quarta-feira, 23 de novembro de 2011

"Nau Derivante"...


nau derivante from Pedro Davim on Vimeo.
Valorizar e revitalizar a autonomia económica, defender a identidade cultural e promover o património... hoje, com "Nau Derivante" de José Meireles... um filme sobre a pesca do arrasto, em Espanha.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Mais eurobonds, mais federalismo... e depois?

As previsões anunciam os que se seguem: Hungria, Espanha, França, Bélgica. Por isso, para além dos "eurobonds" pelos quais já optou o Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, e da reivindicação, também anunciada!, de revisão dos Tratados e do assumir de mais federalismo a que os Estados-membros serão conduzidos, a realidade, avisada!, diz-nos que tudo isso serão meros "remendos" para as sociedades, cujas dívidas soberanas decorrem de economias assentes num endividamento que se julgou controlado mas que, só planificadas, no contexto de uma perspectiva regional (europeia) integrada, poderão encontrar formas de recuperação... ainda que tenham que se afastar das lógicas especulativas dos mercados financeiros - cujo domínio decorre, apenas!!!, da vigência de realidades virtuais em que só acredita quem quer... e quem quer são, exclusivamente!, os investidores anónimos internacionais, cujas margens de lucro dependem da redução dos custos de produção e, consequentemente, da mão-de-obra... que somos, afinal!, todos nós!

E a Espanha aqui tão perto...

... também nos não deixa outro remédio senão o de nos confrontarmos com os índices de realidade dos dias... e pronto!... as massas continuam a decidir a alternância em processos eleitorais, sempre que o descontentamento económico se torna insustentável... entre a racionalização no campo especulativo do aparentemente "possível" em termos da evidência ideológica de uma desejada mudança, foi agora a vez dos espanhóis voltarem a insistir na solução sem saída que consiste no repetir governações iguais a si próprias, anquilosadas e sem hipótese de vincular a esperança à realidade... entre a necessidade de contestar a realidade actual e a ausência de uma representação credível no que às alternativas políticas diz respeito, a Europa "soma e segue" no caminho do passado -e talvez só eleições em França possam inverter a tendência geral de opção pelo quadrante político mais conservador e defensor dos mercados... verificamos entretanto, também por isso, que continuam válidos os ciclos da alternância a que se reduziu a democracia!... "até quando?" - é a pergunta do dia... e considerando a dimensão e extensão da crise, quanto ao pensamento, fica a questão: e se um dia, definitivamente, os cidadãos deixarem de dar crédito à alternância... e às eleições?

sábado, 19 de novembro de 2011

Da Crise da Democracia na Europa à Comissão da Verdade no Brasil...

Os Crimes Contra a Humanidade não prescrevem! Não podem prescrever! Não podem prescrever porque são as pessoas que justificam a existência social e sustentam economias, políticas e culturas e, nesse sentido, nada justifica a perseguição sem tréguas, a tortura e a morte dos que, por expressarem uma opinião diferente ou por, simplesmente, estarem expostos à determinação do poder abusivo, são vítimas de um  poder abusivo que se legitima com o silêncio e a extinção dos adversários e dos excluídos que, sem culpa formada, servem de bode expiatório à diversidade das formas de autoritarismo. É, por isso, extremamente importante relembrar as vítimas e esclarecer os processos colectivos desta criminalidade, particularmente em contextos em que a realidade económica multiplica as taxas de desemprego, de pobreza, de empobrecimento e, justamente, da contestação social, dado o risco de endurecimento da intervenção policial e, quiçá!, a ascensão ao poder de ideologias cada vez menos democráticas (a actualidade dos casos da Grécia e da Itália, com a nomeação dos governos não eleitos, é uma realidade a que deveriamos dar muito mais e melhor atenção!!!). E se a Espanha deu um extraordinário exemplo (que, apesar de ter feito vítimas, todos tentaram relativizar vendo o particular sem atender à essência da questão e remetendo o facto para o capítulo dos "fait-divers" culturais e patrimoniais) com a abertura da investigação das valas comuns das vítimas do regime franquista (ler aqui) e a criação do processo Memória Histórica (ler aqui), é agora o Brasil, através da Presidente Dilma Rousseff, que institucionaliza a investigação dos crimes da ditadura militar brasileira entre 1946 e 1988, com a criação da Comissão da Verdade (ler aqui). A iniciativa mereceu, justamente!, o elogio das Nações Unidas (ler aqui). 
(Imagem: Monumento Contra a Tortura, Cidade de Recife, Brasil)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

As 3 Notícias do Dia...

A 1ª refere-se à progressão da crise que tocou agora o maior protagonista dos que andaram a propor a "Europa a Duas Velocidades" e consiste no anúncio que, hoje, foi feito: a agência de notação Moody's baixou o rating de 12 bancos alemães!... a 2ª quase surpreende pela "latitude" da sua incidência: Duarte Lima e o filho foram detidos no âmbito do caso... BPN!... finalmente, a 3ª decorre da intervenção de Miguel Portas no Parlamento Europeu (via Ferreira On The Road):

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Sonoridades Intemporais...

... A valsa de Tchaikovsky em "A Bela Adormecida".

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Palestina - Direitos de um Estado reconhecido há 64 anos!

Vale a pena relembrar que, em 29 de Novembro de 1947, a Assembleia Geral das Nações Unidas adoptou a resolução 181(II) que preconizava a partilha da Palestina em dois Estados – um judaico e um árabe – com um estatuto especial para Jerusalém. Contudo, tal Resolução nunca foi cumprida no que respeita à criação do Estado Palestino, razão que justificou, em 1977, 30 anos depois, a adopção pela Assembleia Geral da ONU de uma outra resolução (32/40B) que apelava à celebração do dia 29 de Novembro como o Dia Internacional de Solidariedade com o Povo da Palestina. Este ano, no 64º aniversário da resolução 181, em resposta ao apelo da ONU, o MPPM assinala a efeméride com um conjunto de iniciativas, integradas nas JORNADAS DE SOLIDARIEDADE COM A PALESTINA 2011, cujo programa pode ser conhecido AQUI.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Política, Economia e Economia Política - O Triângulo da Superação da Crise

"Não vale a pena chorar sobre o leite derramado" - diz, com razão, a sabedoria popular... por isso, para além da constatação da incompatibilidade entre os interesses sociais e as lógicas contemporâneas dos mercados (cujo rosto nos é acessível quase só através das agências de rating), o que importa é que a comunidade internacional regule as relações entre economia e política... porque a raiz do problema reside na dupla subalternização, cada vez mais acentuada, da economia à lógica financeira e da política a esta organização, essencialmente, económico-financeira, contrária à orgânica económico-social de que as sociedades humanas dependem para proverem às necessidades das pessoas... Por esta razão, enquanto a União Europeia e o respectivo governo económico não adoptarem um modelo de economia política, respeitador da regulação social (através de uma acção política promotora do desenvolvimento social e do crescimento sustentado de uma riqueza nacional assente no investimento direccionado para uma produção também ela sustentada nacional e regionalmente)  a crise não será debelada e as condições de vida dos cidadãos não recuperarão do duro golpe que os tempos que correm, lhes inflige... sem fim à vista - registe-se!

domingo, 13 de novembro de 2011

Da Rua aos Sindicatos e à Igreja - A Lucidez Colectiva Contra a Crise


Quando o FMI avisa que nenhum país está imune à crise, tanto tempo depois da mesma ter eclodido e enquanto se sucedem quedas de governos (islandês, irlandês, português, grego, italiano), os cidadãos não podem deixar de fazer ouvir a sua voz, sob pena da cegueira e da surdez dos responsáveis políticos nacionais, europeus e internacionais se tornar absurdamente irreversível, distraídos que tenderão a ficar no contexto do mundo das finanças, dos negócios e da diplomacia. Importa, por isso, fazê-los "descer à terra" para que se não esqueçam que só um factor e um objectivo reais sustentam o poder: a sociedade feita pelo conjunto de pessoas que integra a sua população... e são as pessoas que terão de manter firme o grito de alerta a que, por natureza, têm direito e que, felizmente, a democracia lhes consagra... e se as manifestações são o rosto público deste exercício (ouvir e ler aqui), a reflexão e o debate são, também, indispensáveis - desde que, naturalmente!, não sujeitos ao tal velho princípio do "temos maneiras de vos fazer pensar" e se promova a discussão pública orientada no sentido de desmobilizar a crítica socio-económica e político-cultural, amortecendo as expectativas e derrotando a esperança, dimensões sem as quais se perde o empenhamento colectivo indispensável à recuperação da confiança e ao investimento social no desenvolvimento dos países.   

