segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Uma noite de respostas...



... depois de responder às gratificantes reflexões, comentários e palavras que aqui foram sendo registadas, a propósito dos 2 post's anteriores, não me resta mais, por hoje, do que partilhar convosco um tema que é, de certa forma, de todos nós... na voz inconfundível de Maria Bethânia... com Aquele Abraço :)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Presentes...




A Nossa Candeia fez ontem, dia 26 de Novembro, um ano de existência!Por isso, venho hoje até aqui, muito rapidamente por razões de trabalho que me ocuparão até domingo, partilhar convosco um presente que, generosamente, recebi do Sustentabilidade é Acção e que atribuo, com um abraço, em particular, aos comentadores do post do anterior (com um pedido de desculpas por não ter ainda respondido), a todos os amigos, seguidores, leitores, comentadores e a todos os blogs de que sou Seguidora... com um agradecimento sentido pela partilha da sensibilidade e da inteligência com que esta interacção blogosférica vai revitalizando os dias... faço votos de continuação de boas leituras e bons post's (numa voltinha breve pelos blogs que costumo visitar, registo muitos bons e pertinentes textos que me suscitam a vontade de comentar e escrever... a que devo resistir por estar assoberbada de trabalho)... para todos, ficam, a título de Prémio, o Selo da Amizade e o Selo "Bloggers por Um Mundo Melhor"!... Até domingo!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Da Dimensão Subjectiva da Justiça ao Estado de Direito


A discussão sobre "escutas" que decorre, com especialistas da matéria, no programa "P'rós e Contras" da RTP1, revela, de forma incontornável e evidente, perante a opinião pública, a dimensão subjectiva do Direito que os cidadãos supostamente considerariam inequívoco, por dele decorrer a própria Lei, proclamada e assumida matriz do Estado democrático. Antes de mais, convém dizer que é saudável podermos ter acesso à verdade - a esta verdade, da subjectividade da discussão do Direito e da sua polémica - apesar de, na realidade, o facto contribuir decisivamente para o sentimento de insegurança das pessoas. A debilidade das condições que configuram as investigações, bem como as fugas de informação e as violações do segredo de justiça que não permitem escamotear as promíscuas relações entre o poder político e a comunicação social, assumem publicamente as limitações do poder judicial e a fortissima tentação da sua politização, designadamente partidária. No meio de tanta impunidade, tanta suspeita e tanta desautorização institucional é difícil pensar a Justiça como equitativa e independente, autónoma e credível. Importa por isso, antes de mais, destacar a evidente necessidade de uma formação específica, capaz de transcender o senso comum de uma cultura assente no interconhecimento, para todos os profissionais do sector da Justiça... até que essa formação seja um facto, ficaremos expostos às proximidades sociais que se sobrepõem ao rigor profissional e aos quesitos institucionais... infelizmente, é claro! ... para mal do Estado, da Democracia, da Justiça, da Igualdade, da Liberdade e do Direito... para mal, afinal, de todos os cidadãos!
(Este post será também publicado no A Regra do Jogo)

Scheherazade...


... um tema de Rimsky-Korsakov para Scheherazade... também transcrito e tocado por Serge Prokofiev...

domingo, 22 de novembro de 2009

Leituras Cruzadas

As Leituras Cruzadas de hoje são, de certo modo, especiais... começam por assinalar a morte de um blogger que não conheci pessoalmente mas que muito gostei de ter como colega no Público-Eleições 2009... era um homem de direita, um homem sério e um democrata. É para todos uma perda e, para os seus amigos, uma dôr... Chamava-se Jorge Ferreira, era líder político ao lado de Manuel Monteiro e sabia reconhecer a razão para além dos quadrantes partidários. Além disso, doente, acompanhou o dossier da blogosfera que o Público preparou para o ciclo eleitoral do Verão passado, como um dos seus mais assíduos colaboradores, mostrando que a vida vale a pena até ao fim. Registo três textos que se lhe referem: dois de Pedro Correia no Delito de Opinião e outro no Água Lisa de João Tunes. Os registos denotam a qualidade do homem que agora partiu e que faz falta à democracia que deixa de o ser sem diversidade e liberdade de expressão, opinião e debate... Entretanto, pelo mundo, registam-se os dramas de sempre, fruto do dogmatismo demagógico de que temos notícias no Forum Palestina e no Cesto da Gávea e que nos merecem reflexões como a que Francisco Seixas da Costa denota no seu Duas ou Três Coisas. Registem-se, a propósito de escritos destacáveis: os Parabéns que nos merecem os 3 aninhos do Activismo de Sofá, a boa ideia de Bruno Sena Martins pela evocação memorável que faz no Avatares de um Desejo, as palavras de T.Mike no Vermelho Côr de Alface, a memória que fez Medeiros Ferreira evocar Mário Barradas e o audível silêncio dos pássaros que nos permite Fernando Cardoso no Ayappa Express.

