segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Egipto - O Povo Somos Todos!

A Praça Tahrir, no centro do Cairo, continua a ser o local da imensa manifestação que o povo egípcio vai realizar amanhã, exigindo a demissão de Mubarak e a instauração de uma sociedade livre e democrática. Com cada vez mais mulheres nas ruas, a Revolução está no auge e o Exército declarou já que não irá combater os manifestantes nem "agirá contra as pessoas". Civis e militares, lado a lado, apoiam a ideia de ser El Baradei, Prémio Nobel da Paz, a negociar a transição. "É o nosso povo e temos que estar unidos" é a frase a que se associa o lema "O Povo Unido Jamais Será Vencido" que para sempre ficará na nossa memória associado ao 25 de Abril.... e lá, como cá, o símbolo da Liberdade são as Flores.

Da Crise à Estratégia 20 20...

A chamada "Estratégia 20 20" definiu, para o período 2010-2020, 5 objectivos, assumidos como compromissos a cumprir pela União Europeia nos próximos 9 anos, a saber:
a) 75% da população entre os 20 e os 64 anos deve estar empregada;
b) 3% do PIB da UE deve ser investido em Investigação e Desenvolvimento (I&D);
c) os objectivos em matéria de energia e clima devem ser cumpridos;
d) a taxa de abandono escolar deve ser inferior a 10% e cerca de 40% dos jovens devem te rum diploma de estudos superiores;
e) 20 milhões de pessoas deixam de estar em risco de pobreza.
... considerando as intervenções actuais sobre as economias europeias, as exigências alemãs (será interessante ver o que significa a frase tão divulgada pelos meios de comunicação social: "Angela Merkel tem planos para o governo económico europeu"!!!) e as considerações sobre os ditos "países periféricos", os cidadãos de todos os Estados-membros da UE têm o direito e a obrigação de perguntar, como irão concretizar-se os 5 objectivos enunciados numa Estratégia, cujo cumprimento será o garante da validade do actual modelo socio-económico em que têm investido as opções políticas dos Governos... porque estas opções têm tido como significado maior, a imposição de medidas de austeridade insustentáveis para as condições de vida das pessoas, sem que isso denote o facto de concorrerem para a concretização dos objectivos reconhecidos como essenciais pela própria Europa e, também, por Portugal!
(uma breve síntese do documento da Estratégia Europa 2020 pode ler-se Aqui)

A ver...


"Operation Dinner Out" ("Operação Jantar Fora") é um excelente título para o extraordinário filme realizado por Tony Scott em 2001 e interpretado magistralmente por Robert Redford e Brad Pitt... a história, excelente!, cruza prisões contemporâneas, espionagem, recrutamento de agentes e os valores que presidem à ética e que se sobrepõem, se para tanto houver carácter!, aos interesses ambíguos das organizações. Se estiverem em casa e quiserem espreitar a RTP 1, vale a pena ver o filme intitulado "Jogo de Espiões"! Bom cinema!

domingo, 30 de janeiro de 2011

Cairo, Londres, Paris - Os Museus da Minha Vida













Os Museus são máquinas do tempo... fantásticas, encantatórias, inesquecíveis... revisitei na minha memória, a propósito da Revolução no Egipto a que El Baradei chamou "os dias mais felizes das nossas vidas", as Pirâmides de Gizé a que subi numa tarde do sol escaldante da minha adolescência num daqueles momentos únicos que marcam para sempre as nossas vidas e, naturalmente, o Museu do Cairo... seria porém injusta a sua evocação sem referir outros 2 museus que guardo no património do que sou, os Museus Britânico em Londres e Jeu de Paume em Paris... deles, e por esta ordem: Cairo, Londres e Paris, deixo 2 imagens de cada um... para uma viagem partilhada...

Participação Político-Partidária Portuguesa...


... reuniu hoje, em Lisboa, a Comissão Nacional do Partido Socialista cujo principal objectivo foi, além da análise da situação política nacional e dos resultados das eleições presidenciais, marcar a data das próximas eleições internas do PS. A recandidatura de José Sócrates reconfirma-se, sendo já conhecida a direcção da sua campanha. Entre silêncios e cortesias, as excepções protocolares da comunicação com os jornalistas foram de Almeida Santos e Francisco Assis, para desdramatizar o discurso da vitória eleitoral de Cavaco Silva... e de Ana Gomes que assinalou a necessidade do Partido Socialista ser "exigente, crítico e vigilante" em relação à governação. A eurodeputada e diplomata acrescentou que, apesar disso, dada a situação político-económica nacional, é natural que o Congresso a reunir em Abril e em que será realizado o referido acto eleitoral, seja o da reeleição de José Sócrates - apesar de, em democracia, ser sempre desejável que apareçam várias candidaturas... A sensação com que se fica é a de que a livre participação político-partidária e o debate político aberto e sério ficaram à margem do evento, sendo, potencialmente, remetidos para a realização do Forum Novas Fronteiras, previsto para 20 de Fevereiro... seria bom para a sociedade portuguesa que a abertura do forum à participação fosse um facto, ao invés de se manter como um palco onde desfilam as comunicações dos históricos e previsíveis interlocutores "de serviço"... para que a sociedade se aproxime da política e não continue a ter motivos para persistir no afastamento de um modelo político cada vez menos representativo e, obviamente!, menos participado.

