domingo, 19 de maio de 2013

Sózinhos na Sala...

"Estamos sózinhos na sala..." dizia, há pouco, José Sócrates no seu comentário semanal... e reiterava, afirmando que somos já o único bom aluno, que estamos sózinhos na sala e que já nem há professores para tutelar a defesa da ideologia da austeridade que subjugou a Europa... a mesma Europa de que alguns partidos alemães querem expulsar os países do sul, em que a Alemanha não cresce, em que a França entrou em recessão técnica e em que, além da Irlanda, da Grécia, de Portugal e do Chipre, a Espanha e a Itália estão economicamente demolidas... Disse-o hoje, de forma feliz (infeliz mas lucidamente!), na rubrica semanal da RTP1 "A Opinião de José Sócrates", resumindo a contemporaneidade e a essência da realidade portuguesa:
 

Do Carisma Político...

Álvaro Cunhal  
Cem anos
A vida põe-nos na cara aquilo que somos,agora ,olhem para as caras dos nossos "governantes"e comparem...
No centenário de Álvaro Cunhal, vale a pena visitar a Exposição aberta ao público até ao próximo dia 2 de Junho, no Pátio da Galé, à Rua do Arsenal (junto ao Terreiro do Paço), em Lisboa... para evocar e ter presente que é possível ser Político e Acreditar na Força da Convicção para a Mudança... ou, de outro modo dito, para relembrar a essência carismática da Política.

Do Carisma Político...


Álvaro Cunhal  
Cem anos
A vida põe-nos na cara aquilo que somos,agora ,olhem para as caras dos nossos "governantes"e comparem...

sábado, 18 de maio de 2013

Manuel Alegre com Nuno Ramos de Almeida!

Hoje, no Facebook, Manuel Alegre escreveu:
"Neste momento o PS é um partido de oposição que tem de romper com a pior coisa que aconteceu ao nosso mundo que foi o bloco central dos interesses.
Essa ruptura com a ausência de alternativas e com este neo-rotativismo, que historicamente levou à queda da monarquia em Portugal, é fundamental. As pessoas têm de saber que fazem escolhas. Que a democracia é uma escolha e que elas não são monopolizáveis pelos directórios partidários e que significam mesmo políticas diferentes. É necessária uma ruptura em Portugal.
"
... e sugere a leitura da entrevista que deu ao Nuno Ramos de Almeida!... Duplamente aconselhável, digo eu... para ler AQUI!

Não há vazios...

(via Flávio Pinho no Facebook)

Diminuiu a Receita dos Impostos?!...

... ontem, foi notícia o facto da receita resultante dos impostos ter diminuido em 2012... a razão, segundo a comunicação social televisiva, decorreu da recessão económica... pois... de qualquer modo, seria mais útil a frontalidade: face ao desemprego é óbvio que não poderia ter sido de outro modo! A gestão económica e financeira que a "austeridade" tem liderado denota, a passos largos!, a incompetência que a sustenta... Pena é que os lesados sejam sempre os mesmos: os trabalhadores e os desempregados!

Sonoridades...

(via Filomena Rodrigues no Facebook)

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Resistir... porque Querer é Poder...

... "Die Rote Blume" isto é, "Os Cravos Vermelhos"... (via Helena Pato no Facebook)

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Do Lápis Azul aos "Acasos" Informáticos...

A Censura, como todos os mecanismos de controle social, também se adapta, adequa e socorre das novas tecnologias... por isso, as novas formas de linguagem e comunicação que, nas chamadas "redes sociais", se configuram em blogues, facebook's e afins, são produtos susceptíveis desses procedimentos. O que está em causa é, ainda e sempre!, o direito à liberdade de expressão por um lado e, por outro, o medo da razão, da cultura, da liberdade e da verdade - porque, como bem se sabe: "Só a verdade é revolucionária"... e o despojamento dos interesses corporativos aproxima-nos da capacidade de reação eficaz pelo reforço cultural da consciência crítica que nos distancia da manipulação com que nos tentam adormecer os que nos preferem calados! Porém, nos tempos que correm, é cada vez mais urgente levantar o pensamento e, completando o que um dia Sebastião da Gama formulou, dizendo: "Pelo Sonho é que Vamos", é tempo de afirmar: "Pela Liberdade de Expressão é que se Faz o Caminho da Mudança e, consequentemente, da Revolução!". É preciso reinventar a Palavra, o Tom, o Conteúdo e a Forma e devolver à Opinião a força lúcida da Razão com que reescreveremos a Realidade... porque a História não Acaba Aqui!
(Este texto foi escrito a pensar solidariamente no que é, para mim, o melhor blogue de análise política da blogosfera portuguesa: POLITEIA

domingo, 5 de maio de 2013

Todos os Dias...

... são DIA DA MÃE!

Da Austeridade Europeia à Violação dos Direitos Humanos...

É uma iniciativa inédita mas, a realidade a isso obriga: a  Amnistia Internacional alerta para as consequências da austeridade na União Europeia, dando voz ao sentimento generalizado de que a gestão político-económica contemporânea está a conduzir a realidade social a um patamar inusitado na União Europeia (pelo menos, com a dimensão coletiva que estamos a verificar) e que nos afasta, a passos largos, da consideração (até há uns anos, inequívoca) de que o espaço comum europeu é um território desenvolvido onde estão assegurados os direitos sociais.. de tal forma que está a ser assinado um Protocolo que permite a apresentação de denúncias e o recurso direto à justiça nas Nações Unidas, após a falta de respostas adequadas por parte das instâncias nacionais, sempre que estejam em causa ou que os governos falhem no cumprimento dos direitos relativos à àgua, à saúde, à educação, à habitação condigna e à segurança social (ler Aqui)... e se é difícil medir, à partida, o resultado concreto deste dispositivo, cientes de que o tempo de concretização e resolução dos processos não é o desejável (nem, provavelmente, o necessário e suficiente) para atender às necessidades das pessoas, a verdade é que a iniciativa é profundamente emblemática do estado real do desenvolvimento civilizacional europeu... e do papel histórico que a ideologia neo-liberal germânica e das instituições financeiras internacionais está a provocar na vida dos cidadãos e dos povos, abrindo uma guerra contra as massas de dimensões trágicas, enquadradas em valores que nos remetem para relações feudais de servilismo e vassalagem, onde desemprego e fome são a moeda de troca.    

Sonoridades Intemporais...

... pela genial arte da mão e da alma de Nobuyuki Tsujii, um jovem pianista cego japonês, a "Campanella" de Liszt... (o vídeo chegou via Helena Pato no Facebook)

sábado, 4 de maio de 2013

Do País entre a Política e a Gestão da Ruína...

No 39º aniversário do PSD não esteve presente nem um dos seus anteriores dirigentes!.. este "detalhe", potencialmente relativizável!, é, neste momento, um indicador incontestável do apoio social da atual governação!... De facto, apesar do seu estado de negação da realidade (sustentado pelo poder da palavra de Cavaco Silva), o governo de Passos Coelho está politicamente isolado... Vale a pena relembrar que a ideologia que o aparelho governativo diz professar, é a que subjaz ao texto que vale a pena reler e que passo a transcrever... porque, de facto!, a forma como está a ser gerida a economia e a sociedade não tem nada de social nem de democrata! - e essa é a maior evidência de que estamos perante uma forma de fazer política de tal forma destrutiva que nem o nome de política merece mas, apenas, o de gestão contabilística da ruína e da falência!

