... agora, sim: o vídeo a que se reporta o post "EM NOME DO FUTURO"!!!...
terça-feira, 27 de novembro de 2012
ONU Contra a Mutilação Genital Feminina
Hoje, pela primeira vez, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma Resolução que condena a Mutilação Genital Feminina, solicitando aos Estados a condenação desta prática e a promoção de medidas concretas que a penalizem e previnam cívica e educacionalmente, garantindo a mulheres e crianças, vítimas e potenciais vítimas deste flagelo, o direito a uma vida digna, com respeito pela sua integridade física e psicológica (LER AQUI)... o regozijo e o aplauso pela tomada desta decisão da ONU é inequivocamente louvável... e ... tardia!...
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
domingo, 25 de novembro de 2012
Sonoridades Intemporais...
... Stan Getz e John Coltrane, ao vivo em Dusseldorf, nos idos de 1960...
Da Violência Contra as Mulheres (actualização)...
Hoje, 25 de Novembro, assinala-se o "Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres", momento em que não podemos relativizar o facto de, em Portugal, só este ano, já terem sido assassinadas, até momento, 30 mulheres (ver anotação no final do texto)! No espaço doméstico e no espaço público, por razões históricas que o presente perpetua, mulheres e crianças são os mais expostos e vulneráveis ao exercício de todas as formas de violência... designadamente, porque, ao longo do tempo, foram estes os grupos sociais que menos capacidades de defesa aprenderam e vivenciaram, face ao que as dinâmicas históricas desenvolveram como grupo dominante pelo recurso à força como forma de resolução dos problemas... deste modo, como em todos os reflexos comportamentais enraizados pela cultura que os perpetua, aos olhos da opinião pública e da perceção das relações interpessoais, o problema "legitimou-se" apenas e só pela sua repetição constante - mimesis que conduziu a uma espécie de perspectiva assente numa espécie de banalização que, podemos dizê-lo!, adquiriu estatuto formal de recurso psicossocial no contexto da análise das chamadas "relações de poder". O século XX, na senda da valorização das ciências humanas e dos estudos sociais, revelou os condicionalismos subjacentes a um crime "silenciado" pelas famílias e ignorado pela sociedade e promoveu a criação de instrumentos legislativos, comunicacionais, educacionais e cívicos capazes de combater o flagelo... Contudo, ainda hoje, em pleno século XXI, a realidade continua a fazer um número elevadissimo e intolerável de vítimas, sendo previsível o seu aumento exponencial em contextos de grave crispação social e crise económica. É, por isso, fundamental insistir na mensagem de que não podemos deixar sucumbir a voz da razão e do conhecimento subjacente ao Humanismo que, coletivamente, construimos, exigindo, cada vez mais, contundentemente, o seu reforço e a sua consolidação. Insistir nas campanhas contra a violência, promover esta consciência em todas as fases da educação, mobilizar meios de comunicação, protagonistas políticos e toda a opinião pública, mantendo atualizada a informação e promovendo a sua visibilidade como forma de "despertar consciências" para a urgente necessidade de alteração destas práticas sociais, é determinante para reduzir um fenómeno que, além de matar pessoas, causa danos invisíveis e irreversíveis em quem os vive! Neste contexto e no âmbito deste fim-de-semana dedicado à luta contra a violência contra as mulheres (vejam-se os 3 posts anteriores que aqui reproduzem os esforços nacionais nesse sentido), em que se integra, de forma transversal, a problemática da violência contra as crianças e os idosos - porque em todos os grupos sociais, a maior parte das vítimas são mulheres, vale a pensa ler a entrevista (lamentavelmente, apenas disponível em língua inglesa) da socióloga Sylvia Walby.Anotação: as estatísticas variam em função de inúmeros factores que vão do tempo de recolha às fontes; por isso, atendendo à atualização que vai sendo divulgada, vale a pena referir a informação da UMAR que indica 49 tentativas de homicídio e 36 crimes consumados - ver AQUI... já agora, a propósito de actualizações, ler também a informação que se divulga AQUI)...
(registe-se que a entrevista chegou via Sara Falcão Casaca e a imagem via Paula Brito, no Facebook)
sábado, 24 de novembro de 2012
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Um Arrepio...
... se o passarinho não fosse uma beleza, diria que a penugem está a reagir à proposta de orçamento para 2013 em discussão na AR (ler um exemplo paradigmático AQUI)...
(link para texto via Catarina Martins e imagem via Francisco Gentil Apolónio no Facebook)
(link para texto via Catarina Martins e imagem via Francisco Gentil Apolónio no Facebook)
Da Estratégia 2020 ao Orçamento Europeu...
A proposta de orçamento apresentada pelo Conselho para o financiamento comunitário entre 2014 e 2020, implica uma redução de 80 mil milhões de euros (ler AQUI)... considerando que a coesão europeia se encontra seriamente comprometida na sequência da "crise" e da recorrente "austeridade" cujo impacto vai continuar a agravar as debilidades sociais dos Estados-membros, (designadamente, dos países da Europa do Sul), esta proposta é o rosto inequívoco do antagonismo entre os interesses dos países que consideram consolidadas as respetivas economias e os chamados "países periféricos" (expressão que, inequivocamente, evidencia a conceptualização hierárquica que, afinal e apesar de tudo o que foi dito ao longo das duas últimas décadas!, subjaz à "construção europeia"). A proposta que, à primeira vista, visa apenas "controlar" os custos da participação comunitária aos países mais ricos, assume, em última análise, muito mais do que esta constatação simplista, denotando o enveredar por uma opção que mais contribui para o desmoronamento da arquitectura da União Europeia tal como a conhecemos, do que para a redução das suas assimetrias internas, promovendo a degradação de uma harmonia que se reconhece indispensável ao crescimento do investimento e do emprego... em causa estão opções políticas de natureza muito profunda que requerem um sentido de responsabilidade social que parece alheado das preocupações dos protagonistas que, supostamente, defendem e representam os interesses públicos dos cidadãos europeus... O futuro de todos nós depende agora do "braço-de-ferro" e do argumentário técnico-político destes protagonistas à mesa das negociações e de que se espera o que os sacrifícios das pessoas exigem: a defesa intransigente de objectivos económicos e sociais em detrimento de demagógicas posições (e alianças) ideológicas que acabarão por se reduzir a uma guerra de interesses financeiros que os mais frágeis não podem ganhar. O futuro do projeto comum europeu está à beira da consolidação... ou da implosão!
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
A Palestina não pode esperar!...
... a tragédia continua... até que os protagonistas compreendam a dimensão do atentado que persistem em perpetuar... (LER AQUI)... e Gaza não pode esperar pelos "ajustes de contas" entre agressores que ignoram os direitos humanos em nome dos mitos e dos medos com que inventam justificações para a guerra!... Pela Paz e o Direito à Vida do Povo da Palestina!
(imagem e notícia chegaram Maria João Fitas no Facebook)
terça-feira, 20 de novembro de 2012
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Da Responsabilização pelo Empobrecimento...
