Por ser particularmente sensível, crítica e atenta ao discurso dos Técnicos Superiores de Serviço Social (Assistentes Sociais), por quem, regra geral, nutro o maior respeito, na medida em que conheço diversas gerações de licenciados nesta área, com as quais trabalhei e para quem tive a honra de lecionar durante 12 anos, quero partilhar o texto de um profissional que põe o dedo na ferida da contemporaneidade da sociedade portuguesa, com a autoridade moral de quem conhece a realidade onde se vivem os dramas maiores que possamos imaginar e que, também ou essencialmente por isso, legitimam considerações, cuja leitura vos sugiro AQUI. Num momento em que, em Portugal, estranhamente (ou talvez não!?), a ditadura dos mercados é utilizada para justificar a penalização da liberdade de opinião, em que a "confiança política" exige a abdicação do exercício de pensar e de se associar (veja-se o caso extremo das recentes exonerações de Sevinate Pinto e Vitor Martins) e em que a Europa dos Direitos Sociais "verga" aos pés de uma Alemanha economicamente militarizada que exerce, "sem peias", o abuso do poder numa Comissão Europeia transformada em mera gestora de interesses, alheada da sua natureza e dimensão supranacional fundadora (da qual, aliás, suspeitaram, desde a primeira hora!, os mais prudentes e inteligentes académicos da jurisprudência institucional e económica alertando, já no final dos anos 80, para os riscos confirmados agora, quase 30 anos depois), o quotidiano não é mais do que o palco de uma associação estrutural entre pobreza e violência, que se configura em representações sociais e políticas cada vez mais perigosas e mais afastadas do interesse público - a que, também legitimamente, se pode chamar interesse nacional!... Neste contexto, parece agonizante toda a dinâmica democrática porque, como se não bastasse o drama que esta realidade significa para o exercício dos direitos de cidadania e para a sobrevivência e qualidade de vida das pessoas e das famílias, não há oposições políticas credíveis e competentes... de outro modo dito, quiçá porque os políticos são reflexo da sociedade de que emergem e, consequentemente, porque a sua qualidade não contribui para tornar mais coesa e autónoma a sociedade em que se inscrevem, estamos em plena "travessia do deserto", designadamente porque, como diz Adriano Moreira, não dispomos de lideranças, nem estadistas capazes!... E a esta afirmação permitam-me que acrescente: não temos lideranças nem estadistas capazes de compreender, enfrentar e procurar soluções para a sociedade, a economia e interdependência globalizada em que a ambição dos mercados transformou a vida societária, levando a que o provincianismo político, dominante nos Estados-nação, "vendesse" aparelhos produtivos e soberanias, a troco de um pseudo-prestígio de curta duração... num ciclo que, como sempre acontece com culpados que se não assumem como tal!, tende a insistir nos métodos e princípios de que resultou o agravamento e a generalização da pobreza... e da violência!... quinta-feira, 13 de março de 2014
Pobreza e Violência - Representações Sociais e Políticas
Por ser particularmente sensível, crítica e atenta ao discurso dos Técnicos Superiores de Serviço Social (Assistentes Sociais), por quem, regra geral, nutro o maior respeito, na medida em que conheço diversas gerações de licenciados nesta área, com as quais trabalhei e para quem tive a honra de lecionar durante 12 anos, quero partilhar o texto de um profissional que põe o dedo na ferida da contemporaneidade da sociedade portuguesa, com a autoridade moral de quem conhece a realidade onde se vivem os dramas maiores que possamos imaginar e que, também ou essencialmente por isso, legitimam considerações, cuja leitura vos sugiro AQUI. Num momento em que, em Portugal, estranhamente (ou talvez não!?), a ditadura dos mercados é utilizada para justificar a penalização da liberdade de opinião, em que a "confiança política" exige a abdicação do exercício de pensar e de se associar (veja-se o caso extremo das recentes exonerações de Sevinate Pinto e Vitor Martins) e em que a Europa dos Direitos Sociais "verga" aos pés de uma Alemanha economicamente militarizada que exerce, "sem peias", o abuso do poder numa Comissão Europeia transformada em mera gestora de interesses, alheada da sua natureza e dimensão supranacional fundadora (da qual, aliás, suspeitaram, desde a primeira hora!, os mais prudentes e inteligentes académicos da jurisprudência institucional e económica alertando, já no final dos anos 80, para os riscos confirmados agora, quase 30 anos depois), o quotidiano não é mais do que o palco de uma associação estrutural entre pobreza e violência, que se configura em representações sociais e políticas cada vez mais perigosas e mais afastadas do interesse público - a que, também legitimamente, se pode chamar interesse nacional!... Neste contexto, parece agonizante toda a dinâmica democrática porque, como se não bastasse o drama que esta realidade significa para o exercício dos direitos de cidadania e para a sobrevivência e qualidade de vida das pessoas e das famílias, não há oposições políticas credíveis e competentes... de outro modo dito, quiçá porque os políticos são reflexo da sociedade de que emergem e, consequentemente, porque a sua qualidade não contribui para tornar mais coesa e autónoma a sociedade em que se inscrevem, estamos em plena "travessia do deserto", designadamente porque, como diz Adriano Moreira, não dispomos de lideranças, nem estadistas capazes!... E a esta afirmação permitam-me que acrescente: não temos lideranças nem estadistas capazes de compreender, enfrentar e procurar soluções para a sociedade, a economia e interdependência globalizada em que a ambição dos mercados transformou a vida societária, levando a que o provincianismo político, dominante nos Estados-nação, "vendesse" aparelhos produtivos e soberanias, a troco de um pseudo-prestígio de curta duração... num ciclo que, como sempre acontece com culpados que se não assumem como tal!, tende a insistir nos métodos e princípios de que resultou o agravamento e a generalização da pobreza... e da violência!...
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Direitos Humanos; Política; Economia;
domingo, 9 de março de 2014
Sonoridades Femininas... Homenagem Maior!
... Eternamente, Elis Regina!...
... das causas sociais em "Saudosa Maloca"...
... ou em "O Bêbado e o Equilibrista"...
... à genuinidade da existência, com Adoniran Barbosa em "Tiro ao Álvaro"...
... ou à sua estranheza em "Alô, Alô Marciano"...
... ao ritmo incomparável do Brasil de Dorival Caimy, João Gilberto, Gilberto Gil e Caetano Veloso, em "Aquele Abraço"...
... à voz do tempo em "As Águas de Março"...
... e à arte maior da emoção em "Atrás da Porta"...
sábado, 8 de março de 2014
Da Europa - entre a Discriminação e o Pesadelo Cívico-Político
A extrema-direita é hoje uma realidade política inquestionável (ler AQUI, AQUI, AQUI, AQUI e AQUI) e apesar da crescente evidência dos seus sinais (ler AQUI, AQUI, AQUI, AQUI e AQUI), continuamos a tentar pensar que, enquanto regime político e apesar da gravidade da situação socio-económica contemporânea, a democracia prossegue, sem sobressaltos de relevo, o ritmo próprio a que nos habituou e que podemos designar como "estabilidade em alternância"... Contudo, a UE com que agora contamos, caracteriza-se pelo facto dos pequenos países que a integram, estarem todos sob uma vigilância financeira legitimada por essa dimensão supranacional de que tanto se falou nos respetivos períodos de adesão ao espaço comum europeu e que, atualmente, parece já não ser fonte de preocupações nem sequer de problematização... Porém, o impacto desta realidade na geopolítica do continente europeu complexificou e alterou de tal modo a dinâmica das relações entre os países que, provavelmente, a nossa forma de apreensão, ainda não interpretou, com propriedade, a multidimensionalidade destas alterações e, consequentemente, não nos permite, por ora, ter uma noção aproximada dos seus efeitos (por remota analogia, pensemos na alegação dos EUA lamentando não ter previsto a crise na Crimeia!). O facto é que o estilhaçar das frágeis economias nacionais perante uma globalização dominadora em que as regras do lucro e o princípio da competição se sobrepõem, inquestionavelmente, a todos os interesses sociais (depois de Jacques Delors, quantas mais vezes se assumiu no discurso político da União Europeia, o interesse coletivo e o princípio da solidariedade em que assentaram as ideias da Europa Social e da Europa dos Cidadãos?), acabou por demonstrar o que mais se temia e que era, exatamente, o "re-despertar" dos fantasmas de uma ideologia que hoje é parte incontornável do nosso quotidiano. Não, a História não se repete... mas, ensina-nos que nada está erradicado nem garantido. Para o bem e para o mal. E hoje, dia 8 de março, quando se celebra o início da luta pelos Direitos das Mulheres, o simbolismo deste combate deve alargar-se a todas as frentes, contra todas as discriminações, em nome da solidariedade por uma sociedade mais justa, num tempo em que a regressão social dos direitos fundamentais e o desemprego nos aproximam do abismo económico... e do pesadelo cívico e político.quinta-feira, 6 de março de 2014
Violência, Desigualdade e Discriminação de Género...
