segunda-feira, 31 de maio de 2010

Das Presidenciais (1)

Até à data da sua realização, em 2011, muito se irá escrever sobre as próximas eleições presidenciais; contudo, neste momento, sinto necessidade de pensar em perspectiva, ainda que de forma breve, este acto cívico de crucial importância política para o país. Suscita-me a reacção um certo registo emocional que se denota em grande parte das expressões de apoio aos três candidatos que estão no terreno e que, excessivamente, afirmam esse apoio sustentando a respectiva assertividade na sua vontade de evidenciarem uma pública oposição aos restantes. É pouco, é demasiado elementar e é, essencialmente, grave para a responsabilidade cívica, ética, política e social que deve estar subjacente ao exercício da participação democrática esclarecida. Não podem por isso lamentar-se ou, com autoridade moral, comentar criticamente de forma credível, a evocada natureza identitária do país, dita de "brandos costumes" e que, culturalmente, tem determinado o tipo de relações socio-políticas que define escolhas, conteúdos e protagonistas nas áreas estruturantes da gestão do poder e dos serviços. A conjuntura económica e política, quer nacional, quer europeia é, de todos, conhecida e o agravamento da sustentabilidade social não legitima voluntarismos ou corporativismos assentes em questões pessoais ou interesses de grupo. Por isso, considero grave e quiçá perigoso para a democracia, esta tendência de fazer prevalecer sobre o interesse nacional e da Polis, sentimentos de retaliação e honra que caracterizam sociedades cujos laços de dependência interpessoal se sobrepõem à dimensão política e colectiva das decisões. Há, também aqui, um vestígio de uma ruralidade enfeudada a lógicas que se reduzem aos mundos individuais e familiares, alheadas da noção efectiva do bem-comum. Por este conjunto de razões, quem tem responsabilidades na formação da opinião pública, deveria encarar o problema não em termos de consequência de expectativas goradas, desilusões ou projecções utópicas que se alimentam a si próprias, recusando pensar a realidade apenas pelo cansaço humano que o desalento provoca, criando, pela necessidade de acreditar, mitos que, como sempre, depois de escalpelizados, deixam à vista "pés de barro".

domingo, 30 de maio de 2010

O Partido Socialista apoia Manuel Alegre







A Comissão Nacional do Partido Socialista anunciou o seu apoio oficial a Manuel Alegre. A decisão foi transmitida por Francisco Assis num discurso veemente que reflecte os interesses dos portugueses e que se identifica com os princípios, os valores e as razões que sustentam a candidatura de Manuel Alegre. Afirmando que se trata de uma candidatura independente que irá alargar a sua base de apoio para além do eleitorado tradicional do PS, do centro-esquerda à esquerda, Francisco Assis afirmou que o objectivo é ganhar as eleições presidenciais de 2011. A esquerda tem, finalmente, um candidato em condições de dignificar a sociedade portuguesa com as competências políticas, cívicas e culturais que o século XXI requer e de que o estado complexo das democracias europeias contemporâneas precisa.

O Apoio do PS a Manuel Alegre...



O Partido Socialista reúne hoje a sua Comissão Nacional e aí decidirá o seu apoio à candidatura presidencial de Manuel Alegre... No panorama que se coloca hoje aos portugueses, expostos como sempre às tácticas e estratégias políticas das máquinas ou movimentos de apoio aos candidatos (de que o DN destaca uma pequena mas ilustrativa síntese que se pode ler Aqui), esperemos que o apoio do PS a Manuel Alegre seja claro e, acima de tudo, que se venha a revelar útil, empenhado e convicto... porque, como se costuma dizer: "só faz falta quem está"! Por mim e por muitos de nós, Manuel Alegre é, inequivocamente!, o Presidente de que Portugal e os Portugueses precisam! Com alegria e confiança, vamos eleger Manuel Alegre!

O povo saiu à rua...

... é o nome de um texto publicado por mim, há pouco, no Aventar e que pode ser lido AQUI.

