terça-feira, 12 de junho de 2012

Galopim de Carvalho - Um Olhar Essencial...

É, para mim, uma Honra transcrever aqui este texto da autoria do Professor Doutor Galopim de Carvalho, publicado no blogue "Sopas de Pedra"... O Professor Galopim de Carvalho é espelho do melhor da Razão e da Alma Portuguesa... Cientista, Escritor e Cidadão de Primeirissima Água a quem agradeço a autorização da partilha e a quem aproveito para prestar a minha sincera Homenagem, expressando a maior Admiração pela sua Obra e a sua Vida... pela Ciência, pela Arte e pela persistência no Sonho e na Luta por um Mundo Melhor para Todos: Bem-Haja, Professor! 

" 50 ANOS DEPOIS


COMPLETARAM-SE no passado mês de Maio cinquenta anos sobre a conquista das oito horas de trabalho diário pelos camponeses do Alentejo e do Ribatejo. Foi em 1962, doze anos antes da queda do regime de Salazar e Caetano e representou uma vitória com significado sociológico e político bem destacado na luta que, também noutros sectores, se travava contra a ditadura. Os nossos filhos não a conhecem nem as duras condições de trabalho e de vida que se viveram nos campos destas duas províncias.
Quando, no final dito mês de Maio de há precisamente meio século, fui informado deste feito, eu estava de partida para França, como bolseiro do então Instituto de Alta Cultura, a fim de estagiar no Museu Nacional de História Natural de Paris. Tinha terminado o meu curso no ano anterior e ficara na Faculdade como Assistente da cadeira de Mineralogia e Geologia.
Acontece que, como já tenho escrito, sendo um rapaz urbano pelo nascimento e pela criação, em Évora, convivi e fiz amigos entre os camponeses de uma larga cintura em redor da cidade. Foi durante a minha adolescência, na segunda metade dos anos 40, nas aldeias e nos campos onde, com o meu irmão Mário e dois ou três colegas de liceu, montávamos tenda ao sabor de um campismo rudimentar e selvagem que era possível fazer nesse tempo. Com uma ou duas tendas de tipo canadiana e algum material que requisitávamos na Casa da Mocidade (expressão pela qual designávamos a sede da Ala de Évora, da organização juvenil do Estado Novo, Mocidade Portuguesa) e tudo o mais que a mãe nos emprestava, este contacto com a natureza (ainda muito pouco degradada pelo “progresso”) e o convívio muito estreito com estes meus conterrâneos, vacinaram-me contra um certo elitismo que ainda existe nos meios intelectuais da sociedade portuguesa.
Foi através de um destes meus amigos que tomei conhecimento do feito que marcou o fim de uma das fases mais dolorosas da vida de um povo em luta por melhores dias. Filho de gente pobre, porqueiro em criança e adolescente, assalariado rural para todo o serviço, em homem pai de filhos, o Ludgero, que eu desconhecia ser militante comunista na clandestinidade, relatou-me o essencial desta luta vitoriosa, despontada no litoral alentejano.
- No princípio deste mês, - começou ele por dizer – os trabalhadores agrícolas, entre homens e mulheres de Grândola, de Alcácer e da Herdade da Palma conquistaram o direito às 8 horas de trabalho. Esta conquista estendeu-se, num foguete, a todo o Alentejo e a todo o Ribatejo.
- E tu estiveste nessa luta, claro?
- Está-se mesmo a ver que estive! Nem podia deixar de estar. Eu e muitos milhares de trabalhadores. As oito horas de trabalho já tinham sido conquistadas nas fábricas. – Continuou ele. - Foi em 1919, durante a Primeira República. Essa conquista só agora chegou aos trabalhadores do campo. Foi a recompensa de uma luta organizada do nosso povo contra os agrários. Uma luta que vinha desde os anos em que a gente, os dois, se conheceu, lá no monte, andava eu mais o Faísca a correr atrás dos bácoros.
Francamente interessado naquela conversa, adiantei: - Eu sei que o horário dos assalariados rurais era de “sol a sol”.
- Diz-se do nascer ao pôr-do-sol, mas era mais do que isso. Era escravizante. – Acrescentou o Ludgero. - Para muitos destes homens e mulheres, os dias começavam mais cedo, bem antes do nascer do sol, e acabavam mais tarde, já noite cerrada. Tinham de andar a pé, uma ou duas horas, até chegarem ao trabalho e fazer a mesma caminhada, de volta a casa. Para a ceia, as mais das vezes, comiam e há muitos que ainda comem uma açorda de poejos ou um gaspacho envinagrado tão magrinhos de azeite e sem conduto, quase só pão e água.
- E quando não havia trabalho, não havia pão. - Retomei a palavra, com o propósito de dar continuidade àquele desabafo do meu amigo.
