... entre notícias da economia e da política, profunda e cansativamente repetitivas, que se esgotam em fait-divers que tentam sustentar a ilusão da mudança e da moralidade (do julgamento dos políticos na Islândia ao "perdão" da dívida grega que não impediu a Fitch de interpretar a medida como "incumprimento parcial" e de, uma vez mais, baixar o rating do país... ou das acusações de "deslealdade" de Cavaco Silva a José Sócrates -de que a História não registará uma palavra, diga-se de passagem!- ao cenário de agravamento da crise que, apesar da Primavera, continua a pairar na Zona Euro), deixemos emergir o sorriso e a alegria...
Mostrar mensagens com a etiqueta Economia; Política; Sociedade; Educação;. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Economia; Política; Sociedade; Educação;. Mostrar todas as mensagens
sábado, 10 de março de 2012
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Qualificações, Desenvolvimento e Produtividade

A propósito da referência à necessidade de desenvolver e reforçar o aparelho produtivo nacional a que aludi aqui, um dos comentários centrou-se na problemática das qualificações dos portugueses, fazendo com que a questão me colocasse uma série de interrogações paralelas que passo a expôr em duas vertentes. Por um lado, cabe aferir se existe, em Portugal, um plano nacional de qualificações, se as qualificações criadas e disponibilizadas aos portugueses respondem às necessidades do país e se a sua conceptualização visa, de modo integrado, a revitalização sustentada do aparelho produtivo nacional. Por outro lado, cabe verificar se as qualificações disponíveis se reduzem à oferta do mercado de trabalho actual, se o grau de empregabilidade obtido com tais qualificações é sustentado e se tais qualificações têm permitido aumentar o número de empregos, contribuindo para a diminuição do desemprego. Apesar da insistência de todos na importância vital do incentivo e do investimento nas qualificações, os seus resultados objectivos não têm, até ao momento e independentemente dos bons exemplos que possam ser contrapostos a esta argumentação, reflexos concretos na melhoria da situação económica do país que continua a ver subir a taxa de desemprego e o endividamento público. O facto de sermos um país destituído de um aparelho produtivo consistente e sustentável, que insiste em vocacionar estudos e qualificações para um mercado profissional praticamente reduzido ao sector terciário, não pode ser ignorado ou sequer minimizado no equacionar das dificuldades de desenvolvimento da sociedade portuguesa. Na realidade, a desvalorização das actividades económicas produtivas, designadamente, na agricultura e na indústria transformadora, que resultou da rejeição de uma sociedade rural, tradicional e pobre por parte das gerações que, em meados dos anos 70 e mais concretamente a partir dos anos 80, pensaram a ascensão social associando-a à vida urbana e aos serviços, tornou-se um preconceito cultural fundamentado pela imagem televisiva de um mundo de estereotipos da modernidade. Por isso, neste momento, vivemos uma sociedade cujas representações sociais do trabalho estão profundamente inquinadas não só aos nível das famílias mas, também, ao nível das instituições, da educação e instrução escolares e da política que, dependendo, em última análise, de preocupações economicistas e financeiras, escamoteia a matéria-prima e a causa primeira da sua própria existência: a qualidade de vida das pessoas. Por tudo isto, não podemos esperar que a produtividade e a competitividade cresçam, num país onde o aparelho produtivo decaiu drasticamente sem ter sido reformado ou renovado e onde as qualificações nem sequer o equacionam como objectivo primeiro... porque, a verdade é que se qualifica para que os cidadãos encontrem desempenhos profissionais imediatos que rapidamente se volatilizam no quadro de uma precariedade económica que não permite a criação da riqueza. Contudo e porque temos mais de dois terços do território em processo de desertificação física e humana, não estamos perante a falta de recursos básicos para a criação de condições efectivas para a revitalização inovadora e sustentada das capacidades de produção de que carecemos; estamos, isso sim, perante representações e práticas políticas que não equacionam articuladamente planos de desenvolvimento sustentado no médio e no longo prazo, associando qualificações e trabalho produtivo nomeadamente no plano das negociações com o mercado de investidores.