Um estudo realizado em todos os países da União Europeia revela que 97% das mulheres já foram vítimas de abusos físicos, sexuais e psicológicos (ler Aqui e Aqui). Indesmentível, a realidade assusta e demonstra que a violência inscrita nos comportamentos sociais é cada vez mais percetível, designadamente pelas suas maiores vítimas, as mulheres mas, também, pela comunicação social e pelo trabalho institucional que vai refletindo o que ocorre no tecido social. Os resultados deste trabalho que, associado à constatação de que as mulheres precisam de trabalhar mais 65 dias que os homens para ganharem o mesmo, denotam a efetiva desigualdade de género no mundo laboral e na dinâmica das relações sociais e interpessoais. Cabe, neste contexto, referir que a revelação dos dados evidencia a manifestação dos bons resultados emergentes das campanhas ligadas ao exercício das políticas públicas para a igualdade, através das quais tem sido conferida visibilidade à problemática da violência e da desigualdade de género, reforçando o ideário de igualdade e contribuindo decisivamente para o reforço da autoestima, da coragem e da capacidade das pessoas para assumirem a fragilidade dos laços a que, psicologicamente, permanecem agrilhoadas. Contudo, seria profundamente incorreto e injusto, não chamar a atenção para uma faceta menos visível mas, nem por isso, de menos relevo, destas problemáticas: os homens também são vítimas de discriminação laboral e de violência de género, enquanto agentes e participantes de uma vivência comunitária onde a dinâmica das relações societárias, assente em estereótipos, os reforça, fazendo vítimas de ambos os "lados da barricada" da desigualdade. Urge, por isso, com objetividade e cientificidade, trabalhar, estudar, conferir visibilidade e desenvolver meios que permitam uma abordagem e correção sistémica do problema, sem dogmatismos, nem demagogias e sem, naturalmente, deixar de refletir, a densidade das temáticas associadas à problemática em função do sexo. Desse confronto de conhecimento honesto, justo e corajoso poderá, então, finalmente!, emergir matéria capaz de permitir a elaboração de metodologias e de modelos de intervenção, suscetíveis de aperfeiçoar as relações humanas e minimizar os seus custos, na construção efetiva de um mundo melhor para todos. quarta-feira, 5 de março de 2014
domingo, 2 de março de 2014
Atitude e Educação, um Caminho a Descobrir...
A intensidade da atenção e o envolvimento da atitude humana perante a vida e o mundo em que coexistimos, decorre do processo e do percurso das vivências que acumulamos, em cujo contexto, as formas de educação de que somos palco e objeto, ocupam um papel de relevância extrema, quase determinante. Seremos e agiremos sempre em conformidade com os padrões e os valores que a interação com os outros, em nós sedimentarem. Porém, tal interação não se basta a si própria, articulando-se, de forma essencial, com o espaço de liberdade e de reflexão que, ao longo do nosso crescimento, nos foi permitido, e que, decisivamente, concorre para a definição do nosso modo de gestão do "pensar o mundo"... Apesar de aparentemente vaga, a observação que aqui partilho inscreve-se também na forma como entendemos e devemos estudar a forma de reação perante a política e as lideranças que encontramos pelos caminhos que cruzamos ao longo da vida... porque os líderes, designadamente políticos!, e as configurações ideológicas com que se identificam (ou de que se aproximam) correspondem, essencialmente, às redes de interesses que reconhecem como válidas em resultado de uma educação que, para tal, os "formatou". De facto, a formatação geral da moral de uma sociedade hierárquica, segregadora, discriminatória, assente na culpa, no castigo e no prémio, na valorização da competição e do "ter", resulta na promoção de pessoas, de modos de ação e de atitudes que assentam em visões do mundo egocêntricas e imediatistas, enaltecidas numa autoestima infundada e extemporânea, cujo reflexo moral se caracteriza no reconhecimento de valores em que as palavras "prioridade" e "dever" protagonizam atitudes promotoras de interesses corporativos, por incapacidade de exercício de um pensamento crítico e autónomo, capaz de distanciar a consciência em si própria dos interesses das redes em que, socialmente, estamos inscritos... Não há, por isso, modelo político capaz de vencer a interiorizada forma de submissão às estruturas de poder, mais ou menos evidentes mas, sempre presentes e subjacentes, à tomada de decisão individual e coletiva... Por isso, as ditaduras também emergem em contextos político-partidários democráticos nos quais, por um lado, se assiste ao aumento desmesurado e quase incontrolável da violência e, por outro lado, se constata uma identificação cada vez maior do descontentamento à extrema-direita na exata medida em que, proporcionalmente, constatamos a diluição de uma mensagem política tradicionalmente identificada com a esquerda e com uma radical intransigência relativamente à defesa dos Direitos Humanos, com a mensagem do poder dominante que utiliza o recurso retórico aos valores da igualdade e da responsabilidade para justificar as práticas promotoras da injustiça e da reprodução da desigualdade.
sábado, 1 de março de 2014
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
Sonoridades Intemporais... In Memoriam... Paco de Lucia!
... "Entre Dos Aguas" e "Concierto para Aranjuez - Adagio"...
Inesquecível... e ... Incomparável... a alma nos dedos, o coração nos acordes, o sentir no ouvido e a boca nas cordas... Paco de Lucia, Siempre!
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Da Erradicação Científica, Filosófica e Pedagógica da Violência...
... ou, de como a articulação transdisciplinar das neurociências e da reflexão filosófica pode conduzir à compreensão de que todas as ciências são sociais e, só exatamente aí, fazem sentido enquanto Saber. Entre a especulação e o experimentalismo, entre a biomedicina e a bioética, entre a tecnologia e a filosofia, entre a economia e a ética, há toda uma pedagogia a desvendar, revelar e partilhar! Para que seja evidente a existência de que há caminho capaz de prover à construção de uma sociedade menos egocêntrica e narcisística, mais humana, mais solidária e mais feliz... e se é importante ter esta consciência e este conhecimento por nós próprios e pela nossa atitude perante a vida, é igualmente relevante tomar como armas de reivindicação social e política aquilo que, por ser cientificamente válido e reconhecido, é, incontornavelmente, universal...
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
domingo, 16 de fevereiro de 2014
sábado, 15 de fevereiro de 2014
Pedro Santos Guerreiro "Vende-se, Bom Preço"...
