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segunda-feira, 16 de junho de 2014

O Fim da Civilização Atual, segundo a NASA...

Um estudo da NASA (LER AQUI) prevê o fim da atual civilização, afirmando que, o mundo tal como o conhecemos, não vai durar mais que algumas décadas.
A conclusão deste estudo patrocinado pela NASA refere que a civilização industrial se está a aproximar do fim, devido à exploração não sustentável de recursos energéticos e à desigualdade económica e social.
Financiado pela NASA (LER AQUI) e divulgado pelo jornal britânico The Guardian, o estudo assegura que a atual civilização industrial está condenada a desaparecer nas próximas décadas por razões que, para os críticos observadores da dinâmica civilizacional não serão surpreendentes - surpreendente é, isso sim, o facto de ser a própria NASA a assumir o impacto social generalizado das assimetrias socio-económicas e de desenvolvimento... isto porque as razões apontadas para esta conclusão consistem no reconhecimento da existência de uma exploração não sustentável dos recursos energéticos e numa insustentável desigualdade na distribuição da riqueza. O grupo de investigadores liderados pelo matemático Safa Motesharri estudaram os fatores que levaram ao declínio das antigas civilizações e concluíram que o “processo de progresso e declínio das civilizações é, na verdade, um ciclo recorrente ao longo da história”, cita o The Guardian. Os investigadores estudaram a dinâmica homem-natureza das várias civilizações que desapareceram ao longo dos séculos e identificaram os fatores (população, clima, água, agricultura e energia) que melhor explicam o declínio civilizacional e que configuram contribuir de forma decisiva para determinar o risco do fim da atual civilização, uma vez que podem levar ao colapso civilizacional quando, ao convergirem, geram “uma exploração prolongada dos recursos energéticos” - com evidente influência no clima e no equilíbrio ecológico. Além disso, a “a estratificação económica da sociedade em elites e massa” é outro dos problemas que contribuem para o fim de um ciclo. Segundo os investigadores, estes fenómenos sociais desempenharam, ao longo dos anos, um “papel central no processo do colapso civilizacional”, constituindo-se também como fatores que vão levar a atual sociedade industrial ao fim. A título de comentário desta notícia que já tem uns meses, resta dizer que, afinal!, a capacidade humana de percepção, compreensão, adaptação e reajustamento é muito mais reduzida do que desejaríamos e que a nossa competência global de sobrevivência não revela nenhum dote eficaz para a garantir!... Aliás, se assim não fosse, como poderíamos justificar e aceitar que uma sociedade tecnologicamente desenvolvida, assente em estruturas económicas e financeiras interdependentes internacionalmente, integre, sem efetivos esforços de correção, a fome, a guerra, a violação das mulheres, os maus tratos a crianças e idosos, a violência social, a pobreza, o desemprego, a degradação do respeito pelos Direitos Humanos, a destruição dos serviços públicos de saúde, educação e proteção social ou que, por exemplo, num pequeno país europeu como Portugal, todos os dias, 80 famílias deixem de poder pagar as prestações da casa, aumentando, exponencial e potencialmente, o número de pessoas sem abrigo ou cada vez mais expostas à vulnerabilidade da exploração multifacetada da economia paralela?!

sábado, 2 de novembro de 2013

Da (I)moralidade na política...

... é exemplo crasso a proposta que legitima o financiamento público de opções por escolas privadas! Ontem, no Expresso da Meia Noite, José Castro Caldas colocou a questão com pertinência ao evidenciar que esta é uma forma de, a médio e longo prazo, permitir um tal incremento do ensino privado que serão as escolas a escolher os alunos e não o contrário - com todos os riscos associados e assumidos (desde já!) de discriminação económico-social. É, por isso, ainda mais imoral (porque demagógica, dissimuladora e manipuladora) a designação "cheque-ensino" que cativa as famílias e lhes induz lógicas de apoio à governação - quando, de facto, governar contra os cidadãos não é governar!... é, apenas, gerir interesses!...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

domingo, 25 de novembro de 2012

Da Violência Contra as Mulheres (actualização)...