Da Arte, da Vida e do Humor - Uma Lição de Elis Regina e Adoniran Barbosa

sábado, 29 de maio de 2010

BB King - um episódio para a história da cultura em Portugal



Deve estar já a decorrer o que, para mim, amante do blues, deve ser um dos mais notáveis eventos culturais que, no que a concertos respeita, integrará a lista dos que merecem a categoria de "notáveis" realizados em terras portuguesas. Trata-se de BB King. O concerto está a acontecer em Sabrosa e, sinal claro do seu efectivo carácter cultural, é o facto de, extraordinariamente, este ser um concerto gratuito (ler AQUI a notícia do Blitz).

Da luta, hoje, 29 de Maio de 2010...


Hoje, sábado, dia 29 de Maio, a expressão do descontentamento social com o rumo das políticas económicas que caracterizam as democracias ocidentais sairá à rua, numa manifestação convocada pela CGTP para as 15h, em Lisboa... e porque o sentido das mensagens deve ser claro, será o Governo o protagonista desta campanha de luta que, um pouco por toda a Europa se faz e irá continuar a fazer sentir, sempre, naturalmente!, contra os respectivos Governos! Um dia virá em que todos os países da União Europeia, em simultâneo, farão manifestações contra as determinações económico-financeiras emanadas de Bruxelas, como forma de exigir que os Governos dos Estados-membros tomem medidas no sentido de reformar efectivamente o rumo político económico-financeiro da UE, dando indiscutível prioridade ao interesse das pessoas através da materialização de medidas concretas, eficazes e concertadas, de diminuição drástica do desemprego, de criação de postos de trabalho, de reforço dos aparelhos produtivos nacionais e de cumprimento pelo inalienável respeito que deve vincular os Estados à defesa dos direitos dos cidadãos. Entretanto, a propósito deste contexto de luta pelo direito das pessoas a condições de vida dignas, ouvi esta manhã, na RTP, ao convidado do comentário noticioso da semana, uma sugestão que, inaudita pelo seu extraordinário conteúdo que nos habituámos a integrar na categoria das "fantasias" e "utopias", é importante registar por se tratar de uma afirmação inequívoca e desinteressada do ponto de vista de quem, objectivamente, está apenas a pensar nas pessoas. O seu autor é o actor Ruy de Carvalho e a afirmação, em resposta à questão da solução para a crise, para o desemprego e para as contas públicas, foi a seguinte: "É preciso ir buscar o dinheiro onde ele está. Portanto, porque é que se não cobram aos bancos 50% dos seus lucros? Ainda ficariam muito ricos... esse dinheiro é de todos nós e temos, por isso, direito a dele também beneficiar!". Pois... a coragem e a lucidez da frontalidade do pensamento desinteressado tem o mérito de encontrar e apontar soluções que, mesmo à vista, são ignoradas porque o excesso de informação e de argumentos, como a árvore, perante alguns olhares, nos impede de ver a floresta. Um dia virá em que os povos exigirão, colectivamente, a coragem política aos governantes de todo o mundo, por sociedades mais justas que possam realmente preservar a vida humana e o planeta em que vivemos... porque, como está à vista na monstruosa maré negra resultante da recente e incontrolável explosão da plataforma petrolífera que está a matar a vida no oceano com consequências devastadoras, não poderemos continuar a proceder irracionalmente na exploração dos recursos naturais e humanos sob pena de, a troco de uma lógica capitalista, industrial e tecnológica, justificada pelo liberalismo e a globalização dos mercados, destruirmos esse magnífico património que é a própria existência humana tal como a conhecemos: enquadrada em sociedades que valorizam os direitos, a igualdade, a democracia e a liberdade.
(As imagens deste post publicadas inicialmente foram alteradas por uma questão de apresentação gráfica do texto)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Dos Barómetros Políticos às Prioridades Sociais...


