quarta-feira, 30 de junho de 2010

Um outro olhar iraniano...


Emocionante é a palavra certa para definir a entrevista que podem ler AQUI e que considero importante partilhar... Um olhar sobre a autenticidade da arte e da pertinência do sentido com que o cinema pode iluminar a realidade para além da intenção ficcional de um argumento. O entrevistado é Abbas Kiarostami, o tema da entrevista o seu filme "Shiri" e as suas palavras dão rosto à complexidade de questões tão diversas como é o caso da vivência relacional entre homens e mulheres em sociedades politicamente fechadas e socio-culturalmente segregatórias, o amor, as emoções, o entendimento, as mulheres, a vida e o mundo... Abbas Kiarostami é genial no que me atrevo a designar por um modo alegórico próprio de dizer intensamente a verdade da realidade que pretende enunciar... por tudo isto e pelo que a leitura vos suscitar, vale mesmo a pena ler.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Da Economia e Da Ideologia, Hoje...

A fragilidade dos mercados face à crise económico-financeira que desabou sobre o mundo ocidental há cerca de um ano e cujos efeitos persistem, designadamente na desestruturação das economias nacionais com maior défice público e maior grau de endividamento externo, conduziu os países mais ricos, associados no G20 e reunidos na Cimeira de Toronto (Canadá) com o objectivo de prevenir e evitar novas reedições dos mais graves cenários das crises financeiras, a determinar a concertação para a redução comum dos défices e a aplicação de uma taxa fiscal bancária - a definir por cada Estado (ver Aqui). Apesar de todas as consequências dramáticas em que a decisão se multiplicará ao nível do investimento e do empreendorismo e consequentemente, das dinâmicas empresariais e do desemprego, esta decisão é o sinal e o exemplo maior do reconhecimento do grau de risco social e político-económico que a desestabilização financeira dos mercados implica no que se refere à arquitectura social dos Estados. Os factos revelam, antes de mais, de forma inequívoca, a falência social do modelo político-económico e financeiro que assenta na completa liberalização dos mercados. Por isso, agora, o mundo está a organizar contabilisticamente a forma de pagar a factura por uma opção ideológica que, radicando no século XIX, teve um desenvolvimento decisivo na segunda metade do século XX quando tal opção foi levada ao extremo, no climax de uma euforia de movimento de capitais que a lógica do lucro tratou, simplificadamente, de duas formas: não reconhecendo sinais de desgaste e declínio e perspectivando como solução para os problemas emergentes a continuidade da abertura e da persistência no incremento da liberalização dos mercados. Consequentemente, o desemprego nas sociedades europeias está aí para, pelo menos no médio prazo, ficar. A gravidade do problema é, contudo, mais vasta porque sempre que o dramatismo deste cenário social sofrer diminuições atenuantes, a propaganda e o marketing irão envolvê-lo em estratégias de manipulação de massas de conhecida demagogia, capazes de justificar a opção ideológica neo-liberal... até ao esgotamento da capacidade de resistência das populações cujo grau de empobrecimento diminuirá, seguramente, a respectiva resiliência. O grau de sofisticação tecnológica que se pretende continuar a introduzir nos processos produtivos, a par da globalização centralizada das redes de comercialização e distribuição e a praticamente irreversível reconversão dos aparelhos produtivos nacionais, constituem os 3 vectores de uma gestão ideológico-política que condiciona toda a mudança imperativa no funcionamento económico para que as sociedades democráticas que conhecemos não colapsem ao peso da pobreza e da exclusão social. Por tudo isto, quando analisamos os programas, as prioridades e os argumentários políticos do espectro partidário nacional, ficamos, justamente, com a percepção de que a própria política está esvaziada de sentido, convertida numa espécie de manual de gestão corrente de consumos domésticos... e para além de tudo o que, sobre cada um se poderia agora dizer, registo apenas o quão extraordinário é ver como o PSD insiste e persiste, apesar dos apregoados tempos de mudança levados a cabo pela sua nova direcção, na defesa intransigente dos princípios da redução da acção do Estado e do reforço da liberalização dos mercados (ver Aqui) como se estivesse perante uma mensagem ou proposta inovadora, capaz de garantir a salvação nacional.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Leituras Cruzadas...

