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sábado, 17 de março de 2012

A Crueldade do Drama Grego...

O mais dramático efeito da crise, aquele de que ninguém quer ouvir falar ou melhor, aquele em que ninguém quer pensar, está em curso na Grécia, onde se sucedem os casos de abandono dos filhos, por parte de pais sufocados pelo estrangulamento económico e social a que o país foi conduzido... O drama que hoje atinge as famílias gregas é a mais negra sombra que paira sobre os cidadãos europeus... e o inequívoco testemunho da crueldade cega de um capitalismo financeiro e político sem escrúpulos a que, para infelicidade de todos, a Europa se rendeu (LER AQUI).

sexta-feira, 2 de março de 2012

O Indesejável e Previsível Cenário Europeu...

Com tendência para continuar a subir, segundo o Eurostat, o desemprego atingiu os 14,8%, ficando Portugal logo atrás da Espanha e da Grécia, ao nível da Irlanda (ler aqui). Com cálculos rigorosos, de onde sejam extraídos estágios e trabalhos precários, não ficaremos longe dos 20% e este cenário, efectivamente dramático para as condições de vida dos cidadãos, exige uma intervenção política urgente, incontornavelmente assente na real orientação social da economia. A verdade é que o tempo da austeridade "cega", centrada na mera lógica da contabilidade financeira, não pode continuar a prolongar-se sob pretexto algum... além disso, a Europa já não tem (nem pode ter!) argumentos para impôr aos Estados que a integram o sacrifício das suas populações, sob pena do total desmantelamento da sua fragilizada arquitectura política... e mais do que isso, da eclosão de uma gravissima crise social de que a contestação e a violência são apenas um dos lados da moeda, no contexto da emergência generalizada da pobreza...

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Concertação?... de quê e para quê?

Os ventos não sopram de feição para os cidadãos, qualquer que seja o seu estatuto, trabalhadores ou desempregados. O lado mais negro desta "crise" que perde, a "passos largos", o seu carácter conjuntural e se começa a assumir como a tendência estrutural das sociedades, pelo menos destas primeiras décadas do século XXI, é, inequivocamente, a má gestão social em que assenta a política, que inflige danos dificilmente recuperáveis à qualidade de vida que as democracias pareciam ter criado e garantido. Testemunho maior deste facto são os resultados da chamada "concertação social" que, de "concertação", tem apenas o facto de significar a concordância "entre partes" a que é completamente alheio o interesse de quem trabalha e o próprio bem-comum, entendido enquanto interesse público. Na verdade, as chamadas "conquistas" deste acordo assinalam, sem escrúpulos, o fim dos direitos laborais e um retrocesso cívico e político como, de há muito, não há memória... é caso para dizer que, "água mole em pedra dura tanto dá até que fura" no sentido em que a constante acusação contra a protecção e os direitos de quem trabalha, deu os frutos desejados... Registe-se, na voragem desta vertiginosa inversão social que vivemos e a que assistimos, que a vigência destes direitos não evitou a calamidade económica a que nos conduziu a exploração económica da especulação neoliberal... mas, acima de tudo, entenda-se: as novas regras vão acentuar esta "crise", sem qualquer benefício para a sociedade e a democracia, como o prenunciam já, não só a continuidade da "desaceleração" económica europeia mas, também, a previsão do desemprego acima dos 13,4% para o ano em curso. Garantidos o aumento da pobreza, da exclusão social, do medo e da violência social, bem como, a diminuição sem paralelo do poder de compra, do consumo, da motivação e da confiança de consumidores, estamos perante a construção de uma arquitectura política capaz de concretizar o que, até há pouco, se considerava improvável: fazer o tempo voltar atrás... Quanto ao preço desta tão grande irresponsabilidade, veremos como será pago, sendo certo que os seus construtores serão os primeiros a insistir em que a solução é: regredir, regredir, regredir... Até onde?  O tempo o demonstrará.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Uma Democracia Com Falhas não é uma Democracia!

