O que diariamente se vai tornando uma evidência, ficou hoje caucionado nas palavras do Professor Jorge Miranda sobre o indiscutível risco de "desagregação da Europa" (ler Aqui). No mesmo dia em que a agência de notação Moody's ameaça baixar o rating de 87 bancos europeus e de todos os países da Zona Euro... como se não bastasse esta crise que, já sem tibiezas, ameaça a Itália, a Bélgica, a Espanha, a França e a própria Alemanha e a que acrescem não só as preocupações dos EUA mas, também, a reiterada afirmação do FMI que continua a alertar para o facto de nenhum país ser imune à hecatombe provocada pelos mercados!... Por tudo isto, torna-se, cada vez mais, incompreensível a ausência de medidas políticas e económicas ou até de recomendações dos organismos internacionais no sentido de promover e privilegiar o reforço dos aparelhos produtivos nacionais... porque, sem esse reforço, nenhum país poderá sobreviver e nenhuma economia poderá garantir a subsistência das suas populações sem um empobrecimento radical e generalizado da sociedade. Evidencia-se assim a completa ausência de legitimidade, no sentido da razoabilidade ou da eficácia, das medidas que pretendem evocar a necessidade de aumento de produtividade com a imposição de mais 30m de trabalho diário ou o aumento da taxa do IVA em sectores estratégicos como a restauração que, a troco da subida efémera de mais dinheiro fácil para reduzir a despesa pública, implicam, por um lado, a redução da produção nacional e do poder de compra dos cidadãos e, por outro lado, o aumento do desemprego, da pobreza e da violência social. Das duas uma: ou os economistas não percebem nada da ciência em que se pensam especialistas ou estão todos, economistas e políticos!, empenhados em deixar as populações europeias servir de isco à fome dos monstros esfaimados dos mercados que, sem rosto, devoram países e pessoas.... moral da história: ainda têm dúvidas sobre o facto de não ter acabado a História, nem o antagonismo de classes ou sequer o confronto das ideologias?
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Das Verdades como Matéria para Mentiras...
Vendem-nos mentiras para nos obrigarem a ignorar a Verdade e a aceitar as ilusões gratuitas com que nos compram a alma. Até quando?... e quão longe vão nesta loucura ignóbil? Vale a pena ouvir até ao fim os exemplos que nos traz Eduardo Galeano:
(via Entre as Brumas da Memória)
domingo, 27 de novembro de 2011
Leituras Cruzadas...
Hoje, é, simplesmente!, assim:
XPTO no AL-TEJO
Rui Bebiano no A Terceira Noite
Paulo Guinote no A Educação do Meu Umbigo
Vital Moreira e Ana Gomes no Causa Nossa
Graza no ARROIOS
Ferreira no On The Road
Bruno Santos Ribeiro no MOESCOR
T.Mike no Vermelho Cor de Alface
Rogério Pereira no Conversa Avinagrada
... com votos de Parabéns ao João Ricardo Vasconcelos e de uma vida longa ao Activismo de Sofá :)
XPTO no AL-TEJO
Rui Bebiano no A Terceira Noite
Paulo Guinote no A Educação do Meu Umbigo
Vital Moreira e Ana Gomes no Causa Nossa
Graza no ARROIOS
Ferreira no On The Road
Bruno Santos Ribeiro no MOESCOR
T.Mike no Vermelho Cor de Alface
Rogério Pereira no Conversa Avinagrada
... com votos de Parabéns ao João Ricardo Vasconcelos e de uma vida longa ao Activismo de Sofá :)
Fado - A Singularidade Universal do Canto
O FADO é, a partir de hoje, reconhecido pela comunidade internacional que a UNESCO simboliza, Património Imaterial da Humanidade. Portugal fica Maior e a Cultura também!
"Reza" de Argentina Santos:
"Sei de um Rio" por Camané: "Cansaço" por Ana Moura: "Um Homem na Cidade" por Carlos do Carmo: "Acho Inúteis as Palavras"... por Amália Rodrigues, Embaixadora do Fado, cuja religiosidade cantada, na voz e na vida, ilustra a raiz do que, hoje, a comunidade internacional reconheceu:
sábado, 26 de novembro de 2011
Fado - Alma Portuguesa, Património da Humanidade
... na Voz de Argentina Santos, a Diva que Canta por Dentro, Rasgado e Baixinho, o Sentir da Alma Colectiva, em Português...
