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terça-feira, 28 de junho de 2011

Leituras Cruzadas...

Eduardo Pitta no Da Literatura
Ana Gomes no Causa Nossa
Carlos Fonseca no Solos Sem Ensaio
João Rodrigues e Jorge Bateira no Ladrões de Bicicletas
JMCorreia Pinto no Politeia
Filipe Tourais no O País do Burro
MFerrer no Homem ao Mar
Pedro Magalhães no Margens de Erro
Eduardo Maia Costa no Sine Die
Rogério Pereira no Conversa Avinagrada
... e sim, claro que sim, como diz Porfírio Silva no Machina Speculatrix :)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

"Já uma Estrela se Levanta" de Helena Pato

"Já Uma Estrela Se Levanta - Histórias do Fascismo" é o título do livro de Helena Pato cujo lançamento decorre hoje, no Jardim de Inverno do S.Luiz, em Lisboa, pelas 18.30h. O livro será apresentado por Manuel Alegre e Maria do Céu Guerra irá ler 2 das histórias deste livro que... promete!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

In Memoriam...


Para o Pedro Palma... com saudades!

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Do Dia Internacional da Literatura Infantil...



Celebrou-se ontem, 2 de Abril, o Dia Internacional da Literatura Infantil... instrumento precioso para a construção sociocognitiva das crianças, os livros infantis são também veículos de uma ética construtora de uma cidadania multicultural indispensável para uma saudável integração na sociedade contemporânea e para o reforço da coexistência pacífica!... Podem ler-se, escrever-se e contar-se... e desses modos de aceder à transversalidade etária e cultural, em permanente abertura pela interpretação que permitem e pela diversidade da sua apresentação, poderiamos encontrar na literatura infantil um sólido catalizador dessa formação que, famílias e escolas, sabem necessária... porém, do Dia Internacional da Literatura Infantil pouco eco tivemos na política e na comunicação social... é pena! Leram a história "O Principe Feliz" de Oscar Wilde?... os contos de Andersen ou de Grimm? Vale a pena reler... se o fizermos, descobrimos a razão pela qual vale a pena oferecê-los e ensiná-los a todas as crianças do mundo... talvez depois da sua redescoberta sejamos capazes de explorar o mundo editorial e aceder aos contos de todas as culturas onde, sempre, as nossas crianças encontrarão sentido e significado!

segunda-feira, 2 de março de 2009

Pancho Villa...




"Esquadrão Guilhotina" de Guillermo Arriaga é um livro cuja acção se situa na primeira década do século XX, durante a Revolução em que, no México, foram protagonistas Francisco Villa e Emiliano Zapata. Com humor e um sentido metafórico sobre os bastidores de todas as guerras, Guillermo Arriaga, mexicano, historiador, autor de outro livro já publicado em Portugal, "O Búfalo da Noite", assinou argumentos cinematográficos premiados internacionalmente por várias vezes em Cannes: "Babel", "Amor Cão", "Três Enterros de um Homem" e "21 Gramas"... Com uma investigação histórica credível, Guillermo Arriaga tem em "Esquadrão Guilhotina" uma parábola aos estereotipos, aos acasos e oportunismos dos "situacionistas" que, no caso, a título de exemplo, integraram as forças de Pancho Villa, no México rural e pobre de inícios do século passado, que as guerrilhas lideradas por ele próprio e por Emiliano Zapata, transformaram na Revolução Mexicana. O conhecimento do terreno e o olhar atento às dinâmicas interpessoais fazem de "Esquadrão Guilhotina" um exemplo da boa literatura que, associando o espírito jornalista e o humor, nos leva a ler, num ápice, um história bem contada, cujo final nos permite o sentimento de que há modos vários de dizer a verdade e transmitir o sentido...

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Animal's People...


"I used to be human once..." - assim começa um extraordinário livro de Indra Sinha, escritor indiano nomeado para o Man Booker Prize de 2007. A obra, intitulada "Animal's People" consiste na transcrição de cassetes gravadas em hindi por um rapaz que se torna amigo de um jornalista. Paradigmático relativamente ao que nele se transmite, "Animal's People" é um mosaico dos percursos de crescimento vividos numa cidade da Índia, onde as crianças crescem na rua como se tivessem sido sempre adultas... podia ter acontecido em Mumbai (Bombaim), a metrópole onde a condição humana se expõe ao mundo, entre a grandeza, a miséria e a humilhação!... Traduzido para a língua portuguesa sob o título infeliz "Eu, Animal", "Animal's People" é o retrato de um mundo que é também o nosso e que, tantas vezes, ignoramos, remetendo para a distância do coração o que está longe do olhar... Um livro importante e, porque não dizê-lo?, urgente! ... um livro que nos devolve à realidade que a sociedade mediática nos faz esquecer, permitindo-nos o perdurar de uma ilusão... apesar das guerras, apesar da fome... apesar da crise!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Citações ... analógicas!

"(...) Creio que na cabeça de salomão o não querer e o não saber se confundem numa grande interrogação sobre o mundo em que o puseram a viver, aliás, penso que nessa interrogação nos encontramos todos, nós e os elefantes.(...)" (pg.120)

"(...) Uma pena. Somos, cada vez mais, os defeitos que temos, não as qualidades.(...)" (pg.147)

José Saramago in A Viagem do Elefante, 6ªed., ed. Caminho

sábado, 10 de janeiro de 2009

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A Mestria - Viver e Saber


A pretexto do lançamento do seu livro mais recente, A Viagem do Elefante, José Saramago deu hoje uma grande entrevista ao jornalista Mário Crespo. Encantado com a riqueza de leitura que o livro lhe proporcionou, o jornalista interpelou o autor sobre a dimensão simbólica desta narrativa que Saramago caracterizou como produção fictícia a partir de cerca de uma página descrevendo um facto histórico. Fascinante foi a aprendizagem que Saramago permitiu a quem o ouviu: a obra é uma história inventada a partir de um episódio histórico e a sua escrita resulta de um dado que, esse sim, no dizer do autor, é uma metáfora da vida: um elefante indiano existente em Lisboa no século XVI foi doado por D.João III ao Arquiduque da Áustria como presente pelo casamento com a filha de Carlos V. No fundo, um elefante vindo da Índia para Portugal viaja, andando, entre Lisboa e Viena... e desse percurso algo bizarro que poderia analogicamente associar-se à imagem de uma extraordinária aventura resulta, mais bizarra ainda, a morte do elefante... e foi exactamente a morte do elefante que impressionou Saramago e que, segundo o próprio, justificou a invenção e a escrita do livro... porque, após a sua morte, cortaram as patas dianteiras ao elefante e delas fizeram um recipiente para colocar sombrinhas e chapéus de chuva!... facto histórico, o do destino das patas dianteiras do elefante morto, as mesmas que o levaram de Lisboa a Viena, é aí, apenas aí, que Saramago reconhece simbolismo metafórico sem comentários extra, ao livro que escreveu... Saramago, assumidamente ateu, viu, como o podem ver os olhos, o pensar e o sentir de quem lê nas entrelinhas o sentido das coisas, na história do elefante o absurdo imprevisto da vida humana... e, olhando mais alto, como sempre deveriamos ser capazes de fazer a propósito de todas as pequenas coisas da vida, Saramago falou com mestria, simplicidade e realismo da forma como a espécie humana vive, ocupa e destrói o planeta, deturpando e desvirtuando a própria vida pela construção de formas de ser e de estar que consagram socialmente as iniquidades que nos permitem a injustiça, a miséria e o desrespeito pelos direitos humanos!