O mais recente barómetro TSF/Diário Económico dá ao PS uma descida percentual de 16 pontos e, consequentemente, permite ao PSD e à sua recente liderança alcançar uma margem próxima dos 44%. As explicações sobre o significado destes resultados, na interpretação do próprio Diário Económico (ler AQUI), são importantes uma vez que esclarecem o seu fundamento, a saber, o facto de decorrerem das negociações para a aprovação do Orçamento Geral do Estado. Entretanto, com as novas medidas de austeridade lançadas pelo Governo e, no contexto mal-esclarecido em que muitas delas, nos últimos 2 dias têm vindo a público (é o caso da dita "sobretaxa do IRS" e dos cortes nos apoios aos desempregados que, recentemente, tinham vindo a ser aprovadas para reforçar a difícil situação em que se encontra uma já significativa percentagem dos cerca de 600 mil desempregados que temos), os sinais de um efectivo descontentamento social começam a fazer-se sentir espontaneamente, não se esgotando nas manifestações organizadas pela oposição. A clareza do discurso justificativo, a desdramatização dos exageros especulativos e a reavaliação de algumas das mais prementes realidades sociais é, de novo, prioritária. Os portugueses merecem, mais do nunca, sentir que os esforços para que estão a ser convocados são resultado de uma séria ponderação, sem retrocessos e hesitações discursivas que agudizem a disponibilidade para a criação de uma imagem de desorientação governativa. Além disso, é fundamental que, neste momento, o Governo denote que, para além do défice e das contas públicas, proteger os cidadãos da pobreza extrema e do risco de agravamento do endividamente incomportável, é, ainda, a prioridade do Estado... para que não sucumba de vez a ideia da defesa do Estado e da Europa Social.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Presidenciais 2011 - O Candidato do PS, segundo Vital Moreira


A política deve, acima de tudo, servir a "res publica"! Recorrentemente, utilizar a política para responder a interesses corporativos ou questões pessoais pode constituir-se como atentado ético à nobreza que, conceptualmente, se requer à responsabilidade social que implica a gestão da Polis. É, por isso, digno de nota, o texto que, hoje, o eurodeputado independente Vital Moreira, Professor de Direito Constitucional, publicou no seu blogue Causa Nossa, revelando que o sentido do Estado se deve, sempre!, sobrepôr, a qualquer tentação personalizada que, sob a capa de hesitações, dúvidas ou demogogia, ponha em causa os interesses colectivos de uma Nação. O problema é, aliás, particularmente pertinente e grave no momento actual, uma vez que a construção do federalismo europeu se defronta com uma profunda crise económico-social que, ao atingir todos os seus Estados-membros, acentua a necessidade de coesão social que, terá que se confrontar com reformulações da sua arquitectura económica e, simultaneamente, com especificidades nacionais que é preciso saber defender. (Ler AQUI o texto do Professor Vital Moreira)

terça-feira, 25 de maio de 2010

Ouvir a Direita e Escutar a Esquerda entre o Desemprego e as Desinteligências... deixa-nos Livres para Pensar


Ouvi ontem que a Brisa se prepara para eliminar os postos de trabalho dos "portageiros", substituindo-os por máquinas capazes de proceder à operacionalização dos pagamentos. Fiquei chocada!... sim, sei que já não deveria chocar-me com "tão pouco" mas, a verdade é que fiquei indignada com o desassombro com que as entidades empregadoras, em contextos de crise económico-social tão grave, apregoam, como se de uma boa notícia se tratasse, a extinção de emprego para um número significativo de cidadãos. É uma questão de inteligência ou falta dela! É, além do mais, uma questão de princípios! Nos tempos que correm, encontrar máquinas a quem se paga é tão vulgar como "beber copos de água" e do anúncio em análise nada de interessante resulta, a não ser a comum constatação que decorre do antagonismo de interesses entre o bem-comum (entendido como uma espécie de ecológico bem-estar social) e os dos empregadores (conhecidos também como patrões, capitalistas, etc.). Por isso, a ideia provoca apenas a imagem de uma poupança sem rosto que resulta em lucros feitos de lágrimas de pessoas "de carne e osso"... E por falar em desinteligências, é urgente ter presente que a desconsideração humana e a aritmética do lucro cego, continua a ser o discurso torpe da direita! Ontem, na entrevista que Miguel Sousa Tavares fez a Eduardo Catroga no programa "Sinais de Fogo", ouvir o ex-Ministro das Finanças do PSD dizer que a crise se resolve com a dupla e simultânea diminuição dos impostos a pagar pelas empresas e do consumo dos cidadãos, a que se pode acrescentar, no dizer deste contabilista, o aumento da poupança das pessoas... fez-me tremer e pensar que, a partilhar da fé comum que emerge nas profanas expressões de espanto, certa seria a minha sincera e profundamente verdadeira invocação: "Deus nos livre de tais governantes e de tais planos de governação"! Extinguir empregos e entregar populações à indigência e à miséria, "cortando-lhes os víveres" e esmifrando-lhes a sobrevivência em nome da poupança é de uma inaudita crueldade acéfala nos tempos que correm. E de tal ordem foi a minha indignação que, hoje, ao ler os destaques da esquerda (ver o texto do Daniel Oliveira publicado no Arrastão, a referência de Nuno Ramos de Almeida no Cinco Dias e o texto de Ricardo Paes Mamede no Ladrões de Bicicletas) sobre a entrevista de Joseph Stiglitz, me ocorreu a urgência de, a todos!, relembrar que nada do que o excelso economista afirma, se destacar pela novidade já que, em plena discussão da adesão ao Euro, por cá, se travaram sérios argumentos sobre o assunto que, na altura, levaram a que, humildemente, eu própria, apresentasse uma inesperada comunicação a um Congresso Extraordinário sobre o Alentejo, realizado no concelho de Moura, sob o título: "A Moeda Única Europeia" (que viria a ser publicada no Diário do Alentejo). Por isso, se é bom trazer à memória dos dias os contributos actuais de quem pensa com a autonomia de que Stiglitz dá mostras como contributo para a formação de uma opinião pública esclarecida, melhor seria que reformulassemos a conhecida ideia de Marx que apela à prática da transformação teoricamente enunciada e deitassemos, todos juntos!, mãos à obra - porque, se as frases para compreender e transformar o mundo estão escritas, agora, o que, de facto!, nos falta é encontrar os meios adequados à sua concretização. E isso, em democracia, só com boa-fé e pelo diálogo poderemos realizar.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Valupi, o Mestre...