Carta Aberta de Silva Peneda ao Ministro das Finanças Alemão:
 
 
"O Senhor Ministro afirmou que há países da União Europeia que têm inveja da Alemanha. A primeira observação que quero fazer, Senhor Ministro, é que as relações entre Estados não se regem por sentimentos da natureza que referiu. As relações entre Estados pautam-se por interesses.
Queria dizer-lhe também, Senhor Ministro, que comparar a atitude de alguns Estados a miúdos que na escola têm inveja dos melhores alunos é, no mínimo, ofensivo para milhões de europeus que têm feito sacrifícios brutais nos últimos anos, com redução muito significativa do seu poder de compra, que sofrem com uma recessão económica que já conduziu ao encerramento de muitas empresas, a volumes de desemprego inaceitáveis e a uma perda de esperança no futuro.
E acrescentou o Senhor Ministro: “Os outros países sabem muito bem que assumimos as nossas responsabilidades…”. Fiquei a saber que a nova forma de qualificar o conceito de poder é chamar-lhe responsabilidade!
E disse mais o Senhor Ministro: “Cada um tem de pôr o seu orçamento em ordem, cada um tem de ser economicamente competitivo”. A este respeito gostaria de o informar que já tínhamos percebido, estamos a fazê-lo com muito sacrifício, sem tergiversar e segundo as regras que foram impostas.
Quando o ministro das Finanças do mais poderoso Estado da União Europeia faz afirmações deste jaez, passa a ser um dos responsáveis para que o projeto europeu esteja cada vez mais perto do fim.
Passo a explicar. O grande objetivo do projeto europeu foi garantir a paz na Europa e como escreveu um antigo e muito prestigiado deputado europeu, Francisco Lucas Pires, “… essa paz não foi conquistada pelas armas mas sim através de uma atitude de vontade e inteligência e não como um produto de uma simples necessidade ou automatismo…”. A paz e a prosperidade na Europa só foram possíveis porque no desenvolvimento do projeto político de integração europeia teve-se em conta a grande diversidade de interesses, as diferentes culturas e tradições e os diferentes olhares sobre o mundo. Procurou-se sempre conjugar todas essas variedades, tons e diferenças dos Estados-membros numa matriz de valores comuns.
Esta declaração de Vossa Excelência põe tudo isto em causa, ao apontar o sentimento da inveja como o determinante nas relações entre Estados-membros da União Europeia. Quero dizer-lhe, Senhor Ministro, que o sentimento da inveja anda normalmente associado a uma cultura de confrontação e não tem nada a ver com uma outra cultura, a de cooperação.
Com esta declaração, Vossa Excelência quer de forma subtil remeter para outros Estados a responsabilidade pela confrontação que se anuncia. Essa atitude é revoltante, inaceitável e deve ser denunciada.
A declaração de Vossa Excelência, para além de revelar uma grande ironia, própria dos que se sentem superiores aos outros, não é de todo compatível com a cultura de compromisso que tem sido a matriz essencial da construção do sonho europeu dos últimos 60 anos.
Vossa Excelência, ao expressar-se da forma como o fez, identificando a inveja de outros Estados-membros perante o “sucesso” da Alemanha, está de forma objetiva a contribuir para desvalorizar e até aniquilar todos os progressos feitos na Europa com vista à consolidação da paz e da prosperidade, em liberdade e em solidariedade. Com esta declaração, Vossa Excelência mostra que o espírito europeu para si já não existe.
Eu sei que a unificação alemã veio alterar de forma muito profunda as relações de poder na União Europeia. Mas o que não deveria acontecer é que esse poder acrescido viesse pôr em causa o método comunitário assente na permanente busca de compromissos entre variados e diferentes interesses e que foi adotado com sucesso durante décadas. O caminho que ultimamente vem sendo seguido é o oposto, é errado e terá consequências dramáticas para toda a Europa. Basta ler a história não muito longínqua para o perceber.
Não será boa ideia que as alterações políticas e institucionais necessárias à Europa venham a ser feitas baseadas, quase exclusivamente, nos interesses da Alemanha. Isso seria a negação do espírito europeu. Da mesma forma, também não será do interesse europeu o desenvolvimento de sentimentos anti-Alemanha.
Tenho a perceção de que a distância entre estas duas visões está a aumentar de forma que parece ser cada vez mais rápida e, por isso, são necessários urgentes esforços, visíveis aos olhos da opinião pública, de que a União Europeia só poderá sobreviver se as modificações inadiáveis, especialmente na zona euro, possam garantir que nos próximos anos haverá convergência entre as economias dos diferentes Estados-membros.
As declarações de Vossa Excelência vão no sentido de cavar ainda mais aquele fosso e, por isso, como referiu recentemente Jean-Claude Juncker a uma revista do seu país, os fantasmas da guerra que pensávamos estar definitivamente enterrados, pelos vistos só estão adormecidos. Com esta declaração, Vossa Excelência parece querer despertá-los.
José da Silva Peneda
Presidente do Conselho Económico e Social"

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Sonoridades...


Um Olhar de Alerta e Lucidez: "O Credo da Desgraça"

O texto que aqui partilho é da autoria de Pedro Bacelar de Vasconcelos e foi publicado no "Jornal de Notícias":

"O CREDO DA DESGRAÇA

Três revoluções sangrentas assinalaram na Europa e na América o nascimento das instituições políticas contemporâneas que através dos processos de colonização, da dominação imperialista, da resistência popular e conflitos militares de enorme violência, iriam generalizar por todo o planeta as fórmulas de organização social que designamos por Estado de Direito e Democracia Constitucional.
A primeira, foi a "Revolução Gloriosa" inglesa de 1688 que destronou o Rei Jaime II depois de ter cortado a cabeça de Jaime I e de uma breve experiência republicana, e que impôs a supremacia do parlamento e grande parte das instituições que descrevem o funcionamento das atuais democracias representativas. A segunda foi a "Revolução Americana" que, em 4 de julho de 1776, denuncia o "despotismo absoluto" da Grã-Bretanha e põe termo a uma "história de repetidas ofensas e usurpações", declarando a independência das colónias inglesas da América do Norte. A terceira foi a "Revolução Francesa" de 1789 que afirmou o valor universal da "Liberdade, Igualdade e Fraternidade" e proclamou que a "sociedade em que não esteja assegurada a garantia dos direitos nem estabelecida a separação dos poderes não tem Constituição".
Foram trezentos anos pontuados por guerras terríveis e confrontos sangrentos mas que o poder político democrático e a expectativa sempre renovada do cumprimento de uma promessa de prosperidade comum conduziu até ao presente. Ao cabo de trezentos anos de inegáveis sucessos, o "mercado livre" impera em todo o planeta e as relações de interdependência económica desembocaram na atual hegemonia financeira construída à custa da crescente irrelevância política dos "estados soberanos". Em nome dos dogmas da "desregulação" e da otimização da racionalidade económica que entretanto se tornaram dominantes, destacou-se o ativismo de Ronald Reagan e Margareth Thatcher seguidos de Bill Clinton, Tony Blair e, por fim, dos sociais-democratas europeus rendidos àquilo que se chamou a "terceira via", teorizada e operacionalizada pelos democratas americanos e trabalhistas ingleses. A deslocalização e desterritorialização das atividades económicas, a intensificação dos fluxos migratórios e as novas tecnologias de comunicação e vigilância em breve iriam facilitar a substituição da chantagem da "guerra nuclear total" pelo fantasma de uma "guerra civil internacional" - como diz Giorgio Agamben - já ensaiada por George W. Bush a pretexto do combate ao terrorismo.
O fim da guerra fria vai servir de pretexto oportuno para atacar o agora tão deplorado "estado providência" e para criar uma atmosfera propícia à promoção de uma ideologia revanchista que se abate, hoje, sobre as grandes aquisições civilizacionais destes últimos três séculos. Na era da globalização, depois dos exemplos do Chile, da China ou do Vietname, a liberdade económica deixou de estar associada à liberdade política e à democracia.
A nova ideologia, à semelhança do que se dizia do velho "socialismo científico", é totalitária e, curiosamente, tenta também fundar na teoria económica e no fatalismo histórico as suas verdades irrefutáveis. Exalta os fortes e castiga os fracos. Prescreve a resignação e a penitência. Por isso, os cortes estruturais na "despesa pública" agora anunciados já só carecem da ideia de "reforma do estado" como mero invólucro... para salvar as aparências. Não importa o aumento da carga fiscal desde que sirva para alcançar o merecido empobrecimento geral e os credores sejam pagos com a venda das empresas púbicas em que se andou a investir tanto tempo com tanto empenho. Não é preciso sequer o esforço de demonstrar onde se poderão obter ganhos de racionalidade e melhorar a eficácia dos serviços públicos. Basta o peso dos números com que se quantificam os cortes! Só o poder político democrático, a lucidez e a vontade dos cidadãos poderão erguer uma barreira efetiva à euforia destruidora dos epígonos do novo credo."
 
