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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Do Orçamento de Estado 2015...

Se méritos socio-económicos positivos não tem, a verdade é que a discussão sobre o Orçamento de Estado para 2015 revitalizou o debate político em Portugal, devolvendo ao país um PS com capacidade crítica e analítica. De facto, há muito que se não ouviam intervenções substantivas como as de Vieira da Silva e de Ferro Rodrigues (as quais, apesar de terem sido transmitidas em direto na televisão, não consegui, à data inicial deste escrito, encontrar disponíveis na internet mas cujos links, posteriormente, um leitor me indicou tal como se pode ver abaixo) que fizeram, com rigor e qualidade, o diagnóstico do país real que somos porque para aqui fomos conduzidos e a que se seguiu o indispensável compromisso de António Costa sobre o cumprimento da Constituição, determinado pela decisão do TC, relativamente à reposição dos cortes salariais que o actual Primeiro-Ministro insiste em espartilhar, de acordo com interesses que ferem a justiça, a legalidade e a boa-fé requeridas pela defesa do Bem-Comum. E se do debate vale a pena voltar a salientar a qualidade da intervenção de Vieira da Silva (ouvir aqui) e o discurso de Ferro Rodrigues (ouvir aqui), a verdade é que é necessário muito mais trabalho e reflexão para a apresentação de propostas credíveis e viáveis por parte do PS, para que um programa orçamental alternativo justifique a confiança dos portugueses - que, da contundência das intervenções de ontem e hoje, pode sentir o começo do atear de alguma esperança. Entretanto, merece registo a referência de Passos Coelho à viragem económica que o Governo anuncia para 2015 porque, se era para "levar a sério", pensando no calendário eleitoral legislativo do próximo ano, o momento escolhido para o anúncio tem a credibilidade... de uma brincadeira própria do Halloween?!

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Pedro Santos Guerreiro "Vende-se, Bom Preço"...

A realidade da política nacional e europeia é deprimente: incapaz de se renovar porque os seus protagonistas não têm a coragem, a capacidade, a competência e o arrojo de romper com os mecanismos da dependência financeira internacional, eis que, a poucos meses das eleições europeias, os partidos se relançam em campanhas de todos conhecidas - por tão repetidamente denotarem o quão pouco são capazes de editar a mobilização da vontade coletiva... A recusa (ultrapassadíssima, como o demonstrará a História!) da releitura do pensamento marxista e do seu estudo articulado com o que de melhor conseguimos analisar face às atuais lógicas de gestão e aos respetivos instrumentos de recurso, não ajuda à mudança de atitude nem à renovação do pensamento económico ou político que, como tudo o que de novo é bem-sucedido, requer pontos de partida válidos e interessantes que se constituam como desafios disponíveis para a reconstrução... Neste marasmo de inércia, neste deserto de ideias e nesta depressão coletiva a que a crise nos conduziu, anestesiando e boicotando os próprios percursos da dinâmica político-partidária, hoje, no Expresso (onde também merecem destaque a entrevista de António Capucho e a coluna da pg.5 assinada por Ricardo Costa), li um artigo que refiro pela qualidade reflexa da imagem essencial e paradigmática do mundo em que, de facto!, vivemos em Portugal: o seu autor é Pedro Santos Guerreiro, o texto intitula-se "VENDE-SE, BOM PREÇO" e termina assim:
"(...) Vendem-se anéis como se não fossem dedos, corpo como se não fosse a alma, palavras como se não fosse a palavra. Compra-se: submarinos, estradas vazias, bancos falidos e dívida pública cara. Sem devolução. Paz? Pás!"
... Sinceramente, vale mesmo a pena ler!

domingo, 29 de maio de 2011

Governar em Cima do Joelho ou... Afinal, em que ficamos?