Hoje, 25 de Novembro, assinala-se o "Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres", momento em que não podemos relativizar o facto de, em Portugal, só este ano, já terem sido assassinadas, até momento, 30 mulheres (ver anotação no final do texto)! No espaço doméstico e no espaço público, por razões históricas que o presente perpetua, mulheres e crianças são os mais expostos e vulneráveis ao exercício de todas as formas de violência... designadamente, porque, ao longo do tempo, foram estes os grupos sociais que menos capacidades de defesa aprenderam e vivenciaram, face ao que as dinâmicas históricas desenvolveram como grupo dominante pelo recurso à força como forma de resolução dos problemas... deste modo, como em todos os reflexos comportamentais enraizados pela cultura que os perpetua, aos olhos da opinião pública e da perceção das relações interpessoais, o problema "legitimou-se" apenas e só pela sua repetição constante - mimesis que conduziu a uma espécie de perspectiva assente numa espécie de banalização que, podemos dizê-lo!, adquiriu estatuto formal de recurso psicossocial no contexto da análise das chamadas "relações de poder". O século XX, na senda da valorização das ciências humanas e dos estudos sociais, revelou os condicionalismos subjacentes a um crime "silenciado" pelas famílias e ignorado pela sociedade e promoveu a criação de instrumentos legislativos, comunicacionais, educacionais e cívicos capazes de combater o flagelo... Contudo, ainda hoje, em pleno século XXI, a realidade continua a fazer um número elevadissimo e intolerável de vítimas, sendo previsível o seu aumento exponencial em contextos de grave crispação social e crise económica. É, por isso,  fundamental insistir na mensagem de que não podemos deixar sucumbir a voz da razão e do conhecimento subjacente ao Humanismo que, coletivamente, construimos, exigindo, cada vez mais, contundentemente, o seu reforço e a sua consolidação. Insistir nas campanhas contra a violência, promover esta consciência em todas as fases da educação, mobilizar meios de comunicação, protagonistas políticos e toda a opinião pública, mantendo atualizada a informação e promovendo a sua visibilidade como forma de "despertar consciências" para a urgente necessidade de alteração destas práticas sociais, é determinante para reduzir um fenómeno que, além de matar pessoas, causa danos invisíveis e irreversíveis em quem os vive! Neste contexto e no âmbito deste fim-de-semana dedicado à luta contra a violência contra as mulheres (vejam-se os 3 posts anteriores que aqui reproduzem os esforços nacionais nesse sentido), em que se integra, de forma transversal, a problemática da violência contra as crianças e os idosos - porque em todos os grupos sociais, a maior parte das vítimas são mulheres, vale a pensa ler a entrevista (lamentavelmente, apenas disponível em língua inglesa) da socióloga Sylvia Walby.
Anotação: as estatísticas variam em função de inúmeros factores que vão do tempo de recolha às fontes; por isso, atendendo à atualização que vai sendo divulgada, vale a pena referir a informação da UMAR que indica 49 tentativas de homicídio e 36 crimes consumados - ver AQUI... já agora, a propósito de actualizações, ler também a informação que se divulga AQUI)...
(registe-se que a entrevista chegou via Sara Falcão Casaca e a imagem via Paula Brito, no Facebook)     


sexta-feira, 31 de agosto de 2012

António Hespanha - do preço da opinião?!...

"Quinta-feira, 30 de Agosto de 2012

Deixei de ser docente da UAL
Para os meus ex-alunos de 2011-2012 na Universidade Autónoma de Lisboa (UAL)
Deixei de ser professor da UAL. Inesperadamente e pela calada das férias, a direção mandou-me dizer, por carta de entreposta pessoa, que punha fim à minha colaboração. As justificações apresentadas são fantasiosas e vazias, pelo que é seguro que há outras, porventura relacionadas com uma brevíssima crítica que formulei, num “Prós e contras” em que se comparava a qualidade dos setores público e privado. A propósito, referi a falta de uma política de investimento científico e académico do ensino superior privado em geral (nem sequer referi a UAL) e a consequente dependência em que isso o coloca perante o ensino público. Esta opinião é, de resto, favorável à real autonomia e a um desenvolvimento correto e sustentado das universidades privadas, como hoje está patente, pela positiva – veja-se o caso da Universidade Católica - e pela negativa. De há muito que legitimamente a tenho e a exprimo. E, nos anos em que trabalhei na UAL (mais de dez), muitos esforços fiz: para trazer à Universidade pessoas que a prestigiassem; para dar ao meu ensino a melhor qualidade possível, para o inovar; para me ocupar pessoalmente (e não por intermédio de assistentes ou de colaboradores) das tarefas de ensino e de avaliação; para promover um contacto direto dom os alunos, por meio de blogues ((http://amh-hespanhol.blogspot.pt/; para o ano que vem, já tinha on line, há mais de um mês, blogs relativos às novas disciplinas, com programas e calendários: http://ua-hi-2013.blogspot.pt/, http://ua-2013-te.blogspot.pt/). De modo a que nunca se pudesse dizer que fazia ali um ensino de segunda, em relação ao que fazia na Universidade pública. Colegas e alunos reconheceram isso e disso me deram testemunhos frequentes.
Enfim, nada disto contou, perante a vontade de quem – por razões que ignoro ou prefiro ignorar – não me queria na UAL. Sei que este desfecho foi promovido apenas por alguns, que conseguiram levar avante a sua decisão. Não envolvo, por isso, nele, nem toda a direção, nem os restantes órgãos da Universidade, nem os meus Colegas de Departamentos, nem os funcionários, nem os estudantes. Creio bem que muitos destes se sentirão muito incómodos por isto acontecer, ainda que – por razões que se compreenderão – se mantenham discretos. Em algumas instituições da nossa vida pública e privada, vai sendo muito penalizador dizer-se o que se pensa, mesmo em instituições em que a verdade e a liberdade deviam estar antes de tudo, como é o caso das Universidades.
Pode ser que nos encontremos em outros lugares e que possamos retomar diálogos proveitosos e de boa memória
Abraços amigos."

