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quinta-feira, 2 de abril de 2015

O Espírito da Páscoa - na etnografia do Professor Galopim de Carvalho

Hoje li uma narrativa lindíssima da autoria do Professor Galopim de Carvalho, cuja escrita transforma a etnografia em contos de encantar! Penso que não faço mal se a partilhar via "A Nossa Candeia"... porque, de certa forma, é o mais bonito conto de Páscoa que conheço!
 
 
"SEMANA SANTA


Comer o borrego pelas festas da Páscoa está ligado a tradições religiosas e culturais chegadas até nós, vindas de longe, no tempo e na distância. É ler a Bíblia e ver como este simpático animal, com este ou outros nomes, se liga à tradição judaico-cristã, não sendo difícil procurar-lhe raízes ainda mais antigas. No antigamente, sacrificava-se o anho no altar; hoje come-se o borrego em reunião de família, depois de passadas as trevas e a dor, todos os anos evocadas durante a Semana Santa.
Nos meus tempos de criança quem tinha posses matava o borrego em casa, no Sábado, logo pela manhã, a fim de que a carne do dito pudesse figurar na ementa do almoço desse dia, já festivo, depois de bem anunciadas as Aleluias, ao meio-dia, nos carrilhões da Sé, logo seguidas pelo repicar de todos os sinos de todas as igrejas da cidade e arredores.
Era a festa! Era o fim do luto!
Num desses anos, o nosso pai teve a ideia de fazer como algumas famílias da periferia da cidade que, vivendo os inconvenientes da vida do campo, sabiam aproveitar-lhe as poucas vantagens. Assim, muito antes da Páscoa, comprou um lindo borreguinho acabado de desmamar, que já se governava sozinho se o deixassem em campo com erva.
Nós tínhamos necessidade de o levar a pastar, “fora de portas”, no que nos disputávamos constantemente. Cada um queria para si o gosto de segurar da corda que o prendia à coleira, onde chocalhava um pequenino guizo de latão. Vê-lo saltar, correr com ele que, por fim, já nos seguia sem trela e vinha ao nosso chamamento, era uma alegria nunca vivida.
Passados os Ramos, as Endoenças e o Enterro do Senhor, na Sexta Feira de Paixão, seguia se, inexoravelmente, o dia do «sacrifício».
Das conversas do pai com a mãe, eu e os meus quatro irmãos (três rapazes e duas raparigas) sabíamos que o tio Manuel, irmão do pai e homem de todas as profissões, viria sábado, bem cedinho, ocupar-se da matança antes que a rapaziada acordasse. Nessa manhã, após uma noite de vigília dos mais velhos, que se revezaram em quartos para que não falhasse a alvorada, levantámo-nos bem mais cedo do que a mãe pensava e aguardávamos o momento de dar execução ao plano que havíamos traçado. Entretanto, nos dias que antecederam aquele Sábado, tínhamos exercido intensa actividade de sensibilização da mãe, onde sabíamos estar a última palavra no desfecho do drama, chamando-lhe a atenção para a graciosidade do bicho, levando-a a acariciá-lo, redobrando, para que visse, as nossas atenções e brincadeiras com ele.