Aumentou entre 45% e 50% o número de pessoas a precisar de ajuda para sobreviver (ler e ver AQUI). A informação da Caritas tem a dimensão do anúncio do terror que sustenta o medo e a ameaça que paira sobre mais de metade da população... em 2010, o Diário Económico prenunciava, assente em dados que, afinal, nem sequer estavam correctos, o risco de pobreza em 2 milhões (ler aqui) e o tétrico é perceber a incapacidade e a incompetência com que, ao invés de se tentar prevenir para evitar o cenário catastrófico implicado pela notícia, se deixou que se tornasse realidade... hoje, o número total de pessoas muito pobres em Portugal ultrapassou, em muito!, os dois milhões e regista-se a dificuldade da sua atualização porque o número aumenta todos os dias!... e está aí, na rua, diante dos nossos olhos, num retrato terrível da cidade que, a partir do meio de cada mês, nos faz encontrar, nas avenidas, pessoas a pedir ajuda - pessoas que aparentam um perfil de cidadania coincidente com a representação que temos da classe média!... São desempregados, pensionistas, reformados, pessoas com empregos precários, cada vez mais novos, os que, homens e mulheres, recorrem, cada vez mais, ao espaço público... para "pedir" provavelmente, longe do espaço da sua residência para reduzir os custos da vergonha que justamente sentem como atentado à dignidade da existência. Se equacionarmos este cenário no quadro das dinâmicas do fenómeno da pobreza, sabendo que é uma realidade que se reproduz e perpetua geracionalmente e podemos, por isso, saber que, já no muito curto e no médio prazo, populações inteiras são sacrificadas à pobreza e a viver abaixo dos limites condignos que reconhecemos como um direito. É preciso responsabilizar a produção e a promoção do empobrecimento. A pobreza é um crime contra a Humanidade!
domingo, 18 de novembro de 2012
sábado, 17 de novembro de 2012
Não há mal que sempre dure...
... celebro aqui, com o poema na voz de Zeca Afonso, o renascer da esperança nos campos do Alentejo. Com as primeiras chuvas, o verde e as flores cobriram as paisagens e o gado pasta, enfim!, devagar e feliz - ultrapassado o medo da fome que o verão anunciava, na persistente e vã procura de uma erva que fosse, na terra endurecida e seca! Os campos alentejanos celebram, neste novembro que vai a meio, a benção da chuva... e a terra floresce, agradecida, revitalizada e cheia de pujança, a vitória sobre um tempo que parecia interminável!...
Etiquetas:
Direitos Humanos; Educação; Natureza;
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Do Placebo da Austeridade...
... a economia europeia continua em queda... agora, depois de terem culpado e sacrificado soberanias, economias e povos do sul, a "crise" avança o seu ritmo de agravamento pelos que, sobranceiramente, se consideraram imune... quase oficial, a notícia faz hoje título de primeira página na imprensa: Alemanha e França estão à beira da recessão (ler AQUI). E agora? ...vão pedir perdão da "dívida", ajuda ao FMI, exigir mais sacrifícios aos "países periféricos" (note-se o requinte ideológico da expressão que vale a pena interpelar no âmbito de uma concepção política teoricamente fundada na "igualdade de tratamento": periféricos de quem, já agora?)... ou, finalmente, mudar as regras de uma gestão económico-financeira ruinosa e destruidora da vida, da dignidade e dos direitos fundamentais?
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Leituras Cruzadas...
A Europa está na rua! Ontem, 14 de novembro, os sindicatos de 23 países aderiram à greve e as manifestações foram o rosto do espaço público das principais cidades europeias... Pela mobilização sintonizada dos cidadãos, torna-se incontornável a razão que cada povo, sózinho, tem mais dificuldade em demonstrar em termos de eficácia, ou seja, no que se refere ao impacto político das reivindicações. O exercício da cidadania é, de facto!, um instrumento poderoso de pressão no sentido da urgente mudança social que é preciso levar à prática, sob pena da violência se tornar o rosto da contestação cívica. Em Portugal, a greve foi um sucesso e é fundamental não confundir "árvores e florestas", contrariar o medo e manter a lucidez!... porque as imagens da violência que agora nos chegam já tão de perto, nas ruas de Lisboa, não podem substituir a leitura de uma realidade que significa que o país se aproxima a ritmo vertiginoso de ter, numa já demograficamente deficitária população activa, cerca de 1 milhão de desempregados!... Um número desta ordem é, incontestavelmente, assustador e sinónimo de que o caos social atingiu as famílias portuguesas a um tal ponto que se justifica a adesão massiva às sucessivas manifestações que contestam, mais que justamente, a designada política "de austeridade"... e se ao facto, acrescentarmos os dados do desemprego que atinge os jovens e que se aproxima, perigosamente, dos 40%, há uma leitura política que a União Europeia e os Governos não podem deixar de fazer sob pena da situação social se degradar até ao descontrole gratuito... Neste contexto, das duas, uma: ou mudam as regras da (des)regulação económico-financeira europeia ou podemos preparar para a emergência de extremismos que criam condições para a consolidação dos movimentos ditatoriais. A violência gera violência e os confrontos vão deixando rasto nas ruas de uma Europa que viveu em paz durante décadas mas que, abusivamente, a ideologia política dominante não soube aproveitar e valorizar, legitimando uma degradação de que não pode resultar outra coisa senão o conflito que penaliza inocentes, enfraquece a democracia e reforça o uso da força. Ontem, 14 de novembro, os povos europeus ganharam pela convergência de uma justa contestação!... mas, como não podia deixar de ser, aos olhos de quem conhece e analisa os fenómenos relativos às dinâmicas da violência social, houve provocações, exibições, sangue, medo, perseguições e demagogia... Agora, sentimo-nos, todos!, lesados na reivindicação de uma justiça social que queremos continuar a defender... porque é pela associação da violência política e da violência física que a razão e a paz costumam perder as guerras...
Ricardo Alves no Esquerda RepublicanaCarlos Fonseca no Solos Sem Ensaio
Alexandre Rosa* no Olhares do Litoral
Estrela Serrano no Vai e Vem
Valupi no Aspirina B
Rui Bebiano no A Terceira Noite
Sofia Loureiro dos Santos no Defender o Quadrado
João Ricardo Vasconcelos no Activismo de Sofá
Carlos Barbosa de Oliveira no Crónicas do Rochedo
Francisco Clamote no Terra dos Espantos
(o link para o texto assinalado com * foi acrescentado ao fim do dia)
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
terça-feira, 13 de novembro de 2012
14 de novembro - a união europeia...
... contra a "austeridade" que destrói a Europa Social que queremos! Para que as regras mudem e a UE seja, de facto, o espaço comunitário onde as pessoas contam mais! Pela cidadania, amanhã é dia de união europeia!
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Das Alternativas ao Preço Alemão da Austeridade...
Angela Merkel deu uma entrevista à RTP que foi transmitida domingo, na véspera oficial da sua visita aos governantes portugueses. Para além dos destaques que foram sendo comentados, o mais interessante e simultaneamente doloroso foi ter comprovado o maior de todos os receios, isto é, que, de facto!, a liderança europeia tem como única preocupação, em termos de economia política, o facto de, nas palavras da própria Chanceler: "90% do crescimento internacional acontecer fora da Europa". A afirmação nada teria de espantoso nem sequer de assustador, não fosse a leitura que a própria faz do fenómeno: "temos que ter produtos competitivos (...) temos que vender à China, à Índia e à Indonésia (...)"... parece óbvio? Sim, parece!... à luz da empobrecida e desumana lógica do capitalismo ultra-liberal, parece... porém, o significado da afirmação implica consequências tão gravosas para a vida dos cidadãos europeus que, sobre ela, urge a prioridade de toda a reflexão política. Na verdade, o que a constatação implica, designadamente no contexto do seu reconhecimento pela sra. Merkel e após a sua sentença de indisponibilidade para renegociar a "dívida" (ou, dito de outro modo, os termos do famigerado Memorandum), é que a austeridade que a Alemanha impõe à Europa age conscientemente no sentido do empobrecimento social até obter mão-de-obra tão barata quanto for preciso para... se poder competir com preços chineses, indianos e indonésios!... O preço que a Alemanha está disposta a pagar para competir com os mercados emergentes é a dignidade da vida dos cidadãos europeus!... e é isto -tão só e apenas isto!- o que está em causa!... Quando seria muito mais fácil, digno e justo optar por uma lógica de produção no espaço comum europeu vocacionada para o seu (imenso!) mercado interno e cujo remanescente específico pudesse, a título de acréscimo, exportar o que de singular soubessemos produzir... Quer dizer, se em vez de continuarmos a abastecer os mercados europeus com alimentos e bens de 1ª e 2ª necessidade importados, os produzissemos, a Europa libertar-se-ia do jugo da dependência de um jogo gratuito centrado na lógica de uma globalização fundada na circulação de bens que mais não é do que a margem de manobra dos especuladores que vivem da manipulação das exportações... enfim! Assim se demonstra que a "crise" não é, objectivamente!, um problema inevitável e sem solução mas, isso sim, uma realidade que hipoteca a vida das pessoas, ao invés de optar por um modelo económico que garanta a autonomia e a sustentabilidade da Europa... consequentemente, a raiz e a solução do problema têm uma natureza essencialmente ideológica!... e é esta incontornável realidade que está nas mãos dos políticos que temos... o que podemos esperar? Aquilo que, com esta consciência, formos capazes de fazer, ultrapassando os obsoletos modus operandi da praxis político-partidária a que os seus protagonistas se habituaram e nos habituaram, em nome da defesa dos seus "feudos"...
domingo, 11 de novembro de 2012
Da VIII Convenção do BE...