A realidade da política nacional e europeia é deprimente: incapaz de se renovar porque os seus protagonistas não têm a coragem, a capacidade, a competência e o arrojo de romper com os mecanismos da dependência financeira internacional, eis que, a poucos meses das eleições europeias, os partidos se relançam em campanhas de todos conhecidas - por tão repetidamente denotarem o quão pouco são capazes de editar a mobilização da vontade coletiva... A recusa (ultrapassadíssima, como o demonstrará a História!) da releitura do pensamento marxista e do seu estudo articulado com o que de melhor conseguimos analisar face às atuais lógicas de gestão e aos respetivos instrumentos de recurso, não ajuda à mudança de atitude nem à renovação do pensamento económico ou político que, como tudo o que de novo é bem-sucedido, requer pontos de partida válidos e interessantes que se constituam como desafios disponíveis para a reconstrução... Neste marasmo de inércia, neste deserto de ideias e nesta depressão coletiva a que a crise nos conduziu, anestesiando e boicotando os próprios percursos da dinâmica político-partidária, hoje, no Expresso (onde também merecem destaque a entrevista de António Capucho e a coluna da pg.5 assinada por Ricardo Costa), li um artigo que refiro pela qualidade reflexa da imagem essencial e paradigmática do mundo em que, de facto!, vivemos em Portugal: o seu autor é Pedro Santos Guerreiro, o texto intitula-se "VENDE-SE, BOM PREÇO" e termina assim:
"(...) Vendem-se anéis como se não fossem dedos, corpo como se não fosse a alma, palavras como se não fosse a palavra. Compra-se: submarinos, estradas vazias, bancos falidos e dívida pública cara. Sem devolução. Paz? Pás!"
... Sinceramente, vale mesmo a pena ler!
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Economia; Política Nacional; Eleições;
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Sim, Podemos!...
A intervenção é de um Professor de Ciência Política e alerta-nos para as redes corporativas que sustentam os mecanismos partidários, inquinando a democracia! O problema não são os partidos e menos ainda a Democracia... o problema são os seres humanos, feitos de pequenos interesses, muitos defeitos, muitas ambições, pouco escrúpulos e pouca ética, muita capacidade racional de relativização e demasiado sentimento recalcado "a pedra e cal", de hierarquia e submissão que lhes não permite viver, afirmando ou assumindo o melhor da natureza Humanidade!... mas... mesmo assim: Podemos!... apesar do ar ditatorial sob o qual se oculta a opressão e a injustiça. dissimulados de um pretenso rigor que conhecemos sob o rosto e as máscaras dos governos e das impotências cobardes e medíocres das oposições!... Podemos!... apesar do medo... do medo do desemprego, da fome, da doença e do futuro sem esperança... Podemos! ... apesar dos cortes, das contas e da hipocrisia palaciana em que a política se transformou!... Acreditem!... e Façam!... porque SIM... porque... PODEMOS!
O Conto Tradicional - Memória, Identidade, Partilha...
A inauguração foi ontem, 5ªfeira, 13 de Fevereiro, em Évora... mas, a iniciativa vai prolongar-se até Abril... e é, indiscutivelmente!, imperdível! Por todas as razões que possam imaginar e por todas aquelas que a programação que, a seguir, se apresenta, pode suscitar:
O CONTO TRADICIONAL
MEMÓRIA | IDENTIDADE | PARTILHA
ÉVORA 13 DE FEVEREIRO A 30 DE ABRIL DE 2014
Centro de Recursos da Tradição Oral e Património Imaterial do Concelho de Évora
Divisão do Centro Histórico, Património, Cultura e Turismo
Câmara Municipal de Évora
PROGRAMAÇÃO GERAL
EXPOSIÇÕES
13 Fev a 30 de Abril
BIBLIOGRAFIAS SOBRE CONTOS TRADICIONAIS
Dia 13 (5.ª Feira) 18:00 – INAUGURAÇÃO
Dia 18 (3.ª Feira) 18:00 – Roda de Contos
Dia 19 (4.ª Feira) 18:00 – Tertúlia “OS NOVOS CONTADORES”
Dia 25 (3.ª Feira) 18:30 – Cinema “SILVESTRE” de João César Monteiro
Dia 26 (4.ª Feira) 18:00 – Tertúlia “OS CONTOS E AS MARIONETAS”
Dia 5 (4.ª Feira) 18:00 – Tertúlia “TEATRO / ANIMAÇÃO CULTURAL”
Dia 8 (Sábado) 16:00 – Marionetas pelo TRULÉ – “Bonecos do Mundo”
Dia 11 (3.ª Feira) 18:30 – Cinema “A PRINCESA PELE DE BURRO” de Jacques Demi
Dia 12 (4.ª Feira) 18:00 – Tertúlia “OS CONTOS E A MÚSICA CLÁSSICA” (audição)
Dia 15 (Sábado) 16:00 – Workshop Pim Teatro – “Histórias do Arco da Velha”
Dia 18 (3.ª Feira) 18:00 – Roda de Contos
Dia 19 (4.ª Feira) 18:00 – Tertúlia “LITERATURA E POESIA”
Dia 22 (Sábado) 16:00 – Pim Teatro – “O AUTO DE S. MARTINHO”
Dia 25 (3.ª Feira) 18:30 – Cinema “A FLAUTA MÁGICA” – Ingmar Bergman
Dia 26 (4.ª Feira) 18:00 – Tertúlia “EDUCAÇÃO FORMAL / NÃO FORMAL”
Dia 29 (Sábado) 16:00 – Workshop Pim Teatro – “HISTÓRIAS DENTRO DE UMA CAIXA”
Dia 2 (4.ª Feira) 18:00 – Roda de Contos
Dia 5 (Sábado) 16:00 – Era Uma Vez Marionetas – “O CAPUCHINHO VERMELHO”
Dia 8 (3.ª Feira) 18:00 – Cinema “A LENDA DA FLORESTA” – Ridley Scott
Dia 9 (4.ª Feira) 18:00 – Tertúlia “LIVROS E EDITORES”
Dia 12 (Sábado) 16:00 – Era Uma Vez Marionetas –“O CAPUCHINHO VERMELHO”
Dia 15 (3.ª Feira) 18:00 – Roda de Contos
Dia 16 (4.ª Feira) 18:00 – Tertúlia “MULTICULTURALIDADE”
Dia 22 (3.ª Feira) 18:30 – Cinema “O LABIRINTO DO FAUNO” – Guillermo del Toro
Dia 23 (4.ª Feita) 18:00 – Tertúlia “O CINEMA E OS CONTOS TRADICIONAIS"
Dia 25 (6.ª Feira) 16:00 –Era Uma Vez Marionetas –“O CAPUCHINHO VERMELHO”
Dia 26 (Sábado) 16:00 – Era Uma Vez Marionetas –“O CAPUCHINHO VERMELHO”
Dia 29 (3.ª Feira) 18:00 – World Crisis Theatre – The Power of Crisis: Crise, Memória, Identidade
Dia 30 (4.ª Feira) 18:00 – Tertúlia – “OS CONTOS E AS ARTES VISUAIS”
INSCRIÇÕES nas diferentes atividades /espectáculos:
e-mail: 630@cm-evora.pt
Telem.: 965 959 000 (ext. 1682)
Marionetas/Teatro/Worshops – preços para Escolas: 2,50 €; Público em geral: 3,00€.
Exposições / Tertúlias / Rodas de Contos / Cinema – Entrada Livre
Horários de Abertura ao Público:
Dias Úteis: Das 9:00 – 12:30 e das 14:00 às 18:00
Sábados: Das 14:00 – 18:00
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
A Igreja Contra as Mulheres???!!!!
Enquanto as mulheres lutam nas ruas em Espanha, com o apoio das suas companheiras europeias, contra o retrocesso social a que a política de direita está a reduzir os seus direitos, há quem alimente a legitimidade da violação dos Direitos Humanos. É o caso do bispo de Alcalá de Henares que, como muita gente, nos tempos que correm, profere declarações que se constituem como verdadeiros atentados contra os mais diversos Direitos Humanos!... sem qualquer noção da gravidade política e social das suas afirmações destituídas de reflexão, de cultura e de consciência cívica... Afirmando que o feminismo ideológico é um perigo, o bispo de Alcalá de Henares sugere que seja retirado às mulheres o direito de voto... uma vez que, por outras palavras, ultimamente, andam a pensar excessivamente "por si próprias"!... justificando-se, por isso, o seu apelo a que se reze "por elas"!!! LER AQUI!
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Da Guerra Civil de Espanha... em Barrancos
Los Refugiados de Barrancos from Producciones Mórrimer on Vimeo.
(via Pedro Faria Bravo no Facebook)quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Do Encerramento das BELAS-ARTES....
