Nós, Europeus, Humilhados e Ofendidos, às mãos de um poder anquilosado e tétrico (Drácula de uma modernidade por conquistar!), perdemos o direito à dignidade, na subserviência extrema de uma classe política sem coluna vertebral que nos arrasta, com discursos demagógicos de pretensas fatalidades, para um passado que julgámos vencido pela força solidária dos cidadãos despertados para os valores da Liberdade, da Democracia e da Igualdade. Nós, Europeus, Humilhados e Ofendidos, sucumbimos ao abuso do poder financeiro de organismos que se sobrepõem aos Direitos dos Povos e à soberania das Nações, submetendo os Estados e escravizando as pessoas sob a vaga de um desemprego galopante e praticamente, sem retorno. Nós, Europeus, Humilhados e Ofendidos, não temos muita margem para agir no quadro institucional dos que protagonizam a ideologia e a gestão económico-social dominante porque os mecanismos eleitorais de que dispomos não reformam os procedimentos operativos dos partidos, nem garantem novas mentalidades, novas posturas ou renovadas competências aos que os lideram com o espírito de convicções organizacionais e práticas metodológicas desadequadas e ineficazes. Nós, Europeus, Humilhados e Ofendidos, perante as dinâmicas da História, sabemos que a imperiosa necessidade de mudança irá promover alterações societárias, económicas e políticas, relevantes ao ponto de se irem constituir como a marca do século XXI... e sabemos - porque não podemos ignorar as lições do passado próximo e longínquo!- que a natureza dessa marca depende, também, da nossa passividade ou do nosso protagonismo... uma vez mais, no limiar da viabilidade dessa Europa que quisemos construir como Social e das Regiões, nós, Europeus, Humilhados e Ofendidos, temos nas mãos a encruzilhada do futuro...
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terça-feira, 9 de abril de 2013
quarta-feira, 27 de março de 2013
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Da Estratégia 2020 ao Orçamento Europeu...
A proposta de orçamento apresentada pelo Conselho para o financiamento comunitário entre 2014 e 2020, implica uma redução de 80 mil milhões de euros (ler AQUI)... considerando que a coesão europeia se encontra seriamente comprometida na sequência da "crise" e da recorrente "austeridade" cujo impacto vai continuar a agravar as debilidades sociais dos Estados-membros, (designadamente, dos países da Europa do Sul), esta proposta é o rosto inequívoco do antagonismo entre os interesses dos países que consideram consolidadas as respetivas economias e os chamados "países periféricos" (expressão que, inequivocamente, evidencia a conceptualização hierárquica que, afinal e apesar de tudo o que foi dito ao longo das duas últimas décadas!, subjaz à "construção europeia"). A proposta que, à primeira vista, visa apenas "controlar" os custos da participação comunitária aos países mais ricos, assume, em última análise, muito mais do que esta constatação simplista, denotando o enveredar por uma opção que mais contribui para o desmoronamento da arquitectura da União Europeia tal como a conhecemos, do que para a redução das suas assimetrias internas, promovendo a degradação de uma harmonia que se reconhece indispensável ao crescimento do investimento e do emprego... em causa estão opções políticas de natureza muito profunda que requerem um sentido de responsabilidade social que parece alheado das preocupações dos protagonistas que, supostamente, defendem e representam os interesses públicos dos cidadãos europeus... O futuro de todos nós depende agora do "braço-de-ferro" e do argumentário técnico-político destes protagonistas à mesa das negociações e de que se espera o que os sacrifícios das pessoas exigem: a defesa intransigente de objectivos económicos e sociais em detrimento de demagógicas posições (e alianças) ideológicas que acabarão por se reduzir a uma guerra de interesses financeiros que os mais frágeis não podem ganhar. O futuro do projeto comum europeu está à beira da consolidação... ou da implosão!
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Grécia - Uma Luz Mediterrânica para a Esperança Europeia...
Pode a Europa mudar?... Pode!... independentemente dos resultados decorrentes das tomadas de posição iniciais que têm vindo a emergir na Grécia (ler AQUI, AQUI e AQUI), a realidade é que a mudança é possível e que, de facto, a chamada "crise" não é uma inevitabilidade, principalmente porque decorre de princípios inflexíveis na lógica de gestão financeira que não têm, objectivamente, sustentação social e humana mas, apenas, o objectivo de preservar o status quo da dominação económica contemporânea!... (ler mais aqui)
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Sinergias de um Capitalismo sem Escrúpulos?!...
