terça-feira, 23 de julho de 2013

Dos Anciãos - entre a Sabedoria e a Indiferença...

O texto é de FERNANDO PINTO e vale a pena ler... não só pela beleza mas, pela qualidade da reflexão:

“«O MUNDO PULA E AVANÇA COMO BOLA COLORIDA ENTRE AS MÃOS DE UMA CRIANÇA»
(ANTÓNIO GEDEÃO)

Creio que nenhuma outra época tenha sido mais cruel para com os seus velhos que esta em que vivemos. A geração a que pertenço, e que tentou dar forma à glorificação da eterna juventude, envelheceu e foi varrida como lixo. Hoje, reformados em reservatórios de velhos ou em qualquer banco de jardim, aguardamos pacientemente o fim que se anuncia longo mas penoso: longo porque conseguimos com sucesso erradicar muitas das maleitas que nos fariam morrer mais cedo, penoso porque ameaçam não mais sequer nos ouvir. Todo o “saber de experiência feito” que acumulámos, o único saber que não se pode aprender nas carteiras das escolas nem nos bancos das universidades, senta-se agora nas cadeiras de jardim ou é prisioneiro das camas articuladas dos lares da terceira idade. A eterna juventude fala por mensagens que não sabemos enviar nem receber, comunica por celulares que não conseguimos operar, trabalha por computadores que não logramos decifrar nem acionar e que parecem conter todo o saber acumulado digno de registo. Nós, a quem chamam info-excluídos, sabemos que o Mundo não cabe dentro dessas máquinas diabólicas e por isso somos rejeitados ou mesmo descartados: o “saber de experiência feito” não está dentro das máquinas. São máquinas que não pensam, ao contrário do que eles pensam, que não raciocinam, ao contrário do que eles julgam, nem têm capacidade para processar tudo o que há de mais importante neste mundo: o factor humano! Mas são tão rápidas a somar zeros e uns que até parecem que pensam e por isso fascinam… A “verdade” de hoje passa por estas máquinas que nós próprios criámos mas que, conscientes das limitações que sabemos terem, apenas utilizámos como nossos auxiliares. Hoje, a sua deificação faz com que só quem tem o privilégio de as compreender possa ser incluído no maquiavélico sistema criado à sua sombra, a que nós já não pertencemos. De nós pouco sabem porque não nos podem seguir pelos telemóveis, não nos conseguem espiar pelas contas dos cartões multibanco, nem nos registam nas portagens das autoestradas. De alguma forma não nos controlam e por isso somos obsoletamente adversos e incómodos ao olho do “Grande Irmão”! É também por tudo isso que o actual sistema prefere os jovens: a sua candura torna-os menos avisados a perigos que já conhecemos. A minha é a geração da Guerra e dos refractários do Vietname, do Klu-Klux-Klan, do Flower Power e dos Black Panthers nos EUA, do Maio de 68 em Paris, da Primavera de Praga e da invasão soviética, da dessacralização do comunismo na Europa, do despertar dos longos colonialismos na África e na Ásia e da queda do apartheid nos Estados Unidos da América e na África do Sul. Por cá, a minha é a geração da Guerra Colonial, do combate ao fascismo, do 25 de Abril e da libertação de Portugal e das Colónias. A minha é a geração de tudo isto e de muito, muito mais! Chamavam-nos então idealistas e sonhávamos com um mundo sem grandes discriminações, sem grandes desigualdades, sem Grandes Guerras. Para isso tinham nascido a ONU, a UNESCO, a Conferência dos Não-Alinhados, a Organização de Unidade Africana e até a Comunidade Europeia, mas também a NATO e o Pacto de Varsóvia. O mundo encontrava-se dividido a partir de Berlim e nós só tarde nos demos conta de que, mesmo algo trôpega, essa divisão nos dava alguma margem de manobra. Hoje, o Mundo já não está dividido e a margem de manobra diminuiu. Já ninguém se questiona se haverá outras fórmulas possíveis de sociedade nem se defendem já ideais ou ideologias. Esses ideais, ao que parece, ficaram residentes na minha geração e em alguns jovens rebeldes e refractários a esta paz mole e quase abjecta que hoje nos querem vender como única verdade. As ideologias passaram a ser amaldiçoadas como peçonha e ninguém parece interessado em repegar a sua discussão. A minha geração sabe contudo, de saber de experiência feito, que elas são imprescindíveis à construção de futuros mais coerentes e de sociedades mais justas. Talvez seja por isso que hoje nos tratam assim! De alguma forma, é a minha geração que assim se trata; de alguma forma, é a parte da minha geração que sempre negou o valor dos ideais e das ideologias, que hoje gere, triunfante, o Mundo tendencialmente abjecto em que vivemos. Este é o Mundo moldado por eles, à sua imagem e semelhança e tendo como única “ideologia” a maximização do lucro de poucos, que eles pretendem legar aos seus descendentes. Para isso, precisam que todos os outros nem sequer questionem a possibilidade de outras verdades, a possibilidades de ideais, a discussão sequer de uma ideologia. Eles pretendem deixar de herança, tal como todos os tóxicos que criaram – resíduos, produtos financeiros, paraísos fiscais, tráfego de drogas, influências e armas- esta sociedade, também ela venenosa. É por isso que nós, enquanto memória do tempo, memória do Mundo, memória da Humanidade, lhes somos uma verdade incómoda. É por isso que a idade deixou de ser um posto e passou a ser uma incomodidade! É precisamente por isso que a idade terá de reassumir o seu verdadeiro papel e dimensão: o papel de memória e de saber de experiência feito. Há que ouvir os velhos e perceber que neles reside apenas o essencial, uma vez que já esqueceram tudo o que aprenderam, e se lembram só de tudo o que viveram. Resta ainda a esperança e a tranquilidade de saber que esta cultura só se transmite de avós para netos e que, assim sendo, nem tudo está perdido. Esperemos que seja possível, desde os bancos dos jardins ou das camas articuladas, no longo tempo de que ainda nos permitimos dispor, passar a palavra que alguns não querem que passe, e assim fazer pular e avançar o Mundo, «como bola colorida, entre as mãos de uma criança»."
(Fernando Pinto via Facebook)

domingo, 21 de julho de 2013

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Madiba - A Melhor das Armas...

Hoje, 18 de Julho, celebra-se o Dia de Mandela... Para o efeito, porque Madiba completa hoje 95 anos, nada melhor do que evocar as suas palavras: "A Arma Mais Poderosa que podemos utilizar para Mudar o Mundo é a Educação!" (Nelson Mandela).

terça-feira, 16 de julho de 2013

Do Regresso do Fascismo...


SE OS POVOS DA EUROPA NÃO SE LEVANTAREM, OS BANCOS TRARÃO O FASCISMO DE VOLTA

(Mikis Theodorakis - Compositor, Prémio Lenine da Paz)

No momento em que a Gréci...
a é colocada sob a tutela da troica, que o Estado reprime as manifestações para tranquilizar os mercados e que a Europa prossegue nos salvamentos financeiros, o compositor Mikis Theodorakis apela aos gregos a combater e alerta os povos da Europa para que, ao ritmo a que as coisas vão, os bancos voltarão a implantar o fascismo no continente.