"1. Foi a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa surpreendida com
uma notícia da comunicação social onde o Exmo. Secretário de Estado da Cultura,
Jorge Barreto Xavier, anuncia a assinatura do protocolo com vista ao alargamento
do espaço do Museu do Chiado.
2. Este alargamento é feito às custas de espaços devolutos no edifício do
Convento de São Francisco, e onde se encontra a Faculdade de Belas-Artes desta
Universidade.
3. Estes espaços foram há pouco tempo deixados devolutos pelo Ministério da
Administração Interna (Governo Civil e PSP).
4. A Universidade de Lisboa, e a Faculdade de Belas-Artes, têm estado
envolvidas nas negociações para partilha Museu+FBAUL+CML, com vista a um
protocolo que se encontrava em negociação e preparação.
5. Sem mais aviso, foi a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa
surpreendida com o anúncio da assinatura da cedência de espaços apenas ao Museu
do Chiado.
6. Esta assinatura à revelia reveste-se de gravidade, pois consubstancia uma
deslealdade entre as restantes partes interessadas.
7. O Exmo Secretário de Estado da Cultura parece ter ultrapassado o Exmo
Ministro da Educação, que tutela a Universidade de Lisboa, bem como todo o
histórico do processo, para além das regras de boa-fé entre os
intervenientes.
Perante tais factos, o Diretor da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de
Lisboa solicita a anulação do protocolo em causa, e esclarecimentos a nível do
Governo de Portugal.
Como forma de assinalar a indignação está encerrada a Faculdade de
Belas-Artes com efeito a partir das 8h00 de 6 de fevereiro.
O Diretor da Faculdade de Belas-Artes
Professor Doutor Luís Jorge Gonçalves"
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Miró - Entre a Ideologia e a Incompetência Cultural da Política...
Poderia até ser mesmo uma questão ideológica mas, não é!... Senão, vejamos: enquanto o governo espanhol se prepara para reduzir em 10% o IVA aplicável aos produtos culturais, o governo português continua a defender a venda de 85 quadros, inéditos, de Juan Miró... com a agravante de já ter sido colocada uma providência cautelar ao processo que nem sequer respeita a lei portuguesa que regula a venda do património cultural e depois da própria leiloeira Christies's ter impedido que as obras chegassem a licitação, a escassas 3 horas do início do leilão. No âmbito do brutal investimento na falhada compra do BPN, o único ativo recuperável pelo valor patrimonial inestimável que representa foram estas 85 obras que os atuais governantes portugueses querem vender como se desse produto resultasse a solução para a dívida externa portuguesa!!! Não resulta!... mesmo assim, insistem!... É caso para perguntar quem ganha com o favorzinho já que o montante que daí resultaria constituiria, como diz Joe Berardo, "peanuts" em relação à crise económico-financeira do país... enquanto a perda de autoridade moral internacional, a vergonha pela incompetência cultural da política nacional e o prejuízo no potencial ganho para o património em termos de arte contemporânea são, inequivocamente, incomensuráveis!
(Imagem do quadro "Carnaval de Arlequim" de Juan Miró)
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Do Património como Construção do Futuro - Sentido e Significado
"O grande chefe de Washington mandou dizer que desejava comprar a nossa terra, o grande chefe assegurou-nos também de sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não precisa de nossa amizade.
Vamos, porém, pensar em sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará nossa terra. O grande chefe de Washington pode confiar no que o Chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na alteração das estações do ano.
As minhas palavras são como as estrelas - elas não empalidecem.
Como podereis comprar ou vender o céu? Como podereis comprar ou vender o calor da terra? A ideia parece-nos estranha. Se a frescura do ar e o murmúrio da água não nos pertencem, como poderemos vendê-los?
Para o meu povo, não há um pedaço desta terra que não seja sagrado. Cada agulha de pinheiro cintilante, cada rio arenoso, cada bruma ligeira no meio dos nossos bosques sombrios são sagrados para os olhos e memória do meu povo.
A seiva que corre na árvore transporta nela a memória dos Peles-Vermelhas, cada clareira e cada insecto que zumbe é sagrado para a memória e para a consciência do meu povo. Fazemos parte da terra e ela faz parte de nós. Esta água cintilante que desce dos ribeiros e dos rios não é apenas água; é o sangue dos nossos antepassados.
Os mortos do homem branco esquecem a sua terra quando começam a viagem através das estrelas. Os nossos mortos, pelo contrário, nunca se afastam da Terra que é Mãe. Fazemos parte dela. E a flor perfumada, o veado, o cavalo e a águia majestosa são nossos irmãos.
As encostas escarpadas, os prados húmidos, o calor do corpo do cavalo e do homem, todos pertencem à mesma família. Se vendermos esta terra, não ireis, decerto, ensinar aos vossos filhos que ela é sagrada. Como poderei dizer-vos que o murmúrio da água é a voz do pai do meu pai…
Também os rios são nossos irmãos porque nos libertam da sede, arrastam as nossas canoas, trazem até nós os peixes… E, além do mais, cada reflexo nas claras águas dos nossos lagos relata histórias e memórias da vida das nossas gentes. Sim, Grande Chefe de Washington, os nossos rios são nossos irmãos e saciam a nossa sede, levam as nossas canoas e alimentam os nossos filhos.
Se vos vendêssemos a nossa terra, teríeis de recordar e de ensinar aos vossos filhos que os rios são nossos irmãos e também seus. E é por isso que eles devem tratá-los com a mesma doçura com que se trata um irmão. Sabemos que o homem branco não percebe a nossa maneira de ser. Para ele um pedaço de terra é igual a um outro pedaço de terra, pois não a vê como irmã mas como inimiga. Depois de ela ser sua, despreza-a e segue o seu caminho.
Deixa para trás a campa dos seus pais sem se importar. Sequestra a vida dos seus filhos e também não se importa. Não lhe interessa a campa dos seus antepassados nem o património dos seus filhos esquecidos. Trata a sua Mãe-Terra e o seu Irmão-Firmamento como objectos que se compram, se exploram e se vendem tal como ovelhas ou contas coloridas. O seu apetite devora a terra, deixando atrás de si um completo deserto.
Não consigo entender. As vossas cidades ferem os olhos do homem pele-vermelha. Talvez seja porque somos selvagens e não podemos compreender. Não há um único lugar tranquilo nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desenrolar das folhas ou o rumor das asas de um insecto na Primavera.
O barulho da cidade é um insulto para o ouvido. E eu pergunto-me: que tipo de vida tem o homem que não é capaz de escutar o grito solitário de uma garça ou o diálogo nocturno das rãs em redor de uma lagoa? Sou um pele-vermelha e não consigo entender. Nós preferimos o suave murmúrio do vento sobre a superfície de um lago, e o odor deste mesmo vento purificado pela chuva do meio-dia ou perfumado com o aroma dos pinheiros.
Quando o último pele-vermelha tiver desaparecido desta terra, quando a sua sombra não for mais do que uma lembrança, como a de uma nuvem que passa pela pradaria, mesmo então estes ribeiros e estes bosques estarão povoados pelo espírito do meu povo. Porque nós amamos esta terra como uma criança ama o bater do coração da sua mãe.
Se decidisse aceitar a vossa oferta, teria de vos sujeitar a uma condição: que o homem branco considere os animais desta terra como irmãos.
Sou selvagem e não compreendo outra forma de vida. Tenho visto milhares de búfalos a apodrecer, abandonados nas pradarias, mortos a tiro pelo homem branco que dispara de um comboio que passa. Sou selvagem e não compreendo como uma máquina fumegante pode ser mais importante que o búfalo, que apenas matamos para sobreviver.
Tudo o que acontece aos animais acontecerá também ao homem. Todas as coisas estão ligadas. Se tudo desaparecer, o homem pode morrer numa grande solidão espiritual. Todas as coisas se interligam. Ensinai aos vossos filhos o que nós ensinamos aos nossos sobre a terra: que a Terra é nossa Mãe e que tudo o que lhe acontece a nós acontece aos filhos da terra.
