segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Belle nuit...



... de Offenbach, em "Tales of Hoffman"... num dueto de Berganza e Caballe...

domingo, 30 de agosto de 2009

A galinha dos ovos de ouro...

Impressiona a facilidade com que o BE recorre à mais gratuita demagogia, lembrando os que, identificados com a direita mais populista, acenam bandeiras de facilitismo ilusionista... refiro-me a uma das medidas que o Bloco propagandeia, alto e bom som, como se fosse uma medida mágica de resolução de um dos problemas estruturais da sociedade portuguesa: taxar as fortunas como forma de angariar dinheiro para aumentar as pensões e sustentar a Segurança Social... Sejamos objectivos!... Se é justo, como aliás o defende também o PS, proceder a um cálculo mais justo dos impostos em função dos rendimentos, não podemos sequer imaginar que, nesse procedimento reside, a solução para o problema! Porque os ditos "ricos" não são a galinha dos ovos de ouro dos portugueses! Não, não são! E só o pode imaginar quem não conhece o país onde vive e ignora o cenário concreto da dimensão económico-financeira que o sustenta! Somos um país pequeno e pobre... negá-lo é ser incapaz de enfrentar a realidade e, consequentemente, não estar em condições de criar propostas que lhe sejam adequadas. Quantos ricos temos? Quão ricos são? Por quanto tempo o serão? ... responder a estas três perguntas permite-nos ter a noção exacta do irrealismo da proposta do Bloco... porque alguém duvida que, a aplicar-se uma tal medida à sociedade portuguesa, os potenciais contribuintes deslocariam o seu património para onde a sua penalização não fosse o bode expiatório de uma sociedade cujo problema é, antes de mais, o do emprego e da revitalização do aparelho produtivo? ... O pior que se encontra nos arautos da virtude é levarem tão longe a sua demagogia, ao ponto do seu horizonte ser um espaço que não corresponde a território algum... na verdade, adoptar levianamente uma tal medida apenas contribuiria para, algures, num qualquer paraíso fiscal, fazer crescer as off-shores...

(Este texto tem publicação simultânea nos blogues: Público-Eleições 2009 e Simplex)

Leituras cruzadas...

Uma panorâmica sobre o estado da arte no que à campanha eleitoral diz respeito, merece a atenção do "Leituras Cruzadas" de hoje... sem grandes comentários porque se torna uma evidência: o que é comum às forças partidárias candidatas às próximas eleições legislativas não é a apresentação de programas políticos para o país mas, apenas, o acesso ao poder pelo qual estão dispostos a tudo... assim, infelizmente, não se trata de lutar pelo país mas, apenas, de combater a qualquer preço, sem discernimento,bom senso, justeza ou altruísmo democrático, o PS... é pena! Fica o país a perder e, se não houver contenção racional e se persistirem no extremismo radical, ficarão também a perder muito mais do que querem reconhecer, todos os democratas... porque os que agora arriscam tudo contra o Governo concorrem para que aceda ao poder quem defende a limitação das liberdades individuais, a extinção do PCP, o mercado sem regras, a privatização da Segurança Social, da Saúde e da Educação, etc., etc., etc. ... sugiro, por isso, agora, a leitura de alguns breves testemunhos críticos, inteligentes, interessantes e importantes:


Paulo Gorjão: "Uma Dúvida"




Valupi: "Delenda Cavaco"


Leonel Moura: "A Grande Ilusão"




sábado, 29 de agosto de 2009

Neo-liberalismo? Não, obrigado!

O apoio de Pina Moura ao programa do PSD não deve surpreender ninguém. Pina Moura veio assumir o que já de há muito se percebera estar presente nas escolhas subjacentes ao seu percurso profissional. Seduzido pelo fascínio dos grandes negócios e do mundo do dinheiro que ignora e minimiza, nas suas prioridades, o domínio social em que se move o mundo real dos cidadãos dolorosamente marcado pelo desemprego e o empobrecimento da qualidade da vida, o testemunho de Pina Moura vem subscrever afinal, um programa político que mais não é do que o Manifesto dissimulado do neo-liberalismo reeditado à maneira portuguesa, no contexto de um mundo que assumiu, com a crise, a dúvida sistemática sobre a utilidade e adequação do mercado sem regulação. O programa do PSD é, para além da ambiguidade vaga de uma demagogia populista e insidiosa, um apelo ao ressuscitar de receitas gastas e prejudiciais ao recuperar de uma economia que só com um planeamento tranquilo e coordenado pode consolidar a tímida convalescença que se anuncia.
(este texto tem publicação simultânea no Público-Eleições 2009 e no Simplex)

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Globalização e Solidariedade...



