sábado, 21 de abril de 2012

Da Essência à Política...


... este é o olhar sobre a essência que justifica o esforço necessário da nossa atenção sobre essa outra paisagem, triste e quiçá sórdida!, de uma certa forma de estar, humana!, em que se inscrevem a ambição, o etnocentrismo e a política... com o fim último de preservar o melhor da inteligência universal: a natureza, a bondade e o amor!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

quarta-feira, 18 de abril de 2012

terça-feira, 17 de abril de 2012

Ciganofobia? ... e os Direitos Humanos, senhores?


A chamada de atenção é do antropólogo José Gabriel Pereira Bastos: "Reconhecer o casamento cigano efectuado na Lei Cigana seria um acto de inteligência nas relações inter-étnicas, uma prova de respeito por uma cultura diferenciada incluída na pluri-culturalidade de Portugal, um passo em frente para longe da Ciganofobia que exige a assimilação completa (que aliás não deseja), uma forma de genocídio cultural impensável no século XXI..." (in Facebook)... Nada acrescentarei... porque subscrevo, na íntegra e sem reservas, a afirmação!... e, sinceramente, para quem pretende levar a sério, "de jure" e "de facto", a questão do exercício dos Direitos Humanos, vale a pena ver/ouvir com atenção este vídeo... para reflectir... e agir!

Ser - entre Saber e Agir...

... ou, como disse J.P.Sartre nessa obra magistral intitulada "O Ser e o Nada": "Conhecer é Realizar".

Das Pequenas Coisas...


segunda-feira, 16 de abril de 2012

Histórias... do Paraíso


... apesar de não se encontrar traduzido para língua portuguesa, vale a pena... por nos fazer sorrir :)) (via Rosa Monteiro no FB)

domingo, 15 de abril de 2012

"Nada Está Escrito" - Manuel Alegre...

"NADA ESTÁ ESCRITO" é o título do novo livro de Manuel Alegre, cuja apresentação vai decorrer esta 2ªfeira, dia 16, na  Livraria Leya - Bucholz, pelas 18.30h. Pela Poesia e por tudo o que de melhor lhe associamos, vale a pena estar presente! Estamos todos convidados... e, já agora, como diria o Zeca, "traz um amigo, também"!

Lições...

(via Vitor Duarte no Facebook)

Da Pedagogia e da Política como Forma de Dizer...



É preciso sonhar mais alto...

(via Rui Nuno no Facebook)

sábado, 14 de abril de 2012

Abraço a Tengarrinha...


... algumas declarações do Homenageado que hoje foi agraciado com a Medalha de Mérito Municipal da Cidade de Lisboa e de alguns dos mais conhecidos participantes neste "Abraço a Tengarrinha", cujos testemunhos AQUI partilhamos.

Coração Azul - Contra o Tráfico de Seres Humanos

"Coração Azul" é o nome da campanha das Nações Unidas que visa a promoção de um combate conjunto ao tráfico de seres humanos. Portugal aderiu oficialmente a esta campanha na iniciativa que, de forma sucinta mas efectivamente esclarecedora, vale a pena ver AQUI... Entretanto, porquanto o único vídeo disponível no Youtube se apresenta em língua inglesa, reproduzimo-lo com a confiança de que todos perceberão o sentido de uma inequívoca causa promotora dos Direitos Humanos que mobiliza internacionalmente contra uma das maiores formas de crime organizado...

Do Engenho e da Arte...

"Piano House" é o nome das instalações do Centro de Estudos Musicais da Universidade de Huainan City, na província de Hui, na China...
(via O Bosque de Berkana no Facebook)

sexta-feira, 13 de abril de 2012

O Beijo...


... da autoria de Anthony Micallef (via Maria João Fitas no Facebook)

Afinidades políticas - um sintoma ou uma ideia peregrina?

A notícia sobre a pergunta lançada por um "organismo" sobre identificação de "afinidades políticas" (ler aqui) é, acima de tudo, reveladora da mentalidade ética e política dos seus "criadores"... e, salvo melhor entendimento, mais do que uma "ideia peregrina", reflecte, como um sintoma, a gravidade dos efeitos culturais do autoritarismo e da transferência das violências que a ditadura das "crises" e das "austeridades" tende a reforçar... Até quando estará a democracia participativa refém deste tipo de suspeitos e perigosos "voluntarismos" é a pergunta que se impõe... até porque, ao contrário do que seria útil e adequado, em tempos de crise, a atenção cívica pode ser descuidada - tantas são as matérias que requerem o concentrar de energias...

Coexistir...

(via Maria Albertina Silva no Facebook)

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Sonoridades...

(via Maria Leonor Balesteros no Facebook)

Leituras Cruzadas...

JMCorreia Pinto no Politeia
Manuela Araújo no Sustentabilidade é Acção
António Salvado e Luís Moreira no Pegada
Ana Gomes no Causa Nossa
João Abel de Freitas no Puxa Palavra
Osvaldo Castro no A Carta a Garcia
Joana Lopes no Entre as Brumas da Memória
Eduardo Marculino no História Viva
Conta Corrente no Cont(R)a Corrente

Penalizar a Longevidade...

O discurso da representante do FMI que veio falar sobre o "peso" das reformas no PIB enquanto risco para a economia e a sustentabilidade financeira, decorrente do "erro de cálculo" no que se refere ao aumento da longevididade dos cidadãos é, no mínimo, vergonhoso!... Disse a senhora que, equacionado tal "peso" (de 50% para as economias ditas "desenvolvidas" e 25% para as economias emergentes), ou são tomadas, de imediato, medidas nesse sentido ou serão "perturbadores" os efeitos do adiar de decisões no que a esta matéria se refere!!!... A forma como este discurso é apresentado mais parece um lamento e, porque não dizê-lo?!, o anúncio de um cataclismo pelo facto de, actualmente, as pessoas viverem mais tempo!!!... e se dúvidas havia, torna-se assim inequívoca a disposição inamovível das instituições internacionais persistirem na defesa das actuais lógicas "de mercado" - quem diz internacionais, diz, consequente e naturalmente, nacionais!... Certo é que a opção assumida da ideologia dita "de mercado" não passa de uma cruel desumanidade!... Num tempo em que o conhecimento global e a ciência deveriam ser o cerne da orientação do planeamento humano, este discurso, mais do que obscurantista é, acima de tudo, testemunho de uma prepotência inominável e de uma absurda ignorância que faz "tábua rasa", de forma radical, do fundamento da organização societária, nomeadamente em termos económico-financeiros - ou seja, do interesse público que tem rosto, corpo e alma de Pessoas!... depois disto, nem quero pensar no tipo de políticas que, no futuro, serão legitimadas e, quiçá?, promovidas... 

quarta-feira, 11 de abril de 2012

terça-feira, 10 de abril de 2012

Da "Maternidade Alfredo da Costa" ao Absurdo...