Visivelmente aflita, a mãe já não sabia o que fazer, dividida, por um lado, entre o nosso amor pelo animalzinho e a simpatia que, também ela, já nutria por ele e, por outro, dar de comer a uma família que já não era pequena. Quando, no Sábado, o tio chegou, a mãe, de olhos inchados e vermelhos, já estava no quintal com os alguidares e os preparos necessários. O tio trazia a navalha, bem afiada e bicuda. Num canto, o “mé mé”, branco de algodão, preso à trela, balia como que chamando a si a atenção da mãe que, roída por dentro de remorsos antecipados, evitava olhá-lo.
- Vá, Manuel, despache lá isso, depressa!
De rompante, invadimos o quintal e berrando uns, chorando outros, rodeámos o animalzinho com tanta determinação que não houve quem tentasse, sequer, tirá-lo das nossas mãos. A mãe, mentalizada de há muito pela nossa acção, foi a primeira a ceder, mais aliviada do que contrariada. Afinal, também ela não queria o sacrifício do animalzinho e percebera a tempo o que essa violência representaria para nós. O tio, completamente alheio ao drama, aceitou mal aquela mudança de última hora, não prevista e, sobretudo, o que mais lhe desagradou foi perder aquela pele branquinha que lhe renderia uns tostões. Saiu resmungando, indignado com a cena de insubordinação.
O pai foi o último a saber do resultado do confronto. Quando apareceu no campo da refega, a batalha estava decidida e não seria ele a pegar na faca. Não havia vencidos!
Havia Aleluia para nós, para os pais, de aliviados que ficaram e, também, claro, para o bicho.
Da carne de um borrego qualquer, que nunca havíamos conhecido, comprada no talho do Patinhas e passada que foi a tensão vivida, com que apetite comemos e que bem que nos souberam aquelas costeletas fritas com alho, aquele ensopado e aquele maravilhoso assado no Domingo de Páscoa!
O borreguinho, acabámos por conceder, levou-o o senhor Domingos, o marido da nossa lavadeira, depois de nos prometer, solene, libertá-lo entre os outros que pastavam lá no monte onde viviam e não consentir que ninguém o levasse. – Nunca!
De vez em quando perguntávamos-lhe por ele.
- Está lindo e mais crescido! – Respondia sempre.
– Quando é que vamos ao monte do senhor Domingos ver o nosso amigo? – Perguntávamos ao pai, vezes sem conto.
- Um dia destes! – Era invariável a resposta.
O tempo encarregou-se de diluir a nossa preocupação e de nos confrontar com a realidade que também nos ensinou a aceitar.
Este episódio, tantas vezes contado em sucessivas Páscoas, reunida a família em torno da mesa com a assadeira de barro ao centro, fumegante, perfumada e apetitosa, sofreu, ao longo dos anos, retoques de todos nós, já crescidos, dando-lhe as cores que cada um tomou para si. Porém, no essencial, foi isto que aconteceu, há quase oitenta anos. Claro que nunca soubemos o destino deste nosso companheiro, embora não seja difícil imaginá-lo.
Para mim, há sempre num monte do Alentejo um borreguinho branco e saltitante, em todas as Primaveras, a perpetuar-lhe a imagem."
 