A globalização implica, no que à circulação da informação respeita e a título de responsabilidade cívica, a solidariedade... porque sempre que um Homem Bom é perseguido pelas suas ideias e pelas suas crenças é preciso que alguém relembre a todos que, qualquer que seja o local ou o contexto, é sempre um pouco de nós que está a ser injustamente punido... quando se defende que o nosso país é o planeta e que o nosso povo é a Humanidade e quando estes princípios são o fundamento justificativo para a perseguição, sabemos que a História Humana está ainda em construção e que é necessário dar visibilidade à injustiça de modo a criar condições para a emergência da esperança, princípio activo da mudança... e do muito que sabemos existir e do muito mais que nem sabemos, cabe-nos dar nota e apelar à luta universal pelo direito ao exercício dos Direitos Humanos... desta vez, a chamada de atenção vai para a perseguição aos Seguidores da Fé Bahaí no Irão!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Igualdades...

Factores estruturais da dimensão política, as representações culturais interferem decisivamente no investimento pessoal e colectivo, características inerentes à participação activa na sociedade. De facto, instâncias como a auto-estima e a auto-representação sustentam o desenvolvimento das competências de adesão à mudança, reforçando a confiança indispensável às escolhas assertivas implícitas na inovação e na criatividade. Num país onde a hierarquização social marca ainda de forma significativa, os comportamentos ao nível dos valores e das práticas - e cujo panorama económico se caracteriza pelo desemprego e a competitividade -, requerem condições de exercício da cidadania, sem as quais a mudança não progride e o país não avança. Este trabalho, quase sempre ausente da agenda política, foi, contudo, perspectivado como prioritário e protagonizado de forma sistémica pelo actual governo socialista, liderado por José Sócrates.

O investimento nas políticas para a igualdade constituiu-se, ao longo desta legislatura, como instrumento estratégico determinante para o trilhar de um caminho que não admite retrocessos; não só porque a Igualdade de Oportunidades para Todos é um lema essencial à preservação e ao aperfeiçoamento da democracia contemporânea, mas também porque significa a luta activa contra a discriminação, os preconceitos e os estereótipos - preceitos dos quais depende, em grande parte, a segurança e a coexistência pacífica dos cidadãos.

A produção legislativa e a intensidade das campanhas nestas áreas decisivas para a construção de uma cidadania activa alcançaram um impacto social que colocou os portugueses na vanguarda da União Europeia no que respeita à defesa dos valores e à adopção dos princípios democráticos – condição que, em última análise, nos aproxima da capacidade de adaptação à mobilidade e à flexibilidade sociais que caracterizam a sociedade contemporânea. Referimo-nos, em concreto, à luta contra o tráfico de seres humanos, à violência doméstica e à violência de género; à defesa e protecção das vítimas de maus-tratos e à prevenção e assistência de práticas discriminatórias em função da deficiência, da idade, da etnia, da orientação sexual, da religião e do sexo.

A Igualdade de Oportunidades para Todos e a Valorização da Diversidade são os princípios que nos garantem o futuro, razão pela qual neles investiu o Governo socialista, que anuncia a sua continuidade em áreas como a educação, as empresas e o acesso ao mercado de trabalho. Um trabalho indispensável a um Estado que trabalha, acima de tudo, para as pessoas e que apenas o Partido Socialista tem condições para consolidar.
(Artigo publicado hoje no Diário Económico)

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O Complexo do Paraíso...



... segundo Manu Chao...

Da Cultura e da Política Cultural...

