo e nada, à beira da queda e da capacidade de se exceder, faz-nos permanecer neste intervalo a que Mário Sá Carneiro, o poeta, chamou "Quase", em que permanecemos ancorados e expostos à manipulação global das teias dos poderes que nos envolvem e tudo revolvem, deixando pouco mais que nada, além da esperança... Zeca Afonso chamou-lhes "Os Vampiros" e nós que o cantamos, não soubemos até hoje reconhecer e libertar-nos das amarras que a cultura e a sociedade tecem, rede sob rede de outras redes em que, como moscas imobilizadas, esperamos, um golpe de sorte a que, por cá!, no Mediterrâneo, também se chama "misericórdia" e quase nunca acontece... até o fazermos acontecer!
("Arabian Waltz" de Rabih Abou Khalil também com os Silk Road Project)