sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Da Precariedade Laboral à Sobrevivência Social da Democracia



Portugal é o 2º país da Zona Euro com mais elevada taxa de precariedade e o 3º se considerarmos a totalidade da União Europeia, segundo os dados do Eurostat (ler Aqui). Apesar de relativizados pelas autoridades portuguesa, os dados revelados merecem a nossa reflexão designadamente porque o problema que subjaz a esta realidade é, como em toda a Europa, o do desemprego (ler Aqui), cuja análise objectiva e distanciada se resume à constatação da incapacidade de criação de postos de trabalho nas sociedades contemporâneas consideradas desenvolvidas mas, cujo futuro se encontra, por esta razão, seriamente ameaçado. As consequências da coexistência de elevadas taxas de desemprego, precariedade laboral, envelhecimento populacional e alterações de consumo configuram, neste momento, os eixos sobre os quais se desenha o futuro europeu das populações dos países que integram a União Europeia, onde os conflitos tendem já a reflectir-se em sérias dificuldades económicas para famílias e cidadãos e a agravar-se sobremaneira, quando associadas à questão das migrações e do acentuar político dos limites das competências do Estado Social . Neste contexto, é fácil prever o endurecimento das medidas políticas justificadas pela necessidade de gerar receitas capazes de anular os custos do apoio social que vai sendo, progressivamente, diminuído. Com este panorama não é difícil compreender que estão em efectivo desenvolvimento dinâmicas socio-políticas alimentadas pelo descontentamento, que irão condicionar e sustentar reacções politicas significativas, de sinal contrário às que assentam na defesa dos direitos das pessoas e realtivamente às quais não podemos garantir a continuidade do investimento eleitoral na democracia. Por tudo isto, aflige a inércia política decorrente de um mistificador aguardar por eventuais investidores que, apesar das mudanças ocorridas no mercado de trabalho terem modificado a "olhos vistos" a sua natureza operativa e organizacional, continuarão a sacrificar a lógicas ultrapassadas o problema da contratação de recursos humanos, recusando a inflexão do investimento na criatividade multifacetada a que a sociedade pode aderir (não era esse um dos argumentos da polivalência e da flexibilidade?), apenas porque não reconhece nessa inflexão lucros imediatos acrescidos... e aflige tanto mais que, se a análise científica socio-económica do problema é já conhecida e se, consequentemente, dela podemos deduzir ilacções e construir cenários de previsibilidade, não se compreende a razão da União Europeia não estar já a trabalhar conjuntamente o problema da criatividade e da sustentabilidade do Mercado - ao invés de nos deixarem reféns de uma espécie de "fatalidade", resultante da nossa adesão e dependência tecnológicas criadas por hábitos de consumo induzidos pela oferta e a mediatização, de forma transversal e incontornável na vivência urbana dos quotidianos!?

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Da Lei e das Regras no Estado de Direito

Os portugueses precisam de encontrar bodes expiatórios para canalizar as razões do descontentamento social... só assim pode ser entendida a insistência num episódio que, ignorando o cumprimento das regras da Justiça e do Direito, continua a ser alimentado pelos que consideram ser o dedo acusatório da suspeição e da desconfiança a forma de corrigir o que, no país, pode ser melhorado política e institucionalmente.
Para quem recusa perceber que a convicção gratuita se pode aproximar da insistência obsessiva que, em muitos locais do mundo, é suficiente para condenar à morte, vale a pena lembrar alguns depoimentos tecnicamente prestigiados e insuspeitos de Maria José Morgado, António Garcia Pereira, Marinho Pinto, Pedro Soares de Albergaria e Proença de Carvalho:

As denúncias gratuitas que permitiram à Inquisição e ao Estado Novo perseguir impunemente os cidadãos não se afastam muito do clima persecutório para onde estão a tentar conduzir a Justiça e o bom-nome das instituições em que assenta o Estado de Direito... e quem, num regime democrático que permite o diálogo sobre a mudança das suas regras, troca o rigor da Lei e da Prova pelo boato, a opinião e a impressão não comprovada, das duas, uma: ou não compreende o precedente que deixa em aberto ou visa intencionalmente desacreditar esse regime democrático e o respectivo Estado de Direito.