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Pela Eliminação de Todas as Formas de Violência
Em 1999, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou o dia 25 de Novembro como Dia Internacional pela Eliminação de Todas as Formas de Violência contra as Mulheres (LER AQUI)... e se é verdade que a Violência Social e Doméstica afecta mulheres, homens, idosos, jovens, crianças e adolescentes, é um facto que o maior número de vítimas são mulheres... Em 5 anos, morreram em Portugal 176 mulheres, vítimas de violência doméstica!... e a maior parte destas mortes ocorreu em contexto familiar e mais especificamente, no âmbito das relações interpessoais de natureza conjugal. Por isso, hoje, foi lançada a Campanha Nacional Contra a Violência Doméstica 2011. Vale a pena ver... e reflectir!
Da Identidade Cultural como Património Imaterial da Humanidade
A diversidade cultural é o registo identitário da Humanidade. ADN da especificidade da nossa estrutura organizacional, o património imaterial tem sido reconhecido pela UNESCO para que se conservem e protejam alguns dos mais carismáticos símbolos das mais conhecidas produções culturais planetárias. Hoje, no momento em que se cumprem 25 anos sobre a elevação do Centro Histórico de Évora a Património da UNESCO, Portugal tem uma candidatura forte e prestigiada internacionalmente para que o FADO venha, também, a ser reconhecido como Património da Humanidade! (VER E LER AQUI)
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Da Greve Geral ao "Lixo Financeiro"...
A Greve Geral de hoje, 24 de Novembro, registou, conforme o previsto, a grande adesão dos cidadãos à iniciativa. Infelizmente, frente à escadaria da AR, os confrontos entre polícias e manifestantes (de que as centrais sindicais, CGTP e UGT, já se distanciaram), ensombrou o final deste dia de manifestação cívica (ler aqui)... porém, como se não bastasse, além da nova agência de notação financeira chinesa, a Fitch baixou o rating de Portugal em 2 níveis para a classificação de "lixo financeiro" (ler aqui). Torna-se agora incontornável a face da guerra dos mercados que se tornou insustentável. Até quando continuará a política a limitar a sua acção, numa lógica de assustada subserviência, à obediência a este tipo de avaliações destituídas de legitimidade socio-económica, é o problema que se coloca às sociedades e às democracias ocidentais contemporâneas... e o negligenciar da resposta adequada a esta pergunta significa a disposição em aceitar o crescimento vertiginoso da pobreza e, consequentemente, o aumento exponencial da violência!...
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Greve Geral - 24 de Novembro
Porque sem a voz dos cidadãos, regressaremos mais depressa a um estado de servidão e de pobreza que nos aproximará das economias miserabilistas e do despotismo político característico das sociedades europeias anteriores à democracia... Porque sem a demonstração do descontentamento social e da indignação colectiva será cada vez menor o investimento no desenvolvimento real das condições de vida dos trabalhadores... Porque sem exigências sociais, o desemprego subirá muitissimo mais - já que as tecnologias e os mercados cada vez têm menos pejo em exibir o facto de não precisarem de mão-de-obra e da sua disposição ser apenas a de a comprar a preços mínimos, incompatíveis com o que se estabeleceu como patamar da dignidade humana... Porque sem o exercício da reivindicação pública, a Europa e a ideia de um federalismo previsivelmente próximo adquirem maior legitimidade para invocar a ausência de oposição cívica às políticas financeiras que vão tomando o comando das economias... Porque sem o Povo na Rua, os políticos não inverterão o sentido das suas visões socialmente minimalistas, centradas nos fluxos de capitais e não irão enveredar pelo caminho imperioso do investimento nos aparelhos produtivos nacionais e na autonomia económica, indispensável à capacidade de permanecer e negociar nos mercados!... Porque sem a alteração estrutural do pensamento político e económico dominante não voltaremos ao caminho que nos garante chegar a uma sociedade melhor para todos!
Etiquetas:
Direitos Humanos; Política; Economia;
"Nau Derivante"...
nau derivante from Pedro Davim on Vimeo.
Valorizar e revitalizar a autonomia económica, defender a identidade cultural e promover o património... hoje, com "Nau Derivante" de José Meireles... um filme sobre a pesca do arrasto, em Espanha.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Mais eurobonds, mais federalismo... e depois?
