terça-feira, 29 de abril de 2014

GENOCÍDIO POR VIA ADMINISTRATIVA...

O texto de António Lança de Carvalho é paradigmático, merece a nossa melhor atenção e revela o pior do que está a ser feito em prol da destruição do país por via da promoção da sua desertificação social...
 
"Vivo actualmente no concelho do Alandroal, um concelho com 542 km2 (!) e cerca de 6.000 habitantes. Uma população maioritariamente envelhecida, sem conhecimentos de informática, quanto mais computador, sem transporte próprio, quanto mais dinheiro para táxi!
As cavalgaduras do Terreiro do Paço terão decidido encerrar as Finanças! O que faz com que uma simples ida e volta a uma Repartição de Finanças passe a ser uma jornada de 100 quilómetros para muita da população do Concelho!
A isto eu chamo de GENOCÍDIO POR VIA ADMINISTRATIVA!
Situações como esta repetem-se, às centenas por todo o País!"
 
... se me permitem, autor e leitores!, destaco e sublinho a expressão tão rigorosa quanto perigosa:
 
GENOCÍDIO POR VIA ADMINISTRATIVA!!!!

"Um País, Uma Língua, a Liberdade"!...

Foi no passado dia 09 de Abril, no Quartel do Carmo, que Manuel Alegre a propósito do seu livro "País de Abril" disse, sob o título "Um país, uma língua, a liberdade":
 
"Há quarenta anos, parece que foi ontem, eu estava ainda no exílio. Vi, em Argel, pela televisão, as imagens da tomada do Quartel do Carmo. Foi um privilégio viver esse momento, ainda que de longe. É um privilégio estar hoje aqui a revivê-lo com todos vós. Sem armas. Com poemas e canções que, em outro contexto histórico, também foram armas. Porque o mal, disse Eduardo Lourenço, combate-se com a criação, a poesia e a música.

E a poesia também foi uma arma contra esse mal português que foi a ditadura do Estado Novo. Poemas que foram armas antes das armas. Ao longo de quase meio século, a poesia portuguesa manteve acesa aquela “luz bruxuleante” de que falou Jorge de Sena. Uma pequena luz, que era a luz do inconformismo e da esperança.

De Afonso Duarte, Miguel Torga, Sophia de Mello Breyner, Eugénio de Andrade, Jorge de Sena, Adolfo Casais Monteiro, José Régio, Carlos de Oliveira, Manuel da Fonseca, David Mourão Ferreira, Natália Correia, Mário Cesariny, José Gomes Ferreira, até aos poetas da minha geração, a poesia portuguesa, na diversidade e pluralidade das suas vozes, criou uma poética da liberdade muito antes da liberdade ser reconquistada. Evoco todos esses poetas, que foram meus mestres e estão aqui comigo, juntamente com todos os resistentes e todos os militares de Abril.

A todos convoco na apresentação desta antologia que é, por um lado uma celebração dos 40 anos do 25 de Abril, por outro um alerta ou, até, talvez, um acto de resistência. O mal está aí outra vez. Não como ditadura e guerra colonial, mas sob a forma do pesadelo da austeridade, do ataque aos serviços públicos de saúde, educação e segurança social, da desvalorização do trabalho, dos cortes de salários e pensões e, talvez pior, do corte da esperança e do futuro. Há de novo um dogma e um pensamento único. Mas há também uma linguagem única, o economês anglo-americano de tecnocratas que gostam de falar em inglês mas muitas vezes falam um mau português.

As nossas palavras estão ocupadas, o poder soberano da língua está cercado por taxas de juro, números, cifrões e vocábulos que não são nossos. Cortam-nos as múltiplas dimensões da vida e a música das vogais. Por isso eu penso que é de novo tempo de poesia para libertar a língua e nos restituir um certo sentido de festa e de liberdade, que é o essencial do 25 de Abril. Somos cigarras do sul e gostamos de cantar, como António Nobre, “o sol, o mar, a fartura da seara reluzente, o vinho, a graça, a formosura, o luar.” Portugal, esse “milagre contínuo”, como disse também Eduardo Lourenço, é uma paixão.

É essa paixão que está nesta antologia, onde há poemas que ainda andam por aí. Alguns foram escritos na guerra, na cadeia, na clandestinidade e no exílio. Mas não vou pedir desculpa pelo facto de terem sido lidos, cantados e de, apesar de várias censuras, terem circulado e continuarem a circular. A poesia é para ser partilhada. E eu não sou daqueles poetas a que João Cabral de Melo Neto chamava, com ironia, “inespaciais e intemporais”. Não me fechei na torre de marfim de uma escrita esteticamente asséptica. A história entrou, sem pedir licença, pelos meus versos dentro e está nos poemas desta antologia. Gostaria que eles fossem de novo um alerta e um apelo.