Sons Femininos...

... "Canção do Mar"... na voz, incomparável!, de Dulce Pontes...

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Crescer e Aprender entre Ecos e Reflexos...

Vivemos numa caixa de ressonância rodeada de espelhos… é por isso que permanecemos nas margens do entendimento, face a uma verdade que permanece oculta porque insiste em nos escapar entre os dedos, fugaz e furtiva, como a areia das praias que não há… persistimos assim na repetida projecção de infinitos déjà vu/déjà vécu e inventamos um espanto que, ao invés de surpreender, nos faz sorrir. Porém, para que as crianças se não percam na cinza dos dias e possam, de facto, inventar a alegria de viver, é fundamental que sintam apoio ao longo do processo de crescimento com que se debatem, na solidão estranha ao ruído dos tempos... porque crescer é aprender o discernimento e é esta aprendizagem que a cultura e a educação podem ajudar a cumprir, em nome da construção da liberdade e da autonomia individual de que os mais jovens precisam, para enfrentar sem medo o futuro incerto.
(Este post, ilustrado pelo belo tema "Teach Your Children" dos Crosby, Stills, Nash and Young, decorre da associação de ideias que a minha amiga M.José, educadora infantil e dinamizadora cultural, acabou por me induzir, através do comentário ao post que se pode rever aqui e que emergiu de um evento cuja organização se lhe deve e que referi aqui).

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

"Na Teia do Polvo" - Economia e Cultura

Portugal precisa urgentemente de repensar o tecido económico para que a revitalização social seja possível. Incontornável é, por isso, investir e qualificar o aparelho produtivo nacional de que se destaca, pela competência de um saber que radica na tradição secular, o sector das pescas. Contudo, apesar da riqueza ímpar que as técnicas piscatórias representam no que ao património etnológico e cultural diz respeito e do significado económico que a pesca pode representar para a vida económica nacional, os pescadores assistem, justamente inquietos, à degradação das suas condições de vida e de trabalho decorrente da gritante desvalorização de uma actividade económica votada a um lento, mudo mas, progressivo abandono. Neste contexto e porque não podemos continuar a dissociar economia e cultura (sob pena de contribuirmos decisivamente para a destruição não só do aparelho produtivo nacional mas, também, para a extinção das práticas culturais regionais que denotam a nossa singularidade identitária), torna-se particularmente interessante e oportuna a sessão de cinema documental que a Cinemateca Portuguesa proporciona esta 5ªfeira, dia 10, às 21.30h, na sala Dr.Félix Ribeiro, com a projecção de dois filmes realizados por José Meireles, cuja natureza etnográfica vale a pena destacar: "Na Teia do Polvo" (ante-estreia) e "Afurada - Cerco com Tucas" e da qual dá nota a respectiva sinopse: "Em Na Teia do Polvo, José Meireles regista o quotidiano dos pescadores da freguesia de Santa Luzia, Tavira, no sotavento algarvio, «um saber transmitido de geração em geração que corre sérios riscos de desaparecer.» O filme foca as várias formas de capturar o polvo e da evolução ao longo dos anos, as características da comunidade, como a emigração ou a sua ligação à Ria Formosa, incluindo testemunhos de pescadores que criticam «a forma como tem sido gerida a política de pescas e manifestam a sua desilusão perante a situação moribunda a que chegaram.» Filmado com pescadores da Afurada, em Vila Nova de Gaia, Afurada - Cerco com Tucas documenta a técnica de cerco, o quotidiano da faina e aspectos socio-antropológicos da comunidade. «Fazendo um paralelismo com algumas dezenas de anos antes no mesmo local, revela-nos muito claramente a agonia da pesca artesanal e as agruras que, cada vez mais, limitam a sobrevivência destes pescadores».". A sessão conta com a presença do realizador.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Igualdade de Sacrifícios versus Oportunidades Sinistras...

Já o disse várias vezes mas, de facto, há realidades que requerem uma atenção redobrada... é o caso da proliferação das lojas de compra de ouro ao preço da chuva , a mais tétrica e clara sintomatologia da dimensão da crise que, acreditem!, se não estivesse para durar, não justificaria o elevadissimo número destes estabelecimentos onde se vende e compra o desespero humano... mas, não!, o cenário não é novo e repete-se em épocas de empobrecimento e conflitualidade social... talvez por isso, a sua presença no espaço público seja tão assustadora!... afinal, segundo conta a História e a memória o evoca, esta é uma característica dos tempos de guerra e, em particular, dos que a antecedem... Ora, avaliar os sinais é o que se requer não apenas à sociedade civil e à economia mas, acima de tudo, à política. Por isso, numa altura em que uma espécie de espesso silêncio paira sobre os dias, é digno de registo o alerta a que D. José Policarpo deu voz (ler aqui), bem como a proposta de Rui Rio relativa à alteração do anunciado corte dos 2 subsídios (férias e Natal) dos trabalhadores do sector público (ler aqui) - refira-se a este propósito que o PS também reivindicou a continuidade de pagamento de, pelo menos, 1 dos dois referidos subsídios sem, contudo, ter clarificado a fórmula que defende para que o Estado encontre forma de a viabilizar!... Considerando que a situação económico-social dos portugueses é demasiado grave para poder ser demagogicamente utilizada, as propostas alternativas a apresentar devem ser responsáveis e plausíveis e é por isso que a sugestão do Presidente da CMPorto de se diluir o montante a arrecadar com um dos subsídios dos funcionários públicos pelo IRS da totalidade dos contribuintes, surge como sensata e mais equitativa, não discriminando e agravando mais a vida dos que trabalham no sector público - cuja maioria, ao contrário do que se possa pensar, não tem altos salários e trabalha muito mais do que se instituiu nas representações socio-mediáticas, com o objectivo de encontrar no denegrir dos serviços públicos, o bode expiatório dos problemas do país e/ou a justificação da defesa do sector privado... Que toda a argumentação seja legítima é uma coisa mas, que sirva para, de facto, sacrificar essencialmente uma faixa específica da população activa, é outra... não só muito diferente mas, previsivelmente, muito negativa num futuro que se aproxima a grande velocidade. 

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Actualizações...

(via Maria de Lurdes Mateus no Facebook)

domingo, 6 de novembro de 2011

Leituras Cruzadas...

Os dias correm difíceis e o panorama de sugestões para a mudança não oferece credibilidade nem confiança... nem aos mercados, nem aos cidadãos! De facto, continuamos apenas a assistir (apesar do tom de voz dos protagonistas se ter alterado do lamento pedagógico para a determinação exaltada, a raiar o autoritarismo já indisfarçável) a uma repetição que mais parece um eco gravado sobre a necessidade de mais austeridade (eufemismo já encarado como banal, face à brutalidade das decisões e opções político-económicas) enquanto ouvimos, sucessiva e cansativamente, o mesmo padrão de diagnóstico dos problemas que cruzam fronteiras e avançam sem nacionalidade (apesar de serem os países que vão, um após o outro, entrando na linha de devedores deste défice - que, a não ser estrutural em todos eles, se não poderia revelar com a acutilância que é, agora, finalmente!, assumida). As opções alternativas são, por isso, não só urgentes mas, indispensáveis e disso dá nota a constatação do próprio Sarkozy (!!!) sobre a falta de liderança europeia... É, por isso, crucial que os cidadãos e os políticos percebam e assumam definitivamente que os "remendos" que estão a ser adoptados, para além de sacrificarem a vida societária que conhecemos e quereriamos aperfeiçoar, mais não fazem do que prolongar a crise a que chegámos, alimentando os mecanismos do lucro e da circulação de capitais que lhe deu origem... E, para quem acredita na democracia representativa, só há uma forma de resolver a questão: encontrar organizações (partidos, movimentos, associações ou outras) susceptíveis de, em eleições, serem votadas para a concretização de programas efectivamente diferentes mas, necessariamente!, viáveis, plausíveis e sustentados... contudo, é aqui que nos confrontamos com o cerne da questão: até agora, nenhuma organização foi capaz de apresentar alternativas que justifiquem a confiança técnica, política e cívica das pessoas! ... e, até lá, estamos condenados a este círculo vicioso que mais faz lembrar o velho mas, afinal de contas!, sempre actual, Mito de Sísifo. Deixo, por tudo isto, algumas interessantes sugestões de leitura que, cruzadas, concorrem para a reflexão colectiva e empenhada para que a realidade nos convoca: 
Eduardo Graça no Ir ao Fundo e Voltar
JMCorreia Pinto no Politeia
Francisco Seixas da Costa no Duas ou Três Coisas
Donatien no Donatien Alphonse François
Manuela Silva no A Areia dos Dias
Val no Aspirina B
João Ricardo Vasconcelos no Activismo de Sofá
Nuno Sotto Mayor Ferrão no Crónicas do Professor Ferrão
Miguel Abrantes no Câmara Corporativa
Osvaldo Castro no A Carta a Garcia
Palmira Silva no Jugular
Paulo Pedroso no Banco Corrido
Manuela Araújo no Sustentabilidade é Acção
... e a oportuna evocação de Camões no Poet'Anarquista.