A oito dias das eleições legislativas, Passos Coelho anuncia que quer governar apenas com 10 Ministros; avisado e incapaz de resistir à tentação comentadora, Cavaco Silva dá nota de que tal medida é demagógica e não merece o seu apoio... vai daí, Passos Coelho recua e, para não esbarrar na redução ao papel de quem não mede a dimensão do que diz, enfeita o discurso com uma espécie de complemento directo mal aplicado e diz que, afinal!, se não tiver maioria, gostaria de governar com mais do que 10 Ministros?! ... Desculpem lá... sou eu que estou a ver mal ou isto é, no mínimo!, um bocadito ridículo e notoriamente o sinal de uma insustentável irresponsabilidade política - para quem se avoca o direito de reivindicar a governação de um país, cuja situação é tão delicada e requer tanta firmeza como sensatez e consciência?... não contente com isto, o líder do PSD veio desdizer o conteúdo da grande intervenção de Manuela Ferreira Leite (por si convidada para intervir a título de credibilização!) num dos seus maiores comícios... sim, porque apesar de Passos Coelho ter vindo dizer (com um sorriso amarelo que faz nascer o medo entre muitos cidadãos que não querem uma sociedade onde a democracia é perspectivada de forma popularmente "justiceira") que as eleições são para "castigar" o Governo mas que não pretendem (segundo diz!) ser uma "vingança", a ex-líder Ferreira Leite gritou, alto e bom som!, que o seu propósito e consequentemente o propósito do PSD nestas eleições é "afastar" José Sócrates (triste desígnio de um trabalho político sério que pretende hipotecar o interesse nacional a uma "embirração" quase pessoal)... se é justa a pergunta: afinal em que ficamos?, mais grave é a clara percepção que, de tudo isto, se retira: a oito dias das eleições, tudo (dos princípios às medidas) está por pensar nesse partido que tanto anseia pelo poder... faz pensar que a sabedoria popular, por ali, se resume ao tipo de decisões que o povo caracteriza como "tudo feito em cima do joelho"!!!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Uma Sondagem feita depois do "Chumbo" do IV PEC e Divulgada depois do Acordo com a Troika*...



Depois de conhecido o acordo com a designada troika, a mais recente sondagem da Universidade Católica apresenta intenções de voto maioritariamente dirigidas para o PS (ler aqui e aqui)... entre as variáveis em análise, o PSD apresenta apenas algumas vantagens no que se refere à imagem comparada dos líderes dos dois maiores partidos - o que não deixa de ser interessante dado o desconhecimento efectivo dos eleitores face aos desempenhos do líder do PSD. De facto, no que se refere a apreciações subjectivas relativas à imagem dos líderes, Passos Coelho recolhe algumas preferências ainda que por diferenças insignificantes (no que se refere, por exemplo, à simpatia e à honestidade), conformes com a simples natureza do factor "novidade" no panorama dos protagonistas-candidatos que não chega para anular a ausência de conteúdo e substância que caracteriza a sua imagem pública e a falta de reconhecimento da sua capacidade de liderança e de perfil adequado à governação (ler aqui)... curioso!... e demonstrativo da capacidade de avaliação objectiva dos portugueses que, coerentemente, afirmam, apesar das críticas às medidas políticas adoptadas recentemente e nos últimos anos, que nenhum partido teria feito melhor que o PS, a que atribuem a maior e melhor defesa das políticas sociais.

(* O título deste post foi alterado na sequência da chamada de atenção do comentário abaixo publicado, da autoria de VOZ A 0 DB; o título original era: "Divulgação da Primeira Sondagem Após o Acordo com a Troika" e, de facto, poderia ser interpretado como se se referisse à data de realização da sondagem - sem que tal equívoco interpretativo estivesse presente nas minhas intenções... e por se não tratar de qualquer tentativa de manipulação da informação ou sequer de marketing, reformulei o título do texto, tal como o sugeriu Voz a 0 DB)

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Do incómodo de Um Bom Acordo...