Ninguém quer perder Portugal como “futuro do passado”. Ninguém quer que a língua portuguesa deixe de ser a pátria que Camões e Pessoa nos legaram. Ninguém quer que o 25 de Abril seja uma data inofensiva no calendário.

Um país, uma língua, a liberdade.
País de Abril. 25 de Abril. Sempre."
Manuel Alegre

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Da Poesia como Libertação...

“As palavras estão ocupadas, o país está de novo amordaçado, agora por um poder invisível, o dos mercados, que é totalitário. Já ninguém fala do mar, do amor, do sol, das uvas, do vinho, da poesia. A poesia volta a ser importante como uma forma de resistência, de sublevação contra a linguagem instituída do poder. A poesia tem de voltar a decifrar os sinais, a antecipar o tempo, a subverter a linguagem do cifrão, dos juros, dos ratings, que afunilou a nossa vida e pôs um muro diante de nós”.
Manuel Alegre in (A poesia é uma arma - 24-04-2014)

A Grandeza Indizível do Pequeno-Imenso Largo...

Foi pequeno o Largo do Carmo, inundado dos milhares de pessoas que entupiram as ruas que lhe dão acesso!... 40 anos depois, o 25 de Abril esteve, indiscutivelmente!, na Rua!... como se a Poesia de Sofia e os sonhos de uma Humanidade melhor, de um País mais Justo e de uma Vida Digna assumissem protagonismos humanos individuais e anónimos, úteis apenas para testemunhar a universalidade justa destas inquietantes e sempre adiadas ansiedades de que se alimenta a esperança!...

Depois, com indizível honra, com Vasco Lourenço e Edmundo Pedro, prestou-se homenagem às vítimas com que a  PIDE fez questão de marcar a sua participação em 25 de Abril de 1974... Estava lá toda a Gente!... e a sensação que transbordava de cada um e de todos, era a de que, além de uma celebração, poderíamos estar a concretizar uma Mudança :)
  

São Cravos, Senhores, São Cravos!


... Talvez a despropósito (ou talvez não!) ocorreu-me a frase da Rainha Santa Isabel quando, segundo reza a lenda, surpreendida pela autoridade na prática solidária do gesto dissimulado de distribuir pão pelos mais pobres, disse, num tom que sempre imaginei precipitado - a denotar uma aflição contida, entre a angústia e o medo: "São rosas, Senhor, são rosas!"... Ocorreu-me sim, hoje!, 40 anos depois da extraordinária, generosa e bela Revolução dos Cravos de que nos resta, ao menos!, a Dignidade da Memória!... Pensando bem, de facto!, poderemos sempre dizer, perante os ditadores do passado, do presente e do futuro: "São Cravos, Senhores, São Cravos!"... porém, o que é certo é que a Revolução de 1974 provou que a mudança é possível!... como o provaram antes as Revoluções do Maio de 68, as independências internacionais de todos os colonialismos, a vitória aliada da II Guerra Mundial, a Proclamação dos Direitos Humanos, a Revolução Russa de 1917, a Revolução Americana, a Revolução Industrial, a Revolução Francesa, as Revoluções Sul-Americanas e todas as maiores ou menores que, incontornavelmente, se preparam na dinâmica da História!... as Revoluções acontecem e a Mudança concretiza-se!... Aos povos falta apenas ganhar a experiência da gestão honesta, justa e recta dos Valores e a capacidade de resiliência face aos traumas, aos revanchismos e à tentação da corrupção!... Por tudo isto, vale a pena celebrar a coragem de quem o concretizou e a intenção digna de quem o celebra na sua essência não protocolar mas de integridade de alma... por isso, amanhã, de novo!, todos os rios irão desaguar ao Largo do Carmo!... 25 DE ABRIL, SEMPRE!

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Austeridade e Cortes não Serviram para Nada?!!!!

