quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Demografia e Desenvolvimento - Natalidade e Fecundidade, Hoje (1)


"A Cultura afasta-nos da Natureza – eis um princípio sobejamente conhecido pelo pensamento filosófico. De facto, conhecimento, consciência e racionalidade reduzem o grau de aceitação incondicional dos comportamentos imediatistas e tornam sofisticadas as opções individuais e colectivas. Esta realidade é também determinante para a compreensão das realidades demográficas contemporâneas, designadamente no que se refere às actuais taxas de natalidade e fecundidade e, consequentemente, ao exercício dos direitos de maternidade e paternidade, concorrendo para a explicação do envelhecimento populacional e para o deficiente rejuvenescimento da nossa sociedade.

Hoje em dia, engravidar não é uma fatalidade incontornável e, regra geral, não é fruto do acaso. Engravidar é hoje uma opção e como tal, pode ou não ser exercida. Actualmente, Homens e Mulheres são Pais e Mães porque escolhem ser Pais e não porque aceitam o que “a natureza lhes reservou”. A sociedade contemporânea, ao permitir a emancipação das mulheres ao estatuto de cidadania de pleno direito, autonomizada em relação ao poder masculino, permitiu às mulheres disporem do seu corpo e, consequentemente, escolherem - ou não - engravidar. Neste contexto, ter filhos é, actualmente, resultado de uma escolha das mulheres e, cumulativamente, das famílias, ou seja, dos casais que discutem o problema e assumem decisões conjuntas sobre a matéria.

O poder das mulheres sobre o seu corpo e a liberdade individual como princípio social democrático, a par do direito ao trabalho e a uma vida profissional digna, autónoma e consequente, libertaram a mulher da maternidade como inevitabilidade e engrandeceram a gravidez e a natalidade enquanto escolha consciente, desejada e estruturada. Por isso, nas sociedades ocidentais dos nossos dias, nascem menos crianças e a população envelhece a um ritmo assustador que só não põe em causa a sobrevivência destes territórios porque, felizmente!, os movimentos migratórios os repovoam. Resta saber por quanto tempo mas, provavelmente para infelicidade dos que têm que partir das suas terras e culturas de origem!, enquanto houver mais pobreza, guerra e miséria noutros espaços do planeta do que no Ocidente.(...)"
(Excerto do meu artigo "Pensar as Crianças... Natalidade e Fecundidade" publicado na revista "Viver" da Adraces, Dezembro 2010)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Jazz para Liu Xiaobo...


Herbie Hancock, um dos mais brilhantes pianistas de jazz vivos, foi autor deste tema "Watermelon Man" que aqui fica graciosamente ilustrado numa criação de Mark Hamilton e Che Poon... Herbie Hancock, 70 anos de idade, esteve ontem em Lisboa e encantou quem o ouviu... de Portugal segue viagem para Oslo, onde actuará na cerimónia de atribuição do Prémio Nobel da Paz a Liu Xiaobo que, como todos sabemos e lamentamos, não poderá estar presente por se encontrar preso a cumprir pena de natureza política, às ordens das autoridades chinesas.

Um Sonhador que não Sendo o Único é Universal


... porque, há exactamente 30 anos, assassinaram John Lennon... "Imagine" :))

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Leituras Cruzadas...

Desde o último Leituras Cruzadas, o país está mais ou menos na mesma mas vale a pena chamar a atenção sobre questões que, por muito que se repitam, nunca será demais lembrar (leiam-se os textos de Carlos Barbosa de Oliveira no Crónicas do Rochedo, Filipe Tourais no País do Burro, João Carvalho no Delito de Opinião e Osvaldo Castro no A Carta a Garcia)... entretanto, a complexidade do mundo continua a "dar cartas" e a obrigar-nos ao desenvolvimento da estratégia e da inteligência em nome da manutenção de valores dados por adquiridos mas que, a todo o momento, constatamos estarem, afinal!, em causa (vale a pena ler os textos de Raimundo Narciso no PuxaPalavra, de Porfírio Silva no Machina Speculatrix, de Henrique Sousa no Grão de Areia e do excelente link que Nuno Ramos de Almeida faz no Cinco Dias)...
... finalmente, no Leituras Cruzadas de hoje, vale a pena destacar, pelo significado cultural dos seus conteúdos, dois textos publicados por Eduardo Marculino no História Viva e a citação de Ariel no Cirandando.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