sábado, 21 de novembro de 2009

Teatro Mário Barradas... em Évora


Morreu Mário Barradas. Acabei de o saber... e, para além de pensar que o Teatro Garcia de Resende deveria passar a chamar-se: Teatro Mário Barradas, assinalo este momento com a evocação de uma pequena e insignificante história suscitada pelo luto... porque o luto dos amigos, em nós, evoca o seu melhor... De facto, não deixa de me ocorrer a imagem de um encontro que com ele tive, sob os arcos que vão do Largo Luís de Camões para o Garcia, lá, em Évora, quando a cidade era a capital da cultura e o povo a vivia de peito aberto, na rua... Eu tinha 16 anos e encontrara-o em boa hora porque me pairava na cabeça o projecto de abraçar as artes que o Centro Cultural de Évora em mim despertara... disse-lhe!... ele, demorou um pouco para retorquir e perguntou-me: "Estás a acabar o Liceu, não é? Mas pensaste ir para a Universidade... diz lá que curso querias fazer" e eu, um pouco desiludida por pensar que ele ia ficar entusiasmado por haver jovens que acompanhavam o trabalho cultural que a Companhia levara, depois do 25 de Abril, ao coração do Alentejo, respondi: "Filosofia..."... o Mário parou, olhou para mim e disse: "Vai para a Faculdade... tira Filosofia"... eu tentei ripostar: "mas... posso fazer as duas coisas até porque o teatro pode articular-se com o estudo e a leitura"... ele voltou a parar e, em frente da Violeta (a pastelaria, claro), disse-me, muito sério: "És muito nova... vai primeiro fazer Filosofia... depois, se ainda quiseres vir, vem"... Acompanhei o trabalho de Mário Barradas e do grupo de actores que criou, do Centro Cultural de Évora ao Cendrev e à Companhia... devo à sua arte e à sua forma de estar na vida, uma parte do que sou. Por isso, hoje, sinto que todos perdemos um Amigo e um Mestre... mas se sinto que a minha vida ganhou muito por habitar o espaço que ele escolheu para trabalhar, imagino a perda dos meus amigos que, com ele, partilharam uma vida inteira de quotidianos, mágoas, alegrias e trabalho... conforta-me saber que a herança que o Mário Barradas deixou a este país tem na Ana Meira, no Alvaro Corte-Real, na Isabel Bilou, na Rosário Gonzaga, no Rui Nuno, no Vitor Zambujo, no Zé Russo e em tantos outros (de que não posso deixar de destacar o Fernando Mora Ramos), a garantia de continuidade de que as novas gerações já dão sinal. Um grande, grande abraço a todos... por todos nós, os que aprendemos a construção do ser também convosco!... dele deixo a fotografia (na companhia de J.Benite) e um texto que pode ser lido AQUI.

Ainda a Tolerância...


... na sequência da evocação de Voltaire que aqui chegou pela mão de JMCorreia Pinto (autor do lúcido e irreverente Politeia), vale a pena ler o texto de Leonard Boff... AQUI.

Marketing e Navegação à vista



"(...) Que difícil ser próprio e não ver senão o visível." (Alberto Caeiro)