Catarina Martins e João Semedo, além das boas leituras sobre os problemas que afectam os portugueses e a Europa em geral e de que fazem eco nos seus discursos, trazem à nova liderança do Bloco de Esquerda, um humanismo e uma genuinidade que merece destaque - nomeadamente porque, regra geral, os dirigentes políticos vão, cada vez mais, perdendo os laivos destas caracterísiticas. De facto, curiosamente, a imagem inicial com que os dirigentes aparecem no panorama partidário português tem vindo a ser, sem excepções!, ultrapassada por estereótipos de imagem, na postura e na discursividade, que, ao contrário do que seria desejável, afastam as pessoas e diminuem a sua credibilidade - na exacta medida em que pensam estar a dar sinais de crescimento da sua capacidade de afirmação. Porém, a verdade é que os estereótipos relegam a proximidade indispensável à influência pública para planos progressivamente mais distantes da capacidade de interagir e a artificialidade da "compustora protocolar" aproxima de tal modo a representação mediática dos protagonistas que os seus discursos, mesmo se radicalmente diferentes, ficam amputados na percepção dessa diferença em que uma espécie de imagem sobranceira (e que mereceu a alguma esquerda ser intitulada como "caviar") se impõe ao olhar crítico dos cidadãos que buscam autenticidade nos protagonistas político-partidários... Por isso, para além da qualidade dos argumentos, do olhar frontal, honesto e franco e de um tom de voz sensato e ponderado, é bom contar com um Bloco de Esquerda liderado por Catarina Martins e João Semedo! Parabéns a ambos por aceitarem o repto paritário e pela determinação de coordenar sem linhas divisórias um colectivo que gosta de debater, com seriedade, a diferença! Esperando que não percam a genuína forma de ser e de estar e que resistam ao distanciamento que o tempo e o protagonismo têm tendência a desenvolver, penso que as pessoas, cidadãos e cidadãs deste país, vão gostar de os encontrar, de falar convosco e acreditar na autenticidade da mensagem que transmitem. Num tempo que requer, simultaneamente, firmeza, objectividade e capacidade de desenvolver sinergias indispensáveis à defesa e ao reforço da Democracia, ficam os votos de sucesso e Bom Trabalho!
Do protagonismo de Angela Merkel...
A Chanceler Angela Merkel protagoniza o rumo da política europeia contemporânea e é esse o único motivo pelo qual as pessoas a referem criticamente!... porque, tal como a realidade evidencia, os povos dos países que integram o espaço comum europeu não têm condições objectivas para resistir ao impacto social das medidas financeiras adoptadas em nome de resgates que os tornam, cada vez mais, reféns! ... As sociedades europeias precisam de medidas que incentivem efectivamente o crescimento económico e promovam o emprego; contudo, toda a lógica da designada "austeridade" mais não faz do que agravar as condições que destituíram os cidadãos do direito a uma vida digna... o caso da mulher que, em Espanha, se suicidou minutos antes de ser "despejada" (por não conseguir cumprir as exigências da respetiva hipoteca bancária) é paradigmático e, ao que parece, a sociedade espanhola fez Rajoy perceber a extrema gravidade do que está a acontecer... é isso que, no mínimo, se exige à política financeira: que compreenda e reveja os procedimentos que exige aos cidadãos (porque os Países e os Estados são, essencialmente, Pessoas!) de modo a viabilizar o desenvolvimento... e a proteger a vida!
Quem Canta, Não Esquece... Luta!
Milhares de militares manifestaram o seu descontentamento contra a designada "política de austeridade"... a iniciativa (ler Aqui) teve já ecos internacionais (ler AQUI)... por muito que os queiram relativizar, os sinais emitidos pelas sociedades serão sempre o maior indicador do estado da arte da política e da economia!
sábado, 10 de novembro de 2012
Do II Encontro "Pensar com Arte"...
“A Arte de Crescer – O
Ponto de Viragem entre a Etnopediatria e a Educação
(...) Quero, antes de mais, saudar
a realização deste II Encontro “Pensar
com Arte”, em particular através do elogio sem reservas à respetiva
comissão organizadora constituída pelas educadoras da Biblioteca Municipal de
Alandroal, à Câmara Municipal de Alandroal e ao Agrupamento Escolar de
Alandroal (...). Cabe-me, por isso, a honra
de agradecer o convite para voltar a participar nesta 2ª iniciativa temática,
cuja designação aponta os dois (...) dois tipos de
destinatários subjacentes ao título da iniciativa “Pensar com Arte”, a saber:
as crianças e jovens em processo de aprendizagem do Ser e do Saber e os agentes
educativos da comunidade socio-cultural envolvente de que destaco:
educadores/as, professores/as, pais e instituições concelhias. (...) por motivos
profissionais (...) não me é possível participar
presencialmente neste Encontro (...) [mas] posso, por intermédio da Educadora Maria José Manuelito,
minha amiga de sempre que todos conhecemos pelo afetuoso diminutivo de Zézinha,
colaborar nesta edição do “Pensar com Arte” (...).
Sob o mote “Aprender a
Crescer – Ponto de Viragem entre a Etnopediatria e a Educação”, proponho-me
trazer à consideração analítica e ao debate dos presentes, uma temática que me
é cara e que incide na figura da criança e do jovem, enquanto objetos dos
processos de aprendizagem e aquisição de conhecimentos. De facto, entre os
mecanismos da educação informal, inerentes ao contacto humano que o nascimento
inaugura e os processos institucionais que compõem a educação formal, o
crescimento das crianças configura-se, perante o olhar distanciado dos
teóricos, como uma composição progressiva resultante das interações
socio-culturais do meio em que estão inseridas. (...) Por esta razão, dada a
responsabilidade social inerente ao processo relacional entre adultos e
crianças, justifica-se pensar esta tripla realidade (o crescimento da criança
enquanto tal, o papel dos agentes educativos que nele intervêm e a relação
estabelecida entre crianças e agentes educativos) como um processo em “continuum” e em simultâneo que, numa
perspetiva didáctico-pedagógica, se pode caracterizar como “arte”, no caso, a arte de aprender a
pensar e de ajudar a pensar.
Na perspetiva de fator
endógeno do desenvolvimento, pelo papel que desempenha na formação da “personalidade cultural” dos indivíduos e
das populações, a educação é, muito além do processo formativo que nela também
se configura, uma dimensão em que convergem enculturação e socialização, uma
vez que se não esgota no processo de instrução formal que a escolarização
protagoniza. (...) Esta chamada de atenção é
particularmente interessante porque fundamenta a importância do reconhecimento
de uma ainda relativamente nova área do conhecimento designada “etnopediatria” (...) [que] enquanto
área inter e transdisciplinar, cruza conhecimentos retirados da antropologia,
da sociologia, da psicologia, da biologia e da medicina, definindo-se a partir
da premissa de que as diretrizes relativas à educação são construções culturais
mais ou menos adequadas às necessidades biológicas das crianças. Neste contexto, vale a pena
pensar no que justifica a minha escolha desta abordagem como contributo para o
II Encontro “Pensar com Arte” e que consiste, concretamente, no conceito de “criança” na perspetiva da etnopediatria.
