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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Da Genuinidade da Alegria...


(in Imagens de África - via Francisco Gentil Apolónio)



segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Mural - A Face de um Património...

 
... (via António Couvinha e Mani Martins no Facebook)

sábado, 20 de outubro de 2012

Igualdade na Diversidade...

(via João Maria Grilo no Facebook)

domingo, 30 de setembro de 2012

O país que queremos para todos...


... Portugal pode ser assim para todos! A "Beleza da Simplicidade" é o filme que, depois de premiado nos EUA, na Letónia, em Riga e em Cannes, ganhou o grau de ouro no festival internacional "Filmes de Turismo e Ecologia da Sérvia - SILAFEST 2012". Na categoria "Melhor Filme de Turismo", esta produção do Turismo de Portugal, com música de Nuno Maló, ganhou, simplesmente!, por fazer sonhar com uma realidade desejável e possível! É nossa! Queremos e devemos exigi-la, já!... sem mais delongas!

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O Melhor Recanto...

A Igreja da Madalena, em Olivença , foi considerada "Mejor Ricón de España 2012"... Interessante!... para conhecer melhor esta jóia da arquitectura portuguesa ler AQUI... mas, também AQUI e AQUI.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Da Imagem como Património...

... Hoje é Dia Mundial da Fotografia... e aqui homenageamos "A Greve das Varinas", no início do século XX, neste extraordinário testemunho de Joshua Benoliel...
(via Helena Pato no Facebook)

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Alandroal - Património entre a História e a Mudança...

Promovida pela CMA, a intervenção em curso no âmbito das obras de Requalificação do Castelo de Alandroal, permitiu a descoberta de 11 lápides utilizadas nos séculos XIV e XV. Associadas a outros materiais trazidos à luz do dia pelas escavações arqueológicas que tiveram lugar no espaço intra-muralhas da sede do concelho, as lápides irão integrar o Núcleo Museológico do Castelo que, a criar para o efeito, permitirá a residentes e visitantes enriquecer e consolidar a vivência do presente, através de um melhor e mais sustentado conhecimento do passado... assim se preservam os traços da construção identitária dos espaços, através  da valorização e do reconhecimento do Património material através de vestígios que são indicadores de um trajeto temporal, cuja percepção configura o que somos, contribuindo para o que podemos vir a ser...

sábado, 11 de agosto de 2012

Casa da Moeda (1524) - Património escondido de Portugal

Em Beja, escavações recentes trazem à luz do dia, o que pode ter sido a Casa da Moeda do reinado de D.João III, datada de 1524. A equipa da arqueóloga Conceição Lopes prossegue as investigações, certa de estar perante uma "descoberta fabulosa", evidenciada não só por muitos quilos de moedas de cobre mas, também pelos vestígios da sua fundição e da oficina onde eram cunhadas. A confirmar-se esta será a segunda estrutura europeia desta natureza já que, até ao momento, só é conhecida uma outra, localizada em França (ler Aqui e Aqui).

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Estatuetas com 4.500 anos - os Verdadeiros Tesouros do Alentejo!

Com 4.500 anos, as cerca de 20 estatuetas descobertas no campo arqueológico da Herdade dos Perdigões* (ler AQUI), podem revolucionar a visão da História... Estão de parabéns todos os que, com António Carlos Valera (o arqueólogo que lidera a equipa) têm desenvolvido, paciente e persistentemente, o trabalho no terreno, ajudando a revelar este verdadeiro tesouro do património material da Humanidade... mas, de parabéns está, também!, o meu amigo Professor Doutor Vitor Gonçalves cuja visão integrada do Tempo e fascinação pelo espaço regional/local, lançou as raízes que, hoje, nos permitem disfrutar desta fabulosa descoberta! ... De facto, como António Valera disse ao Público, a sofisticação técnica e artística destes exemplares da arte escultória que, anos e anos de escavações (ler Aqui), deixaram chegar à luz do dia, demonstra (a quem disso duvidou, firmado nos "pés de barro" do preconceito) que as civilizações que ocuparam o espaço do sudoeste peninsular (antes do que, redutoramente, se institucionalizou designar como "História"), fruiram de uma forma de organização que lhes permitiu viver com um grau de complexidade e maturidade muito superior ao que "seria suposto" e cujas expressões a arqueologia vai, pouco a pouco, ajudando a evidenciar.
(* o meu agradecimento ao Eborígene pela leitura atenta)

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Cidadania Contra Liberalização...