O Acordo entre o governo e a troika foi anunciado esta noite por José Sócrates para, confesse-se!, surpresa de todos os que proclamavam, em tom de prenúncio trágico, não se saber quando estaria concluido e, mais ainda!, para surpresa de todos os que deram por certa a adopção das medidas que mais afectariam, no imediato, a vida dos cidadãos - as quais, afinal de contas!, se não irão -felizmente!!!- concretizar. Refiro-me ao facto deste acordo ter conseguido garantir o pagamento de subsídios de férias e 13º mês, a não redução do salário mínimo, a inexistência de cortes nas pensões abaixo dos 1.500 euros, o não despedimento na Função Pública, a não privatização da Segurança Social e da Caixa Geral de Depósitos, a continuidade da tendência para a gratuitidade da Escola Pública e do Serviço Nacional de Saúde e a não necessidade de mais medidas orçamentais em 2011. É ou não - sejamos honestos!! - um excelente acordo, face a tudo o que se poderia esperar e contra tudo o que foi antecipado precipitadamente, justificando o secretismo das negociações? Repito! Sejamos honestos! É certo que não conhecemos todo o acordo e que, para já, sabemos que o défice deverá atingir os quase 5% no primeiro ano, os quase 6% no segundo ano e os 3% em 2013 - dado que a "ajuda externa" decorrerá pelo período de 3 anos. É difícil para todos nós? É. Poder-se-ia esperar outra coisa? Não. A verdade é que o ideal seria termos uma economia em expansão, contrariando tudo o que se passa à nossa volta!... mas, a verdade é que somos apenas mais um país entre muitos com quem partilhamos a mesma lógica (injusta, é certo!) de gestão económica. Por isso, dada a gravidade da situação nacional a que a crise reduziu a nossa vulnerável (de há muitas décadas! - sublinhe-se!) economia, conduzindo-nos (mau grado a sucessão de PEC's que suscitaram o cansaço e a desistência sem alternativas efectivamente viáveis de uma oposição que se limitou a dizer Não ao IV PEC) à inevitabilidade do pedido de "ajuda externa", podia o país esperar mais do que o que foi hoje anunciado? Não, não podia. E o que é triste é ver a hipocrisia demagógica pré-eleitoral chorar "lágrimas de crocodilo" e reivindicar "louros" por um problema sério que pretenderam dramatizar até à exaustão e por uma vitória "suada" e, imprevisivelmente!, alcançada! Foi um excelente acordo, sim senhor! E os portugueses sabem e reconhecem isso, porque seriam eles a sentir "na pele" o custo que significaria não termos obtido estas garantias... fez o Primeiro-Ministro bem em ter anunciado apenas o que não foi perdido, antes de serem conhecidos outros dados que denotarão o preço deste compromisso? Fez bem, sim senhor! Sabem porquê? Porque os cidadãos portugueses estavam em pânico com todo o alarde que a oposição e os "media" criaram a propósito de uma especulação assustadora para quem vive dos rendimentos do seu trabalho!... e sim, para infelicidade dos demagogos!, ficaram agora muitissimo mais aliviados e capazes de enfrentar o futuro com algum ânimo, coragem e confiança - apesar da consciência das dificuldades que sabem e compreendem não terem deixado de existir!

sábado, 9 de abril de 2011

Partido Socialista - o Congresso de 2011

Está a decorrer, em Matosinhos, desde ontem, o Congresso do Partido Socialista... e se ainda nada escrevera sobre o evento, apesar do substancial e importante discurso de abertura de José Sócrates que deixou inequívoca a intenção da defesa do Estado Social pelo PS mesmo em contexto de intervenção externa do FMI em Portugal, foi porque, como sabem os que por aqui passam, não gosto de insistir demasiado nos mesmos temas e decidi acompanhar, nas televisões, os trabalhos deste Congresso, até considerar ter recolhido a informação suficiente para dizer o que me é dado pensar sobre os conteúdos da iniciativa. E se dois sinais de consistência ideológica e de ética política, capazes de reiterar a importância da honestidade, da cultura política e da responsabilidade social na defesa do Estado Social foram hoje afirmados de viva voz por José Sócrates:

... vale também a pena registar duas intervenções que considero importantes para a sociedade portuguesa. Refiro-me, por um lado, à intervenção de Manuel Alegre feita hoje no Congresso do PS:

... um Congresso onde o próprio José Sócrates desmascarou evidências que a maior parte da população desconhece mas que é preciso revelar, para que os cidadãos saibam quais são, de facto!, os objectivos que justificaram o investimento do PSD na marcação de eleições legislativas antecipadas, num dos piores e mais difíceis momentos da história recente da Europa e do país:

(nota "a posteriori": o vídeo sobre Ferro Rodrigues e Francisco Assis não estava disponível à hora de publicação deste post, tendo sido acrescentado já tarde, na noite, surripiado ao A Carta a Garcia!, em substituição do link para a notícia sobre o anúncio que, contudo, é preferível ver e ouvir)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Precisamos de um Portugal Sem Medo...