A prestigiada revista "The Economist" considerou hoje, pela primeira vez, que Portugal vive uma "democracia com falhas" (ler AQUI)... a notícia não surpreende a não ser os políticos que vivem da auto-ilusão com a imagem que eles próprios criam e vendem!... é, contudo, muito interessante e importante que a comunidade internacional perceba que as consequências de uma economia improdutiva, hipotecada e resgatada à dependência do exterior não é útil sequer como aliada no plano da política internacional!... e assim, no seio da indiferença subserviente e aquietados pelo medo do desemprego, iremos, de alienação em alienação, perder todas as competências, toda a iniciativa, todo o mérito e toda a liberdade... porque... com fome, não se pensa!... mas, com medo e sem esperança, também não!

sábado, 18 de junho de 2011

Promover a Sustentabilidade na Avenida da Liberdade...


A Grande Quinta em que se transformou a Avenida da Liberdade, em Lisboa, é dos acontecimentos mais bem conseguidos dos últimos anos... Notável, a afluência de cidadãos a esta iniciativa é a melhor expressão do empenho dos portugueses na recuperação da economia nacional e a demonstração da consciência colectiva de que o incentivo à produção nacional é a grande solução para a economia. Foi, por isso, com tristeza que ouvi alguns testemunhos (do Presidente do ACP ou de alguns comerciantes da Baixa lisboeta) lamentando a escolha do local para a realização desta evidente valorização da agricultura, da pecuária e dos produtores portugueses, indispensável ao reequilíbrio da nossa vivência ecológica das cidades... ora, como bem disse António Costa, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa e reiteram os depoimentos que ouvimos neste vídeo, os melhores e mais inesperados locais são os que garantem mais sucesso à chamada de atenção. Estão de parabéns a CML, os organizadores, patrocinadores e todos os cidadãos que votaram, na rua e na adesão a esta iniciativa, inequivocamente!, na qualidade nacional e no investimento da sustentabilidade do país.

domingo, 22 de maio de 2011

Contra a Fome... Marchar, Marchar!


A fome é um flagelo mundial que a política não tem assumido como prioridade efectiva (apesar de, felizmente, se registarem excepções, como a do programa "Fome Zero" levada a cabo pelo ex-Presidente do Brasil, Lula da Silva)... mas, porque quem tem fome não pode esperar pelos efeitos -sempre lentos!- do combate político, particularmente em contextos de onde a democracia está afastada e em que as ditaduras são o rosto real do poder, é preciso encontrar formas alternativas de apoio aos nossos concidadãos que, por demasiados espaços do planeta e simultaneamente, morrem e assistem à morte dos seus iguais, todos os dias. Por isso, é digna de registo a Marcha Contra a Fome que, hoje, teve lugar em Lisboa e no Porto e onde por 5 euros se angariaram receitas capazes de ajudar o Programa Alimentar das Nações Unidas e que, este ano, também contribuem para a Caritas Portuguesa, cuja ajuda nacional aos mais carenciados é, inequivocamente, importantissima. A Marcha Contra a Fome de hoje poderia e deveria ter marcado a agenda política desta campanha, pelo menos no dia de hoje... e assim teria acontecido se a honestidade do olhar sobre o mundo, o nosso país e a revitalização económica caracterizasse, de facto, as preocupações dos candidatos... mas, não! Não é isso que acontece!... por isso, o drama dos mais pobres e dos que vivem no limiar da pobreza, nas ditaduras dos países mais pobres e por cá, nos países "mais desenvolvidos", fica nas mãos da sociedade civil! Pode, por isso, perguntar-se: é positivo que a sociedade civil assuma esta responsabilidade social? É... sem dúvida que sim... mas, é pouco!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

A Praça Tahir é em Madrid?


Há 6 dias que os jovens ocuparam pacificamente o espaço público em Madrid e aí permanecem, em protesto pela forma de gestão política da sociedade contemporânea. Emprego e Cidadania estão na ordem do dia! Em toda a Europa... primeiro no Magreb, depois em Portugal e agora em Espanha, a exigência cívica da mudança não pode ser ignorada, nem sequer negligenciada... As reformas económico-financeiras e laborais são uma urgência... e, mais cedo ou mais tarde, vão ter que acontecer.

domingo, 24 de abril de 2011

Da Páscoa à Crise - ou da ressureição do FMI?!...



