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sábado, 11 de abril de 2015

Da Explicação Etno-Poética... do Alentejo!


"Nunca vi um alentejano cantar sozinho com egoísmo de fonte.
Quando sente voos na garganta,
desce ao caminho
da solidão do seu monte,
e canta
em coro com a família do vizinho.

Não me parece pois necessária outra razão
- ou desejo
de arrancar o sol do chão
para explicar
a reforma agrária
no Alentejo.

É apenas uma certa maneira de cantar."

José Gomes Ferreira
in "Circunstâncias IV"

domingo, 3 de novembro de 2013

... do Original... do Medo...

 
"O POEMA POUCO ORIGINAL DO MEDO (Alexandre O'Neill)

O medo vai ter tudo
pernas
ambulâncias...
e o luxo blindado
de alguns automóveis

Vai ter olhos onde ninguém os veja
mãozinhas cautelosas
enredos quase inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no tecto
no murmúrio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
ouvidos nos teus ouvidos

O medo vai ter tudo
fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
óptimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projectos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
operários
(assim assim)
escriturários
(muitos)
intelectuais
(o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez a minha
com certeza a deles

Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente
muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes
e angustiados

Ah o medo vai ter tudo
tudo

(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)

*
O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos

Sim
a ratos."

Alexandre O'Neill
(via Flávio Pinho no Facebook)

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Urbanismos... exemplos paradigmáticos da História e da Literatura...

"(...) – Mas não estaremos nós a viver numa redoma, em círculo fechado, ignorando ou querendo ignorar a indiferença, o egoísmo, a estupidez de uma maioria narcotizada?
 - Qual maioria qual quê! Alguém que puxe fogo ao rastilho e você verá…
 - Mas se isto é um país sem indústrias, sem proletariado, sem consciência cívica!… Se a própria língua, que é reflexo da vida e por sua vez a modela, ainda mal chegou ao século vinte!”(...)
(Urbano Tavares Rodrigues in "Terra Ocupada"). Urbano Tavares Rodrigues, escritor, político, cidadão, nascido em 1923 e falecido há pouco, no corrente ano de 2013, deu uma entrevista ao Jornal de Negócios, no passado dia 7 de setembro de 2012 mas que o jornal republicou no dia do seu falecimento, 9 de Agosto de 2013... vale a pena reler essa entrevista: AQUI.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

"O meu país...



 
"O meu país sabe às amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande ,
...
nem inteligente, nem elegante o meu país, mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas....
"
 
(Eugénio de Andrade in "As Mãos e os Frutos")
 
(via Ilda Figueiredo no Facebook)

domingo, 9 de junho de 2013

Do Amor...

 
"A UM TI QUE EU INVENTEI

Pensar em ti é coisa delicada.
...
É um diluir de tinta espessa e farta
e o passá-la em finíssima aguada
com um pincel de marta.

Um pesar grãos de nada em mínima balança,
um armar de arames cauteloso e atento,
um proteger a chama contra o vento,
pentear cabelinhos de criança.

Um desembaraçar de linhas de costura,
um correr lã que ninguém saiba e oiça,
um planar de gaivota como um lábio a sorrir.

Penso em ti com tamanha ternura
como se fosses vidro ou película de loiça,
que apenas com o pensar te pudesses partir."
 
ANTÓNIO GEDEÃO, in "POESIA COMPLETA"
(via Maria Albertina Silva no Facebook) 

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Manuel Alegre, Hoje...




O novo romance de Manuel Alegre, "Tudo É e não É" é lançado hoje, dia 29 de Abril, no Palácio das Galveias, em Lisboa, pelas 19.15h, com edição das Publicações Dom Quixote... segundo as palavras escolhidas para a sua divulgação "um livro diferente e perturbador, escrito a partir de sonhos, porque, como diz o autor, citando Shakespeare, "somos feitos da mesma matéria de que são feitos os sonhos." O livro será apresentado por Maria Teresa Horta." A entrada é, naturalmente!, livre.


quinta-feira, 18 de abril de 2013

"O Príncipe e a Singularidade" - Download Gratuito...


"O Príncipe e a Singularidade - Um Conto Circular" da autoria de Pedro Barrento está finalmente disponível em Português nos sites da Amazon, tanto em "papel" como em formato kindle: 

Com uma narrativa criativa e transmissora de uma mensagem universalmente válida -como convém a todos os bons contos!- vale a pena ler... por isso, aqui fica uma amostra, a título de sugestão:





segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Razões de um Certo Desejo...

Almada de Negreiros, Final do "Manifesto Anti-Dantas" por Mário Viegas...

sábado, 5 de maio de 2012

As palavras... surreais...