Observação: A autoria do texto é do Professor Doutor António Galopim de Carvalho e a escolha da imagem também.

Da Paz que se Respira...

... nas paisagens, nos sorrisos e nesse extraordinário mundo onde a harmonia entre natureza e cultura não foi ainda tão adulterada como neste Ocidente onde a resiliência foi desaparecendo, substituída pela criação intencional de um consumismo que nos afasta, sob as mais diferentes formas, do melhor que somos ou podemos ser - retirando-nos a experiência natural da paz que, em esforço!, os cidadãos cansados, artificialmente procuram e têm que pagar.

terça-feira, 31 de março de 2015

"...O Medo é o Assassino do Coração Humano ..."

ENTREVISTA COM UM MÉDICO TIBETANO: LAMA TULKU LOBSANG RINPOCHE
Sou uma pessoa normal, penso o tempo todo. Mas tenho a mente treinada. Isso quer dizer que não sigo meus pensamentos. Eles vêm, mas não afetam nem minha mente, nem meu coração.
Quando um paciente chega para consulta, como o senhor sabe qual o problema?
ROlhando como ele se move, sua postura, seu olhar. Não é necessário que fale nem explique o que se passa. Um doutor de medicina tibetana experiente sabe do que sofre o paciente a 10 m de distância.
Mas o senhor também verifica seus pulsos.
R Assim obtenho a informação que necessito sobre a saúde do paciente. Com a leitura do ritmo dos pulsos é possível diagnosticar cerca de 95% das enfermidades, inclusive psicológicas. A informação dada por eles é precisa como um computador. Para lê-los, é necessária muita experiência.
E depois, como realiza a cura?
RCom as mãos, o olhar e preparados de plantas e minerais.
Segundo a medicina tibetana, qual é a origem das doenças?
R
Nossa ignorância.
Então, perdoe a minha, mas o que entender por ignorância?
R
Não saber que não sabe. Não ver com clareza. Quando vemos com clareza, não temos que pensar. Quando não vemos claramente, colocamos o pensamento para funcionar. E, quanto mais pensamos, mais ignorantes somos, mais confusão criamos.
Como posso ser menos ignorante?
R
Vou ensinar um método muito simples: praticando a compaixão. É a maneira mais fácil de reduzir os pensamentos. E o amor. Se amamos alguém de verdade, se não o queremos só para nós, aumentamos a compaixão.
Que problemas percebe no Ocidente?
R
O medo. O medo é o assassino do coração humano.
Por quê?
R
Porque, com medo, é impossível ser feliz e fazer felizes os outros.
Como enfrentar o medo?
R
Com aceitação. O medo é resistência ao desconhecido.
Como médico, em que parte do corpo vê mais problemas?
R
Na coluna, na parte baixa da coluna: as pessoas permanecem sentadas tempo demais na mesma posição. Com isso, se tornam rígidas demais.
Temos muitos problemas.
R -
 Acreditamos ter muitos problemas, mas, na realidade, nosso problema é que não os temos.
O que isso quer dizer?
R
Que nos acostumamos a ter nossas necessidades básicas satisfeitas, de modo que qualquer pequena contrariedade nos parece um problema. Então, ativamos a mente e começamos a dar voltas e mais voltas sem conseguir solucioná-la.
Alguma recomendação?
R
Se o problema tem solução, já não é um problema. Se não tem, também não.
E para o estresse?
R
Para evitá-lo, é melhor estar louco.
??????
R
É uma piada. Mas não tão piada assim. Eu me refiro a ser ou parecer normal por fora e, por dentro, estar louco: é a melhor maneira de viver.
Que relação o senhor tem com sua mente?
R
Sou uma pessoa normal, penso o tempo todo. Mas tenho a mente treinada. Isso quer dizer que não sigo meus pensamentos. Eles vêm, mas não afetam nem minha mente, nem meu coração.
O senhor ri muito?
R
Quando alguém ri nos abre seu coração. Se você não abre seu coração, é impossível entender o humor. Quando rimos, tudo fica claro. Essa é a linguagem mais poderosa que nos conecta uns aos outros diretamente.
O senhor acaba de lançar um CD de mantras com base eletrônica, para o público ocidental.
R
A música, os mantras e a energia do corpo são a mesma coisa. Como o riso, a música é um grande canal para nos conectar com o outro. Por meio dela, podemos nos abrir e nos transformar: assim, usamos a música em nossa tradição.
O que gostaria de ser quando ficar mais velho?
R
: Gostaria de estar preparado para a morte.
E mais nada?
R
O resto não importa. A morte é o mais importante da vida. Creio que já estou preparado. Mas, antes da morte, devemos nos ocupar da vida. Cada momento é único. Se damos sentido à nossa vida, chegamos à morte com paz interior.
Aqui vivemos de costas para a morte.
R
: Vocês mantêm a morte em segredo. Até que chegará um dia em sua vida em que já não será um segredo: não será possível escondê-la.
E qual o sentido da vida?
R
A vida tem sentido e não tem. Depende de quem você é. Se você realmente vive sua vida, então a vida tem sentido. Todos têm vida, mas nem todos a vivem. Todos temos direito a sermos felizes, mas temos que exercer esse direito. Do contrário, a vida não tem sentido.

sábado, 14 de março de 2015

Preciosidades...

... para sorrir, aprender, lembrar... e ver na íntegra!... ... porque há patrimónios... inesquecíveis :)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Do Ano Novo como Património Cultural - Losar 2142