O texto, da autoria do próprio Professor António Hespanha, foi publicado AQUI (ler também AQUI)

terça-feira, 31 de julho de 2012

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Mandela, Património da Humanidade...


... celebra-se aqui a voz eterna e quente de Miriam Makeba para assinalar o 94º aniversário de Nelson Mandela, o libertador cuja vida de experiência feita, numa luta sem tréguas, acendeu o sorriso com que se rasgou o apartheid na África do Sul... Parabéns, Presidente!... e... Obrigado!... por todos nós!

domingo, 10 de junho de 2012

Sampaio da Nóvoa, o Discurso de Portugal...

O discurso do Professor Sampaio da Nóvoa, Reitor da Universidade de Lisboa, na cerimónia de celebração do 10 de Junho, protagonizou a verdade de um sentir colectivo, corajosamente assumido - talvez de forma imprevista mas, inequivocamente!, gratificante para todos nós. Centrado nas dificuldades económico-sociais do país, o discurso de Sampaio da Nóvoa referiu-se abertamente a todas as "chagas" que ardem, abertas, no coração das pessoas e no país que somos - para além da ilusória, fastidiante e alienatória invocação dessa figura fantasmagórica com que, internacionalmente, se presume poder prender os povos ao medo... Sampaio da Nóvoa falou da liberdade, da igualdade, do mérito e do conhecimento... falou do colectivo, da fome, da emigração, do desemprego, da autonomia e da falta dela... falou da falta de organização estrutural de um país que se rende ao exterior por não apostar na cultura, no ensino e na ciência com que se poderia estruturar internamente, de modo a resistir às dependências a que o desinvestimento endógeno conduziu... Citando Teixeira de Pascoaes, Antero de Quental, Sofia de Mello Breyner Andersen e Zeca Afonso, Sampaio da Nóvoa, num discurso que é, de facto!, sinónimo da essência da Política, acordou o país para o Abril que somos e temos o direito de querer continuar a ser! Obrigado, Professor António Sampaio da Nóvoa! Muito, muito obrigado!

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Da Violência Escolar aos Mercados...



Segundo o Observatório de Segurança em Meio Escolar (OSME), registaram-se 1121 casos de alegada violência escolar, a maior parte dos quais decorre de agressões verbais, ofensivas e lesivas da dignidade, da auto-estima e do bom nome a que têm direito não só os mais velhos mas, também, os mais jovens. Preocupante, o fenómeno assenta na problemática mais alargada da violência social sobre a qual deve, efectivamente, incidir a reflexão social, comunitária e institucional. Na verdade, o que actualmente se dramatiza em nome da "violência escolar", inscreve-se no contexto de um sem-número de outras manifestações correntes na vida quotidiana das sociedades, a que as gerações mais jovens não podem, de forma alguma, escapar. É o caso da violência no namoro, do bulling, do cyberbulling ou dos extraordinariamente violentos jogos de computador massivamente disseminados entre crianças e jovens, cujo acesso deveria ser, senão bloqueado, pelo menos, triplamente controlado pela legislação comercial, pela responsabilidade social das empresas e pelas famílias. Neste sentido, a violência que se verifica em meio escolar contra professores, funcionários e colegas, deveria ser perspectivada com a seriedade que merece e não com a demagogia sensacionalista que lhe dá visibilidade... porque enquanto as relações humanas se desenvolverem em sociedades marcadas pelas desigualdades, onde o recurso à violência se sobrepõe à comunicação e ao diálogo e os interesses do mercado têm proteção legislativa no que respeita à sua total liberalização, secundarizando sistematicamente as questões sociais, continuará a existir espaço para o agravamento da violência e para a demagogia desculpabilizadora das políticas que apenas garante a continuidade dos problemas (cada vez mais complexos, dada a sofisticação e a diversidade tecnológica dos instrumentos de lazer) e a completa ineficácia de uma sua alegada prevenção. (ler aqui,aqui, aqui, e aqui)