Persistências... na Resposta e no Entendimento


(via Banco Corrido)
Nota: este post começou por ter como título: "Afinal..." mas, foi aperfeiçoado - para evitar equívocos interpretativos pois, como diz a sabedoria popular: "nunca fiando!".

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Do Procurador Geral da República, Pinto Monteiro


Incomoda-me ver que as organizações se unem por motivos pouco claros, em detrimento da transparência democrática, preferindo incorrer em erros do que perder uma oportunidade para defender os que se não posicionam publicamente como seus seguidores. Por isso, os comentários do BE e do PCP sobre a pequena e corajosa entrevista de Pinto Monteiro, publicada ontem no DN, decepcionam quem olha, vê e interpreta sem preconceitos, o incidente que continua a grassar no meio político-jurídico e judicial português, a propósito de um despacho de arquivamento, cujos autores decidiram transformar em peça documental insidiosa. A verdade é que conseguiram que o PSD, o CDS, o BE e o PCP se unissem numa crítica desprovida de razão ao Procurador Geral da República, Pinto Monteiro... e se a posição do PSD, concorrendo para o desenvolvimento de uma forma de intervir pela negativa em que se pretende mandar sem eleições, não surpreende (registe-se que, mais uma vez, as declarações de Paulo Rangel foram descabidas e serviram apenas de "lebre" para a corrida contra o PGR "à falta de melhor" - passe a expressão! - uma vez que o Governo está agora livre das acusações que o tentaram ligar a processos escusos), as afirmações do BE e do PCP são, em tudo!, contrárias ao que se presume e pretende do espírito democrático... Porquê?... porque de um Procurador-Geral da República se não deve esperar apenas o silêncio protocolar tradicional do "politicamente correcto" mas, acima de tudo e no caso de acreditarmos de facto na liberdade de expressão, a capacidade de desvelar formas que concorrem para climas de suspeição que põem em causa a transparência do exercício dos poderes. Ora, na verdade, não tendo o PGR causado interferências na investigação ou no seu juízo, não pode, de acordo com a legitimidade da expressão democrática, deixar de se pronunciar face à estranheza suscitada pelo teor de um despacho que é, de facto, bizarro no que se refere à própria conceptualização da sua produção. Como bem disse, ontem, o Director da Revista Visão (talvez a única voz pública a interpretar correctamente a entrevista de Pinto Monteiro!), o importante, nessa entrevista, foi ler da parte de alguém com efectivo conhecimento e responsabilidade na matéria que, de facto (coisa que, aliás!, a lógica nos permite compreender pelo reconhecimento do papel da subjectividade inerente a todo o juízo), os processos judiciais podem ser politicamente orientados... e este é o "busílis" da questão - não só em termos substantivos como enquanto justificação do mau-estar da oposição relativamente ao problema que quiseram julgar como "verdade" e face ao qual entram em fase de negação perante a hipótese de terem sido manipulados!!!... pois!... é lamentável!... porém, a solução não é condenar, por isso, Pinto Monteiro mas, isso sim, perceber até que ponto se pode aperfeiçoar o sistema de modo a reduzir a margem de ocorrência de tais manipulações!... Além do mais, a postura de "virgens ofendidas" perante o uso da expressão "Rainha de Inglaterra" no que se refere aos poderes do PGR é, simplesmente, ridícula, porque todos sabemos que, se por um lado, as hierarquias existem para o controle processual, por outro lado, sabemos em que medida se constitui como risco, ficar dependente da estrutura hierárquica em casos que implicam a adulteração do espírito de serviço público que lhes está subjacente... ou não? No caso, a hierarquia funcionou, tomando em consideração (ou por seu efeito ?!) algumas forças que lhe são externas e que procedem em paralelo, a saber, o Sindicato dos Magistrados que resolveu confrontar-se com o Ministério Público, explorando a mediatização a que tem acesso - razão que, provavelmente, explica a oposição de Jorge Miranda à existência de Sindicatos desta natureza?!... Bom seria para a democracia portuguesa que todos parassem para pensar sobre a filosofia do sistema democrático vigente onde o papel dos sujeitos e do protagonismo individual é matéria complexa de tal modo que, o que hoje verificamos na ordem jurídica nacional, enquanto limitação de poderes do PGR se deve ao esforço de não centralizar nesta figura do Estado uma espécie de poder absoluto - reserva que se justifica por se não poder garantir, "a priori", a invulnerabilidade de todos os indivíduos que foram ou venham a ser nomeados para o exercício do cargo - característica que, está à vista!, não oferece dúvidas no caso de Pinto Monteiro que recorre ao exercício democrático para partilhar com os portugueses os problemas internos de um sistema que não é, obviamente!, perfeito e nos deixa expostos aos enredos criados com finalidades que transcendem a prática objectivamente possível da Justiça. Espero, por tudo isto e acima de tudo porque acredito na transparência democrática, que o Procurador Geral da República se não demita como clama a demagogia irresponsável que contra si própria fala, confundindo árvores com florestas na ânsia de provar uma qualquer impressiva convicção sem correspondência factual...