... Jacques Brel e Alberto Caeiro - eis as evocações possíveis depois de se ouvir falar em "espionagem política", quando está em causa o Ministério Público, quando todas as condições concorrem para se falar no desrespeito pela separação de poderes e quando se induzem intenções a partir da especulação explorada após o enunciar de suspeitas, reagindo-se como se de um reflexo condicionado se tratasse... assumindo o risco de descredibilizar a investigação e a avaliação racional dos problemas... a precipitação da auto-defesa, num quadro de maioria relativa em que se adivinham difíceis, morosas e plurais negociações justifica a insensatez?... não!... explica-a mas, de facto, não a legitima... como o preço de acordos pontuais de que é exemplo a avaliação de professores ou o espanto ministerial perante o número de pessoas sem trabalho quando se cumpre a, há muito, anunciada maior taxa de desemprego de que há registo, que mais não significam senão que a tudo se está disposto para viabilizar, sem emendas, propostas polémicas que uma oposição esvaziada aproveita, de forma gratuita e sem alternativas (ou não exigiria a anulação da avaliação de professores e apresentaria, isso sim, medidas concretas para o combate ao desemprego como prioridade no debelar da crise)... A "navegação à vista" tem destas coisas: gere o possível sem se comprometer com coisa alguma e dá razão ao que fôr preciso para não aparentar perder a razão... independentemente do interesse nacional! ... porque o interesse nacional, mais do que ver aprovadas apressadas propostas de lei escassas no conteúdo, exige tempo negocial, recalendarização da agenda parlamentar, reformulação de propostas e flexibilidade analítica de Governo e oposição... ficamos assim, afinal de contas, com a sensação de que o Governo está apenas, talvez até inconscientemente por excesso de vontade de afirmação, a criar condições para a emergência de oposições consolidadas... porque medidas conjunturais são efémeras e o país carece de intervenções estruturais em que todos se comprometam, não para contabilizar vitórias de Pirro perante si próprios mas, para procurar e encontrar soluções melhores... claro que espreita, sobre o ombro de todos, a aprovação de um Orçamento de Estado, a votar... mas o interesse nacional, declarado eleitoralmente, não se satisfaz com o preço da abstenção e visa, pelo contrário, o esforço em fazer mais e melhor do que, apenas, contar com o não bloqueio dos outros... porque o Marketing não retira mas antes fornece razões para que avaliem e intervenham na realidade, quase exclusivamente, valorizando e exibindo uma imagem de aparência que se esgota no ruído das campanhas ou da publicidade mediática sobre acordos que, na realidade, pouco mudam o que urge mudar na vida do país e dos cidadãos.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Tolerância... Precisa-se!



No passado dia 16, foi Dia Internacional da Tolerância e no Crónicas do Rochedo foi lançado um repto de celebração simbólica que consiste em responder, sinceramente, a 3 perguntas... Considerando os tempos que correm e a cada vez maior relevância da diversidade na sociedade multicultural e multiétnica em que vivemos, aqui fica o contributo do A Nossa Candeia:



1 -O que significa ser Tolerante?


Ser tolerante significa ser capaz de respeitar crenças, valores, atitudes e práticas diferentes das que a nossa cultura configura no conjunto de opções de vida que enquadram as nossas decisões.



2 - Em que tipo de situações tenho dificuldades em praticar a Tolerância?


Tenho dificuldades em praticar a Tolerância perante a injustiça e a crueldade conscientes e intencionais, perante o dogmatismo mas, acima de tudo, sempre que estão em causa Direitos Humanos...



3 - Tolerância será abrir mão das próprias convicções?


Não. As convicções individuais que participam da identidade do que somos e do que escolhemos ser, persistem na exacta medida da nossa determinação em as afirmar, enquanto expressão auto-regulada da nossa existência... neste sentido, a Tolerância é uma aprendizagem a que as próprias convicções devem ser sensíveis porque, mais do que qualquer outra coisa, é o exercício da Tolerância que as legitima.



As 3 perguntas devem agora ser transmitidas aos que reconhecem a importância desta reflexão... vão ver que não é tão simples como parece mas, posso dizer-vos que o resultado deste pequeno esforço é gratificante, principalmente pelo tempo que dedicamos ao pensar sobre o assunto, no contexto da nossa própria auto-avaliação. Desejo-vos uma boa experiência!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Portugal no Índice Internacional de Percepção da Corrupção


Segundo a Transparency International, em 2009, Portugal ocupa o lugar nº35 de uma lista de 180 países que, anualmente, são ordenados segundo o Indice de Percepção da Corrupção... considerando o número de casos que tem vindo a público, relativamente a suspeitas e processos que investigam o fenómeno no nosso país, bem como o impacto mediático que têm motivado, o lugar 35 desta tabela pode sugerir aos mais incautos, expressões do género: "afinal, até não estamos assim tão mal"... uma breve consulta da lista publicada corrigirá qualquer tipo de esperança... basta ver com atenção o nome de cada um dos países que se nos seguem, para se tornar indubitável a linha de fronteira em que, de facto, nos situamos... confirme-se AQUI.

Discrição de alto nível...