Em Portugal escreve-se pouco sobre Cultura... o facto é, de certo modo, sintomático relativamente ao reconhecimento social que a sociedade tem desta dimensão da vida colectiva, perspectivada desadequadamente pelo senso comum, como entretenimento gratuito popular ou de elite... por isso, não surpreende que a intervenção política não integre, regra geral, a política cultural entre as suas prioridades... a constatação corrobora a ideia de um empobrecimento democrático na exacta medida em que o desinvestimento cultural denota quase sempre a dimensão de uma crise socio-económica latente e potencialmente expansiva... contudo, ontem, no Diário Económico, Rui Herbon escreveu um texto sobre o assunto que merece a nossa atenção e que reflecte o sentir e o pensar de muitos dos que se preocupam com a matéria...

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Ruralidade - um recurso estratégico para o futuro...


"(...) Hoje, o problema que se coloca é o de saber que apoios financeiros estão as instituições, comunitárias e nacionais, dispostas a investir e a dedicar ao mundo rural… porque, infelizmente, a tendência contemporânea na ideologia da modernidade é, ainda, a de privilegiar o crescimento das cidades apesar da consciência do risco das assimetrias de desenvolvimento, da concentração populacional e do empobrecimento. A História explica a emergência das grandes metrópoles, resultantes da crença de que a concentração territorial dos sectores secundário e terciário, pela redução de custos na distribuição dos produtos e no recrutamento da mão-de-obra, bastariam para a criação da riqueza; porém, a actualidade demonstrou a fragilidade e insuficiência deste modelo, denotando a urgência do investimento no sector primário revitalizado e a desconcentração do investimento industrial. Em causa está a capacidade de privilegiar as condições de vida das pessoas e de promover o equilíbrio do desenvolvimento… e só depois de resolvido este dilema da modernidade e de concretizada politicamente esta opção, poderemos aspirar a que os apoios financeiros, nacionais e comunitários, sejam dirigidos em quantidade e qualidade, para o mundo rural. Nessa altura, se ainda existirem, os fundos comunitários direccionados para o desenvolvimento rural e regional, poderão então ser geriso pelas comunidades, organizações e instituições vocacionadas para o efeito e devidamente integradas no território… até lá, o que, feitas as contas, se destinar ao mundo rural, continuará a ser gerido pelas cidades que continuarão a olhar para a ruralidade como um espaço de lazer e não como um espaço para viver… é a perspectiva “dos outros” sobre “os outros”… uma perspectiva perfeitamente desadequada ao mundo rural que precisa de ser pensado como um espaço “nosso” e “para nós”… A mudança de perspectiva precisa, por tudo isto, de ser estudada e repetida à exaustão… criar condições para o efeito é um passo essencial para o processo de desenvolvimento que implica a capacidade de canalizar verbas para o investimento local e regional… conquistar o reconhecimento do valor do mundo rural é hoje uma Causa da sociedade contemporânea… uma Causa que justifica todos os esforços e o esforço de todos… por todos nós!"


(Conclusão do artigo que publiquei no trimestre em curso na Revista "Viver")

domingo, 23 de agosto de 2009

Barreiras Ideológicas e Culturais...


"(...) Apesar da reduzida visibilidade pública que a comunicação social lhe permite, o mundo rural europeu é ainda a maior parte do nosso comum território continental e as suas populações defrontam-se com os mesmos problemas que reconhecemos no nosso próprio território: a desertificação, o desemprego, as migrações, a falta de capacidade de fixação populacional, a estagnação sócio-económica e a depressão social… e desta realidade partilhada consta um facto de importância crucial que paira, como uma ameaça e uma esperança, sobre todos nós: o apoio financeiro ao investimento em meio rural…. ou melhor, a sua falta, a sua escassez, a sua ausência. A actual crise económico-financeira, agravada de forma drástica no último ano, ao ponto de se verificarem sérias rupturas no sistema bancário com efeitos cuja extensão ainda não podemos ter a aleivosia de conhecer, fez emergir, por todo o planeta, os “fantasmas” que atormentam populações, famílias, cidadãos, empresários e políticos: o acesso aos bens alimentares, o aprovisionamento, a pobreza, os conflitos e a fome. Em causa ficaram algumas das mais básicas dimensões da sociedade contemporânea, dadas por adquiridas nas últimas décadas do século XX, designadamente, as vantagens da interdependência e da livre circulação de bens e mercadorias, num mercado que não tem capacidade para se auto-regular a não ser em cenários óptimos, teóricos e abstractos. Coloca-se por isso, agora, à dimensão política da gestão nacional de todos os países e da própria União Europeia (para já não falar no plano internacional), o problema da auto-suficiência e da garantia de uma economia de subsistência, em cenário de crise… um problema que reedita a questão ideológica da valorização do mercado livre e da planificação económica que nos obriga a constatar, com gravidade, a questão das condições de vida no mundo urbano e que se assume com particular seriedade no que se refere ao mundo rural, abandonado há décadas pelo forte investimento público ao nível do aparelho produtivo e das condições de empregabilidade.(...)".