Entrevistado durante um programa político popular na Grécia, Theodorakis advertiu que, se a Grécia se submeter às exigências dos chamados "parceiros europeus" será "o nosso fim quer como povo quer como nação". Acusou o governo de ser apenas uma "formiga" diante desses"parceiros", enquanto o povo o considera "brutal e ofensivo". Se esta política continuar,"não poderemos sobreviver… a única solução é levantarmo-nos e combatermos".

Resistente desde a primeira hora contra a ocupação nazi e fascista, combatente republicano desde a guerra civil e torturado durante o regime dos coronéis, Theodorakis também enviou uma carta aberta aos povos da Europa, publicada em numerosos jornais… gregos. Excertos:
"O nosso combate não é apenas o da Grécia, mas aspira a uma Europa livre, independente e democrática. Não acreditem nos vossos governos quando eles alegam que o vosso dinheiro serve para ajudar a Grécia. (…) Os programas de "salvamento da Grécia" apenas ajudam os bancos estrangeiros, precisamente aqueles que, por intermédio dos políticos e dos governos a seu soldo, impuseram o modelo político que conduziu à actual crise.

Não há outra solução senão substituir o actual modelo económico europeu, concebido para gerar dívidas, e voltar a uma política de estímulo da procura e do desenvolvimento, a um proteccionismo dotado de um controlo drástico das finanças. Se os Estados não se impuserem aos mercados, estes acabarão por engoli-los, juntamente com a democracia e todas as conquistas da civilização europeia. A democracia nasceu em Atenas, quando Sólon anulou as dívidas dos pobres para com os ricos. Não podemos autorizar hoje os bancos a destruir a democracia europeia, a extorquir as somas gigantescas que eles próprios geraram sob a forma de dívidas.

Não vos pedimos para apoiar a nossa luta por solidariedade, nem porque o nosso território foi o berço de Platão e de Aristóteles, de Péricles e de Protágoras, dos conceitos de democracia, de liberdade e da Europa. (…)

Pedimos-vos que o façam no vosso próprio interesse. Se autorizarem hoje o sacrifício das sociedades grega, irlandesa, portuguesa e espanhola no altar da dívida e dos bancos, em breve chegará a vossa vez. Não podeis prosperar no meio das ruínas das sociedades europeias. Quanto a nós, acordámos tarde mas acordámos. Construamos juntos uma Europa nova, uma Europa democrática, próspera, pacífica, digna da sua história, das suas lutas e do seu espírito.

Resistamos ao totalitarismo dos mercados que ameaça desmantelar a Europa transformando-a em Terceiro Mundo, que vira os povos europeus uns contra os outros, que destrói o nosso continente, provocando o regresso do fascismo
".
(via Manuel Duran Clemente no Facebook)

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Do País - entre o Fundo e a Salvação...

"(...) O INE divulga hoje dados que confirmam a elevada exposição ao risco de pobreza das pessoas que se encontram desempregadas. Mas diz-nos mais: as famílias com crianças dependentes estão entre os grupos que mais viram a taxa de risco de pobreza aumentar em 2011. E que taxas de risco de pobreza mais elevada incidiam sobre os agregados constituídos por dois adultos com três ou mais crianças dependentes (41,2%). O país que volta a ter vagas expressivas de emigração. O país que tanto penaliza as famílias que têm crianças, mesmo tendo uma das mais baixas taxas de natalidade. O país que bate no fundo, ao mesmo tempo que a classe política se entretém com jogos de poder, negociações "estratégicas" (para quem?), birras revogáveis e agendas individuais. E alguém falou em "salvação nacional"... ?! A ironia tem limites..."
(Sara Falcão Casaca in Facebook)

domingo, 14 de julho de 2013

"... Entalar o PS..." - disse ele...

Se dúvidas houver, vale ainda mais a pena ler AQUI a entrevista de Manuel Alegre ao DN... porque, de facto, o essencial de toda esta, -digamos assim!, performance, é criar o completo envolvimento do PS no pântano comprometido em que nos afundamos, retirando-lhe, sem retrocesso!, qualquer possibilidade de evocação de distanciamento relativamente às decisões e opções de uma maioria governamental de que não faz parte - e de que, para o fazer!, o mínimo que se pode exigir é que seja em resultado de uma clara expressão eleitoral. 

Paraísos Fiscais...


(via António Abreu e Auditoria Cidadã no Facebook)

Sonoridades...


Bernardo  Sassetti in "História de Um Amor"...

sábado, 13 de julho de 2013

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Sonoridades...

... "A menina e o piano" de Mário Laginha e Bernardo Sassetti... porque há, nesta sonoridade, um rasto interior de silêncio e, ao mesmo tempo, um distanciamento que nos permite olhar, do lado de fora, toda a ridícula farsa política em que vivemos e em que vamos fingindo acreditar...

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Da Comunicação nos Dias que Correm...

 
"A COMUNICAÇÃO DE CAVACO - Ele e o Seu Governo
 
Nenhuma emoção, absolutamente nenhuma, antecede a comunicação que dentro de pouco tempo Cavaco Silva vai fazer ao país.
 
Não há memória nas comunicações de Cavaco de alguma delas ter a ver com problemas do país.
 
Todas as comunicações que fez até hoje como Presidente da República têm a ver com ele. Com as suas queixas, com as suas justificações, com as suas anteriores advertências, enfim, com assuntos que não interessam nada à generalidade dos portugueses e que têm apenas a estulta intenção de à distância do presente tentar condicionar a história que no futuro se fará sobre a sua actuação enquanto responsável político que por mais tempo, depois de Abril, esteve à frente dos destinos do país. A de hoje não será diferente. Cavaco vai tentar justificar por que mantém o Governo em funções, apesar de aos olhos da maioria dos portugueses se ter tornado evidente que o rearranjo dos protagonistas antes desavindos não merece qualquer credibilidade, consequência, aliás resultante, da falta de credibilidade desses mesmos protagonistas.
 