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Acrescentar Um Conto... para Fazer História...


Na rubrica "Grande Reportagem" da SIC, foi apresentado um trabalho que divulga uma boa prática escolar, capaz de fazer jus ao que de melhor exigimos à educação. Apelando à criatividade, uma Professora de Português, no norte do país, levou à prática uma estratégia de motivação à leitura que concilia eficácia instrutiva e educativa, ao ponto de ter contribuido para envolver não só a comunidade escolar de que partiu mas, toda a comunidade social envolvente. Através da leitura de contos, cuja dimensão e síntese narrativa permitem a adesão das crianças à leitura, a estratégia "Acrescenta um Conto", levou a literatura às famílias, desenvolveu e reforçou laços afectivos entre pais e filhos e promoveu relações intergeracionais notáveis. Com uma simplicidade brilhante, a ideia que nasceu da necessidade de ajudar as crianças a ler mais e melhor, denota uma quantidade assinalável de funções didáctico-pedagógicas educacionais - razão pela qual, com humildade e orgulho, deveria ser adoptada por todo o país!

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O Mapa da Memória...

O Governo espanhol disponibilizou online um mapa de localização de valas comuns e outros lugares de enterramento onde foram encontrados corpos das vítimas do franquismo. Além da importância e do significado deste sítio intitulado Memória Histórica, capaz de materializar a visibilidade da dimensão da tragédia, o espaço oficial criado permite aos familiares das vítimas o acesso aos procedimentos de exumação dos corpos e outra informação relevante para o estudo e o conhecimento da História contemporânea (Ler e Ver AQUI).

sábado, 12 de março de 2011

12 de Março - O Protesto de uma Geração à Rasca


São tempos difíceis... para todos e em particular para os jovens adultos que seguiram as indicações da necessidade de qualificação, num país cujo nível de impreparação técnica considerou esse esforço fora do comum e meritório. O facto justifica, por si só, a maior indignação de todos porque a sociedade portuguesa investiu, familiar e politicamente, na formação dos mais novos que, hoje, a partir dos 25 anos, se confronta com um mercado de trabalho sem ofertas e sem expectativas. Daí ao drama da sobrevivência individual e à discussão sobre o modo de organização de uma sociedade sem emprego é um pequeno passo cuja discussão, sucessivamente adiada, os seus protagonistas e vítimas não podem mais silenciar. Faz sentido a pronúncia e é importante o alerta massivo, na rua, dirigido a uma União Europeia que ainda nem sequer consegue enfrentar o problema, ocupada como está na regulação da convergência financeira dos 27 e, agora, no enfrentar da crise das chamadas "dívidas soberanas" que fazem eclodir crises políticas internas, sem contudo resolverem e atacarem as causas englobantes e enquadradoras do problema. A manifestação "Geração à Rasca" marcada para hoje, é a expressão dos efeitos do desemprego e da precariedade e traz o rosto dos jovens adultos qualificados... convocada civicamente sob um lema que pretendeu demonstrar a sua boa-fé e a sua razão: "laica, apartidária e pacífica", o movimento que lhe deu origem ficou exposto à interferência manipulatória de grupos partidários e outros que podem desvirtuar a sua intenção originária e a sua fundamentação. É pena. Os movimentos cívicos e pacíficos que expressam o sentir colectivo e evidenciam a liberdade de expressão são essenciais à democracia. Esperemos que a "Geração à Rasca" resista às manipulações partidárias, saiba fazer ouvir a sua voz com a dignidade da justeza das suas razões e que a manifestação decorra pacificamente... pela razão que a todos assiste e pela Democracia!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Reflexão sobre a Igualdade... Somos, de facto!, Iguais?