Enquanto se olha o mar e se descansa a alma da turva lógica em que assenta a realidade nacional, com a qual se vai adiando a maturidade da consciência e a urgência da intervenção (vale a pena ter em atenção os resultados do recente estudo sobre a pobreza divulgado aqui e aqui) , o pesadelo é saber que o regresso ao horizonte comum dos dias, apesar da persistente busca de apontamentos e sinais que nos re-centrem ao menos pragmaticamente, reencontrará apenas o eco e a repetição do que nos habituámos a ter como quotidiano ou seja, a capacidade nacional de trocar o importante pelo efémero e de confundir informação com opinião... felizmente, não demitidos da capacidade de pensar, resta-nos constatar que ainda se vão escrevendo bons textos denunciadores deste carácter precário da nossa lusitana forma de encarar o tempo e os factos (vale a pena ler os textos de João Rodrigues no Ladrões de Bicicletas, de JM Correia-Pinto no Politeia, de João Ricardo Vasconcelos no Activismo de Sofá, de João Abel de Freitas no PuxaPalavra e de Filipe Tourais no O País do Burro)... contudo, da dita "lusitana forma de agir e pensar" continuamos a ter maus exemplos insistentes e assentes em discutíveis práticas que, da nossa presumida competência para avaliar e sustentar decisões, continuam a deixar muito a desejar como podemos verificar através de alguns casos que marcam este final de Junho (leiam-se os textos de Rui Bebiano no A Terceira Noite e de A.C.Valera no Irrealidade Prodigiosa)... e da articulação entre os primeiros 6 textos sugeridos e os 2 últimos, concluimos que, no fundo, continuamos no "ponto zero" do re-pensar e reformular a lógica dominante da gestão socio-política e científico-cultural que o próprio século passado já demonstrara disfuncional e carente de reestruturação... que mais não seja por, como bem se diz no Outros Cadernos de Saramago: "Uma Questão de Humanidade"!

Pessoas Sem-Abrigo - uma versão musicada...


... são histórias da cidade... pequenos instântaneos de pessoas sem abrigo, com pouco abrigo, de muitos ou nenhuns amigos... histórias de cidadãos... olhados ao som de "Lisboa não é a cidade perfeita" dos Deolinda.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Ainda as Palavras...


Junto ao mar, onde existem ninhos de gaivota com filhotes saltitando, trémulos, na areia morna e branca do fim de tarde, descanso os olhos no horizonte (razão pela qual não tenho respondido aos meus amigos e comentadores que sei compreensivos e tolerantes!), enquanto releio e retenho mais umas palavras de José Saramago:

"O capitalismo que se apresenta como uma panaceia, um processo de salvação da humanidade, não promete nada, não faz promessas; anuncia, isso sim, que está tudo ao alcance das pessoas (...) por isso, como não promete, não decepciona. A tragédia do socialismo é precisamente essa: não cumprindo o que prometera de facto, decepciona muito mais..." (1991);
"A democracia ocupou o lugar de Deus.(...) O poder real não está nos palácios dos governos: encontra-se, sim, nos conselhos de administração das multinacionais que decidem a nossa vida.(...)" (2004);
"O comunismo é um estado de espírito." (2008).

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Estradas sem Socorro...


Chocante, a notícia veio inesperadamente num regime democrático onde o bem-estar e a segurança dos cidadãos deve ser prioritária: a Estradas de Portugal decidiu desactivar os postos SOS que, ao longo de quilómetros que podem ser quase desérticos, permitiam a acidentados ou outros cidadãos em risco, pedir ajuda... o que podemos dizer?... que o mundo empresarial continua sem merecer o nosso incondicional respeito?!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Dizer a Vida... em 3 Frases



"Aprendi que o sentimento do amor não é mais nem menos forte conforme as idades, o amor é uma possibilidade de uma vida inteira, e, se acontece, há que recebê-lo." (J.Saramago)


"Dizer «Não ao Desemprego» é travar o genocídio lento mas implacável a que o sistema condena milhões de pessoas." (J.Saramago)



"Creio que a morte é a inventora de Deus. Se fossemos imortais, não teriamos nenhum motivo para inventar um Deus. Para quê? Nunca o conheceriamos." (J.Saramago)

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Unidos por Portugal...