A Cavaco nem passará pela cabeça explicar aos portugueses as razões que justificam que um partido minoritário se torne, segundo o novo arranjo, no principal responsável pela condução dos negócios públicos. Como igualmente lhe não passará pela cabeça explicar, politicamente, o que é que, segundo ele, este novo Governo tem de diferente relativamente ao anterior.
Não, isso não são interesses que prendam a atenção de Cavaco. Cavaco estará mais interessado em afirmar que, gozando o Governo da confiança da maioria parlamentar, não vai ser ele, como Presidente da República, que irá contribuir para a desestabilização do país.
Desestabilizar, para Cavaco, significa, permitir que o poder mude de mãos quando está nas mãos da direita. A desestabilização para Cavaco nada tem a ver com a políticas que o Governo leva ou tenta levar a cabo contra a vontade da esmagadora maioria dos portugueses, mas apenas com o facto de Governo se encontrar aparentemente coeso. Sendo coesão sinónimo de manutenção em funções quaisquer que sejam as vicissitudes que acompanham essa manutenção e quaisquer que sejam as políticas que conjunta ou separadamente os parceiros da coligação ponham em prática ou publicamente defendam.
Além de ser um inimigo declarado da “instabilidade”, Cavaco também não quer, tal como Passos Coelho ou o CDS, que os sacrifícios dos portugueses tenham sido feitos em vão. Cavaco quer ter a garantia de que esses sacrifícios vão continuar e se vão até agravar, passando a atingir áreas e pessoas que doravante serão muito mais penalizadas do que já foram até aqui.
É isso o que significa realmente evitar que sacrifícios já feitos tenham sido em vão.
É claro que os portugueses sabem perfeitamente que os sacrifícios que até agora fizeram, além de se não justificarem por não serem consequência de factos por eles cometidos, mas antes destinados a salvar os bancos, a pagar os roubos de pessoas ligadas ao poder ou com ele intimamente relacionadas, a repor as verbas necessárias para cobrir os negócios ruinosos, ou mesmo fraudulentos, feitos por governantes no interesse de terceiros, sabem também que esses sacrifícios em nada contribuíram para regularizar aquelas situações que lhes diziam serem as causas de todos os males: redução do défice e da dívida, crescimento económico, etc. Sabem que nada disso se verificou e que, pelo contrário, tudo se agravou a ponto de tais factos se terem tornado hoje realidades económicas verdadeiramente insustentáveis.
O que porventura os portugueses não sabem, ou muitos, pelo menos, não saberão, é que os novos e vultosos sacrifícios que lhes vão ser exigidos são sacrifícios a somar aos anteriores. Sacrifícios que não têm em vista permitir-lhes no futuro uma vida melhor, mas, pelo contrário, consolidar a opção por uma vida pior. Quem hoje estiver reformado e perder uma parte da sua reforma nunca mais a recuperará; quem hoje for agente ou funcionário público e for despedido nunca mais arranjará emprego no Estado; quem hoje passar a pagar mais ou muito mais pelos cuidados de saúde nunca mais vai ver diminuídas as suas contribuições no sector sempre que precisar de recorrer aos seus serviços; quem hoje passar a pagar pela educação dos seus filhos o que ontem não pagava não mais poderá esperar que essas contribuições baixem no futuro ou deixem de existir; quem hoje perder apoios sociais de protecção ao desemprego, à maternidade, à velhice, etc., não mais voltará no futuro à situação em que estava antes.
É nisto e apenas nisto que consiste a ameaça permanentemente feita sob a forma de chantagem destinada a impedir que o poder mude de mãos …para “se não perderem e não terem sido em vão os sacrifícios dos portugueses”.
A “estabilidade” imposta pelos credores e pelos patrões da Europa exige que “esses sacrifícios se não percam”. Exigem que se consolidem!"

terça-feira, 9 de julho de 2013

Somos Todos Sul-Americanos?!

A América do Sul assume uma soberania política que, ao que parece!, o "velho" continente europeu receia, recorrendo a argumentos múltiplos assentes, sempre! (como diria Guerra Junqueiro: "sob o manto diáfano da fantasia"), em interesses económico-políticos... por isso, Bolívia, Nicarágua e Venezuela acederam positivamente ao pedido de asilo político de Edward Snowden, o homem cujas revelações conduzem a sérias suspeitas sobre o caráter potencialmente obsessivo e violador dos direitos fundamentais dos cidadãos, no âmbito do recurso aos serviços, ditos "secretos" de informação, cujo conhecimento e utilização põe em causa esta sua natureza conceptual... vale a pena ouvir AQUI os argumentos de Snowden, bem como a notícia relativa às posturas (autónomas!) dos referidos países sul-americanos:

terça-feira, 2 de julho de 2013

Alterações Climatéricas?! ...

Foice 1 e Foi-se Outro...
... pode ser que ajude...

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Leituras Cruzadas...

Ana Matos Pires no Jugular
José Manuel Correia Pinto no Politeia
Estrela Serrano no Vai e Vem
Sofia Loureiro dos Santos no Defender o Quadrado
Valupi e Isabel Moreira no Aspirina B
José Carlos Pereira no Incursões
Rui Rocha e Luís Menezes Leitão no Delito de Opinião
Miguel Abrantes no Câmara Corporativa
Lopes Guerreiro no Alvitrando
Eduardo Maia Costa no Sine Die
Paulo Pedroso no Banco Corrido
Joana Lopes no Entre as Brumas da Memória
Jorge Carvalheira no Ladrar à Lua
Eduardo Graça no Absorto

Educar o Discernimento...

(via Cristiane Amigo no Facebook)

domingo, 30 de junho de 2013

Sonoridades...


... Jan Gabarek in "Praise of Dreams"...

Solidariedade é...

(via Telmo Rocha no Facebook)

Sonoridades...


(via Maria de Fátima Fitas ... com dedicatória para... mim!)

Da Revolução...

(via João Guerra no Facebook)

Sonoridades Femininas...


(via José Magalhães no Facebook)

Da Natureza Política da Pobreza...


(via Francisco Gentil Apolónio no Facebook)

sábado, 29 de junho de 2013

Do Estatuto Epistémico da "Relação"...

"Texto extraído do livro «Da Intuição artística ao raciocínio estético» de Nadir Afonso.

«Qual é a relação entre o sujeito e o objecto — entre o espírito e a matéria? Do modo como responde a estas perguntas a filosofia tradicional divide-se em dois campos: aqueles que afirmam o carácter primordial do espírito em relação à matéria formam o campo do idealismo; aqueles que afirmam o carácter primordial da matéria em relação ao espírito formam o campo do materialismo.
Assim, a partir de qualquer desses pontos de vista, existe na natureza uma dualidade constituída por dois termos — sujeito-objecto — situados face a face. Em toda esta filosofia, quer idealista quer materialista, só existe o sujeito e o objecto. Não há o labor, o manejo intuitivo, subconsciente de leis apriorísticas que regem e agem quer sobre um quer sobre o outro dos dois termos opostos. Ora, entre o espírito e a matéria intercalam-se, de facto, operações complexas, imprevisíveis pelas ciências constituídas. Quando o filósofo pensa na relação sujeito-objecto, não prevê que esta entidade relação é o fio condutor de inúmeras leis orientadoras das suas diligências. E não prevê porque não exercita a prática da criação própria do artista criador; porque não exerce essa tenacidade reveladora que, para além de toda a criação humana, procura a sua essência universal

© Nadir Afonso"
(via Nadir Afonso no Facebook)

Convite - Festival Terras do Endovélico


sexta-feira, 28 de junho de 2013

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Do "Tudo É e Não É" ao "Estado de Golpe"...