Se o homem cuspir na terra, cospe em si mesmo. Sabemos que a terra não pertence ao homem, mas que é o homem que pertence à terra. Os desígnios terrenos são misteriosos para nós. Não compreendemos porque os bisontes são todos massacrados, porque são domesticados os cavalos selvagens, nem por que os lugares mais secretos dos bosques estão impregnados do cheiro dos homens, nem porque a vista das belas colinas está guardada pelos “fios que falam”.
Talvez um dia sejamos irmãos. Logo veremos. Mas estamos certos de uma coisa que talvez o homem branco descubra um dia: o nosso Deus é um mesmo Deus. Agora podeis pensar que Ele vos pertence, da mesma forma que acreditais que as nossas terras vos pertencem. Mas não é assim. Ele é o Deus de todos os homens e a sua compaixão alcança por igual o pele-vermelha e o homem branco.
Esta terra tem um valor inestimável para Ele e maltratá-la pode provocar a ira do Criador. O que é feito dos bosques profundos? Desapareceram. O que é feito da grande águia? Desapareceu também. Mas o homem não teceu a trama da vida: isto sabemos. Ele é apenas um fio dessa trama. E o que lhe faz, fá-lo a si mesmo.
Também os brancos se extinguirão, talvez antes das outras tribos. O homem não teceu a rede da vida. É apenas um fio e está a desafiar a desgraça se ousar destruir essa rede. Tudo está relacionado entre si como o sangue de uma família. E, se sujardes o vosso leito, uma noite morrereis sufocados pelos vossos excrementos. Assim se acaba a vida e só nos restará a possibilidade de tentar sobreviver."
Vamos, porém, pensar em sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará nossa terra. O grande chefe de Washington pode confiar no que o Chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na alteração das estações do ano.
As minhas palavras são como as estrelas - elas não empalidecem.
Como podereis comprar ou vender o céu? Como podereis comprar ou vender o calor da terra? A ideia parece-nos estranha. Se a frescura do ar e o murmúrio da água não nos pertencem, como poderemos vendê-los?
Para o meu povo, não há um pedaço desta terra que não seja sagrado. Cada agulha de pinheiro cintilante, cada rio arenoso, cada bruma ligeira no meio dos nossos bosques sombrios são sagrados para os olhos e memória do meu povo.
A seiva que corre na árvore transporta nela a memória dos Peles-Vermelhas, cada clareira e cada insecto que zumbe é sagrado para a memória e para a consciência do meu povo. Fazemos parte da terra e ela faz parte de nós. Esta água cintilante que desce dos ribeiros e dos rios não é apenas água; é o sangue dos nossos antepassados.
Os mortos do homem branco esquecem a sua terra quando começam a viagem através das estrelas. Os nossos mortos, pelo contrário, nunca se afastam da Terra que é Mãe. Fazemos parte dela. E a flor perfumada, o veado, o cavalo e a águia majestosa são nossos irmãos.
As encostas escarpadas, os prados húmidos, o calor do corpo do cavalo e do homem, todos pertencem à mesma família. Se vendermos esta terra, não ireis, decerto, ensinar aos vossos filhos que ela é sagrada. Como poderei dizer-vos que o murmúrio da água é a voz do pai do meu pai…
Também os rios são nossos irmãos porque nos libertam da sede, arrastam as nossas canoas, trazem até nós os peixes… E, além do mais, cada reflexo nas claras águas dos nossos lagos relata histórias e memórias da vida das nossas gentes. Sim, Grande Chefe de Washington, os nossos rios são nossos irmãos e saciam a nossa sede, levam as nossas canoas e alimentam os nossos filhos.
Se vos vendêssemos a nossa terra, teríeis de recordar e de ensinar aos vossos filhos que os rios são nossos irmãos e também seus. E é por isso que eles devem tratá-los com a mesma doçura com que se trata um irmão. Sabemos que o homem branco não percebe a nossa maneira de ser. Para ele um pedaço de terra é igual a um outro pedaço de terra, pois não a vê como irmã mas como inimiga. Depois de ela ser sua, despreza-a e segue o seu caminho.
Deixa para trás a campa dos seus pais sem se importar. Sequestra a vida dos seus filhos e também não se importa. Não lhe interessa a campa dos seus antepassados nem o património dos seus filhos esquecidos. Trata a sua Mãe-Terra e o seu Irmão-Firmamento como objectos que se compram, se exploram e se vendem tal como ovelhas ou contas coloridas. O seu apetite devora a terra, deixando atrás de si um completo deserto.
Não consigo entender. As vossas cidades ferem os olhos do homem pele-vermelha. Talvez seja porque somos selvagens e não podemos compreender. Não há um único lugar tranquilo nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desenrolar das folhas ou o rumor das asas de um insecto na Primavera.
O barulho da cidade é um insulto para o ouvido. E eu pergunto-me: que tipo de vida tem o homem que não é capaz de escutar o grito solitário de uma garça ou o diálogo nocturno das rãs em redor de uma lagoa? Sou um pele-vermelha e não consigo entender. Nós preferimos o suave murmúrio do vento sobre a superfície de um lago, e o odor deste mesmo vento purificado pela chuva do meio-dia ou perfumado com o aroma dos pinheiros.
Quando o último pele-vermelha tiver desaparecido desta terra, quando a sua sombra não for mais do que uma lembrança, como a de uma nuvem que passa pela pradaria, mesmo então estes ribeiros e estes bosques estarão povoados pelo espírito do meu povo. Porque nós amamos esta terra como uma criança ama o bater do coração da sua mãe.
Se decidisse aceitar a vossa oferta, teria de vos sujeitar a uma condição: que o homem branco considere os animais desta terra como irmãos.
Sou selvagem e não compreendo outra forma de vida. Tenho visto milhares de búfalos a apodrecer, abandonados nas pradarias, mortos a tiro pelo homem branco que dispara de um comboio que passa. Sou selvagem e não compreendo como uma máquina fumegante pode ser mais importante que o búfalo, que apenas matamos para sobreviver.
Tudo o que acontece aos animais acontecerá também ao homem. Todas as coisas estão ligadas. Se tudo desaparecer, o homem pode morrer numa grande solidão espiritual. Todas as coisas se interligam. Ensinai aos vossos filhos o que nós ensinamos aos nossos sobre a terra: que a Terra é nossa Mãe e que tudo o que lhe acontece a nós acontece aos filhos da terra.
Se o homem cuspir na terra, cospe em si mesmo. Sabemos que a terra não pertence ao homem, mas que é o homem que pertence à terra. Os desígnios terrenos são misteriosos para nós. Não compreendemos porque os bisontes são todos massacrados, porque são domesticados os cavalos selvagens, nem por que os lugares mais secretos dos bosques estão impregnados do cheiro dos homens, nem porque a vista das belas colinas está guardada pelos “fios que falam”.
Talvez um dia sejamos irmãos. Logo veremos. Mas estamos certos de uma coisa que talvez o homem branco descubra um dia: o nosso Deus é um mesmo Deus. Agora podeis pensar que Ele vos pertence, da mesma forma que acreditais que as nossas terras vos pertencem. Mas não é assim. Ele é o Deus de todos os homens e a sua compaixão alcança por igual o pele-vermelha e o homem branco.
Esta terra tem um valor inestimável para Ele e maltratá-la pode provocar a ira do Criador. O que é feito dos bosques profundos? Desapareceram. O que é feito da grande águia? Desapareceu também. Mas o homem não teceu a trama da vida: isto sabemos. Ele é apenas um fio dessa trama. E o que lhe faz, fá-lo a si mesmo.
Também os brancos se extinguirão, talvez antes das outras tribos. O homem não teceu a rede da vida. É apenas um fio e está a desafiar a desgraça se ousar destruir essa rede. Tudo está relacionado entre si como o sangue de uma família. E, se sujardes o vosso leito, uma noite morrereis sufocados pelos vossos excrementos. Assim se acaba a vida e só nos restará a possibilidade de tentar sobreviver."
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Carta do Chefe Índio Seattle ao Grande Chefe de Washington, Franklin Pierce, em 1854, em resposta à proposta do Governo norte-americano de comprar grande parte das terras da sua tribo Duwamish, em troca da concessão de uma reserva.