As previsões anunciam os que se seguem: Hungria, Espanha, França, Bélgica. Por isso, para além dos "eurobonds" pelos quais já optou o Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, e da reivindicação, também anunciada!, de revisão dos Tratados e do assumir de mais federalismo a que os Estados-membros serão conduzidos, a realidade, avisada!, diz-nos que tudo isso serão meros "remendos" para as sociedades, cujas dívidas soberanas decorrem de economias assentes num endividamento que se julgou controlado mas que, só planificadas, no contexto de uma perspectiva regional (europeia) integrada, poderão encontrar formas de recuperação... ainda que tenham que se afastar das lógicas especulativas dos mercados financeiros - cujo domínio decorre, apenas!!!, da vigência de realidades virtuais em que só acredita quem quer... e quem quer são, exclusivamente!, os investidores anónimos internacionais, cujas margens de lucro dependem da redução dos custos de produção e, consequentemente, da mão-de-obra... que somos, afinal!, todos nós!
E a Espanha aqui tão perto...
... também nos não deixa outro remédio senão o de nos confrontarmos com os índices de realidade dos dias... e pronto!... as massas continuam a decidir a alternância em processos eleitorais, sempre que o descontentamento económico se torna insustentável... entre a racionalização no campo especulativo do aparentemente "possível" em termos da evidência ideológica de uma desejada mudança, foi agora a vez dos espanhóis voltarem a insistir na solução sem saída que consiste no repetir governações iguais a si próprias, anquilosadas e sem hipótese de vincular a esperança à realidade... entre a necessidade de contestar a realidade actual e a ausência de uma representação credível no que às alternativas políticas diz respeito, a Europa "soma e segue" no caminho do passado -e talvez só eleições em França possam inverter a tendência geral de opção pelo quadrante político mais conservador e defensor dos mercados... verificamos entretanto, também por isso, que continuam válidos os ciclos da alternância a que se reduziu a democracia!... "até quando?" - é a pergunta do dia... e considerando a dimensão e extensão da crise, quanto ao pensamento, fica a questão: e se um dia, definitivamente, os cidadãos deixarem de dar crédito à alternância... e às eleições?
Etiquetas:
Economia; Política; Sociedade; Eleições;
sábado, 19 de novembro de 2011
Da Crise da Democracia na Europa à Comissão da Verdade no Brasil...
Os Crimes Contra a Humanidade não prescrevem! Não podem prescrever! Não podem prescrever porque são as pessoas que justificam a existência social e sustentam economias, políticas e culturas e, nesse sentido, nada justifica a perseguição sem tréguas, a tortura e a morte dos que, por expressarem uma opinião diferente ou por, simplesmente, estarem expostos à determinação do poder abusivo, são vítimas de um poder abusivo que se legitima com o silêncio e a extinção dos adversários e dos excluídos que, sem culpa formada, servem de bode expiatório à diversidade das formas de autoritarismo. É, por isso, extremamente importante relembrar as vítimas e esclarecer os processos colectivos desta criminalidade, particularmente em contextos em que a realidade económica multiplica as taxas de desemprego, de pobreza, de empobrecimento e, justamente, da contestação social, dado o risco de endurecimento da intervenção policial e, quiçá!, a ascensão ao poder de ideologias cada vez menos democráticas (a actualidade dos casos da Grécia e da Itália, com a nomeação dos governos não eleitos, é uma realidade a que deveriamos dar muito mais e melhor atenção!!!). E se a Espanha deu um extraordinário exemplo (que, apesar de ter feito vítimas, todos tentaram relativizar vendo o particular sem atender à essência da questão e remetendo o facto para o capítulo dos "fait-divers" culturais e patrimoniais) com a abertura da investigação das valas comuns das vítimas do regime franquista (ler aqui) e a criação do processo Memória Histórica (ler aqui), é agora o Brasil, através da Presidente Dilma Rousseff, que institucionaliza a investigação dos crimes da ditadura militar brasileira entre 1946 e 1988, com a criação da Comissão da Verdade (ler aqui). A iniciativa mereceu, justamente!, o elogio das Nações Unidas (ler aqui).
(Imagem: Monumento Contra a Tortura, Cidade de Recife, Brasil)
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
As 3 Notícias do Dia...
A 1ª refere-se à progressão da crise que tocou agora o maior protagonista dos que andaram a propor a "Europa a Duas Velocidades" e consiste no anúncio que, hoje, foi feito: a agência de notação Moody's baixou o rating de 12 bancos alemães!... a 2ª quase surpreende pela "latitude" da sua incidência: Duarte Lima e o filho foram detidos no âmbito do caso... BPN!... finalmente, a 3ª decorre da intervenção de Miguel Portas no Parlamento Europeu (via Ferreira On The Road):
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Palestina - Direitos de um Estado reconhecido há 64 anos!