Hoje começa a contagem decrescente para as celebrações de Ano Novo... no Tibete, no Nepal e no Butão! - onde o calendário, lunar, assinala o ano 2142. Com mais 127 anos do que o calendário que utilizamos no Ocidente (calendário gregoriano), o calendário tibetano é constituído por 20 meses lunares, celebrando o Losar (Ano Novo) no 1º dia do seu 1º mês, ou seja, na Primavera, quando se homenageiam e celebram,  com a prática de rituais de agradecimento, os 5 elementos: Terra, Água, Fogo, Ar e Espaço. Na sua origem, estiveram as celebrações do solstício de inverno e a introdução das práticas agrícolas, cuja natureza requer a regularidade cíclica (cultivo, irrigação) e, recorrentemente, as práticas metalúrgicas. Segundo reza a tradição, o assinalar festivo do calendário dever-se-á a uma velha mulher chamada Belma que introduziu as fases da lua como medida do tempo. Posteriormente, a celebração do Losar foi transferida para o primeiro mês lunar por um líder da Escola budista Gelup, criada no século XVI, no contexto da existência de um território alargado de influência cultural e religiosa que alcançava a Mongólia e a China - razão pela qual, hoje, o Losar tibetano se aproxima das datas de celebração do Ano Novo mongol e chinês. Tradicionalmente, as celebrações do Losar perduravam 15 dias, sendo os 3 primeiros dias os mais intensos no que respeita às práticas festivas. Nos nossos dias, as mesmas celebrações podem demorar entre 1 e 15 dias, em função da coesão e densidade cultural dos seus praticantes no território em que residem (Tibete, Nepal, Butão, Índia e em o mundo onde, com a diáspora, chegou a cultura tibetana). Segundo o calendário, os próximos dias 18 e 19 de Fevereiro correspondem ao Losar 2142!
Feliz Losar 2142 a todos! 
Tashi Delek!

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Do Cante Alentejano como Património Imaterial da Humanidade...

... O Alentejo espera hoje que a Unesco integre o Cante na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade!

sábado, 1 de novembro de 2014

Uma Viagem no Tempo...



Nasci 2 anos depois de Fernando Lopes ter realizado este filme, cuja luminosidade da imagem, a branco e preto, se valoriza entre o cante e o silêncio.
Esta é a autêntica cidade viva da minha infância - do Café Arcada e dos arcos cheios de homens (esse género que dominava, quase em exclusivo!, o espaço público), da Praça do Geraldo cruzada por autocarros azuis com tejadilho branco, da Feira de S.João com vendedores de tapetes de buinho, de cantarinhas e panelas de barro, de tachos e alambiques de cobre, de bóias e bolas de praia (a minha tinha a cabeça de um pato)... o mesmo circo e até o mesmo carrossel...
Évora, a das igrejas, dos espaços abertos, dos labirínticos circuitos de ruas desertas e das paredes muito brancas... Évora, a dos telhados altos, recortados e cruzados, a dos recantos por onde tanto passeei, calmamente pela mão do meu avô e, mais depressa, pela da minha tia, entre perguntas e respostas, entradas na Gráfica para comprar os pequenos livros das histórias que me encantavam os dias e os bolinhos da Académica e da Bijou...
Évora, a misteriosa princesa feita de portas desenhadas, janelas rendilhadas, corínticas colunas viradas ao céu e silêncios que persistem eternos.
Évora, uma espécie de encantado intervalo no penoso trabalho dos campos, durante os rigores do estio, quando o pó enchia a boca dos trabalhadores sem terra e, tantas vezes!, sem pão.
Évora, coração do Alentejo.
 
(o meu agradecimento ao Rui Arimateia que partilhou, no Facebook, este filme que, se me permitem a sugestão, se pode ver também, de uma forma extraordinária, se lhe retirarmos o som)

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Diwali - Tempo de Festejar a Luz...

 
Hoje celebra-se no calendário hindu mas, também, entre sikhs, budistas e jains, o Diwali, conhecido como Festival das Luzes, símbolo da energia positiva que se renova, coletivamente, todos os anos.
 
"Que o Festival das Luzes preencha todas as vidas com o brilho da felicidade e da alegria!"
 
(para conhecer melhor o sentido do Diwali ler aqui).

terça-feira, 21 de outubro de 2014

As comunidades indianas migrantes...



... fotógrafo justamente conceituado deste país maravilhoso que é a Índia, um dos maiores e melhores espelhos da Humanidade, onde a democracia e o sucesso se consolidam, vencendo e mudando progressiva mas, solidamente, uma espécie de caos que parecia eterno, vale a pena conhecer o trabalho de Pablo Bartholomew que, sendo datado e carecendo de alguns anos relevantes no desenvolvimento deste país-continente, é, ainda assim, notável para que possamos conhecer melhor o mundo em que vivemos...

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Da Fala ...