É preciso dizer rosa em vez de dizer ideia 
é preciso dizer azul em vez de dizer pantera 
é preciso dizer febre em vez de dizer inocência 
é preciso dizer o mundo em vez de dizer um homem 
É preciso dizer candelabro em vez de dizer arcano
é preciso dizer Para Sempre em vez de dizer Agora
é preciso dizer O Dia em vez de dizer Um Ano
é preciso dizer Maria em vez de dizer aurora

Mário Cesariny


... e é por esta evidência que as palavras do poeta actualizam, tornando claro o trajecto que nos permite dar e trazer "novos mundos ao mundo", que urge assumir: o mercado editorial português está pobre!... pobre na capacidade de publicação e não apenas no que se refere à sua capacidade de investimento mas, também, no que respeita à margem de sustentabilidade indispensável à sua própria sobrevivência... Falta-nos, poesia, ciência, conhecimento e arte!... falta-nos, enfim!, a valorização institucional e colectiva da dimensão estrutural que reconhece à cultura o seu papel decisivo para o desenvolvimento e o crescimento das competências que podem abrir caminho ao futuro!...

domingo, 15 de abril de 2012

"Nada Está Escrito" - Manuel Alegre...

"NADA ESTÁ ESCRITO" é o título do novo livro de Manuel Alegre, cuja apresentação vai decorrer esta 2ªfeira, dia 16, na  Livraria Leya - Bucholz, pelas 18.30h. Pela Poesia e por tudo o que de melhor lhe associamos, vale a pena estar presente! Estamos todos convidados... e, já agora, como diria o Zeca, "traz um amigo, também"!

quarta-feira, 21 de março de 2012

No Dia Mundial da Poesia...


... "No meu jardim"... de Miguel Torga...
... "Cântico do País Emerso" ... de Natália Correia...
... e ... "Portugal"... de Alexandre O'Neill...

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

As Palavras Interditas...


... Eugénio de Andrade, o Mestre, disse "As Palavras Interditas"... palavras transparentes, como estas: "(...) uma criança passa de costas para o mar (...)" ... palavras em que a Poesia diz o tanto que há de "não-dito" por dizer - o "não-dito", essa matéria com que se faz o sentido do Poema e se expressa, de forma lúcida e mágica, o pensar em português...

domingo, 1 de janeiro de 2012

Homenagem ao Pensar e ao Dizer (d)o Sul...



"(...) Nunca ouvi um alentejano cantar sózinho
Com egoísmo de fonte.

Quando sente voos na garganta
Desce a solidão do caminho do seu monte
E canta em coro com a família do vizinho.

Não parece pois necessária outra razão
- ou desejo de arrancar o sol do chão -
para explicar a reforma agrária no Alentejo.

É apenas uma certa maneira de cantar."

(José Gomes Ferreira in "Circunstâncias IV")

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Um Manifesto Actual...


... de Almada Negreiros o "Manifesto Anti-Dantas" na voz, no tom e no timbre inimitáveis de Mário Viegas.

domingo, 16 de outubro de 2011

"(...) Nenhum Poder Destrói o Poema (...)"

"Sobre um Poema

Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.

Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
- a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.

- Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.
- E o poema faz-se contra o tempo e a carne."

Herberto Helder

   

domingo, 19 de junho de 2011

Leituras Cruzadas...

"O mundo está mal, dizemos/ E vai de mal a pior/ Mas afinal nada fazemos/ P'ra que ele seja melhor" (António Aleixo in "Este Livro Que Vos Deixo"). A quadra do poeta ocorreu-me ao rever os textos que mais atenção me despertaram, pelas razões do costume!, neste mundo blogosférico onde, felizmente!, também vamos existindo!... Será que nada fazemos, perguntaria eu, hoje mesmo se o pudesse!, ao poeta - ou será que o fazemos de uma tal forma desastrada, que tudo se inverte numa espécie de precipitada actuação, acometida de uma incontrolável e inconsciente tentação narcisista de controle, de razão e completa falta de disponibilidade para pensar sobre as palavras dos outros e, com eles e com elas, construir, mais e melhor... para o mundo - como presumo ser o sentido da referência de A.Aleixo!?! Sugiro, por tudo isto e por tudo o que mais nos enriquece nas reflexões que hoje partilho, as seguintes Leituras que, na minha opinião, mais ganham em ser Cruzadas:
Estrela Serrano no Vai e Vem *
João José Cardoso no Aventar
JM Gui Pimentel no Delito de Opinião*
Ricardo Schiappa no Esquerda Republicana
Miguel Madeira no Vento Sueste
Val no Aspirina B 
e Fernando Cardoso no Ayyapa Express
... até porque, além do mais!, é sempre bom ter em atenção o que pensam e dizem tantos dos que escrevem sem outro interesse à vista que não seja o da partilha desinteressada do exercício gratuito do poder - atitude que se costuma designar (pelo menos até novo entendimento conceptual-ideológico!): interesse público! ... uma vez que, tal como claramente o disse José Saramago: (...) Quando morrer o último Homem, Deus não ressuscitará!".
(Obs.: os blogues assinalados com * referem-se a textos publicados horas depois da publicação original deste post.)