(via Rui Rebelo e Maria de Fátima Fitas no Facebook)
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Da Falta de Reflexão e Investigação Científica à Praxe Académica...
Vale a pena ler AQUI o artigo hoje publicado no jornal Público sobre a decisão institucional de deixar de investir nas ciências sociais... O país, vítima da crise e da incapacidade de autoestima e de afirmação, aceita e institucionaliza a incapacidade de pensar criticamente, sob argumentos que chegam à realidade absurda de ter que "parar" o país para pensar o problema das praxes académicas que são, inequivocamente!, o elogio da preguiça, da violência, da humilhação e da submissão a uma hierarquia gratuita, destituída de autoridade moral ... O problema da incompetência cultural e científica que subjaz às decisões e às práticas institucionais e sociais é um drama epidémico a que o país está a hipotecar a liberdade!... em nome de um passado sem luz e sem glória, por causa de um presente sem brilho e sem futuro!
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Direitos Humanos; Sociedade; Política;
domingo, 2 de fevereiro de 2014
Meninos dos Bairros Negros... - Promessa de ouvir até ao fim...
... na voz do UXÍA... da Galiza...
... na voz de Mayra Andrade de Cabo Verde...
... na voz de Isabel Silvestre de Manhouce (Beira Alta)...
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
A Voz do Despertar da América...
... Pete Seeger, a lenda do despertar da voz da consciência americana feita música de intervenção!
domingo, 26 de janeiro de 2014
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
Da Praxe e da Morte...
Adolescente, li "Porta de Minerva" um livro da autoria de Branquinho da Fonseca onde a descrição da vida estudantil de Coimbra me fascinou... e assustou porque nunca percebi a razão pela qual um estudante universitário tinha que limpar as botas dos seus colegas, apenas por ser mais novo e ter acabado de entrar na "academia"!... Depois, com o 25 de Abril, percebi que o ritual das praxes se constitui como a institucionalização do reconhecimento da legitimidade da hierarquia, independentemente do saber, do mérito e da justiça, apenas enquanto respeito -expressão do medo!- legitimador de uma ordem sem fundamento -como o seria o direito hereditário ao exercício do poder. Pior um pouco: os líderes das "praxes" académicas adquirindo esse estatuto por "antiguidade", ao invés de promoverem o direito ao reconhecimento do saber, da inteligência ou ao conhecimento materializam, isso sim, o reconhecimento do direito à preguiça e ao autoritarismo gratuito. Por tudo isso, não cumpri praxes, "queimas das fitas" ou similares... Para mim, a vivência universitária implicava a autonomia do pensamento crítico e o afastamento definitivo da obediência cega e da submissão gratuita e acéfala -ainda que mascarada sob a lógica do humor, da "brincadeira", etc... Hoje, perante a notícia e a especulação da morte de 7 jovens na praia do Meco fica, à reflexão de todos, o problema... e a opção por um mundo mais racional, sério, justo e responsável... para todos! Contra a hierarquia gratuita do poder, sem escrúpulos e sem legitimidade a não ser aquela que nós, cidadãos, livres e inteligentes, lhe reconhecemos... ou não!terça-feira, 21 de janeiro de 2014
O Trágico Retrato dos Dias...
Vivemos sob o que, hoje, António Arnaut classificou como uma "sombra tenebrosa" e que se tem materializado no rosto da gestão neoliberal dos mercados a que chamamos "troika"... e entre os designados cortes que reduziram, de forma insustentável, os salários e as pensões enquanto, em simultâneo, aumentaram impostos e criaram taxas (garantindo o mais desigual e injusto exercício da "igualdade" aplicada, equitativa, formal e cegamente, sem critérios e sem escrúpulos), estas realidades (as tais de que dizem estar a resultar uma melhoria de "indicadores" económico-financeiros) avançam a par de um desemprego galopante que caminha ao vertiginoso ritmo de emigração. De um país de acolhimento de imigrantes, passámos a um país produtor de emigrantes, com números incomportáveis no que se refere ao desemprego jovem, ao desemprego de longa duração e ao desemprego de adultos ativos... e a tudo isto acresce a taxa de envelhecimento nacional que não pode sequer comparar-se com a taxa de natalidade nacional!!! É este o país que temos... e o país que somos! Infelizmente, claro... porque todas as nossas vantagens e mais-valias "vergam a cerviz" face ao jogo das incertezas dos políticos comprometidos com razões outras que vão muito além do que sentimos como "bem-comum" ou "interesse nacional"... Neste contexto e para não me repetir em relação a tanto que tem vindo a ser dito, resta-me partilhar a mais autêntica, a mais triste notícia e a mais paradigmática notícia dos tempos em que vivemos: LER AQUI... Depois disto, o mínimo que deveríamos fazer era equacionar com seriedade e capacidade de compromisso, a união das forças políticas de esquerda (se -e apenas se!- os partidos fossem capazes de perspetivar o interesse comum acima dos seus interesses corporativos). Vamos lutar Contra a Violência! ...contra toda esta violência doméstica, social e política!... Tod@s Junt@s, será muito mais fácil!
domingo, 19 de janeiro de 2014
Da Palavra como Expressão...
"Sem dúvida, somente uma palavra em que a pura prosa da filosofia interviesse num certo momento para quebrar o verso da palavra poética, e em que o verso do poema chegasse inesperadamente para flectir a prosa da filosofia, seria a verdadeira palavra humana."
Giorgio Agamben, "Le Langage et la Mort. Un séminaire sur le lieu de la négativité", Paris, Christian Bourgois Éditeur, 1997 [ed. it. de 1982], p. 140.
Giorgio Agamben, "Le Langage et la Mort. Un séminaire sur le lieu de la négativité", Paris, Christian Bourgois Éditeur, 1997 [ed. it. de 1982], p. 140.
(citação via Vitor Oliveira Jorge)
sábado, 18 de janeiro de 2014
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
domingo, 12 de janeiro de 2014
Dukezong, o Resgate da Memória...
Dukezong é uma das mais conhecidas cidades tibetanas! Situada na atual província de Yunan, no sul da China, foi objeto de um brutal incêndio, na passada 6ªfeira. Registe-se, a assinalar a dimensão da tragédia, que, 10 horas após ter deflagrado, o incêndio destruíra 242 edifícios e provocara 2.500 desalojados (ler aqui).
Dukezong é a cidade a que se atribui a localização da lendária origem de Shangri-La, o vale encantado do Paraíso terrestre...
... e o que o mundo, hoje, pode desejar e requerer é que a recuperação de Dukezong seja íntegra e reproduza a realidade que lhe granjeou o prestígio - símbolo maior do património material e imaterial da Humanidade.
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
Mulheres Que Correm com os Lobos...
(via Rui Arimateia no Facebook)
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Cinema; Antropologia; Arte; Cultura;
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Da Economia de Guerra num País Exangue...
Considerando o enquadramento externo nacional e para evidenciar que aí não pode continuar a residir a nossa esperança de sobrevivência como país, escrevi um texto a que chamei "O Precipício Europeu"... Entretanto, hoje, tive acesso a um extraordinário -porque frontal e contundente artigo, publicado no jornal francês LIBÉRATION... Vale a pena ler, nomeadamente porque, por cá, há muita dificuldade em enfrentar e reconhecer a realidade e a comunicação social parece ter como missão dissimular a gravidade dos factos, colocando-se ao serviço de uma cumplicidade contrária ao interesse público. O artigo intitula-se "ECONOMIA DE GUERRA EM PORTUGAL" e caracteriza um país explicitamente considerado "EXANGUE":
"(...) Le Portugal est un pays exsangue. Le chômage officiel, qui approchait les 20%, a diminué ces deux derniers trimestres «à la faveur» d’une baisse de la population active. Celle-ci est le fruit d’une émigration de masse dont les flux atteignent, voire dépassent, ceux des années 60 qui avaient vu un grand exode des Portugais, fuyant la misère, la dictature et la guerre coloniale.(...)" ("clicar" sobre a citação para ler na íntegra).
domingo, 5 de janeiro de 2014
O Precipício Europeu...