Portugal não pode, nem deve!, ter medo de enfrentar as pressões externas... e se temos bem feito o trabalho que nos exigem, como o disseram ontem e hoje os alemães, apesar dos custos que desse trabalho têm decorrido, com a dura penalização dos cidadãos, cabe-nos agora eleger um Presidente da República capaz de dialogar e apoiar o diálogo com o exterior, defendendo a soberania nacional... Hoje, o Presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, afirmou que as taxas de juro das dívidas de Portugal e Espanha são "absurdas", tornando inequívoca a nossa consideração de que os países mais frágeis da UE estão sob um forte ataque especulativo dos mercados. Por isso, ouvir dizer a Cavaco Silva que não se pode, nem deve!, criticar "quem nos empresta dinheiro" é, de facto, depararmo-nos com uma atitude subserviente e não-combativa, contrária à que tem defendido, em alto e bom som, Manuel Alegre, para quem a defesa da autonomia nacional assume um papel prioritário... nos tempos que correm, precisamos de um Presidente da República capaz de se colocar ao lado dos cidadãos e não de complacência perante os ditadores. Recorrentemente, a este propósito, escrevi ontem, com uma intenção demonstrativa o post que se pode ler aqui no Alegro Pianissimo... e hoje, depois dos bons sinais resultantes do leilão onde foi apresentada a dívida portuguesa, mais do que nunca, sabemos que não devemos desistir da nossa razão e não podemos ignorar que um Presidente da República com o perfil de Manuel Alegre seria fundamental para a confiança e a auto-estima que, enquanto portugueses, sabemos que o nosso país merece!

domingo, 7 de novembro de 2010

Um País, Um Povo, Um Presidente!



Dia 24 de Novembro, as duas principais centrais sindicais, CGTP e UGT, estarão, juntas, na organização da Greve Geral que marcará a grande reacção colectiva dos cidadãos e dos trabalhadores portugueses. Hoje, no encerramento da IX Congresso da Corrente Sindical Socialista da CGTP, Manuel Alegre afirmou o seu apoio inequívoco à manifestação cívica pela defesa dos direitos dos trabalhadores e do direito ao trabalho de todos os cidadãos:
"A minha posição é muito clara, eu sempre defendi o direito à greve e considero muito importante esta greve geral, não apenas como manifestação da liberdade de expressão e do direito de protesto, mas como alerta à sociedade e como um fator capaz de criar uma dinâmica nova, social, que abra o caminho à mudança e que abra o caminho à procura de novas soluções e de alternativas sociais". Depois de alertar os portugueses e os políticos para o risco de perda de soberania nacional que a crise financeira e a situação económica estão a determinar e de intitular os procedimentos internacionais do FMI como próprios dessa conhecida ave de rapina que é o abutre, fica clara a resposta do candidato à Presidência da República sobre a dinâmica social portuguesa e a sua interpretação do rumo económico que alguns programas político-ideológicos visam incentivar e desenvolver em Portugal... para esclarecimento dos insidiosos desconfiados e cínicos do costume. (Ler Aqui e Aqui).

terça-feira, 4 de maio de 2010

Um Conselho Consultivo Financeiro em Belém?

Um grupo de ex-Ministros das Finanças (Medina Carreira, Campos e Cunha, Pina Moura, Manuela Ferreira Leite, Miguel Beleza, Bagão Félix, João Salgueiro, Êrnani Lopes e Eduardo Catroga - outros terão também sido contactados, como é o caso de Silva Lopes, Miguel Cadilhe e Braga de Macedo) vai ser recebido, a pedido dos próprios e, segundo Ferreira Leite, por iniciativa de Medina Carreira, na próxima 2ªfeira, dia 10, em Belém, por Cavaco Silva. Estranho? Não!... como hoje bem alertava Alfredo Barroso na SIC-N, está em curso uma estratégia de criação de condições para que, após as eleições presidenciais, Cavaco Silva possa demitir o Governo de José Sócrates. Do facto, para além da leitura clarividente que dele se pode, especulativamente, extrair como o fez A.Barroso, duas evidências são, para já notórias, descredibilizando, à partida, o grupo de ex-ministros e o próprio Presidente da República: a) se fosse pelo reconhecimento da necessidade urgente de concertar esforços para uma melhor governação do país em nome do interesse nacional, estas personalidades teriam pedido uma audiência ao Primeiro-Ministro, responsável pela governação; b) se o Presidente da República se não sentisse tentado em se sobrepôr ao Executivo em termos de gestão governativa e à vontade de emitir públicos sinais dessa sua tentação, teria declinado o pedido de audiência alegando que a governação não é da sua responsabilidade (ou simples motivos de agenda), numa demonstração clara de respeito pelas competências inerentes às distintas funções institucionais, demonstrando que o mal-dissimulado jogo demagógico da estratégia partidária não deve ser valorizado no actual contexto económico-financeiro. Poder-se-á argumentar que o Presidente da República deve receber protagonistas cujo saber pode ser relevante para a sua análise e avaliação da matéria em causa mas, no caso, o economista Cavaco Silva não carece desse tipo de informação por já se encontrar na sua posse, dada a sua competência técnico-profissional... de onde se deduz que estamos, de novo, perante uma estratégia concertada de objectivos que transcendem, claramente, qualquer altruísmo na defesa do interesse nacional.