WikiLeaks - A Contra-Informação




A polémica suscitada a propósito do WikiLeaks, traz à ribalta um debate interessante que, ao contrário do que pode parecer e dada a dimensão do inflamado debate que percorre as sociedades contemporâneas, a escrita de diversos visionários e pensadores anunciou, há muito... para além de toda a ficção literária e cinematográfica que explorou o tema da informação e da contra-informação, foi George Orwell quem, de forma mundialmente reconhecida no seu "1984", colocou o problema que a existência real do WikiLeaks tornou incontornável. De facto, não se percebe a surpresa provocada pela divulgação de inéditos adquiridos de forma informática, numa sociedade globalizada que se afirmou pela necessidade e utilidade da partilha da informação e da opinião e que tem vivido sem preocupações "de maior" no que se refere à exigência de segurança de alguns dos conteúdos acessíveis na rede, de modo mais ou menos sofisticado. O problema é, de facto, outro: o que está em causa é o grau de segurança da rede e a respectiva fiabilidade. Para além do facto fundador de, onde quer que esteja um ser humano, ser sempre possível a fuga de informação, a primeira questão que se coloca é a do exponencial aumento do número de possibilidades de ficarem por identificar os autores dessas "fugas"; depois, o problema é o dos critérios éticos na selecção editorial dos materiais a divulgar... Vejamos: por um lado, o eventual anonimato das "fontes" que a rede potencia, mais não é do que a actualização tecnológica do tradicional problema dos "gargantas fundas" que o caso Watergate de Nixon tornou conhecido. Por outro lado, não podemos imaginar que, num mundo diverso como este em que coexistimos, haja unanimidade em termos de critérios editoriais selectivos não só porque estamos perante o problema da diversidade ideológica como também porque, dada a correlação de forças contrárias que, por definição, subjaz à democracia e à gestão política internacional de cada país, manifesta interesses não apenas partilhados mas, antagónicos e até exclusórios. Por isso, se, por um lado, a consolidação e actualização dos códigos deontológicos do trabalho público que significa a circulação da informação podem ser melhorados, o que está em causa é a insuficiência dos sistemas informáticos de informação das instituições! Ora é aqui que reside a essência do problema: diaboliza-se o WikiLeaks para se não assumir que os sistemas informáticos presumivelmente seguros são, afinal, vulneráveis e frágeis (veja-se o que hoje a APF noticiou Aqui)... e é daqui que decorre o grande debate que é preciso fazer para desmistificar o problema e permitir a continuidade democrática: a dinâmica entre informação e contra-informação é uma das estruturas em que assenta o trabalho de construção e manipulação das representações sociais quer das forças em confronto, quer da opinião pública e dela têm resultado sucessos e fracassos de guerras e diplomacias com efeitos políticos, económicos e sociais. Sendo assim o que hoje se pede à racionalidade democrática de instituições e cidadãos é que não utilizem o WikiLeaks para reduzir as potencialidades da circulação informativa e de opinião que a globalização e a rede permitem porque isso seria o maior exemplo do retrocesso democrático no mundo com evidentes reflexos em matérias de importância crucial como é o caso da promoção da defesa e do respeito pelos Direitos Humanos.

Sonoridades... intemporais...