sábado, 5 de novembro de 2011

Sons Femininos...

... Sinead O'Connor e o tema "Nothing Compares To You".

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Da tragédia grega à realidade europeia...

Afinal, o referendo com que Papandreou assustou a zona euro e o panorama político-partidário grego, pode até nem acontecer... a ameaça de chamar os cidadãos a uma pronúncia pública, com carácter vinculativo!, permitiu o revelar das evidências: a prepotência do directório franco-alemão (faz-me lembrar o directório napoleónico - vá lá perceber-se porquê!!!) que, sem rodeios, indicou a porta da saída (não prevista nos Tratados, registe-se!!) da própria UE a um dos seus Estados-membros e, por outro lado, a incapacidade dos Estados-membros, tal como os conhecemos (isto é, de acordo com as lógicas das suas actuais governanças), desistirem do euro (se assim não fosse, não se justificaria a apresentação de disponibilidade para a coligação governativa manifestada pela Nova Democracia relativamente ao PASOK!)... claro que o risco assumido por Papandreou foi (ou é) grande - porque corre, de facto!, o risco de ver "cair" o Executivo que dirige... mas, a tragédia é o que é e aborda sempre, sem medo, os extremos e os limites - e nisto do teatro, a tragédia grega continua a ser, por excelência, a linguagem da alegoria sociológica no plano político, cívico e cultural... Contudo, como bem dizia, há pouco, Teresa de Sousa no "Hoje" da RTP2, a questão grega (apesar do que nos têm querido fazer crer, atribuindo-lhe os custos da recuperação da estabilidade da zona euro) é só um pequeno problema da UE... porque o grande problema aproxima-se a passos largos e chama-se Itália -cuja subida das taxas de juro anuncia os próximos capítulos de uma crise longe do fim... E se o pior de tudo é o preço deste jogo de espelhos cujo rosto é, por ora, principalmente grego mas que nos custa a todos condições de vida e direito ao trabalho... vale a pena destacar que, também aqui, há lições muito positivas e interessantes a retirar: por exemplo, a consciência do poder do exercício da liberdade democrática quando vem à rua e se manifesta.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

De Slavoj Zizek ao Referendo Grego...


... a propósito do referendo que o governo grego pretende realizar sobre o perdão da dívida do seu país pelas instâncias internacionais e as recorrentes questões relativas à continuidade das medidas de austeridade e à permanência da Grécia na zona euro, ocorreu-me esta entrevista de Slavoj Zizek sobre a "plasticidade" do capitalismo... provavelmente, por não estar assim tão segura de que os gregos votem NÃO - já que a sua saída da moeda única europeia poderia significar, no curto e, quiçá, no médio prazo, maiores dificuldades à vida dos cidadãos... por isso, penso que todo o alarde à volta da anunciada medida de Papandreou mais não é do que o contributo político que o próprio pretende para que, afinal!, vença o SIM... porque a crise, se me permitem!, está para durar e, por ora, para descontentamento de todos, continuamos apenas a assistir à estratégia e às táticas de preservação do poder dos que defendem a lógica de gestão socio-económica e financeira que nos conduziu até aqui.

Da História por Contar...

... um filme que deixa a sensação de se ter acabado de ler um grande livro! Indiscutivelmente, a não perder!

Sonoridades Intemporais...

Com a magistral participação de Horowitz, esta é, provavelmente, a melhor interpretação deste Concerto para Piano de Mozart que o Eduardo Graça teve a feliz ideia de partilhar no Absorto.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

A Palestina na Unesco - Cultura e Educação para (quase) Todos

A Palestina é membro de pleno direito da Unesco! Felizmente! Finalmente!... e a vitória diplomática pertence, justa e merecidamente, à Autoridade Palestiniana. Entretanto, porque as histórias, mesmo quando terminam bem, arrastam sombras pouco protectoras, ficamos a saber que, para vã glória de Portugal, o representante nacional optou pela abstenção, ficando agora sem poder partilhar desta alegria que é de todos - excepção feita, naturalmente!, a Israel que aproveitou o dia para anunciar o aumento do seu arsenal nuclear (!!!)... e ainda, à velha tradição norte-americana que, para desilusão de muitos que jamais esperariam uma tal atitude da Administração Obama, decidiu deixar de financiar a maior organização internacional de apoio à educação e à cultura... Moral da História: apesar dos velhos do Restelo do lado de cá e de lá do Atlântico insistirem no pior da tradição, a História e a Humanidade continuam a ter lugar para a Cultura, a Educação e a Paz.

Halloween?! - Estórias de um País Pequeno...

Observação: A dimensão física do país não é para aqui chamada...

domingo, 30 de outubro de 2011

Viagem pela Perspectiva das Coisas...


O conhecimento, como a arte e cultura, não ocupam lugar mas enriquecem, sempre!, o ser, o pensar e o sentir... por isso, a viagem que, até dia 8 de Janeiro de 2012, nos é proporcionada pela Fundação Calouste Gulbenkian, é um momento de excelência no panorama cultural português. Intitulada "A Perspectiva das Coisas. A Natureza Morta na Europa", a exposição percorre um século de pintura (1840 - 1955) e integra os nomes mais célebres dos Mestres da segunda metade do século XIX e da primeira do século XX, de Monet, Cézanne, Van Gogh e Gaugin a Picasso, Braque, Matisse, Magritte e Dali. Obviamente, a não perder!

Sonoridades Intemporais...

... com votos de bom domingo :) "Wish You Were Here" dos Pink Floyd...

sábado, 29 de outubro de 2011

Petição Pública...

Pela Defesa das Artes e da Cultura, dimensões humanas que correm o risco de ser secundarizadas em tempos difíceis, vale a pena dispensar a nossa melhor atenção à Petição Pública que pretende reunir assinaturas para ser apresentada à AR... porque a criatividade humana existe para além da crise e dela necessitamos cada vez mais, LEIA E ASSINE AQUI!

Um Discurso a Não Esquecer...

...ideia inspirada no Folha Seca - onde, gratificantemente o (re)encontrei numa outra versão... para ouvir, ler e sentir... o discurso de Charles Chaplin nessa obra-prima que é "O Grande Ditador" realizado em 1940, quando Hitler aterrorizava e liquidava povos, países e pessoas neste continente europeu de onde a esperança, já por tantas vezes!, pareceu estar a desaparecer... Não desapareceu!

NÃO! O Grito Grego também é Nosso!


Milhares de gregos sairam hoje à rua para gritar "NÃO!"... Não às medidas de austeridade!, Não às posturas dos políticos do seu país!, Não à política europeia! e Não às orientações dominantes da Alemanha - classificadas como "nazis" numa clara evocação dos propósitos que, em meados do século XX, os ditadores fascistas tentaram impor ao povo grego! Ao mesmo tempo, em Roma, foram também muitos os que sairam à rua para protestar contra o Governo de Berlusconi e contra a política económica europeia!... Quanto a "nuestros hermanos", para se ter uma ideia do que pensam e do que sentem, basta dizer que o desemprego em Espanha atingiu hoje os 21,3% (31% na região da Andaluzia) ou seja, 5 milhões de pessoas desempregadas!... Estará a União Europeia a perceber a dimensão do que está a provocar?... Estará disposta e preparada para pagar o preço da contestação social?... ou precisará de levar ao rubro esta revolta, para justificar a imposição do que nos reduzirá a um tempo de pobreza de que nos considerámos libertos, após a instauração das democracias do pós-guerra - que, diga-se em abono da verdade!, se prolongaram até às últimas décadas do século passado. O Grito Grego é agora, para já!, o contundente grito da Europa da Sul: NÃO!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Leituras Cruzadas...