Egipto - O Povo Saiu à Rua com Coragem e Determinação Contra a Brutal Violência Policial


... o vídeo é longo mas extraordinário! Extraordinário porque nos permite viver alguns dos mais terríveis e marcantes momentos da Revolução no Egipto e constatar a determinação e a coragem dos manifestantes face à brutalidade irracional e cruel das forças da autoridade. Vale mesmo a pena ver!... A nós cabe-nos agradecer ao Helder Guerreiro que, no Aventar, que nos permitiu conhecer esta peça inestimável, testemunho do papel que a sociedade civil e as redes sociais têm hoje, designadamente, para a solidariedade entre os povos.

A Voz do Nilo...


... a excelente sugestão veio de Fernando Cardoso no Ayyapa Express
a quem agradecemos a qualidade e o bom-gosto.

Porque a arte imita a vida...

... lembrei-me da pintura de Jacek Yerka, o surrealista polaco nascido em 1952 que, em 1995, ganhou o World Fantasy Award... porque este quadro me provoca sempre uma espécie de evocação sobre a emergência das mesopotâmias do mundo...

sábado, 29 de janeiro de 2011

O Egipto face à Irreversível Mudança...


"Os Egípcios já não têm medo... já não temos medo" dizia há pouco uma mulher, egípcia, que, em Paris, integrava a manifestação de apoio à Revolução que está a ocorrer no seu país... o discurso dos manifestantes corroborava, no essencial, as palavras proferidas por Barack Obama, Presidente dos EUA, a quem Hosni Mubarak tentou responder, com a nomeação de um Vice-Presidente e de um novo Primeiro-Ministro... mas, ao que nos é dado ver, não chega... até porque, como dizia El Baradei "as declarações de Mubarak são um atentado à inteligência dos egípcios" - e, sejamos claros, nem para Barack Obama esta maquilhagem chega!... O povo saiu, de facto!, à rua e é bom atender a um dado sociológico importantissimo para o qual Teresa de Sousa chamava há pouco a atenção, na SIC Notícias: 60% da população egípcia tem menos de 25 anos e é uma geração informada e educada!

Pérolas...


... sim! Pérolas deste Mediterrâneo magrebino que todos integramos, Património da Humanidade... deste mar onde se cruzaram fenícios, palestinos, gregos, egípcios, berberes, iberos, etruscos... destas terras onde floresceram Mesopotâmias e paraísos cantados pelos clássicos e onde hoje vivemos, com uma representação identitária criada por gerações de aculturações políticas que utilizaram religiões e ideologias diversas para, alimentando artifícios da diferença, nos fazerem esquecer que todos os povos acordam, um dia!, para a exigência de um mundo melhor, mais igual, mais digno e mais livre... para todos!

O Egipto - Da Democracia a El Baradei e ao Museu do Cairo...




Os efeitos da Revolução do Jasmin lembram um rastilho... como se o Mediterrâneo aguardasse um sinal de coragem e rebeldia de cidadãos cansados da asfixia democrática a que, há décadas, têm sido sujeitos... é verdade que se receia a implosão revolucionária das potenciais democracias no Magrebe, pelo contágio oportunista e manipulador de algum resquício de integrismo fundamentalista mas, a verdade é que é preciso dar a saber que confiamos e precisamos da solidariedade de todos, para que a Europa, designadamente a Europa do Sul, o Magrebe e, consequentemente, o Médio Oriente, renasçam culturalmente sem medo da arte, da criação e da liberdade que nos permitiu o conhecimento, a filosofia e a tecnologia... todos juntos fariamos, seguramente!, um mundo melhor para todos!... entretanto, enquanto se aguarda o desenrolar dos acontecimentos, é de registar, no Egipto, por um lado, a notícia da prisão domiciliária (ler aqui) de Mohamed El Baradei, Prémio Nobel da Paz (na fotografia com o Dalai Lama, em homenagem conjunta às vítimas de Hiroshima) e principal opositor ao regime de Hosni Mubarak, em nome da defesa dos direitos universais das pessoas e, por outro lado, o facto dos cidadãos terem feito um cordão humano para proteger e defender o ímpar e precioso Museu do Cairo onde a história da civilização da Mesopotâmia, do Mediterrâneo e do Egipto guarda muito do melhor que a Humanidade preserva da memória desses tempos... Que o Egipto solte amarras rumo a uma democracia possível, desejável e justa para todos, capaz de viabilizar um Mediterrâneo de Paz e de Cidadania, é o que todos desejamos... para que a Revolução do Jasmin se cumpra - como o símbolo a que recorreu, colocando flores na ponta das espingardas... Não deixem perverter a Revolução! Viva a Luta pela Democracia no Magrebe!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O rosto espanhol da crise...