... ternurentos e suaves para ouvir e sorrir numa noite de chuva, os Beatles cantaram assim "When I'm 64".

domingo, 5 de dezembro de 2010

Sá-Carneiro, entre o "caso Camarate" e a eleição presidencial








Recorrentemente, por esta altura e com particular destaque em períodos pré-eleitorais, a comunicação social ressuscita a questão do "caso Camarate" para mitificar a figura de Francisco Sá Carneiro... por isso, nomeadamente por nos encontrarmos em fase pré-eleitoral presidencial, pensei não referir o assunto - apesar de nada em especial me mover contra a criação de mais uma Comissão Parlamentar (mais uma, repito! a que acresce a estranheza do seu propósito não decorrer da obtenção de novos conhecimentos ou novas provas relativamente à tese de atentado que agora quase todos parecem corroborar!). Ainda que não partilhe da fundamentação assente numa pretensa descoberta de Ricardo Sá Fernandes sobre o facto das mortes políticas do século XX não terem sido devidamente explicadas e compreendidas (Ricardo Sá Fernandes referia-se às mortes de D. Carlos e de Sidónio Pais), a exploração do "caso Camarate" é ainda um "fetiche" para a direita portuguesa, de índole político-partidária e ideológica e não um caso de justiça (o que, naturalmente!, não posso deixar de lamentar!). Felizmente, há pessoas honestas e sociais-democratas de reconhecido e justo mérito que, chamadas a comentar o "momento", proferem juízos válidos e eticamente correctos. É o caso de Miguel Veiga, fundador do PSD, que, na RTPN, afirmou a propósito de Francisco Sá Carneiro: "Ele sempre se bateu contra os mitos. Mitificá-lo na morte é um grave feito contra a sua memória" ou do seu amigo Frei Bento Domingues que, num outro programa da RTP, contestou a mesma mitificação a que Sá Carneiro continua a ser sujeito com objectivos que, na sua opinião, podem ter motivações políticas e partidárias... entretanto e já agora, por se falar em questões partidárias, vale a pena referir que Artur Santos Silva disse no mesmo programa em que falou Miguel Veiga: "Sá Carneiro foi um grande estadista mas não foi um bom líder partidário. Ele não tinha paciência...". Tal como Maria João Avilez que considerou "uma demissão colectiva, um ultraje às famílias e uma vergonha", o reacender de um caso investigado durante 30 anos ao ponto de terem sido constituidas 8 Comissões Parlamentares para o efeito, Artur Santos Silva afirmou claramente que "o assunto deve ser enterrado" depois de tantas investigações e considerando as efectivas condições técnicas do voo que vitimou Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa.... a terminar este apontamento, vale a pena recordar que a dignificação da política e dos actos eleitorais requereria que o assunto não viesse neste momento, com este ênfase, preencher primeiras páginas da comunicação social ou justificar documentários e depoimentos não só de militantes sociais-democratas e democratas-cristãos mas, também, de candidatos à Presidência da República em 23 de Janeiro próximo.