Pedro Bacelar de Vasconcelos in JN

Sonoridades...

quarta-feira, 1 de maio de 2013

1º de Maio - A Homenagem...

(via Jorge Humberto Filipe no Facebook)

Do Sentido e da Necessidade do 1º do Maio!

Hoje, o sentido do 1º de Maio é não só o de evocar e reiterar os Direitos dos Trabalhadores mas, também, os dos Desempregados! De facto, na medida em que o desemprego é uma atribuição social que se aplica às Pessoas no que respeita à sua condição de Trabalhadoras, o 1º de Maio é, também, o Dia de Todas as Pessoas Desempregadas! Por isso, é urgente e indispensável, como há muitos anos atrás!, lutar pelo Direito ao Trabalho e ao Trabalho Digno não só porque perdemos muitos dos Direitos duramente conquistados à História da Servidão que as relações laborais e de produção instalaram e desenvolveram ao longo do processo histórico, mas, também, porque em pleno século XXI, o Desemprego é dado aos cidadãos como uma fatalidade própria destes tempos negros que atravessamos - quando a verdade é que esta realidade representa apenas o efeito de uma Sociedade Desigual, Desumana e Discriminatória que é, afinal e apesar das aparências!, aquela em que vivemos e contra a qual é preciso desenvolver todos os esforços... até retomarmos o caminho do Progresso, da Igualdade, da Liberdade, da Justiça Social e da efectiva proteção e promoção dos Direitos Humanos! Viva o 1º de Maio!

terça-feira, 30 de abril de 2013

Do Fardo Cultural Português ao Sentido de Abril, Hoje...


... só hoje ouvi a intervenção de Catarina Martins, na Assembleia da República, no 25 de Abril de 2013. Depois das palavras de António Arnaut (ler Aqui, partilho-o na qualidade de um dos mais elucidativos testemunhos retirados à vivência que, nos últimos tempos, foi verbalizado publicamente e que faz parte relembrar - para que se não esqueça que nem todos estamos interessados na política por atávicas razões corporativas... e que, à atitude de muitos, subjaz o Caráter e a Dignidade que a profissão partidarizante despreza e tem "engolido" em muitos setores da nossa sociedade, dando razão a esse lema indigno do que Somos que procurou conformar-nos ao resultado da sua mesquinha e medíocre prática: "um povo condenado a ser pobre..."

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Manuel Alegre, Hoje...




O novo romance de Manuel Alegre, "Tudo É e não É" é lançado hoje, dia 29 de Abril, no Palácio das Galveias, em Lisboa, pelas 19.15h, com edição das Publicações Dom Quixote... segundo as palavras escolhidas para a sua divulgação "um livro diferente e perturbador, escrito a partir de sonhos, porque, como diz o autor, citando Shakespeare, "somos feitos da mesma matéria de que são feitos os sonhos." O livro será apresentado por Maria Teresa Horta." A entrada é, naturalmente!, livre.


domingo, 28 de abril de 2013

"A Priori"...

"Amar:

Fechei os olhos para não te ver
e a minha boca para não dizer...
E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei,
e da minha boca fechada nasceram sussurros
e palavras mudas que te dediquei...

O amor é quando a gente mora um no outro.
"
Mario Quintana

Sonoridades...

sábado, 27 de abril de 2013

Sonoridades Femininas...


O Poder do Querer...

... também na política, na economia, nas finanças, nos consensos, nas decisões, nas rupturas, nas alternativas, nos combates, nas estratégias e nos objetivos...
 
(o "cartaz" chegou via Alberto Goes Reis no Facebook)

Sonoridades Intemporais...


sexta-feira, 26 de abril de 2013

Do Euro Alemão à Desigualdade de Estados...

... vale a pena ouvir o economista João Ferreira do Amaral (o vídeo chegou partilhado por Rogério V.Pereira)

quinta-feira, 25 de abril de 2013

terça-feira, 23 de abril de 2013

O Caminho...

Hoje, Dia do Livro... celebremos a imagem das estradas por percorrer...

ABRIL 2013...

Um bela obra de arte, este cartaz da Iniciativa "Viver Abril" que me chegou via Guilherme Fonseca-Statter. Viva o 25 de Abril!

domingo, 21 de abril de 2013

Sonoridades Intemporais...

... "Concerto para Piano nº1, 3º rd mov., Allegro" de J.S. Bach... (via Moisés Roque no Facebook)

Do Olhar Extraordinário...

(via Alberto Jorge Goes Reis no Facebook)

Autenticidades...

... porque a beleza está nas coisas simples... vale a pena ler ... e sorrir! Bom Domingo!
(via Manuel Duran Clemente no Facebook)

sexta-feira, 19 de abril de 2013

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Sonoridades...

Taj Mahal: "Leaving Trunk" (via Luís Santiago no Facebook)

"O Príncipe e a Singularidade" - Download Gratuito...


"O Príncipe e a Singularidade - Um Conto Circular" da autoria de Pedro Barrento está finalmente disponível em Português nos sites da Amazon, tanto em "papel" como em formato kindle: 

Com uma narrativa criativa e transmissora de uma mensagem universalmente válida -como convém a todos os bons contos!- vale a pena ler... por isso, aqui fica uma amostra, a título de sugestão:





Uma Forma Categórica de Dizer: NÃO!...


... Jorge de Sena na voz de Mário Viegas...

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Libertar os Países Intervencionados...

"Tirem as Mãos!" Hoje no Parlamento Europeu, manifestação dos eurodeputados da Esquerda Europeia contra as medidas de austeridade no Chipre, Portugal, Grécia, Espanha, Irlanda!

Por Abril, Antes de Abril...

