quinta-feira, 31 de março de 2011

25 de Abril, Sempre! ... porque o 25 de Abril não se cancela, nem se suspende!



A notícia é, no mínimo, chocante, apesar de se poder evocar um qualquer argumento capaz de suportar uma eventual legalidade em que possa assentar (ler aqui)... mas, o facto é que este ano, 2011, será a primeira vez que o 25 de Abril de 1974 não será celebrado condignadamente na Assembleia da República. Razão têm, por isso, os Capitães de Abril e todos os democratas, antifascistas e cidadãos de boa-fé que receberam com indignação e muita, muita reserva, o anúncio desta decisão. Vasco Lourenço disse-o claramente (ler aqui). O 25 de Abril não é dos políticos: é de todos!... e se tem vindo a ser celebrado na dita Casa-Mãe da Democracia é, simplesmente, em reconhecimento desse, que é este!, nosso Povo e de que os seus residentes, permanentes ou temporários, são, apenas e só, meros representantes!... e se os políticos não são capazes de ultrapassar o seu "conjuntural papel" para, como cidadãos, celebrarem juntos, a Democracia, mantendo a AR aberta à celebração do mais importante facto histórico da nossa contemporaneidade, cujo prestígio, reconhecimento e afecto, ultrapassou todas as fronteiras e ainda inspira revoluções democráticas pelo mundo, que tenham ao menos a dignidade de lhe não fechar as portas e de não deixar de a cobrir de cravos, muitos e muitos cravos vermelhos... Em última análise, que a manifestação do 25 de Abril de 2011 termine enfeitando a escadaria da AR... porque, meus amigos, o 25 de Abril não se suspende e, muito menos, se cancela! Viva o 25 de Abril!

terça-feira, 29 de março de 2011

Lula da Silva, o Presidente, o Mestre e o Homem


A solidariedade do Brasil com Portugal é indefectível (ler aqui) e disso faz prova a declaração de Lula da Silva, o Presidente que, de muitos prémios recorrentes da defesa de Direitos Humanos justamente acumulados, recebeu hoje, na Assembleia da República, o Prémio do Conselho Europeu Norte-Sul (ler aqui). Além de ter declarado ontem, à chegada a Lisboa que o FMI não é solução, alertando a sociedade e os políticos portugueses para o risco que correm e para a ilusão em que incorrem, Lula da Silva continua a ajudar o mundo e as organizações internacionais a reflectirem sobre os procedimentos e metodologias, com o objectivo de concorrer para a consolidação de um mundo mais justo e menos pobre que, por experiência própria, sabe ser possível construir (ler aqui e aqui). Lula da Silva, o Homem cujo olhar não deixa de afirmar com serenidade e determinação o lado da causa que desde sempre defendeu, tem hoje, também aqui, mais uma expressão do agradecimento de todos quantos entendemos a dimensão da sua excelente prestação humana no mundo complexo em que vivemos.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Leituras Cruzadas...

O país, em crise, levou a incapacidade de diálogo político-partidário e o respectivo corporativismo sectário ao ponto de provocar a demissão de um governo que conseguiu (em esforços a que todos, publicamente, assistimos) abrandar a especulação financeira dos mercados e a pressão internacional no sentido de se recorrer ao FMI, cuja metodologia de reequilíbrio das contas públicas, agrava sobremaneira as condições de vida dos cidadãos que, sabemo-lo todos!, estão a raiar o limite do sustentável, não só pela elevadissima taxa de desemprego, como pela redução quer do investimento, quer das prestações sociais... Responsáveis pelo pior cenário que poderiamos esperar são todos e, particularmente, a oposição que não soube "elevar-se" acima dos interesses eleitoralistas, em nome da defesa do interesse nacional que é ou, pelo menos, deveria ser, em última análise, o seu próprio fundamento. Não é, por isso, contornável a referência a alguns dos textos que, nos últimos dias, foram publicados sobre a matéria, pela pertinência que resulta das suas abordagens e de que destaco: Osvaldo Castro no A Carta a Garcia, Vital Moreira no Causa Nossa, Miguel Abrantes no Câmara Corporativa, Weber no Mainstreet, MFerrer no Homem ao Mar e Valupi no Aspirina B... entretanto, partindo deste problema que é hoje a prioridade da agenda política não só nacional mas, europeia, vale a pena ler as notas, sempre brilhantes!, de JMCorreia-Pinto no Politeia e de reparar nas observações que fazem Luís Rainha no Vias de Facto, Sofia Loureiro dos Santos no Defender o Quadrado e João Vasco no Esquerda Republicana ... Finalmente, porque o mundo se não esgota no nosso (ainda que, neste caso, justificável!) "etnocentrismo", quero, para além de agradecer a gentileza da Dani no Dani e suas histórias", sugerir-vos 3 excelentes leituras publicadas por Eduardo Marculino no História Viva... porque, como diz o já citado Valupi, há Palavras Sábias.