... Vale a pena ouvir a entrevista de Manuel Alegre à SIC-N, ontem, na "Edição da Noite"... a entrevista, a propósito do seu extraordinário e mais recente romance "Tudo É e Não É", é, também, um dos mais contundentes e desassombrados testemunhos sobre o País... a registar, hoje, dia de GREVE GERAL!

O Povo... Unido...

... ontem, na SIC-N, Manuel Alegre afirmou o que é, de facto, fundamental e que todos parecem ir relegando para um papel secundário relativamente à definição da prioridade máxima... por outras palavras e de forma mais feliz, Manuel Alegre disse: "O PS, o PCP e o BE tinham a obrigação de se entender porque é para isso que a esquerda existe: não para fazer as coisas com mais um bocadinho de sensibilidade social mas, sim, para MUDAR!"...

Do Sentido Geral da Greve...


quarta-feira, 26 de junho de 2013

Da Greve Geral à Defesa de Abril...

... em jeito de síntese, sobre o sentido desta Greve Geral, vale a pena visitar o sítio a que podemos aceder AQUI e ler o texto da Associação "Conquistas da Revolução" que chegou via Manuel Duran Clemente e que aqui transcrevo:

«A “Associação Conquistas da Revolução”, face à gravidade do momento que se vive no nosso país, declara total solidariedade com as lutas entretanto desenvolvidas pelos trabalhadores, pela juventude, pelos homens e mulheres de Abril, manifesta o seu total apoio à greve geral convocada para 27 de Junho e apela à participação dos seus associados e de todos os democratas em defesa das conquistas soberanas do povo português na construção dum futuro melhor, livre de ingerências e imposições estrangeiras.

A progressiva destruição das conquistas de Abril é inaceitável e obriga a recorrer às formas de luta adequadas no quadro constitucional. Impõe-se, assim, fazer deste dia - de greve geral contra o pacote de exploração e empobrecimento - uma grande demonstração de repúdio ao violento e injusto ataque à dignidade e independência dos portugueses e demonstrar a unidade dos trabalhadores e do povo.

 Defender Abril. Conquistar o Futuro.»
 
 

terça-feira, 25 de junho de 2013

Sonoridades...

... via Francisco Colaço no Facebook...

Dos Itinerários Paradigmáticos...


... fazer a história contemporânea implica perceber o pensamento, a cultura política e o quadro mental dos políticos dos nossos dias...
(vídeo partilhado via Helena Calvet e Rodrigo Henriques no Facebook)

Madiba, Sempre!


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Sonoridades...


... "Love is All" de Roger Glove in "The Butterfly Ball" (1974)...

Pseudodemocracia - Entre a Revolução e a Ditadura

Na crueldade abusiva e indiferente com que a política vai conduzindo os tempos, como se a servidão, a pobreza e a dependência fossem naturais por inerência à condição social da vida humana, vale a pena registar as palavras de D. Januário Torgal que podemos ler AQUI e a síntese assertiva de um homem cuja experiência e determinação em marcar o pensamento e a história de Portugal podemos encontrar no texto que, a seguir, transcrevo:

«O antigo Presidente da República Mário Soares considera que a «democracia está em baixa», porque as pessoas tem «muito medo», mas, adverte, o desespero é tal que aqueles que têm fome podem zangar-se.

Em entrevista ao jornal "Público", o histórico socialista afirma que os portugueses não reagem com veemência às dificuldades que estão a atravessar porque "há muito medo na sociedade portuguesa".
"É por isso que a democracia está em baixa, porque não havia medo e hoje há muito medo. As pessoas têm de pensar duas vezes quando têm filhos. Mas é uma coisa que pode levar a atos de violência", adverte.
Mário Soares ressalva que é uma situação que não quer que suceda. No entanto, "pode acontecer, porque o desespero é tal que aqueles que têm fome podem zangar-se".
Fazendo um paralelismo sobre a reação dos portugueses às dificuldades que atravessam e o que se passa no Brasil, afirma que "no Brasil vieram para a rua de forma pacífica porque acham que há muita corrupção. Aqui, em Portugal, não há corrupção a rodos, porque a justiça não funciona. Ou por outra, a justiça só funciona para os pobres".
"Aos que roubam milhares de contos ao Estado, em bancos e fora de bancos, não lhes acontece nada", critica. Mário Soares receia que a seguir à crise política possa "vir uma revolução": "Eu esperaria que fosse pacífica, mas pode não ser". Pode também seguir-se uma ditadura, o que "era ainda pior", sublinha.
O antigo presidente considera que não existe uma relação entre o país e o Governo, que "ignora o povo", e que a "democracia está em perigo".
Neste momento, somos uma pseudodemocracia, porque a democracia precisa de ter gente que resolva os problemas", diz, questionando: "Quando o Presidente da República não é capaz de resolver nada a não ser estar de acordo com o Governo, e o Governo não faz nada porque não tem nada para fazer, nem sabe o que há-de fazer, o que é que se passa?"
Sobre o que faz a oposição, Mário Soares afirma: "protesta". "Eu não tenho nenhuma responsabilidade política, nem quero ter, mas penso, leio, escrevo e estou indignado, claro, porque estão a destruir o país", sublinha.
Questionado pelo Público sobre se o Banco Central Europeu devia estar a emitir moeda, Mário Soares foi perentório: "pois claro". Não admite a saída do euro, frisando que é a "favor do euro e da União Europeia, embora não aceite que a chanceler Merkel seja uma pessoa não solidária com os outros países, é contra o espírito da União Europeia.
Relativamente ao presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, Mário Soares acusa-o de ser "um camaleão", considerando que Portugal não ganhou nada em tê-lo naquele cargo. "Foi só desprestigiante para Portugal. Nunca achei que ele podia ser bom. Avisei sempre, escrevi que era um grande erro. Diziam que era português, mas na Europa não há portugueses, nem de qualquer outro país, há europeus", comenta.
Mário Soares diz ainda que Durão Barroso "não pode" chegar ao cargo de secretário-geral da ONU, "depois de tudo o que disseram dele, a senhora Merkel, os franceses e tantos europeus". "Futuro político acho que não tem", remata.»
 in DIÁRIO DIGITAL/LUSA

domingo, 23 de junho de 2013

Da Lua Cheia...


... hoje, em pleno Solstício de Verão de 2013...

Direitos Humanos - Princípio da Igualdade...

Constituição da República Portuguesa
 
 
Artigo 13º (Princípio da igualdade)1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

Coimbra, Património da Humanidade...