Porquê? Porque, no âmbito etnopediátrico, considera-se que o modelo da infância
(...) deve considerar que, a partir do 1º ano de idade, a criança deve
passar a ser encarada como “criança
respeitável” (ou seja, como um ser digno de respeito), uma vez que o seu
desenvolvimento passa a uma fase de progressiva aquisição de autonomia e de
independência – a qual requer adequações educativas no sentido de atender,
competentemente, ao desenvolvimento das competências que essa dimensão implica. (...)
Esta consciência é de um significado profundíssimo e incontornável no que se refere às considerações sobre os modelos educativos e as estratégias metodológicas de ensino-aprendizagem contemporâneas, em que a padronização dos sistemas formais de instrução tende a sub-valorizar as dimensões da problemática educativa que é preciso retomar – se pretendemos que a função social da educação promova, de facto, o desenvolvimento de competências capazes de garantir aos mais novos, a aquisição de representações sociais e de um funcionamento cognitivo dotado de capacidades de adaptação, indispensáveis ao mundo “de incerteza” em que vivemos, cujo paradigma se opõe ao da “estabilidade” que marcou decisivamente a normatividade subjacente às cosmovisões que a mudança social reconfigurou, particularmente, com o desenvolvimento das dinâmicas socio-culturais e económico-políticas das últimas décadas.
Esta consciência é de um significado profundíssimo e incontornável no que se refere às considerações sobre os modelos educativos e as estratégias metodológicas de ensino-aprendizagem contemporâneas, em que a padronização dos sistemas formais de instrução tende a sub-valorizar as dimensões da problemática educativa que é preciso retomar – se pretendemos que a função social da educação promova, de facto, o desenvolvimento de competências capazes de garantir aos mais novos, a aquisição de representações sociais e de um funcionamento cognitivo dotado de capacidades de adaptação, indispensáveis ao mundo “de incerteza” em que vivemos, cujo paradigma se opõe ao da “estabilidade” que marcou decisivamente a normatividade subjacente às cosmovisões que a mudança social reconfigurou, particularmente, com o desenvolvimento das dinâmicas socio-culturais e económico-políticas das últimas décadas.
Eis o essencial da mensagem
que quero trazer, como contributo, para a reflexão e o diálogo que este II
Encontro “Pensar com Arte” deve suscitar: é preciso pensar com arte a própria
educação e é preciso ensinar as crianças a pensar com arte! É preciso pensar com arte a
educação porque o vertiginoso ritmo da mudança social impõe aos agentes
educativos, a responsabilidade de adaptarem os modelos educativos às dinâmicas
socio-culturais, numa atitude sem dogmas, essencialmente assente na permanente
análise dos sistemas de representação e de crenças da sociedade local envolvente
e na sua articulação com os padrões normativos da sociedade global que, cada
vez mais, nos fica mais próxima, de uma forma harmoniosa e sem ruturas que
provoquem condições facilitadoras da (des)inserção social local e global. E é preciso ensinar as crianças
a pensar com arte porque o mundo contemporâneo vai requerer, de cada uma delas,
uma capacidade adaptativa cada vez maior, que devem estar preparadas para
praticar sem traumas e sem resistências gravosas no que se refere ao cômputo
das hipóteses de resiliência e sucesso que a vida em sociedade lhes vai exigir.
Deste ponto de vista, a
filosofia para crianças constitui-se como um instrumento didáctico-pedagógico
de interesse fundamental que é preciso desenvolver e implementar; por outro
lado, é necessário que as entidades institucionais concelhias e os equipamentos
culturais locais tenham a preocupação permanente de dimensionar e planificar as
suas atividades, orientando-as sempre, mais ou menos diretamente, para o
cumprimento deste objetivo que é aprender e ensinar a pensar… No caso do Alandroal é,
também, o que esperamos vir a poder fazer com o trabalho a desenvolver no
âmbito do Centro de Estudos do Endovélico… e, para isso, contamos com a vossa
colaboração e apoio.
Muito obrigado.
Ana
Paula FitasLisboa, 08 de Novembro de 2012"
Do Banco Alimentar à Irresponsabilidade Social
A importância da existência de estruturas de apoio às instituições que contribuem para que as pessoas sobrevivam é, nomeadamente em contextos de crise que provocam a escalada desmedida e transversal da pobreza, uma obrigação societária e não pode depender de protagonismos voluntaristas. É, por isso, mais do que justa a indignação de todos nós quando a pessoa responsável pela gestão do Banco Alimentar em Portugal, profere uma intervenção ideologicamente atentatória da dignidade das pessoas, através de um empobrecido e inaceitável discurso que, para além de assentar em valores demagógicos e intelectualmente inválidos, denota a evidência de uma insustentável fundamentação teórica para a prática de uma ação que caberia a um Estado Social decente ou, no mínimo, a organizações eticamente dotadas de um inequívoco sentido de responsabilidade social. Nesta perspectiva, o Movimento Sem Emprego publicou um texto intitulado "Carta Aberta - Uma Canja para Jonet" que nos cabe partilhar para que, em caso algum, a solidariedade social seja confundida com o paupérrimo espírito da "caridadezinha" de má-memória que prolonga ditaduras pelo conformismo que suscita a um preço social inadmissível em contextos democráticos:
"CARTA ABERTA
Uma canja para a Jonet
gostaríamos de lhe dizer frontalmente, com o mínimo de mediações, que o nível das suas declarações é aviltante, sobretudo para aqueles com quem se diz preocupar e em nome dos quais desfruta o brunch da beneficência. Queremos dizer-lhe, antes de lhe devolver cada um dos insultos para citar nas vernissages, que o movimento que lhe escreve luta sobretudo para que ninguém se habitue ao empobrecimento. O nosso combate, todos os dias, é pelo pleno emprego e pela justa distribuição do trabalho, única via que identificamos para não ter que contar com o seu negócio a cada vez que falta capital ao mês. Fala-lhe um grupo de pessoas, jovens e menos jovens, desempregados, precários, sub-empregados, gente que se empenha quotidianamente para derrotar quem, como a senhora e a Merkel, insiste em mascarar de caridade o saque que estão a fazer às nossas vidas.
Sabemos que preside à Federação Europeia dos Bancos Alimentares Contra a Fome, posição que ocupa desde Maio de 2012, e que a sua influência aumenta na proporção da miséria que se nos vai impondo. Sabemos que é rica e privilegiada e nunca falou da fome com a boca vazia. Sabemos que sabe que não falta miséria para alimentar de matéria-prima a sua fábrica. Sabemos que olha para os pobres com desdenho, nojo, pena. Sabemos que na hora de fazer a contabilidade aquilo que a move é a sua canja, o seu ceviche, não o caldo dos outros.
Afirma que vamos ter que "reaprender a viver mais pobres", quando a senhora só sabe o que é viver mais rica, que "vivíamos muito acima nas nossas possibilidades" quando é sua excelência que tem vivido às nossas custas, que "há necessidade permanente de consumo, de necessidade permanente de bens para a satisfação das pessoas" quando em nenhum momento da sua vida a falta de verba lhe deu tempo para ganhar água na boca. Atira-nos à cara, com a lata da Chanceler, que os seus filhos "lavam os dentes com a torneira a correr" e que se nós "não temos dinheiro para comer bifes todos os dias, não podemos comer bifes todos os dias", quando cada vez mais o problema das pessoas é ter casa onde os filhos possam lavar os dentes e onde os bifes nunca ganharam a tradição dos que são fritos no conforto das Arcádias. Em tempos sombrios, poucos provaram o lombinho do seu talho predilecto, aquele que sempre visita com generosidade, antes dos fins-de-semana que costuma fazer com requinte, no crepúsculo alentejano.