O anunciado encerramento da Maternidade Alfredo da Costa, símbolo das políticas materno-infantis em Portugal, é o rosto da inconsistência e da insustentabilidade subjacentes à tomada de decisões que, precipitadamente (?!), trocam o essencial pelo efémero... Erros trágicos que podem comprometer, muito para além das conjunturas políticas, o desenvolvimento de um país onde, além do endividamento, perdemos, a passos largos, as estruturas que nos têm permitido um estádio menos desesperado de sobrevivência do que o que caracteriza as Roménias e as Albânias da Europa onde ainda nos integramos económica e politicamente. O preço social que a História nos cobrará é fácil de prever e será difícil de pagar... porque num país com a mais alta taxa de envelhecimento da Europa e onde o Serviço Nacional de Saúde perde a toda a hora competências e qualidade, fechar as instituições que podem apoiar as efectivas políticas de crescimento que é preciso estimular e promover, não pode, de forma alguma, ser compreendido a não ser como um evidente prejuízo para os cidadãos.     

domingo, 8 de abril de 2012

Homenagem a Todas as Crianças Ciganas...


"Bela e Sebastião", da autoria de Cécile Aubry, é uma extraordinária peça de literatura cujo profundissimo conteúdo cívico e pedagógico, merece a sua consideração como obra de excelência da literatura infanto-juvenil. Testemunho disso mesmo é o facto de, nos anos 60, ter sido produzida e realizada a série francesa com o mesmo nome que, no final dessa década, passou, como em muitos países europeus, num inesquecível registo a preto e branco, na RTP. Quanto à 1ª tradução do livro em língua portuguesa surgiu pela mão da editora Aster, em 1968, com uma capa que reproduzia a imagem do menino cigano, protagonista de uma história que, mais tarde, originou uma série de desenhos animados, cuja adaptação, infelizmente!, perdeu o essencial da narrativa... Das muitas histórias que li, vi e conheço penso que não erro ao dizer que nenhuma alcança, nem de perto, nem de longe, o poder e a qualidade de "Bela e Sebastião" na edição e produção originais.... hoje, Dia Internacional dos Ciganos, fica o registo da minha homenagem à dignidade dos seus Povos, através deste imenso e terno abraço que daqui segue para a Ana, a sua Família e para todas as crianças ciganas que tive a honra de conhecer, Homens e Mulheres de 1ª Água, de que destaco, além da Ana, a Elisabete e o Joaquim:

Bem-hajam!

Ciganos -entre a perseguição e a democracia....


Ciganos é a designação de um conjunto de populações nómades de origem indiana, cujas migrações ultrapassam os 1.000 anos de história... Perseguidos, escravizados, excluídos, discriminados e mal-tratados, de forma sistemática, ao longo do tempo e por todos os territórios onde passaram e onde se encontram sedentarizados, os Ciganos foram deportados e, às mãos dos nazis, foram vítimas silenciosas do Holocausto... O genocídio do povo cigano que o regime nazi levou a cabo, assassinando entre 200 e 500.000 pessoas (homens, mulheres e crianças), só foi reconhecido a partir de 1970 (ler aqui) e tem, em língua Rom, a designação de PORAJMOS (que significa "devorar"). De Auschwitz -onde, finalmente!, se reservou um espaço em homenagem à sua memória- aos nossos dias, a perseguição continua (disso é exemplo o que podemos ler aqui). Por isso, vale sempre a pena registar o testemunho de Mirian Batuli, representante oficial do povo cigano no Brasil, na cerimónia em Homenagem às Vítimas do Holocausto... porque enquanto os Povos Ciganos não usufruirem plenamente da igualdade de oportunidades que as sociedades contemporâneas dizem disponibilizar aos cidadãos e enquanto se registarem práticas e representações sociais colectivas de natureza discriminatória e xenófoba, a Democracia não será mais do que, apenas, uma Utopia!

Dia Internacional dos Ciganos


Hoje, 8 de Abril, é Dia Internacional dos Ciganos, a maior e mais antiga minoria étnica da Europa que integra cerca de 8 milhões de cidadãos de todas as nacionalidades (ler aqui)... A proclamação do dia 8 de Abril como Dia Internacional dos Ciganos foi feita pelas Nações Unidas em 1971, na sequência da grande campanha protagonizada para o efeito pelo actor Yul Brynner, cuja ligação com a etnia podemos ler aqui.

José Tengarrinha, pela Construção da Unidade Democrática, Sempre!

A propósito da Homenagem a José Tengarrinha que irá decorrer no Restaurante Espaço Tejo (Junqueira-Lisboa), no próximo sábado, dia 14, por ocasião do seu 80º aniversário, divulgamos um texto escrito por 3 professoras universitárias (Ana Carita, Lurdes Silva e Manuela Esteves) que a grande organizadora do evento e Amiga, Helena Pato, nos disponibilizou. A ilustrar o testemunho da qualidade humana do Professor José Tengarrinha, temos ainda a honra de disponibilizar uma sua fotografia (única!), num almoço de trabalho do MDP/CDE! As inscrições para o almoço estão a terminar mas, vale sempre a pena tentar, via oitentatengarrinha@gmail.com ... e não perder este momento que promete ser um comovente e convicto momento de reencontro dos protagonistas da Democracia (com D grande!!) em Portugal.  

" PARABÉNS ZÉ TENGARRINHA!
Conhecemos o Zé Tengarrinha no MDP/CDE, logo a seguir ao 25 de ABRIL. A recordação que guardamos desses tempos, e que até hoje não se alterou, é a de uma relação feita de cordialidade, de respeito, é a de uma direcção política que estimulava a apresentação de pontos de vista que tranquilamente dialogavam, que educadamente se contrapunham. O discorrer dos argumentos, o ouvir com atenção o outro, o opor serenamente outro modo de pensar, parece-nos ser um traço do modo de proceder e de ser do Zé Tengarrinha. Nunca a exacerbação tomou o lugar da exposição paciente de factos, de razões para agir assim e não diferentemente, sem nunca perder de vista a necessária unidade.
A unidade, unir a esquerda, foi uma ideia muito forte vinda também desses tempos, talvez nem sempre posta em prática. Saber que a unidade tem fundamento na diversidade, que é necessário o esforço para unir justamente porque não pensamos todos o mesmo acerca das mesmas coisas, foi uma aprendizagem que então aí iniciámos.

São ideias e valores que ainda hoje partilhamos e que nos movem e mobilizam. Recordar que foi no MDP/CDE, no convívio com amigos como o Zé Tengarrinha, na vivência que esses homens e mulheres resistentes dos tempos de antes nos proporcionaram que também se fez a nossa formação política, é obrigar-nos a dizer hoje ao Zé Tengarrinha que ainda bem que o conhecemos. Foi um prazer, Professor."
Ana Carita
Lurdes Silva
Manuela Esteves

sábado, 7 de abril de 2012

Da Crise à Irresponsabilidade Política...