O insuspeito Conselho de Finanças Públicas revelou ontem o seu mais recente Relatório, confirmando as mais assustadoras de todas as expectativas (LER AQUI). De facto, a suspeita era mais do que justificada: os alegados "cortes na despesa" foram feitos quase exclusivamente pela parte da Receita, ou seja, com a gravíssima e escandalosa subida de impostos que reduziu o povo português ao maior grau de pobreza, desemprego e desesperança de que há memória desde que a democracia, há 40 anos, foi implantada no país! ... Pior que isso, só mesmo a indesmentível constatação dos economistas que proferiram esta conclusão e que acrescentaram que as medidas de austeridade não produziram efeitos práticos nenhuns!!! ... No momento em que decorre a 12ªavaliação da troika e em que os credores internacionais continuam a exigir mais "austeridade" (isto é, mais impostos, mais cortes, menores salários e por aí adiante), perante a obediência crua e incontornável da atual governação política nacional, os resultados apresentados pela equipa de Teodora Cardoso falam mais e melhor e são, inequivocamente, arrasadores para o Governo - enquanto espelho da realidade do país em que vivemos... 40 anos depois do 25 de Abril!   

É PRECISO CRIAR... GENTE!


"Mas o que é Preciso é Criar Desassossego.
Quando começamos a procurar álibis para justificar o nosso conformismo, então está tudo lixado!
Acho que, acima de tudo, é preciso agitar, não ficar parado, ter coragem quer se trate de música ou de política.
Nós, neste país, somos tão pouco corajosos que qualquer dia, estamos reduzidos à condição de homenzinhos e mulherzinhas.
Temos é que Ser Gente, Pá!!"
 
 ... Palavras Sentidas e Lúcidas de... Zeca Afonso!

terça-feira, 22 de abril de 2014

Do Nome das Árvores e das Flores...

Chamam-lhe "Árvore do Amor" em Espanha mas, também por cá... e porque o nome faz jus à forma e à cor das flores destas magníficas árvores que florescem entre Março e Maio, cobrindo de cor-de-rosa, o ar e o chão de muitos caminhos da Europa do Sul e da Ásia ocidental, celebro hoje o renascer da vida e da alegria com a homenagem à esplendorosa beleza das Olaias em Flor que, por serem comuns nas paisagens da Judeia, são ainda conhecidas como "Árvore da Judeia"!... Pela descoberta surpreendente a que me conduziste em plena Primavera, num país que se quer de Abril, este post é, com amor, a imagem possível do mais belo poema do mundo desenhado e escrito, como um presente para ti, António...


domingo, 20 de abril de 2014

quinta-feira, 17 de abril de 2014

O Meu Presidente...


JOSÉ MUJICA (Presidente do Uruguay) comentou assim a hipótese de vir a ser galardoado com o Prémio Nobel da Paz: “Estão loucos. Que prémio da paz, nem prémio de nada. Se me derem um prémio desses seria uma honra como ajuda para os humildes do Uruguai para conseguirem uns pesos a mais para fazer casinhas... no Uruguai temos muitas mulheres sozinhas com 4, 5 filhos porque os homens as abandonaram e lutamos para que possam ter um teto digno... Bom, para isso teria sentido. Mas a paz se leva dentro. E o prémio eu já tenho. O prémio está nas ruas do meu país. No abraço dos meus companheiros, nas casas humildes, nos bares, nas pessoas comuns. No meu país eu caminho pela rua e vou comer em qualquer bar sem essa parafernália de gente de Estado.

Sem Sonhos... nem Ideias...

«A entrevista de Pedro Passos Coelho à SIC foi a imagem de um regime que deixou de sonhar. Vive confinado a um desígnio económico e financeiro: debelar a dívida. Tudo o mais não existe no pensamento político do primeiro-ministro. Nem sequer tem sonhos para partilhar. E, não os havendo, que sentido político e social há para tamanho sacrifício? A mensagem de Passos Coelho foi uma pobreza total: de sonhos, mas sobretudo de ideias. O País pode estar melhor mas vive uma enorme insolvência de ideais, de ética, de moral e de cultura. E nisso Passos não está sozinho. Basta escutar a oposição.»
 
Fernando Sobral in Jornal de Negócios

(via Pedro Correia no blogue "Delito de Opinião")

Da Ditadura Perfeita...


(via António Lança de Carvalho no Facebook)

Sonoridades...



... do Azerbaijão, as vozes de Alim Qasimov e Fargana Qasimov...

(via Pedro Faria Bravo que aproveita para dizer no FB: "Habitamos Todos o Mesmo Mundo")

domingo, 13 de abril de 2014

Reinvenção de "A Morte do Cisne"...

... a eternidade da Arte reside na capacidade infinita da sua reinvenção...

sexta-feira, 11 de abril de 2014