Deixe-nos explicar que enquanto pensava que à sua volta "estava tudo garantido, alguém havia de pagar", éramos nós, os nossos pais e avós, que lhe aviavam a mesada. Perceba que a cada momento em que delira com a cegueira de que "cá em Portugal podemos estar mais pobres, mas não há miséria", abastece-se à confiança do nosso fiado e das nossas dores de barriga. Entenda, que o tamanho dos seus disparates não abafa os murmúrios da pobreza e a miséria. Deixe-nos dizer que um milhão e meio de desempregados, com a fome e a subnutrição visível das urgências dos hospitais às cantinas das escolas públicas, a cólera já sobra às páginas dos jornais do dia. Deixe-nos dizer-lhe que o tempo não é de substituir o "Estado Social" pelo "Estado de Caridade", mas de pelo menos ter tanto cuidado com os pobres como com aquilo que se diz.
Pode caluniar os nossos pais, que nem o histerismo fútil com que os brinda não a torna capaz de encontrar exemplo de quem troque a bucha pela ida ao Super-Rock. Pode gritar, sem sequer dar ao luxo do fôlego, que eles "não souberam educar os filhos", que a cada desabafo nos permite desvendar um pouco mais o véu das suas intenções, da origem do seu soldo.
O seu mundo, caríssima Jonet, é um decalque da propaganda do Governo, um corpo torpe atirado à máfia de capatazes e dos carcereiros, aqueles que lhes têm ajudado a arranjar mais e mais margem de lucro no plano financeiro da sua pérfida empresa.
O mundo de Jonet é o mundo da classe dominante, do privilégio, da riqueza, do poder desmesurado, dos estereótipos que ajudam a lavar o sangue que lhe escorre das unhas. No mundo de Jonet, as PPPs, os submarinos, a exploração, o assalto dos governantes, são propaganda subversiva ao serviço de gente acomodada, inútil, descartável. No mundo de Jonet "não existe miséria" como "em Portugal", não é assim? Em suma, no mundo de Jonet não se vive o que é preciso para se ganhar um pingo de vergonha.
Se estiver disponível, teríamos todo o gosto em entregar-lhe esta carta em mãos.Sem cordialidade mas com muito mais educação,
Seus detractores,
O Movimento Sem Emprego."
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Do Luar que se Faz Dia...
... perto de Juromenha (Alandroal), junto às águas de Alqueva, há noites que reflectem assim o luar :)) ... a fotografia de Miguel Claro Summary divulgada no "Reserva Dark Sky" do site da Nasa, chegou-nos via João Maria Grilo (no Facebook)...
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Barack Obama - A Vitória do Povo nos EUA
Barack Obama foi reeleito! Ganhou o povo americano que optou pela política de aproximação ao desempenho de um Estado que assume como prioritária a dimensão social, ao contrário do que apregoa o neoliberalismo (com os resultados que, finalmente!, se revelam numa "crise" que já não há véu que dissimule)... Vale a pena acreditar!... porque: "YES, WE CAN!".
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Sonoridades Intemporais...
... porque os tempos requerem armas para vencer o stress e a alma precisa de leveza para enfrentar os dias, fica a sugestão da Sonata para Piano nº20, em G maior, opus 49, nº2 de Ludwig van Beethoven...
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Direitos Humanos...
domingo, 4 de novembro de 2012
sábado, 3 de novembro de 2012
"Refundar" significa "Implodir" o Estado Social...
Antes de mais, "Refundar o Estado" é uma expressão ridícula!... O Estado não precisa de "refundações" e os neologismos dispensam tão gratuita "criatividade", principalmente quando não servem para absolutamente mais nada do que legitimar demagogias, disfarçadas de inovações com sentido. O Estado é uma estrutura de controle da vida da Polis que o Tempo, a História e a Consciência Social identificaram com as noções de Bem-Estar dos Cidadãos, pelo reconhecimento da justeza racional do conceito de Igualdade. Por esta razão, sumária mas incontestável, ao Estado foi associada a ideia de garante do Bem-Comum, pela responsabilidade política assumida da distribuição equitativa do direito ao acesso dos serviços mínimos indispensáveis à coexistência social: Educação, Saúde, Justiça, Segurança Social - apenas para citar os mais óbvios. Contudo, dada a persistência dos conflitos de interesses entre os destituídos do poder económico e os protagonistas deste poder, designadamente, políticos, a conquista da consagração da vigência dos Direitos Humanos nas sociedades (e estamos a falar nas chamadas sociedades ocidentais "democráticas"), foi um processo lento e difícil, materializado como reacção colectiva perante a trágica lição da II Grande Guerra Mundial e a necessidade de congregação de esforços contra o mais cruel dos ditadores e contra a mais desumana das ideologias liderada por Hitler em nome de um "nacional-socialismo" de má-memória e infeliz designação. Hoje, 67 anos depois da vitória sobre o "Holocausto", experimentada que foi "à exaustão" a economia delirante dos que não deixaram de defender a inutilidade do planeamento económico-social, invocando a capacidade de auto-gestão da lei da oferta e da procura para conduzir a Humanidade à ilusão doentia do "sonho americano" a qualquer preço e sem qualquer consideração por esse "a priori" incontornável que são os condicionalismos humanos inerentes à gestão do poder, vêm agora entidades criadas ao abrigo da multiplicação dos mecanismos de salvaguarda dos mercados, absolutamente indiferentes ao valor da vida humana que sustenta a existência social, invocar pretensas necessidades de "refundação" do Estado!? Tétrica e terrível forma de assegurar que a política, a economia e as finanças decidiram, definitivamente, assumir pública e internacionalmente um posicionamento ideológico bárbaro e medieval, defensor dos anónimos grupos financeiros que mantêm a concentração da riqueza planetária, indiferente a essas outras estruturas (países, povos, sociedades e culturas) que consideram "menores" e que tratam como "subalternos" que é preciso ajudar a sobreviver na exclusiva e exacta medida da necessidade da sua subserviência para efeitos de mão-de-obra e consumismo. "Refundar o Estado"? ... a expressão é um insulto à inteligência das pessoas e uma manipulação descarada da dignidade humana que, a troco de procedimentos político-financeiros, hipoteca a vida das famílias e dos cidadãos em nome do cumprimento de um estratagema ignóbil para se aparentar uma desresponsabilização política sobre os efeitos sociais que as opções daí decorrentes, arrastarão... como disse Alfredo Bruto da Costa, presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz, pedir apoio ao FMI para reduzir a despesa do Estado "é completamente vergonhoso"!...
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
As Palavras... de Vasco Lourenço
A notícia que se transcreve, pode ser lida AQUI... quanto à imagem, chegou-nos via A Cinco Tons... sem comentários... obviamente!
"Expresso - Lusa
O capitão de Abril defende que Portugal deve sair do euro e que a Europa não escapa à destruição do Estado Social.
O "capitão de Abril" Vasco Lourenço considera que uma guerra na Europa é inevitável, se esta se continuar a "esfrangalhar", e defende a rápida saída de Portugal do Euro, preferencialmente em conjunto com outros países na mesma situação.
"A Europa vai esfrangalhar-se, vem aí a guerra inevitavelmente", disse, referindo-se à "destruição do estado social" e à "falta de solidariedade que está a haver na Europa".
O presidente da Associação 25 de abril, em entrevista à agência Lusa, recordou que a Europa tem atravessado o maior período de paz da sua história, desde a Segunda Guerra Mundial, o que só foi possível graças à conquista pelos cidadãos do direito ao Estado social, à proteção, à saúde, à educação e à segurança social.