As tétricas e expressivas notícias que nos chegaram da Grécia, a propósito de um cidadão que, aos 77 anos de idade, reformado e endividado, recusou a mendicidade e optou pelo suicício, fazendo da sua decisão um acto público e assumidamente político (ler aqui), são o símbolo de uma guerra sem tréguas lançada pelos mecanismos financeiros internacionais, com o apoio dos governantes europeus, contra as populações. Porque a verdade é que o caso grego não é um caso isolado (não só por configurar o desenvolvimento da dinâmica social da Grécia denunciada pelo Wall Street Journal em Setembro de 2011 e que aqui destaquei mas, também, porque da Irlanda há notícias que denotam o mesmo padrão de comportamento e porque, por toda a Europa mas, em particular no nosso país, aumenta o número de problemas mentais - depressões e psicoses entre adultos e, cada vez mais, entre jovens) e, apesar disso, continuamos a assistir ao recurso persistente nos métodos, exigências e medidas que as instâncias político-financeiras continuam a defender (ler aqui). Como se tudo isto não fosse, só por si, absurdo, as previsões dos países em maiores dificuldades, mesmo depois de terem recebido as "ajudas externas" que, em última análise, reforçaram os respetivos endividamentos externos, são constantemente alteradas, reforçando a ideia de que a sua divulgação mais não é do que simples propaganda. Estamos, indiscutivelmente, a viver em democracias nominais insustentáveis por pura incapacidade política de adopção de políticas económicas que salvaguardem os direitos das pessoas e a coesão socio-territorial dos povos e dos países tal como os conhecemos... A mudança está, por isso, à vista e não promete nada de bom uma vez que, além de tudo o que foi dito, as forças partidárias da chamada democracia representativa insistem, também elas, em reproduzir métodos e técnicas ultrapassadas de fazer política que se limitam a querer garantir a sua permanência no poder, no quadro da alternância, que, há décadas, conhecemos, com os resultados que sabemos... A irresponsabilidade política com que a crise económica e financeira está a ser gerida, promove a um ritmo vertiginoso a degradação da credibilidade da democracia e enquanto não percebemos se tal resultado é ou não intencional, resta saber até quando vão os cidadãos continuar, de forma mais ou menos pacífica, a não reagir ao que se começa a configurar como uma prática política violenta e assumida contra os direitos humanos!

Pensar bem...

(via Fernando Pinto no Facebook)

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Da Violência Escolar aos Mercados...



Segundo o Observatório de Segurança em Meio Escolar (OSME), registaram-se 1121 casos de alegada violência escolar, a maior parte dos quais decorre de agressões verbais, ofensivas e lesivas da dignidade, da auto-estima e do bom nome a que têm direito não só os mais velhos mas, também, os mais jovens. Preocupante, o fenómeno assenta na problemática mais alargada da violência social sobre a qual deve, efectivamente, incidir a reflexão social, comunitária e institucional. Na verdade, o que actualmente se dramatiza em nome da "violência escolar", inscreve-se no contexto de um sem-número de outras manifestações correntes na vida quotidiana das sociedades, a que as gerações mais jovens não podem, de forma alguma, escapar. É o caso da violência no namoro, do bulling, do cyberbulling ou dos extraordinariamente violentos jogos de computador massivamente disseminados entre crianças e jovens, cujo acesso deveria ser, senão bloqueado, pelo menos, triplamente controlado pela legislação comercial, pela responsabilidade social das empresas e pelas famílias. Neste sentido, a violência que se verifica em meio escolar contra professores, funcionários e colegas, deveria ser perspectivada com a seriedade que merece e não com a demagogia sensacionalista que lhe dá visibilidade... porque enquanto as relações humanas se desenvolverem em sociedades marcadas pelas desigualdades, onde o recurso à violência se sobrepõe à comunicação e ao diálogo e os interesses do mercado têm proteção legislativa no que respeita à sua total liberalização, secundarizando sistematicamente as questões sociais, continuará a existir espaço para o agravamento da violência e para a demagogia desculpabilizadora das políticas que apenas garante a continuidade dos problemas (cada vez mais complexos, dada a sofisticação e a diversidade tecnológica dos instrumentos de lazer) e a completa ineficácia de uma sua alegada prevenção. (ler aqui,aqui, aqui, e aqui)

A caminho do reforço do endividamento...

A insistência na alegada necessidade imperiosa de, ainda em 2012, se alcançar um défice de 4,5% em relação ao PIB não é, para Abebe Selassie, líder da troika, a política mais adequada ao objetivo de gestão da dívida e à recuperação económica do nosso país. Incisivo, Selassie afirmou que os mercados não alteraram a sua desconfiança em relação a Portugal e que o desemprego, "crónico", vai continuar por tempo indeterminado, com taxas tão (ou mais!) elevadas do que as que já conhecemos. Deixando margem para que se inverta (ou, pelo menos, para que se altere) o grau de inflexibilidade das políticas económicas e financeiras com que o governo presume alcançar resultados teoricamente ajustados, Selassie evidenciou o óbvio: a perspectiva com que se encaram as chamadas "metas nominais fixas" não pode (nem deve!), ser um dogma... Neste contexto, agravado pela notícia de que Portugal foi, entre os países da OCDE, o que registou maior quebra do Produto Interno Bruto e pelo reconhecimento de Olli Rehn de que "a Europa deve estar preparada para nova ajuda a Portugal", não se percebe a razão pela qual se insiste em dizer que se está no caminho certo, ao invés de se discutir com seriedade o planeamento da renegociação da dívida nacional... porque a realidade dos factos faz "cair por terra" o argumento de que, política e diplomaticamente, convém afirmar que um segundo resgate não vai ser necessário... e insistir em proceder em conformidade com esta "crença", demonstra que a única estratégia que, por cá, se conhece e pratica é mesmo a do "gato escondido com o rabo de fora".

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Da Beleza ...

... do extraordinário mundo em que vivemos!... para ter presente e preservar!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

terça-feira, 3 de abril de 2012

O Essencial de uma Síntese Anunciada...

... na mensagem de Jacques Fresco!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

José Manuel Tengarrinha em Abril... Sempre!


José Manuel Tengarrinha (ler Aqui, AquiAqui, Aqui e Aqui) vai ser homenageado, por ocasião do seu 80º aniversário, no próximo dia 14 de Abril, no Restaurante Espaço Tejo, à Junqueira, em Lisboa. Antifascista de reconhecido prestígio pela intervenção política a que associou a sua vida e pelo trabalho intelectual que desenvolveu no mundo académico, José Tengarrinha (felizmente nascido em Abril!), viu agora organizado, justamente e em boa hora, pelos amigos que desde o início integraram a Comissão Promotora desta iniciativa, sob a mestria de Helena Pato, mulher, intelectual, lutadora antifascista e cidadã de primeira água, o Almoço de Homenagem - a que, com a simplicidade terna dos Amigos, se deu o nome de "Festa de Anos em Abril". A iniciativa promete e se disso é prova, antes de mais e acima de tudo, a vida e obra de José Tengarrinha, também o atesta o rol de nomes que agora integra a Comissão Promotora faz jus ao carácter e ao carisma do Homenageado!... Para os que ainda não têm informação sobre a Festa e têm acesso ao Facebook fica o link da página do evento:
   ... mas, para os que não frequentam esta rede, fica a divulgação do e-mail através do qual ainda podem ser feitas as inscrições: oitentatengarrinha@gmail.com.
Inscrevam-se!... vão ver que vai valer a pena!

(... e sim, tenho a honra de integrar a notável Comissão Promotora deste momento de Abril, convite que aproveito para agradecer, sensibilizada e reconhecida, à Amiga Helena Pato...
... o vídeo é de João Pedro Venceslau e foi feito por ocasião do lançamento do livro do homenageado "Imprensa e Opinião Pública em Portugal" ed. Minerva).

Da Estratégia de Gestão da Crise...