Sons com Sentido... Mediterrânico...

"Gitanos Arabes por Tangos":


Ramon El Portugues, uma das vozes maiores do cante andaluzo em "Jaleos Extremeños":


e Oyky & Berk Leyla numa versão do "Turco Flamenco":

sábado, 26 de março de 2011

A Europa - entre a crise financeira e a revolução social


Para os que pensam que os protestos de rua se dirigem, como era tradicional há 20 ou 30 anos atrás, apenas aos executivos governamentais em exercício e como lição maior a ser tomada, prioritariamente, em linha de conta por toda a democracia representativa, já não é apenas o fenómeno revolucionário da coragem dos países magrebinos e árebes que sairam à rua ou sequer as grandiosas manifestações da Geração à Rasca, que deven ser tema conjuntural e efémero de conversa... o que é hoje, de facto!, o grande desafio político da democracia europeia, são todas essas manifestações a que, hoje mesmo, em Londres, se associaram 400.000 pessoas (ler aqui, aqui e aqui), para manifestar a sua absoluta oposição a medidas que combatem a segurança, a qualidade de vida, o emprego e a estabilidade social mínima... a Europa, ou seja, a cidadania europeia que é afinal o seu grande legitimador, está, consensualmente, na rua... e nenhum Governo ou Directório o pode ignorar ou adiar o seu confronto com a alteração da qualidade das políticas pelas quais a modernidade nos impõe a opção... A Economia contra a Política, não é um objectivo societário mas, um mero instrumento financeiro... e os Mercados Financeiros contra a Política, a Economia e as Sociedades não são um instrumento de gestão organizacional humano mas, um puro mecanismo de rentabilizar dinheiro e lucros de bolsas multinacionais anónimas... Por isso, quando não percebem que a insistência na recusa da ajuda externa por parte do ainda Primeiro-Ministro José Sócrates é, além de um esforço desmedido de não agravar a precária e dificilima situação económica portuguesa, um contributo solidário para a preservação da reserva do Fundo de Resgate Europeu de que a própria Espanha se tenta defender (veja-se a intervenção de hoje de José Luís Zapatero com o propósito de evitar a dramática mas, eufemisticamente, chamada "turbulência dos mercados"), enquanto, por outro lado e ao mesmo tempo, o principal líder da oposição portuguesa "atira para o ar" medidas avulsas que fazem sorrir esses mesmos mercados e têm efeitos devastadores no eleitorado português (é o caso da referência e do seu pseudo-desmentido sobre o aumento do IVA ou a privatização quer da RTP, quer de parte da Caixa Geral de Depósitos), a política deveria, antes de mais, dar atenção aos graves sinais que os povos exigem, descendo sem medo, à rua... A União Europeia ou decide optar por novas regras de gestão ou não resistirá aos movimentos sociais cujo desfecho pode significar duas coisas: o reforço da democracia participativa e/ou a criação de condições para a emergência das ditaduras neoliberais... Olhos bem abertos e sentido alerta, eis o conselho dos que conhecem a luta... e dos que, afinal!, têm real consciência da crise económico-financeira e socio-política em cujo âmago nos encontramos.

Sons Femininos...


... na voz de Mayra Andrade...

... de Cabo Verde!

Porque o peso dos dias nos não retirará a pureza da alma...


