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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Provincianismo e Ignorância Salazarenta...

É confrangedor que o bom-senso, a razoabilidade e a objectividade analítica estejam tão ausentes dos procedimentos de pessoas com responsabilidades na ordem pública (refiro-me ao caso da magistrada de Torres Vedras e ao da PSP de Braga)... confrangedor ao ponto de aí serem, ainda que injustamente, projectadas responsabilidades políticas que transcendem as actuações locais em que se esgota a esfera de intervenção dos protagonistas destes episódios infelizes!... Provincianismo ou conservadorismo de costumes que facilmente nos faz pensar na dimensão das heranças salazarentas que se guardam por aí, no inconsciente colectivo e na ideologia dissimulada de muitos quase insuspeitos que, entre nós, praguejam e vociferam como se lhes assistisse qualquer autoridade moral... a mesma, provavelmente, que justifica que, nos tempos que correm, se ocupem em manobras e congratulações por beatificações como a de Nuno Álvares Pereira...

domingo, 15 de fevereiro de 2009

O perigo da cultura...



(via Praça Stephens)

Quando a realidade nos assalta com uma sucessão de factos que remetem para relações de proximidade cuja coincidência pode, como enunciei no texto anterior, decorrer da valorização do inter-conhecimento como princípio da confiança em detrimento da igualdade de oportunidades para todos, compreendemos que a gestão do interesse público decorre de uma cultura cujos valores não interiorizaram o reconhecimento do mérito próprio, permanecendo reféns dos interesses de grupo e da cadeia de vassalagens que explica, por certo, pelo menos do ponto de vista antropológico, grande parte da corrupção que inquina o funcionamento democrático.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Perguntas do dia... entre uniões, liberdade, morte e discriminação!


Porque será que, em Portugal, todas as questões que introduzem a mudança, seja na prática ou, simplesmente, no debate que faz agenda, são catalogadas como "fracturantes"?... desta vez, as questões são do foro pessoal, não interferem na liberdade individual de ninguém e assinalam preocupações dignas de um espírito democrático... falo do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo e, por exemplo, da eutanásia... para além da resistência cultural previsível em determinados sectores da sociedade portuguesa, será possível que, apenas e só, sejam relevantes, nestes casos, as opiniões dos seus opositores? Não será possível um debate onde a escolha e a opção promovam a não-discriminação e os direitos dos indíviduos, independentemente dos que tenham, à partida, decidido nunca optar por tais possibilidades? Que liberdade e capacidade de respeitar o "outro" tem uma sociedade que promove valores que impedem a liberdade de outros, quando essa liberdade os não prejudica?... E como pode, por exemplo, a Igreja, num Estado laico, apesar de, posteriormente, ter dito não pretender interferir na vida política nacional, pronunciar-se de tal modo que viabiliza a sua associação à condenação dos actos de liberdade dos cidadãos ou, em última análise, do seu direito à escolha?

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Dilemas em tempos confusos...



Entre a negligência com que vão passando mensagens que atentam sobre a laicidade do Estado e a defesa dos direitos fundamentais, contrariando o espírito democrático que se reconhece precisar de reforços no contexto de uma crise que, como sempre acontece, tende a desenvolver tendências autoritárias e distraídos que somos pela agenda da comunicação social empenhada no lucro fácil resultante do sensacionalismo, correm os dias, lavados pela chuva e fustigados pelo vento, sem que aprofundemos o pensar sobre os caminhos da continuidade e da mudança.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

De Belém a Davos... ideologia e intervenção!


De Belém a Davos vai a distância de um mundo... desse mundo relativamente ao qual queremos acreditar que um mundo diferente é possível!... de Belém a Davos vão todas as possibilidades que encontramos entre duas extremidades: uma recta feita de um número infindável de pontos!... Duas expressões ideológicas manifestas e assumidas publicamente, reflexo de interesses antagónicos e presentes -omnipresentes!- em todos os cantos do mundo!... Hoje, num tempo em que a dicotomia "Leste/Ocidente" se diluiu sob a égide de um alegado "fim das ideologias", Davos e Belém do Pará representam as vozes dos colectivos que se organizam para justificar os silêncios e as posturas... em Davos, a argumentação de Shimon Peres, levou Erdogan a abandonar a sala, contribuindo para, a título de preço por um pedacinho de propaganda de impacto internacional, incendiar as relações, já tão tensas!, entre países árabes e outros... em Belém alude-se a um novo socialismo... falta explicar aos protagonistas que não se pode utilizar Davos para palco de justificação da injustiça e da crueldade porque, em política, não vale tudo e que se exige a Belém algo mais do que um slogan... Porque é realmente possível um mundo diferente!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

A Memória...