Valupi é uma personalidade fantástica do mundo cultural português... uma identidade ficcionada cuja realidade é mais forte que o mundo hipócrita em que vivemos... um homem que chama "os bois pelo nome" com a franqueza desassombrada de quem não receia nem a sombra de quem quer que seja, senhor da ousadia rebelde e insubmissa de quem conhece o valor da palavra, o peso da desmistificação da demagogia e a liberdade de pensamento que se requer numa sociedade democrática exemplar! E se eu lhe devia já, pelo menos um post de reconhecimento que em comentário lhe prometera (ver AQUI), para o qual buscava ainda a difícil inspiração e graça merecedora do seu nível, hoje, depois disto (ver AQUI), são estas as palavras que penso em directo para este teclado onde escrevo, coração nas mãos e razão no lugar onde se encontram a ética e a justiça: Obrigado, Valupi!... You're really a special one! :) e até acredito que tenhas sido o inventor da Vénus de Milo :)
Aquele abraço!

domingo, 23 de maio de 2010

Leituras Cruzadas

As democracias sobreviverão se souberem resolver o dilema que se lhes coloca: insistir na continuidade de um modelo de gestão ditado pela lógica financeira ou optar pela reestruturação político-económica de que carece o objectivo de consolidação da Europa Social. Inevitável, a reorganização federal que, paulatinamente, tem vindo a ser construída, implica opções económicas capazes de reforçar as competências produtivas nacionais, reduzindo drasticamente o extremo grau de dependência do funcionamento dos mercados (real, nominal e especulativo). Se assim não fôr e se a União Europeia perder a oportunidade que a actual crise oferece de se reformar estruturalmente, não será por certo uma Europa Social aquela onde vamos continuar a viver! Sinais evidentes de que este não é o caminho certo são, designadamente, as situações a que foram conduzidos várias economias europeias, de que Portugal é um caso paradigmático porque a sua persistente debilidade económica, permitiu que o mesmo endividamento que tem aguentado o país, desembocasse na crise socio-económico que estamos agora a pagar. E se, infelizmente, o problema nos não atinge apenas a nós (leiam-se os textos de Daniel Oliveira no Arrastão, de Vitor Dias no Tempo das Cerejas e de Osvaldo Castro no Carta a Garcia), o caso português defronta-se ainda com uma realidade política interna que revela contradições e sérias dificuldades na procura de soluções concertadas, capazes de atenuar os efeitos sociais das medidas de austeridade (leiam-se os textos de Valupi no Aspirina B, de JMCorreia-Pinto no Politeia, de Filipe Tourais no País do Burro, de MFerrer no Homem ao Mar, de Weber no Mainstreet e de Francisco Clamote no Terra dos Espantos). Como se não bastasse, a oposição ocupa o espaço de estudo, análise, debate, negociação e re-negociação permanente que é preciso desenvolver na democracia portuguesa, em discussões que revelam interesses pouco respeitosos para com o Estado de Direito (leiam-se o destaque de Osvaldo Castro no Carta a Garcia e o texto de Pedro Soares de Albergaria e de Eduardo Maia Costa no Sine Die). Entretanto, a realidade continua o seu trajecto (leia-se o texto de Manuela Araújo no Sustentabilidade é Acção) e os esforços pacíficos e inequivocamente válidos de algumas medidas, continuam demasiado lentos face à urgência da intervenção humana seja na protecção da natureza e do ambiente (leia-se o texto de Carlos Júlio no A Cinco Tons), seja no combate à pobreza e ao desemprego (leia-se o texto de Paulo Pedroso no Banco Corrido)... A terminar o Leituras Cruzadas de hoje, deixo um destaque para o texto de João Tunes no Água Lisa, uma chamada de atenção para a poesia de Marcela Palermo do La Tramamericana e um agradecimento muito especial ao meu grande amigo Poet'anarquista!