(Excerto do artigo que publiquei no trimestre em curso na Revista "Viver", ed.Adraces)

sábado, 22 de agosto de 2009

Entre a Realidade Virtual e a Europa Rural...



"A Europa não é um conjunto de cidades que vemos na televisão, aquelas para onde se viaja em férias ou em trabalho, os paraísos do desenvolvimento, da riqueza, das luzes e da tecnologia. Encontram-se na Europa, é certo, muitas cidades, belas cidades, cheias de História, cultura, comércio, arquitectura e tecnologia de ponta mas, a Europa é um território muito mais vasto e diverso do que esse mosaico de fantasia a que comunicação e política nos conduzem em imagens e representações. Não! De facto, a Europa é como todo o planeta e o nosso pequeno país, um espaço imenso, rural, empobrecido e, cada vez mais, abandonado.

Estamos hoje, sem disso nos darmos conta, a pagar o preço de um dos riscos da sociedade da informação, mediática e global que construímos. Estamos hoje, mais uma vez, deslumbrados como vem acontecendo a uma velocidade vertiginosa desde meados do século XX, com redes sociais e meios de comunicação que nos fazem esquecer a realidade e nos iludem com uma proximidade que nos afasta do mundo concreto em que vivemos. Uma espécie de realidade virtual tomou conta do nosso imaginário invadido de informação e opinião vinda de todo o mundo e acessível de múltiplas formas… e a proximidade ilusória desta rede globalizada de comunicação afastou-nos de nós e da terra que habitamos.
(...)"



(Excerto da 1ª parte do meu artigo publicado no trimestre em curso na Revista "Viver", ed.Adraces)

Bons Vícios...


O Sustentabilidade É Acção agraciou-nos com o delicioso selo "O Seu Blog É Viciante" (prémio que nos foi também gratificante receber posteriormente por gentileza do Crónicas do Rochedo)... A Nossa Candeia agradece, feliz, a distinção que retribui - ainda que de modo informal para não repetir os nomeados já que outros o mereceriam, designadamente, A Escada de Penrose...
O Prémio "Seu Blog É Viciante" resulta na comunhão de 3 princípios que são um compromisso:

a) Contribuir para divulgar a defesa do ambiente e do equilíbrio do nosso planeta;
b) Contribuir para a consciencialização da necessidade de uma Humanidade mais justa;
c) Melhorar a qualidade deste blogue;
Além disso, o Prémio remete-nos para o alargamento desta Causa pelo que se segue a indicação de mais 10 blogues que merecem a condecoração:











Leituras cruzadas...

Em tempo de campanha eleitoral, quando os candidatos ainda exercitam o tom do discurso para aferir as escolhas que irão materializar as linhas estratégicas das intervenções públicas, medidas e pensadas ao milímetro para bem explorar o impacto mediático, é difícil resistir ao que o país nos vai revelando, numa evidência clara dos interesses (quase sempre subliminares, sob a égide da demagogia), dos princípios (ou melhor, da sua ausência) e das propostas (por um lado, dissimuladas, à direita, na hipocrisia de uma revolta que saliva na vontade de aceder ao poder e, por outro lado, protegidas, à esquerda, pela desresponsabilização da governação)... vale por isso a pena ler a excelente síntese de Valupi no Aspirina B sobre o protagonismo de Manuela Ferreira Leite sobre quem também se pronuncia de forma sistémica José Reis Santos no Simplex. De facto, num contexto em que o pensamento de alguma esquerda se envolve em difusos considerandos como os que justificam as palavras de João Tunes no Água Lisa e considerando a inqualificável e vergonhosa postura protagonizada num artigo publicado no jornal "Avante" que mais não faz do que revelar até que ponto se pode recorrer à mesquinhez quando está em causa o poder (no caso, a Câmara de Almada) mas ao qual Paulo Pedroso reage no Banco Corrido com sangue-frio e dignidade, somos remetidos para a racionalidade que Osvaldo Castro nos propõe no texto "Manter o Rumo... é recusar a ideia coligatória".