Não há projeto social europeu que sobreviva ao esgotamento político feito sobre as economias nacionais... As taxas de desemprego variam, em toda a Europa, entre 5% (na Áustria) e 28% na Grécia!... De facto, a ideia do pleno emprego que se constituiu como bandeira do projeto comum europeu a que aderimos nos anos 80, desapareceu do horizonte coletivo e da visibilidade que uma competente comunicação social obrigaria a manter presente, como prioridade da análise e do comentário sociopolítico. Hoje, a Europa em que vivemos é a que, paradigmaticamente, aparece simbolizada na realidade de uma Europa do Sul, explosiva, à beira da implosão económica e social! Inquestionavelmente, com taxas de desemprego que vão dos 28% na Grécia aos 26% em Espanha (vale a pena explicitar, só para se ter uma ideia do valor real que se oculta sob a estatística, que, aqui, no território que nos é contíguo, estamos a falar de 5 milhões de pessoas!) e em que Itália, Portugal e Chipre se enquadram na mesma lógica económica de degradação societária, não podemos ter ilusões sobre o futuro europeu! Independentemente do que se diz e do que se gostaria de poder dizer, independentemente da invenção da esperança que a demagogia utiliza e à qual a própria arquitetura institucional vai ter que recorrer no curto prazo, a lógica de destruição dos aparelhos produtivos e das soberanias nacionais em nome do monopólio europeu dominado pela dependência alemã que gostaria de ser o único negociador nos blocos regionais internacionais (EUA, Mercosul, Países Árabes e Mercado Asiático), deixou-nos reduzidos a um cenário de empobrecimento real, contínuo e incontornável. Não haja ilusões de espécie alguma: tudo o que for anunciado como recuperação, poderá sê-lo mas não terá comparação nem capacidade de recuperação de tudo o que perdemos, vertiginosamente, nos últimos anos!... A evolução faz-se por saltos?!... provavelmente!... mas são saltos em que entropias e incertezas implicam retrocessos cujos sentidos e orientações só a persistência concertada das massas pode (assente num conhecimento construído e perspetivado com sistematicidade estratégica), inverter. Até agora, da guerra nas ruas, salvou-nos a cidadania que fomos construindo num mundo em que os valores deixaram que a ideia da ética e da responsabilidade social, se massificasse como nunca ocorrera na História da Humanidade até meados do século XX... Porém, este grau de consciência social (soubemo-lo sempre!) nunca foi suficiente!... Por isso e por tudo quanto a ciência permite prever, não é suposto que o seja agora, tão desgastados estão os cidadãos de pretensos "sacrifícios" que são, apenas!, medidas que lhes foram impostas de forma autoritária e autocrática e que lhes são apresentadas como se de um esforço intencional coletivo se tratasse! Não é! É, isso sim, a atuação demagógica da ditadura financeira dos mercados internacionais em defesa dos lucros dos seus investidores, manipulando as "marionetas" vaidosas das políticas nacionais que atuam como protagonistas de uma verdadeira e concertada dissimulação manipulatória das massas... Moral da história: será muito improvável que as pessoas não revelem que compreendem a perversidade com que a gestão política está a atuar na governação da Polis e da "coisa pública"! Por isso, em nome de valores e princípios complexos e ambíguos, "a Nação", "a Pátria", "o interesse nacional", é previsível que assistamos à derrocada de um grande sonho coletivo e à emergência de uma catástrofe social europeia! Cabe-nos, portanto, (re)colocar a pergunta que se justifica neste contexto: "O Que Fazer?"... e, já agora, para a reinvenção ou construção de eventuais respostas, convém relembrar que o cerne da questão reside na falta de cultura inerente ao exercício de uma efetiva responsabilidade social que carateriza os protagonistas das inexistentes "elites" do pensamento político-partidário contemporâneo.
(...entretanto, partilho convosco a versão de Manu Chao do imortal "Bella Ciao"...)
Cante - Património Imaterial / Intangible Heritage
Compreender, explicar, divulgar, promover e valorizar o Património Cultural Imaterial do Alentejo é o caminho urgente e o itinerário incontornável para a preservação, a consolidação e a afirmação da identidade cultural regional!
(o vídeo chegou via Pedro Faria Bravo no Facebook)
(o vídeo chegou via Pedro Faria Bravo no Facebook)
sábado, 4 de janeiro de 2014
O Preço da Liberdade e a Fuga de Peniche...
Hoje, no famigerado Forte de Peniche, foi recriado um dos episódios mais marcantes da resistência contra o Estado Novo e o regime salazarista: a célebre "Fuga de Peniche" que, em 3 de Janeiro de 1960, arrancou à tortura da PIDE: Álvaro Cunhal, Jaime Serra, Carlos Costa, Joaquim Gomes, Francisco Martins Rodrigues, Francisco Miguel, Guilherme da Costa Carvalho, José Carlos, Pedro Soares e Rogério de Carvalho - foi ainda integrado na fuga, para efeitos de proteção, o GNR que ajudou a operacionalizar a fuga, José Jorge Alves (ler aqui). Testemunho de que a coragem desafia todos os muros e encontra formas de devolver a dignidade às pessoas e às populações, a iniciativa da recriação histórica da Fuga de Peniche, inscreve-se na comemoração do 40º aniversário do 25 de Abril... Quanto ao documentário que aqui partilho, refira-se que é uma fonte documental verdadeiramente impressionante não apenas pela narrativa talentosa da intrépida estratégia da fuga (com pormenores interessantíssimos e curiosos que só a vivência permite conhecer e transmitir) mas, de forma essencial, pela crueldade das realidades descritas, cujo valor inestimável para a construção da História do país que também somos, não podemos ignorar, nem devemos esquecer!... para que nos não apaguem a Memória e, consequentemente, a Identidade! Incontornável é também a Homenagem justa e devida que nos permite aos sobreviventes Carlos Costa e Jaime Serra!
Cantar contra o Fascismo... na Missa!!!!
... Foi em Itália, no ano passado mas, como as coisas simbólicas e corajosas não têm tempo, não posso deixar de partilhar o vídeo do que aconteceu em Génova onde, depois da Missa, o sacerdote cantou, acompanhado dos que celebravam o acto dominical, a célebre canção antifascista "Bella Ciao"! Sem medo e de cabeça levantada! Um abraço solidário para Itália no início de mais um ano de luta... também pela Europa do Sul :)
"BELLA CIAO
Una mattina mi son svegliata
O bella ciao, o bella ciao, o bella ciao ciao ciao
Una mattina mi son svegliata
Eo ho trovato l'invasor
O bella ciao, o bella ciao, o bella ciao ciao ciao
Una mattina mi son svegliata
Eo ho trovato l'invasor
O partigiano porta mi via
O bella ciao, o bella ciao, o bella ciao ciao ciao
O partigiano porta mi via
Che mi sento di morir
O partigiano porta mi via
Che mi sento di morir
E se io muoio da partigiano
O bella ciao, o bella ciao, o bella ciao ciao ciao
E se io muoio da partigiano
Tu mi devi seppellir
E se io muoio da partigiano
Tu mi devi seppellir
Mi seppellirai lassu in montagna
O bella ciao, o bella ciao, o bella ciao ciao ciao
Mi seppellirai lassu in montagna
Sotto l'ombra di un bel fior
Sotto l'ombra di un bel fior
Cosi le genti che passeranno
O bella ciao, o bella ciao, o bella ciao ciao ciao
Cosi le genti che passeranno
Mi diranno che bel fior
O bella ciao, o bella ciao, o bella ciao ciao ciao
Cosi le genti che passeranno
Mi diranno che bel fior
E questo é il fiore del partigiano
O bella ciao, o bella ciao, o bella ciao ciao ciao
E questo é il fiore del partigiano
Morto per la libertà."
O bella ciao, o bella ciao, o bella ciao ciao ciao
E questo é il fiore del partigiano
Morto per la libertà."