Felizmente, ainda podemos mover-nos, pensar e, com sorte!, encontrar, no cruzamento das vozes, uma gratificante aproximação à realidade... a começar no enquadramento do problema (leia-se o texto de JMCorreia Pinto* no Politeia) em que faz mais sentido o enunciar de alguma daquelas evidências que merecem a nossa atenção (atente-se na observação de Francisco Seixas da Costa no Duas ou Três Coisas)... e se mérito há no conhecimento, é o de nos fazer perceber que, desde sempre mas, cada vez de forma mais evidente, o que acontece localmente, decorre muito mais do que supomos da correlação de forças que lhe é exterior - não só no plano económico (como bem demonstra a entrevista de Maria Flor Pedroso no Sem Embargo) mas, também, no plano político, cultural e social. Porque apesar de nos entretermos com as pequenas coisas que se tornam imensas se não pudermos pensar em perspectiva para definir a acção (vejam-se as notas de Rui Rocha no Delito de Opinião), o facto é que não podemos dissociar o local e o global (leiam-se os textos de Manuela Silva e Manuel Brandão Alves no A Areia dos Dias),  já que tudo nos engloba e nos transcende quase (diria Mário de Sá Carneiro!!) ao mesmo tempo que nos limita e condiciona (vale a pena ler João Abel de Freitas no PuxaPalavra, Gee no Furúnculos de Pandora e Joana Lopes no Entre as Brumas da Memória)... A consciência do que somos (vale a pena ler a evocação de MFerrer no Homem ao Mar), só o é verdadeiramente se atendermos às causas (leia-se Nuno Ramos de Almeida no Cinco Dias) para, sobre elas, agir... para que se não repita o que nos relembra Eduardo Marculino no História Viva e não sejamos reduzidos ao constatar do poema com que desenhamos os dias (leia-se o que publicou Bipede Falante no Mínimo Ajuste).
(Nota: o texto assinalado com * foi introduzido poucas horas depois da publicação inicial deste post)

Mulheres - Cultura, Identidade e Direitos Humanos

Em protesto contra a repressão e a impunidade sobre os crimes contra as mulheres no regime do Presidente Ali Abdullah Saleh, em Sanaa, capital do Iemen, muitas mulheres decidiram queimar os véus a que a cultura tradicional as sujeita, inspiradas pelos movimentos da chamada "Primavera Árabe" e, em particular, pelo facto de uma das agraciadas com o Prémio Nobel da Paz de 2011 ser a activista iemenita Tawakkul Karman (ler AQUI e AQUI). Para além da coragem demonstrada por esta expressão da contestação feminina em espaços públicos, rara no mundo árabe!, a iniciativa é grandiloquente, designadamente, por evidenciar perante o mundo que, de facto!, a obrigação de viver cobrindo o rosto, o cabelo e o corpo não tem a adesão incondicional das mulheres... resultando, na maior parte das vezes, da influência masculina que pretende, com a reprodução destas práticas, afirmar uma identidade cultural que, em rigor!, não necessita de limitar os Direitos Humanos para se afirmar - e que, ao encontrar no recurso ao uso da força e da opressão essa forma de afirmação, contraria o que caracteriza a uma cultura activa, forte e viva: a capacidade de interagir e coexistir com a assimilação da mudança, própria das dinâmicas da História.  

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

100.000 milhões não são divisíveis por 7.000 milhões?

As recentes Cimeiras Europeias "perdoaram" 50% da dívida grega e decidiram recapitalizar a Banca em 100.000 milhões de euros, dos quais 12.000 milhões serão necessários a 4 bancos europeus (ler AQUI, AQUI e AQUI)... São dados interessantes!... principalmente quando se anuncia que a população mundial está prestes a atingir os 7.000 milhões de habitantes (ler AQUI). Face a um exercício aritmético óbvio (para todos!), as perguntas imediatas: quem é que perdoa? quem é que deve? ... e, naturalmente, porquê? e para quê?... ah! já agora: que parte deste raciocínio é que causa estranheza a alguém que possa argumentar que o não percebe?...
(Cabe esclarecer que o mapa utilizado para ilustrar este post tem uma legenda que se refere à escassez de água no planeta!)

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Da Crise Europeia à Crise da Banca?!...

Depois de Angela Merkel ter afirmado que os bancos precisam de uma ajuda global externa da ordem dos 100.000 milhões de euros, hoje, a Banca caiu de forma drástica (ler AQUI). Porquê? Será que o anúncio de apoio à recapitalização da Banca provocou, como temos ouvido, um efeito de "medo" nos investidores (face à insegurança das decisões político-financeiras da UE?!) ou estaremos, simplesmente!, perante mais uma manobra da estratégia especulativa dos mercados bolsistas? ... curiosamente (ou talvez não?!) Angela Merkel continua a manifestar-se contra o acesso directo ao BCE... Porquê? ... bom, para além do vídeo que ontem aqui partilhei, convém recordar uma grande entrevista ao General Loureiro dos Santos cuja actualidade é particularmente pertinente... e, sem dúvida alguma, vale a pena ler o texto hoje publicado por JMCorreia Pinto no Politeia.

Da Crise à Falácia Bancária como Resposta...

... um amigo enviou-me, há pouco, este oportuno vídeo que ilustra bem o sentido do que escrevi no post anterior... vale a pena ver!

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

100.000 Milhões?! - ou mais do mesmo?

A Cimeira Europeia que, ontem, domingo, se realizou em Bruxelas, para além de dar a conhecer a provável necessidade da UE recorrer à ajuda internacional (FMI), anunciou que, de acordo com as previsões da Chanceler Angela Merkel, os bancos precisam de ser recapitalizados em cerca de 100.000 milhões de euros. Será esse o objectivo primeiro das decisões comunitárias: alargar o fundo de resgate financeiro da Europa para recapitalizar a Banca. Perante a notícia, assistiu-se ao habitual corropio dos comentadores que precisaram de vir explicar as razões desta opção... sempre de acordo com a crítica aos mecanismos bancários que, "há mais de 30 anos" não previram a recapitalização em termos de operações adicionais à sua actividade corrente, não tendo acautelado os movimentos de circulação de capital em produtos que foram oferecendo a cidadãos e empresas, alargando a oferta e estimulando, o consumo! Explicações e especificidades à parte, a decisão expressa, simplesmente!, o repetir do mesmo padrão utilizado pela gestão financeira da economia que resultou na situação actual! Recapitalizar os bancos para, por um lado, resolver o défice da sua liquidez e para, por outro lado, viabilizar a concessão de crédito a consumidores e empresas! Sejamos sérios: não foi exactamente esta lógica que conduziu ao endividamento que, a própria Angela Merkel reconheceu ontem, pela primeira vez!, ser a natureza da crise europeia e, consequentemente, do euro?  

Do Poder...

... Acabei de ver, no canal Hollywood, o filme de S.Spielberg "A Lista de Schindler"... repito, como os sobreviventes dos 6 milhões de judeus, vítimas do exercício mais infame do poder, protagonizado pelo nazismo: "Quem Salva Uma Vida, Salva o Mundo Inteiro"!...É bom não esquecer!

domingo, 23 de outubro de 2011

Sons Femininos...

... "Podres Poderes"... na voz de Maria Gadú...

Não invocar o nome do PREC em vão!