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Leituras... para Mário Bettencourt Resendes

Os amigos e os jornalistas que me desculpem mas, o sorriso de Mário Bettencourt Resendes persiste na minha memória, terno, compreensivo e largo como o entendimento do universo. Li que pediu para seguir viagem envolto na bandeira do DN e fico feliz por isso: um Homem sente que realizou o sentido da sua vida numa missão que todos reconhecemos Grande e Cumprida. Por isso, deixem que lhe dedique algumas Leituras Cruzadas para o caminho que é longo como a eternidade e que, também um dia, nós iremos percorrer. Para que sorria emocionado - porque as emoções são o que de mais belo registamos no viver - começo por lhe aconselhar, no Delito de Opinião, o texto de Pedro Correia e a meiga imagem de Bandeira...
... depois, sobre o Estado da Nação que tanto ocupou a sua vida, proponho-lhe, para o retrato político-social dos dias, a leitura dos textos de:
Óscar Mascarenhas (via Câmara Corporativa onde também sugiro a entrevista para que nos remete João Magalhães),
Francisco Seixas da Costa no Duas ou Três Coisas,
Paulo Pedroso no Banco Corrido,
Raul Iturra no Aventar,
e Weber no Mainstreet...
Quase a terminar mas, porque a viagem é longa!, uns apontamentos simbolicamente lusófonos sobre cultura... para que continuemos a sorrir pelo que fomos e pelo que somos:
Rogério Pereira no Conversa Avinagrada,
Eduardo Marculino no História Viva (relembrando uma curiosidade: Portugal entregou o Uruguai a Espanha em troca de Olivença),
Dario Silva no Aventar,
e José Saramago no Outros Cadernos de Saramago...
... ah!... já agora, o destaque para uma excelente entrevista que, para além do da sua morte, se pode ler no sempre seu DN...
Obrigado , Mário... Boa viagem e...
Até Sempre!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O Jornalismo está de Luto...


Morreu Mário Bettencourt Resendes, ex-Director do Diário de Notícias, referência incontornável do jornalismo em Portugal e comentador político. O jornalismo português sofre por isso, hoje, uma perda no que à seriedade analítica, à responsabilidade noticiosa e ao exercício de valores deontológicos, respeita. Corajoso e realista na profissão e na atitude cívica com que suportou a doença, exercendo as suas competências até ao fim, Mário Bettencourt Resendes garantia a leitores e espectadores um equilíbrio respeitador das diferenças, capaz de, independentemente das suas opiniões e tendências políticas, fazer jus à esquerda e à direita sempre que reconhecia o uso oportunista da especulação mediática gratuita. Ficamos mais pobres... e resta-nos esperar, como sabemos que ele o desejaria, que a geração de "corredores noticiosos" sedentos de animosidade e técnicas de venda, parem para pensar nos bons exemplos que as gerações anteriores deixam com as suas vidas e os seus trabalhos.

domingo, 1 de agosto de 2010

O Direito Fundamental à Saúde e ao Desenvolvimento...