"Alentejanismos… com tradução
 
Eu - Abalei às 15h…
Ele - Tu o quê??...
Eu - Abalei…
Ele - O que é isso?
Eu - Ora, fui-me embora…
 
Todo o bom alentejano “abala”, para um sítio qualquer, que normalmente é já ali. O ser já ali é uma forma de dizer que não é muito longe, mas claro que qualquer aldeia perto aqui no Alentejo está no mínimo a cerca de 30km. Só um alentejano sabe ser alentejano!
Um alentejano “amanha” as suas coisas, não as arranja, um alentejano tem “cargas de fezes”, não tem problemas, um alentejano vai “à do" ou "à da"…” não vai "a casa de"…, um alentejano “inteira-se das coisas” não fica a saber… No Alentejo não há aldrabões há “pantomineiros” e aqui também não se brinca, “manga-se”.
 
No Alentejo não se deita nada fora, “aventa-se” qualquer coisa e come-se “ervilhanas” ou “alcagoitas” (amendoins) e “malacuecos” (farturas). Os alentejanos não espreitam nada nem ninguém, apenas se “assomam”… E quando se “assomam” muitas vezes podem mesmo ter dores nos “artelhos” (tornozelos)!
As coisas velhas são “caliqueiras” e muitas vezes viaja-se de “furgonete” (carrinha de caixa aberta), algo que pode deixar as pessoas “alvoreadas” (desassossegadas). Quando algo não corre bem, é uma “moideira” (chatice) e ficamos “derramados” (aborrecidos) com a situação, levando muitas a vezes a que as pessoas acabem por “garrear” (discutir) umas com as outras e a fazerem grandes “descabeches” (alaridos).
 
Ainda-bem-não” (regularmente) as pessoas tem que puxar pela “mona” (cabeça) para se desenrascarem quando muitas vezes a solução dos seus problemas está mesmo “escarrapachada” (bem visível) à sua frente.
Não estou “repesa” (arrependida) de ter escrito esta pequena crónica, com vista a lembrar detalhes do património oral que nos é tão próximo e muitas vezes de “bradar” aos céus. “Dei fé” (pesquisei) a algumas expressões e tentei não vos criar, a vós leitores, uma grande “moenga”, apenas quero que guardem algumas destas expressões na vossa “alembradura” (lembrança)!"
 
(via Miguel Madeira no Facebook)

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Das Artes em Extinção como Património Ameaçado...

... GPS porque estes eram os instrumentos de localização de uma sociedade rural cujos pastos se perdiam pela extensão dos campos, num tempo em que não havia vedações... "GPS - Arte Chocalheira de Alcáçovas", um breve documentário de Luís Godinho e Luís de Matos.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Da Eternidade da Poesia no Feminino - Sofia no Panteão

"Esta Gente

Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre

Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome



E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "Geografia"

terça-feira, 1 de julho de 2014

Alandroal - Semana do Endovélico 2014

 
Estão Todos Convidados!


domingo, 22 de junho de 2014

Almendres - Solstício de Verão 2014



Solstício de Verão no Cromeleque dos Almendres! 

A celebração começou ao nascer de sol e prolongou-se até às 21h.

Quanto a mim, tive o prazer de a acompanhar a partir das 16.30h com a conferência do arquitecto Pedro Alvim sobre os alinhamentos astronómicos em que o Cromeleque dos Almendres se inscreve.

A título de enquadramento, a iniciativa contou com um atelier de produções tecnológicas das sociedades caçadoras, pastoris e neolíticas, protagonizado pelo Pedro Calado da Associação de Mação "ANDA KATU" e cujo epílogo, qual cereja sobre o bolo!, se festejou com um espectáculo composto pelo belíssimo concerto de piano de Amílcar Vasques-Dias, pontuado pelos amigos... no cante, com Joaquim Soares e um mais jovem cantador do Cantares de Évora, nas marionetas pelo sempre incomparável Manuel Dias e na dança pela performance do Márcio Pereira!