Visitei Auschwitz sózinha... Eram 7h da manhã, de uma manhã fria e cinzenta... o campo de concentração, agora musealizado, acabara de abrir... percorri-o rua a rua, bloco a bloco, forno a forno... e enquanto caminhava naquele espaço exíguo, com a consciência do sofrimento indizível e da morte de milhões de pessoas que ali foram conduzidas para o extermínio, tornava-se-me quase impossível imaginar fosse o que fosse e até pensar - por tão ridícula ser, face ao horror, qualquer lógica... As Vítimas do Holocausto são anualmente relembradas em todo o mundo no dia 27 de Janeiro... foi ontem! ... é hoje... o dia 27 de Janeiro é todos os dias!... porque todos os dias são dias de não esquecer a crueldade de que é capaz a espécie humana!... para que se não repita!... nunca mais!

domingo, 25 de janeiro de 2009

Tentações - entre a honestidade e o escândalo

"(...) Ora, dois homens que tenham de caminhar juntos durante duas ou três horas seguidas, mesmo imaginando que seja grande o desejo de comunicação, acabarão fatalmente, mais cedo ou mais tarde, por cair em contrafeitos silêncios, quem sabe mesmo se odiar-se. Algum desses homens poderia não ser capaz de resistir à tentação de atirar o outro por uma ribanceira abaixo. Razão têm, portanto, as pessoas que dizem que três foi a conta que deus fez, a conta da paz, a conta da concórdia. Em três, ao menos, um qualquer poderá estar calado durante alguns minutos sem que se note demasiado. O pior é se um deles que tenha andado a pensar em eliminar outro para lhe ficar com o farnel, por exemplo, convida o terceiro a colaborar na repreensiva acção, e este responde, pesaroso, Não posso, já estou comprometido em ajudar a matar-te a ti.(...)" (José Saramago in A Viagem do Elefante).

Assim, por precaução recomendada pela sabedoria e o bom-senso, de igual modo, quando duas partes trazem a público assuntos que põem em causa a integridade das pessoas, é avisado falar com outros intervenientes... de preferência, vários... para que o juízo e o resultado do falatório se aproxime mais da verdade, da transparência e da justeza do que da injustiça, do ruído e do espectáculo.

O Poder da Esperança



Foi por sugestão de Paula Brito (cuja colaboração com A Nossa Candeia nunca é demais agradecer) que fui em busca deste trabalho... e encontrei uma versão legendada... Vale a pena... para aumentar o Poder da Esperança!

sábado, 24 de janeiro de 2009

Manipulação e Mediatismo



Em Portugal, como no resto do mundo, a manipulação ideológico-política adquiriu estatuto de "stablishment"... de facto, através da generalização do acesso aos media, a manipulação tornou-se um instrumento massificante de gestão da opinião pública e hoje, sob pretextos legítimos de exercício da liberdade de expressão, o afastamento ético da prática deontológica da função informativa, dificulta ao cidadão o discernimento... prolonga-se assim o jogo de um calculismo político sem limites, oportunista e especulativo que, num contexto de crise económico-financeira, torna mais rápida a aproximação às rupturas político-sociais... a tentação de "vender" notícias, comprar audiências e de liderar protagonismos tornou a comunicação social (dita o "quarto poder"!), num recurso potencialmente devastador... principalmente porque utilizada sem escrúpulos e com um certo prazer na promoção da intriga e do caos, com resultados apresentados conjunturalmente e alheados a contextos que permitiriam interpretações diversas das que se retiram do simples enunciar de relatos correspondentes, indiscriminadamente, a eventuais factos, realidades ou especulações... a manipulação é uma técnica de vendas de efeitos sociais e políticos, gratuita e susceptível de desencadear dinâmicas cujos efeitos não pode controlar... a comunicação social é, por isso, o maior inimigo de si própria e fez dessa ambivalência a sua própria natureza -como convém às regras de sobrevivência do mercado e em detrimento da essência da sua fundamentação filosófica, cívica e científica... manipular o uso do poder sem o bom senso que implica a responsabilidade social é uma espécie de inconsciência que permite às crianças brincar com armas...

domingo, 18 de janeiro de 2009

Intergeracionalidade



A sabedoria acumulada pelo tempo e a vivência, tornam a idade um bem precioso aos olhos de quem gostaria de, ainda jovem, viver como se tivesse interiorizado esse saber... Reconhecê-lo reciprocamente seria uma forma eficaz de promover a inter-ajuda e a solidariedade intergeracional.