sábado, 19 de março de 2011

"Ces Gens La" de Jacques Brel para Eduardo Chitas


... li há pouco, em textos de Pedro Penilo e Manuel Gusmão no 5 Dias, a notícia da morte de Eduardo Chitas, Professor de Filosofia Social e Política na Universidade de Lisboa... e a morte de um Professor e de um Amigo deixa-nos sempre sem palavras... Para ele, e por tudo o que me deu no que ao conhecimento, à honestidade, à objectividade, à sinceridade e à amizade respeita, deixo, por ora, a evocação de Jean-Jacques Rousseau no "Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens" numa sua pequena citação ilustrativa: "(...) Concebo na espécie humana duas espécies de desigualdade: uma, que chamo de natural ou física, porque é estabelecida pela natureza, e que consiste na diferença das idades, da saúde, das forças do corpo e das qualidades do espírito, ou da alma; a outra, que se pode chamar de desigualdade moral ou política, porque depende de uma espécie de convenção, e que é estabelecida ou, pelo menos, autorizada pelo consentimento dos homens. Consiste esta nos diferentes privilégios de que gozam alguns com prejuízo dos outros, como ser mais ricos, mais honrados, mais poderosos do que os outros, ou mesmo fazerem-se obedecer por eles.(...)" ... e, por esse sorriso no olhar que lhe era único, deixo ainda, porque o faria sorrir, o som de Jacques Brel em "Ces Gens La..."...

sábado, 22 de janeiro de 2011

Da Função Social da Arte - Símbolo e/ou Significado em Vésperas de Eleições Presidenciais

"É possível falar sem um nó na garganta
É possível amar sem que venham proibir
É possível correr sem que seja fugir.
Se tens vontade de cantar não tenhas medo: canta.
É possível andar sem olhar para o chão
É possível viver sem que seja de rastos.
Os teus olhos nasceram para olhar os astros
Se te apetece dizer não grita comigo: não.
É possível viver de outro modo. É
possível transformares em arma a tua mão.
É possível o amor. É possível o pão.
É possível viver de pé.
Não te deixes murchar. Não deixes que te domem.
É possível viver sem fingir que se vive.
É possível ser Homem.
É possível ser Livre, Livre, Livre."
Manuel Alegre
(A imagem é de um quadro de Maria Keil chamado "Abril"... o poema de Manuel Alegre foi "surripiado" ao A Carta a Garcia... com os meus agradecimentos!)

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

José Barata Moura, a Voz Portuguesa num Poema de Neruda


Na voz de José Barata Moura ressoa a sabedoria profunda da terra, perante a qual se manifesta a sensibilidade humana e se constrói o sentido da vida... desta vez, na leitura da "Ode à Idade" de Pablo Neruda...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Sísifo - Reflexo e Recurso da Ideologia Político-Económica


Durante muito tempo, o pensamento dominante organizou a percepção e a representação da realidade de forma dicotómica - filosoficamente, esta categorização da estrutura organizacional do pensamento ficou conhecida por cartesianismo e em termos ideológicos perspectivou-se, já contemporaneamente, na distinção entre pensamento marxista e pensamento hegeliano. Hoje, depois das triagens que os exercícios críticos dos postulados políticos imprimiram a estas "visões do mundo", o problema deveria colocar-se, pragmaticamente, da seguinte forma: estaremos a viver um tempo e um espaço de dúvida relativamente ao juízo com que reconhecemos, subjacente às decisões, a prevalência da dimensão económica sobre a política - sabendo-se que a economia é movida, sob a imensa teia dos interesses financeiros que aparentam esgotar-se em si próprios, por concepções ideológicas? ... olhar o real, transmutá-lo e devolvê-lo à realidade é a forma poética de enunciar a capacidade do sujeito apreender os objectos e hoje, depois da convicção defensora da prevalência do económico sobre o ideológico e do seu inverso (a saber, a prevalência do ideológico sobre o económico), é legítima a hipótese de se equacionar a gestão do mundo desenvolvido como estratégica ideológica de uso da economia de mercado para viabilizar a dominação das estruturas tradicionais do poder, permitindo o acesso ao seu contrário (teorias planificadas, socializantes ou defensoras do Estado Social) para constatar a sua falibilidade na criação de riqueza, legitimando-se assim, por exclusão de partes, a continuidade e o reforço no (re)investimento das lógicas assentes na privatização, na discriminação e na hierarquização vertical. Há uns anos atrás, a esquerda constatava, com surpresa!, a apropriação da leitura marxista da realidade pela direita e quando se deu conta, entre o exercício e a luta pela conquista do poder em contextos democráticos, a causa dos desprotegidos tornou-se o reino demagógico da mensagem política da direita... devolver o discurso aos princípios e às práticas em termos evidenciáveis no plano do concreto, é o que os cidadãos exigem hoje à política e é esse o cerne da resposta para a procura e o depósito da confiança que teima permanecer na posse dos que decidem conjunturalmente, nos períodos eleitorais. Porém, enquanto o usufruto efémero do poder político se mantiver como objectivo maior da luta ideológica, a economia aparentará uma autonomia sem rosto e os cidadãos continuarão a perspectivar a existência humana como uma fatalidade reduzida à reprodução do eterno mito de Sísifo.