Etiquetas:
Economia; Política; Sociedade; Educação;
domingo, 23 de agosto de 2009
Barreiras Ideológicas e Culturais...

"(...) Apesar da reduzida visibilidade pública que a comunicação social lhe permite, o mundo rural europeu é ainda a maior parte do nosso comum território continental e as suas populações defrontam-se com os mesmos problemas que reconhecemos no nosso próprio território: a desertificação, o desemprego, as migrações, a falta de capacidade de fixação populacional, a estagnação sócio-económica e a depressão social… e desta realidade partilhada consta um facto de importância crucial que paira, como uma ameaça e uma esperança, sobre todos nós: o apoio financeiro ao investimento em meio rural…. ou melhor, a sua falta, a sua escassez, a sua ausência. A actual crise económico-financeira, agravada de forma drástica no último ano, ao ponto de se verificarem sérias rupturas no sistema bancário com efeitos cuja extensão ainda não podemos ter a aleivosia de conhecer, fez emergir, por todo o planeta, os “fantasmas” que atormentam populações, famílias, cidadãos, empresários e políticos: o acesso aos bens alimentares, o aprovisionamento, a pobreza, os conflitos e a fome. Em causa ficaram algumas das mais básicas dimensões da sociedade contemporânea, dadas por adquiridas nas últimas décadas do século XX, designadamente, as vantagens da interdependência e da livre circulação de bens e mercadorias, num mercado que não tem capacidade para se auto-regular a não ser em cenários óptimos, teóricos e abstractos. Coloca-se por isso, agora, à dimensão política da gestão nacional de todos os países e da própria União Europeia (para já não falar no plano internacional), o problema da auto-suficiência e da garantia de uma economia de subsistência, em cenário de crise… um problema que reedita a questão ideológica da valorização do mercado livre e da planificação económica que nos obriga a constatar, com gravidade, a questão das condições de vida no mundo urbano e que se assume com particular seriedade no que se refere ao mundo rural, abandonado há décadas pelo forte investimento público ao nível do aparelho produtivo e das condições de empregabilidade.(...)".
(Excerto do artigo que publiquei no trimestre em curso na Revista "Viver", ed.Adraces)
Etiquetas:
Economia; Política; Sociedade; Educação;
sábado, 22 de agosto de 2009
Entre a Realidade Virtual e a Europa Rural...

"A Europa não é um conjunto de cidades que vemos na televisão, aquelas para onde se viaja em férias ou em trabalho, os paraísos do desenvolvimento, da riqueza, das luzes e da tecnologia. Encontram-se na Europa, é certo, muitas cidades, belas cidades, cheias de História, cultura, comércio, arquitectura e tecnologia de ponta mas, a Europa é um território muito mais vasto e diverso do que esse mosaico de fantasia a que comunicação e política nos conduzem em imagens e representações. Não! De facto, a Europa é como todo o planeta e o nosso pequeno país, um espaço imenso, rural, empobrecido e, cada vez mais, abandonado.
Estamos hoje, sem disso nos darmos conta, a pagar o preço de um dos riscos da sociedade da informação, mediática e global que construímos. Estamos hoje, mais uma vez, deslumbrados como vem acontecendo a uma velocidade vertiginosa desde meados do século XX, com redes sociais e meios de comunicação que nos fazem esquecer a realidade e nos iludem com uma proximidade que nos afasta do mundo concreto em que vivemos. Uma espécie de realidade virtual tomou conta do nosso imaginário invadido de informação e opinião vinda de todo o mundo e acessível de múltiplas formas… e a proximidade ilusória desta rede globalizada de comunicação afastou-nos de nós e da terra que habitamos.(...)"