Desculpem o cartoon mas... é verdade!... não resisti a partilhá-lo, perante as notícias de que o FMI soma já um ganho de 360 milhões, decorrente dos lucros gerados pelas suas "ajudas" à Grécia e à Irlanda... ganho este, registe-se!, que a comunicação social tem o cuidado de explicar ser posterior a uma fase de crise do próprio Fundo Monetário Internacional, durante a qual teve que despedir 600 funcionários e remodelar o seu funcionamento... a reforma foi, pelos vistos, bem sucedida!... reformado que foi, o FMI está agora em condições de "ajudar mais" aqueles que, empobrecidos e em profundas crises sociais e humanas (isto sem falar das económicas, financeiras e políticas, claro!), o irão ajudar a lucrar para que a sua missão de "ajuda" continue em franco crescimento... na ajuda e no lucro, claro!... Claro?!?!?!

sábado, 16 de abril de 2011

Finlândia - Boa Sorte... por Todos Nós!






Este domingo há eleições na Finlândia... nessa Finlândia, com fama de desenvolvida e governada por uma mulher de direita - para nos lembrar que isto da igualdade em termos de paridade, quotas ou lá o que lhe queiram chamar! não é garantia de qualidade, inteligência, bondade, conhecimento ou solidariedade... apesar do que se disse da actual Presidente finlandesa (ler aqui), no terreno a realidade parece ser outra, segundo testemunham muitos dos seus cidadãos e que parece ter reflexo no oportunismo neoliberal com que a campanha eleitoral finlandesa utilizou a necessidade de ajuda externa a Portugal, quase fazendo crer que podia impedir a tal "ajuda" internacional ao nosso país (que de ajuda nada tem e cujo "peso" decorre não só da quase incompreensível ignorância do panorama partidário português mas, também, do facto de já ser "ponto assente" que, provavelmente, decorrente dos custos sociais que a presente "ajuda" nos vai custar em termos de desemprego e incapacidade de crescimento, iremos continuar a precisar de mais "ajudas" - o que demonstra bem, caso dúvidas houvesse!, o carácter calculista do já referido "detonar" intencional das crises financeiras!), a verdade é que a a Finlândia não pode nem vai impedir o apoio internacional à nossa economia (ler AQUI)... mas, este post é fundamentalmente, a expressão de apoio aos finlandeses e finlandesas que aguardam uma mudança política real na ideologia de governação do seu país!... porque, nas palavras de uma amiga, natural e residente, desde sempre, na Finlândia: "estamos ansiosos por uma mudança! Já não se aguenta mais o autoritarismo desajustado de uma pseudo-democracia distanciada da que sonhamos partilhar com todos os europeus... é que estamos mesmo fartos daquela fulana e de toda uma direita, mais ou menos dissimulada que nos anda, há demasiado tempo, a impôr uma gestão democrática que, apesar de representativa não é, de facto, participada!" Assim seja ( ler AQUI)! Por uma Europa e um mundo melhor para todos! "Good night and Good Luck", Finland!

Dos Mercados Contra a Liberdade Política - um sinal contemporâneo da estratégia da decadência dos impérios...



Enquanto, por cá, os protagonistas políticos e mediáticos, partidos, jornalistas, comentadores e cidadãos "treinadores de bancada" vão "desancando" o Governo de José Sócrates, a propósito e despropósito de tudo e de mais alguma coisa e o PSD vai, de contradição em contradição, até à escolha de Fernando Nobre para Presidente da Assembleia da República (coisa que a democracia ignorava poder fazer-se até este rasgo criativo do amadorismo liberal extremo se fazer ouvir), académicos e peritos conseguem publicar - ainda que, como sempre dificilmente!, quando se trata de seriedade e inteligência - já que as agências noticiosas e os alinhamentos "vendem" mais com a violência, o conflito e o escândalo. É o caso de Robert M.Fishman, Professor de Sociologia na Universidade de Notre Dame, que alerta as sociedades para o perigo em que se encontram face às pressões dos mercados. Afirmando sem reservas que os mercados estão a ameaçar decisivamente a liberdade política, Robert Fishman afirma que Portugal teve um desempenho económico forte durante os anos 90 e que "estava a gerir a recuperação da recessão global melhor do que muitos países europeus"... Vale a pena ler AQUI, em língua portuguesa, o resumo do artigo deste académico, cujo original se pode ler AQUI... e depois, meus amigos, é de reflectir... reflectir, reflectir, reflectir muito!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Contra a Especulação, Assinar a Petição!