Ao admitir um segundo pedido de resgate por parte de Portugal, Vitor Constâncio, vice-presidente do Banco Central Europeu, não surpreendeu os portugueses mas, como bem dizem os jornais de hoje, "furou a estratégia do Governo e de Bruxelas" (ler aqui e aqui). Apetece dizer que a verdadeira notícia é (afinal e apenas!) a afirmação pública da existência de uma estratégia concertada entre ministros das finanças e comissários europeus (no caso, Vitor Gaspar e Olli Rehn) para uma gestão do silêncio em relação aos factos, cujo objetivo mais não pretende do que iludir as pessoas, manipulando-lhes as reações... quanto aos mercados que, neste contexto, se pretende fazer passar por "maus", é bom lembrar que são geridos por lógicas humanas - as mesmas que elaboram e operacionalizam as políticas...

domingo, 1 de abril de 2012

Da Realidade e dos Sonhos...

É voz corrente que os produtos cerebrais que se consubstanciam em expectativas e sonhos, são uma das mais importantes fontes alimentares da resiliência, da persistência e da confiança - como muito se tem verificado ao longo da História da Humanidade e como, quiçá!, se perceberia muitissimo melhor do que se reconhece, se de tal evidência houvesse mais registo e prova! Daí que seja particularmente interessante registar que, atualmente, esta realidade é cientificamente reconhecida e que o impacto social dos sonhos adquiriu, por esta via, estatuto de incontornável relevância... e se o medo que envolve a potencial adesão incondicional a este conhecimento implica o receio de um certo "facilitismo da crença" e de uma eventual secundarização da racionalidade (com custos sociais que poderiam vir a significar alterações organizacionais por ora imponderáveis), a verdade é que, pelo que conhecemos até à data, a materialização dos sonhos decorre sempre do exercício de uma racionalidade estruturada -que pode, apesar disso, ser conduzida mais ou menos (in)conscientemente... vale a pena ler as notícias que nos chegaram via Isabel Lousada no Facebook: AQUI... mas, também, AQUI).   

Sonoridades Intemporais...

... pela evocação do filme "As Horas" a que a música de Philip Glass deu som e que a vária evocação amiga, no post Amanhecer, me conduziu a rever - em boa-hora, reconheço!...

... e os outros, pá?...

O Japão voltou a reeditar a pena de morte (ler aqui) com 3 execuções, exatamente quando a Amnistia Internacional pretendia voltar a elogiar a suspensão desta medida que, por via de uma decisão governamental, foi interrompida durante os últimos 18 meses (ver aqui)... entretanto, para já não repetir as acusações sobejamente conhecidas relativamente à China ou ao Irão, relembramos Myanmar onde a oposição continua a enfrentar as estratégias da ditadura (ver aqui) - apesar dos sinais que, finalmente, vão adquirindo visibilidade (ler aqui)... dois exemplos a propósito do post anterior que, como aqui se comprova, não remete para um olhar para o passado! - a não ser que o passado seja entendido como contributo para a construção do futuro!... de qualquer forma, a verdade é que o passado está muito mais perto do que gostariam os que recusam e criticam a reflexão estrutural (ler aqui)...

Da Memória Coletiva à Coesão Social...

No Brasil, em 2011, foi a vez de, oficialmente, serem reconhecidos os direitos humanos no caso da Guerrilha do Araguaia, cuja sentença se pode ler aqui. O processo, referente à "alegada responsabilidade [do Estado] pela detenção arbitrária, tortura e desaparecimento forçado de 70 pessoas, entre membros do Partido Comunista e camponeses da região [...] resultado de operações do exército brasileiro empreendidas entre 1972 e 1975 com o objetivo de erradicar a Guerrilha do Araguaia, no contexto da ditadura militar do Brasil (1962-1985)", resultou dos trabalhos da designada "Comissão da Verdade", no âmbito da consideração que passo a transcrever: "(...) A divulgação da sentença renova o compromisso do Estado brasileiro em elucidar os fatos da Guerrilha. Isso só é possível porque essa chama se manteve acesa na história devido ao esforço inesgotável dos familiares de mortos e desaparecidos políticos que levaram essa luta ao longo das últimas décadas. Essas famílias não realizaram até hoje o ritual de despedida e, por isso, não exerceram o direito milenar de velar seus entes queridos, uma forma encontrada pela humanidade para absorver a perda junto aqueles que se solidarizam com a nossa dor. Situações como essas comprovam o quão importante é a união da sociedade para que o Congresso Nacional aprove a Comissão da Verdade (Projeto de Lei 7376/2010), pois cumprir essa decisão da Corte significa, para além de demonstrar a necessidade de assegurar o direito à memória e reparar, a possibilidade de dar as futuras gerações a responsabilidade de prevenir práticas similares.".
Depois de, entre outros (ler aqui), a Espanha (ler aqui) e a Argentina (ler aqui) terem investido neste processo de resgate da memória histórica dos seus povos, em nome da efetiva valorização dos Direitos Humanos, vale a pena refletir sobre a relevância do interesse e do empenhamento político na recuperação da memória histórica - que, em 1992, foi internacionalmente reconhecida (ler aqui) enquanto processo facilitador da catarse, pela qual os povos podem ultrapassar a dimensão bloqueadora dos traumas coletivos e promover a conciliação de esforços no plano da coesão social e territorial...  

sábado, 31 de março de 2012

Da Extinção das Freguesias...


Milhares de pessoas manifestaram-se hoje, em Lisboa, contra a extinção das freguesias... as dificuldades acrescidas que a extinção destes serviços autárquicos representa para as populações é, de facto, um problema que deveria merecer a melhor atenção por parte de um Estado que se pretende útil e eficaz. Não é assim... e esta evidência, manifesta na ausência de uma explicação plausível e razoável para a iniciativa, justifica que as alterações administrativas que agora se propõem, preocupem as pessoas... não só as dos meios rurais, fisicamente distanciados dos centros urbanos a que serão obrigados a recorrer mas, também, as que, nas cidades, em função da idade ou dos ritmos pouco facilitadores da conciliação entre a vida profissional e vida privada, ficarão privadas de usufruir destes serviços com a facilidade que, até agora, tinham mais ou menos assegurada... e se não estão em causa os custos destes serviços, a verdade é que nada garante que o novo modelo funcionará de forma satisfatória. A propósito desta matéria não posso, entretanto, deixar de evocar a opinião do saudoso Professor Agostinho da Silva que atribuía às freguesias o papel de protagonista maior do exercício de uma democracia participada, defendendo que, em cada uma, deveria haver, além dos conhecidos serviços administrativos que desenvolvem, uma escola, um centro cultural, um centro desportivo, uma biblioteca e um centro de saúde... Porém, ao invés de se investir na qualidade das condições de trabalho das juntas de freguesias , reforçando-lhes poderes e competências e apoiando o seu papel social de representantes dos cidadãos, vão ser extintos serviços que ainda mantinham vivas as comunidades e os grupos humanos em função da sua localização residencial... é, por isso, sustentado, o receio de que a medida contribua para fragilizar ainda mais a coesão territorial de uma sociedade que tem dois terços do país em processo de desertificação humana!... registe-se que, desta vez em uníssono, PS, PCP e BE associaram suas vozes às que dizem que o Governo deve ouvir as razões de quem protesta (ler aqui, aqui e aqui).

Amanhecer...

... ao ritmo de "Morning Passages" de Philip Glass...

sexta-feira, 30 de março de 2012

Recuperação económica?!...