Estamos hoje, sem disso nos darmos conta, a pagar o preço de um dos riscos da sociedade da informação, mediática e global que construímos. Estamos hoje, mais uma vez, deslumbrados como vem acontecendo a uma velocidade vertiginosa desde meados do século XX, com redes sociais e meios de comunicação que nos fazem esquecer a realidade e nos iludem com uma proximidade que nos afasta do mundo concreto em que vivemos. Uma espécie de realidade virtual tomou conta do nosso imaginário invadido de informação e opinião vinda de todo o mundo e acessível de múltiplas formas… e a proximidade ilusória desta rede globalizada de comunicação afastou-nos de nós e da terra que habitamos.(...)"
(Excerto da 1ª parte do meu artigo publicado no trimestre em curso na Revista "Viver", ed.Adraces)
Etiquetas:
Economia; Política; Sociedade; Educação;
terça-feira, 30 de junho de 2009
O meu país ao espelho... em vésperas de eleições!
O meu país olhou-se ao espelho... e viu a imagem mal composta de partes de si, dispersas, pelo chão e pelos ares... viu os sonhos e as memórias de um tempo melhor que acreditou inteiro, afastando-se para sempre do pesadelo de que saiu em Abril, vai já para mais de 35 anos... e viu a realidade aproximar-se, cada vez mais velozmente, de uma outra paisagem, despida de gente, árvores e alento... o meu país, ao espelho, sonha consigo... devagarinho, em voz baixa, ao som de uma esperança que se reinventa a si própria para não soçobrar... o meu país, ao espelho, chora... pela crença convicta de ter ganho a luta do medo e pela consciência de que os medos renascem a cada passo na capacidade camaleónica que a desesperança confere aos seres colocados perante um dilema que mal conhecem, sobre o qual preferem não se pronunciar... do meu país, esse país que se orgulhava da sua imagem ao espelho, resta apenas a consciência de ser reflexo - a sombra de um desejo que no mundo encontrou, no intervalo da vida, o único reino da existência que o passado semeou e que o presente ainda não emancipou... o meu país, ao espelho, é uma imagem de si, uma imagem que evita fugir do que de si fizeram, com e sem o seu acordo - ou, até mesmo, contra ele... ao meu país resta, portanto, olhar de frente o espelho... e perceber, no que se esconde, a verdade do que há a revelar e, no que se mostra, o que há a corrigir... o meu país tem mãos e voz e pensamento... não pode, por isso, resumir-se aos figurantes que alegam ser seus representantes e dele nada dizem senão o mal que nos outros reconhecem, apenas e só na exacta medida da sua mesquinha ambição de poder... o meu país, adormecido, olha-se ao espelho, estremunhado... um dia, o meu país acorda e já não quer olhar-se ao espelho no caleidoscópio das palavras gratuitas de uns e outros... um dia, o meu país acorda decidido a viver e, nesse dia, rasgará (ele sim, rasgará) as ilusões com que lhe vendem os sonhos e lhe escravizam a alma... nesse dia, o meu país, acordado, não vai dar atenção às razões que justificam o mau-estar e vai, isso sim, querer acabar com o mau-estar... é por isso que é preciso combater a fome, o desemprego e a hipocrisia... é por isso que é importante dar razão de ser à esperança, no meu país... porque o meu país, ao acordar zangado, pode enganar-se na forma como se levanta contra o que o castiga e acabar por dar "um tiro no pé"...
Etiquetas:
Economia; Política; Sociedade; Educação;
domingo, 21 de junho de 2009
"Não podemos ignorar..."