sábado, 3 de outubro de 2009

Ainda o Compromisso à Esquerda - Responsabilidades Sociais e Políticas...



O lançamento do Manifesto "Compromisso à Esquerda" que apela ao entendimento dos partidos que, conjuntamente, receberam 60% dos votos dos portugueses como expressão da confiança do eleitorado numa solução governativa que permita e justifique a inflexão da governação socialista no sentido do reforço da intervenção social segundo a perspectiva comum "das esquerdas", circula na internet e, desde o seu lançamento, na passada 4ªfeira, até este momento, reuniu cerca de 750 assinaturas, representativas da sociedade portuguesa. Este facto permite-nos reforçar a ideia de que os cidadãos reconhecem a necessidade de viabilizar uma estabilidade governativa e de chamar a atenção para que os partidos em que votaram (PS, BE e CDU) não cedam à tentação de enfrentar a nova legislatura com posturas que se esgotam em aparentes estratégias de auto-defesa identitária que tem sido, tradicionalmente, o papel a que se têm remetido, sempre que o confronto político emerge... como se o diálogo e a negociação não fossem, de facto, as verdadeiras armas da Democracia!... É a convicção de que, nos momentos difíceis, o importante é valorizar as causas comuns e não o acentuar das diversidades que justifica a afirmação pública desta vontade colectiva de cooperação assente na consciência e no sentido de responsabilidade dos partidos de esquerda. E há causas comuns a defender: a vocação social do Estado, num tempo em que a crise económica e o desemprego incidem e ameaçam mais o já tão frágil tecido social do país; o desenvolvimento de políticas sociais que promovam o combate à pobreza e criem condições para travar a exclusão, o desemprego e a insegurança; o reforço dos sectores estratégicos do Serviço Nacional de Saúde, da Segurança Social e do Ensino Público de Qualidade; a sustentabilidade económica com o apoio empresarial à criação de emprego; a sustentabilidade ambiental e a defesa dos direitos fundamentais dos cidadãos. Requer-se para isso, por um lado, abertura e capacidade negocial ao Partido Socialista para, no âmbito do seu estatuto de vencedor destas eleições, reflectir e rever medidas concertadas nomeadamente no que se refere ao Código do Trabalho e ao regime de avaliação de professores mas, requer-se também, talvez acima de tudo, que Bloco de Esquerda e Coligação Democrática Unitária não fechem portas à negociação e não obriguem o PS a negociar e a governar à direita. Estamos perante uma responsabilidade colectiva de grande dimensão não só pela dimensão socio-económica da crise nacional mas, também, pelas fragilidades institucionais que, esperemos, a Presidência da República bem como a Assembleia da República, saibam ultrapassar... é isto que o povo português quer, merece e exigiu nas urnas: uma concertação política de esquerda que demonstre, no concreto, a maturidade democrática que os tempos justificam, para continuar a contar com a confiança do eleitorado. Da capacidade de coexistência do diverso e do diferente em nome de causas comuns temos tido exemplos vários que assinalam a boa-fé e a capacidade dos portugueses em gerir a complexidade: vejam-se as coligações partidárias com passado histórico de que é exemplo a CDU, o Movimento de Cidadãos ou o movimento Unir Lisboa; pense-se no que representaram e representam intervenções como a de Maria de Lurdes Pintassilgo, Manuel Alegre e Helena Roseta; reflicta-se no que significa a emergência de blogues colectivos como é o caso deste Público-Eleições 2009 ou do Simplex, entre tantos outros onde escrevem pessoas das mais diversas sensibilidades, com liberdade de expressão para assumir e expressar, num espaço comum, opiniões diferentes. O país está a mudar e a sociedade civil está, finalmente, a ser capaz de fazer ouvir a sua voz... sem prejuízo das organizações partidárias que podem encontrar, nestes ecos cívicos, razões para o esforço de se concertarem em Compromissos que visam salvaguardar o bem-comum. A este propósito, deixo aqui uma observação a Vitor Dias (cujo blogue pessoal é selectivo na publicação de comentários) que penso não ter compreendido a dimensão da concertação negocial e o sentido conceptual do apelo em que consiste o Compromisso à Esquerda, ao invocar que nele participo apesar de ter integrado o blog Simplex: o Simplex não era um blog do PS mas, isso sim, um espaço pré-eleitoral criado por cidadãos livres que assumiram publicamente ir votar no Partido Socialista nas eleições legislativas e em que escreviam pessoas de várias sensibilidades políticas -como aliás acontece aqui mesmo e onde o Vitor Dias também escreve sem nisso ver qualquer contradição!?!... por isso, faço votos que a direcção do PCP seja mais consistente, justa e inteligente na estratégia política da defesa do interesse dos portugueses e dos trabalhadores do que a que resulta de argumentos como o que VD utilizou ao invocar o que acabo de referir, ignorando quer a legitimidade cívica da participação livre e democrática dos cidadãos empenhados na defesa de um Portugal melhor para todos, quer a justeza de recusar a inflexibilidade demagógica como arma política. Ser de Esquerda, Hoje, em Portugal, é defender o interesse colectivo dos portugueses garantindo-lhes uma governação que salvaguarde, no mínimo, os sectores estratégicos da organização social... por isso, acredito que PS, BE e CDU, se o quiserem podem encontrar as bases de um Compromisso necessário para um País Melhor.