Com o incansável apoio do precioso
António Carlos Silva e da CME, cujos colaboradores ultrapassaram o cansaço que acompanha a preparação da Feira de S. João - solidários e sempre atentos ao discernimento do que é prioritário e não tem preço!- a iniciativa pode ter assinalado o início de um trabalho estratégico de redinamização cultural de excelência internacional!... Eis Évora em plena recuperação do melhor esforço pela reabilitação da cultura e da valorização do património que é da Humanidade! Com votos de muito agradecimento e inestimável regozijo a todos os seus protagonistas e a todos os participantes - de que quero destacar, a Guida, a Leonor Rocha, a Lena, o Takis, o Luís Garcia, o Rúben Menezes, o João Bernardo, a Joana e muitos outros amigos que, por aí estarem, tornaram melhor e maior a honra de participarmos e reconhecermos os 6.000 anos de História de que somos, afinal, a parte que faz do passado a moldura invisível do presente, configurando-o como futuro!... De todos e para todos! Bem-hajam! ... e, se a canção dizia, por "Tanto Mar", dizemos nós agora, por "Tanta Terra, Tanto Fogo e Tanto Ar": AQUELE ABRAÇO :))

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

O Conto Tradicional - Memória, Identidade, Partilha...

A inauguração foi ontem, 5ªfeira, 13 de Fevereiro, em Évora... mas, a iniciativa vai prolongar-se até Abril... e é, indiscutivelmente!, imperdível! Por todas as razões que possam imaginar e por todas aquelas que a programação que, a seguir, se apresenta, pode suscitar:

O CONTO TRADICIONAL
MEMÓRIA | IDENTIDADE | PARTILHA

CONVENTO DOS REMÉDIOS
ÉVORA 13 DE FEVEREIRO A 30 DE ABRIL DE 2014


ORGANIZAÇÃO:
Centro de Recursos da Tradição Oral e Património Imaterial do Concelho de Évora
Divisão do Centro Histórico, Património, Cultura e Turismo
Câmara Municipal de Évora


PROGRAMAÇÃO GERAL

EXPOSIÇÕES
13 Fev a 30 de Abril

ILUSTRAÇÃO DE CONTOS TRADICIONAIS
BIBLIOGRAFIAS SOBRE CONTOS TRADICIONAIS

FEVEREIRO

Dia 13 (5.ª Feira) 18:00  – INAUGURAÇÃO
Dia 18 (3.ª Feira) 18:00  – Roda de Contos
Dia 19 (4.ª Feira) 18:00  – Tertúlia “OS NOVOS CONTADORES”
Dia 25 (3.ª Feira) 18:30  – Cinema “SILVESTRE” de João César Monteiro
Dia 26 (4.ª Feira) 18:00 – Tertúlia “OS CONTOS E AS MARIONETAS”

MARÇO
Dia 1 (Sábado) 16:00 – Marionetas pelo TRULÉ – “Bonecos do Mundo”
Dia 5 (4.ª Feira) 18:00 – Tertúlia “TEATRO / ANIMAÇÃO CULTURAL”
Dia 8 (Sábado) 16:00 – Marionetas pelo TRULÉ – “Bonecos do Mundo”
Dia 11 (3.ª Feira) 18:30 – Cinema “A PRINCESA PELE DE BURRO” de Jacques Demi
Dia 12 (4.ª Feira) 18:00 – Tertúlia “OS CONTOS E A MÚSICA CLÁSSICA” (audição)
Dia 15 (Sábado) 16:00 – Workshop Pim Teatro – “Histórias do Arco da Velha”
Dia 18 (3.ª Feira) 18:00 – Roda de Contos
Dia 19 (4.ª Feira) 18:00 – Tertúlia “LITERATURA E POESIA”
Dia 22 (Sábado) 16:00 – Pim Teatro – “O AUTO DE S. MARTINHO”
Dia 25 (3.ª Feira) 18:30 – Cinema “A FLAUTA MÁGICA” – Ingmar Bergman
Dia 26 (4.ª Feira) 18:00 – Tertúlia “EDUCAÇÃO FORMAL / NÃO FORMAL”
Dia 29 (Sábado) 16:00 – Workshop Pim Teatro – “HISTÓRIAS  DENTRO DE UMA CAIXA”