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Sem conteúdo...

A entrevista de Manuela Ferreira Leite, ontem, à RTP 1, repetiu o padrão a que a líder do PSD quer condicionar o país, como se os eleitores fossem espectadores de um filme de "suspense"... esquece-se que os filmes de "suspense" dependem de boas interpretações e bons argumentos... como não é o caso, suspeito que o filme representará um "fracasso de bilheteira". Para além de um arrazoado de repetições do género "já disse que..." a líder do PSD evocou, um pouco a despropósito, a natureza da democracia para justificar as audições dos assessores de Cavaco Silva ao longo do processo de recolha de contributos para a elaboração do programa do PSD sem sequer se preocupar com a ética deontológica e política ou a separação de competências e funções que, no caso, seria mais do que indispensável para garantir publicamente a imparcialidade do PR no que se refere ao envolvimento na campanha eleitoral (uma vez que não é suposto pessoas de quem está profissionalmente muito próximo não repetirem os seus pareceres e opiniões)... Numa estranha alegação, classificou como "vitimização" as intervenções do Primeiro-Ministro, deixando os espectadores a Justificar completamentetentar perceber ao que se referiria já que ninguém reconhece nas intervenções de José Sócrates uma tal atitude na forma como tem comentado as questões que lhe são colocadas... finalmente, Manuela Ferreira Leite veio falar do "medo de escutas" suscitando mais uma série de suspeitas e fantasmas que, do ponto de vista político, reitera que toda a sua argumentação se resume a evocações vagas e ambíguas, representativas de um pensamento e de uma estratégia que se esgota na mais vulgar demagogia que culminou com o "agitar de cenoura" da conversa estereotipada em tempo de eleições sobre o não aumento de impostos e a eventual baixa de alguns... de facto, Manuela Ferreira Leite não é notícia simplesmente porque nada tem para dizer aos portugueses!
(também sobre o assunto: A Imagem no Público-Eleições 2009 e A Entrevista no SimpleX)

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Critérios!?...



Enquanto pelo mundo se sucedem atrocidades contra a sobrevivência do planeta, se expulsam do seu habitat populações, se ignora a dimensão rural dos países e se propagandeiam manipulações que fazem a "agenda" da comunicação social, os pobres continuam mais pobres e agrava-se, dia-a-dia, o seu despojamento enquanto os "media" dão destaque à criação de "casos políticos", noticiando duas e três vezes a mesma notícia como se de duas ou três realidades distintas se tratasse numa clara evidência de que a estratégia política "joga" tudo na imagem comprometida de acordos político-partidários eleitoralistas e informais... como se a comunicação social fosse uma parte das forças em campanha!... sem qualquer requisito profissional de gestão do distanciamento e da objectividade, sem atender sequer aos interesses e direitos dos públicos a que pretende dirigir-se... disso tivemos exemplo, nos últimos dias, no nosso país, no tratamento do caso da crítica sofisticada a uma medida justa preconizada por José Sócrates que diz respeito às taxas fiscais a aplicar sobre rendimentos acima da média e que levou uma estação televisiva a recorrer ao testemunho de fiscalistas para provar que, quem tem mais de 10.000 euros de rendimentos mensais, após as deduções fiscais obtém 5.400 euros líquidos, montante considerado indispensável para despesas correntes de uma família!... fiscalistas que disseram ser "miséria" um ordenado de 1.000 euros!... o que dói é o absurdo de um insulto que se dirige desta forma à realidade social do país, onde a maior parte das pessoas não ganha 1.000 mensais... disso foi também exemplo o caso de, dois dias após o anúncio dos novos números do desemprego, a comunicação social anunciar, como se não se tratasse da demonstração sequencial e evidente desses números, o facto de ter aumentado, nos Centros de Emprego, o número de pessoas inscritas... entre outros!... entretanto, os problemas de fundo que a todos afectam e a discussão das suas possíveis soluções, ficam sem resposta e sem visibilidade, prova de que os dramas maiores das sociedades contemporâneas são remetidos para esse espaço de silêncio dos "sem voz" que justificou e continua, cada vez mais, a justificar a persistência da luta pela democracia, os direitos humanos, a liberdade e a dignidade humana... Em período pré-eleitoral é urgente conhecer o que pensam e o que estão dispostos a fazer os concorrentes candidatos ao exercício do poder... para que nos não defrontemos com trágicas
"soluções" como as de... Cabo Polónio!