(Este post foi publicado no Público-Eleições 2009)

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Precipitações Contraproducentes...

O país parou, estupefacto, com a declaração do Presidente da República a propósito do caso das chamadas "escutas" que, afinal, seriam vírus, enganos na reprodução textual, desvios informáticos, hackers, firewall, outra coisa qualquer ou absolutamente nada para além de suspeitas infundadas, mal sustentadas e aparentemente resultantes de desconfianças e rumores a que seria suposto ver reagir com distanciamento e sentido de Estado o mais alto orgão de soberania nacional. Influenciando e intervindo no processo eleitoral em curso, ao invés do que tantas vezes afirmara, assistimos ao acentuar do clima de tensão e acusações lançado durante a fase final da campanha eleitoral para as legislativas e continuamos a assistir aos seus desenvolvimentos, ao longo da campanha eleitoral para as autárquicas. A declaração do Presidente da República foi extemporânea, excessivamente justificativa, confusa e, de facto, inútil... além do mais, tentou culpabilizar os que ninguém reconhece como culpados e desculpabilizar os que, realmente, envolveram a sua Casa Civil na campanha eleitoral. Num momento em que, além da centralidade da discussão sobre o poder local, aguardamos a formação e indigitação de um novo Governo, num contexto que exige tranquilidade, negociação e boa-fé para os relacionamentos interpartidários que reconfiguraram a representatividade partidária parlamentar, esperariamos da instituição de mais alto nível da Nação, uma outra postura... Portugal precisa de uma Presidência da República credível e confiável, nomeadamente agora que as condições de governabilidade exigem discernimento para uma gestão ponderada e facilitadora da estabilidade governativa indispensável ao ultrapassar da crise e à consolidação económico-social.
(Este post pode também ser lido no Público-Eleições 2009)

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O sentido do voto...