O direito aos cuidados de saúde continua a ser alvo de atentados contrários à filosofia e aos objectivos do Serviço Nacional de Saúde que se não justificam a não ser por motivos economicistas... desta vez, no distrito de Évora, depois de Arraiolos, é o concelho de Alandroal que justamente protesta contra esta decisão que, esperemos!, venha a ser revogada na reunião em que, amanhã, autarquia e autoridades na matéria, reequacionarão o problema. O concelho de Alandroal não teve até ao 25 de Abril de 1974, cuidados médicos capazes de assegurar o mínimo de apoio concertado e eficaz à população concelhia. Dependente da acção benemérita do Dr.Xavier Rodrigues, figura inesquecível pelo perfil humanitário que caracterizou a sua vida e que o levava a pagar, a expensas próprias, o aluguer do único e depois de um dos dois táxis do concelho durante décadas e até aos anos 70, em socorro nocturno de quem, pelos campos, conseguia fazer chegar a tempo o seu apelo, o Alandroal contou, até à criação do SNS, apenas com os serviços elementares de enfermagem da Misericórdia, prestados por duas pessoas, a saber, uma das suas religiosas, a Irmã Ana e o sr. Cardoso. Com o Serviço Nacional de Saúde, o concelho teve acesso a cuidados médicos diários, descentralizados pelas aldeias onde se improvisaram postos de atendimento nas Casas do Povo e posteriormente nas sedes das Juntas de Freguesia e em que se integraram campanhas de sensibilização alimentar que permitiram às famílias perceber a importância de consumos como o leite (que aí chegou para distribuição gratuita com o apoio da FAO), a fruta e os legumes e que muito contribuiram para, progressivamente, reduzir as taxas de mortalidade infantil do concelho. Neste contexto, chegaram às populações campanhas intensivas de vacinação, saúde escolar, planeamento familiar e acompanhamento sanitário das pequenas explorações familiares pecuárias. Reestruturação após reestruturação, o concelho de Alandroal conseguiu finalmente!, a partir de 2005, ter um Centro de Saúde com instalações condignas criadas para o efeito... como justificar agora, cinco anos depois, em pleno século XXI, esta redução de um direito fundamental como é o direito à saúde que, para grande parte do país que somos, representa o início do acesso dos mais pobres a condições de vida dignas?

Obrigado, Presidente Lula! Chegou a hora...


Lula da Silva, o Presidente mais carismático da actualidade, volta a ser notícia e a dar do Brasil a imagem de um país atento ao mundo... Os brasileiros não podem esquecer o legado que Lula da Silva lhes deixa e de que o mundo precisa, devendo continuar a exigir uma presença internacional indefectível na defesa dos Direitos Humanos, em duas frentes: interna e externa. Hoje, Lula da Silva deu, uma vez mais, à cidadania global e ao cinzentismo esquálido dos poderes, o rosto, a voz e o gesto pela Liberdade, a Igualdade e a Paz, oferecendo asilo político a Sakineh Mohammadi Ashtiani que o Irão condenara à morte à apedrejamento (vale a pena ler AQUI)... em mais um dia em que o Governo de Israel e o Hamas voltam a atacar os seus povos, reiterando o sofrimento da Palestina onde as mulheres começam a ser vítimas do fundamentalismo conservador, esta é, sem dúvida, a expressão mais eficaz dos valores democráticos, materializada no exemplo que todos, incluindo as Nações Unidas, deveriam ter em conta. Obrigado, Presidente!... Apoiar a sua eleição como Presidente das Nações Unidas é agora, mais do que nunca, um dever cívico que cabe aos Governos, ONG's e cidadãos de boa-fé de todo o mundo... para que a ONU sobreviva e readquira o estatuto de dignidade e respeito de que os povos precisam e de que a política internacional carece.

sábado, 31 de julho de 2010

Sindicato dos Magistrados contra Ministério Público?!