Eram 6 jovens e discutiam questões relativas à educação a propósito de temas lançados por Ana Zanatti, moderadora do programa "7 Palmos de Testa" que a RTP 2 transmite ao domingo à noite... já fizera "zapping" sobre o programa num dos últimos domingos mas, hoje, ouvi uma pergunta que me fez parar: a pergunta referia-se ao que consideravam necessário para que um Professor seja reconhecido como Um Bom Professor... para além das comuns referências à disciplina, às regras e à exigência, foi gratificante ouvir aquilo que penso desde sempre e que nada, ao longo destes anos de reformas e contestações, anulou... pelo contrário. O comentário de 2 destes jovens foi eloquente e inequívoco: o mais importante é os Professores gostarem do que estão a fazer, ou seja, ensinar!... um destes jovens afirmou aliás, repetidamente!, que se não tratava apenas de gostar mas, mais do que isso, de estar apaixonado pelo que se ensina, de amar os livros, o saber e a sua transmissão... o outro, quis elucidar o que pretendiam dizer com um exemplo e contou que, quando leu "Os Maias" de Eça de Queiróz no âmbito do antigo programa de 12º ano, a turma foi conduzida aos trajectos dos passeios de João da Ega, em Sintra e aí, sob o entusiasmo de uma professora que conseguia cativar o interesse dos alunos pelos personagens, o tempo histórico e a narrativa, todos compreenderam o alcance da obra em causa e aprenderam...uma das jovens quis reiterar o efeito do modo de ser e de estar dos professores e retorquiu que , também ela fizera uma visita de estudo a Sintra mas, ao contrário do que o colega contara, de nada valera porque o Professor falava de um tal modo, com um nível linguístico não dominado pelos alunos, que da dita viagem disseram os jovens ter sido um acontecimento inútil para o efeito, transformando-se numa coisa aborrecida... Foi então que me veio à memória uma história ocorrida comigo, quando dei aulas de Filosofia ao Ensino Secundário, muito antes de ter prosseguido com a minha formação académica pós-licenciatura que me conduziu a pós-graduações, Mestrados e Doutoramento... penso que a história data do ano lectivo 1989/1990, com uma turma 10º ano com quem estava a trabalhar sobre "Pensamento mítico", " mitos" e "ritos", matéria que eu adorava leccionar por me permitir ver os alunos confrontados com um tema sobre o qual nada tinham, antes desse momento, pensado. Para além de algumas sessões de apresentação de leituras comentadas com interpretação de lendas da mitologia grega, em que os alunos projectavam os problemas socio-culturais contemporâneos (lembro-me de 2 jovens, ambos filhos de militares, que escolheram o Mito de Atalanta cuja interpretação deu origem a uma extraordinária sessão sobre a igualdade de direitos e de género)... mas, mais interessante, foi saber e constatar, num domingo de manhã, após ter ouvido tocar a campainha, que um grupo de 8 alunos tratara de arranjar as bicicletas para, nada mais, nada menos, ir visitar o património arqueológico do concelho de Évora (nomeadamente, antas e cromeleques) para melhor perceberem como é que uma pessoa podia pensar naqueles termos... Na semana seguinte, os jovens aprendizes de filósofos, explicaram aos colegas, a relação entre sociedade, religião e economia... talvez por isso, sempre que se evoca a educação, pouco há a relevar... porque hoje, os alunos são conduzidos a escolher os cursos em função do mercado de emprego enquanto, por outro lado, os professores optam pelo exercício docente, para prevenir o desemprego que continua a crescer, à vista desarmada, por todo o lado. Portanto, como daqui se pode deduzir, a reforma das políticas governativas para a Educação continua a não se esgotar na tecnologia ou, sequer, na avaliação dos professores, nas suas carreiras e vencimentos... como dizia a canção: "Não podemos ignorar..."...
Etiquetas:
Economia; Política; Sociedade; Educação;
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Leituras cruzadas...