Contra a Liberalização das Plantações de Eucaliptos, assine AQUI a Petição... porque é urgente defender o Património, a Natureza, o País e a Vida! 

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

... Em Cada Rosto, Igualdade...

... no aniversário de Zeca Afonso... por uma Terra da Fraternidade!

terça-feira, 24 de julho de 2012

Património Português...

... uma preciosidade... em Castro de São Lourenço (Vila Chã - Esposende)

quinta-feira, 28 de junho de 2012

terça-feira, 12 de junho de 2012

Galopim de Carvalho - Um Olhar Essencial...

É, para mim, uma Honra transcrever aqui este texto da autoria do Professor Doutor Galopim de Carvalho, publicado no blogue "Sopas de Pedra"... O Professor Galopim de Carvalho é espelho do melhor da Razão e da Alma Portuguesa... Cientista, Escritor e Cidadão de Primeirissima Água a quem agradeço a autorização da partilha e a quem aproveito para prestar a minha sincera Homenagem, expressando a maior Admiração pela sua Obra e a sua Vida... pela Ciência, pela Arte e pela persistência no Sonho e na Luta por um Mundo Melhor para Todos: Bem-Haja, Professor! 

" 50 ANOS DEPOIS


COMPLETARAM-SE no passado mês de Maio cinquenta anos sobre a conquista das oito horas de trabalho diário pelos camponeses do Alentejo e do Ribatejo. Foi em 1962, doze anos antes da queda do regime de Salazar e Caetano e representou uma vitória com significado sociológico e político bem destacado na luta que, também noutros sectores, se travava contra a ditadura. Os nossos filhos não a conhecem nem as duras condições de trabalho e de vida que se viveram nos campos destas duas províncias.
Quando, no final dito mês de Maio de há precisamente meio século, fui informado deste feito, eu estava de partida para França, como bolseiro do então Instituto de Alta Cultura, a fim de estagiar no Museu Nacional de História Natural de Paris. Tinha terminado o meu curso no ano anterior e ficara na Faculdade como Assistente da cadeira de Mineralogia e Geologia.
Acontece que, como já tenho escrito, sendo um rapaz urbano pelo nascimento e pela criação, em Évora, convivi e fiz amigos entre os camponeses de uma larga cintura em redor da cidade. Foi durante a minha adolescência, na segunda metade dos anos 40, nas aldeias e nos campos onde, com o meu irmão Mário e dois ou três colegas de liceu, montávamos tenda ao sabor de um campismo rudimentar e selvagem que era possível fazer nesse tempo. Com uma ou duas tendas de tipo canadiana e algum material que requisitávamos na Casa da Mocidade (expressão pela qual designávamos a sede da Ala de Évora, da organização juvenil do Estado Novo, Mocidade Portuguesa) e tudo o mais que a mãe nos emprestava, este contacto com a natureza (ainda muito pouco degradada pelo “progresso”) e o convívio muito estreito com estes meus conterrâneos, vacinaram-me contra um certo elitismo que ainda existe nos meios intelectuais da sociedade portuguesa.
Foi através de um destes meus amigos que tomei conhecimento do feito que marcou o fim de uma das fases mais dolorosas da vida de um povo em luta por melhores dias. Filho de gente pobre, porqueiro em criança e adolescente, assalariado rural para todo o serviço, em homem pai de filhos, o Ludgero, que eu desconhecia ser militante comunista na clandestinidade, relatou-me o essencial desta luta vitoriosa, despontada no litoral alentejano.
- No princípio deste mês, - começou ele por dizer – os trabalhadores agrícolas, entre homens e mulheres de Grândola, de Alcácer e da Herdade da Palma conquistaram o direito às 8 horas de trabalho. Esta conquista estendeu-se, num foguete, a todo o Alentejo e a todo o Ribatejo.
- E tu estiveste nessa luta, claro?
- Está-se mesmo a ver que estive! Nem podia deixar de estar. Eu e muitos milhares de trabalhadores. As oito horas de trabalho já tinham sido conquistadas nas fábricas. – Continuou ele. - Foi em 1919, durante a Primeira República. Essa conquista só agora chegou aos trabalhadores do campo. Foi a recompensa de uma luta organizada do nosso povo contra os agrários. Uma luta que vinha desde os anos em que a gente, os dois, se conheceu, lá no monte, andava eu mais o Faísca a correr atrás dos bácoros.
Francamente interessado naquela conversa, adiantei: - Eu sei que o horário dos assalariados rurais era de “sol a sol”.