A Natureza do Paradigma - Conhecimento, Ciência, Cultura e... Poder Político

Ontem, no Centro Unesco do Porto, decorreu, sob a organização do arqueólogo e justamente reconhecido académico, Vitor Oliveira Jorge, uma sessão científica e cultural que merece a melhor atenção (como quase tudo o que este Professor cria, organiza e proporciona) de todos os que têm tempo e interesse para dedicar ao conhecimento e ao seu papel na vida das sociedades contemporâneas. Nesta sessão, além da apresentação do volume 50 da melhor revista da especialidade em Portugal, "Trabalhos de Antropologia e Etnologia", publicada pela SPAE-Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia (em que tive a honra de participar como autora do trabalho: "Paisagens Etno-Arqueológicas e Culturas Regionais - do Endovélico a Mérida e aos Almendres"), teve lugar uma Conferência de Ana Vale, doutoranda em Arqueologia, que, a propósito do sítio de Castanheira do Vento, problematizou o conceito de paradigma recorrendo à reflexão de Giorgio Agamben e desenvolveu uma reflexão sobre a utilidade de recurso ao método analógico em Arqueologia. O debate que, em seguida, teve lugar, abordou grande parte das questões epistemológicas que enquadram os problemas contemporâneos e de que destaco os que se referem à metodologia científica, à complexidade do conhecimento e à natureza da democracia. Por isso, quando hoje me deparei com a entrevista do Ministro Mariano Gago (ler aqui) considerei que seria, no mínimo!, injusto, não trazer até aqui a referência a uma vertente do trabalho científico muito mais próxima do que consideramos investigação fundamental do que da sua vertente pragmática que nos surge, pelo menos aparentemente!, como a única reconhecida pelo poder político... afinal, a tecnologia científica de fins utilitários e a proclamada aproximação das universidades às empresas não tem garantido, nos moldes em que está a ser desenvolvida, a promoção efectiva de uma cultura científica e de uma valorização do Conhecimento, capazes de permitirem às sociedades a sustentabilidade e a resiliência necessárias à coexistência com a mudança que os tempos, presente e futuro, nos colocam de forma incontornável e a que, malgré tout (refiro-me em particular à propaganda e à produção real recorrente e decorrente desse "desafio" europeu que ficou conhecido por "Processo de Bolonha"), continuamos sem dar respostas consistentes, comprometendo, para além de tudo o mais, a tão desejada "coesão social"... Será talvez!, um problema de adequação dos referenciais de pensamento e acção à realidade objectiva do mundo em que vivemos... mas, também por isso, vale a pena ouvir Giorgio Agamben sobre o que entendemos por Paradigma, no vídeo a que acedemos através da página do Facebook de Vitor Oliveira Jorge e cujo texto podemos ler Aqui:

Sons com Sentido...


... "(...) Ninguém disse que era fácil (...)" é o tema do refrão de "The Scientist" dos Coldplay... palavras que dão a pensar num fim de noite fria...

sábado, 4 de dezembro de 2010

O Brasil Solidário...


O Brasil reconheceu oficialmente o Estado Palestiniano, assumindo como legítimas as fronteiras definidas antes da ocorrência da tétrica Guerra dos Seis Dias, em 1967 (ler aqui e aqui),. Sem ceder às pressões agressivas do ocupante palestiniano (ler aqui), o Governo brasileiro presta um tributo ao desenvolvimento dos processos de paz no mundo, afirmando a credibilidade internacional que já é reconhecida por muitas outras razões, de que vale sempre a pena destacar o forte crescimento económico e o persistente combate à fome.

Da Reconstrução da Europa Social...


"(...) O país está ferido e corrompido. Todos pensam que roubar é a solução para viver melhor. Atacam-se os imigrantes, agridem-se os homossexuais... no dia em que Berlusconi deixar o poder, será preciso um trabalho de reeducação das massas!"

(Sabina Guzzanti in "Courrier Internacional" de Dezembro 2010. Sabina Guzzanti é italiana, cineasta e realizadora de um filme sobre a gestão danosa e escandalosa do sismo de Áquila "Draquila, a Itália que Treme")

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Formas de Ver o Mundo... por Dentro


Fernando Pessoa, expoente máximo da diversidade poética com que se pode ilustrar o pluralismo da unidade humana, escreveu, sob o heterónimo Álvaro de Campos, a "Tabacaria"... esta semana cumpriram-se 75 anos sobre a sua morte... a da sua condição humana... porque a sua expressão poética não morre.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Os Jogadores...

... de Paul Cézanne "Os Jogadores de Cartas"... porque faz sentido nos dias que correm...

terça-feira, 30 de novembro de 2010

De Trichet a Obama - Pequenas/Grandes Questões...