Vasco Lourenço afirmou ontem, à saída da reunião que juntou mais de mil militares no auditório do ISCTE, com o objectivo de analisarem a respectiva situação profissional, que o nosso país está cada vez mais próximo da "convulsão social" provocada pelos cortes e a chamada "política de austeridade" que, na opinião do Capitão de Abril, configura um verdadeiro "PREC da direita". Identificando as opções adoptadas como resposta à crise económico-financeira nacional e europeia como uma "revolução", Vasco Lourenço manifestou a sua solidariedade  com as forças armadas e criticou veementemente a disfuncionalidade entre o discurso político de Passos Coelho e as suas práticas (Aqui e Aqui)... peço desculpa mas, na minha opinião, não se devia invocar o PREC em vão - não que no sentido literal da sigla não seja adequado mas, simplesmente, porque, ao menos nesse património que ainda temos e que é a nossa memória colectiva, deveriamos salvaguardar o simbolismo do que foi capaz de mobilizar um povo!  

sábado, 22 de outubro de 2011

A Morte de Muammar Khadafi

Não, não gostei de conhecer a notícia sobre a morte de Muammar Khadafi. Sou Contra a Pena de Morte! ... Uma execução sumária é um assassinato e, nessa exacta medida, nada mais é senão, pura e simplesmente, um Crime! Por isso, as manifestações de regozijo e o grotesto em que foi envolvida a morte do ditador da Líbia, merecem o mais veemente repúdio por parte de todos. Em nome dos Direitos Humanos! Porque o que distingue a barbárie da civilização é a prioridade da consciência, da ética e do direito à dignidade e à justiça. Com Saddam Hussein vivemos o mesmo espectáculo de horror e quase aposto que os executantes de Khadafi, à época, rejeitaram a indignidade e a violência extrema a que ficou associada a sua morte... além do mais, a crueldade e o desrespeito pelos Direitos Humanos retiram, sempre!, credibilidade a qualquer causa. 

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Leituras Cruzadas...

O presente e, obviamente!, o futuro colocam-nos perante a constatação que JMCorreia Pinto sintetiza no Politeia... e se à problemática que Manuela Silva deixa equacionada no A Areia dos Dias podemos oferecer, como mais uma proposta de análise, o que nos diz João Rodrigues no Ladrões de Bicicletas, o facto é que, tal como nos diz Vital Moreira no Causa Nossa, há pontos de vista que não podemos, de todo!, compreender! Contudo, a persistência da necessidade de uma resposta face à enormidade da vaga que sobre nós se abate e de que Folha Seca no Folha Seca dá nota, não pode deixar de suscitar curiosidade o conteúdo subjacente à referência citada por Osvaldo Castro no A Carta a Garcia... e como se tudo isto nos não bastasse, não podemos ignorar o que nos relembra Alexandre Abreu no já citado Ladrões de Bicicletas e o registo, incontornável!, do que afirma Rui Rocha no Delito de Opinião... porque, afinal de contas!, continuamos, como sugere a leitura de João Tunes no Água Lisa, perante dois pesos e duas medidas... e o que apetece "ao cidadão" - expressão que ouvi um dia a Ruy Duarte de Carvalho, a propósito do desalento face à sociedade angolana!- é, no mínimo!, repetir o que cita Benjamina no Armazém de Pedacinhos.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Do sentido e dos objectivos da "crise"...

No jardim que atravesso de manhã, reparei um dia que aparecera uma pessoa sem-abrigo!... Foi este jardim pequeno e tranquilo, o espaço que a pessoa que evidenciava estar há pouco tempo desabrigada, escolheu - provavelmente ainda preocupada com a sua segurança ao longo do passar dos dias e das noites!... uns meses depois, apareceu outra pessoa e depois outra! Impressionantes, as suas atitudes não deixavam de me espantar: ainda cedo, sentavam-se, tão arranjados quanto podiam!, a ler os jornais gratuitos, resistindo à lassidão do corpo, inevitável perante a passagem das horas. Recentemente, apareceram mais duas, três, quatro, cinco pessoas... mas, tantos meses depois, quem lia o jornal de manhã (e nem sequer ia às manifestações de protesto na esperança que se adivinhava vã mas que procuraram iludir até ao limite), deixou de ler, de se preocupar com a imagem, de olhar para quem passava e... abandonou-se à sua sorte! Hoje, uma ou outra pessoa pode ainda ver-se por ali... as outras foram devoradas pelo submundo da pobreza triste e multifacetada mas sempre violenta que corrói e consome a alma, o pensamento e o corpo... até não sobrar senão uma sombra do que somos, um invólucro do que fomos! É por isso que a crise é tão profunda e é, também, uma crise da democracia! Porque, além da política, das finanças, dos economistas e dos cidadãos que iludem as ambições e as convicções inventando uma autoridade e uma austeridade estéreis, há o medo que tolhe a acção reivindicativa e o risco de exclusão que acentua as condições de exclusão... Os contornos desta teia que nos torna "carne para canhão" dos mercados e da especulação bolsista, só irão abrandar a pressão socio-económica quando os povos ditos "desenvolvidos" estiverem numa situação de carência tal, que neles seja facilmente recrutada mão-de-obra muito mas, mesmo muito barata... ou então, quando o continente africano estiver em condições de ser por esses mercados explorado como o são, hoje, os povos asiáticos... até lá, seremos nós, europeus e americanos, as vítimas mais adequadas à fome insaciável do lucro dos accionistas, cujos interesses se escondem sob os métodos, os princípios e as lógicas das agências de rating

Sonoridades intemporais...

... "Serenata" de Schubert... essa linguagem serena em que o tempo se faz espaço e o espaço, tempo... como o silêncio...

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Hoje, a grande guerra trava-se nos mercados!

A Moody's acabou de baixar o rating da Espanha em 2 níveis (ler aqui), poucos dias depois da Standard & Poor's o ter feito (ler aqui)... entretanto, Angela Merkel já assumiu que não se podem esperar soluções do próximo Conselho Europeu, numa clara afirmação de que a lógica que tem perdurado até aqui na gestão económico-financeira e política europeia não está para mudar!... apesar do rating da França estar em análise!!!... ora, como há pouco dizia na SIC-N, Luís Nazaré, as até agora economias fortes da Europa Central (Alemanha, Finlândia...), não podem continuar a iludir-se de que não vão ser afectadas pela crise que abalroou os chamados "países periféricos" porque, não é isso que vai acontecer... enquanto, digo eu!, as dinâmicas dos mercados continuarem o seu reinado virtual, alheio à humanidade dos povos sobre que incidem os efeitos do seu jogo de imagens e representações!

Revisitar Ruben A.


Uma nostalgia, talvez literária, talvez existencial mas, seguramente, provocada pela reflexão que suscita o pensar o "ser português", essa dimensão identitária que, de Camões a António Lobo Antunes, faz dizer que esta pertença nacional inflama orgulho (mesmo aos que, como F.Pessoa -exímio utilizador da nossa língua num registo polifónico criativo que a heteronimia consagrou- consideraram os traços da personalidade cultural da sua época, "um caso mental" eivado de provincianismo), trouxe-me à memória a escrita e a produção de Ruben Andersen Leitão, mais conhecido por Ruben A.... Escritor, dramaturgo, investigador nas áreas da Filosofia, da História, da Etnografia, da Literatura e da Política como o denotam as suas publicações sobre o Método e o Pensamento de Pascal, os Templos de Abu Simbel, a correspondência de D.Pedro com o Conde de Lavradio, o Anil, os Moinhos Manuais de Café, as Fontes, Ruben A. foi autor de uma extraordinária obra literária que vale a pena revisitar. Apesar de ser difícil destacar um ou outro título, fica a referência a: "Caranguejo", "Júlia",  "Um Adeus aos Deuses", "Cores", "Silêncio para 4", "O Outro Que Era Eu", "A Torre de Barbela", "O Mundo à Minha Procura" (3 vols.), "Páginas" (6 vols.) e "Kaos"... e, para os que procuram razões para não deixar de sentir orgulho em ser português, fica a sugestão: revisitem Ruben A.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A Pobreza Não se Compadece com a Crise...