Apesar dos rumores sobre o (lento) ritmo europeu de recuperação económica, Olli Rehn afirmou agora, em Copenhaga, que "(...) a Espanha está numa situação muito difícil (...)" (ler aqui)... ao mesmo tempo e enquanto a Moody's continua a baixar o rating dos bancos nacionais (ler aqui), a afirmação da persistência da subida do desemprego reitera-se no discurso oficial (ler aqui) e o Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, garante que a economia portuguesa não irá crescer no próximo ano (ler aqui)... os europeus, com destaque para os povos grego, português e espanhol já tinham dado por isso... ao que parece só os políticos continuam com dúvidas...

PS - Vergonha em Tempos de Crise

O PS prepara-se para aprovar as alterações ao Código do Trabalho, impondo disciplina de voto à respetiva bancada parlamentar nesta matéria (ler aquiaqui). A notícia é assinalável não pelo facto de ter causado divisões internas entre os deputados socialistas mas, pelo seu significado no que se refere à natureza da oposição política ao contexto de liberalização a que a chamada "austeridade" tem conduzido, com a vertiginosa queda dos direitos sociais dos cidadãos e o aumento descontrolado do desemprego. A verdade é que se esta decisão me não surpreende, por outro lado, considerando a gravidade da crise económica e social europeia e a dimensão do crescimento da pobreza, em particular no nosso país, é preciso reconhecer que o assumir da ausência de uma estratégia e de uma ideologia alternativa é o inequívoco sinal de que cidadãos portugueses, trabalhadores e desempregados, não podem contar com o apoio ou sequer com a solidariedade do segundo maior partido português com assento parlamentar...

Sonoridades Intemporais...

... "Labyrinth" de Philip Glass...

quinta-feira, 29 de março de 2012

Do Triplo Encontro do Pensar, do Dizer e do Sentir...

"O amor é o início. O amor é o meio. O amor é o fim. O amor faz-te... pensar, faz-te sofrer, faz-te agarrar o tempo, faz-te esquecer o tempo. O amor obriga-te a escolher, a separar, a rejeitar. O amor castiga-te. O amor compensa-te. O amor é um prémio e um castigo. O amor fere-te, o amor salva-te, o amor é um farol e um naufrágio. O amor é alegria. O amor é tristeza. É ciúme, orgasmo, êxtase. O nós, o outro, a ciência da vida.
O amor é um pássaro. Uma armadilha. Uma fraqueza e uma força.
O amor é uma inquietação, uma esperança, uma certeza, uma dúvida. O amor dá-te asas, o amor derruba-te, o amor assusta-te, o amor promete-te, o amor vinga-te, o amor faz-te feliz.
O amor é um caos, o amor é uma ordem. O amor é um mágico. E um palhaço. E uma criança. O amor é um prisioneiro. E um guarda.
Uma sentença. O amor é um guerrilheiro. O amor comanda-te. O amor ordena-te. O amor rouba-te. O amor mata-te.
O amor lembra-te. O amor esquece-te. O amor respira-te. O amor sufoca-te. O amor é um sucesso. E um fracasso. Uma obsessão. Uma doença. O rasto de um cometa. Um buraco negro. Uma estrela. Um dia azul. Um dia de paz.
O amor é um pobre. Um pedinte. O amor é um rico. Um hipócrita, um santo. Um herói e um débil. O amor é um nome. É um corpo. Uma luz. Uma cruz. Uma dor. Uma cor. É a pele de um sorriso.
"

Joaquim Pessoa, in "Ano Comum"
(via Facebook)

Da (lenta?) construção da fortaleza europeia...


... somos e sentimos o efeito do mundo em nós... talvez por isso se torne ainda mais assustadora a inqualificável demagogia política a que vão cedendo os governantes europeus, aproveitando a criminalidade mais ou menos organizada para impor fronteiras e limites aos direitos humanos de mobilidade... com diferentes rostos vão emergindo as declarações que recorrem à penalização migratória e à xenofobia, em nome de uma Europa cada vez mais fechada e afastada da democracia de que um dia pareceu começar a aproximar-se... Vem esta partilha a propósito das declarações de Sarkozy que chegou ao extremo de afirmar que quem se pronunciasse contra a França não poderia entrar no país!... as declarações transmitidas ontem de manhã, na RTP, foram depois apresentadas valorizando outras referências que as foram diluindo e minimizando com o objectivo de criar alguma (pouca e quiçá ilusória) diferença entre este testemunho sintomático da política europeia e o argumentário do partido de Le Pen... e se era previsível que a crise acentuasse as discriminações e multiplicasse o racismo é, contudo, demasiado e perigoso que sejam os Estados a assumir tais valores em contextos de empobrecimento e desemprego!... a cidadania europeia está, incontornavelmente, ameaçada! 

quarta-feira, 28 de março de 2012

Redes de Arame Farpado...

... para além de todas as definições, de todos os sentidos e de todas as (boas) intenções, a Liberdade é, também (ou acima de tudo?), a capacidade de ultrapassar as teias (ou as redes?) em que, sob a capa de uma aparente solidariedade, se esconde o poder de um corporativismo limitador do exercício da diversidade...

Despertar...


... porque manter o olhar desperto e discernir a essência do que ultrapassa a dimensão a que podem pretender reduzir-nos o horizonte é o nosso único, incomparável e incomensurável poder...

terça-feira, 27 de março de 2012

Leituras Cruzadas...

Quase sufoca esta falta de tempo para o pensar e o dizer, no acumular acinzentado dos dias, a contrariar a luz dos céus que antecipa o verão... ficam, por isso, esparsos, retratos breves do tempo que passa:
JMCorreia Pinto no Politeia
João Rodrigues no Ladrões de Bicicletas
Maria Flor Pedroso no Sem Embargo
Miguel Abrantes no Câmara Corporativa
Osvaldo Castro no A Carta a Garcia
Paulo Guinote no A Educação do Meu Umbigo
Luís Moreira no Pegada
Ricardo Alves no Esquerda Republicana
Graza no Arroios
Renato Teixeira no Cinco Dias
A Areia dos Dias no A Areia dos Dias
Eduardo Pitta no Da Literatura.

Sons Intemporais...

... "Poema Valseado" de Al di Meola...