sábado, 22 de maio de 2010

Obrigado, Mourinho!


Não tenho o hábito de escrever ou comentar futebol mas, hoje, não resisto! Acompanho o trabalho de José Mourinho desde o Futebol Clube do Porto e sinto-me, desde então, adepta incondicional das equipas de que é treinador! Porque, de facto, é simplesmente deslumbrante, a inteligência estratégica do melhor treinador do mundo!... Mourinho é português e sinto orgulho por isso!... O seu aturado e incansável estudo, esforço e determinação merece a admiração incondicional de todos! ... Um treinador faz uma equipa! - eis a grande lição!... Por tudo isto e pelo futuro: Obrigado, José Mourinho!

Do Inquérito Luso-Castelhano...


Hoje de manhã ouvi, na RTP1, a divulgação de um inquérito feito a portugueses e espanhóis em que se tentava apurar da receptividade de um e outro povo relativamente à criação de uma união ibérica. Com todas as relatividades (não sei como foi constituída a amostra mas a RTP garantia uma fiabilidade acima dos 95%), a que se não pode deixar de acrescentar a dimensão e percepção da crise económico-social que atravessamos, é interessante constatar que 50% dos portugueses se mostrava favorável à ideia enquanto apenas 30% dos espanhóis partilhavam essa opinião... saliente-se contudo que, segundo um especialista da matéria, 30% da população espanhola é, no caso, também, uma elevada taxa de boa recepção à ideia - nomeadamente porque, segundo disse!, este é um assunto que não faz parte da agenda espanhola! Do facto, destaco apenas que esta aproximação às representações sociais nacionais reflecte uma profunda descrença na capacidade da sociedade portuguesa resolver os seus problemas... ora, este problema é muito mais grave para a auto-estima do país e para a sua resiliência, do que se pode ser tentado a pensar, através da redução do problema a questões de descontentamento político com o Governo!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Vale a pena ver e ouvir!

Um exemplo cívico de pedagogia mediática...

Actualidades políticas... Surpresa - ou talvez não?!



Convém esclarecer, "a priori", que este apontamento não pretende opinar, discutir ou explicar o que aqui se regista mas, apenas, chamar a atenção para a sua constatação. Apesar de toda a "gritaria" política e mediática, foram hoje divulgados alguns dados e informações que merecem a reflexão de todos: o barómetro mensal denota uma ligeira subida do PS, regista descidas para o PSD e o CDS e constata que a maioria dos portugueses considera inevitável a subida de impostos! Além disso, Madrid garante que, conforme o previsto, o TGV chegará à fronteira portuguesa do Caia até 2013!... Moral da história: nem sempre o que parece é!... por isso comentadores e políticos, ao invés de tomarem por realidade os seus desejos, deveriam atender à cultura e ao quadro de representações sociais da maioria da população portuguesa. Talvez assim, com interpretações e leituras ajustadas à realidade, tornassem mais credíveis as suas especulações e contribuissem de forma positiva para ajudar a formar uma opinião pública esclarecida.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Do Primeiro-Ministro aos Banqueiros e da Oposição ao PE