ABRIL
Dia 1 (3.ª Feira) 18:00 –  Tertúlia “MITOS E CONTOS TRADICIONAIS”
Dia 2 (4.ª Feira) 18:00 – Roda de Contos
Dia 5 (Sábado) 16:00  – Era Uma Vez Marionetas – “O CAPUCHINHO VERMELHO”
Dia 8 (3.ª Feira) 18:00 – Cinema “A LENDA DA FLORESTA” – Ridley Scott
Dia 9 (4.ª Feira) 18:00 – Tertúlia “LIVROS E EDITORES”
Dia 12 (Sábado) 16:00 – Era Uma Vez Marionetas –“O CAPUCHINHO VERMELHO”
Dia 15 (3.ª Feira) 18:00 – Roda de Contos
Dia 16 (4.ª Feira) 18:00 – Tertúlia “MULTICULTURALIDADE”
Dia 22 (3.ª Feira) 18:30 – Cinema “O LABIRINTO DO FAUNO” – Guillermo del Toro
Dia 23 (4.ª Feita) 18:00 – Tertúlia “O CINEMA E OS CONTOS TRADICIONAIS"
Dia 25 (6.ª Feira) 16:00 –Era Uma Vez Marionetas –“O CAPUCHINHO VERMELHO”
Dia 26 (Sábado) 16:00 – Era Uma Vez Marionetas –“O CAPUCHINHO VERMELHO”
Dia 29 (3.ª Feira) 18:00 – World Crisis Theatre – The Power of Crisis: Crise, Memória, Identidade
Dia 30 (4.ª Feira) 18:00 – Tertúlia – “OS CONTOS E AS ARTES VISUAIS”


INSCRIÇÕES nas diferentes  atividades /espectáculos:
e-mail:
630@cm-evora.pt
Telem.: 965 959 000 (ext. 1682)
Marionetas/Teatro/Worshops – preços para Escolas: 2,50 €; Público em geral: 3,00€.
Exposições / Tertúlias / Rodas de Contos / Cinema – Entrada Livre

Horários de Abertura ao Público:
Dias Úteis: Das 9:00 – 12:30  e das 14:00 às 18:00
Sábados: Das 14:00 – 18:00

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Miró - Entre a Ideologia e a Incompetência Cultural da Política...

 
Poderia até ser mesmo uma questão ideológica mas, não é!... Senão, vejamos: enquanto o governo espanhol se prepara para reduzir em 10% o IVA aplicável aos produtos culturais, o governo português continua a defender a venda de 85 quadros, inéditos, de Juan Miró... com a agravante de já ter sido colocada uma providência cautelar ao processo que nem sequer respeita a lei portuguesa que regula a venda do património cultural e depois da própria leiloeira Christies's ter impedido que as obras chegassem a licitação, a escassas 3 horas do início do leilão. No âmbito do brutal investimento na falhada compra do BPN, o único ativo recuperável pelo valor patrimonial inestimável que representa foram estas 85 obras que os atuais governantes portugueses querem vender como se desse produto resultasse a solução para a dívida externa portuguesa!!! Não resulta!... mesmo assim, insistem!... É caso para perguntar quem ganha com o favorzinho já que o montante que daí resultaria constituiria, como diz Joe Berardo, "peanuts" em relação à crise económico-financeira do país... enquanto a perda de autoridade moral internacional, a vergonha pela incompetência cultural da política nacional e o prejuízo no potencial ganho para o património em termos de arte contemporânea são, inequivocamente, incomensuráveis!
 
(Imagem do quadro "Carnaval de Arlequim" de Juan Miró) 

domingo, 12 de janeiro de 2014

Dukezong, o Resgate da Memória...

Dukezong é uma das mais conhecidas cidades tibetanas! Situada na atual província de Yunan, no sul da China, foi objeto de um brutal incêndio, na passada 6ªfeira. Registe-se, a assinalar a dimensão da tragédia,  que, 10 horas após ter deflagrado, o incêndio destruíra 242 edifícios e provocara 2.500 desalojados (ler aqui).
Dukezong é a cidade a que se atribui a localização da lendária origem de Shangri-La, o vale encantado do Paraíso terrestre...
... e o que o mundo, hoje, pode desejar e requerer é que a recuperação de Dukezong seja íntegra e reproduza a realidade que lhe granjeou o prestígio - símbolo maior do património material e imaterial da Humanidade.