A extraordinária goleada que a Selecção Portuguesa apresentou hoje no Munidal da África do Sul, perante uma Coreia do Norte que ainda deve estar a tentar perceber o que lhe aconteceu, merece o nosso sentido e vibrante aplauso... pela capacidade de uma equipa que, colectivamente e sem vaidades, jogou unida, solidária e confiante, enfrentando, sem medo, a baliza e as oportunidades de golo! ... Não sei se foi a cunha de Saramago quem, desta vez, estendeu a dita "mão de Deus" mas, depois da FIFA não ter deixado que os Navegadores se associassem à homenagem do mundo a José Saramago, o grande prémio que nos deram foi esta esmagadora e lindissima vitória em que a maioria dos jogadores portugueses se estreou neste Mundial, marcando 7 golos que dão, praticamente!, uma média de 1 golo por cada 13 dos 90m que fazem uma partida! Em frente, Selecção!... com a concentração, a humildade e o jogo integrado e colectivo de que hoje deram mostras! Unidos por Portugal... vamos lá!

sábado, 19 de junho de 2010

Para o Coração Português de José Saramago...



"Uma Flor de Verde Pinho

Eu podia chamar-te pátria minha
dar-te o mais lindo nome português
podia dar-te um nome de rainha
que este amor é de Pedro por Inês.

Mas não há forma não há verso não há leito
para este fogo amor para este rio.
Como dizer um coração fora do peito?
Meu amor transbordou. E eu sem navio.

Gostar de ti é um poema que não digo
que não há taça amor para este vinho
não há guitarra nem cantar de amigo
não há flor não há flor de verde pinho.

Não há barco nem trigo não há trevo
não há palavras para dizer esta canção.
Gostar de ti é um poema que não escrevo.
Que há um rio sem leito. E eu sem coração."

(Poema de Manuel Alegre
Música de José Niza)

A Dialéctica do "Não"... segundo José Saramago - Leituras Cruzadas - Especial


"Que bom ser ingénuo; que bom não ser cínico" - disse uma vez José Saramago a propósito das ignorantes e vergonhosas palavras de Sousa Lara, secretário de Estado do Governo que Cavaco Silva liderou como Primeiro-Ministro...

"A palavra mais importante é «Não»... dizem que é satânica porque Satã foi «o que negou»; eu digo que a palavra «Não» é a mais importante. A Revolução é Não, um Não contra o Status Quo... o problema é que as pessoas que dizem «Não» se deixam corromper e o «não» torna-se um «sim»; por isso, é importante que depois apareça outro «Não»..." - disse José Saramago de outra vez, explicando a densidade permanente da exigência ética do carácter e do combate cívico-político...

... e agora, se me permitem, sugiro-vos um percurso na blogosfera... é um itinerário de expressões de cultura e de afecto, de respeito e de identificação, de amizade e solidariedade que vale a pena fazer:

"Dia Não..." - de Osvaldo Castro in Carta a Garcia

"Porque terá chegado a Grande Sombra" - de Benjamina in Armazém de Pedacinhos

"Morre o Homem, Nasce a Eternidade" - de Valupi in Aspirina B

"Saramago, uma lágrima e uma flor" - de Rogério Pereira in Conversa Avinagrada

"José Saramago, por Manuel Gusmão" - de Tiago Mota Saraiva in Cinco Dias

"Saramago Morreu - A Minha Vida sem Pardais" - de Rogério da Costa Pereira in Jugular

"José Saramago - Falsa Democracia" - de Donatien Alphonse François in Donatien Alphonse François

"O Direito mais Fundamental" - de João Tunes in Água Lisa.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O Dia da Morte de José Saramago




Morreu ao final da manhã de hoje, 6ª feira, 18 de Junho, o escritor José Saramago... por cá, em terras portuguesas, o sol voltou a esconder-se e o dia ficou um pouco mais frio. Faz sentido! José Saramago, Prémio Nobel da Literatura, Escritor e Homem dito em maiúsculas, fez da sua obra e da sua vida um manifesto de liberdade reconhecido em todo o mundo. Ficamos mais pobres... e, por isso, mais tristes! Resta-nos a obra de enorme riqueza que estamos a tempo de re-descobrir e a memória de quem nunca calou a voz da consciência, da lucidez e de um infinito amor à vida! "Levantado do Chão" foi o primeiro livro que dele li... um livro que, apesar de tantos outros que ao longo da sua vida foi escrevendo e de que muito gostei, não esqueci, pela capacidade de dizer a terra e a alma, por tanto tempo calada, do Alentejo. José Saramago trazia na inteligência e nas mãos o entendimento dos silêncios do mundo. Obrigado, Saramago! Bem-hajas!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