Ontem, 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, no Reino Unido, o actor Daniel Craig, conhecido pelos seus desempenhos como James Bond, prestou um serviço inestimável à causa da igualdade sexual entre homens e mulheres. Revelando algumas das mais evidentes e universais razões da desigualdade, Daniel Craig, deu voz e corpo às perguntas que evidenciam a profunda discriminação sexual em que ainda vivemos, perguntas perante as quais é inevitável compreender a justificação, a pertinência e a justiça deste combate cívico, económico, político e cultural em que todos somos chamados a participar.

terça-feira, 8 de março de 2011

8 de Março - Dia Internacional da(s) Mulher(es)

Hoje, 8 de Março, a evocação de Grandes Mulheres cujas vidas e obras marcaram na Ciência, na Intervenção Social, na Pintura, na Música, no Cinema, na Política, na Literatura e na Dança, os últimos 120 anos: Marie Curie, Frida Kahlo, Sarah Chang, Hilary Swank, Dilma Rousseff, Simone de Beauvoir e Pina Bausch.

























segunda-feira, 7 de março de 2011

Reportagem sobre Um País Triste à Espera de Atenção, Competência... e Carinho


Hoje, na TVI, a Reportagem que acompanha a edição do noticiário das 20h, tinha como tema o Analfabetismo. Entrevistados, jovens e adultos, residentes em Reguengos de Monsaraz, Óbidos e mais a norte, deram testemunho inequívoco do drama de não saber ler e escrever em pleno século XXI... uns, com menos de 50 anos de idade, voltaram à escola, cientes da marginalização a que ficam expostos pelas condicionantes da vida, determinados a aproveitar a oportunidade que a falta de trabalho lhes proporciona... alguns, lutando por sonhos e persistindo numa escolaridade até há pouco improvável (como alguns dos jovens e das jovens de etnia cigana que aqui deixaram testemunho) e outros, com 15 anos, sem saberem reconhecer uma letra, completamente destituídos de competências cívicas consideradas mínimas nos tempos que correm, assumindo já não acreditar em sonhos ou no futuro... concentrando-nos nos testemunhos dos mais jovens, a reportagem deu-nos a conhecer os pais de alguns destes jovens, uns, perplexos mas intimamente orgulhosos dos esforços dos filhos e outros, profundamente tristes, porque a vida lhes não permitiu ajudar os filhos a ter sucesso na escola... E se é verdade que 1 em cada 100 cidadãos portugueses não sabe ler nem escrever, efectivamente assustador é o facto de termos assistido ao testemunho de uma professora que defende um sistema educativo que permitiu a uma criança de 15 anos que não reconhece uma única letra e assume não saber ler nem escrever (a não ser copiar o seu próprio nome) estar oficialmente inscrito no 8º ano de escolaridade... dizia a dita "professora" que o miúdo falta menos às aulas do que no passado e que a sua integração no 8º ano se deve ao factor de "integração social" a que a escola deve atender!!!... entretanto, o jovem de 15 anos que não sabe ler nem escrever, afirma faltar 5 ou 6 vezes por semana à escola por a considerar inútil e dela não gostar... e o Marco, na sua honestidade, disse mais... disse, por exemplo, desconhecer a razão pela qual se encontra no 8º ano: "não sei... passaram-me!"... O total desrespeito pelas competências humanas e pelas pessoas ficou assim institucionalizado em nome... da ignorância e das estatísticas!? Quanto à reportagem, excelente!, é de autoria de Ana Leal, com imagem de Gonçalo Prego, montagem de João Pedro Ferreira e grafismo de R. Rodrigues. Não os conheço... mas, agradeço... pelo revelar da verdade do país que, de facto!, ainda somos!... um país que continua à espera de atenção, competência e... carinho! Porque só quando se ama um país se pode agir com seriedade e não permitir que existam crianças de 15 anos sem saber ler nem escrever... na Europa... em pleno século XXI.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Zapatero, o exemplo da elevação democrática!

