domingo, 25 de janeiro de 2015

Da Grécia à UE - A Responsabilidade do Syriza

 
 
Hoje, na Grécia, podem votar 9 milhões de pessoas. O Syriza ocupa o primeiro lugar nas sondagens, a 6 pontos do segundo partido com maior taxa de intenção de votos. Considerado radical, o partido liderado por Alexis Tsipras, pode representar, para toda a Europa, o reacender da esperança. Hoje, Somos Todos Gregos e todos, pelo menos, em Portugal e em Espanha, gostaríamos de aí poder votar porque é incontornável e generalizada, a vontade extrema de mudança face à já insuportável política de austeridade que, sob o comando internacional do FMI, da troika e da política europeia, tem vindo, progressivamente e sem dar tréguas, a sufocar as economias em nome da extorsão de receitas cujo único objetivo é estancar a subida, imparável!, dos juros da famigerada "dívida", liquidando postos de trabalho e direitos fundamentais dos cidadãos: do emprego à saúde e da educação à habitação (para além da apropriação das casas pelos bancos, face à incapacidade das pessoas pagarem empréstimos contraídos em tempos em que tal dificuldade se não colocava, dada a existência de emprego, registe-se, por exemplo, que, na Grécia, 10% das famílias vive já sem eletricidade por ausência de capacidade financeira para pagar os consumos). Ao caos social europeu a que se somam os problemas de segurança acumulados pela dimensão da imigração, designadamente, magrebina, africana e do leste, bem como as péssimas condições de vida em que sobrevivem nos "países de chegada" (dando consistência à lógica de reprodução da pobreza) e o risco de sedução da violência e do extremismo que, face à desigualdade de oportunidades, se exerce sobre os jovens levando a que integrem e protagonizem actos atentatórios dos direitos e da vida das pessoas, a União Europeia e, em particular, os países da Europa do Sul deixaram de dar resposta! - preocupados apenas com os números de que se alimentam os organismos financeiros internacionais de anónimos rostos movidos por insaciáveis interesses accionistas e apesar do custo social que daí decorre, materializado em milhões de pessoas a viver sem trabalho e sem horizontes de esperança! Faz, por isso, todo o sentido, o aparecimento do discurso político do Syriza e, em Espanha, do Podemos, que, finalmente, emergem, anunciando a defesa de posturas políticas diferentes, valorizadoras da vida dos cidadãos e de economias sustentadas, orientadas para a produtividade e a distribuição social da riqueza, com o objetivo de devolver aos cidadãos os direitos que lhes foram usurpados e as condições de vida dignas que a suposta Europa Social garantiria. Da capacidade e competência de levar a cabo tais objetivos, no contexto das forças dominantes antagónicas que reeditaram, de forma incontestável, a luta de classes, falarão os tempos mais próximos. Hoje, os olhos estão postos na Grécia e a responsabilidade social do Syriza é, não só, nacional mas, europeia. Do seu sucesso depende, de certa forma, o nosso futuro! Por isso, hoje, mais uma vez: Somos Todos Gregos!  

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