A propósito do "Face Oculta" e no âmbito da divulgação da audiência do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do Nascimento, hoje, às 18h, em Belém, os portugueses ouviram o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, interpelado pelos jornalistas, dizer: "(...) que estou preocupado, estou... coisa diferente é fazer declarações à comunicação social (...)"... seria preciso dizer mais, para alimentar a especulação?... De facto, a delicadeza destes contextos dificilmente escapa à lógica do "ser preso por ter cão e ser preso por não ter"... será, talvez também por isso, aconselhável mais discernimento e sentido de responsabilidade na gestão da "coisa pública"... isto se, na verdade, ainda se considerar prioritária a estabilidade governativa para um país que precisa, urgentemente, de soluções socio-económicas decisivas para o quotidiano das pessoas, no curto e no médio prazo.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Uma História Cantada...



... por Chico Buarque... uma melodia para começar bem a semana :)

domingo, 15 de novembro de 2009

Um desafio para 5 revelações


Um simpático desafio enviado pelo T.Mike do Vermelho Côr de Alface consiste em que os bloggers convidados a aceitar este repto, procedam da seguinte forma:


1 - Seguir as Regras;

2 - Colocar o selo no início da mensagem que indica quem está, quem esteve, ou estará na brincadeira;

3 - Completar as 5 frases seguintes:


Eu já tive... mais confiança na classe política;

Eu nunca... assisti a um jogo de futebol num estádio;

Eu sei... que é na Educação que radica a resistência à corrupção;

Eu quero... uma Democracia Melhor, com mais: Justiça, Liberdade, Educação e Meritocracia;

Eu sonho... com um Mundo Melhor para Todos.



sábado, 14 de novembro de 2009

Da Manipulação Informativa à Ficção Literária como Catarse




Informação, contra-informação, suspeitas, factos, comentários e opiniões fazem o conhecimento? Não. E aproximam-nos da realidade?... apenas e só na medida em que forem epistemologicamente consideradas as afirmações e os seus contextos. Eis a razão porque, apenas se pudessemos dedicar todo o nosso tempo ao tratamento multidisciplinar das notícias e dos textos que chegam ao conhecimento público, configurando a opinião mediática que nos é apresentada como colectiva, poderiamos confiar, sem reservas, no que se diz e/ou no seu contraditório. Porém, hoje mais do que nunca, todos avocam a liberdade para usar o espaço público e todos evocam as suas fontes como fidedignas ainda que, em grande parte, sejam anónimas, pelo menos do ponto de vista do leitor-cidadão. A democracia surge assim, aparentemente, como um espaço aberto e não-restritivo de exercício da circulação informativa... sem que, proporcionalmente à sua importância, seja analisado ou discutido com seriedade, o problema central da sua legitimação: o poder económico em que assenta a propriedade dos media e as esferas políticas que nele desenvolvem a sua intervenção garantindo, exclusivamente, a gestão manipulada do teor do que vai emergindo, em função de interesses individuais ou de grupo. Não interessa nada o interesse nacional a não ser aquele que afecta os lobbies, formais ou informais, como não interessa o interesse colectivo de cidadãos e populações... essa é, afinal, a razão que justifica a dispersão da "causa pública" na política, que nos obriga a viver rodeados de uma poluição de intrigas inter-partidárias vestidas das mais diversas roupagens, com rostos de oportunidade que nos afastam do que sabemos ser essencial: combater a pobreza, o desemprego e a discriminação, criar riqueza, emprego, aumentar a produtividade, criar confiança nos consumidores e consolidar a confiança nas instituições democráticas. Porém, cada vez mais, em Portugal, Economia, Justiça, Trabalho, Segurança Social, Saúde, Educação e Cultura, parecem minimizar as causas, dispersando-se pelas consequências casuísticas de situações que nem deveriam existir se a sociedade formasse, na família, na escola, nos meios de comunicação social e no espaço público, pessoas capazes de resistir às tentações facilitistas de ascensão social pelo recurso a meios muito próximos do acesso ao dinheiro, mais ou menos, "ilícito" - conceito que, entre nós, radica na negligência de costumes e práticas relativamente a valores éticos de cidadania... continua, também por isso, a ser catártica a literatura, clássica e contemporânea, com a qual avaliamos e aferimos padrões do comportamento social, sem o condicionalismo da responsabilidade que sobre nós pesa quando pensamos o enquadramento em que se move o nosso quotidiano... Stieg Larsson, jornalista sueco, criou, em 2004, uma metáfora interessante das sociedades ocidentais contemporâneas, numa trilogia aliciante intitulada "Millenium", cuja personagem principal diz a certa altura: "Não há inocentes. Há apenas diferentes graus de responsabilidade"... depois de entregar o livro ao editor, numa daquelas ironias da vida que a doença resolve desencadear, Stieg Larsson morreu... ... fica a obra... fascinante para quem gosta de um bom romance de ficção por muito se interessar pela realidade.