"O Meu 25 de Abril Não Foi um Dia de Festa
 
Helena Pato
 
Uma semana antes do dia da revolução, finalmente, regressámos a casa: tínhamos andado por Londres, fugidos, à espera que a situação dele se definisse. De tempos a tempos era isto.
Voltámos na convicção de que o perigo de prisão havia passado, mas, mesmo assim, no dia da chegada queimámos tudo quanto era papel que pudesse incriminar-nos. Eram tantos – ou ...a nossa minúcia tão grande – que a sanita em que decorreu a operação estalou com o calor. Depois, pela noite fora, ainda fizemos inúmeros lançamentos da varanda do nosso quarto para os pátios do casario do Bairro das Colónias: Avantes e Militantes, comunicados à população, jornais e posters da CDE, tudo em rolos atados com cordéis (com uma batata dentro para pesarem mais). Foguetões de imprensa ilegal disparados para o espaço para que alguém a lesse e aproveitasse com aquela operação de limpeza. Os materiais clandestinos eram sagrados: evitávamos desperdiçar os que, pelo seu conteúdo e actualidade, constituíam um meio de informação acerca do que se estava a passar no país e nas colónias. A seguir fomos deitar-nos em paz. Paz, porém, efémera.
Ao alvorecer, tal como era prática deles, tocaram-nos à porta – e, exactamente à mesma hora, à porta de mais uma dúzia de antifascistas em Lisboa. Em nossa casa, quase em simultâneo, o telefone começou a tocar ininterruptamente: eram jornalistas e familiares de amigos (que também haviam sido presos), querendo avisar-nos da vaga de prisões. A notícia estava a chegar aos jornais. Para nós era tarde. Já nos tinham entrado pela casa dentro três agentes da PIDE/DGS e um inspector. Este, logo à entrada, informou o Zé de que ia ser «detido para averiguações» – a fórmula do costume. Mandaram-no arran- jar-se com brevidade e, enquanto um deles se colou à porta, entreaberta, da casa de banho, os outros dois passaram a pente fino os quartos, a sala, a cozinha, tudo. Procuravam algo que o incriminasse. Em vão, que a operação de limpeza feita na véspera não deixara rasto
das actividades que desenvolvíamos. «Para fazer uma busca a sério aqui nem uma semana», dizia, desalentado, o agente Coelho.
O telefone não se calava. «Que ninguém responda! Bem sabemos que há muita gente a querer falar consigo», avisou um deles, um tal Bronze, enquanto folheava manuscritos, numa busca minuciosa dos trabalhos do historiador, acompanhada de comentários. Nem eu nem o Zé tivemos dúvidas do que, pela cidade, estaria a acontecer.
Finda a busca esmiuçada, começaram a atirar para o chão livros que retiravam das estantes: umas dezenas, seleccionados para apreensão, em grande parte, com base em critérios que evidenciavam a profunda ignorância daquela gente da PIDE/DGS. Poucos minutos depois, uns atapetavam a sala, outros acumulavam-se em pilhas. Enquanto a devassa decorria, os nossos filhos aguardavam por Abril. Ela, com 1 ano e meio, dormia, serena. Ele, com 3 anos, interrogava, inocente: «Estão a ler os nossos livros?»
No dia seguinte fiz 35 anos e reuni a família em casa, num jantar, a fazer de conta que a vida prosseguia. As crianças batiam palmas, contentes, soprando as velas do bolo de aniversário, e eu só ansiava pelo 25 de Abril... Assim mesmo: pelo dia 25 de Abril. Parecerá estranho, mas tem explicação: tinha-me sido marcada a primeira visita com ele para essa histórica quinta-feira.
Na véspera deitei-me ansiosa por que chegasse a manhã. Às 11 horas ia a Caxias vê-lo e levar-lhe roupas.
Pelas 4 da madrugada, o telefone tocou na sala e, em sobressalto, fui atender. Do outro lado, uma voz grave: «Venho informá-la de que estão em curso movimentações militares para derrubar o regime… Estamos a começar uma revolução e uma das primeiras coisas que vamos fazer é libertar o seu marido e todos os presos políticos.»
«Só me faltava este!», pensei e, sem dizer uma palavra, desliguei o telefone. «Provocadores!», resmunguei, enquanto regressava à cama. Pelas 6 horas acordaram-me outra vez, mas agora era alguém que reconheci a dar-me a notícia. O jornalista António Santos falava e, ao fundo, ouvia-se o barulho da rotativa do jornal.
Desde então e até à madrugada do dia 27 segui nas margens da revolução, sem testemunhar a sua componente popular. Horas e horas num sufoco, com o coração no fio da navalha.

Vi o telejornal do dia 25 em casa de um amigo que conhecia da Seara Nova e das CDE, o Alberto Pedroso. Hoje, passados todos estes anos, não me lembro de coisas que então julguei que iriam ficar dentro de mim até ao fim dos meus dias. Vividos em estados emocionais exacerbadíssimos e numa explosão de afectos, aqueles acontecimentos pareciam estar a ser inscritos de forma indelével na minha memória. É, pois, surpreendente que não tenha a menor ideia do que, à noite, vi na RTP e nem me lembre de uma grande parte do que fiz durante o dia. Ficaram-me retalhos: uma reunião dos familiares dos presos em Benfica (em casa do Fernando Correia e da Julieta), uma ida à rádio com a Aida Magro, a convite do Comando do MFA, para falarmos em representação das famílias, e o meu pai, ao meio-dia, no passeio em frente da casa da Encarnação, vestido de uma maneira inusitada – impossível de o imaginar – e numa exteriorização pública de sentimentos impensável na sua personalidade. Fui lá deixar os meus filhos, e ele, em pijama e com ar calmo, cansado de décadas sem liberdade – referindo-se à PIDE, ao governo e aos fascistas –, clamava para os vizinhos e a quem passava: «Eles têm de ser julgados num tribunal plenário. Não pode haver perdão para o que fizeram!» Talvez seja esta a imagem do dia 25 de Abril que retenho com maior precisão. O resto aparece-me formatado em sequências de «quadradinhos» dispersos, como se fosse uma banda desenhada desconstruída.
Por vezes, colo às recordações que guardo as imagens audiovisuais reproduzidas na comunicação social ao logo destes trinta e tal anos e deixo de ter o meu 25 de Abril para passar a ter outro, o que a história me vem ajudando a desenhar. Acontece-me dar comigo a responder a questões colocadas por jovens nas escolas, ou por amigos, acerca de acontecimentos que eu mesma vivi no dia da revolução, usando informação colhida em documentários transmitidos actualmente pelas televisões, e não, como seria natural, recorrendo ao testemunho pessoal, na sua pureza. Aparente pureza – talvez este fosse realmente o menos objectivo, já que entretecido pelas emoções da revolução com as naturais «revoluções» da minha memória.
Muito diferente é, na verdade, o que me sucede com a memória
da noite de 25 para 26, essa parecendo-me infinitamente precisa
tenho a sensação de que nada se perdeu, nada foi acrescentado, nada do que vivi me foi adulterado.
O estertor do regime revelou-se particularmente difícil para os presos políticos, sobretudo para aqueles, homens e mulheres, que se encontravam em Caxias. Começaram por desconhecer a natureza das movimentações de que se davam conta, admitindo tratar-se de um golpe da extrema-direita. Depois foram horas e horas de espera, de angústia, que partilhámos com eles, porque lha adivinhámos, minuto a minuto. No exterior do forte, nós, as famílias, tínhamos a informação de que estavam a decorrer cuidadas negociações e conhecíamos o risco de os “pides” ou os guardas prisionais, antes de se entregarem, poderem abrir fogo contra os presos. Pouco terá ficado registado, gravado, filmado, impresso, acerca do desfiar das longas e dramáticas horas vividas por quem aguardava cá fora – sobretudo na proximidade da prisão. Na memória do grupo aí presente estarão, de certeza, esculpidos pedaços tenebrosos do princípio da revolução.
Soubemos mais tarde que, perante a hipótese de irem sendo libertados a conta-gotas, de acordo com um critério supostamente negociado, responderam: «Só saímos todos de uma vez, ao mesmo tempo!» Assim aconteceu. As portas da prisão de Caxias só se abriram a 27 de Abril de 1974.
Assisti, de longe, à saída. Tentei aproximar-me dele, mas não consegui. Nem sequer acenar-lhe. Percebi que nesse momento não me pertencia: havia uma multidão que o envolvia e um mundo de jornalistas que o entrevistavam. Vi-o entrar para um carro e avançar a custo por entre milhares de pessoas que o saudavam com a alegria própria das horas de libertação. Entretanto, eu, ali parada junto dos amigos, sentindo que os nossos corações batiam a compasso, aclamava todos os companheiros que iam saindo. Houve um jornalista que me deu o recado: «O Tengarrinha pediu-me para lhe dizer que vai ter a casa depois das reuniões que agora o esperam com o MFA e com a CDE.»
Para mim iam começar os belos e difíceis dias da revolução!"

(Com um agradecimento e um grande abraço à Helena Pato, autora que partilhou este extraordinário testemunho no Facebook)

Somos Todos Cidadãos!

... desta vez, o simbolismo foi mais tétrico que nunca!... não foram alvos económicos, militares, financeiros ou sequer políticos... a escolha recaiu sobre uma concentração de pessoas indefesas, vindas de todo o mundo para uma atividade inócua... e sobre uma biblioteca... pública! Por isso, não vale a pena tentar comparar ou limitar o impacto desta mensagem que foi intencionalmente emitida para o mundo para ser interpretada como aquilo que é... de facto, desta vez, a lição é mais aterrorizante que nunca.

(a imagem chegou via Cristiane Amigo no Facebook)

terça-feira, 16 de abril de 2013

Do Sentido e do Significado...