Vale a pena relembrar que, em 29 de Novembro de 1947, a
Assembleia Geral das Nações Unidas adoptou a resolução 181(II) que preconizava
a partilha da Palestina em dois Estados – um judaico e um árabe – com um
estatuto especial para Jerusalém. Contudo, tal Resolução nunca foi cumprida no que respeita à
criação do Estado Palestino, razão que justificou, em 1977, 30 anos depois, a adopção pela Assembleia
Geral da ONU de uma outra resolução (32/40B) que apelava à celebração do dia 29 de
Novembro como o Dia Internacional de Solidariedade com o Povo da
Palestina. Este ano, no 64º aniversário da
resolução 181, em resposta ao apelo da ONU, o MPPM assinala a efeméride com um
conjunto de iniciativas, integradas nas JORNADAS DE SOLIDARIEDADE COM A PALESTINA 2011, cujo programa pode ser conhecido AQUI.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Política, Economia e Economia Política - O Triângulo da Superação da Crise
"Não vale a pena chorar sobre o leite derramado" - diz, com razão, a sabedoria popular... por isso, para além da constatação da incompatibilidade entre os interesses sociais e as lógicas contemporâneas dos mercados (cujo rosto nos é acessível quase só através das agências de rating), o que importa é que a comunidade internacional regule as relações entre economia e política... porque a raiz do problema reside na dupla subalternização, cada vez mais acentuada, da economia à lógica financeira e da política a esta organização, essencialmente, económico-financeira, contrária à orgânica económico-social de que as sociedades humanas dependem para proverem às necessidades das pessoas... Por esta razão, enquanto a União Europeia e o respectivo governo económico não adoptarem um modelo de economia política, respeitador da regulação social (através de uma acção política promotora do desenvolvimento social e do crescimento sustentado de uma riqueza nacional assente no investimento direccionado para uma produção também ela sustentada nacional e regionalmente) a crise não será debelada e as condições de vida dos cidadãos não recuperarão do duro golpe que os tempos que correm, lhes inflige... sem fim à vista - registe-se!
domingo, 13 de novembro de 2011
Da Rua aos Sindicatos e à Igreja - A Lucidez Colectiva Contra a Crise
Quando o FMI avisa que nenhum país está imune à crise, tanto tempo depois da mesma ter eclodido e enquanto se sucedem quedas de governos (islandês, irlandês, português, grego, italiano), os cidadãos não podem deixar de fazer ouvir a sua voz, sob pena da cegueira e da surdez dos responsáveis políticos nacionais, europeus e internacionais se tornar absurdamente irreversível, distraídos que tenderão a ficar no contexto do mundo das finanças, dos negócios e da diplomacia. Importa, por isso, fazê-los "descer à terra" para que se não esqueçam que só um factor e um objectivo reais sustentam o poder: a sociedade feita pelo conjunto de pessoas que integra a sua população... e são as pessoas que terão de manter firme o grito de alerta a que, por natureza, têm direito e que, felizmente, a democracia lhes consagra... e se as manifestações são o rosto público deste exercício (ouvir e ler aqui), a reflexão e o debate são, também, indispensáveis - desde que, naturalmente!, não sujeitos ao tal velho princípio do "temos maneiras de vos fazer pensar" e se promova a discussão pública orientada no sentido de desmobilizar a crítica socio-económica e político-cultural, amortecendo as expectativas e derrotando a esperança, dimensões sem as quais se perde o empenhamento colectivo indispensável à recuperação da confiança e ao investimento social no desenvolvimento dos países.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Crescer e Aprender entre Ecos e Reflexos...
Vivemos numa caixa de ressonância rodeada de espelhos… é por isso que permanecemos nas margens do entendimento, face a uma verdade que permanece oculta porque insiste em nos escapar entre os dedos, fugaz e furtiva, como a areia das praias que não há… persistimos assim na repetida projecção de infinitos déjà vu/déjà vécu e inventamos um espanto que, ao invés de surpreender, nos faz sorrir. Porém, para que as crianças se não percam na cinza dos dias e possam, de facto, inventar a alegria de viver, é fundamental que sintam apoio ao longo do processo de crescimento com que se debatem, na solidão estranha ao ruído dos tempos... porque crescer é aprender o discernimento e é esta aprendizagem que a cultura e a educação podem ajudar a cumprir, em nome da construção da liberdade e da autonomia individual de que os mais jovens precisam, para enfrentar sem medo o futuro incerto.
(Este post, ilustrado pelo belo tema "Teach Your Children" dos Crosby, Stills, Nash and Young, decorre da associação de ideias que a minha amiga M.José, educadora infantil e dinamizadora cultural, acabou por me induzir, através do comentário ao post que se pode rever aqui e que emergiu de um evento cuja organização se lhe deve e que referi aqui).
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