Petição Contra a Fome...


Vale a pena ler... e subscrever... porque, se nos não bastam as intenções e as palavras, não podemos, também, por outro lado, dar-nos ao luxo de não integrar esse esforço já com história mas, acima de tudo, com futuro, que a canção enunciava assim: "junta a tua à nossa voz":

PETIÇÃO CONTRA A FOME ... um documento a que Manuela Araújo e Rui Herbon, respectivamente, no Sustentabilidade é Acção e A Escada de Penrose, me permitiram aceder.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Perguntas incomodamente insidiosas...




Há coisas assim... incómodas!... emergem, súbitas, à nossa mente e instalam-se, venenosas, insidiosas, persistentes, inquisitivas... perguntas, interrogações, dúvidas... talvez por uma espécie de reflexo condicionado provocado pelas faces ocultas de tantas coisas, pelo hábito sistemático que se vai tornando costume, de tudo, em política, acabar por revelar um preço, à partida, insuspeito - pelo menos para os incautos e os de boa-fé... vejamos... cheguei a hesitar em formular esta sequência de perguntas para mim mesma, em a pensar em voz alta, mais ainda em a escrever e a partilhar... mas torna-se-me pesado o silêncio e a persistência em a ignorar... assim, de boa-fé, aqui fica: será que se pode estabelecer alguma relação entre a defesa da continuidade dos colonatos judaicos na Cisjordânia e a aprovação do plano de saúde para milhões de norte-americanos até agora privados de um direito fundamental? ... será que um direito fundamental num canto do planeta pode justificar o contribuir para a violação de direitos fundamentais num outro espaço planetário?... que raio de humanidade é esta que inquina a acção política deixando o livre-arbítrio condicionado a opções tão injustamente desumanas?... será que nos habituámos de tal modo a encontrar razões escusas em todos os procedimentos, ao ponto de inventarmos causalidades e correlações, misturando factos e hipóteses explicativas?... será que perdemos, de vez, a nossa ingenuidade?... ou estaremos agora na posse de um molho de chaves perante um sem-número de portas, à procura de supostas correspondências?...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Leituras cruzadas...

Enquanto se desenvolvem as investigações sobre as faces mais ou menos ocultas do poder que grassam pelo nosso pobre país enquanto a Europa se debate com problemas que, cedo ou tarde, terão continuidade em impasses para os quais o funcionamento institucional da UE não está devidamente preparado (vale a pena ler os textos de António Serzedelo no Vidas Alternativas), o mundo celebra uma das mais simbólicas quedas do mundo contemporâneo: a do Muro de Berlim que, há 20 anos e por 28 anos, dividiu, política e militarmente, o espaço europeu. A data, 9 de Novembro, regista, entre nós, interessantes comentários, díspares é certo mas, sintomáticos do enriquecimento que significa a pluralidade democrática (vejam-se os textos de João Pinto e Castro no Jugular, de Pedro Correia no Delito de Opinião, de Daniel Oliveira no Arrastão, Vitor Dias no O Tempo das Cerejas, João Pedro Dias no Câmara dos Comuns, Raimundo Narciso no PuxaPalavra, Carlos Barbosa de Oliveira no Crónicas do Rochedo e João Tunes no Água Lisa* ).
Entretanto, como bem se demonstra numa leitura rápida do noticiário seleccionado pelo SOS Racismo, continuamos a construir outros muros por todo o lado (leia-se a reportagem da BBC transcrita pelo Forum Palestina) até que esteja interiorizada politicamente a noção de que a Educação é que construirá a Cultura de Cidadania de que todos e as novas gerações em particular, precisamos (vale a pena reflectir sobre o texto de Paulo Querido no Certamente) para que o planeta sobreviva às dicotomias que a História já demonstrou contraproducentes e ineficazes para a gestão humanizada da organização económico-social... porque, com uma economia de mercado em plena crise (leia-se o texto de João Rodrigues no Ladrões de Bicicletas) a reeditar a reflexão urgente sobre valores e ideologias mas, em relação à qual se não registam respostas desassombradas e corajosas, capazes de se inclinarem humildemente perante as lições da História, temos ainda, passe a expressão, "muita pedra para partir"... resta-nos desejar que o preço não custe a vida ao futuro!
(Nota: o texto de João Tunes foi inserido neste post posteriormente à data inicial da sua publicação)

Viva Berlim! (O Muro de Berlim - 3)

Celebram-se hoje, dia 9 de Novembro de 2009, os 20 anos da Queda do Muro de Berlim que resgatou à História, os 28 anos de incompreensível e inaceitável separação de um povo. Sem atender aos laços familiares, afectivos e culturais, a ocupação política do poder determinou, com base na ocupação residencial dos cidadãos, a sua segregação e a interdição da sua mobilidade e comunicação.