A UNESCO reconheceu Coimbra como Património da Humanidade! Estamos, todos!, de Parabéns!

sábado, 22 de junho de 2013

Leituras Cruzadas - Osvaldo de Castro




Nestes dois últimos dias, em que terminou a Primavera e se deu início ao Verão, Osvaldo Castro foi visitado por todos (ou quase todos) os que cruzaram o seu caminho, com afetos, dedicação, amizade, admiração, respeito, camaradagem, reconhecimento, cumplicidade, estima e consideração... merecida e justamente como o atestam a sua vida e a sua obra!... Vale a pena, para quem menos o conheceu e para quem muito o acompanhou e admirou, evocar aqui as palavras que foram sendo escritas, nestes dias, sobre a perda que representa para o País, a Política e a Democracia:

Rui Namorado no Grande Zoo
Raimundo Narciso no Puxa Palavra
Francisco Seixas da Costa no Duas ou Três Coisas
José Magalhães, Quinta-feira no Facebook
Manuel Alegre no site Manuel Alegre
Valupi no Aspirina B
Ana Sá Lopes no Ionline
Rodrigo Henriques no Folha Seca
Medeiros Ferreira no Cortex Frontal
Nélia Cid no Pombal do Marquês
Ariel no Cirandando
MCR no Incursões
Miguel Abrantes no Câmara Corporativa
... e no Público, apesar do texto integral ser acessível apenas a assinantes, vale a pena destacar o artigo da jornalista São José Almeida, mas, também o do Diário de Notícias na edição impressa de ontem, 6ªfeira, dia 21 de Junho...

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Osvaldo Castro - Da Liberdade e do Legado...

 
 
Discurso do 25 de Abril - Assembleia da República

(Sempre Vivo e In Memoriam):


"Subo a esta tribuna, em nome do Grupo Parlamentar do Partido Socialista para saudar o 25 de Abril da liberdade, da tolerância, da igualdade e da fraternidade.
 
O 25 de Abril da democracia, da descolonização e do desenvolvimento. O 25 de Abril da paz, mas também das utopias e dos sonhos ainda por concretizar.
 
E esta saudação vai inteirinha e directa para Vós, Caros capitães de Abril, que reiteradamente, ano após ano, honram o Parlamento com a Vossa significativa presença. E tudo porque sonharam e concretizaram a madrugada, essa madrugada, em que os corações dos portugueses se alvoroçaram. E assim nasceu “O dia inicial inteiro e limpo/ Onde emergimos da noite e do silêncio…” como a celebrou Sophia de Mello Breyner num dos seus belos poemas.
 
Sim, vivíamos num enclausurado silêncio, numa longa noite que se arrastava por mais de 48 anos e que se entrecortava com uma guerra colonial que devastava pela morte, pela mutilação e pela doença, vastos milhares de jovens portugueses, mas também muitos milhares de jovens guerrilheiros e simples cidadãos africanos. Obviamente, Portugal sangrava em África os recursos humanos e financeiros.
 
O mesmo é dizer, vivíamos num país esmagado pela fome e pela mais pesada miséria. Claro, não havia liberdade de opinião, nem liberdade de imprensa, nem liberdade de reunião, de manifestação ou de greve. O regime assentava num partido único e no poder ilimitado da polícia política.
 
Centenas dos nossos melhores intelectuais e homens da cultura foram forçados ao penoso exílio e assim afastados compulsivamente das suas cátedras universitárias e carreiras académicas. Milhares de jovens optaram por desertar ou mesmo não aceitar serem incorporados com destino à guerra colonial.
 
Mas, também o quero assinalar, houve sempre muita gente que se empenhou na luta contra a opressão. Democratas, operários, camponeses, estudantes, mulheres, intelectuais, enfim, uma grossa corrente de opinião que, por isso, penou nas prisões políticas ou até sucumbiu às balas ou aos maus tratos dos esbirros do fascismo.
 
É que, parafraseando o poeta, “houve sempre alguém que resistiu e houve sempre alguém que disse não”. Saúdo, também, todos esses cuja memória deve para sempre perdurar. Mas é inquestionável que foi um punhado de indómitos e jovens capitães que ousou levar de vencida a ditadura e interpretar os mais lídimos sentimentos de um povo, que os saudou e motivou, naquela madrugada de 25 de Abril de 1974.
 
“Esta é a madrugada que eu esperava…”disse Sophia. Falava por todos os portugueses!
 
Passados que são 34 anos podemos dizer que Portugal é um país que dispõe de uma Constituição democrática, onde estão lapidarmente inscritos os princípios basilares da democracia, onde se garantem os direitos fundamentais, em que está assegurado o primado do estado de direito democrático, consagrados o direito à opinião e expressão livres, mesmo quando são avessas à democracia, ou até a afrontam, onde se encontram plasmados os direitos, liberdades e garantias que enformam o nosso regime democrático representativo e pluralista.
 
E mais, creio ser quase consensual asseverar que a nossa Constituição não se constitui em qualquer factor de limitação ou impedimento aos legítimos interesses daqueles que querem conviver sadiamente com o regime democrático, mesmo em termos de iniciativa económica. E o mesmo se pode dizer da legitimação democrática do 25 de Abril, através dos sucessivos actos eleitorais para os diversos órgãos conformantes da nossa estrutura democrática.
 
Vale por dizer que a legitimidade inscrita no frontispício do nosso estado democrático é a que radica no voto popular. E tudo sem prejuízo do recrudescimento do papel da democracia participativa, bem ilustrado pelos três referendos já realizados, pelo instituto da iniciativa legislativa de cidadãos e pela faculdade de os cidadãos se poderem candidatar a eleições autárquicas sem carecerem do patrocínio partidário.
 
Nesta democracia paulatinamente consolidada, há também que salientar o papel crescente da sedimentação e ampliação da autonomia e dos poderes e atribuições das instituições representativas do poder regional, que daqui saudamos. E de igual modo sublinhamos e saudamos o poder local democrático e os milhares de cidadãos que nas assembleias e nos executivos autárquicos têm dado o seu melhor para fazer de Portugal, freguesia a freguesia, concelho a concelho, um país moderno e com mais qualidade de vida e onde cada vez mais apeteça viver.
 
Mas para além dos direitos democráticos e da descolonização, Portugal vai sendo cada vez mais um país que não recebe lições de ninguém em matéria de direitos sociais. Tudo porque a consagração constitucional e legal de um catálogo de direitos fundamentais dos trabalhadores, o salário mínimo, o direito à greve, à liberdade sindical, o direito pleno à segurança social, ao subsídio de desemprego, às prestações sociais, às pensões de reforma, e ao rendimento social de inserção e a protecção na doença, são pilares de um verdadeiro estado social que faz transparecer a valorização dos direitos sociais e a preocupação com a coesão social.
 
E tudo isto, que são diferenças por demais relevantes, no plano político e social, em confronto com os tempos da ditadura, deve-se em primeira instância ao 25 de Abril e aos 34 anos que já lhe sucederam.
 
Mas o 25 de Abril teve também o mérito de reintegrar o nosso país no mundo onde, por força do regime autoritário, estávamos absolutamente isolados e desprestigiados. Foi a instauração da liberdade e a instituição de um regime democrático em Portugal que permitiu que o então primeiro-ministro Mário Soares pudesse assinar em 1985 a adesão à Comunidade Económica Europeia. E, indiscutivelmente, foi a nossa reconciliação com os areópagos internacionais e sobremaneira a nossa integração política na Europa que permitiram acelerar, consolidar e aprofundar a democracia portuguesa.
 