- Diz-se do nascer ao pôr-do-sol, mas era mais do que isso. Era escravizante. – Acrescentou o Ludgero. - Para muitos destes homens e mulheres, os dias começavam mais cedo, bem antes do nascer do sol, e acabavam mais tarde, já noite cerrada. Tinham de andar a pé, uma ou duas horas, até chegarem ao trabalho e fazer a mesma caminhada, de volta a casa. Para a ceia, as mais das vezes, comiam e há muitos que ainda comem uma açorda de poejos ou um gaspacho envinagrado tão magrinhos de azeite e sem conduto, quase só pão e água.
- E quando não havia trabalho, não havia pão. - Retomei a palavra, com o propósito de dar continuidade àquele desabafo do meu amigo.
- Quando não havia e quando não há! Ainda hoje há ocasiões em que não temos trabalho. Foram e, às vezes, ainda são “barrigadas de fome”que só a gente é que sabe. Os fiados na venda da aldeia são muitos e o pessoal nem sempre tem dinheiro para os pagar. Conheço alguns que chegam ao ponto de ir à cidade pedir com que dar de comer à família. Outros caçam coelhos ou lebres, o que calha, mesmo no defeso. Não importa. A gente arrisca-se. E quem não tem espingarda, caça à má fila, com cajado. Fazemos o que for preciso para arranjar pão para os filhos. Tudo menos roubar! – Frisou. - Os salários são de miséria e é quando os há. Somos mão-de-obra barata e sem direitos, sujeitos à exploração dos grandes senhores da terra. E os governantes estão do lado deles. Todos! -Reforçou – E não são só os de Lisboa. Os Governadores Civis e os Presidentes das Câmara estão do mesmo lado. São escolhidos a dedo.
- Esses são homens da confiança do Governo de Lisboa. – Disse eu, que bem conhecia a repressão do sistema. - Se pisarem o risco, o melhor que lhes pode acontecer é perderem o tacho.
- A mais pequena palavra ou atitude reivindicativa –continuou o Ludgero - é logo atalhada pela GNR ou pela PIDE. Os bufos andam por todo o lado. Muitos camaradas são presos, espancados, torturados e alguns deles assassinados.
- Lembro-me perfeitamente da morte do Germano Vidigal. –Acrescentei. – Falava-se nisso à boca pequena, era eu rapaz. Foi em 1945, no posto da GNR de Montemor-o-Novo, e lembro me da morte de um outro, já me esqueci do nome, de Vila Viçosa, pouco tempo depois.
- Era o Patuleia. – Disse, de imediato, o meu interlocutor.- Foi assassinado em 1947, na sede da PIDE, em Lisboa. Mas houve mais. E foram muitos os que passaram e ainda passam pelas prisões destes malvados, em Caxias, no Aljube e em Peniche.
Pela boca deste e de outros meus amigos do mundo rural alentejano eu tinha conhecimento, ainda que em linhas gerais, da luta deste povo, durante as cerca de duas décadas que antecederam aquele Maio de 1962. Privados de direitos sindicais, desenvolveram uma organização unitária clandestina abrangendo, em especial, o Ribatejo e o Alentejo e que aparecia à luz do dia por ocasião das ceifas e debulhas, tiradas de cortiça, fabrico do carvão, mondas, apanha da azeitona e outros trabalhos mais importantes.
Por duas ou três vezes que acampei numa das herdades dos arredores, deram-me a ler textos do Avante e de O Camponês. Eram folhinhas de circulação clandestina, dobradas, com sinais evidentes de passarem de mão em mão. Não as traziam no bolso, escondiam-nas em locais combinados que tanto podia ser entre duas pedras de um muro em ruínas ou um buraco no tronco de uma velha oliveira, e passavam palavra. Ouvi-os falar de “comissões de rancho”, “comissões de herdade” e da chamada “praça de jorna”, locais das aldeias ou dos montes onde se reuniam para tratarem colectivamente dos salários e de outras reivindicações e das respostas a dar aos patrões, algumas vezes, na presença intimidatória da Guarda Republicana.
- A última vez que falámos com o patrão – continuou o Ludgero - para pedir mais dez tostões por jorna, dizendo que mal ganhávamos para comer, a resposta do malvado sem coração foi: «Comam palha!». O Ti’Cristóvão, que estava ao meu lado, repentista já idoso e respeitado por todos, não se conteve e respondeu, na hora: «Quando a gente comer palha, vossemecê come navalha!». No outro dia, manhãzinha cedo, foi levado para o posto da Guarda e dali para a cidade. Depois foi aquilo que a gente sabe: interrogatórios e maus-tratos, até que o mandaram embora. Mas não denunciou ninguém."
A.M. Galopim de Carvalho no "Sopas de Pedra"