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
Do Dia Mundial da Paz à Violação dos Direitos Humanos...
A construção social da paz é o maior desafio que se coloca à existência coletiva!... Em luta contra si própria, a Humanidade, materializada num imenso mosaico de culturas e sociedades, não integrou ainda, como forma de ser e de estar, o que, no plano individual e na consciência cívica de, felizmente!, cada vez mais grupos socio-culturais, se vai afirmando como ética existencial. De facto, os valores que, desde o século XVIII, emergiram como corpo teórico de uma doutrina social e política de igualdade, liberdade e fraternidade e que se protagonizaram na Declaração Universal dos Direitos Humanos há cerca de 65 anos (após o fim de uma Guerra que nos colocou perante a incomensurável crueldade do Holocausto), ainda não foram entendidos -e menos ainda assumidos!- como pilar fundamental da responsabilidade social em que assenta a gestão da "coisa pública" e, consequentemente, da Polis. Porque, infelizmente para todos nós!, além de todas as guerras e de todas as fomes, de todos os massacres e de todas as chacinas, de todos os tráficos e de todas as violências (coletivas, públicas, privadas, domésticas, familiares, de género e de classe), a verdade é que continuamos a viver sob a ditadura económica e financeira que, politicamente dissimulada sob a capa de um alegado regime democrático, viola os Direitos Humanos e reduz, impunemente, sem escrúpulos e a um ritmo desenfreadamente vertiginoso, a igualdade de oportunidades e o direito de todos a uma vida digna. A filosofia política contemporânea será considerada pela História mais um dos piores exemplos da "exploração do homem pelo homem", dissimulada sob um mundo de facilidades tecnológicas, multimédias e muita, muita demagogia, globalmente preparada para garantir "a priori" a eficácia da manipulação das massas! Algo de novo? Não!... e é pena!... porque, como sempre, pelo caminho, ficarão os mais frágeis, os mais indefesos e os mais injustiçados, simbolizando a dimensão sacrificial a que nos sujeita a política que governa sob o princípio efetivo do exercício da Discriminação - apesar de toda a Retórica e de todo o Direito que ainda não soubemos alterar profunda, inovadora e justamente!... ou , se quiserem, mais prosaicamente, porque continuamos a eleger os que não têm coragem para ajudar a fazer do mundo um mundo melhor para todos!
O Primeiro Dia...
...deve celebrar-se a cantar: "Hoje é o primeiro dia do resto da minha Vida"!
Convictamente! Feliz Ano Novo!
Convictamente! Feliz Ano Novo!
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
Da Distância e da Presença...
"(...) Não falou Blimunda, não lhe falou Baltasar, apenas se olharam, olharem-se era a casa de ambos.(...)
(José Saramago in Memorial do Convento)
(José Saramago in Memorial do Convento)
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
domingo, 29 de dezembro de 2013
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Patrimónios - únicos!... materiais e imateriais!
Esta é a imagem -rara e preciosa!- de uma casa portuguesa, feita com arte, na Beira, a partir do imaginário sugerido por um afloramento granítico natural... para além da beleza, o exemplar do uso e recurso das capacidades humanas, faz-me pensar na nossa imensa competência para ultrapassar a mediocridade e instalar, em seu lugar, a eternidade!... Assim, tenhamos a humildade e a autoestima essencial e necessária para passarmos à prática as nossas convicções, razões e afectos!... para além de todas as aparências... a incontornável realidade do que conseguirmos fazer da vida será sempre a alegoria do que conseguiremos -se quisermos!- fazer do mundo!
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
Do riso como arma e libertação...
Ouvi, há pouco, o discurso proferido por ocasião da época natalícia, de um senhor apresentado como Primeiro-Ministro... era, de facto!, ao que parece e segundo percebi, uma mensagem de Natal dirigida aos seus súbditos - quero dizer, aos seus concidadãos!... Confesso que não li a legenda em que diria de que país falava mas, soou-me a imagem de esperança!... estranhamente, o homem de gravata falava em português (ou seria "dobragem"?)... falava - ou deliraria (nesse tão lato sentido que subjaz à falta de escrúpulos em escrever/verbalizar seja "o que" e de "que maneira" for?!)- em português?!?!?!
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
Luz de Natal...
Votos de Boas Festas para Tod@s!
Que o Natal seja Alegre e Solidário e que 2014 nos surpreenda e venha a ser um Ano Novo Feliz!
domingo, 22 de dezembro de 2013
A Espanha contra a Emancipação das Mulheres!
A governação de Rajoy legislou contra a liberdade das mulheres, fazendo retroceder os direitos relativos à liberdade de dispor do próprio corpo e assumindo publicamente as mulheres não como seres individuais, dotados de razão e direito de decisão mas, simplesmente, como propriedade social de um Estado que é, ainda!, masculino na pior acepção do termo, ou seja, autoritário, prepotente e arrogante!... Lamentável?!... sim, profundamente lamentável! (ler Aqui e Aqui)
sábado, 21 de dezembro de 2013
Contra a Violação Internacional dos Direitos das Crianças...
Contra a Violação dos Direitos das Crianças!... a criação (ideia e performance) é do artista cubano Erik Ravelo que a intitulou "Os Intocáveis" numa poderosa referência a quem explora, viola, mata, fere e destrói intencionalmente as crianças!
"A primeira imagem refere-se à pedofilia no Vaticano. A segunda ao abuso sexual infantil no turismo na Tailândia, e a terceira refere-se à guerra na Síria. A quarta imagem refere-se ao tráfico de órgãos no mercado negro, onde a maioria das vítimas são crianças de países pobres; a quinta refere-se ao armamento livre nos EUA. E por fim, a sexta imagem refere-se à obesidade, culpando as grandes empresas de fast food."
A mensagem resultante de fotografias com crianças representando a sua crucificação por muitos dos mais conhecidos tipos dos seus supostos opressores, tem como objectivo dar visibilidade a este drama negro que percorre transversalmente todo o mundo, bem como contribuir para reafirmar o direito das crianças de serem protegidas e de relatarem os abusos a que são expostas e a que estão sujeitas, nomeadamente em países como: Brasil, Síria, Tailândia, Estados Unidos e Japão.
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Do Tribunal Constitucional à Política e aos Direitos Humanos...
Felizmente, o Tribunal Constitucional chumbou, por unanimidade, o corte de 10% previsto no Orçamento do Estado, para se "abater" sobre as pensões dos funcionários públicos, vítimas preferenciais deste Governo (ler aqui). Considerando que o princípio da confiança seria traído com a aprovação deste diploma, o TC decidiu de uma forma que deveria ser extrapolada e transversalmente aplicada a todas as medidas que têm, contínua e sistematicamente, violado os direitos dos cidadãos e dos trabalhadores, condenando à pobreza, à miséria e à exclusão social milhares de pessoas e de famílias... O princípio da confiança tem sido, sem sombra de dúvidas!, objeto de todo o tipo de atentados pela atuação política da atual forma de gestão da economia nacional com e para além da troika... Prova disso, têm vindo a ser todos os sinais que vão desde a greve e a manifestação de ontem dos trabalhadores dos impostos, à sucessão de greves nos transportes, às contestações, greves e manifestações dos professores e ao clima de opressão e medo em que vivem todos os que ainda trabalham!... Registe-se que tudo isto acontece num contexto geo-político em que a Alemanha pensa tomar a Presidência do Banco Central Europeu e em que hoje foi anunciado o corte do rating da própria União Europeia! O progresso social está cada vez mais remetido para um sonho do passado e do futuro... quanto ao presente, é absurdamente retrógrado e preocupante para a vigência dos princípios de um regime efetivamente democrático onde sejam respeitados, primordial e inequivocamente, os Direitos Humanos!
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
domingo, 15 de dezembro de 2013
A mais linda voz do mundo...
... Tem 9 anos, chama-se Amira, foi revelada num programa holandês e faz pensar no conceito humano de Sublime... porque não há palavras para descrever tanta perfeição no canto clássico... na voz de uma criança!...
(via Fernando Pinto no Facebook)
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