O Presidente da Caritas Portuguesa afirmou, há 3 dias atrás, que as medidas do Orçamento de Estado para 2012, vão agravar os números da pobreza em Portugal, razão pela qual defende a renegociação do pagamento da dívida à troika, já que "não se sabe quando a crise vai terminar". Eugénio Fonseca lamentou ainda que seja, mais uma vez!, a classe média a "mais martirizada" no que se refere ao agravamento da sua situação económica-social. Hoje foi a vez da AMI afirmar que, nos 10 meses decorridos desde o início do ano, já atendeu mais pessoas do que no total do ano anterior, a saber, 12.000 pessoas... e entretanto, só para continuar com a série de exemplos que dão o rosto à comunicação social, a Associação Vila d'Este, em Gaia, situada numa área de residência onde o desemprego atinge 28%, revelou dar apoio alimentar a 3.800 famílias, registando 12 novos casos diários de procura -apesar de só ter capacidade para dar resposta a 2, para desespero da dezena que fica a aguardar. Segundo os "indicadores Europa 2020", no nosso país, 25,3 % das pessoas vivem em risco de exclusão social, indissociável da pobreza! (Ler Aqui e Aqui). Ora, ontem, 16 de Outubro, assinalou-se o Dia Mundial da Alimentação (ler Aqui) e hoje, 17 de Outubro, apesar de há muito se falar no combate contra a pobreza, o facto é que o número de pessoas pobres continua a registar aumentos cada vez mais difíceis de enfrentar... até quando?... Provavelmente até que, como Lula da Silva fez no Brasil, a política tenha a coragem de enfrentar a economia e de empenhar a alma, o pensamento e o conhecimento no aumento da produção nacional, da exportação e da riqueza enquanto, em simultâneo, concretizam a prioridade nacional: "Pobreza Zero"! Afinal, todos os países e, consequentemente, todos os políticos e todas as governações, apoiaram a definição e assinaram o compromisso com a realização dos Objectivos do Milénio!

domingo, 16 de outubro de 2011

Sonoridades Intemporais...

... Os temas inesquecíveis não se rendem ao tempo... é o caso de "Folhas de Outono"... nas interpretações únicas de Miles Davis: Eric Clapton: ... e Nat King Cole:

A Arma da Indignação...

Repararam?... no movimento mundial que traz à rua, pacificamente!, milhares e milhares de cidadãos indignados e em protesto contra as desigualdades e as injustiças e contra o modo desumano como estão a ser geridas as economias e as políticas com que se tenta relativizar a profunda crise em que mergulhou a vida dos cidadãos e as expectativas do futuro (sem as quais não há capacidade para a motivação e o empenhamento individual e colectivo que o progressivo aumento do desemprego torna aparentemente inúteis), há uma inspiração de fundo, mais ou menos (in)consciente, da atitude com que Gandhi, o Mahatma, inaugurou a intransigência da não-violência na determinação inexpugnável da Luta Política.

LER AQUI AS PROPOSTAS DO 15 de OUTUBRO EM PORTUGAL.
(Nota posterior: não vale a pena argumentar que houve 70 feridos em Roma ou que foram detidos 24 cidadãos nos EUA e 2 em Portugal... as estatísticas falam por si e estes números são completamente irrelevantes face ao número de participantes - entretanto, para antecipar inferências incorrectas, lembremo-nos da quantidade de incidentes que Gandhi teve que enfrentar ao longo do combate da Não-Violência que deu a independência à Índia e fundou o Paquistão!)

"(...) Nenhum Poder Destrói o Poema (...)"

"Sobre um Poema

Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.

Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
- a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.

- Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.
- E o poema faz-se contra o tempo e a carne."

Herberto Helder

   

sábado, 15 de outubro de 2011

Democracia Real...

O movimento dos "Indignados" conseguiu hoje uma mobilização histórica: em 1.000 cidades e 81 países, os cidadãos sairam à rua para se manifestarem contra as medidas de austeridade, a lógica da distribuição profundamente desigual da riqueza, o desemprego, a especulação e exploração financeiras e a ausência de responsabilidade cívica das políticas económicas, destituídas de preocupações sociais concretas e eficazes. Em Portugal, porque há cerca de 15 dias houve uma outra manifestação contra o empobrecimento e outras se desenham no quadro das reacções sindicais mas, também, porque as eleições decorreram há cerca de 4 meses e os portugueses continuam a acreditar e a defender a democracia formal, o número de pessoas que saiu à rua em Lisboa foi menor do que se esperava... contudo, lembremo-nos que as manifestações, desta vez, decorreram em 9 cidades portuguesas: Angra do Heroísmo, Barcelos, Braga, Coimbra, Évora, Faro, Lisboa, Porto e Santarém. De qualquer forma, a verdade é a que vem reflectida na notícia que se pode ler AQUI e de que Teresa Ribeiro dá nota no Delito de Opinião. A globalização que tanto se desejou é, também, esta realidade e, "contra factos, não há argumentos".

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

"Unidos, Pela Mudança Global"

Indignados


Amanhã, 15 de Outubro, será assim!... pelo exercício do direito à Indignação!
(Entretanto, vale a pena ler o texto de João Paulo Guerra no Direito Económico e ver o post que a Ariel publicou AQUI).

Gregos?! Não! Portugueses!

O anúncio do conjunto de medidas político-financeiras ontem anunciadas pelo executivo governamental denota o assumir da intervenção ideológico-financeira como única resposta à crise. De facto, depois de tanto se repetir que Portugal é um caso "muito diferente" da Grécia, tornou-se agora inequívoco aquilo de que há muito suspeitávamos: o que sustentou essa afirmação foi a redução interpretativa da realidade que tomou o incumprimento do pagamento da dívida grega "de factum" como o cerne do problema, quando o que está em causa é a vida dos cidadãos! Por isso, sim, podemos dizê-lo!, apesar de não sermos gregos, estamos, na verdade, cada vez mais próximos da calamidade social que neles teve o seu primeiro rosto e que se estende, empobrecendo a um ritmo avassalador a Europa do Sul mas, também, corroendo a Europa Central, a todo o espaço comunitário europeu. No fundo, está à vista aquilo que, de há muito!, se previa: o sucessivo alargamento europeu criou condições para que se "esquecessem" da Europa Social que pretendiam construir, em nome das finanças e dos mercados que trairam economias e sociedades por retirarem a finalidade humana às fórmulas da sua gestão.  A Europa foi incapaz de gerir a supranacionalidade de forma capaz de assegurar a sua sustentabilidade e os políticos que a lideram são incapazes de alterar o rumo que a sua dinâmica adquiriu! A opção persistente pelo aumento de receitas decorrente do aumento de impostos e dos sucessivos cortes nos direitos dos trabalhadores, é um caminho aparentemente fácil (ao que parece, o único viável para os "economistas"?? e políticos que defendem a organização que nos conduziu até aqui!) que o presente e o futuro de curto e médio prazo demonstram e continuarão a demonstrar ser absolutamente  insustentável!... Nenhuma mas, rigorosamente nenhuma das medidas anunciadas contribuirá para a inversão do empobrecimento acelerado das populações e dos portugueses! Caminhamos para o abismo pela mão da própria Europa e dos governos que a integram, sob o pretexto de a quererem salvar! A Europa já não é a Europa dos Cidadãos... por isso, é aos cidadãos que cabe, agora, a palavra!... o caso grego foi apenas um sinal... o primeiro!... Pensar que o problema fica por aqui é ignorar os factos... está tudo, apenas!, a começar e este "começo" traz na sua génese o prenúncio de um fim que pode ser não apenas uma mudança substantiva da democracia que conhecemos mas, o seu fim!
(Vale a pena ler os textos, as reflexões e os alertas de JM Correia Pinto no Politeia, Alexandre AbreuJoão Abel de Freitas, Pedro Viana e espreitar o post do A Cinco Tons).