... fiquemos, por hoje, com a excelência da música de Django Reinhardt e a doce animação com que é ilustrado o seu imortal: "Lentement, Mademoiselle"...
(sugestão emprestada pelo meu amigo Luís Miguel Taborda)

quinta-feira, 24 de março de 2011

De Angela Merkel a José Sócrates e de Pedro Silva Pereira a Pedro Passos Coelho


... a realidade é o que é e é incontornável a integração de Portugal, como membro de pleno direito, na União Europeia. Hoje, em Bruxelas, José Sócrates foi saudado pelos esforços que fez e pelas medidas que propos e negociou... independentemente do que se pense do Directório Europeu e face à real inexistência nacional de alternativas plausíveis e eficazes, a verdade é que a democracia partidária portuguesa "perdeu a face" entre os parceiros europeus e os mercados (a escalada de credibilidade portuguesa desceu de novo, bastante!, face às avaliações da Moody's e da Fitch, ainda nem tinham passado 24 horas após a apresentação da demissão do Primeiro-Ministro!)... Pedro Silva Pereira explicou bem a situação, ontem, na Assembleia da República (ler aqui)... e hoje, apesar da comunicação social portuguesa, falar de Passos Coelho como se o PSD fosse poder legitimado por eleições, o líder deste partido já se apressou a dizer que não pode dizer que não vai aumentar impostos, deixando "no ar" a possibilidade de uma nova subida do IVA... se a isto somarmos a flexibilização e liberalização do fraquissimo mercado de emprego que temos pela aposta na precariedade e a intenção de tudo privatizar (dos hospitais, às escolas e à televisão)... o que podemos esperar do actual estado da cidadania e da seriedade intrínseca da nossa democracia? ...

... ainda restam dúvidas? A quem?... quando, ainda por cima, Jean Claude Juncker, hoje mesmo, deixou claro que estamos a um passo de ter, de facto!, o FMI a gerir a economia portuguesa!... quem ganha com tudo isto?... ninguém!... a não ser a vaidade, a arrogância e, diga-se sem reservas: a ignorância!

Comentários do Mundo...

... ao contrário dos partidos portugueses e dos ilustres comentadores da nossa "praça", a comunicação social internacional retrata e percepciona a crise política portuguesa como mais uma fase da instabilidade europeia e não ergue dedos acusatórios a pretensos bodes expiatórios como parece ser o tom dominante da política doméstica... ainda assim, não entendem o prejuízo infligido ao país que é nosso e cuja situação estrutural já é, de há tantas décadas, tão difícil?! A Pátria?... é nossa, sim, é dos cidadãos... mas não é, seguramente!, a deles, a dos pretensos moralistas e demagogos!

quarta-feira, 23 de março de 2011

O Sentir das Oliveiras...

Há, na pintura de Vincent Van Gogh, uma inquietação agitada que o olhar transmite à realidade, incontido e perturbado... e essa magnífica beleza em que se fundem natureza, cultura e alma dá-nos o retrato exacto da complexidade de um discernimento que não separa o "eu" do "outro"... Não sei (ou sei-o bem?) a que propósito me ocorreu esta obra, exímia mescla de história e psicologia, que Van Gogh pintou em 1889 e intitulou "Oliveiras"!...

segunda-feira, 21 de março de 2011

Uma Pergunta Incontornável...

Há uma pergunta incontornável que se coloca a toda - mas, mesmo a toda! - a oposição ao Governo de José Sócrates... uma pergunta incontornável não apenas no plano nacional mas, também, no plano internacional! É uma pergunta incontornável perante o bom-senso, o senso-comum, a vulgaridade das interpretações mas, acima de tudo, uma pergunta incontornável em nome da ética, da verdade e do interesse nacional. Uma pergunta para a qual é urgente exigir resposta... uma resposta dada por cada uma das forças desta oposição multipartidária que, subitamente, descobriu a convergência na opção pela intervenção económica externa que mais pesa aos cidadãos, mas que deve ser exigida, antes de mais, em função da responsabilidade e da aparente leveza com que encara o problema, complexo e denso, reduzindo-o a uma aparente evidência sob o título galvanizador mas, reconheçamos!, ambíguo e vazio, pelo PSD (vale a pena ler a este propósito o texto de Sérgio de Almeida Correia e o texto para que remete e que pode ser lido aqui). Uma pergunta incontornável que não ocorreu ainda (vá lá perceber-se porquê!) a nenhum dos excelsos profissionais do jornalismo da nossa praça e cuja resposta deixará a nu, indiscutivelmente, a pertinência da eventual justeza da crise política provocada por todos os que se unem na acusação a um bode expiatório (isto faz lembrar qualquer coisa - ou é impressão minha?!)... Para não abusar do suspense e da paciência do leitor, a pergunta é, simplesmente, esta: quando Jean Claude Trichet afirma que as medidas da mais recente versão do PEC apresentada em Bruxelas pelo Primeiro-Ministro não são negociáveis, refere-se às medidas propostas pelo actual Executivo ou, de facto!, quer dizer que nenhum outro partido tem margem de manobra para negociar quaisquer outras medidas por serem estas as únicas que a Europa está disposta a aceitar por parte de Portugal?... é que, se assim for, de que serve este "arraial" de não aprovação do PEC e de ansiedade por mais um acto eleitoral de que a abstenção sairá vencedora, deixando ao partido que dele sairá como o mais votado, uma conquista do poder, sem honra e sem glória?