Conhecidos os resultados eleitorais, começa o trabalho de procura dos detalhes que contribuiram decisivamente para o seu desfecho e que configuram a delimitação de campos reactivos adequados... para surpresa de muitos mas, também de não tantos como seria de esperar, o CDS-PP tornou-se a 3ªforça política nacional com representação parlamentar, assente na única percentagem que viabilizará, por si só, a almejada maioria absoluta ao PS. Com uma maioria sociológica de esquerda, definida, grosso modo, pela correlação entre os cerca de 40% alcançados pela soma percentual de PSD e CDS e os cerca de 53% resultantes das votações no PS, BE e CDU, o país confronta-se agora com o quadro especulativo dos cenários possíveis e necessários à governação... o facto permite-nos equacionar a possibilidade de se vir a perspectivar, no curto prazo, a maioria absoluta que agora "caiu" como instrumento eficaz de decisão, dada a quantidade de impasses que a negociação pode implicar entre forças políticas distintas, determinadas em fazer sentir o respectivo poder... Ao Portugal que somos, triste e empobrecido, a lutar desesperadamente pela sobrevivência nas águas agitadas das dinâmicas económicas contemporâneas, resta esperar que os partidos políticos com assento parlamentar sejam capazes de ultrapassar os interesses sectoriais dos seus "nichos" de mercado e de trabalhar conjuntamente e com afinco na procura de soluções efectivas negociadas de boa-fé e determinadas em ultrapassar exigências que poderão um dia ser ultrapassadas mas que, provavelmente, no presente, necessitarão de ser adiadas de forma a que o país não pare, no lago de águas paradas em que vimos fermentar, por exemplo, o caso da substituição do anterior Provedor de Justiça... a realidade carece de discernimento, acção e celeridade e para se lhe responder adequadamente, exige-se responsabilidade social, cívica e política, ao mosaico partidário nacional... O voto dos portugueses solicita pacificação social negociada e efectiva... seria um sinal claro de maturidade política democrática encará-lo como tal e não como pretexto para o bloqueio... os portugueses estão há muito tempo a pagar muito caro por uma economia em vias de se desenvolver em termos de capacidade produtiva e de se emancipar de duas das suas maiores amarras: endividamento e défice... condená-los a mais tempo de improdutividade e estagnação em nome de tentadoras estratégias político-partidárias de curto e médio prazo, será, de facto, desrespeitar a expressão do Direito de Voto que, enquanto janela do presente que nos permite a expressão sobre o futuro que queremos, é ainda o símbolo maior do exercício democrático.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Democracias Ibéricas e Desenvolvimento Peninsular


Antes de mais, a Península Ibérica precisa de 2 países independentes, autónomos, cooperantes e amigos... Geoestrategicamente, a União Europeia, também... E Espanha já tem demasiados problemas regionais para poder interessar-se pelo acumular de um problema político que significaria a anexação portuguesa - ainda mais quando as regras da economia contemporânea lhe permitem usufruir do mercado nacional... Por isso, quando se evoca o interesse nacional, convém lembrar os arautos de um passado que não deixa saudades:
Foi em nome do interesse nacional que, em 25 de Abril de 1974, se levantou a voz da Pátria sob a forma de cravos, a despontar, vermelhos, na ponta das espingardas dos soldados que fizeram Abril... contra a Guerra, o isolacionismo e o nacionalismo provinciano e manipulador de medos: o comunismo, a liberdade e a democracia. A democracia portuguesa serviu de inspiração a muitos... a Espanha, por exemplo... é, por isso, profundamente injusta e descabida a invocação de um velho preconceito xenófobo apenas para se propagandear uma mensagem que serve, apenas conjunturalmente, no contexto do calendário da campanha eleitoral, para servir a defesa de uma ideia inútil - porque não construir o TGV não resolve, de modo algum, os problemas da economia portuguesa. "Orgulhosamente, Sós"? Não, Obrigado!

Entre o TGV e a Comunicação Social...