Demagogia e falta de escrúpulos caminham, excessivas vezes, de mãos dadas e subjaz-lhes, sempre!, uma total falta de bom-senso! Nada disto seria grave se não afectasse, de facto, os interesses do país e dos cidadãos mas, em verdade se diga: afecta!... afecta e agrava a confiança das pessoas, dos mercados e, consequentemente, a economia nacional. Depois da entrevista que o Primeiro-Ministro deu ontem à RTP 1, onde se reconheceu a determinação e a consistência da governação por si liderada vieram hoje os banqueiros deitar "gasolina na fogueira" suportando as declarações de F.Ulrich (que diz estar para breve a intervenção do FMI em Portugal!!!) com uma manifesta ausência de sentido de responsabilidade social, alardeando que as pessoas vão viver pior (grande novidade!!), ignorando e branqueando completamente a culpa da lógica dos mercados financeiros e do liberalismo "sem peias" na eclosão de uma crise que não pára de crescer desde 2007. Ao invés destas "lágrimas de crocodilo" desejável seria ter ouvido que iriam colaborar no esforço colectivo dos portugueses e dos europeus, baixando ou eliminando "spreads", taxas de juros ou anunciando novos mecanismos de negociação de créditos/débitos no activo!... mas, não! É muito mais fácil puxar fogo "à palha" e assumir um grau de vitimização ridículo aos olhos dos cidadãos que respiram de alívio por não serem eles os governantes! E no âmbito da referência à entrevista de José Sócrates, ontem, dela registo apenas 2 notas, a saber: 1- o facto de terem insistido no pedido de desculpas do PM aos portugueses por contrariar o propósito eleitoral de não subir os impostos; 2 - o facto de, em comentário na RTPN, Morais Sarmento, ter dito que não iria haver eleições este ano porque José Sócrates manifestara claramente que não iria abandonar o Governo. Pois bem! O facto é que só faria sentido tal pedido de desculpas se a medida decorresse não das exigências europeias que se colocam ao país mas, apenas de uma decisão pessoal ou corporativa; quanto às afirmações de M.Sarmento, é curioso constatar como a esforçada "habilidade" política do seu argumentário revela a ansiedade de governação do PSD, ao expôr o que nunca foi claro senão para este partido ou seja, que José Sócrates tencionaria interromper o seu mandato. A acentuar este nervosismo do PSD, conhecemos hoje a intervenção do agitador eurodeputado Paulo Rangel que, mais uma vez, se lembrou de ir estimular a intriga no espaço europeu, tentando reactivar a desconfiança dos mercados, contrariando a lógica de maturidade política, solidária e coerente, dos restantes Estados-membros do Parlamento Europeu. Depois de tudo isto, a apresentação na AR de uma moção de censura do PCP ao Governo, na próxima 6ªf, e as posturas de "dividir para reinar" que se vão fazendo ouvir, levam-nos a pensar que, na realidade, os anseios corporativos se continuam a sobrepôr, inquestionavelmente, ao interesse nacional. Nenhuma destas afirmações contraria ou negligencia a consciência da gravidade dos problemas, designadamente, o do drama do assustador número de desempregados com que Portugal se confronta! Pelo contrário! É a consciência da gravidade da situação que apela ao esforço de todos no sentido de criar ou colaborar para que sejam criadas condições de resolução dos problemas, de forma crítica mas, efectivamente, construtiva e eficiente!... mas, quando se chega a este ponto da discussão, as alternativas do PSD esgotam-se no pouco criativo apelo ao reforço dos mecanismos liberais que nos conduziram à crise e, no que respeita às do PCP e do BE, está por provar e demonstrar que têm, de facto, propostas viáveis que se não reduzem à simples indicação de apenas algumas mudanças táticas ou estratégicas que, em pouco, ajudariam a debelar as dificuldades que caracterizam o quadro real da economia portuguesa. Nos tempos que correm o que os portugueses exigem aos políticos é... trabalho!... estudar, propôr, negociar, reformular e voltar a negociar, sem desistências ou atitudes cegas de pura negação seja da realidade, seja, gratuitamente, de todas as propostas que sejam apresentadas sem ser pelos próprios!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Também por Federico, um dos desaparecidos...