domingo, 16 de agosto de 2009

Memórias Recentes para refrescar a Memória...



... porque as Memórias têm, também, um carácter preventivo, "Infinita Maleza" de Manu Chao... para que se não esqueça e... não repita!

Leituras cruzadas...

As representações sociais são particularmente interessantes por evidenciarem, muitas vezes, dimensões do "não-dito", induzido, dissimulado ou inconsciente... é o caso da mais recente, infeliz e desnecessária exposição política do PS que não pode deixar de levantar dúvidas sobre o que pensam das mulheres, os defensores da paridade... de facto, depois da escolha de Joana Amaral Dias para mandatária de Mário Soares, é caso para pensar que um erro repetido é mais do que uma simples coincidência... No brevissimo post de Pedro Correia no Delito de Opinião, os comentários, dão uma ideia do que pensam os portugueses que não acreditam que o mérito resida na "fashion" ou no nome de família... de facto, a nomeação para mandatária da juventude, de uma pessoa que se pronuncia de um tal modo sobre a vida que dá a sensação de pertencer a um filme do tipo "Ironia e Mau-Gosto", merece, no mínimo, ser interpelada como o faz Sofia Loureiro dos Santos no Defender o Quadrado. Quando se pensa, dada a proximidade eleitoral, estar em causa o futuro da governação nacional e se assiste ao desenvolver de estratégias que justificam análises como a que Paulo Pedroso enuncia no Banco Corrido ou a que Valupi descreve no Aspirina B, sendo certo que, por razões a que alude o texto de Rui Paulo Figueiredo no Câmara dos Comuns, há um silêncio bilioso que espreita em busca de fragilidades para se aproveitar, maquiavelicamente, do que António Manuel Venda ilustra no Floresta do Sul é, convenhamos!, confrangedora esta "inutilidade" de última hora que, por uma daquelas complexas associações de ideias que podem até levar-nos a pensar no absurdo, me faz evocar as palavras de Miguel Vale de Almeida no Os Tempos que Correm.

Saberes...



Manu Chao... "Politik Kills"!...