A crise internacional pode ter sido detonada intencionalmente por interesses que se ocultam, nomeadamente, sob o aparente anonimato das agências de rating. Os EUA já submeteram algumas das mais importantes destas agências a interrogatórios de alto nível e os Senadores concluem da culpa intencional da sua responsabilidade no eclodir de uma crise que afecta o mundo inteiro, com particular incidência, nos até agora designados "países desenvolvidos". A Europa ou melhor, a União Europeia tem sido um alvo privilegiado destes ataques especulativos dos mercados e Portugal é já considerado uma vítima desta "armadilha", considerando que as economias mais frágeis são, naturalmente, mais vulneráveis a estas estratégias financeiras de obscuras intenções e cujos danos acabam por resultar em "tiros nos pés" dos que, inclusivé, durante muito tempo, protegeram e defenderam estes procedimentos. Faz, por isso, todo o sentido assinar a petição que pede a investigação, a avaliação e a legitimação de respostas socio-políticas e socio-económicas ao brutal e desumano mundo da alta finança. O link para se aceder à esta petição está aqui e será contribuir para o bem de todos, o ler o seu conteúdo e proceder à sua subscrição:


sexta-feira, 8 de abril de 2011

FMI - Lembrete aos Fuínhas...



Excelentissimos Senhores, serve o presente "lembrete" para vos relembrar que, apesar de cientes das dificuldades e dos esforços, os cidadãos europeus continuam a defender um modelo social que promova, com eficácia, os direitos humanos e os direitos cívicos e que garanta, indefectivelmente, a luta pelos valores e objectivos que deram origem ao conceito de Europa Social, ou seja, democracia, liberdade e pleno emprego... Obrigado!... ah sim, e pelos Objectivos do Milénio, a Igualdade de Género e de Oportunidades, a Não-Discriminação, a Luta contra a Pobreza e as restantes prioridades do Desenvolvimento Humano!

terça-feira, 5 de abril de 2011

E a Espanha aqui tão perto...


Jose Luiz Zapatero anunciou que se não recandidata a um novo mandato na Presidência do Governo espanhol (ler aqui)... e decidiu fazê-lo um ano antes das próximas eleições para permitir que a sociedade espanhola e o PSOE se preparem para enfrentar o futuro (ler aqui)... curiosamente, Zapatero afirmara há pouco mais de uma semana, que a União Europeia iria confiar na capacidade do Primeiro-Ministro José Sócrates em resistir à pressão internacional dos mercados no que respeita ao recurso à "ajuda" externa (ler aqui). Tinha razão! A UE confiou mas, a oposição político-partidária interna portuguesa, não... por isso, hoje, perante o anúncio de Zapatero e a sua dupla consciência relativa, por um lado, à crise interna espanhola de que é inequívoco indicador o nível de desemprego no país que afecta cerca de 4 milhões e meio de cidadãos e, por outro lado, à que lhe permite a sua perspicácia político-económica relativamente à crise financeira internacional e europeia, ficamos com mais um relevante sinal de alerta no que respeita à complexidade do tempo que o modelo social europeu atravessa.... vale aliás, a pena ler o texto de José Carlos Molina no seu Hacia un Mundo Nuevo.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Os Samurais de Fukushima...