Morreu João Bénard da Costa a quem muito ficamos a dever por uma vida dedicada ao deslumbramento pela própria vida, dado através da arte com que o cinema nos transporta para um olhar o mundo de forma simultaneamente envolvente e distanciada (leia-se o post de Valupi no Aspirina B). E porque a vida e a arte muito concorrem para a literacia e a consciência de um povo, vale a pena referir o caso da educação, tema caro a todos nós, que esta semana foi protagonista de mais uma lamentável bizarria grave, reveladora da negligência com que a qualidade e sanidade do ensino é, grosso modo, perspectivada no nosso país onde sistematicamente se secundarizam as questões importantes para dar prioridade a acontecimentos que, isolados, remetem apenas para situações efémeras que, analisadas sistematicamente, permitiriam um diagnóstico que vai muito além das preocupações vindas a público através dos sindicatos, do ministério (veja-se o texto de Ana Matos Pires no Jugular) ou da própria Igreja, cuja autoridade ética continua a ser posta em causa pela realidade ocultada anos a fio e de que a Irlanda é o caso mais recente (leia-se o texto de João Tunes no Água Lisa). Porque, se queremos permitir aos cidadãos uma participação cívica esclarecida e consciente no que à vida comunitária, portuguesa e europeia, diz respeito, seria bom que os candidatos às eleições abordassem temas substanciais que, no caso das Europeias, dizem respeito à agenda política do PE, relevante para o enquadramento e a regulação da vivência socio-económica e cultural das populações... para que se não reduzam problemas políticos de crucial importância a diálogos acusatórios entre candidatos que impedem, nessa forma de ocupar o tempo, a informação útil aos eleitores - a qual, aliás, ao invés de ser apresentada pela negativa através da crítica agressiva às propostas de uns contra os outros, se deveria caracterizar pela afirmação positiva de posturas, atitudes e medidas propostas como programa eleitoral (evitando-se assim que os eleitores se sintam confrontados com o que Pedro Correia enuncia no Delito de Opinião)... Porque a Europa de hoje é efectivamente muito mais do que resulta dos debates a que temos acesso onde se não reflectem, de modo algum, apenas os problemas socio-económicos mais relevantes nos nossos dias mas, também, alguns dos problemas políticos a que deveremos dar atenção, pensando formas de os perspectivar e integrar (atenda-se ao que resulta da leitura do post de Nuno Ramos de Almeida no 5 Dias)... sim, porque seria interessante saber, por exemplo, como defendem politicamente a articulação dos planos comunitário e nacional com a regionalização ou com as especificidades da formação de professores nos diversos Estados-membro, os protagonistas que nos irão representar no Parlamento Europeu.
Etiquetas:
Economia; Política; Sociedade; Educação;
sábado, 9 de maio de 2009
No Dia da Europa, a Bela Vista...


Os acontecimentos no Bairro da Bela Vista (vejam-se os post's e leiam-se os dois textos de Nuno Ramos de Almeida no 5 Dias) mostraram a gravidade do rosto do que já ocorrera, há meses, no Bairro Portugal Novo... e do que se esconde e é escondido nos bairros deixados "à sua conta"... nos lugares para onde se empurram cidadãos encurralados involuntariamente ou ocasionalmente pela vida e onde fervilham caminhos paralelos para a sobrevivência, bodes expiatórios de outras guerras... a hierarquia da ocupação social do espaço é, nos tempos que correm, a melhor imagem das desigualdades sociais... e os bairros, construidos com a simples lógica da arrumação das famílias e dos cidadãos, longe dos centros e da urbanidade considerada "civilizada" porque ocupada por quem ainda vai tendo trabalho e coexiste no espaço da ostentação consumista, nos bairros, dizia eu, mora o lado oculto do que se pretende ignorar e cuja visibilidade, legítima apenas quando as mortes e os tiros chamam televisões e polícias, reforça, neste contexto, a rejeição xenófoba dos medos... Ensurdece o silêncio cúmplice que pensa as pessoas como agentes destruidores da ordem pública, fruto do ostracismo psicossociológico de uma catarse cruel que a sociedade deixa acontecer nos espaços sociais mais fragilizados onde é permitida a eclosão da violência como forma de delimitação da sua ocorrência... é por isso que a revolta social da Europa veste os trajes dos bairros... e é por isso que se torna cada vez mais prioritária a implementação de políticas sociais integradas que promovam a mudança e permitam a todos o exercício digno da cidadania... porque não temos o direito de esquecer: "ghettos" nunca mais! Em tempo de campanhas eleitorais e, em particular, de se repensar, publicamente, a Europa, é inadmissível assistir ao silêncio dos candidatos que, confrontados com a realidade, não podem deixar de assumir a inadiável exigência cívica de apresentar e discutir as suas propostas para a construção de uma Europa democrática, integradora e transparente que, contra a vontade dos cidadãos, se afasta de nós enquanto a violência e a pobreza grassam pelos bairros e contra as pessoas...