sábado, 15 de agosto de 2009

A Gravidade do Impacto Económico das Falácias Políticas

Ao anúncio do primeiro sinal de crescimento do PIB após 3 trimestres de queda contínua, seguiu-se a divulgação da actual taxa de desemprego: 9,1% ou seja, cerca de meio milhão de portugueses. A notícia, preocupante, teve um impacto social interessante: para a população em geral significou a confirmação das previsões que vinham a ser divulgadas desde que a crise deflagrou, não implicando, por esta razão, nenhuma surpresa extraordinária, nomeadamente porque os cidadãos têm uma noção clara da dimensão deste flagelo já que o vivem diariamente nas famílias e na gestão da sobrevivência; para a oposição, oportunista e sensacionalista, foi a oportunidade para, uma vez mais, demagogicamente, atribuirem culpas ao Governo por uma realidade que transcende em muito a capacidade de intervenção do Estado... porque o desemprego decorre da fragilidade do tecido económico, da ausência de criação de postos de trabalho, da falência das empresas - tal como a pobreza resulta da precariedade, da mobilidade e da flexibilidade laboral capaz vez mais atingida e exposta à exploração dos trabalhadores, vítimas do aumento incontrolado dos horários de trabalho e de uma assustadora e crescente prática de baixos salários... a título de enquadramento macro-económico contam-se, entretanto, como se não bastasse o que acabamos de sistematizar, ou melhor, na sequência destas realidades, as condições económicas inerentes ao deficitário investimento externo e ao recorrente endividamento externo assente numa reduzida taxa de exportações. É evidente por tudo isto que, quer a crise estrutural, quer, em si próprio, o problema económico nacional, não decorrem de uma legislatura. Mais, uma rede de problemas interactivos desta natureza cria uma espécie de bloqueio aos efeitos das medidas positivas que, conjunturalmente, podem alterar, sectorialmente, aqui e ali, a realidade. Por isso, sejamos sérios: antes de mais, reconhecendo que foi a persistente reivindicação político-partidária dos grandes defensores do mercado liberal que conduziu a economia às condições que configuram o panorama nacional; depois, denotando a consciência do papel dos compromissos comunitários e internacionais em que reside grande parte dos condicionalismos que conduziram à desmaterialização progressiva do aparelho produtivo nacional e, finalmente, mas não menos importante, quiçá determinante, o facto da alternância política em que o eleitorado vai apostando, numa lógica simplista de penalização do agravamento das condições de vida, que deita por terra esse recente e martelado argumento das maiorias govenamentais dos últimos 15 anos... porque uma maioria de 4 anos, seguida de uma maioria de sinal contrário por outros tantos anos, significa, nada mais, nada menos do que um jogo de soma zero que não permite a rentabilização das medidas políticas adoptadas pela governação e, consequentemente, a emergência dos seus efeitos e do seu impacto na vida dos portugueses. A gravidade das falácias políticas da oposição em que assentam as suas campanhas demagógicas e sensacionalistas é e será a principal responsável pelas dificuldades com que continuaremos a deparar-nos, no caso de não haver uma maioria socialista para governar... e digo uma maioria socialista porque o seu programa governativo, na sequência do que tem vindo a ser feito, é o único com garantias de execuibilidade ou seja, o que, no espaço de tempo de uma legislatura, pode concretizar medidas viáveis de recuperação económica, a mais urgente das quais é o combate ao desemprego e o atenuar dos efeitos do empobrecimento e da exclusão social que paira, como uma ameaça, cada vez mais próxima, sobre os portugueses.

(Este texto tem publicação simultânea nos blogues; Simplex, PNET Política e Público-Eleições 2009)

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Uma luz ao fundo do túnel...


A economia portuguesa cresceu 0,3% no 2º trimestre de 2009. Apesar da prudência exigida pela fragilidade da situação e dos dados agora apresentados pelo INE, o facto é que, após 9 meses de contínuo crescimento negativo do PIB, um sinal positivo de saída da recessão técnica é agora, já não apenas uma esperança mas, uma realidade... como alguns economistas e jornalistas da especialidade notaram, podem ocorrer variações que conduzam, de novo, ao decréscimo económico mas, a capacidade de estagnar a descida do Produto Interno Bruto e de conseguir sinais mensuráveis de recuperação, é, de facto, assinalável... continuando presente no horizonte a sombra ameaçadora do desemprego, realidade para a qual alertaram já entidades patronais e sindicatos, é indiscutível o mérito deste sinal que, sem pretender, de modo algum, apresentar-se como indicador da ultrapassagem de uma crise estrutural para a qual não há soluções milagrosas, quer dizer imediatistas, confirma os resultados positivos do empenhamento do Estado na recuperação nacional... e se, por um lado, se pode atribuir grande parte deste sucesso a essa acção governamental de apoio à economia que deixa a descoberto a fragilidade da autonomia dos agentes económicos privados em geral, por outro lado, é evidente que a linha de intervenção económica traçada pelo Governo seguiu uma orientação adequada ao período conturbado que atravessamos. Sem erradicar a sombra dos tempos difíceis que atravessamos, fica pelo menos reduzida a falta de expectativas ao nível da recuperação económica e estimulado o reforço na confiança, essencial a investidores, empregadores e consumidores.