quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Sonoridades...
... Oswaldo Montenegro em "Metade"... (ah... já agora, a palavra "anseio" está mal escrita na legendagem deste maravilhoso poema-canção... mas, neste contexto, isso não interessa nada!)...
terça-feira, 16 de setembro de 2014
Do Medo e da Libertação...
... Eduardo Galeano, sem medo... em nome da Vida incendiada de esperança, para além de todas as ameaças...
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
Das Artes em Extinção como Património Ameaçado...
... GPS porque estes eram os instrumentos de localização de uma sociedade rural cujos pastos se perdiam pela extensão dos campos, num tempo em que não havia vedações... "GPS - Arte Chocalheira de Alcáçovas", um breve documentário de Luís Godinho e Luís de Matos.
Sonoridades Intemporais...
... "Serenata" de Franz Schubert na virtuosíssima interpretação de Itzhak Perlman que também aqui interpreta "Meditation Thais Opera" de Jules Massenet...
Da Aparência da Mudança...
... Um século depois, a frase de Ayn Rand continua atual e esta constatação devolve-nos a consciência da aparência fátua das mudanças que servem essencialmente os detentores do poder, como forma de rentabilizar os meios que lhes garantem a conservação do poder. É esse o papel da tecnologia, o de prover à diminuição dos custos de produção, pela redução da despesa com a mão-de-obra - processo no qual a comunicação social emerge como instrumento essencial à sua perpetuação, alienando as massas com o entretenimento e a informação, administrada de modo a simular a distribuição do conhecimento e a ilusão do saber.
domingo, 14 de setembro de 2014
Sonoridades...
"Brasil Poeira
Ê, Brasil, poeira
Estradas de chão, violas, bandeiras
Terra de Tom, Tonico e Tião,
E Nossa Senhora, a Padroeira
Ê, paixão, primeira
E os sertões, nação das estrelas
Se o dia é luz, e a noite seduz
O coração, abre as portei.. ras
Quando o galo cantar, nos quintais do Brasil
E o sol clarear nosso chão
Vem a semente e o pão, água do ribeirão
E horizontes que ao longe se vão
Ao som dos bem-te-vis…
Quem canta, espanta, seus males se diz
Quem planta é quem colhe, é quem finca raiz
Quem canta, espanta, seus males se diz
Quem planta é quem colhe, é quem finca raiz"
(na voz de Almir Sater)
O Amor, Meu Amor...
"O Amor, Meu Amor
Nosso amor é impuro
como impura é a luz e a água
e tudo quanto nasce ...
e vive além do tempo.
Minhas pernas são água,
as tuas são luz
e dão a volta ao universo
quando se enlaçam
até se tornarem deserto e escuro.
E eu sofro de te abraçar
depois de te abraçar para não sofrer.
E toco-te
para deixares de ter corpo
e o meu corpo nasce
quando se extingue no teu.
E respiro em ti
para me sufocar
e espreito em tua claridade
para me cegar,
meu Sol vertido em Lua,
minha noite alvorecida.
Tu me bebes
e eu me converto na tua sede.
Meus lábios mordem,
meus dentes beijam,
minha pele te veste
e ficas ainda mais despida.
Pudesse eu ser tu
e em tua saudade ser a minha própria espera.
Mas eu deito-me em teu leito
quando apenas queria dormir em ti.
E sonho-te
quando ansiava ser um sonho teu.
E levito, voo de semente,
para em mim mesmo te plantar
menos que flor: simples perfume,
lembrança de pétala sem chão onde tombar.
Teus olhos inundando os meus
e a minha vida, já sem leito,
vai galgando margens
até tudo ser mar.
Esse mar que só há depois do mar."
Mia Couto
Nosso amor é impuro
como impura é a luz e a água
e tudo quanto nasce ...
e vive além do tempo.
Minhas pernas são água,
as tuas são luz
e dão a volta ao universo
quando se enlaçam
até se tornarem deserto e escuro.
E eu sofro de te abraçar
depois de te abraçar para não sofrer.
E toco-te
para deixares de ter corpo
e o meu corpo nasce
quando se extingue no teu.