domingo, 20 de março de 2011

Leituras Cruzadas...

Hoje, o dia esteve lindo e, ainda a esta hora, a lua abre uma estrada de luz sobre o Tejo até à outra margem, no horizonte desta janela em frente da qual me sento a escrever... por isso, acredito que me compreendem quando digo que, pelo menos, hoje, não tenho energia nem paciência para acrescentar mais palavras à inacreditável irresponsabilidade política dos dias que, infelizmente!, bem caracteriza a imaturidade democrática desta infantilidade pública a que, em nome de interesses escusos, os fracos partidos que temos continuam a hipotecar as pessoas, os países e o interesse nacional... em troca de nada, convenhamos - a não ser a sua própria e ridícula vontade de poder... assim, com um abraço grato e reconhecido, deixo a palavra aos que, felizmente, escrevem e se deixam ler para melhor se pensar:
JMCorreia-Pinto no Politeia
F.Seixas da Costa no Duas ou Três Coisas
Francisco Clamote no Terra de Espantos
João Rodrigues no Ladrões de Bicicletas
Miguel Abrantes no Câmara Corporativa
Ricardo Paes Mamede no Ladrões de Bicicletas
Valupi no Aspirina B
Nuno Sotto Mayor Ferrão no Crónicas do Professor...
... e, por todos nós, uma homenagem de Rodrigo Manuel no Folha Seca a todos os Bloggers que fazem dos dias... dias melhores porque mais solidários!

Líbia - um mar de violência no Mediterrâneo...

O regime de Muammar Khadafi começou hoje a ser atacado pelas forças aliadas da França, Reino Unido, Itália, Canadá e EUA (ler e ver Aqui a notícia da Euronews). A Líbia treme, entre, por um lado, o terror provocado por um ditador que ameaça e fuzila os seus opositores enquanto encena funerais de pretensas vítimas para impressionar os seus apoiantes e o próprio ocidente e, por outro lado, uma guerra que se prevê dura e sangrenta. A operação ocidental, cujo objectivo é proteger a população civil dos ataques levados a cabo pelas forças de Kadhafi, teve o apoio expresso de muitos países árabes e, apesar da atenção que a NATO está a dar à explosiva situação que deflagrou no Mediterrâneo, países como a China e a Rússia consideram a ofensiva "ingerência externa no território líbio". Entre manifestações que inicialmente se pretenderam pacíficas, a brutalidade interna do regime e a defesa de interesses petrolíferos, o Ocidente defronta Kadhafi no seu próprio território... mas, pelo meio, fica a população líbia ainda à espera de uma liberdade que tarda em chegar e deixa já um mar de sangue pelo caminho.

Felizmente... há Primavera!


... eu sei! Os tempos que correm, complexos, escusos, irritantes, dolorosos e assustadores não estão para "brincadeiras" mas hoje, ocorreu-me o título de Sttau Monteiro "Felizmente... há luar" e porque, felizmnete, há Primavera, deixem que partilhe com a criança que há em todos nós, esta doce e inofensiva lição de primavera... com votos de que sejamos capazes de vencer todas as ameaças, todos os perigos e todos os medos!

Sons com Sentido...

... de Chico Buarque, "Morte e Vida Severina" de João Cabral de Melo Neto:

e "Abril Despedaçado":

... para, ainda com Chico Buarque, ouvirmos Zizi Possi em "Pedaço de Mim":

... não sei porquê... talvez por hoje ser a Grande Lua Cheia do último decénio... talvez por anunciar o equinócio da Primavera... talvez porque, simplesmente, sim, é bom e é bonito... para ouvir... o sentir!

sábado, 19 de março de 2011

Xeque-Mate!... Não ao FMI...