segunda-feira, 26 de março de 2012

Pobreza e Género em Meio Rural

Em meio rural, pobreza e desigualdade de género são realidades que atingem mais mulheres do que homens. De facto, ao contrário do que pretendem os que "romantizam" a vida "no campo" associando-a a um certo bucolismo, a vida em meio rural, para quem sempre aí viveu, penaliza as mulheres de forma particularmente acentuada, expondo-as à prática de representações sociais e de costumes que dominam e diminuem a sua individualidade, em nome de uma organização societária que privilegia o poder público masculino (com todas as consequências que isso implica!) e que a secundariza em função do conservadorismo daí decorrente, perpetuado de geração em geração. Viver no campo com prazer é, por isso, atualmente, um "luxo" dos que optam culturalmente por essa alternativa, com o objetivo de ganharem a qualidade de vida que todos sabemos diminuída pelo ar diversamente poluído das cidades... uma alternativa que, na verdade, seria útil e importante garantir a todos: para repovoar regiões desertificadas, ocupar e dinamizar o território e permitir que a concentração urbana deixasse de ser, apenas!, o reflexo do êxodo rural a que o desemprego obriga... Contudo e apesar do que os discursos mediáticos nos induzem a pensar, a população é ainda, de forma global, rural... e se por todo o mundo mas, também na Europa e, de forma particular, em Portugal, o meio rural é um reduto de desigualdade para as mulheres, é importante que as práticas que determinam esta realidade, sejam identificadas, assumidas e combatidas. A OIT e a comunidade internacional reconhecem a importância do problema e, por isso, vale a pena ler o excerto do texto que passo a transcrever, da autoria da Organização Internacional do Trabalho (e que, AQUI pode ser lido, na íntegra): 
"(...) Cerca de 70 por ciento de los pobres del mundo está concentrado en las comunidades rurales. Estas comunidades que dependen de la agricultura, la silvicultura, la pesca, la ganadería para ganarse la vida. Dentro de estas comunidades, los más pobres entre los pobres son con frecuencia mujeres y jóvenes que carecen de un empleo decente y regular, que padecen hambre o malnutrición, y que tienen una falta de acceso a la salud, la educación y los bienes productivos. Aunque las desigualdades de género varían de manera considerable entre las diversas regiones y sectores, existen pruebas de que, a nivel mundial, las mujeres se benefician menos del empleo rural - bien sea trabajo por cuenta propia o remunerado - que los hombres.
Existen diversas causas. En primer lugar, las mujeres están empleadas de manera desproporcionada en trabajos de baja calidad, incluyendo trabajos en los cuales sus derechos no son suficientemente respetados y la protección social es limitada. Otra razón, relacionada con la anterior, es que las mujeres reciben salarios inferiores que los hombres (cerca de 25 por ciento menos, para ser más precisos). Esto no significa que trabajen menos, al contrario. El problema es que gran parte del trabajo que realizan no es valorado ni remunerado como corresponde. De hecho, muchas mujeres rurales son trabajadoras familiares no remuneradas. Esto no sólo reduce su ingreso laboral, sino que además puede aumentar su nivel de estrés y fatiga.
La desigualdades de género en el empleo rural existen y persisten debido a una serie de factores sociales, económicos y políticos interrelacionados. Sin embargo, existe una causa específica que supera a todas las otras: el papel invisible, pero poderoso, de instituciones sociales que debilitan a un sexo frente a otro. Esto incluye las tradiciones, las costumbres y las normas sociales que rigen el complejo funcionamiento de las sociedades rurales, y que actúan como limitante de las actividades de las mujeres y restringen su capacidad de competir en igualdad de condiciones con los hombres. No queremos decir que las mujeres que viven en las ciudades no sufran la pobreza, pero el contexto rural suma una presión extra sobre la igualdad de oportunidades.(...)".

Erros Estruturais - o caso do BPN e da Cultura...


... vale a pena ouvir!

domingo, 25 de março de 2012

António Tabucchi, a escrita redescoberta...


... "Afirma Pereira", retrato de um país que persiste, arrastado pelos passos que caminham com a sensação de avançar muito pouco (e às vezes quase nada!), trouxe até nós Marcelo Mastroianni, pela mão do argumento de António Tabuchi... por isso, hoje, o dia em que António Tabucchi partiu, aos 68 anos, desta Lisboa que amou e lhe inspirou a vida e a escrita (ler aqui), é tempo de agradecer a obra que dele guardaremos e que, felizmente!, vai ser reeditada (ler aqui) para que possamos continuar a apreciar e valorizar o olhar que a fez nascer e com o qual podemos sempre repetir esse extraordinário exercício da nossa própria redescoberta!

Da Transversalidade Essencial da Cultura...


... a Cultura será sempre o maior aliado da nossa humana condição de seres viventes em sociedades cada vez mais complexas... por isso, não há idade para que a Cultura se torne o alimento do que nos faz o Ser e o Crescer... fica aqui, a fazer-nos lembrar essa série fantástica que as televisões em boa hora transmitiram "Era uma Vez o Homem..."... desta vez, num exercício criativo intitulado "O Fogo Mágico" que ilustra a vida num castro mais de uma centena de anos antes de Cristo...

sábado, 24 de março de 2012

Sonoridades Intemporais...

... "Azul é o Mar" de Carlos Bica...

O Tamanho de um País...

Sociomuseologia... pela mão de Alfredo Tinoco

"Cadernos de Sociomuseologia" é uma publicação regular que, do Movimento Internacional da Nova Museologia (MINOM) à Universidade Lusófona, encontrou um lugar seguro no âmbito da promoção do trabalho e da investigação museológica... e ontem, a título póstumo, foi publicado o exemplar da autoria de Alfredo Tinoco, etnomuseólogo, professor, cidadão e amigo, cuja capacidade de articular a teoria e a prática encontrou na sociomuseologia a transversalidade de uma área de trabalho privilegiada para concretizar, de forma coerente e integrada, a investigação-acção cujo fundamento encontramos, sempre!, na função social    dos fenómenos e dos saberes. "Cadernos de Sociomuseologia" de Alfredo Tinoco, um livro que, seguramente!, dá a pensar e enriquece, com a simplicidade e a grandeza generosa que caracterizou a sua forma de estar na vida.    

A Palavra...

"Março voltou, esta 
ácida loucura de pássaros 
está outra vez à nossa porta, 
o ar 
de vidro vai direito ao coração.´


Eugénio de Andrade
(via Sara Falcão Casaca no Facebook)

sexta-feira, 23 de março de 2012

Sonoridades Intemporais...

... "Morning Love" de Ravi Shankar...

quinta-feira, 22 de março de 2012

O Preço Político da Crise...

O preço da "ditadura" financeira e da ideologia política que lhe anda, por estes dias, associada em formas de expressão várias, assemelha-se cada vez mais a modelos ultrapassados de muito má-memória de que são testemunho os evidentes sinais de sentido contrário ao interesse público e ao bem-comum... está a acontecer em França em nome de estratégias eleitoralistas conjunturais e corporativas, como se pode constatar AQUI!... e está a acontecer entre nós, em Portugal, como hoje se testemunhou em dia de greve geral!... A Europa de 2012 aproxima-se (cada vez mais perigosamente!) do lado negro do que não queriamos que fosse... e a demagogia oportunista que a protagoniza não terá escrúpulos em a levar longe demais... para que conste!

A Tragédia da Ironia...

Condicionalismos?!

Da Greve Geral ao Movimento dos Sem Emprego...

COMUNICADO DE IMPRENSA

APRESENTAÇÃO DE MANIFESTO E PRESENÇA NA MANIFESTAÇÃO de 22 de MARÇO

O MOVIMENTO SEM EMPREGO apresenta o seu Manifesto.
A partir de agora, o MSE irá intensificar a sua luta em prol do pleno emprego para todos no cumprimento do Artigo 58.º da Constituição Portuguesa e do Artigo 23.° da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

O Manifesto do Movimento Sem Emprego encontra-se em http://www.movimentosememprego.info/docs/ManifestoMSE.pdf.

Este grupo de trabalhadores que alterna a sua condição entre o desemprego, o sub-emprego ou a precariedade, afirma estar empenhado na criação de um movimento para o combate político e para a defesa dos direitos deste sector social.
Com o desemprego a bater todos os recordes, os organizadores esperam que a luta política ajude a inverter a tendência para o isolamento das pessoas que ficam nesta situação e aposta tudo no envolvimento do maior número possível de desempregados, precários e sub-empregados ao apoio à greve geral e à participação na Coluna de Desempregados na Manifestação de dia 22 de Março, 15h00, na Praça do Rossio seguida de participação na Assembleia Popular.
Unidos pelo Direito ao Trabalho e à Dignidade!