Em Agosto, o Presidente do Banco Central Europeu (BCE) dizia que travar o endividamento era fundamental para evitar o afundamento das próximas décadas (ler aqui); hoje, o mesmo Presidente afirmou que as reformas laborais (leia-se aumento da flexibilização!!) são uma medida recomendável para se consolidarem os resultados dos esforços nacionais de gestão das contas públicas (ler aqui). Entretanto, Jean-Claude Trichet disse também, referindo-se à Irlanda a quem o BCE acabou de comprar a dívida soberana, que "só um país não muda a política"... A pergunta, urgente e a pensar, é a seguinte: se um país só não justifica a mudança de política, será que vários/muitos países o justificarão?... a resposta parece óbvia: já não é só um país; a pressão dos mercados financeiros já se não reduz à Grécia e à Irlanda mas, incide também sobre Portugal, Espanha, a Itália e a ver vamos quem mais... sendo portanto tantos os países em verdadeira crise, justifica-se ou não a mudança da política financeira não só europeia mas, mundial?... e se a dimensão internacional que, neste contexto, colocamos, parecer exagerada, ouçamos o Presidente dos EUA, Barack Obama que acabou de congelar, por 2 anos, os ordenados da Administração Pública:

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Produção e Sobrevivência no realismo europeu do século XIX

Jean-François Millet (1814-1875) : "Colheita" e "Rabisco"

domingo, 28 de novembro de 2010

Complexo do Alemão - O Combate Contra Violência


Os conflitos que, nos últimos dias, marcaram o Rio de Janeiro com a entrada e o cerco policial a um território onde se localizam 13 favelas (ler aqui), conhecido por nele operarem grande parte dos traficantes que ameaçam a segurança dos cidadãos e designado por Complexo do Alemão (ver a fotografia acima e ler aqui), tiveram hoje desenvolvimentos significativos com a morte de, segundo os dados da polícia, 3 pessoas e a detenção de cerca de 20 traficantes... verdade seja dita, os números anteriormente divulgados pela comunicação social indicavam que o número de traficantes que se pensava irem ser encontrados localmente rondava os 600 e, a ser assim, andam entre a população cerca de 560 pessoas que têm vivido da economia paralela e do tráfico, arrastando consigo o medo e a violência. Presume-se que o número de pessoas que vive do tráfico seja de 16.000; por isso, o combate contra a pobreza e a violência representa, para o povo brasileiro, duas faces da mesma moeda e é assinalável que, no início do mandato da nova Presidente Dilma Rousseff, os sinais emitidos para a sociedade sejam de firmeza e determinação. Registe-se que a intervenção socio-política nas favelas do Complexo do Alemão foi preocupação do anterior Presidente, Lula da Silva, que contou já nessa altura com o apoio da então Ministra e hoje Presidente Dilma. Garantindo que a intervenção policial no território não foi pontual, o Governo afirma garantir a continuidade da vigilância (ler aqui)... mas, as preocupações com a violência continuarão, de forma a serem bem sucedidas, a ter que manter dois rostos: o da segurança efectiva pelas forças policiais e o da intervenção social planificada e estruturada em que Lula e Dilma começaram a investir, por exemplo, na favela de Manguinhos (ler aqui), uma das que integra o dito Complexo do Alemão:


(Este post foi actualizado às 8.30h da manhã de 2ªfeira, depois da divulgação dos dados da polícia na televisão portuguesa)