Os rostos da crise europeia vão emergindo, na dimensão exacta do adiamento político que, sucessivamente, vai inventando "remendos" cada vez menos credíveis face aos astronómicos índices de desemprego que atinge os cidadãos e as famílias, nos seus adultos activos, mais e menos jovens. Depois da França, da Alemanha e da Holanda, nos anos anteriores, no passado Verão, assistimos aos conflitos decorrentes de manifestações e reivindicações cívico-políticas e laborais na Grécia; hoje, a situação deflagrou no espaço público de Madrid, em Espanha (vale a pena ler aqui o essencial das razões em que assenta a reacção popular) ... amanhã, será a vez de outros e, previsivelmente, haverá um momento em que, em simultâneo, todos estaremos a protestar nas ruas. A urgência das reformas económico-financeiras no espaço europeu é cada vez menos dissimulável... até onde estarão dispostos os políticos a levar o descontentamento social - é a pergunta que devemos colocar!

Leituras Cruzadas...

Depois de anunciados os tempos que hão-de vir com os resultados da eleição presidencial do passado domingo, há observações que cumpre fazer sobre o quotidiano da nossa realidade, com leituras que merecem ser conhecidas por auxiliarem a indispensável persistência reflexiva que nos torna cidadãos de pleno direito: é o caso de Graza no Arroios, de Eduardo Pitta no Da Literatura, de Miguel Abrantes no Câmara Corporativa, de Nuno Serra no Ladrões de Bicicletas, de Valupi no Aspirina B e de Eduardo Maia Costa no Sine Die...
... e enquanto o atropelo dos direitos se desenvolve na sombra discreta da desatenção das pessoas ocupadas com o horizonte mais imediato que potencia o negligenciar de potenciais estratégias de desconcertação cívica, por cá (leia-se Ricardo Vicente no Albergue Espanhol) e quiçá, apesar dos nossos desejos, noutros espaços e noutros contextos (leia-se António Paço no Cinco Dias, Carlos Barbosa de Oliveira no Crónicas do Rochedo, de Rui Herbon no Jugular, de Raimundo Narciso no Puxa Palavra, de Relógio de Corda no Quanto Tempo Tem o Tempo? e de Nuno Sotto Mayor Ferrão no Crónicas do Professor Ferrão), a sociedade continua envolvida na longa e complexa teia da ambiguidade, da esperança e do medo...
... por isso, hoje, em jeito de conclusão, ficam, sem mais comentários, outros inteligentes e úteis registos como o de Seixas da Costa no Duas ou Três Coisas, o de José Saramago no Outros Cadernos de Saramago, o de Osvaldo Castro no A Carta a Garcia e o de JM Correia-Pinto no Politeia.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O não-dito de uma crise que, afinal!, não conhecemos!




Vieram hoje a público as recentes declarações do FMI, alertando os Estados para o facto da crise ainda não ter atingido os chamados "países periféricos" de que Portugal, tal como a Grécia, a Irlanda e quiçá, a Espanha e a Itália fazem parte... Curiosamente, porque não sei se já alguma vez repararam no facto de serem considerados "periféricos" todos os países que integram, inequivocamente, a designada Europa do Sul, as declarações surgem num momento em que os cidadãos estão cansados de ser penalizados exactamente em nome dessa crise que, afinal!, diz quem sabe?!, ainda cá não chegou (ler aqui)... as consequências sociais e políticas do enredo de fenómenos que estas e outras declarações e percepções similares implicam são, uma das grandes prioridades a que cidadãos e partidos deveriam dar a maior atenção... ou, pelo menos, alguns partidos - apesar da tentação provocada pelo excesso de informação associado ao seu efectivo défice analítico e pela necessidade de cumprimento das exigências de curto prazo (responsáveis afinal de contas por essa crise que todos vivemos mas que, ao que dizem!, ainda não chegou!) em se confundir "a árvore com a floresta"!... porque a verdade é que, digam o que disserem, não estamos a assistir ao reforço democrático da Europa onde, progressiva mas continuadamente, se perdem direitos laborais e sociais, enquanto, bem pelo contrário, se assiste, um pouco por todo o lado, ao fortalecimento da direita e, sejamos claros!, da extrema-direita que vai utilizando os mecanismos legais e institucionais possíveis para ascender ao poder e disseminar a sua ideologia. E se nos não chega a informação da comunicação social sobre esta realidade, mal não nos faria recorrermos à literatura contemporânea do norte da Europa e, concretamente, da Suécia... porque se a "Trilogia Millenium" de Stieg Larsson se constitui como um exemplo paradigmático nesta matéria, outros autores, escritores e jornalistas continuam a dar o alerta disponível para quem o puder apreender... é o caso, entre outros, de Gellert Tamas e do seu livro "O Assassino do Laser" que pode conhecer melhor na entrevista que pode ser lida exactamente aqui.