Saída atempada da UE
Recorrendo à fábula da rã que é cozida sem dar por isso, porque está dentro de uma água que vai aquecendo aos poucos, Vasco Lourenço não tem dúvidas de que é preferível a rutura do que "deixarmo-nos cair no abismo para onde este Governo e a Europa nos estão a atirar".
Como alternativa aponta a saída atempada e programada da União Europeia e do euro, manifestando esperança de que haja condições para Portugal ser capaz de se ligar a outros países nas mesmas circunstâncias e tentarem encontrar soluções coletivas.
"Se possível seria ideal sairmos com outros países, porque as dificuldades serão muito maiores se sairmos isolados. Agora se houver um conjunto de países que estão em dificuldades que se unam e concertem a sua saída do euro, é capaz de ser muito melhor e dá-nos a possibilidade de darmos a volta por cima".
Reconhecendo que não será fácil conseguir essa articulação, Vasco Lourenço mostra-se convicto de que muito provavelmente os outros países em situação semelhante à portuguesa estarão a discutir o mesmo tipo de possíveis saídas.
"É preciso juntar esforços e chegar à conclusão que todos teremos a ganhar se unirmos esforços dos vários países contra quem está neste momento a ocupar-nos não militarmente, mas financeira e economicamente", disse.
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Somos Todos Guaranis-Kaiowa! Todos!
Os Guaranis-Kaiowa (ler AQUI) estão a enfrentar problemas de sobrevivência identitária que podem implicar o seu etnocídio. Por isso, está disponível uma petição cujo objectivo é travar esta violação de Direitos Humanos. Pelo direito à identidade, à dignidade e à diversidade que caracteriza o mais autêntico património da Humanidade, colabore, leia e assine AQUI.
"
Carta da comunidade Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay-Iguatemi-MS para o Governo e Justiça do Brasil
Nós (50 homens, 50 mulheres e 70 crianças) comunidades Guarani-Kaiowá originárias de tekoha Pyelito kue/Mbrakay, viemos através desta carta apresentar a nossa situação histórica e decisão definitiva diante de da ordem de despacho expressado pela Justiça Federal de Navirai-MS, conforme o processo nº 0000032-87.2012.4.03.6006, do dia 29 de setembro de 2012. Recebemos a informação de que nossa comunidade logo será atacada, violentada e expulsa da margem do rio pela própria Justiça Federal, de Navirai-MS.
Assim, fica evidente para nós, que a própria ação da Justiça Federal gera e aumenta as violências contra as nossas vidas, ignorando os nossos direitos de sobreviver à margem do rio Hovy e próximo de nosso território tradicional Pyelito Kue/Mbarakay. Entendemos claramente que esta decisão da Justiça Federal de Navirai-MS é parte da ação de genocídio e extermínio histórico ao povo indígena, nativo e autóctone do Mato Grosso do Sul, isto é, a própria ação da Justiça Federal está violentando e exterminado e as nossas vidas. Queremos deixar evidente ao Governo e Justiça Federal que por fim, já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso território antigo, não acreditamos mais na Justiça brasileira. A quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas? Para qual Justiça do Brasil? Se a própria Justiça Federal está gerando e alimentando violências contra nós. Nós já avaliamos a nossa situação atual e concluímos que vamos morrer todos mesmo em pouco tempo, não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui. Estamos aqui acampados a 50 metros do rio Hovy onde já ocorreram quatro mortes, sendo duas por meio de suicídio e duas em decorrência de espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas.
Moramos na margem do rio Hovy há mais de um ano e estamos sem nenhuma assistência, isolados, cercado de pistoleiros e resistimos até hoje. Comemos comida uma vez por dia. Passamos tudo isso para recuperar o nosso território antigo Pyleito Kue/Mbarakay. De fato, sabemos muito bem que no centro desse nosso território antigo estão enterrados vários os nossos avôs, avós, bisavôs e bisavós, ali estão os cemitérios de todos nossos antepassados.
Cientes desse fato histórico, nós já vamos e queremos ser mortos e enterrados junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje, por isso, pedimos ao Governo e Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas solicitamos para decretar a nossa morte coletiva e para enterrar nós todos aqui.
Pedimos, de uma vez por todas, para decretar a nossa dizimação e extinção total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar os nossos corpos. Esse é nosso pedido aos juízes federais. Já aguardamos esta decisão da Justiça Federal. Decretem a nossa morte coletiva Guarani e Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay e enterrem-nos aqui. Visto que decidimos integralmente a não sairmos daqui com vida e nem mortos.
Sabemos que não temos mais chance em sobreviver dignamente aqui em nosso território antigo, já sofremos muito e estamos todos massacrados e morrendo em ritmo acelerado. Sabemos que seremos expulsos daqui da margem do rio pela Justiça, porém não vamos sair da margem do rio. Como um povo nativo e indígena histórico, decidimos meramente em sermos mortos coletivamente aqui. Não temos outra opção esta é a nossa última decisão unânime diante do despacho da Justiça Federal de Navirai-MS.
Atenciosamente, Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay"
domingo, 28 de outubro de 2012
"Fim de Linha" - O Estado Da Arte...
Uma partida é também um regresso... porque a vontade de ficar não deixa que se parta ou se regresse completamente e apenas adia... o eterno retorno com que se planta e cresce e colhe a semente dos dias! Regressar é bom mas, partir tem sempre o valor da expectativa, próxima da esperança... por isso, regresso, do outro lado do mundo, preparada com um indicador de realidade que acabei de descobrir num texto cuja excelência literária e política justifica, sem sombra de dúvidas, a citação de Henrique Custódio em "Fim de Linha"...
sábado, 27 de outubro de 2012
No deserto, nem todas as vozes são alucinações!
A entrevista de Maria João Rodrigues é uma espécie de voz no deserto... vale a pena ouvir! AQUI.
Das Campanhas da Direita...
Um texto de José Manuel Correia Pinto que vale a pena ler para que não haja equívocos: "Das Campanhas Que a Direita Tem em Curso"...
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Uma História Exemplar...
LA TORTUGA EN EL POSTE
Un joven está paseando por la plaza de un pueblo y decide tomar un descanso. Se sienta en un banco... al lado hay un señor de más edad y, naturalmente, comienzan a conversar sobre el país, el gobierno y finalmente sobre los Legisladores y similares.
El señor le dice al joven:
- "¿Sabes? - LOS POLITICOS SON COMO UNA TORTUGA EN UN POSTE."
Después de un breve lapso, el joven responde:
- "No comprendo bien la analogía... ¿Qué significa éso, señor?"
Entonces, el señor le explica:
"Si vas caminando por el campo y ves una tortuga encima de un poste de alambrado haciendo equilibrio"
¿Qué se te ocurre?
Viendo la cara de incomprensión del joven, continúa con su explicación:
- Primero: No entenderás cómo llegó ahí.
- Segundo: No podrás creer que esté ahí.
- Tercero: Sabrás que no pudo haber subido solita ahí .
- Cuarto: Estarás seguro que no debería estar ahí.
- Quinto: Serás consciente que no va a hacer nada útil mientras esté ahí.
"Entonces lo único sensato sería ayudarla a bajar."
Un joven está paseando por la plaza de un pueblo y decide tomar un descanso. Se sienta en un banco... al lado hay un señor de más edad y, naturalmente, comienzan a conversar sobre el país, el gobierno y finalmente sobre los Legisladores y similares.
El señor le dice al joven:
- "¿Sabes? - LOS POLITICOS SON COMO UNA TORTUGA EN UN POSTE."
Después de un breve lapso, el joven responde:
- "No comprendo bien la analogía... ¿Qué significa éso, señor?"