José Sócrates afirmou hoje não estar disponível para governar com o FMI... fez bem! De facto, depois das esforçadas diligências levadas a cabo junto dos parceiros europeus e das instâncias comunitárias, apesar de todos os "agoiros" e de todos os ventos, contra marés e expectativas, José Sócrates afirmou a razão de ser de todas as cedências e de todas as conquistas junto de mercados anónimos que têm que ser reformulados mas por cuja reformulação a economia portuguesa não poderia esperar (ler aqui)... agora, fica nas mãos do PSD/CDS o "horror dos horrores"... e não podem acusar ninguém por isso! Afinal, foram eles que o pediram... com uma certa antecipação e precipitação, é certo... mas, têm o que merecem!... a não ser que ainda tenham a humildade justa de "recuar" e evitar o pior dos cenários para o país que é nosso e de que não são, afinal!, tão defensores como querem fazer parecer... é pena, em pleno século XXI, que a política nacional continue a seguir uma lógica que ainda não transcendeu a bilateralidade simplista do século XIX!

Eduardo Chitas, o Companheiro...


Eduardo Chitas foi um Homem que dificilmente se descreve com adjectivos... porque era um Ser Humano na mais ponderada e sensata acepção do termo. Eduardo Chitas não era um homem ambicioso, traço de personalidade rara nos dias que correm. Eduardo Chitas não queria ser famoso, não aspirava a chamar a atenção e nada fazia por isso apesar de ter as qualidades intelectuais, pedagógicas e comunicativas para tal... mas, não! Eduardo Chitas era um Homem com os pés na terra, um cidadão plenamente consciente do seu tempo histórico e das dinâmicas que o atravessam. Eduardo Chitas era comunista... e não podia deixar de o ser... porque a isso o obrigava o conhecimento, a consciência e a ética! Eduardo Chitas era um pensador tranquilo, cuja inquietação lhe era dada pela necessidade de preencher os espaços vazios de um tempo com dificuldade em se pensar a si mesmo. Eduardo Chitas era um Homem inteiro... e escolheu, além das aulas, a tradução dos textos e dos autores que sabia indispensáveis ao desenvolvimento dessa consciência humana, sem a qual continuaremos distraídos do sentido da vida. Assim se fez a sua solidariedade... da mesma matéria de que se faz a nossa saudade!

"Ces Gens La" de Jacques Brel para Eduardo Chitas


... li há pouco, em textos de Pedro Penilo e Manuel Gusmão no 5 Dias, a notícia da morte de Eduardo Chitas, Professor de Filosofia Social e Política na Universidade de Lisboa... e a morte de um Professor e de um Amigo deixa-nos sempre sem palavras... Para ele, e por tudo o que me deu no que ao conhecimento, à honestidade, à objectividade, à sinceridade e à amizade respeita, deixo, por ora, a evocação de Jean-Jacques Rousseau no "Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens" numa sua pequena citação ilustrativa: "(...) Concebo na espécie humana duas espécies de desigualdade: uma, que chamo de natural ou física, porque é estabelecida pela natureza, e que consiste na diferença das idades, da saúde, das forças do corpo e das qualidades do espírito, ou da alma; a outra, que se pode chamar de desigualdade moral ou política, porque depende de uma espécie de convenção, e que é estabelecida ou, pelo menos, autorizada pelo consentimento dos homens. Consiste esta nos diferentes privilégios de que gozam alguns com prejuízo dos outros, como ser mais ricos, mais honrados, mais poderosos do que os outros, ou mesmo fazerem-se obedecer por eles.(...)" ... e, por esse sorriso no olhar que lhe era único, deixo ainda, porque o faria sorrir, o som de Jacques Brel em "Ces Gens La..."...

sexta-feira, 18 de março de 2011

quinta-feira, 17 de março de 2011

Carvalho da Silva critica governação mas não defende eleições antecipadas

O secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, critica duramente a governação socialista mas não defende a antecipação de eleições e acredita que a mudança de políticas só será conseguida com a mobilização da sociedade.

"Os que andam ansiosos para substituir o Governo não trazem nada de acréscimo", disse Manuel Carvalho da Silva em entrevista à agência Lusa, referindo que o líder do PSD "tenta cavalgar no descontentamento da população mas assume as medidas de austeridade do Governo sem apresentar alternativas".

O PSD "está a ver se o PS lhe prepara as políticas para depois governar", afirmou.