
Hoje em dia, engravidar não é uma fatalidade incontornável e, regra geral, não é fruto do acaso. Engravidar é hoje uma opção e como tal, pode ou não ser exercida. Actualmente, Homens e Mulheres são Pais e Mães porque escolhem ser Pais e não porque aceitam o que “a natureza lhes reservou”. A sociedade contemporânea, ao permitir a emancipação das mulheres ao estatuto de cidadania de pleno direito, autonomizada em relação ao poder masculino, permitiu às mulheres disporem do seu corpo e, consequentemente, escolherem - ou não - engravidar. Neste contexto, ter filhos é, actualmente, resultado de uma escolha das mulheres e, cumulativamente, das famílias, ou seja, dos casais que discutem o problema e assumem decisões conjuntas sobre a matéria.
O poder das mulheres sobre o seu corpo e a liberdade individual como princípio social democrático, a par do direito ao trabalho e a uma vida profissional digna, autónoma e consequente, libertaram a mulher da maternidade como inevitabilidade e engrandeceram a gravidez e a natalidade enquanto escolha consciente, desejada e estruturada. Por isso, nas sociedades ocidentais dos nossos dias, nascem menos crianças e a população envelhece a um ritmo assustador que só não põe em causa a sobrevivência destes territórios porque, felizmente!, os movimentos migratórios os repovoam. Resta saber por quanto tempo mas, provavelmente para infelicidade dos que têm que partir das suas terras e culturas de origem!, enquanto houver mais pobreza, guerra e miséria noutros espaços do planeta do que no Ocidente.(...)"