Para mais informações contactar:
mobilizar@movimentosememprego.info
Site: http://www.movimentosememprego.info
Página no Facebook: http://www.facebook.com/groups/movimentosememprego/
Evento no Facebook (Coluna de Desempregados na Manifestação da Greve Geral): https://www.facebook.com/events/241646325927197/
Twitter: https://twitter.com/MovSemEmprego

quarta-feira, 21 de março de 2012

No Dia Mundial da Poesia...


... "No meu jardim"... de Miguel Torga...
... "Cântico do País Emerso" ... de Natália Correia...
... e ... "Portugal"... de Alexandre O'Neill...

A Celebração da Primavera...


... em 1940, W.Disney interpretou a 1ª parte da "Sagração da Primavera" de Igor Stravinsky como a alegoria da criação do universo... mais tarde, a tentativa de devolver à peça o seu sentido de celebração tribal pela mais paradigmática evocação da natureza, ilustrou assim a sua 4ª parte:

segunda-feira, 19 de março de 2012

Surpreendentemente... Alegria :)


... porque não permitiremos que nos destruam a Alegria... por muitos muros de silêncio que sejamos obrigados a construir e a respeitar, a Alegria será sempre a flor que, dentro de nós, não deixará de crescer, grata pela dádiva da vida, do amor e do saber... aqui, simbolizada com o tema que a tem por nome: "Alegria", do extraordinário e incomparável "Cirque du Soleil" - que me não canso de repetir...

Sons Femininos...


... o tema "Love is Rare", dos Morcheeba, na voz de Skye Edwards...

Do Cante como Património Imaterial da Humanidade...


... O Cante Alentejano é uma expressão cultural única do património imaterial que faz a nossa Humanidade, singular, diversa e universal... canto de trabalho e lazer, manifestação inequívoca da integração primeira da cultura na natureza, como dele disse o poeta já aqui tantas vezes repetido:

"Nunca vi um alentejano cantar sózinho
com egoísmo de fonte.

Quando sente voos na garganta,
desce ao caminho
da solidão do seu monte
e canta
em coro com a família do vizinho.

Não me parece pois necessária
outra razão
-ou desejo
de arrancar o sol do chão -
para explicar
a reforma agrária
no Alentejo.

É apenas uma certa maneira de cantar."

José Gomes Ferreira in Circunstância IV


... agora, o Cante pode vir a ser candidato a Património da Humanidade... Esperemos que a candidatura lhe faça jus e seja bem sucedida!... o Alentejo merece... e o registo da História da Humanidade agradece!

domingo, 18 de março de 2012

Hoje, mais do que nunca...


... um extraordinário poema a que a voz da autora, Natália Correia, confere a sonoridade exacta do sentir que o fez nascer e do que transmite, inscrevendo-nos na alma, o poder da palavra... gravado num serão na casa de Amália Rodrigues, na boa companhia de Vinicius de Moraes, David Mourão-Ferreira e José Carlos Ary dos Santos, eis "A Defesa do Poeta":

"Senhores jurados sou um poeta
um multipétalo uivo
um defeito
e ando com uma camisa de vento
ao contrário do esqueleto.

Sou um vestíbulo do impossível
um lápis de armazenado espanto
e por fim
com a paciência dos versos
espero viver dentro de mim.

Sou em código o azul de todos
(curtido couro de
cicatrizes)
uma avaria cantante
na maquineta dos felizes.

Senhores banqueiros sois a cidade
o vosso enfarte serei
não há cidade sem o
parque
do sono que vos roubei.

Senhores professores que pusestes
a prémio minha rara edição
de raptar-me em crianças
que salvo do incêndio
da vossa lição.

Senhores tiranos que do baralho
de em pó volverdes sois
os reis
sou um poeta jogo-me aos dados
ganho as paisagens que não vereis.

Senhores heróis até aos dentes
puro exercício de ninguém
minha cobardia é
esperar-vos
umas estrofes mais além.

Senhores três quatro cinco e sete
que medo vos pôs por
ordem?
que pavor fechou o leque
da vossa diferença enquanto homem?

Senhores juízes que não molhais
a pena na tinta da
natureza
não apedrejeis meu pássaro
sem que ele cante minha defesa.

Sou um instantâneo das coisas
apanhadas em delito
de perdão
a raiz quadrada da flor
que espalmais em apertos de mão.

Sou uma impudência
a mesa posta de um verso
onde o possa escrever
Ó subalimentados do sonho!
a poesia é para comer."

Natália Correia

Sonoridades...

... "The Awakening of a Woman" dos Cinematic Orchestra (via Leonor Balesteros no Facebook)

sábado, 17 de março de 2012

George Clooney e a Luta do Sudão...


... George Clooney, actor e realizador que dispensa apresentações, é, além de inteligente e corajoso, um Homem persistente na defesa das causas que defende... e o Sudão é, sem sombra de dúvidas, uma causa urgente e fundamental! Pelos cidadãos, pela vida, pelo direito à existência, à liberdade e à paz!... o Projeto "BASTA" é das poucas formas de visibilidade de que o mundo contemporâneo dispõe para dar voz e rosto à causa sudanesa! Eis o contexto em que se pode enquadrar o facto de George Clooney e o seu pai terem sido detidos numa manifestação contra a limpeza étnica que está em curso neste país e que, para além de todas as atrocidades, impede a entrada e a circulação de ajuda humanitária no território. Afinal, ainda há quem se não esqueça (apesar da fama!) e, felizmente para todos nós!, insista em se insurgir contra a crueldade e a tirania, exercendo sem restrições o direito de cidadania que nos assiste, em nome dos valores que sustentam a essência da nossa humanidade!... Por isso, aqui, hoje, fica expressa a justa admiração que George Clooney merece e, acima de tudo, a incondicional Solidariedade com o Povo Sudanês!

A Crueldade do Drama Grego...

O mais dramático efeito da crise, aquele de que ninguém quer ouvir falar ou melhor, aquele em que ninguém quer pensar, está em curso na Grécia, onde se sucedem os casos de abandono dos filhos, por parte de pais sufocados pelo estrangulamento económico e social a que o país foi conduzido... O drama que hoje atinge as famílias gregas é a mais negra sombra que paira sobre os cidadãos europeus... e o inequívoco testemunho da crueldade cega de um capitalismo financeiro e político sem escrúpulos a que, para infelicidade de todos, a Europa se rendeu (LER AQUI).

Extermínio de um Grupo Sexual - o Genocídio Silencioso das Mulheres


... nascer mulher pode ser a única razão para uma condenação sumária à morte!... é o que acontece em grande parte do planeta, onde o facto de uma criança nascer com sexo feminino é condição suficiente para que a sociedade se sinta com o direito de a eliminar. Deste modo, estranhamente, aos nossos olhos - apesar de tudo habituados ao exercício da violência sobre as mulheres - o valor social da vida dependente da condição biológica determinada pelo sexo, em vez de ser, como seria suposto!, percecionado como uma discriminação criminosa, é uma representação e uma prática social comum que atinge números assustadores, escandalosos e intoleráveis... segundo as Nações Unidas, 200 milhões de crianças desaparecem, assassinadas à nascença, sufocadas e abandonadas, apenas e só por serem... mulheres!... por razões que decorrem de uma política (formal e informal) de controle de nascimentos mas, acima de tudo, pela convicção social generalizada de que a mulher é, em termos de valor, uma mercadoria cujos custos não justificam o seu direito à existência...

sexta-feira, 16 de março de 2012

Da França de Sarkozy...