Etiquetas:
Economia; Política; Sociedade; Educação;
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Dos Livros e da Crise...

Hoje é Dia Mundial do Livro!... Portugal, com um dos mais baixos indices de leitura da União Europeia, ouviu hoje notícias que, entre referências de vários editores que explicam o facto em função dos elevados preços dos livros por razões que decorrem da pequena dimensão do mercado livreiro nacional, pode, uma vez mais constatar a adequação da imagem da "pescadinha de rabo na boca"... uma vez que o mercado é pequeno porque se lê pouco! ... A constatação merece a nossa melhor atenção nomeadamente porque as formas que têm vindo a ser desenvolvidas para incentivar a leitura não produziram os resultados esperados; disso é exemplo a campanha "Ler Mais" que obteve uma visibilidade nacional superior ao que é habitual quando se trata de questões culturais... portanto, há, seguramente, razões de outra ordem que justificam a persistência deste comportamento e, se a questão dos preços é uma delas, devemos pensar no actual contexto de crise cujos custos são já demasiado elevados para a generalidade dos cidadãos e que, segundo os dados divulgados ontem pelo FMI, serão ainda agravados em termos de efeitos, nomeadamente, ao nível do desemprego, do PBI e do défice. Por tudo isto, seria bom que os protagonistas políticos portugueses, ao invés de reduzirem a sua intervenção ao "apontar o dedo" à governação como "bode expiatório" de uma crise que nos transcende a todos e para a qual ninguém tem, até agora, "receitas milagrosas", investissem as suas energias na criação de soluções capazes de atenuar os custos sociais desta crise que ameaça, com particular destaque pelas razões apontadas no início deste post, o consumo cultural... para que as crianças de hoje não tenham no futuro que responder como o meu amigo Alberto, quando lhe perguntaram qual o livro que mais o marcara em toda a sua vida: "O livro dos fiados!"...
Etiquetas:
Economia; Política; Sociedade; Educação;
sexta-feira, 10 de abril de 2009
O choque...


O sismo que atingiu, em Itália, a região de Abruzzo, destruindo a histórica cidade de L'Áquilla, a cerca de uma centena de kilómetros de Roma, veio tornar presente e premente a preocupação dos cidadãos com as suas exigências sociais e políticas... tão assustadora é esta realidade provocada pelos escassos 30 segundos de duração do terramoto, causadores de uma contabilidade imediata e avalassadora, que atingiu cerca de 300 vítimas mortais, mais de 25 mil desalojados e uma cidade em escombros, que dela se tem falado pouco! O facto confronta-nos com o paradigma do irrealismo e da desumanidade com que são geridas as sociedades, designadamente estas nossas sociedades ditas democráticas, desenvolvidas, promotoras dos Direitos Humanos e do conhecimento! Como se numa época de puro obscurantismo vivessemos, o tão próximo sismo de Itália (para já não falar de todos os sismos que assolam, de quando em quando, os mais variados locais do planeta - lembram-se do filme "A Vida Continua" de Abbas Kiarostami?) não tem merecido a discussão pública, política, cívica e científica a que nos obrigaria uma forma de cidadania consciente e séria. Incontornáveis, as localizações planetárias sobre placas tectónicas e o risco sísmico, deveriam ser alvo de incansáveis pesquisas se, efectivamente, fosse a vida e a protecção das pessoas, a principal prioridade política. Não é! Instalada a discussão sobre a capacidade de previsão sísmica que um investigador, com provas dadas quando a 29 de Março anunciou o risco próximo de forte actividade sísmica na região que, desde 2ªfeira, oito dias depois