No dia 9 de Novembro de 1989, o Muro caiu e em 18 de Março de 1990 deu-se, a partir do resultado das eleições livres realizadas para o efeito, a Reunificação da Alemanha. Hoje, 20 anos depois, todos descobrem as limitações do "outro lado": desemprego, pobreza, exclusão, dificuldades de integração... mas, o reconhecimento é comum: valeu a pena!... porque a cidadania venceu o muro da violência política e agora, ocidentais e orientais, como um só povo, caminham juntos para o futuro!... Foi assim que os Berlinenses viveram o Concerto The Wall que, em 1990, juntou na sua cidade, sob a direcção de Roger Waters dos Pink Floyd, muitos, muitos amigos, cujo espectáculo performativo o YouTube nos permite conhecer em 12 partes de que aqui trazemos, pelo seu simbolismo, a 7ª e a 12ª!... na Potsdam Platz, o mesmo local onde, em 1945, 1948,1949, 1961 e 1989, os Berlinenses viveram momentos dramáticos que a Europa guarda na memória como símbolos da história do século XX. Viva Berlim!

domingo, 8 de novembro de 2009

GORBY, o Espírito da Mudança (O Muro de Berlim - 2)



Mikail Gorbatchev, o comunista sem-medo, o democrata destemido, o político corajoso, o rosto, a voz e a acção da mudança, institucionalizou o fim da Guerra Fria... amado e respeitado, tornou-se a voz dos Berlinenses que gritavam, faz agora 20 anos, pelo fim do Muro e o Direito à Liberdade... "Gorby, Gorby, Gorby!" - eis o "grito de Ipiranga" que demoliu o Muro de Berlim... Mikail Gorbatchev que, na passada 6ªfeira, dia 6 de Outubro de 2009, disse à televisão francesa, com a humildade que só podem ostentar os que não precisam da vaidade do protagonismo e os que reconhecem a importância dos povos, ter sido a vontade dos cidadãos que derrubou esse Muro da Vergonha, cuja queda demonstrou, surpreendendo a História, que as Pessoas fazem e podem fazer o Mundo...



O Muro de Berlim - 1




Berlim foi, entre 1961 e 1989, exemplo do que já foi designado por "esquizofrenia geopolítica" da Guerra Fria e o seu Muro, tristemente célebre, o rosto, a carne e o sangue dessa loucura... No contexto da estratégia dos Aliados que permitiu a derrota dos exércitos de Hitler, Berlim foi conquistada em Maio de 1945 pelo Exército Vermelho e dividida, para efeitos de controle e gestão política, em 4 sectores: russo, americano, inglês e francês. Contudo, herdeira maior da II Guerra Mundial, a Guerra Fria radicalizou posturas de divisão do mundo para o exercício hegemónico do poder e, em 1948, Berlim passou a estar dividida apenas em 2 sectores: soviético e ocidental. Foi então que Stalin decidiu, como expressão da sua rejeição do Plano Marshall que institucionalizou a aliança política da Europa com os EUA que, até hoje, conhecemos, impôr aos Berlinenses um bloqueio total, tornando-os reféns de um jogo político-ideológico de expressão militar que se prolongaria até final dos anos 80 do século XX. A reacção ocidental, protagonizada pelos EUA através da manutenção de uma "ponte aérea" que distribuiu persistentemente, durante 11 meses, alimentos à população cercada, levou à desistência do plano stalinista em 12 de Maio de 1949 e Berlim passou os 12 anos seguintes num clima de tensões, restrições e conflitos que, pelo medo, criou condições para a criação de 66,5 kms de gradeamento, 302 torres de observação, 127 redes electrificadas e 255 pistas para ferozes cães de guarda preparados para perseguir os que tentassem ultrapassar o espaço interdito. Estava criado o Muro de Berlim e inaugurado um mundo paralelo, coexistente e antagónico, feito de duas realidades que se não podiam tocar, reduzidas ao imaginário sobre a realidade de uns e de outros... um muro que criou ódios, medos, expectativas e suscitou altruísmos, revoltas e curiosidade. O muro da força, da violência e do terror contra a sociedade civil perduraria, com a conivência de todos, até 1989.