Sons com Sentido...


... "Cântico Negro" de José Régio... por Maria Bethânia.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A Ilha...


... por Tim em "Companheiros de Aventura"...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Ainda as Eleições Presidenciais...


Pouco vale a pena acrescentar aos comentários públicos que têm sido feitos sobre os resultados da maratona eleitoral das Presidenciais 2011, para além do grande destaque e da grande reflexão que nos merece a inesquecível taxa de abstenção registada, na medida em que ultrapassou metade do eleitorado português... Porém, das causas desta memorável abstenção nunca é demais registar o afastamento dos cidadãos da prática eleitoral, designadamente pelo significado que reflecte sobre a actual forma de se fazer política. Na verdade, entre o que, há dias e a par do receio generalizado, registara (ler Aqui), antecipando o não-dito destes resultados eleitorais e atendendo, por outro lado, à consciência de que o empobrecimento arrastado pela crise económico-financeira dos mercados provoca sério desgaste ao regime político democrático (dada a ausência de uma evidente preocupação com a dimensão social da economia e da política), a abstenção de 53,3% num país que integra, de pleno direito, a União Europeia, denota a urgência de uma profunda reforma político-económica a que é preciso dar resposta... no nosso país e no espaço comunitário europeu! Podem os políticos e as instituições ignorar a realidade ou tratar de a minimizar mas, os factos são, no caso!, incontestáveis e, como tal, resta ao exercício democrático da cidadania exigir a sua consideração até que a agenda política reflicta o problema como prioritário.

domingo, 23 de janeiro de 2011

E depois do fim... ainda o espírito de Abril!

O discurso de Manuel Alegre foi um discurso feito de dignidade, coragem e humildade, próprio do melhor que podemos esperar de um autêntico democrata e de um antifascista... mas, Manuel Alegre não tem razão! Os resultados que hoje obteve não são culpa do Homem e do Político que é mas, isso sim, da dinâmica criada pelos partidos que o apoiaram... medo, receio e ressentimento não são os companheiros certos para a Firmeza e a Convicção de um Homem e menos ainda de um visionário e de um Poeta! Obrigado, Manuel Alegre! O espírito de Abril tem ainda em ti o sopro de vida de que o ar da sociedade portuguesa e europeia precisa!

... e o fim!... após o "Grato pela Vossa Desunião"...

... poderia ser assim o início do discurso de Cavaco Silva na noite da sua reeleição presidencial! Era justo que assim fosse. De facto, à elevadissima taxa de abstenção hoje registada, somou-se a pulverização de votos à esquerda do centro-direita do PSD e do CDS por 5 candidatos (2 dos quais com evidentes apoios mais ou menos dissimulados!)... agora, a esquerda, independentemente da invenção das indispensáveis razões justificativas das respectivas atitudes, não pode, com objectividade, queixar-se do cenário político nacional a médio prazo. Fizeram-me sorrir as declarações de Francisco Louçã, Fernando Nobre e Jerónimo de Sousa... como se alguém tivesse ganho alguma coisa de colectivamente útil na noite de hoje!... quando F.Louçã diz que é preciso uma "grande esquerda" dá vontade de lhe explicar, tintim-por-tintim, que a oportunidade passou -pelo menos nos tempos mais próximos!... quando Fernando Nobre clama vitória e diz que vai estar atento, é caso para lhe perguntar se o fará como antes de ser candidato ou nos termos do seu enorme e mal dissimulado narcisismo, vestido de ingenuidade... quando Jerónimo de Sousa se congratula pela candidatura apresentada até não haver retorno possível... A toda a esquerda, os cidadãos de hoje e do futuro, tal como o próprio Cavaco Silva, terão que agradecer os resultados da noite eleitoral de hoje!