A Tragédia de Burma


Ontem, pela primeira vez, vi o filme "Beyond Rangoon"... não posso, por isso, deixar de o referir. Com uma excelente interpretação de Patricia Arquette, o filme conta a história dos massacres ocorridos na capital da Birmânia, onde uma sangrenta ditadura militar continua a violar e ignorar todos os Direitos Humanos, castigando um povo pacífico cuja cultura se confronta com a necessidade de assumir uma luta sem tréguas que requer o ultrapassar do medo e uma coragem cívica extraordinária. Líder e exemplo mundial desse combate pelos Direitos Humanos, Aung San Su Kyi, laureada com o Prémio Nobel da Paz em 1991, vive em prisão domiciliária em Rangoon, capital de Burma (Birmânia), há, praticamente, 20 anos (ler também aqui e aqui). Documento imperdível da luta humana contra o poder das armas, pela reivindicação da democracia e da liberdade, o filme cujo título foi traduzido para português como "Rangoon", é uma celebração do amor à vida e do investimento sem reservas nas causas justas a que, cada vez mais, urge dar voz e rosto. Se ainda não viram, tentem ver... se já viram, vale sempre a pena rever.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Contra o fatalismo de um mundo desigual...


A Luta Contra a Pobreza é decisiva para a viabilidade do desenvolvimento sustentado... em todo o mundo! Dos países muito pobres e dos menos pobres... porque é uma evidência cada vez menos ocultável, apesar de toda a criação imagética da sociedade de consumo, globalizada e mediática, que são muitos os rostos da pobreza e que os pobres tendem a ficar mais pobres porque as crises económico-financeiras se abatem sobre os Estados, os países e as populações na proporção directa das suas capacidades de resistência aos seus efeitos. Hoje, a luta contra a pobreza é um problema multifactorial que, para além do assistencialismo urgente que é preciso reforçar junto dos que vivem a fome, a guerra, as secas e a exploração desenfreada de recursos naturais e humanos, requer uma intervenção integrada que dinamize de forma conjunta e simultânea, mecanismos de protecção e defesa do ambiente, sistemas de saúde, educação, economias e regras institucionais, políticas e financeiras. A Humanidade, hoje, luta contra si própria e não o entender é reduzir as possibilidades que as democracias e os Direitos Humanos conquistaram desde meados do tão recente século passado e agravar o risco e a taxa real de sobrevivência da espécie nas condições que reconhecemos como dignas, ou seja, justamente equitativas ao nível de uma coexistência social capaz de erradicar as formas de discriminação em que radica o pensamento e a cultura que sustentam a desigualdade e as políticas de liberalização absoluta de mercados, empregos e práticas que nos são apresentadas dogmaticamente como solução e prioridade acrítica, incontestada e incontornável.

domingo, 13 de junho de 2010

Sugestão...


... o prometido é devido! ... aqui fica, vbm!, María del Mar Bonet :)
Uma magnifíca voz catalã num tema lindissimo para um final de noite ou um dia feliz!

Da Sondagem sobre as Presidenciais...

Foi hoje divulgada a mais recente sondagem da Aximagem sobre as eleições presidenciais no jornal Correio da Manhã (ver aqui). A cerca de 7 meses de distância do acto eleitoral que elegerá o novo Presidente da República, os resultados denotam a visão tradicional da persistência da reeleição para o desempenho de um segundo mandato dos PR em exercício. Contudo, não considero que os resultados desta sondagem possa ser interpretado de forma linear já que, por um lado, as campanhas eleitorais ainda não estão no terreno, não tendo o actual PR sido confrontado com o discurso e o argumentário dos seus opositores, designadamente Manuel Alegre, que a mesma sondagem apresenta como segundo mais votado. A expectativa é grande e desse facto é sinal o quase silêncio que a blogosfera tem feito sobre os dados agora divulgados. Considerando as análises que já apareceram na blogosfera sobre a matéria, destaco a de Paulo Pedroso no Banco Corrido que nos permite equacionar a percentagem real que viabiliza a passagem à 2ª volta destas eleições que, na minha opinião, garantiria seguramente a vitória de Manuel Alegre. Outros contributos que reforçam esta perspectiva podem ser encontrados nos textos de Osvaldo Castro no Carta a Garcia e de Weber no Mainstreet. Como diria Jean-Paul Sartre, "os dados estão lançados". Vamos agora trabalhar para que os projectos e os perfis presidenciais que defendemos levem a bom porto as travessias que estamos a começar. Está tudo em aberto, como bem convém a uma democracia que se preza.