Em 2009 era assim a Festa em Fukushima, no Japão: Agora, em Abril de 2011, no tempo que é o do reflorescimento das cerejeiras, no País do Sol Nascente, em Fukushima, (re)vive-se o medo do nuclear que, um dia, foi em Nagasaki e Hiroshima e hoje, ali mesmo, em Fukushima, ameaça de forma iminente os 50 engenheiros e bombeiros japoneses que lutam contra as fugas dos reactores das centrais energéticas nucleares, conscientes de uma mais que provável morte contra a qual não correm, enfrentando-a entre a consciência e o terror, numa espécie de lenta imolação... por isso, por estes dias, a estes corajosos cidadãos a quem a vida deu de presente a inevitabilidade da não-opção, foi dado já o honroso mas triste epíteto de "Samurais de Fukushima":

terça-feira, 29 de março de 2011

Lula da Silva, o Presidente, o Mestre e o Homem


A solidariedade do Brasil com Portugal é indefectível (ler aqui) e disso faz prova a declaração de Lula da Silva, o Presidente que, de muitos prémios recorrentes da defesa de Direitos Humanos justamente acumulados, recebeu hoje, na Assembleia da República, o Prémio do Conselho Europeu Norte-Sul (ler aqui). Além de ter declarado ontem, à chegada a Lisboa que o FMI não é solução, alertando a sociedade e os políticos portugueses para o risco que correm e para a ilusão em que incorrem, Lula da Silva continua a ajudar o mundo e as organizações internacionais a reflectirem sobre os procedimentos e metodologias, com o objectivo de concorrer para a consolidação de um mundo mais justo e menos pobre que, por experiência própria, sabe ser possível construir (ler aqui e aqui). Lula da Silva, o Homem cujo olhar não deixa de afirmar com serenidade e determinação o lado da causa que desde sempre defendeu, tem hoje, também aqui, mais uma expressão do agradecimento de todos quantos entendemos a dimensão da sua excelente prestação humana no mundo complexo em que vivemos.

sábado, 26 de março de 2011

A Europa - entre a crise financeira e a revolução social


Para os que pensam que os protestos de rua se dirigem, como era tradicional há 20 ou 30 anos atrás, apenas aos executivos governamentais em exercício e como lição maior a ser tomada, prioritariamente, em linha de conta por toda a democracia representativa, já não é apenas o fenómeno revolucionário da coragem dos países magrebinos e árebes que sairam à rua ou sequer as grandiosas manifestações da Geração à Rasca, que deven ser tema conjuntural e efémero de conversa... o que é hoje, de facto!, o grande desafio político da democracia europeia, são todas essas manifestações a que, hoje mesmo, em Londres, se associaram 400.000 pessoas (ler aqui, aqui e aqui), para manifestar a sua absoluta oposição a medidas que combatem a segurança, a qualidade de vida, o emprego e a estabilidade social mínima... a Europa, ou seja, a cidadania europeia que é afinal o seu grande legitimador, está, consensualmente, na rua... e nenhum Governo ou Directório o pode ignorar ou adiar o seu confronto com a alteração da qualidade das políticas pelas quais a modernidade nos impõe a opção... A Economia contra a Política, não é um objectivo societário mas, um mero instrumento financeiro... e os Mercados Financeiros contra a Política, a Economia e as Sociedades não são um instrumento de gestão organizacional humano mas, um puro mecanismo de rentabilizar dinheiro e lucros de bolsas multinacionais anónimas... Por isso, quando não percebem que a insistência na recusa da ajuda externa por parte do ainda Primeiro-Ministro José Sócrates é, além de um esforço desmedido de não agravar a precária e dificilima situação económica portuguesa, um contributo solidário para a preservação da reserva do Fundo de Resgate Europeu de que a própria Espanha se tenta defender (veja-se a intervenção de hoje de José Luís Zapatero com o propósito de evitar a dramática mas, eufemisticamente, chamada "turbulência dos mercados"), enquanto, por outro lado e ao mesmo tempo, o principal líder da oposição portuguesa "atira para o ar" medidas avulsas que fazem sorrir esses mesmos mercados e têm efeitos devastadores no eleitorado português (é o caso da referência e do seu pseudo-desmentido sobre o aumento do IVA ou a privatização quer da RTP, quer de parte da Caixa Geral de Depósitos), a política deveria, antes de mais, dar atenção aos graves sinais que os povos exigem, descendo sem medo, à rua... A União Europeia ou decide optar por novas regras de gestão ou não resistirá aos movimentos sociais cujo desfecho pode significar duas coisas: o reforço da democracia participativa e/ou a criação de condições para a emergência das ditaduras neoliberais... Olhos bem abertos e sentido alerta, eis o conselho dos que conhecem a luta... e dos que, afinal!, têm real consciência da crise económico-financeira e socio-política em cujo âmago nos encontramos.