... porque "a cantiga (ainda) é uma arma", sim, claro!... vale a pena ouvir a "Valse à Sale Temps" de Manu Chao!...

quinta-feira, 15 de março de 2012

A Benção das Águas...

Rasgando, quase imprevista, os dias azuis desta intensa primavera, hoje, a chuva irrompeu do céu regando a terra, sob o céu cinzento que os relâmpagos iluminaram... na cidade, cujo chão ficou subitamente branco de pedras de granizo, soava a alegria dos campos celebrando a fertilidade e o chão bebendo, sequioso, a benção da água!... estava a tornar-se demasiado dolorosa esta espera que fazia os animais cheirar o pó dos solos endurecidos, à procura de uma qualquer plantinha que teimava em se manter invisível... hoje, renovou-se a esperança!... de que a mais austera seca desde há 81 anos seja, pelo menos, aliviada... foi por isso que, hoje, os olhos das pessoas até há pouco secos de olhar o céu sem pestanejar, se encheram de lágrimas...

quarta-feira, 14 de março de 2012

A Europa à Beira da Explosão Social...

António Guterres, Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, afirma que a Europa está à beira da "explosão social" porque as prioridades políticas persistem em valorizar a economia e as finanças, em detrimento da dimensão social (ler aqui). De facto, seria no mínimo avisado que os países da Europa do Sul exigissem a atenção da União Europeia!... porque a realidade decorrente das altissimas taxas de desemprego que caracterizam, a sul, a actualidade e a que se associa um ritmo migratório que se não verificava há muitas  e muitas décadas, em função dos incentivos a uma mobilidade viabilizada pelo elogio sem reservas a uma globalização desregulada, não pode ter outro resultado a não ser uma crise social (isto é, humana!) que, política e economicamente, nem os países mais ricos e aparentemente mais sustentados da UE, poderão enfrentar sem que isso signifique o colapso das condições de vida dos seus cidadãos e do modelo social que aí é, ainda!, vigente. Não se compreende, por esta razão, o motivo em que assenta o efectivamente infundado "regozijo" com que alguma comunicação social tem a ligeireza de afirmar que "o pico da crise" terá sido ultrapassado!!???... onde? para quem???...  

terça-feira, 13 de março de 2012

A Surpresa do Génio...

Para quem conhece e gosta de Wassily Kandinsky, esta obra de 1906 é, sem dúvida alguma, surpreendente!... como (diga-se, em abono da verdade!) convém ao génio do artista.   

segunda-feira, 12 de março de 2012

Anoitecer para Amanhecer...


"Gaivotas ao Anoitecer" de António Chainho e "Canto do Amanhecer" de Carlos Paredes - o som de um património...
.

domingo, 11 de março de 2012

Sonoridades Intemporais...

... "When You're Smiling"... por Louis Armstrong, claro!

Proximidades...

... uma espantosa e vibrante lição de Paco de Lucia e Ravi Shankar sobre a proximidade estrutural de uma das formas mais populares da música clássica indiana e o flamenco...

sábado, 10 de março de 2012

Tibete - Uma Luta com Mais de Meio Século...

Hoje, 10 de Março, completam-se 53 anos sobre a revolta tibetana contra a ocupação chinesa... por isso, hoje, no Chiado, um grupo de pessoas associou-se ao Grupo de Apoio ao Tibete para assinalar a data. Quase inacreditável, o facto é que, mais de 50 anos depois, para além da pena de morte (cujos números ninguém conhece!) e das manifestações de etnocídio que o elevadissimo de imolações de tibetanos tem protagonizado, a China continua implacável na afirmação de um domínio militar, social e político de um povo cuja cultura é inequivocamente distinta da sua. A recusa do reconhecimento chinês pela autonomia do "País das Neves" (que os jesuítas portugueses foram os primeiros ocidentais a conhecer!) é um fenómeno político altamente contraditório perante a sua presumida liderança económica contemporânea... porque, à luz da modernidade e do reconhecimento internacional dos Direitos Humanos, insistir em perspectivar o problema à luz da "ingerência na política interna" é, no mínimo, absurdo!... e se, como diz a simbologia, a China é um "dragão adormecido", está na hora de acordar e de perceber que a sua visão imperialista é uma visão feudal, incompatível com os valores da dignidade e da valorização da diversidade que caracterizam o pensamento mundial dos nossos dias - apesar dos maus exemplos que ainda estão presentes um pouco por toda a parte -mas que, perante a História, serão reduzidos à sua devida e justa insignificância! Neste contexto, vale a pena recordar a imprensa de então, nessa longínqua década de finais dos anos 50 e início dos 60, em que já se apelava, com contundência, a um Tibete Livre!

Dos "Fait-Divers" da Política ao Essencial...


... entre notícias da economia e da política, profunda e cansativamente repetitivas, que se esgotam em fait-divers que tentam sustentar a ilusão da mudança e da moralidade (do julgamento dos políticos na Islândia ao "perdão" da dívida grega que não impediu a Fitch de interpretar a medida como "incumprimento parcial" e de, uma vez mais, baixar o rating do país... ou das acusações de "deslealdade" de Cavaco Silva a José Sócrates -de que a História não registará uma palavra, diga-se de passagem!- ao cenário de agravamento da crise que, apesar da Primavera, continua a pairar na Zona Euro), deixemos emergir o sorriso e a alegria...  

sexta-feira, 9 de março de 2012

Do Cinema e da Arte em Tempos em Crise...

Apesar do reconhecimento internacional que, na mais recente edição do Festival de Berlim, atribuiu a dois realizadores portugueses prémios de mérito (ver aqui), o cinema português entrou, apesar de tudo (ler aqui), num período de luto (ler aqui). De facto, a interrupção do Fundo de Investimento ao Cinema e ao Audiovisual põe em causa o desenvolvimento de uma das artes maiores do nosso tempo - e se é sempre lamentável que assim aconteça no campo da criação e da promoção cultural porque nada substitui a função social da arte, no caso do cinema, a questão assume contornos particulares sobre os quais vale a pena reflectir... não só pelo que significa para esta indústria nacional emergente e para a vida dos profissionais do sector mas, também, porque actualmente a multimedia é uma linguagem do simbólico privilegiada e, neste sentido, relegar para segundo plano o investimento na criação cinematográfica, significa reduzir o espaço de oportunidades dos mais jovens no que respeita ao desenvolvimento de motivações e competências culturais. A questão não pode, por isso, ser considerada de importância menor em tempos de crise, quando a violência espreita e as catarses criativas são uma das mais eficazes formas pedagógicas de resposta à participação cívica. E se os termos em que aqui colocamos o problema não tem sido o ângulo de abordagem mais comum desta realidade, vale a pena relembrar que, ao contrário de uma visão em muito ultrapassada pela realidade, num mundo cujo processo de mudança alterou indiscutivelmente o mercado de trabalho e em que a chamada globalização informativa incorporou o quotidiano dos cidadãos através da televisão, da internet e das redes sociais, a intervenção cultural não pode continuar a ser perspectivada como mero instrumento de lazer mas, isso sim, como uma dimensão integradora do desenvolvimento multifactorial dos indivíduos e das sociedades.