Diagnósticos... imprevistos...


quinta-feira, 7 de junho de 2012

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Um Conto Português... para Crianças... e Adultos...

"A MOIRA QUE MORA NA LAPA, EM PENHA GARCIA

A Moira que mora na Lapa fez-se ver pela primeira vez há muitas luas e muitos sóis, quando estes campos ainda não se douravam de feno pelo Verão, e os homens temiam os lobos e os raios que rachavam ao meio os pequenos arbustos secos.
... Caçavam para viver, como os animais, e como os animais sentiam alegria quando nasciam filhotes, e tristeza quando morriam os mais velhos. Como os animais, não pensavam no que fariam no dia seguinte, e não tinham cidades, nem exércitos.
Não eram tão fortes como o mamute ou o javali, mas cedo perceberam que eram mais matreiros... Mais maus, às vezes, e outras vezes capazes de darem tudo pelos seus. Já se pareciam muito connosco!
A pouco e pouco, começaram a inquietar-se, e a fazer muitas perguntas sobre tudo, uns aos outros –e até a si mesmos, nos momentos de repouso:
–Quem fará nascer o dia, e vir a noite? E cair a chuva, e soar os trovões? E, se não somos nós, quem faz correr os rios e soprar o vento, agora para um lado, depois para outro?
Perguntas sem resposta, porque todos sabiam o mesmo sobre a vida e o mundo! Quer dizer, ninguém sabia nada...
Até que uma noite, quando se aqueciam na gruta a que hoje chamamos Lapa, lhes pareceu que do fogo se levantava um fumo com a forma de uma mulher. Os pés lembravam raízes fixas no chão, e os cabelos as nuvens de estrelas que viam no céu. Os olhos eram fundos, mas doces como os das mães. Os braços e pernas fortes tinham a cor ocre da terra revolvida. Por aqueles lugares, muito mais tarde, dar-lhe-iam o nome de Moira.
Tudo agora parecia estar no seu lugar, ter sentido: a Moira tinha criado o Mundo que eles conheciam, a Moira “era” o Mundo.
E a Moira falou pela primeira vez..., cantando:
–Chama-se Música a língua em que vou, a partir de agora, falar convosco, e vós comigo. Nessa língua, com palavras ou sem palavras, e usando a boca ou bocados de madeira, ossos, fios, peles, poderemos sempre entender-nos, se os vossos ouvidos, cabeça e coração estiverem atentos.
Pegou num osso furado que estava na fogueira e soprou por ele. Nunca tinham ouvido um som tão bonito, e no entanto ele lembrava-lhes o assobio suave do vento, ou o rumor tranquilo de um regato. Era a primeira flauta.

Assim como apareceu, assim se foi a Moira. Os homens esqueceram-se dela, mas, quando cantam ou tocam algum instrumento, ela volta a erguer-se de uma fogueira que se acende na Lapa, em Penha Garcia, na Beira Baixa..."

Flávio Pinho, 2009