Entonces, el señor le explica:
"Si vas caminando por el campo y ves una tortuga encima de un poste de alambrado haciendo equilibrio"
¿Qué se te ocurre?
Viendo la cara de incomprensión del joven, continúa con su explicación:
- Primero: No entenderás cómo llegó ahí.
- Segundo: No podrás creer que esté ahí.
- Tercero: Sabrás que no pudo haber subido solita ahí .
- Cuarto: Estarás seguro que no debería estar ahí.
- Quinto: Serás consciente que no va a hacer nada útil mientras esté ahí.
"Entonces lo único sensato sería ayudarla a bajar."
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Arte; Pensamentos; Literatura; Reflexões;
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
terça-feira, 23 de outubro de 2012
domingo, 21 de outubro de 2012
Mais Jornalismo, Mais Democracia...
A liberdade de expressão chega a confundir-se com a definição de democracia e, apesar desta ser uma forma redutora de pensar o modelo político a que caberia o exercício concreto de uma praxis caraterizada pela materialização dos Direitos Humanos, o jornalismo é, sem dúvida, o comprovativo maior de uma existência política livre e plural... e se o seu papel social se tem alterado excessivamente, por força dos ditames do "mercado", o facto é que, dadas as suas potencialidades, está sempre sob o olhar atento do controle da comunicação de massas... por isso, mais do que nunca, é preciso defender o jornalismo e demonstrar a solidariedade pública com os seus protagonistas, de forma inspiradora para a coragem que, cada vez mais, é, não só, necessária mas, urgente. Está por isso disponível uma Petição que vale a pena assinar: AQUI.
sábado, 20 de outubro de 2012
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Do Discurso de Merkel ao Futuro da Europa...
Há reflexões que vale a pena citar, sem enquadramento... é o caso dos dois textos que se seguem, de autoria de José Manuel Correia Pinto:
"O DISCURSO DE MERKEL EM BUCARESTE
O discurso da Chanceler em Bucareste sobre a crise europeia ilustra com uma clareza meridiana o radical antagonismo que hoje existe entre as duas formas de encarar o sistema capitalista e os meios que podem ser mobilizados para enquadar a politica económica.
Merkel foi mais uma vez completamente fiel à velha Escola de Viena de que Gaspar é também um "bisneto" fiel. Na economia o que interessa é a oferta. E é por via da melhoria da oferta que tudo se resoverá. Não há fórmulas mágicas, diz ela. O único contexto que se exige é a liberdade.
Ou seja, as pessoas não contam. Os sacrificios serão aqueles que a liberdade exigir. Muitos ou poucos, é indiferente. O que importa é que a parte podre desapareça. Portanto, essa coisa de medidas para o crescimento não passa de uma miragem, diz a Chanceler.
O que é que nos fazemos nesta Europa se dentro dela estamos completamente subjugados?"
O discurso da Chanceler em Bucareste sobre a crise europeia ilustra com uma clareza meridiana o radical antagonismo que hoje existe entre as duas formas de encarar o sistema capitalista e os meios que podem ser mobilizados para enquadar a politica económica.
Merkel foi mais uma vez completamente fiel à velha Escola de Viena de que Gaspar é também um "bisneto" fiel. Na economia o que interessa é a oferta. E é por via da melhoria da oferta que tudo se resoverá. Não há fórmulas mágicas, diz ela. O único contexto que se exige é a liberdade.
Ou seja, as pessoas não contam. Os sacrificios serão aqueles que a liberdade exigir. Muitos ou poucos, é indiferente. O que importa é que a parte podre desapareça. Portanto, essa coisa de medidas para o crescimento não passa de uma miragem, diz a Chanceler.
O que é que nos fazemos nesta Europa se dentro dela estamos completamente subjugados?"
"A EUROPA E O FUTURO
No Politeia tenho escrito muitas vezes sobre a Europa, sobre a crise, sobre o euro, sobre a dívida, enfim, sobre o que se passa no continente europeu.
Hoje a minha desafeição é total. Não porque tenha deixado de ser internacionalista, não porque não considere o federalismo o estádio supremo da convivência política entre os povos, mas porque a Europa destruiu os dois elementos fundamentais da relação entre os seus membros e os seus cidadãos – a fides (a confiança) e o foedus (o pacto entre iguais). E isto já não tem remédio."
No Politeia tenho escrito muitas vezes sobre a Europa, sobre a crise, sobre o euro, sobre a dívida, enfim, sobre o que se passa no continente europeu.
Hoje a minha desafeição é total. Não porque tenha deixado de ser internacionalista, não porque não considere o federalismo o estádio supremo da convivência política entre os povos, mas porque a Europa destruiu os dois elementos fundamentais da relação entre os seus membros e os seus cidadãos – a fides (a confiança) e o foedus (o pacto entre iguais). E isto já não tem remédio."
(citações via Facebook)
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Direitos Humanos Debaixo de Fogo!
Vale a pena ver "A Fome dos Camponeses", um documentário de Clément Fonquerine e Piet van Strombeek, realizado em França, em 2006, com o título original "La Faim des Paysans: Les Labours du Futur" agora com narração em português... Em tempos de "crise", não só continuam por resolver as questões mais urgentes e mais importantes da Humanidade (a fome, a pobreza, o desemprego, a qualidade da água, a repressão policial, a violência e em particular, a violência contra as mulheres) como, para além do seu agravamento e da regressão na sua visibilidade e reconhecimento públicos, enfrentamos o grave e sério risco destas realidades serem esquecidas, obliteradas e ultrapassadas pelo ruído político dos mercados... os Direitos Humanos estão "debaixo de fogo"!
(o vídeo chegou via Manuela Araújo no "Sustentabilidade é Acção")
domingo, 14 de outubro de 2012
Leituras Cruzadas...
... há coisas a que nem a distância resiste... é o caso da recente atribuição do Prémio Nobel da Paz (?!) sobre o qual, com a devida deferência, faço minhas as palavras de Eduardo Maia Costa no Sine Die... mas, porque há exemplos que mantêm uma atualidade implacável, aproveito para evocar o texto de Raul Iturra no Aventar... e partilhar o apelo de Bruno Santos Ribeiro no Moescar, bem como a Carta Aberta (2) de Eugénio Lisboa que Manuel Pacheco publicou no Coisas que Podem Acontecer... e pronto... para quem está longe, é suficiente para dar nota de vida :))
sábado, 13 de outubro de 2012
Nada de novo, a Ocidente?!...

Longe, poucas são as notícias que me vão chegando de um país sobre o qual já ouvi perguntar se pertencia à Alemanha!!??... pois... pelos vistos a imagem que se vai construindo é aquela que a comunicação social permite, com a escolha das prioridades por que opta e com a redação que considera relevante - alinhada, se me permitem dizê-lo!, num código de interesses coincidente com o dos investidores, sem atender minimamente aos interesses dos cidadãos e menos ainda, à verdade!... bom, o certo é que, no meio do deserto e do quase silêncio que o ruído dos mercados oculta, para além de mais uma grande manifestação protagonizada pela CGTP contra a política governamental "de austeridade" (ver AQUI), saiu a Declaração do Congresso Democrático das Alternativas (onde não estive por me encontrar fora do país), cujo texto vale a pena ler... fica o link para divulgação, crítica e reflexão: AQUI.
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Da Liquidação do Desenvolvimento...