«"A Justiça está mal" - dizemos... e vai de mal a pior! mas, afinal, muito se faz p'ra que não esteja melhor!!!» - que me perdoe António Aleixo, o poeta das sínteses perfeitas!, pelo contrabandear do ritmo poético... mas, na verdade, persiste em Portugal esta percepção silenciada sobre a actuação do Sindicato dos Magistrados que, de há muito a esta parte, insiste em se pronunciar frequentemente como veículo de expressão de um lobby corporativo que mais parece empenhado em destruir a nobre missão que caberia à Justiça, em nome da defesa opinativa, subliminar e subjectiva de pessoas que, por um acaso, ambição ou opção, utilizam os cargos da Magistratura para dar voz pública a suspeitas pessoais que, dado o carácter objectivo dos tempos, meios e conclusões da investigação, não conseguem provar... perde assim toda a autoridade ética, moral e deontológica este Sindicato mais parecido com o espírito dos Grémios de má-memória... e, por muito que insistam em não o perceber, confere mais credibilidade ao Procurador-Geral da República e ao Ministério Público a quem temos que agradecer, apesar da lentidão dos processos!, a resistência perante tanta insinuação acusatória que só na intencionalidade política, encontra justificação... porque se é verdade que a Justiça precisa de mais e melhor investigação, do que seguramente não precisa é de ser vítima de lutas internas pelo poder que hipotecam o seu sentido e a sua natureza num Estado de Direito Democrático!

sexta-feira, 30 de julho de 2010

António Feio, o Belo...


António Feio morreu... um actor e encenador contemporâneo de primeira água, com 55 anos, morreu de cancro no pâncreas?! É verdade!... não, não é verdade! Um Homem não morre!... um homem prolonga-se na memória que evidencia o ridículo da cultura urbana em que a civilização nos consome, transfigurados pela pressa com que o tempo nos obriga a andar vestidos e com que as pessoas vão entretendo os dias, na ilusão do entendimento do mundo... para pôr a nu a pobreza do papel que nos levam a desempenhar esquecendo o essencial que, ao pressentir a chamada do fim, enunciou assim: "Não deixem nada por dizer... não deixem nada por fazer!"... Obrigado, António! Até sempre!

O Museu do Côa

Foi hoje inaugurado o Museu do Côa, unidade museológica de um notável potencial se a estrutura tiver meios de gestão e manutenção capazes de a rentabilizarem. De facto, o maior museu de arte rupestre do Paleolítico, ao ar livre, reveste-se da maior importância em termos internacionais... não apenas do ponto de vista histórico e científico mas, também ou porque não dizê-lo (?), essencialmente, do ponto de vista, cívico e pedagógico. As sociedades contemporâneas, ditas do conhecimento, coexistem com mistificações supersticiosas sobre a vida e o funcionamento dos seres vivos revelando a frágil capacidade de pensar a existência e o fenómeno tem repercurssões na vida pública dos cidadãos numa dimensão que vai dos relacionamentos interpessoais à fenomenologia complexa das interacções comportamentais que integra a própria criminologia... por isso, urge informar, formar e educar crianças e comunidades de modo a que possam apreender o mundo de forma científica, considerando a ciência como uma forma de leitura equilibrada da realidade onde o sonho coincide com a noção da realidade, sem se lhe sobrepôr ou substituir... Contudo, no mundo de hoje, os grandes equipamentos infra-estruturais e, inerentemente, os que possuem natureza cultural, requerem uma organização multidisciplinar dinâmica que se não esgota, de forma alguma, nas concepções tradicionais da museologia... e se o Museu do Côa tem, por si próprio, essa potencialidade, enquanto pólo activo de promoção do desenvolvimento regional, requer uma atenção redobrada sob pena de se desperdiçar um investimento fabuloso que o mundo quer e deve conhecer (a notícia pode ser lida AQUI).