E respiro em ti
para me sufocar
e espreito em tua claridade
para me cegar,
meu Sol vertido em Lua,
minha noite alvorecida.
Tu me bebes
e eu me converto na tua sede.
Meus lábios mordem,
meus dentes beijam,
minha pele te veste
e ficas ainda mais despida.
Pudesse eu ser tu
e em tua saudade ser a minha própria espera.
Mas eu deito-me em teu leito
quando apenas queria dormir em ti.
E sonho-te
quando ansiava ser um sonho teu.
E levito, voo de semente,
para em mim mesmo te plantar
menos que flor: simples perfume,
lembrança de pétala sem chão onde tombar.
Teus olhos inundando os meus
e a minha vida, já sem leito,
vai galgando margens
até tudo ser mar.
Esse mar que só há depois do mar."
Mia Couto
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
domingo, 7 de setembro de 2014
Sonoridades...
... "Love Hurts" uma versão que vale a pena ouvir... nas vozes de Keith Richards e Norah Jones...
sábado, 6 de setembro de 2014
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
Do Acesso ao Conhecimento...
"Para saberes quem manda em ti basta descobrires quem não estás autorizado a criticar."
Voltaire (imagem e citação via Manuel Marcelo Curto no Facebook)
terça-feira, 2 de setembro de 2014
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
Somos Todos Democratas?!
"CADA DIA UM POEMA
Depois do 25 de Abril,tornámo-nos todos democratas.
Não nos tornámos democratas por acreditarmos na democracia, por odiarmos a guerra colonial, a polícia política, a censura, a simples proibição de raciocinar, tornámo-nos democratas por medo, medo dos doentes, do pessoal menor, dos enfermeiros, medo do nosso estatuto de carrascos, e até ao fim da Revolução, até 76, fomos indefectíveis democratas, fomos socialistas, diminuímos o tempo de espera nas consultas, chegámos a horas, conversámos atenciosamente com as famílias, preocupávamo-nos com os internados, protestávamos contra a alimentação, os percevejos, a humidade, os sanitários, a falta de higiene. Fomos democratas por cobardia, tínhamos pânico de que nos acusassem como os pides, nos prendessem, nos apontassem na rua, pusessem os nossos nomes nos jornais. E demorámos a entender que mesmo em 74, em 75, em 76, as pessoas continuavam a respeitar-nos como os abades das aldeias, continuavam a ver em nós o único auxílio possível contra a solidão. E sossegámos. E passámos a trazer dobrados no sovaco jornais de direita. E sorríamos de sarcasmo ao escutar a palavra socialismo, a palavra democracia, a palavra povo. Sorríamos de sarcasmo, porque haviam abolido a guilhotina."
António Lobo Antunes
Depois do 25 de Abril,tornámo-nos todos democratas.
Não nos tornámos democratas por acreditarmos na democracia, por odiarmos a guerra colonial, a polícia política, a censura, a simples proibição de raciocinar, tornámo-nos democratas por medo, medo dos doentes, do pessoal menor, dos enfermeiros, medo do nosso estatuto de carrascos, e até ao fim da Revolução, até 76, fomos indefectíveis democratas, fomos socialistas, diminuímos o tempo de espera nas consultas, chegámos a horas, conversámos atenciosamente com as famílias, preocupávamo-nos com os internados, protestávamos contra a alimentação, os percevejos, a humidade, os sanitários, a falta de higiene. Fomos democratas por cobardia, tínhamos pânico de que nos acusassem como os pides, nos prendessem, nos apontassem na rua, pusessem os nossos nomes nos jornais. E demorámos a entender que mesmo em 74, em 75, em 76, as pessoas continuavam a respeitar-nos como os abades das aldeias, continuavam a ver em nós o único auxílio possível contra a solidão. E sossegámos. E passámos a trazer dobrados no sovaco jornais de direita. E sorríamos de sarcasmo ao escutar a palavra socialismo, a palavra democracia, a palavra povo. Sorríamos de sarcasmo, porque haviam abolido a guilhotina."
António Lobo Antunes
(via Rui Nuno no Facebook)
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