sábado, 12 de março de 2011

O Povo Unido Jamais Será Vencido!

Acreditem! O povo saiu à rua, hoje, sob o pretexto da manifestação da "geração à rasca". Em Lisboa, o mar de gente que desceu a Avenida da Liberdade e encheu as ruas, os Restauradores e o Rossio, foi, de facto!, um momento muito bonito da vida democrática portuguesa! Não tenham medo de o dizer! Só perderam os que lá não estiveram! O protesto não era contra este Governo apesar de, como sempre, em todas as manifestações, o poder em exercício ser também "chamado à liça"! Mas, não! O que hoje aconteceu em Lisboa foi uma manifestação pacífica, de cidadãos de boa-fé que querem que se saiba que a precariedade não pode ser a política de emprego da União Europeia... e é bom lembrar que a flexibilidade e a polivalência nos foram vendidas pelo neoliberalismo de uma filosofia que o PSD defende desde os anos 80 e que, depois de institucionalizada pela União Europeia, agora, todos os governos nacionais -incluindo os governos portugueses do PS- tiveram que adoptar para resistir às regras de um mercado anónimo e desumano! Erra quem pensar que os manifestantes votam PSD, CDS ou outra coisa qualquer e que se manifestam essencialmente movidos por interesses partidários! Não é verdade! O que aconteceu hoje foi uma espécie de festa da democracia (talvez porque "A Luta é Alegria" como se cantou com os "Homens da Luta", os "Terrakota" e Vitorino), em que todas as pessoas sorriam umas para as outras, cantavam, caminhavam juntas, sem ordem mas com uma alegria genuína... e falava-se do 25 de Abril, da "Tourada" que antes de 74 Fernando Tordo levou à Eurovisão e gritou-se a plenos pulmões: "O Povo Unido Jamais Será Vencido"! E se lá estiveram representantes políticos partidários do BE, do PCP, do PSD e outros foi porque a entrada nas manifestações é livre e eles também são cidadãos! Por isso, estão de parabéns os jovens e os cidadãos portugueses que sairam à rua e com plena liberdade de expressão, gritaram o que justamente vai na alma do povo... "E o povo, pá?" gritou-se não como quem condena tudo o resto mas como quem chama a atenção para a verdadeira razão de ser da política e da economia! Está de parabéns até o governo que não encheu as ruas de polícia e até saudou a manifestação dizendo que a compreende, que irá fazer o melhor que puder e que esta presença nas ruas é um sinal de vitalidade da democracia! E é! Acreditem! Só é pena que a comunicação social não o saiba transmitir! A democracia está viva e recomenda-se! Com cidadãos qualificados e ponderados que apenas exigem o que é um direito de todos: uma sociedade mais justa, com trabalho e com direitos! Viva a Liberdade! Viva a Democracia! ... e viva esta geração que, mesmo à rasca, soube trazer o povo à rua e gritar pacificamente que quer uma democracia melhor que o poder tem que ajudar a construir, transmitindo mais e melhor às populações o respeito que as pessoas lhes merecem! Acreditem! O povo unido jamais será vencido e... todos juntos venceremos todas as crises!

A Tragédia Japonesa - entre o Terramoto e o Perigo Nuclear...