"En la INDIA se enseñan las «Cuatro Leyes de la Espiritualidad»
La primera dice: "La persona que llega es la persona correcta", es decir que nadie llega a nues...tras vidas por casualidad, todas las personas que nos rodean, que interactúan con nosotros, están allí por algo, para hacernos aprender y avanzar en cada situación.
La segunda ley dice: "Lo que sucede es la única cosa que podía haber sucedido". Nada, pero nada, absolutamente nada de lo que nos sucede en nuestras vidas podría haber sido de otra manera. Ni siquiera el detalle más insignificante. No existe el: "si hubiera hecho tal cosa hubiera sucedido tal otra...". No. Lo que pasó fue lo único que pudo haber pasado, y tuvo que haber sido así para que aprendamos esa lección y sigamos adelante. Todas y cada una de las situaciones que nos suceden en nuestras vidas son perfectas, aunque nuestra mente y nuestro ego se resistan y no quieran aceptarlo.
La tercera dice: "En cualquier momento que comience es el momento correcto". Todo comienza en el momento indicado, ni antes, ni después. Cuando estamos preparados para que algo nuevo empiece en nuestras vidas, es allí cuando comenzará.
Y la cuarta y última: "Cuando algo termina, termina". Simplemente así. Si algo terminó en nuestras vidas, es para nuestra evolución, por lo tanto es mejor dejarlo, seguir adelante y avanzar ya enriquecidos con esa experiencia.
Creo que no es casual que estén leyendo esto, si este texto llegó a nuestras vidas hoy; es porque estamos preparados para entender que ningún copo de nieve cae alguna vez en el lugar equivocado".

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Sonoridades...


A Venezuela Não Desistirá!

Nicolas Maduro, venceu as eleições na Venezuela, reiterando o apoio popular à política do comandante Hugo Chavez... Viva a Democracia!

Contra o Colaboracionismo!

"Antonis Samaras, o líder conservador do governo grego, não quer ser bom aluno da troika. Não é! Usa tudo o que pode para minorar os efeitos perversos da austeridade, recorrendo até ao argumento extremo das reparações de guerra, os efeitos da presença dos exércitos da Alemanha nazi na Grécia, há setenta anos. Antes isso do que ser um colaboracionista empenhado."
(texto de Paulo Dentinho, a quem agradeço a partilha no Facebook; a imagem, também via Facebook, chegou através da Graça Camões Galhardas)

Resistir... Sempre!

... "L'Estaca" de Lluís Llach (1976 - Palau dels Esportes de Barcelona) (via Nuno Ramos de Almeida no Facebook, a quem agrdeço a partilha)

sábado, 13 de abril de 2013

25 de Abril - Aqui, Além-Tejo e Além-Mar...

(o vídeo chegou via Rui Arimateia no Facebook)

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Da Viabilidade Económica - Um Exemplo de Gestão Municipal...

... Contra a Crise! Pelos Cidadãos!... Acreditem!... Vale a pena Ver, Ouvir, Refletir e... AGIR! (o vídeo chegou via Jornal de Parede no Facebook)

Da Denúncia dos Ataques ao Estado de Direito em Portugal...

A gravidade da realidade económico-política do país requeria comentários sustentados, críticos e contundentes... infelizmente, são mesmo muito raros no espaço público de maior audiência... Por isso, vale a pena não só referir a recente entrevista de Manuela Ferreira Leite mas, principalmente, ouvir os comentários de Constança Cunha e Sá AQUIAQUI.

Ecos da Verdade... na Imprensa...

A esperança resultante da evocação de um símbolo maior da resistência eficaz (e contudo, pacífica) de um povo contra a ditadura e o autoritarismo está reflectida no elucidativo, claro e longo artigo que se pode ler Aqui, retirado do El País.
 
(o artigo chegou via Flávio Pinho no Facebook)



quinta-feira, 11 de abril de 2013

O Poder da Transmutação...

"Um monte de pedras deixa de ser um monte de pedras no momento em que um único homem o contempla, nascendo dentro dele a imagem de uma catedral."

Antoine de Saint-Exupéry

(via Homenagem a Aboim Inglez no Facebook)

quarta-feira, 10 de abril de 2013

"É o Momento de Agir"

"É O MOMENTO DE AGIR

José Loureiro dos Santos (*)in Jornal Público, Março,18

Era visível há muito tempo a incompetência do ministro do Orçamento (com a designação ofi...cial de ministro das Finanças), o que, aliado às políticas absolutamente desastrosas da União Europeia decorrentes dos interesses e das imposições de Berlim, cujo calendário e decisões se baseiam no estrito interesse nacional alemão, conduziu o país à situação desesperada em que se encontra.

Têm sido inúmeras, quase unânimes, as opiniões dos mais credíveis economistas portugueses e estrangeiros, no sentido de classificarem como contraproducentes as sucessivas medidas tomadas pelo Governo, sem suficiente confronto e entendimento com os interesses nacionais, já que, aparentemente, o ministro com o papel principal na definição e conduta da estratégia de resolução da crise financeira que atravessamos entende serem nossos os interesses alemães que Merkel defende, o parlamento germânico impõe e o respetivo tribunal constitucional monitoriza. E não só, pois vai mesmo além daquilo que os estrangeiros nossos credores nos exigem, numa atitude de inexplicável subserviência com as instituições sob cuja tutela nos encontramos (FMI, BCE e UE). Atitude também (e tão bem) ilustrada pelo "colaboracionismo" rasteiro com os alemães, demonstrado por altos funcionários europeus, alguns deles (lamentavelmente) portugueses.

A desmotivação que as sucessivas falhas de Vítor Gaspar têm gerado nos portugueses, pelo emprego que destroem e a desesperança e a miséria que criam, já há muito aconselham a sua demissão e substituição por um português que conheça a nossa realidade e esteja interessado em renovar o ânimo do país e fazer todos os esforços para o retirar do poço para que foi lançado pelo contabilista ainda em funções.

Só com esta decisão o primeiro-ministro poderá ter condições para pedir aos portugueses que readquiram a esperança e voltem a confiar nos governantes, desde que aproveite a oportunidade para também se ver livre do seu ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, transformado numa pedra amarrada ao seu chefe, que levará para o fundo se dela se não livrar, e corrói a credibilidade do Governo e das mulheres e homens sérios e competentes que o integram.

Se o primeiro-ministro não entender que deve e precisa de avançar urgentemente com esta solução, porventura acompanhada de outros ajustamentos que se divisem como necessários, poderemos deduzir que assume como suas as linhas executivas das orientações estratégicas do vetor financeiro que vêm sendo determinadas pelo ministro do Orçamento e não está disponível para reajustar o rumo até agora empreendido, nomeando outro responsável pelas Finanças que seja capaz de infletir a marcha para o abismo para que o seu atual encarregado nos atirou.

Neste caso, perante o facto de não ser possível a inversão do caminho até agora percorrido pelos atuais governantes e a perspetiva de uma ainda maior deterioração da situação do nosso país, é a altura de o Presidente da República - comandante supremo das Forças Armadas e percecionado pelos portugueses como último garante do bem-estar e da segurança de todos nós - assumir as suas responsabilidades e "dar um murro na mesa", demitindo o atual Governo e dando início a um processo rápido que conduza à formação de um novo elenco governativo.

Não há tempo a perder. Se os órgãos institucionais próprios não tomarem as decisões que lhes competem em tempo útil, Portugal poderá ver-se a braços com momentos de grande perturbação social suscetíveis de produzir sérias situações de tensão política muito difíceis de conter. Além de ficar cada vez mais problemática a retoma da economia portuguesa, a possibilidade de saldarmos aquilo que devemos e a consequente restauração da nossa soberania.

Não nos encontramos apenas perante a necessidade de mais uma mudança de quem tem a tarefa de governar o país, a acrescentar às muitas que já se verificaram, pelas razões que se justificavam e tendo em vista os efeitos então pretendidos. O problema com que nos confrontamos não reside somente na conveniência de substituir alguém que nos governa por quem seja mais eficiente na direção e orientação do exercício das políticas públicas.

Agora, estão em causa: por um lado, o bem-estar, a autoestima, a esperança e o sentido de destino dos portugueses, que querem continuar a ser portugueses, prolongando com altivez uma História de quase nove séculos, de que se orgulham; por outro lado, a garantia de que Portugal tem capacidade de se regenerar e de voltar a agir de acordo com os seus interesses e não em função de interesses estranhos. Ou seja, estamos perante um problema que tem a ver com um Portugal livre e senhor do seu futuro, isto é, com a nossa independência nacional.