Freeport - Investigação, Direito e Intencionalidade Política


Paula Lourenço, advogada de Charles Smith e Manuel Pedro, não tem dúvidas sobre a intencionalidade política do processo Freeport. Sublinhando que a mesma percorreu e justificou todo o processo desde a sua origem e até ao final, Paula Lourenço destaca o envolvimento inicial de João Bual, ex-Vereador da Câmara Muncipal de Alcochete e alegado autor da carta anónima que deu origem ao processo (ver AQUI). A advogada chama ainda a atenção para o facto do desfecho judicial do processo ter sido redigido de forma também intencionalmente preparada com o objectivo de manter o clima de "suspeição" designadamente, política.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Prioridades Planetárias - Água e Condições Sanitárias

O direito a água potável de qualidade e a instalações sanitárias foi, finalmente!, elevado à condição de Direito Humano. Depois de 15 anos de debate, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução de compromisso, redigida na Bolívia, que contou com os votos favoráveis de 122 países e 42 abstenções (ler Aqui). A Resolução, redigida na Bolívia, consagrou, finalmente, este Direito essencial à vida que urge respeitar, designadamente, por dele depender a sobrevivência de numerosas populações cujas sociedades se encontram seriamente ameaçadas ao nível da sobrevivência. A importância deste reconhecimento reveste-se ainda da maior importância para todo o planeta por chamar a atenção para a protecção dos recursos hídricos que o abuso consumista das sociedades ditas desenvolvidas promove e pela qualidade de vida que contribui para reforçar na população infantil, adulta e idosa de todo o mundo. Neste contexto, urge pensar em situações muito concretas que requerem resposta urgente e de que me ocorre destacar, entre outros, o acesso ao exercício destes direitos pela população cigana designadamente a que pratica o nomadismo, a população vítima de pobreza e exclusão e a população em situação de reclusão... A política de respeito pelos Direitos Humanos continua a ser uma prioridade até ser perspectivada, em todo o mundo, como "força de lei"... e esta urgência não se esgota, de forma alguma!, nos países com mais gritantes violações dos direitos cívicos e fundamentais dos cidadãos.

terça-feira, 27 de julho de 2010

José Sócrates, Cidadão e Primeiro-Ministro de Portugal


Seis anos depois de uma saga tortuosa que perseguiu o cidadão José Sócrates no exercício do mais alto cargo do Governo da República Portuguesa, hoje, o actual Primeiro-Ministro do nosso país, teve a justa alegria de falar a todos os portugueses através das televisões, para se congratular com o desfecho desse tenebroso caso chamado Freeport, suscitado pela cobardia subjacente à apresentação de uma carta anónima que ninguém, políticos ou comunicação social, teve pejo em explorar apesar do seu conteúdo pôr em causa o Executivo democraticamente eleito por sufrágio universal. Nada de novo no discurso de José Sócrates nesta declaração pública que fez, de pleno direito, porque sempre afirmou que nenhuma das suspeitas sobre ele levantadas, tinha fundamento. Ficámos nós, os cidadãos, a ganhar por termos confiado nas instituições e por não termos sido tentados pela intensiva teia de boatos e oportunismos com que fomos bombardeados. É isto a democracia!

Leituras Cruzadas...

Não é apenas demagógico mas dramático e perigoso, o facto dos políticos das mais representativas forças partidárias evocarem, como prioridade da sua agenda, questões estruturantes da vida democrática que configuram decisivas alterações na qualidade de vida dos cidadãos (vale a pena ler o texto de Pedro Adão e Silva no Arquivo), nomeadamente, se tal postura decorre ou coincide com a opção dos meios de comunicação social com maior audiência, pelo desenvolvimento de temas sensacionalistas (ler aqui o texto de Osvaldo Castro no A Carta a Garcia)... perspectivado pelos seus autores como "modus operandi" da política, este tipo de procedimentos sustenta as declarações do Ministro dos Negócios Estrangeiros que acusa o debate político português sobre o mundo contemporâneo de se caracterizar por uma confrangedora pobreza... porque a política é muito mais do que o etnocentrismo nacionalista de pendor autoritário que subjaz à ideologia liberal do mercado e que traz à memória associações de ideias aparentemente anacrónicas mas dignas de reflexão (vale a pena ler os textos de Miguel Abrantes no Câmara Corporativa, de Weber no Mainstreet, de Carlos Barbosa de Oliveira no Crónicas do Rochedo e de Porfírio Silva no Machina Speculatrix)... e porque a realidade é muito mais importante e complexa do que nos querem fazer crer os compradores de votos que omitem a verdade e as consequências dos modelos liberais que defendem (vale a pena ler os textos de Ricardo Noronha no Vias de Facto e de Paulo Jorge Vieira no Cinco Dias).