Por outras palavras, Portugal é uma democracia parlamentar vinculada constitucionalmente ao conjunto de direitos políticos e sociais e ao modelo social europeu. E se dúvidas restassem, aí está a referência no Tratado de Lisboa à Carta dos Direitos Fundamentais, o que lhe confere valor jurídico com força de tratado e implica força jurídica vinculativa.
 
Ora, os seis capítulos da Carta que se referem aos valores e direitos fundamentais da dignidade, das liberdades, da igualdade, da solidariedade, da cidadania e da justiça constituem, como aqui disse 4ª feira o primeiro-ministro, a “fundação da cidadania europeia” e traduzem-se, de facto, num dos maiores ganhos de causa do Tratado. Também por isso se saúda o novo impulso para o desenvolvimento do projecto europeu que a aprovação do Tratado de Lisboa significa. A contribuição para a aprovação deste Tratado por parte da Presidência portuguesa da União Europeia é um grande feito de Portugal e da sua diplomacia e é uma circunstância feliz que esta celebração do 25 de Abril ocorra 2 dias depois de este parlamento ter aprovado o Tratado de Lisboa.
 
É que, para além de haver, agora, condições para superar os impasses em que a União estava mergulhada, é um facto que o Tratado retoma e aprofunda os valores europeus, ou seja, a vinculação aos direitos humanos, à paz e à valorização dos direitos sociais, assim se acentuando a coesão, uma nova dimensão da economia e o aprofundamento do controlo democrático por parte dos parlamentos nacionais das decisões legislativas e não legislativas oriundas da Comissão. Mas, deixem-me sublinhar, creio que vai sendo cada vez mais indiscutível que a participação de Portugal na União Europeia tem sido, até agora, uma história de sucesso. Foram criadas condições económicas, sociais e culturais para que Portugal acedesse ao conjunto dos países mais desenvolvidos do mundo. Nos últimos 20 anos, o país progrediu em termos da melhoria de indicadores de qualidade de vida e de saúde, transformaram-se profundamente as condições de mobilidade e acessibilidade. Portugal reagiu favoravelmente à crescente importância do tema da sustentabilidade ambiental, alinhou positivamente nos progressos da sociedade de informação e do governo electrónico e revelou uma capacidade significativa de integração de populações etnicamente diversificadas. Por outro lado, a integração europeia propiciou condições favoráveis ao crescimento estruturado do sistema científico nacional e à sua internacionalização. Com a ajuda dos fundos estruturais e de coesão -a maior operação de solidariedade económica na história recente de Portugal – o país foi elevado a outro nível de expansão económica, como o evidencia a convergência do seu Produto Interno Bruto com a média comunitária. Sim, é verdade que o PIB per capita (em padrão de poder compra) que era de 54,2% em 1986, passou para 68%, em 2003 e atingiu 75% em 2006 (último ano disponível) e com referência tão só a UE a 15, o que significa que o cálculo a 27 dará valores ainda mais convergentes e uma diminuição substantiva da diferença do nosso país relativamente à média comunitária. O 25 de Abril significa a refundação da democracia em Portugal.
 
A democracia é um processo inacabado, que requer constante aprofundamento. O Parlamento é a casa da democracia. Não se pode, pois, deixar de assinalar hoje que esta sessão legislativa já decorre sob o signo de um novo Regimento que trouxe maior centralidade ao Parlamento, consubstanciadas no reforço das suas competências de fiscalização do Governo e da administração e o aumento significativo dos poderes da oposição. Esta reforma inscreve-se, aliás, na linha das decisões estruturantes para a reforma da democracia, que a Assembleia já tomou ao longo desta legislatura: a consagração legal do princípio da paridade, a limitação dos mandatos legislativos, o aperfeiçoamento do registo de interesses e incompatibilidades, assim como outros instrumentos do papel do deputado e da deputada. Felizmente, estas mudanças já inspiraram também a iniciativa de revisão do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores e só é de esperar que venham também a inspirar outras realidades do território nacional, porque a democracia que hoje celebramos só é verdadeiramente democrática lá onde todos os deputados são respeitados como legítimos representantes dos que os elegeram, onde os direitos das oposições são estimados e se verifica a fiscalização política pelas assembleias representativas.
 
É por isso que se pode dizer com verdade que o 25 de Abril valeu a pena. Não ignoramos que subsistem problemas, que há ainda pobreza, que há desemprego e situações de vida dolorosas para muitos portugueses. Mas mesmo essas situações têm vindo a ser atalhadas, minoradas e há medidas em curso para as corrigir. Mas também ninguém pode ignorar que além da ciclópica tarefa de corrigir o défice e pôr em ordem as contas públicas, as verdadeiras reformas estruturais, as que podem criar as condições para um desenvolvimento económico sustentado têm estado na agenda do governo.
 
Ao celebrarmos o 25 de Abril queremos que fique claro, particularmente para os mais jovens, aqueles que estão abaixo dos 40 anos, que a “revolução dos cravos”, uma revolução pacífica, devolveu a todos nós a dignidade e o orgulho de sermos portugueses.
 
Sim, o 25 de Abril, gesto heróico de jovens capitães, valeu a pena, porque melhorou a vida dos portugueses, acabou com uma guerra fratricida e conferiu aos cidadãos de Portugal os direitos, liberdades e garantias que a ditadura sempre nos negou.
 
É por tudo isto e pela honra de ter subido à tribuna em Sessão de tamanha relevância que estas palavras são dedicadas ao Ernesto Melo Antunes que fez o favor de ser meu Amigo, desde que nos conhecemos no Regimento de Artilharia de Leiria, ano e meio antes do 25 de Abril, ao António Marques Júnior, ele sabe porquê…e nestes dois envolvo todos os capitães de Abril. E, inevitavelmente dedicadas também aos jovens da Crise Académica de 1969, em Coimbra, na pessoa do Alberto Martins que sempre nos representou a todos.
 
Mas palavras dedicadas também a alguns jovens que estando na casa dos 30 anos, ou até menos, e porque lhes conheço a devoção pelo 25 de Abril, que conhecem de ler e de ouvir contar, ou porque estão no meu coração ou porque tão simplesmente são o penhor do nosso futuro democrático, mesmo quando discordem de algumas palavras que proferi.
 
O 25 de Abril foi “o dia inicial inteiro e limpo”…Por isso, Filipa, Gabriela, João Martins, Rute, Daniel Filipe, Vanda, Nélia, João Nuno, Odete, Catarina, Tiago, Guilherme, Cristianne, Dinis, e também para vós senhores deputados, os mais jovens de cada uma e de todas as bancadas.
 
O 25 de Abril foi “o dia inicial inteiro e limpo”…………………. Guardem -no para sempre!"
 
OSVALDO CASTRO in "A Carta a Garcia"(2008)

Sonoridades... Para Sempre!

... o poema e a música de "Llorona" na voz de Chavela Vargas... Imortal!...

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Sonoridades...

... "Paciência" dos... Lenine! (via Maria de Fátima Fitas no Facebook)

domingo, 16 de junho de 2013

Da Crise ao Compromisso da Alternativa Possível...