Será a Europa capaz de manter o rumo democrático, humanista, defensor dos Direitos Humanos, da Liberdade, da Igualdade de Oportunidades e do Respeito pela Diversidade, apesar de todas as crises? O mundo em que vivemos será, de facto, um mundo mais justo, mais igual, mais solidário e menos etnocêntrico do que o foi até aqui? Sim!... é possível e nós podemos demonstrá-lo - ou, como diria, nos EUA, o Presidente Barack Obama: "Yes, We Can!"... A prova maior foi assumida e protagonizada por Jose Luis Zapatero, o primeiro líder político europeu a visitar a Tunísia e a oferecer apoio financeiro à transição democrática dos nossos vizinhos tunisinos! O carisma político da democracia ganhou hoje um rosto: é espanhol, Primeiro-Ministro, socialista, inteligente e oferece à Europa um exemplo que todos deverão ter a dignidade de honrar e seguir! Obrigado, Jose Luis Zapatero, por seres, de facto, o bom vizinho e o bom amigo!... O mundo contigo é melhor, mais honesto, mais seguro e mais digno! (ler Aqui e Aqui)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Das Diplomacias aos Valores do Futuro...

A diplomacia e a imagem externa é, em política, um dos rostos da credibilidade dos países... por isso, está de parabéns o corpo diplomático líbio que se demitiu das suas funções internacionais em solidariedade com o povo do seu país, expressando a autenticidade da condenação ao governo de M.Kadhafi. Já, por cá, as notícias trazidas a público pelo Expresso sobre a imagem do Ministério da Defesa de quem a diplomacia norte-americana disse ter gosto por "brinquedos caros" dá do nosso país uma imagem pouco dignificante... a este propósito é de registar, mais uma vez, a importância da transparência democrática da informação de que a WikiLeaks foi o mais importante instrumento dos últimos anos (ver aqui). Num momento em que a mudança política dá, por todo o mundo, sinais que os governos e as classes políticas não podem continuar a ignorar e a minimizar, vale a pena perceber que, de facto, os valores do combate à pobreza, à corrupção, ao tráfico de influências e da luta pela liberdade, a democracia e a igualdade de oportunidades são, indiscutivelmente, o preço da paz e a condição do futuro de uma Humanidade que reconhecemos igual em direitos e dignidade.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Da complexidade da política... notícias da Líbia


Primeiro, ainda ontem!, veio "a lume" a notícia de que a Al-Qaeda apoiava a revolta líbia... suspeitei!... Suspeitei da licitude do anúncio e ocorreu-em que, na diplomacia, seja ela institucional e transparente ou informal e "negra", informação e contra-informação caminham de "mãos dadas", ao ponto de se confundirem e, com o tempo, se poder até tornar indistinto para a História, o caminho traçado por cada perspectiva... por isso, quando hoje, o Coronel Khadafi veio dizer que a Al-Qaeda apoia os manifestantes, reforcei a suspeita... Contudo, o facto é que a falta de clareza das situações políticas e sociais, em contextos onde a transparência informativa é difícil, permite a contra-informação e a dupla estratégia de exercício do controle político - o que, diga-se em abono da verdade, somado ao oportunismo (arma de recurso comum no chamado "mundo da política", institucional ou não!) dos grupos fundamentalistas que tentam conquistar adeptos, torna mais complexa a interpretação dos sinais não só para o exterior mas, até para os próprios, podendo chegar ao ponto de os desmobilizar ao fomentar a confusão entre a emergência de uma manifestação espontânea dos cidadãos e os medos reais suscitados pela ameaça de mais e mais terror. Esperemos que os povos tenham activo o discernimento e a capacidade de não perder a oportunidade de ganhar a batalha da Liberdade em que faz falta a presença de muitas mais Mulheres!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Contra os Massacres de Tripoli - Um Canto para o Povo Líbio!


... o povo líbio saiu à rua, seguindo a onda de vontade e de coragem que percorreu os cidadãos, do Magreb ao Irão, contra a ditatura dos estados policiais, contra as condições de vida, a pobreza e a falta de liberdade a que sujeitam, há décadas!, as pessoas, privando-as do direito a uma existência com Direitos! Um grito pela Democracia, pelos Direitos Humanos, pelos Direitos das Mulheres, pelos Direitos das Crianças e pelos Direitos ao Emprego e à Liberdade de Expressão que agora, em Tripoli, pretendem calar com a força brutal das armas e o medo da morte! Por isso, pela coragem e a resistência dos jovens, dos homens e das mulheres que, na Líbia, também acreditam que um mundo melhor, mais justo, mais igual e mais livre é possível, fica a extraordinária energia deste "Por el Camino de Ronda" tocado de forma inconfundível pelo grande Manitas de Plata.