sábado, 3 de setembro de 2011

Da Sede de Mar...

... Agosto foi um mês estranho... com chuva, frio e um ritmo de trabalho inesperado e desgastante... Setembro começou com a nitidez dos girassóis e, agora, vou, por uns dias, recolher ao mar... com o recado da lucidez nos olhos e no coração, esses estranhos lugares onde se acende a alegria e faz sentido a poesia...

"O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...

Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo.
Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar. "

(Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos", 8-3-1914)

6 comentários:

  1. Cara Ana Paula Fitas
    Acabo de regressar de férias e, sem dúvida, o mar acompanha-me antes e depois...embora este Verão tenho sido tão incerto do ponto de vista climatérico, como altamente trepidante politicamente...quer na cena nacional quer internacional...
    Desejo-lhe umas boas férias, relaxantes q.b., muito revigorantes e assaz repletas de coisinhas boas como tão bem merece...
    Um grande abraço amigo e feliz :)
    Ana Brito

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  2. Não há dúvida que é um belo poema...para começar Setembro!
    Abraço
    JMCP

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  3. Com a música de Caymmi, ondulada pela poesia de Pessoa, o mar há-de beijar a terra onde sentirá sonhos e a serenidade da alma. Sempre olhando o mar, o mar imenso que, num vai e vem, nos fala do mundo. Deste mundo que a Ana Paula abraça e deslaça com imensa generosidade.
    Que haja muito mar tranquilo, a desfazer-se em suaves marés.
    Bom mar!!!
    Com amizade,
    Carlos Fonseca

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  4. Para a Ana Brito, o Fernando Cardoso, o JMCorreia Pinto, o Carlos Barbosa de Oliveira e o Carlos Fonseca...
    ... obrigado, meus amigos! Obrigado pelas boas, belas, gratificantes e cúmplices palavras que aqui registam... guardo-as com inestimável alegria, num tempo em que o cansaço nos aproxima do desalento e se procura, na certeza do reencontro, no mar, a força que permanece acesa para se não deixar de persistir... com um "belo poema", matarei a sede e haverá "muito mar tranquilo" para retemperar as energias necessárias ao nosso eterno continuar!...
    Um grande, imenso e sentido abraço!
    Bem-hajam... e até já :))

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