"(...) O poeta é uma árvore

com frutos de tristeza

e com folhas murchas

de chorar o que ama.

O poeta é o médium

da Natureza

que explica sua grandeza

por meio de palavras.


O poeta compreende

todo o incompreensível

e as coisas que se odeiam

de amigas, as chama.

(...)

Poesia é o impossível

feito possível. Harpa

que tem em vez de cordas

corações e chamas. (...)"

(Federico Garcia Lorca - excertos do poema "Este é o Prólogo", trad. W.Agel de Melo)

O poeta e dramaturgo espanhol Federico Garcia Lorca é um dos desaparecidos da Guerra Civil de Espanha, depois de assassinado em Granada em 1936, na sequência do seu inequívoco apoio à República e da sua assumida orientação sexual homossexual. O seu corpo pode estar entre os restos mortais encontrados nas valas comuns que, entre outros meios de prova, fundamentam o esforço do Juiz Baltazar Garzón em investigar os crimes do franquismo, lançando um inquérito sobre as vítimas da ditadura. A iniciativa do juiz Baltazar Garzon dera resposta à exigência do Comité dos Direitos Humanos da ONU relativamente à abolição da lei da amnistia (aprovada dois anos depois da morte de Franco, para impedir a recuperação dos corpos das valas comuns por milhares de familiares das vítimas da guerra civil) mas, a interposição de recurso por 3 organizações de extrema-direita (entre as quais se conta a reconhecida "herdeira" do movimento franquista Falange), conseguiu que a Justiça espanhola suspendesse de funções o Juiz Garzón que tem recebido apoios das organizações, activistas e simpatizantes da luta pela defesa dos Direitos Humanos de todo o mundo! Pela não cumplicidade com a iniquidade, pela Justiça, pela Liberdade e pela Democracia, é justo o grito que, como uma senha, se agita nos dias que correm: NO PASARÁN!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Da Homofobia à Intolerância Religiosa - Do Brasil ao Irão e à ONU




Hoje, 17 de Maio, celebra-se o Dia de Luta Contra a Homofobia e, a propósito do persistente combate que é urgente continuar a travar pelos Direitos Humanos e contra todas as formas de discriminação (sexo, religião, etnia, idade, deficiência, orientação sexual, estatuto económico, etc., etc., etc.), ocorreu-me a notícia que ontem foi divulgada a propósito da manifestação organizada na praia de Ipanema, no Brasil, contra a visita do Presidente Lula da Silva ao Irão onde a perseguição a pessoas em função da orientação sexual e religiosa é um atentado imoral aos direitos cívicos dos cidadãos que se inscreve numa ideologia anti-democrática que nega o Holocausto e recusa o combate ao recurso a armas nucleares. No Irão, são vítimas de perseguição não só cidadãos e cidadãs homossexuais e mulheres que lutam pela emancipação da condição feminina, mas, também, todas as pessoas que professam ideologias políticas e religiões diferentes (de que é justo destacar a Comunidade Fé Bahaí). A terminar este apontamento, registo, com sincero regozijo, a afirmação de José Sócrates sobre o seu apoio à eventual candidatura de Lula da Silva a Secretário-Geral da ONU (ler Aqui)... até porque, apesar dos justos protestos organizados no Brasil contra a visita do Presidente brasileiro ao Irão, para além do perfil profundamente realista e humanitário de Lula da Silva, é necessária à eficácia do exercício deste cargo da ONU de reconhecida importância internacional, a capacidade de manter e reforçar o diálogo com todas as partes para garantir a redução da margem de eclosão da violência e aumentar os resultados da negociação diplomática... em nome de uma eficiente acção interventiva, capaz de consolidar o reconhecimento e o respeito internacional dos Estados pelos Direitos Humanos.

domingo, 16 de maio de 2010

Para um Domingo de Primavera...


... o tema "Tem que Acontecer" de Zeca Baleiro, solidário com o mundo feminino! :)