(*) General
(o texto chegou via Manuel Duran Clemente no Facebook)

terça-feira, 9 de abril de 2013

Nós, Europeus, Humilhados e Ofendidos - 2

Nós, Europeus, Humilhados e Ofendidos, às mãos de um poder anquilosado e tétrico (Drácula de uma modernidade por conquistar!), perdemos o direito à dignidade, na subserviência extrema de uma classe política sem coluna vertebral que nos arrasta, com discursos demagógicos de pretensas fatalidades, para um passado que julgámos vencido pela força solidária dos cidadãos despertados para os valores da Liberdade,  da Democracia e da Igualdade. Nós, Europeus, Humilhados e Ofendidos, sucumbimos ao abuso do poder financeiro de organismos que se sobrepõem aos Direitos dos Povos e à soberania das Nações, submetendo os Estados e escravizando as pessoas sob a vaga de um desemprego galopante e praticamente, sem retorno. Nós, Europeus, Humilhados e Ofendidos, não temos muita margem para agir no quadro institucional dos que protagonizam a ideologia e a gestão económico-social dominante porque os mecanismos eleitorais de que dispomos não reformam os procedimentos operativos dos partidos, nem garantem novas mentalidades, novas posturas ou renovadas competências aos que os lideram com o espírito de convicções organizacionais e práticas metodológicas desadequadas e ineficazes. Nós, Europeus, Humilhados e Ofendidos, perante as dinâmicas da História, sabemos que a imperiosa necessidade de mudança irá promover alterações societárias, económicas e políticas, relevantes ao ponto de se irem constituir como a marca do século XXI... e sabemos - porque não podemos ignorar as lições do passado próximo e longínquo!- que a natureza dessa marca depende, também, da nossa passividade ou do nosso protagonismo... uma vez mais, no limiar da viabilidade dessa Europa que quisemos construir como Social e das Regiões, nós, Europeus, Humilhados e Ofendidos, temos nas mãos a encruzilhada do futuro...

Do Olhar à Criação...

... do repousar do pensar no olhar, fez Picasso a criação... (a homenagem chegou inspirada no vídeo que o José Carlos Faria partilhou no Facebook)

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Reflexões...

... 120 anos depois...

O Que Fazer?!...

... a evocação surge a propósito da grande pergunta: "O Que Fazer?" face a tudo o que nos é dado como incontornável!?... e também ao que AQUI podemos ler, sinal de que os autoritarismos se não reformam, mesmo depois das sucessivas demonstrações da sua ineficácia e inequívoca desadequação à realidade, no caso, por já tantos países europeus...
(a imagem chegou via Helena Pato no Facebook)

domingo, 7 de abril de 2013

Da Revolta Existencialista perante a "Crise"

"Detesto as vítimas quando elas respeitam os seus carrascos.Jean-Paul Sartre
(a citação chegou via Francisco Gonçalves no Facebook)


Da Inviolabilidade do Princípio da Igualdade

O texto é de Ruy Vieira Nery e chegou-nos via Alfredo Barroso e Manuel Duran Clemente no Facebook... vale a pena ler:

"«Alguns dos comentários à decisão histórica do Tribunal Constitucional estão a ser de uma desonestidade intelectual tão espantosa que mesmo tendo em conta o baixo nível geral do debate político no nosso País se fica de boca aberta. É evidente que uma carga fiscal distinta para funcionários públicos e pensionistas, por um lado, e para os restantes cidadãos, por outro lado, viola abertamente o princípio constitucional da igualdade. A única discriminação que é aceitável à luz da Constituição é a progressividade dos impostos em função dos patamares do rendimento de cada um, e nunca o tratamento diferenciado de cidadãos com o mesmo rendimento. Seria o mesmo que aplicar aos funcionários públicos uma ponderação diferente do seu voto nas eleições ou aos pensionistas uma pena agravada para um mesmo crime cometido, por comparação com qualquer outro cidadão. Uma situação de emergência nacional - que de resto careceria de ser declarada como tal pelas instâncias competentes nos termos da própria Constituição - poderia justificar medidas excepcionais no plano fiscal, mas estas teriam sempre de ser distribuídas equitativamente pelos cidadãos, sem situações de privilégio ou de desfavor em função da respectiva entidade patronal - pública ou privada - ou da respectiva situação laboral de trabalhador no activo ou na reforma. A urgência do equilíbrio das Finanças públicas não permite ao Governo um confisco discricionário exercido apenas sobre determinados grupos de cidadãos, nem as metas de qualquer Memorando com parceiros internacionais se podem sobrepor à Lei Fundamental da República. E não se trata sequer de matéria susceptível de alteração no quadro de uma eventual revisão constitucional. Mesmo nesse caso o princípio da igualdade nunca seria passível de restrição porque é uma base essencial do Estado de Direito. Por último, não é verdade que o Tribunal Constitucional tenha alterado na decisão deste ano o critério de constitucionalidade que aplicou em relação ao Orçamento de Estado do ano passado. Pelo contrário, o TC tinha já considerado explicitamente em 2012 que o corte dos subsídios aos funcionários públicos e pensionistas era inconstitucional, deixando claro que não toleraria a repetição dessa medida em anos subsequentes. Tentar fazer do TC o bode expiatório da gritante incompetência do programa económico do Governo não passa de uma desculpa de mau pagador, a esconder uma postura fundamentalmente antidemocrática que pretende sacrificar os direitos, garantias e liberdades da Constituição aos caprichos da falsa inevitabilidade do pensamento único neoliberal».

sábado, 6 de abril de 2013

"Dar à Sola..." - Juntos e Em Força...


... o que serve para um... - e como "para bom entendedor, meia-palavra basta", resta dizer que a meia-frase escolhida para ilustrar o vídeo é particularmente útil, atendendo a que o elenco da peça requer uma banda sonora "à altura"...

Das Declarações de Inconstitucionalidade...

Os 2 textos que aqui transcrevo são da autoria de José Manuel Correira Pinto e da sua relevância diz o seu próprio teor - que aqui partilho com um agradecimento ao autor pelas respetivas publicações no POLITEIA :

"TRIBUNAL CONSTITUCIONAL

"O Sentido de Uma Decisão


O Tribunal Constitucional poderá não ter ido na sua decisão até onde a Constituição lhe permitiria que fosse, todavia, tratando-se de um tribunal jurídico-político não apenas sujeito a fortíssimas pressões dos interessentes nacionais político-económico dominantes mas também compelido a decidir no contexto, nacional e europeu, de uma situação político-económica complexa, deve considerar-se que a decisão de ontem representa uma grande vitória do Estado direito democrático e das forças que o apoiam contra os agiotas, nacionais e internacionais, contra os rentistas das PPP e das empresas energéticas, em suma, contra essa cáfila de exploradores que tomou conta do poder político e económico em Portugal e que em estreita e criminosa aliança com os interesses do capital financeiro e especulativo internacional empobrece, rouba e explora o povo português.
É vê-los na televisão, é lê-los nos jornais, é ouvi-los na rádio, é escutar os que em Bruxelas representam a agiotagem internacional, e logo as dúvidas se dissiparão acerca do verdadeiro sentido da decisão do Tribunal Constitucional e do rude golpe que ela lhes desferiu.
Está aberta uma porta para a alteração da situação política em Portugal e com ela para uma nova etapa da vida política portuguesa. Incumbe ao PS a tarefa maior de dar continuidade à defesa do Estado de direito democrático corajosamente demonstrada pelo Tribunal Constitucional. Se o PS claudicar quer na busca ou concretização de alianças espúrias, quer na formulação das propostas que o povo português dele espera, é o próprio regime democrático que a breve trecho colapsará.
Exige-se por isso aos dirigentes do PS – aos actuais ou àqueles que os poderão substituir – uma coragem e uma capacidade de decisão que estejam à altura do momento que o país atravessa."