da sua previsão, já tremeu 400 vezes, pode continuar mas, não é minimamente aceitável que seja ignorada a possibilidade da capacidade tecnológica da ciência poder já registar um fenómeno que dificilmente podemos acreditar que se não faça anunciar na movimentação das placas tectónicas. Contudo, surgem apenas estudiosos subscrevendo a sua impossibilidade e os políticos limitam-se a lamentar as vítimas. Onde estão os debates cívicos, científicos e políticos sobre o fenómeno, a discussão efectiva dos meios e do conhecimento da Protecção Civil, o estudo escolar dos riscos e a consciência esclarecida das populações ou as medidas efectivas nos planos da assistência civil e hospitalar? Onde está a articulação legislativa, de meios, métodos e procedimentos cooperativos europeus? Nada!... nada à vista! Afinal, a filosofia racional, democrática e científica dos nossos dias parece confinada ao conformismo de fatalidades com a força do Destino, mítica figura de tempos quase míticos... e os cidadãos, confinados ao silêncio e ao desamparo da inconsciência pública, gerem as suas interrogações como medos irracionais ao invés de exigirem uma sociedade que altere, definitiva e radicalmente, as suas prioridades, tentando ignorar o problema sem dele falar como se a não verbalização evitasse a realidade! Entretanto, a estéril discussão política continua à volta da domesticidade medieval da injúria e da má-língua, da demagogia e do mediatismo alienante.
Etiquetas:
Economia; Política; Sociedade; Educação;
terça-feira, 3 de março de 2009
Valores e Práticas...

A OCDE, após ter assinalado que a actual crise é a mais grave desde 1960, disse à Reuters que prevê um declínio económico superior ao previsto pelo FMI, esperando ainda um acréscimo de 8 milhões de desempregados e a descida para metade das pensões... a situação, de extrema violência para o equilíbrio social de cidadãos e famílias, faz prever o aumento exponencial da violência nas ruas, da delinquência, da violência doméstica (que, no nosso país, atinge índices de mortalidade que teimam em não baixar proporcionalmente ao investimento em campanhas que a condenam, alertando as pessoas para o fenómeno), da violência contra idosos... e... da violência contra as crianças, 30.000 das quais vivem, em Portugal, em risco de maus-tratos... estão à vista os custos sociais de uma sociedade que não tem conseguido resolver os problemas cívicos nem levar à prática o exercício dos direitos humanos ou, sequer, da igualdade de género... Que o fundamento das representações sociais e dos padrões comportamentais tem na Educação um factor determinante, sabemo-lo todos... contudo, no nosso país, esta perspectiva não emerge da discussão pública dos problemas do sistema educativo e quando surge, aparece sob pretexto de uma intervenção pontual... vivemos ainda, pelo que nos é dado percepcionar, de acordo com uma filosofia de gestão cartesiana, dicotómica, que insiste em separar a dimensão informativa da instrução da sua dimensão formativa... por isso, corremos o risco dos nossos melhores esforços no sentido de promover a cidadania virem a revelar-se infrutíferos face aos efeitos regressivos resultantes das crises económicas e sociais... infelizmente, no mundo político, a sensibilidade e a consciência do problema não é uma evidência... ressalvem-se algumas excepções de que destaco:
"(...)quando uma criança recorre à violência, é porque tem um buraco no coração que nenhum governo, sózinho, consegue preencher.(...)" (Barack Obama, Discurso proferido em Springfield em 10 de Fevereiro de 2007).
Etiquetas:
Economia; Política; Sociedade; Educação;
Subscrever:
Mensagens (Atom)