Amanhã, segunda-feira, dia 17, há Greve de Professores. Dia 27, a Greve será Geral na prossecussão de uma luta contra a austeridade que, no nosso país, se desenvolve, perante uma classe política dividida entre a ousadia da sua prática e a incapacidade de unir esforços para encontrar soluções reais de compromisso "à esquerda", capazes de fazer jus à democracia e ao povo que saiu à rua para apoiar Abril de 74! Entretanto, no mundo que nos envolve e nos configura, são conhecidas as dimensões do controle informativo internacional através das fugas de informação da CIA, bem como o uso assumido das armas químicas na guerra em curso na Síria e a escalada do fundamentalismo por sobre a chamada "primavera árabe"... O século XXI soçobra sobre as conquistas do século que o antecedeu e encontra-se, perigosamente, à beira de "vergar"... Felizmente, talvez já tarde!, os socialistas europeus reunem em Paris para tentar encontrar forças alternativas de governar a União Europeia, libertando-a do jugo neoliberal capitalista a que submergiu, sob a liderança alemã de Angela Merkel... falam e são ouvidos, entre vários discursos e várias vozes, Jacques Delors e Martin Schultze... porém, para ser eficaz e passar à prática como uma política concreta de imediatos efeitos na vida dos cidadãos, talvez devessem ter convidado todos os outros que, com seriedade, conseguirão assumir compromissos que confiram prioridade efectiva à liberdade, à igualdade, à justiça e à dignidade das condições de vida de todas as pessoas residentes no espaço comum europeu... porque só assim se poderá, realmente, recuperar e revitalizar o espírito inicial -agora, de facto!, mais objetivo, realista e limpo- do projeto da Europa Social assente nos princípios da Liberdade, do Pleno Emprego, das Nações e das Regiões, da Cultura, da Não-Discriminação, da Igualdade de Tratamento e de Oportunidades, da Harmonização e da Solidariedade.

sábado, 15 de junho de 2013

Da Política, da Mudança e da Humanidade...

(via Alfredo Barroso no Facebook)

Islamismo Guineense Contra a Prática da Excisão...

Em Fevereiro do ano em curso, foi conhecida uma notícia importantissima, cuja divulgação não obteve o destaque que o seu teor justifica!... Com um atraso de vários meses, aqui fica - para conhecimento, regozijo e partilha:

"Guiné-Bissau: Líderes islâmicos decretam proibição da excisão no país
Prática afeta 50 por cento das raparigas e mulheres
 
Líderes islâmicos guineenses pronunciaram esta quarta-feira no parlamento do país uma Fatwa (um decreto religioso) proibindo a prática de excisão que afeta cerca de 50 por cento de raparigas e mulheres. Cerca de 200 imãs vindos de todas as partes do país assistiram no parlamento à leitura da Fatwa e declararam solenemente que a partir de hoje vão reforçar o apelo para o abandono da prática da excisão por não ser uma recomendação do Islão. «De facto a excisão não está no Islão e nos ensinamentos do Profeta Maomé também não vimos nada disso, até porque as filhas do Profeta, as filhas dos seus discípulos, não foram submetidas à excisão. Isto é um uso e costume de certas comunidades islâmicas», declarou o imã Mamadu Aliu Djaló, da mesquita central de Bissau. O imã Djaló, que é também o segundo vice-presidente do Conselho Superior dos Assuntos Islâmicos, defendeu que, com a adoção da Fatwa, «todos os líderes religiosos islâmicos» guineenses «sabem que devem abandonar esta prática». O presidente do parlamento guineense, Ibraima Sory Djaló, que presidiu ao ato, declarou que «alcançou-se um grande marco» no país com a adoção da Fatwa, o que, disse, vai ao encontro da lei aprovada pelos deputados em 2011 criminalizando a prática. «Esperamos agora que a lei seja respeitada para que não seja necessário que se prendam pessoas por causa da excisão» na Guiné-Bissau, declarou Sori Djaló, apelando, contudo, para o reforço da divulgação da lei. Para Fatumata Djau Baldé, presidente do comité nacional de luta para o abandono das práticas nefastas, um consórcio de 18 ONG guineenses e estrangeiras, «hoje é um grande dia» na luta contra «a tragédia silenciosa que afeta cerca da metade das raparigas e mulheres» da Guiné-Bissau. «Hoje é um dia histórico. Não ganhámos a guerra contra a excisão mas alcançámos uma grande conquista contra essa prática degradante para a saúde da mulher guineense», disse Djau Baldé, emocionada. O ministro da Saúde Publica guineense, Agostinho Cá, considerou o dia de hoje como sendo aquele em que se prestou um dos melhores serviços ao povo com a adoção da Fatwa «pelos chefes religiosos» islâmicos, «proibindo uma prática secular» que se caracteriza pela submissão da mulher a situações «atentatórias à sua dignidade». Assistiram à leitura e adoção da Fatwa, a primeira a ser pronunciada na Guiné-Bissau, elementos do corpo diplomático e o representante adjunto do secretário-geral das Nações Unidas, Gana Fofang, que é também o coordenador do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) no país."
(Por: tvi24 / LF | 2013-02-06 - via Paula Brito no Facebook)

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Sonoridades... animadas!

(via Clara Sertório no Facebook)

João Pinto e Castro...

In Memoriam de João Pinto e Castro, nada melhor que reler a sua última crónica: "Memorando para a Salvação do Capitalismo"...

quinta-feira, 13 de junho de 2013

"O meu país...



 
"O meu país sabe às amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande ,
...
nem inteligente, nem elegante o meu país, mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas....
"
 
(Eugénio de Andrade in "As Mãos e os Frutos")
 
(via Ilda Figueiredo no Facebook)

Sonoridades Intemporais...


... "Etude", Opus 25, nº11... o som inconfundível de F.Chopin... pelas mãos de Anna Fedorova.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Da Grécia à Morte da Democracia Europeia!?.

... é só mais um passo... porque, por mais argumentos que apresentem sobre gastos e despesismo, um Estado de Direito, democrático, não ousaria eliminar um organismo público cuja missão é informar e dar voz à liberdade de expressão - nomeadamente, por considerar que o facto poderia por em causa os princípios democráticos da liberdade e da igualdade!... Pelo contrário, esforçar-se-ia para manter, pelo menos!, os símbolos dos valores em que assentam os pilares das sociedades que, a custo de sangue, suor e lágrimas, o século XX construiu... por muitos condicionalismos que isso implique e por muito aquém que a realidade sempre fique do desejável!... fica assim claro e assumido: a austeridade é, inquestionavelmente, até do ponto de vista simbólico!, inimiga da democracia!... resta-nos a evocação do pensar de Mahatma Gandhi: "Nunca percas a fé na humanidade, porque ela é como um oceano... só por nele existirem algumas gotas de água suja, não significa que esteja completamente sujo.” 

terça-feira, 11 de junho de 2013

Da Convergência como Avenida...