"Do Sentido Político do Acordão

O primeiro comentário que fiz, no Facebook, muito a quente, depois de ter ouvido a súmula do Acórdão pelo Relator (presumo) carece de alguns desenvolvimentos.
A ideia com que logo a seguir fiquei, sem ouvir ninguém – aliás ainda não ouvi ninguém para não ser, mesmo subconscientemente, influenciado – foi que o TC com esta decisão se queria defender de uma campanha demagógica que seguramente seria feita se declarasse a inconstitucionalidade da contribuição extraordinária de solidariedade sobre as pensões acima de 1350 € e da sobretaxa sobre o IRS, ambas indiscutivelmente inconstitucionais, mas que se prestavam muito facilmente à demagogia da direita por os grandes beneficiários dessas inconstitucionalidades serem obviamente os mais ricos (Pinhal, etc); é certo que também havia todos os outros, mas aproveitava-lhes relativamente pouco e tanto menos quanto menos ganham.
Quanto ao corte dos vencimentos dos funcionários públicos, dificilmente o tribunal poderia decidir de outra maneira depois do que já tinha decidido no primeiro acórdão (o “acórdão Sócrates”); relativamente à redução dos escalões do IRS, que também viola o princípio da progressividade, deve entender-se a decisão como um “rebuçado” dado ao Governo numa matéria em que a densificação do conceito (ou princípio) se presta a uma razoável amplitude de entendimentos.
No que toca à inconstitucionalidade da contribuição adicional dos beneficiários dos subsídios de desemprego e de doença, respectivamente de 6% e 5%, a decisão do Tribunal já se insere naquilo a que se poderia chamar o respeito pela mais elementar “decência civilizacional” que o Governo PSD/CDS manifestamente não tem.
Atacando o corte dos subsídios de férias dos funcionários públicos e dos pensionistas, o Tribunal privilegia um vastíssimo universo de pessoas que se sentem tratadas por igual por todas passarem a receber todos os ordenados a que têm direito. Aqui já não há mais nem menos beneficiados nem tão pouco a decisão é passível de qualquer campanha demagógica. Depois de tudo o que tem sido feito aos pensionistas e aos funcionários públicos seria preciso muita lata para que os comentadores do Governo regressassem à estafada conversa do “justo tratamento diferenciado” (para pior) dos pensionistas (por já não poderem perder o “emprego”, argumentação de Vital Moreira) e dos funcionários públicos (por ganharem mais e não poderem ser despedidos, argumentação de Paulo Rangel e quejandos) relativamente aos demais trabalhadores.
Creio que esta é a orientação política do acórdão. Depois é uma questão de lhe dar forma jurídica. Essa análise fica para mais tarde, depois da leitura do acórdão."
José Manuel Correia Pinto (in Politeia mas, também, via Facebook)

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Da Constitucionalidade...

OTribunal Constitucional reconheceu e declarou a inconstitucionalidade de 4 normas propostas pelo Governo para o Orçamento de Estado de que vale a pena destacar, pela evidência da sua natureza de atentados às funções sociais do Estado: o "corte" do subsídio de férias a funcionários públicos e pensionistas, as alterações redutoras dos direitos dos cidadãos no que se refere aos subsídios de desemprego e de doença, a aplicação de impostos a bolsas de investigação... A violação dos princípios da igualdade e da proporcionalidade implica a anulação de todas estas medidas desde a data da sua entrada em vigor, ou seja, desde o dia 1 de Janeiro de 2013. Como disse o Conselheiro Presidente do Tribunal Constitucional, as leis devem adequar-se à Constituição!... as leis, a sua forma de produção e as "governações"... Viva a Constituição da República Portuguesa! Viva o 25 de Abril!

Sonoridades...

(via Nuno Ramos de Almeida no Facebook)

quinta-feira, 4 de abril de 2013

A propósito de saídas...

... proposta de alternativa para a última legenda: "Sem determinado tipo de portugueses por cá, talvez Portugal fosse um país viável..."

Sonoridades Femininas...


terça-feira, 2 de abril de 2013

Viva a Constituição da República Portuguesa!

Em 02 de Abril de 1976 foi aprovada e decretada a Constituição da República Portuguesa - testemunho maior dos valores que Portugal conquistou em Abril de 74 e de que, não tendo abdicado, não abdicará - mau grado os esforços de "modernização" com que têm vindo a pretender convencer e manipular definitivamente os incautos!

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Da Maior das Resistências...

(via Alberto Jorge Goes Reis no Facebook)

Sonoridades Femininas...

... "Orange Moon" na voz de Erykah Badu...

domingo, 31 de março de 2013

"Um País de Gestores...

"Dantes dizia-se que Portugal era um país de doutores. O que deveria ser um sinal de emancipação, o saber que no país os doutores derramassem sobre processos e incultos, era antes uma separação entre os intelectuais e os simples (Gramsci), uma colocação do saber em estatuto, doutor era distância, título, obrigava a reverência, vénia, o Sr. Doutor ainda não chegou, depois pergunta-se ao Sr. Doutor, sim, as azevias são para o Sr. Doutor.
Quem, vindo de baixo, não queria o sol de ser doutor, quantos não renegaram as origens nesse trajecto que fizeram de costas voltadas para a miséria que imperava? Não foi essa, e é, voracidade de ascensão, que mata em muitos o que tendo sido revolta e sentido de justiça na juventude se transforma em oportunismo e sacanice (Jorge de Sena, O país de sacanas”) na condição adulta? Ele é óbvio que há também oportunistas natos e até criaturas que já vêm com almas pidescas, nesses habita a inveja nas formas que a literatura naturalista mais experimental traçou como sinal de certa monstruosidade biológica – já não estamos aí, na unilateralidade da explicação dos comportamentos, mas a genética recolocou o problema da determinação de certos comportamentos. O que leva um tipo a, sendo Ministro das Finanças, torturar um país inteiro com o exercício das suas imposturas supostamente ciência económica? O que explica um Gaspar?
O problema não era entretanto, tanto “doutor” no ar e, na realidade, tão poucos doutores, mas o analfabetismo, o outro reverso da estrutura pátria, o que tornava o ser-se doutor essa intangibilidade por vazio no que sobrava sociologicamente falando, esse direito de pernada do título sobre o que fosse que se apresentasse, esse chego-me para o lado dos de baixo, esse aceno cheio de “respeitinho é que é preciso” dos do meio remediado - são os piores e mais vorazes, preenchem nas administrações públicas os cargos de micro-poder, estão impantes dessa responsabilidade e não hesitam no processo disciplinar, no amesquinhamento de terceiros sob a sua alçada.
Esse furioso acesso ao bem estar que algum poder, ou muito poder – ou mesmo o poder de Estado, e neste o poder policial, o arbitrário gesto de mandar torturar ou matar, de muitas formas – permite e foi permitindo, constituindo-se famílias de poder longevas, marcou gerações de apaniguados do regime e dos regimes que se foram sucedendo à “velha senhora”. Os poderes têm sempre clientelas. Assim como a riqueza se reproduz, o canudo, qualquer que fosse, o de ser-se engenheiro doutor ( "o Senhor Engenheiro hoje engraxa? Engraxo na baixa" Alexandre O'Neil) ou médico doutor, ou advogado doutor, ou doutor em finanças ( que arrepio!), permitia ( agora é uma entrada directa no desemprego, a não ser que se pertença a uma juventude partidária) esse acesso aos patamares de reprodução da riqueza. E obviamente esse estar ao serviço da reprodução da pobreza enquanto riqueza para si mesmos.
Mas esse D. R. que se sucedia na boca de todos os “indiferenciados”, nada dizia do verdadeiro saber de muitos doutores. Os que detinham um saber e erudição verdadeiros e o punham ao serviço de todos – tentavam pôr – eram doutores. Ainda agora faleceu um grande Doutor, o Dr. Óscar Lopes, referência incontornável para todos os da minha geração e anterior. Fiz o meu exame de literatura do 7º ano com a sua, e do Dr. António José Saraiva, História da Literatura. Usei o livro proibido para efeitos de exame, era muito completo: à literatura e aos aspectos estilísticos juntava, de modo esclarecedor, os enquadramentos históricos e sociológicos. Era um livro que nos abria o país fechado na história oficial.
O saber nunca fez mal a ninguém, o falso saber, que hoje é generalizado e faz parte das estratégias da aparência, esse cola-se a uma qualquer imagem desejada. O marketing é isso: a promoção da superficialidade da imagem que esconde a substância do que desenha (design). Quando se diz que a imagem isto ou aquilo, não se está a falar do que é a imagem para além do que significa no design, mas do que parece a própria forma desgarrada e absoluta, em estatuto de aura e fetiche, sendo todas as estratégias viradas para que o que pareça convença contra aquilo que possa ser, ou na ausência total do que esse aquilo seja ou possa ser. É a sociedade do espectáculo. Trata-se de um interminável tráfico de fluxos de imagens ao serviço de operacionalidades funcionais de um vazio activíssimo. É isso que explica que não saiamos da crise. Enquanto tudo o que se faça ao coma crítico da economia europeia forem paliativos, cuidados paliativos, o que se prolonga é o coma. Só se sai disto, não com as reformas estruturais que não o são mas medidas radicais ao serviço de um alargamento do fosso que sistema cria entre ricos e pobres, com um revolução das medidas, com uma total alteração de paradigma.
O nosso problema hoje é a falta de doutores e sermos um país de gestores. As últimas gerações no poder são gerações de gestores, são conhecedores de vazios e chavões, são obcecados da palavra inovação e nada inovam nem inventam, a maior parte formados nessas universidades de cursos rápidos que aproveitaram as tais oportunidades de mercado – um mercado de ascensões sociais aceleradas – para vender um saber vulgarizado, agora abastardado ao ponto a que chegámos de se produzir iliteracia em ambiente universitário, todo ele muitos eventos e performativo.
O problema hoje é que somos um país de gestores e de engenheiros rápidos (mesmo aos doutores o que se pede é que sejam gestores) pessoas incapazes de uma visão política culturalmente informada, incapazes de perceber o mundo para além do seu horizonte salarial e tráficos possíveis alcandorados na posição política. A política é uma forma de capitalizar. Diziam esses tipos que isso era em África, enquanto durou Abril e a porta da sacanice empreiteira negocial estava fechada. África, essa África de quem não a conhece, é o que eles são."       
Fernando Mora Ramos
(via Fernando Mora Ramos e Maria de Fátima Fitas no FB - a imagem é escolha da minha autoria)