Ainda nem foi a votos e já despertou uma crise que pode ter impacto internacional... trata-se de Manuela Ferreira Leite, claro! A líder do PSD, escudada num nacionalismo bacoco que pretende justificar-se com custos e benefícios para o país, decidiu investir contra um acordo de Estados, causando perplexidades e declarações públicas do Ministro do Fomento e das autoridades regionais extremenhas de Espanha que deixaram claro não poder vir a confiar num Estado que rompe unilateralmente com os acordos, a palavra e a cooperação. Como se não bastasse, a artificial polémica sobre o TGV (que o PSD defendeu e de que não prescindiria se fosse Governo) implica, no caso da desistência nacional deste investimento no calendário previsto, uma perda de 333 milhões de euros para Portugal... e assim cai por terra mais um dos argumentos da senhora que insiste em querer liderar o Governo de um país que não tem estrutura económico-social para falhar investimentos desta ordem à conta de "gaffes" e irreponsabilidades cujos efeitos nem do ponto de vista político são acautelados. Envergonhados devem também ficar muitos dos jornalistas da "nossa praça" que se têm empenhado, na campanha eleitoral em curso, em construir de Manuela Ferreira Leite uma imagem em tudo contrária ao que a mais simples observação do senso comum constata... enfim... cada um olha e vê o mundo com a côr das lentes que se lhe assemelha conveniente... o que é inegável é que não se vislumbram, entre parte significativa da comunicação social e no maior partido da oposição, efectivos sinais de preocupação com o interesse nacional. É pena!
(Este post tem publicação simultânea no Público-Eleições 2009 e no Simplex)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Demagogia - A Estaca Zero do Desenvolvimento...

Entre o aparentemente tácito apoio de Manuela Ferreira Leite a muitas das generalidades de Francisco Louçã e as recentes descobertas de Paulo Portas no que respeita às PME's (agora referidas 34 vezes no seu programa contra 0-zero referências no anterior programa) e ao papel do Estado no Serviço Nacional de Saúde ou na Segurança Social, fica clara, perante a opinião pública, a extraordinária natureza plástica da demagogia, capaz de, num mesmo facto ou princípio, o reconhecer com tanta legitimidade como ao seu contrário... felizmente, para os eleitores avisados fica a evidência de que confiar em demagogos é, seguramente, negligenciar o sentido do voto e desperdiçar uma oportunidade para contribuir, de forma racional e positiva, para um projecto de governação do país que não pode, sustentadamente, emergir de ressentimentos que reconduziriam os eixos da governação à estaca zero para reeditar interesses corporativos de má-memória que aguardam, a cada esquina, oportunidade para voltar ao poder.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Sem conteúdo...

A entrevista de Manuela Ferreira Leite, ontem, à RTP 1, repetiu o padrão a que a líder do PSD quer condicionar o país, como se os eleitores fossem espectadores de um filme de "suspense"... esquece-se que os filmes de "suspense" dependem de boas interpretações e bons argumentos... como não é o caso, suspeito que o filme representará um "fracasso de bilheteira". Para além de um arrazoado de repetições do género "já disse que..." a líder do PSD evocou, um pouco a despropósito, a natureza da democracia para justificar as audições dos assessores de Cavaco Silva ao longo do processo de recolha de contributos para a elaboração do programa do PSD sem sequer se preocupar com a ética deontológica e política ou a separação de competências e funções que, no caso, seria mais do que indispensável para garantir publicamente a imparcialidade do PR no que se refere ao envolvimento na campanha eleitoral (uma vez que não é suposto pessoas de quem está profissionalmente muito próximo não repetirem os seus pareceres e opiniões)... Numa estranha alegação, classificou como "vitimização" as intervenções do Primeiro-Ministro, deixando os espectadores a Justificar completamentetentar perceber ao que se referiria já que ninguém reconhece nas intervenções de José Sócrates uma tal atitude na forma como tem comentado as questões que lhe são colocadas... finalmente, Manuela Ferreira Leite veio falar do "medo de escutas" suscitando mais uma série de suspeitas e fantasmas que, do ponto de vista político, reitera que toda a sua argumentação se resume a evocações vagas e ambíguas, representativas de um pensamento e de uma estratégia que se esgota na mais vulgar demagogia que culminou com o "agitar de cenoura" da conversa estereotipada em tempo de eleições sobre o não aumento de impostos e a eventual baixa de alguns... de facto, Manuela Ferreira Leite não é notícia simplesmente porque nada tem para dizer aos portugueses!
(também sobre o assunto: A Imagem no Público-Eleições 2009 e A Entrevista no SimpleX)

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Uma certa rebeldia...

Há figuras carismáticas que, para o bem e para o mal, caracterizam o demasiadamente parco e repetitivo panorama do pensamento público nacional... Medina Carreira é uma delas... sobre a entrevista que acabou de dar ao jornalista José Gomes Ferreira na SicNot, acabei de escrever o texto: "Contributos para pensar o Estado Social Hoje".