Caprichos contra o Direito - o caso da CPI


Pacheco Pereira já não sabe como obter credibilidade e hipoteca o seu partido a uma guerra que, no máximo, lhe valerá outra vitória de Pirro. A insistência em moldar as conclusões da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o caso TVI, levam o caprichoso deputado a violar a Constituição pela repetição capciosa de um argumento inválido, a saber a consideração e divulgação de "escutas" como elemento pró-probatório de um Relatório que, à falta de factos, quer ver redigido em termos impressivos e opinativos, ou seja, subjectivos. Para quem defende um Estado de Direito é claro o entendimento que dele resulta. Da inconstitucionalidade da consideração das "escutas" vale a pena ler aqui o que tem sido escrito e sobre a sua irrelevância para o processo considere-se o que pode ser lido aqui. O Direito não se combate com birras... resta-nos agora esperar para ver o que fará Passos Coelho com tão pouco!

Álvaro Cunhal e Eugénio de Andrade - Personalidades da Cultura Portuguesa

Personalidade incontornável e controversa como convém a todos os que, na História, deixam a sua marca, Álvaro Cunhal é uma referência política que arrastou paixões e ódios, tornando-se provavelmente uma das figuras da cultura portuguesa cuja obra o tempo se encarregará de denotar em termos de significado ético, político e cultural. Morreu faz hoje cinco anos e, no seu funeral, como tantas vezes na sua vida, esteve rodeado por milhares de portugueses.

Também há exactamente cinco anos, morreu Eugénio de Andrade, poeta maior da língua portuguesa, solidário e constantemente presente na vida do país em que viveu e onde medrou a sua obra intemporal.

sábado, 12 de junho de 2010

De Paris a Olivença, um itinerário europeu da Lusofonia


Ontem, uma rua de um espaço verde, em Paris, recebeu o nome de Amália Rodrigues (ler aqui)... pouco importa se o jardim é ou não muito frequentado (ler aqui) porque os tempos e os percursos da circulação se vão alterando mas, a toponímia, enquanto expressão da cultura e das interacções culturais, permanece... disso é testemunho o que aconteceu por estes dias em Olivença, onde 70 ruas receberam, sob as placas toponímicas actuais, novas placas que relembram à memória colectiva, os antigos nomes portugueses dessas ruas (ler aqui), num esforço renovado de consolidação da identidade cultural local que também encontra eco no facto da língua portuguesa ter sido adoptada como 2ª língua da Extremadura espanhola, sendo já, em Olivença, objecto de estudo de 400 alunos. A este propósito e porque escrevi aqui mesmo, há dias, um texto em que Olivença vinha a "talhe de foice" (ler aqui), cabe lembrar que o problema territorial continua por resolver no plano do Direito Internacional, uma vez que, hoje mesmo, no Diário de Notícias, uma pequena "breve" reproduzia as afirmações de Nick Clegg que, recém-chegado ao poder no Reino Unido, afirmou que o seu Governo, liderado por por David Cameron, irá manter a soberania sobre Gibraltar, tal como decorre do Tratado de Utrecht, antecipando-se à eventualidade de Espanha interrogar o actual executivo britânico sobre a matéria - já que, de há muito, nuestros hermanos afirmam avançar com a reivindicação do território no caso de Londres renunciar à respectiva soberania.
Nota: A fotografia é a capa do livro que resultou da adaptação da minha tese de Doutoramento, intitulada: "Continuidade Cultural e Mudança Social - Um Estudo Etnológico Comparado entre Juromenha e Olivença", defendida, em 2005, na Universidade Nova de Lisboa. O livro foi publicado, com prefácio do meu orientador Professor Doutor Armindo dos Santos, em 2007, pelas edições Colibri e na sua apresentação pública, decorrida no Instituto de Estudos Diplomáticos do MNE, contou com as intervenções do Senhor General Loureiro dos Santos e do Presidente do Instituto, Professor Doutor Marques Guedes.