sábado, 30 de março de 2013

Da Liberdade como Libertação...


Das Ruínas da Europa ao Repto do Futuro...

O texto é de Viriato Soromenho Marques e foi publicado no DN de 26-03-2013 (a imagem é uma escolha da minha autoria):

"A União Europeia morreu em Chipre?
 
«Quando as tropas norte-americanas libertaram os campos de extermínio nas áreas conquistadas às tropas nazis, o general Eisenhower ordenou que as populações civis alemãs das povoações vizinhas fossem obrigadas a visitá-los. Tudo ficou documentado. Vemos civis a vomitarem. Caras chocadas e aturdidas, perante os cadáveres esqueléticos dos judeus que estavam na fila para uma incineração interrompida. A capacidade dos seres humanos se enganarem a si próprios, no plano moral, é quase tão infinita como a capacidade dos ignorantes viverem alegremente nas suas cavernas povoadas de ilusões e preconceitos. O povo alemão assistiu ao desaparecimento dos seus 600 mil judeus sem dar por isso. Viu desaparecerem os médicos, os advogados, os professores, os músicos, os cineastas, os banqueiros, os comerciantes, os cientistas, viu a hemorragia da autêntica aristocracia intel...ectual da Alemanha. Mas em 1945, perante as cinzas e os esqueletos dos antigos vizinhos, ficaram chocados e surpreendidos.

Em 2013, 500 milhões de europeus foram testemunhas, ao vivo e a cores, de um ataque relâmpago ao Chipre. Todos vimos um povo sob uma chantagem, violando os mais básicos princípios da segurança jurídica e do estado de direito. Vimos como o governo Merkel obrigou os cipriotas a escolher, usando a pistola do BCE, entre o fuzilamento ou a morte lenta. Nos governos europeus ninguém teve um só gesto de reprovação. A Europa é hoje governada por Quislings e Pétains. A ideia da União Europeia morreu em Chipre. As ruínas da Europa como a conhecemos estão à nossa frente. É apenas uma questão de tempo. Este é o assunto político que temos de discutir em Portugal, se não quisermos um dia corar perante o cadáver do nosso próprio futuro como nação digna e independente.»
 
(com o agradecimento à Helena Pato pela partilha no Facebook)

Sonoridades Femininas...


... "Malaika" é a mais conhecida interpretação de Miryam Makeba, cuja vida é brevemente resumida neste vídeo que chegou via Manuel Duran Clemente no Facebook (a quem aproveito para agradecer, com um abraço, a bonita partilha)...

Da Natureza da Atitude...


sexta-feira, 29 de março de 2013

Leituras Cruzadas (Atualizadas)...

Giorgio Agamben no Blog da Boitempo
José Manuel Correia Pinto no Politeia
Raimundo Narciso no PuxaPalavra*
Estrela Serrano no Vai e Vem
Alexandre Rosa no Olhares do Litoral
Eduardo Pitta no Da Literatura
Vitor Dias no O Tempo das Cerejas
Joana Lopes no Entre as Brumas da Memória
Rui Bebiano no A Terceira Noite
Unesco - Cante Alentejano a Património Imaterial da Humanidade

* com um grande abraço de agradecimento ao meu amigo Raimundo Narciso pelas gratificantes e honrosas palavras com que refere A Nossa Candeia

Sonoridades Femininas...


Leituras Cruzadas...

Giorgio Agamben no Blog da Boitempo
José Manuel Correia Pinto no Politeia
Estrela Serrano no Vai e Vem
Alexandre Rosa no Olhares do Litoral
Eduardo Pitta no Da Literatura
Vitor Dias no O Tempo das Cerejas
Rui Bebiano no A Terceira Noite

Do Saber, da Humildade, da Coragem e da Razão

Vale a pena ouvir o discurso do Reitor da Universidade de Lisboa, Professor António Sampaio da Nóvoa, na celebração do Centenário do Nascimento de Álvaro Cunhal. (o vídeo chegou via José Carlos Faria no Facebook)

quarta-feira, 27 de março de 2013

Sócrates, o Agitador...

Gostei de ouvir a entrevista de José Sócrates porque reedita o debate político em Portugal, um país que anda, cinzento e pesaroso, de cabeça baixa e ombros curvados sob o peso da completa ausência de esperança. Penso que corremos o risco de assistir ao desaparecimento do protagonismo da potencial mas invisível oposição que se aguarda (?!) do PS e de ver branquear a atualidade num diálogo acusatório, defensivo e contra-acusatório que não trará vantagens na construção do futuro e alargará a margem de cumprimento de uma legislatura esmagadora... de qualquer modo, Sócrates traz um discurso capaz de ajudar as pessoas a retomarem o pensamento e a crítica política... vamos ver se consegue gerir inteligentemente as suas intervenções, sem ceder à tentação de se repetir na defesa do passado e sem sucumbir aos ataques de que vai ser alvo... e, acima de tudo, se a agitação provocada pelo regresso do espírito narrativo de Sócrates sobe o nível e a riqueza do debate político... porque, afinal de contas, é fundamental sair do pantanoso marasmo que caracteriza os dias... um bom ponto de partida para a revitalização da análise, da opinião e da discussão é, de facto, a comparação do texto original do Memorando e a versão que, entretanto, foi sendo desenhada - tema que deve integrar a problematização da economia política europeia contemporânea, dos mecanismos financeiros internacionais e da sua relação com os Estados e os Países, bem como a reavaliação do papel, da função e da natureza dos conceitos de soberania, independência e interdependência... é pedir demais? ... pois... deve ser... eu sei... mas, vale a pena lembrar que é este o cerne da questão... e que tudo o resto são "narrativas" eivadas de pseudo-ideologias mais ou menos gratuitas...