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

"Pensar com Arte"

Foi ontem, dia 12 de Outubro, que, no Alandroal, aconteceu um dia diferente sob a organização da equipa técnica da Biblioteca Municipal e sob o título "Pensar com Arte". De manhã, no Forum Cultural Transfronteiriço, realizou-se um workshop sobre "Aprendizagem e Interpretação" no âmbito do qual, após a exposição dos objectivos da iniciativa pelo Presidente da CMA, Dr. João Grilo e pelo Presidente do Conselho Executivo da Escola Diogo Lopes de Sequeira, Dr. Tomé Laranjinho, se procedeu à projecção do filme "Uma Casa na História" realizado por José Meireles, a cuja apresentação prévia procedi para sensibilização ao público, constituído por mais de 170 alunos e os respectivos professores. Durante a tarde, numa das salas do Forum decorreu um outro workshop direccionado para professores, educadores e dinamizadores culturais onde participaram mais de 20 professores do concelho e da região, bem como a representante da Associação de Pais de Alandroal. O segundo workshop contou com a participação de Teresa Santos (da Universidade de Évora) que apresentou o projecto pedagógico "Filosofia para Crianças" e de mim própria que abordei o tema "Pensar Com Arte - Uma Atitude Transversal à Educação Formal e Informal". Com esta iniciativa pretendeu-se responder aos desafios contemporâneos da educação, da pedagogia e da didáctica, promovendo a sensibilização para recursos alternativos e potencialmente eficazes para o desenvolvimento cognitivo, a valorização e a motivação escolar, tendo em atenção o perfil de competências criativas que é preciso incentivar nas gerações mais novas de forma a que possam enfrentar a mudança social em curso, com o menor risco de exclusão social possível. Neste sentido, enunciaram-se e debateram-se práticas metodológicas educativas inovadoras que, apelando à Filosofia para Crianças (inspirada na obra de Lipmann) e à Educação pela Arte, visam contribuir para que a comunidade educativa possa usufruir de maior diversidade de meios, no seu caminho de exploração didáctico-pedagógica, recorrendo a uma produção cinematográfica cuja narrativa permite percorrer, como se de uma viagem temporal onde o real se cruza com o imaginário se tratasse, a cultura e a história mais e menos recente do país que somos (da evocação de Inês de Castro à viagem de Vasco da Gama à Índia, do salazarismo à guerra colonial e do 25 de Abril à democracia europeia e seu enquadramento internacional) com um argumento sustentado, na sua maior parte, por textos clássicos da literatura portuguesa de que se destacam Luís de Camões (com destaque para "Os Lusíadas"), Almada Negreiros, Fernando Pessoa, Padre António Vieira, Herberto Helder, José Saramago e Mário Cesariny. O resultado da iniciativa que nasceu de uma proposta da educadora Maria José Manuelito, foi, efectivamente, sintomático enquanto demonstração inequívoca da receptividade dos jovens ao que é novo e do empenhamento de professores e agentes educativos na construção de intervenções mais eficazes!... porque, antes de mais, precisamos de garantir a autonomia de pensamento individual, a solidariedade cívica e o desenvolvimento local sustentado!... Num momento em que a dimensão da crise económico-social e política europeia e nacional atinge um nível de praticamente não-retorno nos termos da actual lógica de gestão financeira da governação, intervir não só a título de reacção mas, também, enquanto estratégia de prevenção do futuro é uma Responsabilidade Social de que não podemos alhear-nos!

Unir Esforços pelo Desenvolvimento

"A guerra dos mercados eclodiu e o rosto mais visível desta guerra tem sido, desde 2008, a União Europeia, enquanto bloco regional da macro-economia mundial, aparentemente liderada até há pouco, pelos EUA. O ritmo vertiginoso a que as mudanças e as clivagens reveladoras de rupturas das economias nacionais se têm sucedido, deflagrou com a declaração de incumprimento e o pedido de intervenção externa das instituições financeiras internacionais, na Grécia, na Irlanda e em Portugal, cujas realidades sócio-económicas se têm vindo a agravar, nomeadamente no que se refere às taxas de desemprego e de endividamento. Contudo, o problema não se confina às dívidas soberanas destes Estados-membros da EU e o risco de incumprimento com ameaça de necessidade de intervenção financeira externa ameaça as economias de países como a Itália, a Espanha e a Bélgica, afectando já outras economias até há pouco tempo consideradas “fortes”, como é o caso da França e da Alemanha, onde as medidas de austeridade integram as respectivas orientações políticas. A gravidade e extensão da crise é de tal ordem que, finalmente, após, meses e anos de recomendações e decisões políticas no sentido de reforçar as medidas de austeridade em cada Estado-membro, os órgãos centrais da EU, Conselho e Comissão, decidiram reformular os prazos de pagamento das dívidas soberanas e, consequentemente, baixar as taxas de juros que atingem níveis insustentáveis, dada a especulação promovida pela avaliação do “rating” das agências de notação financeira. Desta vez, depois de muitos avisos de boa parte da sociedade, o fantasma da especulação abateu-se sobre os mercados como uma realidade incontornável, obrigando as economias “fortes” à cooperação com as dos chamados “países periféricos”, de modo a “travarem”, quer ao nível dos próprios mercados, quer dos cidadãos, uma nova e muito empobrecida imagem do estádio de desenvolvimento dos seus países e das suas economias, reveladora de uma situação social deficitária no que se refere à qualidade e condições de vida das populações. O culminar desta crise ficou expresso recentemente com o acordo do Senado norte-americano em que, mais uma vez, foi aprovada uma “subida do tecto” do endividamento da dívida dos EUA, de modo a evitar que a “maior economia do mundo” entrasse, também ela!, em incumprimento relativamente às exigências que os compromissos financeiros internacionais impõem. E se, neste momento, começo por gastar o espaço que me é reservado para escrever neste extraordinário testemunho da realidade social portuguesa que é a revista “Viver”, desta vez dedicada ao tema “A União É a Força”, é para lançar o alerta: quando os blocos económico-políticos “mais poderosos” estão em profunda crise (apesar da resistência dos “lobbies” de cada um dos seus membros), precisam de recorrer à união de esforços para fazer face ao inimigo comum (no caso, as agências de rating, isto é, de notação financeira dos mercados), torna-se óbvia e indispensável a consolidação dos esforços regionais e locais a nível micro-económico, para que as economias locais e regionais não sejam extintas pelo efeito “dominó” causado internamente pela dinâmica de afundamento da economia nacional. Cabe, por isso, aos agentes políticos, económicos, sociais e culturais locais e regionais, a responsabilidade de desencadear mecanismos de sustentabilidade capazes de reforçar as incipientes dinâmicas locais de desenvolvimento, tornando-as muito mais autónomas do que são no presente em relação ao poder central e conseguindo deste poder e do poder europeu (designadamente, pelo recurso aos fundos comunitários) apoio para a consolidação desta autonomia, de que depende, afinal, a sobrevivência das regiões - e, em última análise, a qualidade de vida das populações, cujo nível decorre das taxas de produtividade e de emprego que conseguirmos sustentar local e regionalmente! Por isso, a palavra de ordem, nos tempos que correm, é: Unir Esforços para o Desenvolvimento!"
(Este meu texto foi publicado no mais recente número da Revista Viver, ed. Adraces)

Sonoridades Intemporais...

... "Los Hermanos" por Atahualpa Yupanqui...

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Leituras Cruzadas...

Enquanto as notícias da Europa continuam a acelerar a nossa inquietação (leiam-se a citação de Miguel Abrantes no Câmara Corporativa e os textos de Nuno Teles e de João Rodrigues no Ladrões de Bicicletas), as que por cá circulam mais não fazem do aumentar o nosso sentimento de incerteza e desconforto em relação ao futuro próximo e de médio prazo (leiam-se os textos de Ana Margarda Craveiro no Delito de Opinião, de Porfírio Silva no Machina Speculatrix, de João Abel de Freitas no PuxaPalavra e de Osvaldo Castro no A Carta a Garcia)... sentimento que, diga-se em abono da verdade!, se acentua, mais do que nunca, perante o que aos nossos olhos transparece da gestão dos mercados de todo o mundo, subjacente às políticas económicas e sociais presentes nas opções e nas práticas dos mais diversos actores do palco contemporâneo (leiam-se os textos de Pedro Correia no já citado Delito de Opinião, de Osvaldo Castro no já citado A Carta a Garcia e de Carlos Barbosa de Oliveira no Crónicas do Rochedo)... mas, se é importante atender ao que escreve Miguel Serras Pereira no Vias de Facto, mais ou pelo menos, com igual seriedade, devemos reflectir sobre a assustadora referência de Rogério da Costa Pereira no Pegada a fenómenos recorrentes e decorrentes da massificação do desemprego que as políticas actuais do chamado "mundo desenvolvido" continuam a promover em nome das contas públicas e da estabilização económica que pode, contrariamente ao que é humanamente desejável, implicar uma implosão social de que We Have Kaos in the Garden deixa uma breve mas, sintomática.alusão.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

"Ocupação Sexual dos Espaços e Redes de Comunicação Social..." no AL-TEJO

Foi publicada no passado dia 3 de Outubro, no blogue AL-TEJO, a referência ao meu trabalho intitulado "Ocupação Sexual dos Espaços e Redes de Comunicação Social" (ler Aqui). Cabe-me agora agradecer ao autor do texto e administrador do blogue, Francisco Manuel Tatá a honra e a alegria, sinceras e sentidas por essa referência e pelos comentários que suscitou. Bem-hajam!  