... ontem, o Pingo Doce protagonizou o assumir da lógica do lucro sobre todos os direitos das pessoas e ultrapassou, sem titubear!, as regras deontológicas que o respeito e o exercício da responsabilidade social impõe a cidadãos, entidades e empresas a quem se exige responsabilidade social... ao mesmo tempo, o ministro das finanças alemão comentava em moldes que passo a referir (sem ter a pretensão de reproduzir na íntegra as suas palavras) as consequências de uma potencial eleição de François Hollande para a continuidade das relações franco-germânicas no contexto europeu: o que está em causa (leia-se: a persistência da austeridade e a convergência das políticas económico-financeiras na UE) não depende dos resultados eleitorais porque tudo vai ter que continuar a seguir o rumo pelo qual enveredámos... Disse e está dito!... as democracias representativas não têm qualquer papel na definição das políticas económicas e financeiras e as eleições deixaram de ser reconhecidas politicamente como instrumento de mudança!!!... Até agora ninguém assumira tão claramente o que se tornava, cada vez mais, uma suspeição generalizada que muitos tentavam atribuir a "leituras de esquerda"... e agora?... que contra-argumentação haverá a apresentar contra esta afirmação pública de uma hegemonia anti-democrática, cuja raiz, de má-memória, não pode deixar de evocar um nacionalismo político fundado nos interesses financeiros que, há pouco mais de 60 anos, exterminou milhões e milhões de pessoas? ... sinergias, coincidências, pretensas fatalidades ou o que lhe queiram chamar, a verdade é factual... resta-nos esperar que a incultura não seja tanta na diversidade do mosaico político europeu que não percebam que estamos todos (mas mesmo todos!) em causa...
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Indignados Contra as Desigualdades em Wall Street
O movimento dos Indignados chegou aos EUA e o inesperado aconteceu: há mais de 2 semanas que os manifestantes persistem na sua ocupação de Wall Street, dando voz ao descontentamento geral contra as injustiças, as desigualdades e, em particular, contra a abissal repartição da riqueza que agrava constantemente a vida dos mais pobres, empobrece os que tendo trabalho, sobreviviam até há pouco com um tipo de dificuldades consideradas superáveis e... continua a enriquecer os que são de há muito ricos... cada vez mais ricos! O descontentamento social é, por isso, hoje, a força dinâmica do futuro... e disso são sinal maior, para políticos, mercados e banqueiros, as declarações de Barack Obama (ler AQUI).
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
A Crise Europeia - de Durão Barroso ao Wall Street Journal
O Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, deu uma entrevista à CNN (ler aqui), afirmando que nenhum dos Estados-membros que integram a Zona Euro vai abandonar a moeda única adoptada no velho continente. Durão Barroso afirmou ainda que, do ponto de vista da integração, daqui a 10 anos, a União Europeia vai estar mais consolidada. Ao ouvir a notícia, lembrei-me do que li no "The Wall Street Journal", cuja edição da passada 4ªfeira, dia 21, foi praticamente preenchida com artigos sobre a crise europeia. Dessa edição vale a pena destacar, antes de mais, uma excelente reportagem sobre a crise grega, onde se chamava a atenção para os seus efeitos sociais, designadamente, ao nível da taxa de suicídios que registou um aumento da ordem dos 40% e cujas causas estão associadas às falências empresariais, ao desemprego e à representação social que estes factos implicam em termos de estigma, desprestígio, honra e vergonha. Mas, a edição de 4ªfeira do "The Wall Street Journal" trazia ainda dois artigos de opinião que vale a pena assinalar. Um deles, da autoria de Paul Hannon, afirmava que a questão que se coloca aos europeus é a de saber como se chegou até aqui e como se pode travar o ritmo de descalabro que a economia dos Estados-membros da UE alcançou, denotando a insustentabilidade do poder económico europeu face aos mercados emergentes da Rússia e da China. Alertando para que não podemos ignorar o significado do nível e do grau da necessidade de ajuda externa, P.Hannon escreveu que devemos compreender que "Somos basicamente chimpanzés mas com sentido de vergonha" e que nos encontramos perante o grande desafio de, por um lado, reconhecer a necessidade do crescimento europeu e de, por outro lado, assumir a consciência de que, até agora, os esforços de reforma falharam. Colocando o dedo na ferida, o autor enunciou assim a pergunta crucial: "(...) O que é preciso fazer para que a zona euro caminhe na direcção certa assumindo que pode continuar a existir?