A Crise Económico-Financeira e Política da UE

Surpreende? Não, não surpreende... nem os que sempre apresentaram reservas à integração dos seus países no espaço comum do que hoje é a União Europeia, nem aos que, indefectivelmente, têm defendido (de Jacques Delors aos cidadãos e sindicatos) a construção de uma Europa Social contra a "tese" sempre aqui relembrada, da Europa a Duas Velocidades. Refiro-me, naturalmente, às declarações de Angela Merkel que veio hoje, oportunisticamente e em detrimento do sentido de responsabilidade social que se exige, também!, aos responsáveis políticos da UE , dar a conhecer à opinião pública, afirmando que a Alemanha, a partir de hoje, não irá contribuir para ajudar mais nenhum país (leia-se: Estado-membro da UE) em situação financeira grave pois considera que Berlim atingiu o limite da sua disponibilidade para tal, com a resposta às actuais crises de que a Grécia e a Irlanda são os mais mediaticamente recentes protagonistas. Independentemente das afirmações do Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, ter, também hoje, afirmado que "a Europa está preparada para enfrentar outra crise", as declarações alemãs revelam: a) sinais de fraqueza da economia alemã considerada até agora como uma espécie de "economia-de-ferro" da UE e, consequentemente, um sintoma alarmante sobre o estado económico-financeiro da própria UE; b) que a retoma económica europeia está muito longe de ser alcançada; c) que se está a instalar a primeira grande crise política da UE com um dos seus mais antigos e estruturais Estados-membros a romper com os princípios do próprio Tratado de Roma (princípios considerados traves-mestras da arquitectura europeia e que não tendo sofrido alteração nas suas revisões ou na formulação dos Tratados seguintes, continuam, felizmente!!!, vigentes na jurisprudência comunitária), a saber, os Princípios da Subsidiariedade e da Solidariedade... Depois de décadas de emissão de mensagens sobre a importância social da integração e da consolidação europeia, veio agora a Senhora Angela Merkel mostrar o rosto do lado negro da UE: o da sua natureza neo-liberal capaz de hipotecar os interesses sociais das populações e os compromissos políticos em nome da defesa dos interesses do grande capital financeiro. Lamentável? Sim! Surpreendente? Não!

Banco Alimentar Contra a Fome - Solidariedade e Educação




Está a decorrer, este fim-de-semana, mais uma campanha do Banco Alimentar Contra a Fome para a recolha de produtos alimentares a distribuir pela rede de cerca de 1.800 instituições que apoiam a sobrevivência de cerca de 280.000 pessoas. Em resposta ao agravamento da situação económica nacional, este ano, o Banco Alimentar registou, por um lado, um aumento significativo de adesões ao voluntariado de que os 17 Bancos Alimentares espalhados pelo país e ontem, sábado, foram já recolhidas mais de 1.500 toneladas de alimentos pelos cerca de 30.000 voluntários, crianças, adultos e idosos. Para além desta preciosa e imprescindível ajuda aos cidadãos que vivem com carências alimentares, as campanhas do Banco Alimentar Contra a Fome, têm ainda o mérito de desenvolver boas práticas pedagógicas que contribuem, decisivamente, para construir solidariedades inter-geracionais e cidadãos para quem, no futuro, a consciência da luta contra a pobreza e o activismo solidário serão valores referenciais de acção cívica. É vê-las, às crianças, dos 6 aos 12 anos, a distribuir e recolher os sacos das dádivas por todos os estabelecimentos, com um empenhamento, uma alegria e uma convicção notáveis... e experimentem a agradecer-lhes e a expressar o nosso apoio ao seu trabalho: a humildade e o orgulho sem reservas no brilho dos seus olhos, revitaliza-nos a esperança no futuro!

Preservar é Valorizar...

sábado, 27 de novembro de 2010

A propósito de sondagens...

A Eurosondagem revelou hoje os resultados da sondagem feita para a SIC, Expresso e Rádio Renascença. Publicados no Expresso, estes resultados repetem, de certa forma, os valores divulgados no mês anterior ainda que, no que respeita à margem de erro, as variações sejam inferiores. De facto, nesta sondagem, Manuel Alegre apresenta 32% das intenções de voto e Cavaco Silva 57%; contudo, na Área Metropolitana de Lisboa e no sul do país, Cavaco Silva não atinge 50% dessas intenções de voto enquanto Manuel Alegre regista uma subida que chega aos 40%... ainda muita tinta vai correr sob as pontes - eis a questão cuja resposta está nas mãos do país e, naturalmente!, no que os candidatos à Presidência da República souberem demonstrar nos 2 meses que faltam até às eleições presidenciais.