Novidades na Madeira...

... Alberto João voltou a obter a maioria absoluta... por menos que 50%, é certo! ... e depois? O BE não elegeu nem um deputado! O PS ficou em 3º lugar (???)... o CDS é a 2ª força político-partidária insular!... a CDU passou a 5ª... 3 partidos sem expressão pública substancial conquistaram 3, 1 e 1 assentos na Assembleia Parlamentar Regional... ah, sim?... e depois?Não havia candidatos credíveis? Não há organização política na oposição? Só se lembram do trabalho partidário antes da campanha? Custa muito andar de casa em casa pelos socalcos da ilha? Alegam-se clichés? Conta-se com o desgaste do poder dominante? ... com o efeito da dívida, da troika e do impacto da presença e da ausência dos líderes do "contenente"?! Sinal dos tempos ou dos políticos que temos?... enfim!... o resultado das eleições na Madeira e os comentários que os políticos e politólogos da moda exibem, sem nada acrescentar à realidade ou ao conhecimento, fizeram-me lembrar uma tabuleta muitissimo bem-humorada que um dia encontrei por aí... entretanto, desculpem lá mas, ... vou ali... e já venho!... já agora: boa-noite!

domingo, 9 de outubro de 2011

As 3 Nobel da Paz, os Direitos Humanos e a Resolução 1325 da ONU

O Prémio Nobel da Paz 2011 foi atribuído a 3 Mulheres, duas liberianas e uma yemenita, destacadas activistas contra a repressão e a violência contra as mulheres que, no continente africano, se destacaram no ano em curso pela intervenção cívica e política. Não poderia ter sido melhor atribuído! Porque entre mais de 2 centenas de Prémios Nobel da Paz atribuídos, até 2011, apenas 12 tinham distinguido Mulheres... porque, além de Mulheres, Activistas e Políticas, as três agraciadas com o Nobel da Paz são cidadãs das regiões mais pobres, difíceis, trágicas e violentas regiões do mundo onde a sua coragem é, mais do que isso, inequívoca bravura e capacidade de enfrentar regimes e domínios políticos masculinos! Além disso, Ellen Sjohnson-Sirleaf, Leymah Gbowee e Tawakkul Karman (ler Aqui, Aqui e Aqui), são o rosto da importante Resolução 1325 da ONU  e cuja transposição nacional encontramos AQUI

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Indignados Contra as Desigualdades em Wall Street

O movimento dos Indignados chegou aos EUA e o inesperado aconteceu: há mais de 2 semanas que os manifestantes persistem na sua ocupação de Wall Street, dando voz ao descontentamento geral contra as injustiças, as desigualdades e, em particular, contra a abissal repartição da riqueza que agrava constantemente a vida dos mais pobres, empobrece os que tendo trabalho, sobreviviam até há pouco com um tipo de dificuldades consideradas superáveis e... continua a enriquecer os que são de há muito ricos... cada vez mais ricos! O descontentamento social é, por isso, hoje, a força dinâmica do futuro... e disso são sinal maior, para políticos, mercados e banqueiros, as declarações de Barack Obama (ler AQUI).

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Da República...

... e agora, senhores!... agora: Falta Cumprir a República!... o combate ao analfabetismo (designadamente o funcional e o político!), a estruturação de um municipalismo eficiente, a promoção da qualidade de vida e da igualdade de oportunidades para todas as pessoas, o desenvolvimento eficaz do aparelho produtivo, os serviços públicos de qualidade, a gestão racional dos recursos do Estado... e o investimento na cultura, senhores!... o investimento na cultura (de que, afinal!, também resultará a existência de consciências políticas mais sólidas e civicamente consolidadas, bem como, recorrentemente, a emergência de protagonistas que permitam às populações a eleição de pessoas sérias, democráticas e capazes de promover o desenvolvimento integrado e sustentado - sem que fiquem reduzidas a personagens caricatas como continuamos -e, provavelmente, continuaremos! a assistir na Madeira!!!). 

terça-feira, 4 de outubro de 2011

5 de Outubro - Recados da República

A celebração da República Portuguesa evoca-me duas notas breves, para além das recorrentes recomendações sobre a crise que teima em não passar, demonstrando, uma vez mais, que os erros se atacam nas causas e não nos efeitos - como todos, aliás!, sabemos.  Pois, além do reiterar da urgÊncia da revisão dos mecanismos económicos e políticos de gestão social que em lado nenhum da Europa denotam eficácia e eficiência em ome da qualidade de vida das populações, por cá, no nosso país, não é demais levantar a voz para nos associarmos aos autarcas que defendem o municipalismo ao nível das freguesias nas zonas rurais e dos concelhos, como forma de combate à desertificação e ao despovoamento que, sem estes mecanismos de proximidade que requerem,isso sim!, reforço e aperfeiçoamento nos meios, irão ver agravadas essas realidades!

domingo, 2 de outubro de 2011

A Democracia Contra a Crise...

Ontem, 1 de Outubro, o povo saiu à rua, em Lisboa e no Porto, em nome da luta contra o empobrecimento! A manifestação, cuja mobilização foi sintomática em relação ao sentir generalizado das pessoas que, entre informação, contra-informação, medos e preconceitos, não reconhecem alternativas execuíveis e credíveis ao poder instituído mas sabem que a estratégia em curso é demolidora para as suas condições de vida, foi, contudo, reduzida às "manchetes" com que a comunicação social classificou a iniciativa, relevando não o facto em si mas, isso sim, o dispositivo policial preparado pelas autoridades para enfrentar a contestação social, suscitando o medo de manifestação popular, sob a capa de uma ameaça velada... é pena! Neste momento, Governos, Populações e Comunicação Social deviam unir-se para pressionar a mudança económica e política, ao invés de assumirem a subserviência temerosa que de nada adianta e apenas reforça a ineficácia das lógicas contemporâneas do poder dominante... esperariamos outra coisa? Talvez... uma vez que, para além do movimento de indignação que correu o mundo europeu e médio-oriental ao longo do ano em curso (e voltará a ter expressão, entre nós, no próximo dia 15 de Outubro), até em Wall Street são mais de 2.000 (entre eles Noam Chomsky, Susan Sharandon e Michael Moore) os que se manifestam contra a austeridade enquanto resposta à crise (ler AQUI)...

sábado, 1 de outubro de 2011

Sem Preço...

... no Dia Internacional da Música, a homenagem à sua função social... porque o mais precioso e o mais importante não tem preço! (via Nuno Ramos de Almeida no Facebook e Joana Lopes no Entre as Brumas da Memória)

Contra o Empobrecimento...

Mais do que nunca -ou talvez como sempre!, os dias que correm, justificam as causas... para que as vozes se não calem perante a descrença e o ritmo inexorável das dinâmicas que os poderes imprimem à realidade!... Não, não se trata de corporativismo ou de uma persistência em actos de fé que, por vezes, parece associada à regular manifestação das forças mobilizadoras das massas; trata-se de uma forma de exercício de cidadania - a mesma que tem dado corpo e expressão às exigências sociais e aos direitos das pessoas. Hoje, Outubro de 2011, no contexto das crises internacional, europeia e nacional, face à evidência do descalabro de reformas e contra-reformas assentes na repetição cega do mesmo princípio (o da austeridade), não será demais a afirmação colectiva da consciência cívica e política dos caminhos a que conduzem os processos, os fins e os meios que as forças dominantes continuam a adoptar... como se não houvesse alternativas! E há!... houvesse a coragem política de por elas se optar e a força social capaz de as exigir! "Contra o Empobrecimento!" é uma causa justa, nacional, europeia e internacional que devemos entender como apelo desinteressado (independentemente do uso que dele possa ser feito!) à participação, à unidade e à solidariedade, sem fronteiras ou preconceitos!... antes que seja tarde demais!