(...)". O segundo artigo que me chamou a atenção tinha a assinatura de Brett Stephens sob o título: "O que virá depois da Europa?" e, ao longo do seu desenvolvimento, o autor lembrava que, do lema que marcou o pós II Guerra Mundial, a saber: "Russos fora, Americanos dentro e Alemães em baixo" à criação, primeiro, do marco alemão e, depois, da identidade económica europeia (a que, escreveu!, Jean Monnet se esqueceu de associar a identidade política), a Europa viveu 3 ficções: a de ultrapassar os EUA como super-potência, a de acreditar que sem capacidade militar desenvolveria uma efectiva influência política na diplomacia e nas relações internacionais e, finalmente, a crença no chamado "modelo europeu" como forma de enfrentar os desafios da globalização, do islamismo e da demografia. Claro que sabemos que, à análise norte-americana da crise europeia, subjaz a interpretação económico-financeira da guerra dos mercados mas, a verdade é que não podemos ignorar a leitura que o exterior faz desta crise de que, B.Stephens tomou como exemplo o caso grego para dizer que se trata mais de um caso tipo Madoff do que de um caso tipo Lehman... até porque o título de 1ª página da edição do "The Wall Street Journal" dois dias depois, 6ªfeira, 23 de Setembro, era, ilustrado com os gráficos dos mercados da passada 5ªfeira sobre os quais se via o rosto perplexo da Presidente do FMI, Christine Lagarde, simplesmente: "A Economia Entrou na Zona de Perigo"... e agora, digam lá se é ou não perceptível o sentido da entrevista de Durão Barroso à CNN!!!... ah!... pois!...
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Da Loucura do Rating ao Rigor do Procurador Geral da República, Pinto Monteiro
Depois de muito se ouvir o PS atribuir responsabilidades ao descalabro especulativo das agências de rating e de todos termos percebido que os interesses internacionais no que se refere à "construção" dos equilíbrios financeiros entre blocos "regionais" do capital e da alta finança, estavam, de facto, a provocar quebras graves nas economias nacionais ao ponto do problema das "dívidas soberanas" se aproximarem perigosamente de pontos de "não-retorno", eis que a sociedade e a política portuguesas recorreram, a partir do "chumbo" do chamado PEC IV, à opção por um processo eleitoral que pretendia inverter a vertigem do país... menos ruidosos, os mercados deixaram que, por cá, todo o barulho se concentrasse na múltipla e recíproca troca de acusações que esteve -como faz parte dos respectivos procedimentos!! - na base da campanha eleitoral... Eleições terminadas, novo governo empossado, estando o país a tentar ver se conseguia respirar um pouco melhor apesar da persistência da acção dos "poluentes" internacionais que continuaram a implodir (designadamente, na Grécia), eis que, ontem, a "bomba" se abateu de novo sob os céus gauleses deste jardim à beira-mar plantado: a Moody's reduziu a "lixo" a nossa economia e 4 dos bancos portugueses, incluindo a Caixa Geral de Depósitos!!!! Clamor e pavor generalizados, desta vez sem o PS para ser bode expiatório da "coisa", gritam todos em conjunto: PR, Governo, PSD e os já habituais "contestatários" da crise internacional, PS, PCP e BE, sendo que a própria Europa se associa à indignação (como já acontecera, diga-se em abono da verdade!, no tempo em que o ex-Governo quis aprovar o dito PEC IV), num momento em que a própria Christine Lagarde, recém-Directora do FMI, elogia a acção conjunta dos portugueses nos esforços pela recuperação económica! Se dúvidas havia sobre as intenções da especulação financeira internacional, parece agora não restar nem uma e, se algum benefício o extremo grau da crise traz, é esta partilha do euro-cepticismo em relação aos mercados - ou melhor, às agências de rating (porque ainda não é exactamente contra os mercados... lá chegaremos, porém!... lá chegaremos!!!... haja paciência e mais alguma fome e desemprego!!)... No meio de tudo isto, é louvável a atitude do Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, que, justamente!, em nome do interesse colectivo e da defesa do Estado de Direito que somos, se não permite exercer um cargo passivo quando está em causa a sobrevivência económica do país, exigindo esclarecimentos sobre esta anónima e insustentável ditadura dita do rating que a todos sufoca e que, com toda a razão, já ninguém "pode ver" (ler AQUI, Aqui, Aqui e Aqui).
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