O terramoto que ontem atingiu o Japão trouxe à luz do dia, além dos manifestos efeitos devastadores de uma destruição sem precedentes no país que é, talvez, a sociedade mais bem preparada para enfrentar este tipo de catástrofes, o perigo efectivo de um desastre nuclear decorrente da potencial contaminação decorrente das dificuldades de arrefecimento do núcleo das centrais de Fukushima. Apesar das centrais nucleares terem sido imediatamente fechadas e desligadas, a dificuldade de arrefecimento do núcleo dos reactores dado o corte dos sistemas eléctricos, provocou já, hoje, uma violenta explosão que deixou feridos alguns dos trabalhadores de uma destas centrais nucleares cuja área envolvente está envolta em fumos que o vento propaga sem que se conheça para já o efectivo perigo da sua disseminação. Entre as indicações de permanecerem fechados em casa e a intenção de evacuação, os habitantes da região estão agora sob ameaça de mais problemas decorrentes de uma segunda central nuclear também em Fukushima... como se não bastasse a destruição das cidades e dos campos, os já confirmados mais de 1.300 mortos, os 10.000 desaparecidos, os quatro milhões de pessoas sem electricidade, os novos tremores de terra e as suas réplicas, os japoneses estão agora sujeitos aos efeitos de um perigo nuclear de consequências ainda desconhecidas... De novo, a lição já tantas vezes reiterada, readquire actualidade, lembrando-nos que a opção nuclear não é, de facto, uma opção de futuro!

terça-feira, 8 de março de 2011

O Risco Europeu...


As últimas sondagens presidenciais em França denotam a vitória da extrema-direita, desta vez liderada por Marine Le Pen, filha do já conhecido por indesejado, Jean Marie Le Pen (ler aqui). O que dói num cenário desta natureza não é só o facto de ocorrer em França, a mítica pátria da Liberdade e da Igualdade mas, essencialmente, porque o seu significado é o da descrença social no mérito político e económico da democracia... e isso é, sem sombra de dúvidas, grave, perigoso e... tem rosto! O rosto é o da gestão política e económico-social das democracias europeias que conduziram as populações a situações de ruptura relativamente ao emprego e à desigualdade de oportunidades no acesso aos direitos sociais que regrediram substantivamente em toda a Europa... e se aos políticos tem convencido o teor das suas próprias palavras ao ponto de considerarem deter o controle da situação social, mais uma prova de que nem sempre as aparências coincidem com a verdade, está aí nestes resultados que signifiquem o que significarem no concreto não podem, contudo, ser ignorados ou minimizados (ler aqui)!... para os que sempre relativizaram a reedição dos fantasmas do passado e quiseram dar como adquirida a democracia e o exercício da cidadania, está aí a realidade... e, desta vez, os acontecimentos no Magreb e no mundo árabe, conferem-lhe uma dimensão muito particular! A inteligência, a democracia e a capacidade política do designado "espírito europeu" estão, agora, perante o despertar de uma prova de fogo. Veremos do que serão capazes os líderes das nossas economias e os protagonistas das nossas políticas! Socialmente, é bom que estejamos preparados: o futuro que desejamos melhor para todos, surge cada vez mais trémulo, no horizonte.

domingo, 6 de março de 2011

Marinho Pinto e as Falhas da Democracia


Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados, disse, segundo a notícia que hoje circula em toda a comunicação social, sem medos nem reticências, que o financiamento dos partidos assenta em métodos ilícitos... e vai mais longe ao afirmar que a corrupção actual não é maior do que a que existia no tempo da ditadura!... Podemos, por isso, sem medo de errar, dizer que estamos perante a mesma cultura que se auto-desculpabiliza com o inter-conhecimento em que se inscreve a permeabilidade do tráfico de influências tão comum, pelo menos no sul da Europa!, que o próprio exercício da cidadania tende a ignorar e minimizar as suas causas, relativizando-lhe os efeitos... Ora, uma democracia cúmplice da corrupção que lhe inquina os princípios é, seguramente!, uma democracia imperfeita que precisa urgentemente de se auto-reformar, já que as suas falhas põem em causa o cerne da substancialidade democrática, a saber, a equidade, a liberdade, a justiça social e a igualdade de oportunidades para todos... e é por isso que gosto dele - de Marinho Pinto, entenda-se!... porque só denuncia estas falhas quem não deve e não teme! (ler AQUI e aqui)