Ouvi na televisão as palavras de António Costa e de Jerónimo de Sousa na inauguração da Avenida Álvaro Cunhal, em Lisboa... comoveu-me a dignidade do Presidente da CML ao referir a "seriedade pessoal" de Álvaro Cunhal... comoveu-me porque, de facto, é de seriedade que se trata quando pensamos na responsabilidade cívica e humana que a existência, associada à ética, implica, no que à atividade política respeita... por isso, agradeço-lhe hoje essas palavras, transcrevendo o texto da Antena 1 que encontrei no blogue Antreus da autoria de António Abreu:

"Apelo de António Costa a "convergência" na inauguração da Avenida Álvaro Cunhal


«Antena 1 - 08 Jun, 2013, 14:48

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, apelou hoje à "convergência no essencial", na cerimónia de inauguração da Avenida Álvaro Cunhal, na freguesia lisboeta do Lumiar, durante a qual foi tocada "A Internacional".
O autarca socialista considerou que o centenário do nascimento de Álvaro Cunhal acontece num tempo difícil, que "exige a nossa intervenção e não a nossa indiferença, a nossa ação e não a nossa submissão, a nossa convergência no essencial e não a nossa divisão no acessório.
Precisamos de ideias, de causas, de esperança e de confiança no futuro", afirmou."Penso que o melhor tributo que podemos prestar a Álvaro Cunhal é olhar para aquilo que na sua vida e na sua luta nos pode inspirar, unir e mobilizar.
Falo no seu exemplo de seriedade pessoal, da coragem na adversidade, da audácia na ação, da capacidade de resistir e de persistir, da clareza nos propósitos e objetivos, da firmeza e da tenacidade na luta", acrescentou.
Segundo António Costa, "qualquer que seja o juízo que se tenha" das ideias e do legado político de Álvaro Cunhal, "ninguém lhe pode negar a entrega total e pessoalmente desinteressada àquilo em que acreditava, a coerência firme e inflexível, a militância constante e determinada, a fidelidade e a devoção aos seus princípios ideológicos e políticos".
"Ao atribuir o nome de Álvaro Cunhal a uma avenida da nossa cidade, a Câmara Municipal de Lisboa cumpre a sua responsabilidade institucional na construção de uma memória coletiva aberta, plural, tolerante e atualizada", defendeu, acrescentando mais tarde que o líder histórico do PCP "era uma figura imprescindível no espaço público da cidade de Lisboa".
Questionado pelos jornalistas sobre se tinha feito um apelo a uma convergência da esquerda, António Costa riu-se e escusou-se a desenvolver o assunto.»"

(via Antreus, de António Abreu, também no Facebook)



Este é o Olhar...

Nadir Afonso
(via Centro Nadir Afonso no Facebook)

domingo, 9 de junho de 2013

Do Amor...

 
"A UM TI QUE EU INVENTEI

Pensar em ti é coisa delicada.
...
É um diluir de tinta espessa e farta
e o passá-la em finíssima aguada
com um pincel de marta.

Um pesar grãos de nada em mínima balança,
um armar de arames cauteloso e atento,
um proteger a chama contra o vento,
pentear cabelinhos de criança.

Um desembaraçar de linhas de costura,
um correr lã que ninguém saiba e oiça,
um planar de gaivota como um lábio a sorrir.

Penso em ti com tamanha ternura
como se fosses vidro ou película de loiça,
que apenas com o pensar te pudesses partir."
 
ANTÓNIO GEDEÃO, in "POESIA COMPLETA"
(via Maria Albertina Silva no Facebook) 

Do Poder Catártico da Arte...




... de Jean Metzinger, La Femme au Cheval (1911-1912)

(via Teresa Cristina Xavier no Facebook)

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Destes tristes tempos...

Porque razão nos faltam as palavras quando o tempo nos arranca o coração e nos atira contra este muro de silêncio onde teimam em escrever as palavras vãs, cruéis e sórdidas com que justificam a realidade? Quem parte de um horizonte virtual fala de visões sem correspondência concreta... e nem o medo é medo quando é o medo que fala!... ficamos pois, parados, estarrecidos e incrédulos, à beira de uma improvável mas plausível plateia que assiste à crueldade cega e insconsciente com que uns pensam o mundo dos outros - neste que é afinal o mesmo e único mundo, potencialmente capaz do aperfeiçoamento e atualmente incapaz de mudar!... tempos tristes, talvez!?... quiçá necessários ao auto-entendimento da Humanidade?!... quiçá inúteis!?... de qualquer modo, sim... indubitavelmente... tristes!  

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Da Voz como Emoção...


... quando é preciso deixar falar a voz do coração para ultrapassar a mágoa resultante deste constatar racional do exercício de um irracional poder de desumana gestão desta Humanidade que apenas se materializa... em cada cidadão, em cada sociedade, em cada cultura e em cada povo!...

sábado, 1 de junho de 2013

sexta-feira, 31 de maio de 2013

A "Dança do Desempregado"...

... de Gabriel o Pensador... a fazer lembrar B. Brecht... hoje tu... amanhã eu!... talvez seja triste a constatação mas, a verdade é que, quando não se perspectivam alternativas, o desespero sustenta a solidariedade... e a esperança!...

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Não! - Um Imperativo Categórico...

 
(a imagem do cartaz chegou via Nuno Ramos de Almeida no Facebook)

Desigualdades? Não, Obrigado!


A percepção e a reação às desigualdades é, mais do que se poderia pensar!, extensível a outras espécies... vejam o que acontece quando, a dois macaquinhos a quem se pede o mesmo desempenho (entregar uma pedrinha) se retribui de forma diferente (com uvas ou pepinos)...
Recomenda-se a reflexão, a partir da analogia...
(o vídeo chegou via Nuno Ramos de Almeida no Facebook)

domingo, 26 de maio de 2013

Da Humanista Arte da Vida e da Política...

 
"(...) É bom que jamais percam a necessidade e o gosto de escrever, de pintar, de tocar um instrumento, de mesmo em silêncio, sem assim se chamarem, continuarem a ser artistas." (p.202)

Álvaro Cunhal in "A Arte, o Artista e a Sociedade"
(Editorial Caminho, Lisboa, 1996)

sábado, 25 de maio de 2013

Para Amanhecer ...

... "Le Métèque" de Georges Moustaki... em português! (via José Manuel Correia Pinto no Facebook)

Maio - da Poesia à Revolução...


... porque "Le Méteque" foi símbolo do Maio de 68 e Georges Moustaki, na sua infinita simplicidade e doçura humana, feita da multiculturalidade que nos fez chegar aqui e nos levará mais longe, "já não mora aqui" mas, cá ficará... na História, para sempre!

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Uma Pérola Intemporal - Homenagem a Georges Moustaki

(via Diamantina Evaristo no Facebook)

Sonoridades...


... "Ma Liberté" na voz de Georges Moustaki... uma homenagem que partilho a partir da inspiração de Maria Leonor Balesteros no Facebook...