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Sons Femininos...


... "Lágrima" - na voz incomparável de Dulce Pontes.

Sons com Sentido...


... "A Velha Chica"... nas vozes quentes da Lusofonia cantada e sentida por Dulce Pontes e Waldemar Bastos.

domingo, 25 de julho de 2010

O Passeio de Passos Coelho...


Passos Coelho revelou-se um político imaturo que, na ânsia de consolidação do poder, opta pela falta de escrúpulos... e, nessa exacta medida, necessariamente maquiavélico. Desesperado, Passos Coelho é um líder sem norte que se esgota entre dois extremos: por um lado, a necessidade de compatibilizar a imagem de credibilidade democrática que os iniciais entendimentos com o PS pareciam deixar antever e que o PSD de Manuela Ferreira Leite lesara ao ponto dessa ser agora uma tarefa prioritária; por outro lado, para consolidação de indicadores que viabilizem a convocação de eleições, a necessidade de se apresentar perante o eleitorado de direita como o seu homem de confiança. Resultado: uma proposta de revisão da Constituição da República Portuguesa, ultra-liberal, contrária em tudo aos interesses e necessidades da sociedade portuguesa, reflexo de um deslumbramento obsessivo com uma espécie de El-Dourado em que já ninguém acredita e que nos remete para projectos ideológicos falidos desde os anos 80, que abrem caminho aos valores de uma direita conservadora, alheia à solidariedade, inimiga do Estado Social, indiferente aos dramas humanos individuais e colectivos do desemprego, progressivamente reforçadora de um autoritarismo incompatível com os valores democráticos que se pretendem vigentes no mundo contemporâneo. É tudo. Passos Coelho já nada tem a dizer a Portugal porque os seus preconceitos ideológicos, a sua demogogia e a sua vontade de encontrar receitas de fast food não só não convencem ninguém como afastam cada vez mais diferentes sensibilidades políticas. Pode ser cedo para o vaticínio mas, por ora, a radiografia do "estado da arte" da liderança do PSD denota uma pressa de efeitos potencialmente irreversíveis. Passos Coelho começou por passear na avenida, distraiu-se numa rotunda, avançou em alta velocidade por uma auto-estrada sem portagens e foi parar a um descampado sem saída...

sábado, 24 de julho de 2010

As Rosas Não Falam...


... numa fabulosa interpretação de Alcione e Waldemar Bastos, o tema do eterno Cartola: As Rosas Não Falam...

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Lula - O Brasil nunca mais será o mesmo...


... a comoção de Lula da Silva merece não só a nossa atenção mas, acima de tudo, o nosso respeito. Sabemos que, como em tudo na vida, não é possível gerir politicamente de forma perfeita e que esta verdade é proporcional ao ritmo da crítica económica e política que a dinâmica social proporciona... mas é também, por tudo isto, que emociona quem olha para a política com o distanciamento que nos permite a análise dos objectivos e prioridades da agenda tradicional de Presidentes da República, Primeiros-Ministros e Governos... porque Lula da Silva tem prestado um serviço internacionalmente exemplar, mantendo os mais pobres, os desprotegidos e os sem-voz no centro das suas preocupações! A consciência da dificuldade em manter esta atitude, a persistência e a constatação do que foi capaz de fazer num país onde se pensava que a mudança seria muitissimo mais lenta, provou ao mundo e ao povo brasileiro que é possível fazer mais e melhor por todos!... e sabendo nós, por todo o mundo, o grau de indiferença e calculismo com que a política é gerida, choramos com o Presidente Lula, certos de que vale a pena insistir sem desistências na defesa do essencial.