Atravessamos, seguramente, a maior crise do neoliberalismo que os seus defensores alguma vez puderam imaginar e que os seus opositores sempre recearam sem, contudo, preverem a celeridade com que se chegaria ao ponto de ruptura em que nos encontramos. Os mercados, os mecanismos internacionais de controle financeiro, a Europa e os governos perderam a cabeça e insistem na prática exclusiva do mais radical instrumento de manipulação política: a redução da capacidade de sobrevivência de cidadãos, famílias e populações. Deste modo, garante-se o inevitável aumento do ritmo de diminuição do crescimento que, pela drástica descida de salários e apoios sociais associada à escalada de aumento de impostos, conduzirá ao grau de "crescimento zero" dos países que têm garantido a existência de um Estado Social que os mercados elegeram como inimigo público nº1 da lógica do máximo lucro. Por isso, os anúncios políticos deste massacre social podem ser feitos em nome dos custos de um "incumprimento" que hipotecará, de todo, o pagamento dos salários de que depende a sobrevivência das pessoas. Não há alternativa? Há alternativa(s), sim... há alternativas mas são alternativas que passam, incontornavelmente!, por uma mudança ideológica profundissima que, provavelmente, os políticos contemporâneos não são capazes de ter a humildade e o saber de construir... que ninguém se convença que uma qualquer operação de cosmética política pode mudar o que é, efectivamente, decisivo, mudar! Mais do que o descontrole financeiro da dívida pública que, alegadamente, "afundou" as economias e as soberanias nacionais, o descontrole da gestão financeira tem um norte: proteger o mundo da alta finança e hipotecar milhares e milhões de cidadãos, cujo direito a uma vida com dignidade fica, cada vez mais, irremediavelmente hipotecado - por ser, afinal!, o preço desta "jogada final" do neoliberalismo selvagem.
(ler AQUI e AQUI)
Desemprego e Direitos Humanos...
Em Portugal, a taxa de desemprego oficial atingiu os 15,9%, reiterando a urgência de uma análise objetiva e frontal do problema... Torna-se por isso, imperiosa a divulgação do que mais claramente se escreve sobre a matéria. É o caso do texto que aqui divulgamos, da autoria do MSE - Movimento Sem Emprego, cujo próximo plenário vai decorrer amanhã, dia 4 de outubro, pelas 18.30h no Parque Polivalente de Santa Catarina - Calçada da Combro nº82A (Lisboa). Vale a pena ler:
"Mais Desempregados, Mais Desobedientes
A pobreza, como afirmou Amartya Sen, não é só o estado em que uma pessoa não consegue ingerir os nutrientes necessários para ter uma vida saudável. É também o estado em que um individuo não consegue participar em actividades sociais nem ser livre de vergonha pública por não conseguir satisfazer as convenções sociais prevalecentes no meio em que se insere – tornaram-se comuns as referências à pobreza “escondida” ou “envergonhada” de quem tudo tenta para manter a ilusão externa de bem-estar material. A dignidade é a última coisa que muitos rendem. A visão emergente da pobreza afirma que a condição do pobre não se limita ao seu nível de rendimento – a condição de pobreza é igualmente afectada pela relação entre o individuo e o meio em que se insere. A exclusão social surge portanto como um factor preponderante na condição dos pobres. Um individuo pobre é aquele que não se consegue integrar nas actividades que estão no centro da vida social da mesma maneira que os outros. Um individuo pobre é aquele que não consegue exercer a plenitude dos seus direitos. Resta-nos portanto identificar os mecanismos que aumentam e perpetuam a pobreza, e as actividades à volta das quais orbita a vida social.
Os governos que se têm sucedido em Portugal têm consistentemente demonstrado pouca vontade e ainda menos capacidade de distribuir a riqueza e de permitir a ascensão social aos membros mais pobres da sociedade. E é esta incapacidade que condena uma secção considerável da população à exclusão social e subsequentemente para a desobediência civil, no mínimo, e por vezes ao crime, ao desespero e até ao suicídio. As estatísticas demonstram claramente que com a subida do desemprego, multiplicam-se os pequenos actos de revolta de quem se recusa a passar fome ou viver em prisão domiciliária apenas porque alguém decretou que são excedentes humanos – vulgo, desempregados. Por exemplo, nos primeiros seis meses de 2012 registou-se o dobro de passageiros a viajar sem bilhete em comparação com o mesmo período em 2011. Já a Carris, a STCP, o Metro de Lisboa e do Porto estimam que 42 mil passageiros viajam sem bilhete todos os dias. Face ao flagelo que é a falta de mobilidade dos desempregados e dos mais pobres em Portugal, o Governo e as entidades que gerem os transportes reagem com subidas de preços para extorquir ainda mais de quem pode pagar (e forçando muitos outros a deixar de poder), junto com maior fiscalização, sendo esta última medida igualmente uma razão para a subida do número de multas penalizando quem viaja sem pagar. Porém, devemos pôr estes números em contexto. A mobilidade está no centro da vida social. Com que moral é que um governo pede às pessoas que se tornem prisioneiros domiciliários porque este é incompetente demais para assegurar a mobilidade dos cidadãos, quer através da criação de emprego (para que possam pagar o preço cada vez mais exorbitante dos transportes mal-geridos) quer através da criação duma rede de transportes pública, competente e ao serviço da população? A capacidade de se deslocar para procurar emprego, para visitar familiares, entes queridos e amigos é central. É um direito. Direito esse que a subida do desemprego retira a uma secção cada vez maior da população. Este estado só cultiva a espiral de exclusão e desespero.
Mas a falta de mobilidade não é o único factor que limita os direitos dos desempregados. A fome em Portugal está igualmente a crescer exponencialmente. O consumo de proteínas está a cair drasticamente, e o número de pessoas que é obrigado a recorrer a instituições de caridade para se poder alimentar está igualmente a subir de maneira vertiginosa. O roubo de alimentos em supermercados disparou desde 2011. Sobem igualmente os casos de utentes de serviços hospitalares que não pagam as taxas moderadoras. Espera-se das pessoas não só que fiquem fechadas em casa, mas também que se alimentem de raios solares. Concluí-se que os governos neoliberais gostariam que os desempregados fossem plantas de vaso, daquelas que se guardam na varanda de casa. Mas as pessoas resistem.
Hoje, quando se fala em desobediência civil, conjuram-se imagens de manifestantes sentados no chão, recusando sair do caminho da polícia. Mas é isto tudo o que a desobediência civil pode ser ou até já foi? Thoreau, “pai” da desobediência civil, recusou-se a pagar impostos que alimentavam guerras injustas e foi para a prisão por isso. Ghandi usou-a na Marcha do Sal para dar um golpe pela independência económica dos trabalhadores indianos de impostos ingleses sobre o sal. E precisa esta desobediência de ser anunciada publicamente para ser resistência? Como enquadraríamos então as famílias alemães que esconderam judeus durante a Segunda Guerra Mundial? É menos desobediência civil porque foi feita em segredo? Podemos então concluir que a desobediência civil tanto pode ser económica e financeira como pode ser feita em segredo sem por isso perder o seu valor enquanto acto político que desgasta um sistema injusto.
O contra-argumento previsível é que estas pessoas não estão realmente a agir por necessidade mas sim por capricho. Isso é ignorar o sistema em que vivemos. A destruição das condições de vida da população não é por acidente mas por design. Qualquer acto da população que procure resistir e manter algum tipo de dignidade é portanto necessariamente político, mesmo que desenquadrado duma campanha maior e direccionada de desobediência civil.
A subida de incidências de roubo de comida e evasão de pagamento nos transportes são somente dois exemplos de como a subida do desemprego e da pobreza em Portugal estão a resultar numa subida de casos de desobediência civil a que cada vez mais cidadãos são obrigados recorrer para poderem sobreviver. A pergunta portanto é, a que ponto é que recorrer a actos de desobediência civil não é cada vez mais necessário para uma secção da população cada vez mais condenada à pobreza e à exclusão social? E até que ponto é que a subida do número de actos de desobediência civil não é de facto o resultado directo e inevitável das políticas de empobrecimento e desemprego do Governo? De qualquer das formas, um facto é inegável – o direito da população portuguesa a uma vida digna está cada vez mais a ser posto em causa e uma parte cada vez maior da sociedade encontra-se condenada à exclusão social e à pobreza."
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