- Quando não havia e quando não há! Ainda hoje há ocasiões em que não temos trabalho. Foram e, às vezes, ainda são “barrigadas de fome”que só a gente é que sabe. Os fiados na venda da aldeia são muitos e o pessoal nem sempre tem dinheiro para os pagar. Conheço alguns que chegam ao ponto de ir à cidade pedir com que dar de comer à família. Outros caçam coelhos ou lebres, o que calha, mesmo no defeso. Não importa. A gente arrisca-se. E quem não tem espingarda, caça à má fila, com cajado. Fazemos o que for preciso para arranjar pão para os filhos. Tudo menos roubar! – Frisou. - Os salários são de miséria e é quando os há. Somos mão-de-obra barata e sem direitos, sujeitos à exploração dos grandes senhores da terra. E os governantes estão do lado deles. Todos! -Reforçou – E não são só os de Lisboa. Os Governadores Civis e os Presidentes das Câmara estão do mesmo lado. São escolhidos a dedo.
- Esses são homens da confiança do Governo de Lisboa. – Disse eu, que bem conhecia a repressão do sistema. - Se pisarem o risco, o melhor que lhes pode acontecer é perderem o tacho.
- A mais pequena palavra ou atitude reivindicativa –continuou o Ludgero - é logo atalhada pela GNR ou pela PIDE. Os bufos andam por todo o lado. Muitos camaradas são presos, espancados, torturados e alguns deles assassinados.
- Lembro-me perfeitamente da morte do Germano Vidigal. –Acrescentei. – Falava-se nisso à boca pequena, era eu rapaz. Foi em 1945, no posto da GNR de Montemor-o-Novo, e lembro me da morte de um outro, já me esqueci do nome, de Vila Viçosa, pouco tempo depois.
- Era o Patuleia. – Disse, de imediato, o meu interlocutor.- Foi assassinado em 1947, na sede da PIDE, em Lisboa. Mas houve mais. E foram muitos os que passaram e ainda passam pelas prisões destes malvados, em Caxias, no Aljube e em Peniche.
Pela boca deste e de outros meus amigos do mundo rural alentejano eu tinha conhecimento, ainda que em linhas gerais, da luta deste povo, durante as cerca de duas décadas que antecederam aquele Maio de 1962. Privados de direitos sindicais, desenvolveram uma organização unitária clandestina abrangendo, em especial, o Ribatejo e o Alentejo e que aparecia à luz do dia por ocasião das ceifas e debulhas, tiradas de cortiça, fabrico do carvão, mondas, apanha da azeitona e outros trabalhos mais importantes.
Por duas ou três vezes que acampei numa das herdades dos arredores, deram-me a ler textos do Avante e de O Camponês. Eram folhinhas de circulação clandestina, dobradas, com sinais evidentes de passarem de mão em mão. Não as traziam no bolso, escondiam-nas em locais combinados que tanto podia ser entre duas pedras de um muro em ruínas ou um buraco no tronco de uma velha oliveira, e passavam palavra. Ouvi-os falar de “comissões de rancho”, “comissões de herdade” e da chamada “praça de jorna”, locais das aldeias ou dos montes onde se reuniam para tratarem colectivamente dos salários e de outras reivindicações e das respostas a dar aos patrões, algumas vezes, na presença intimidatória da Guarda Republicana.
- A última vez que falámos com o patrão – continuou o Ludgero - para pedir mais dez tostões por jorna, dizendo que mal ganhávamos para comer, a resposta do malvado sem coração foi: «Comam palha!». O Ti’Cristóvão, que estava ao meu lado, repentista já idoso e respeitado por todos, não se conteve e respondeu, na hora: «Quando a gente comer palha, vossemecê come navalha!». No outro dia, manhãzinha cedo, foi levado para o posto da Guarda e dali para a cidade. Depois foi aquilo que a gente sabe: interrogatórios e maus-tratos, até que o mandaram embora. Mas não denunciou ninguém."
A.M. Galopim de Carvalho no "Sopas de Pedra"

Diagnósticos... imprevistos...


domingo, 10 de junho de 2012

António Nóvoa, Voz de Portugal (discurso integral)


... com um agradecimento sincero à generosidade de João Tilly que nos permite aceder ao discurso do Professor António Nóvoa e ao Rogério Pereira que teve o papel de mensageiro ao partilhar o link deste vídeo, eis aqui o discurso que hoje deu Voz a Portugal, no dia 10 de Junho... num país mergulhado nesta espécie de silêncio ácido, triste e envolvido no que ontem aqui sintetizei, o discurso do Professor Sampaio da Nóvoa representa um sinal da justeza lúcida que representa a resistência que é, nos dias que correm, incontornável (justificando o que, esta manhã escrevi aqui). Vale a pena ouvir... um discurso político sério e sábio, justo, humano e corajoso!... e porque A Poesia voltará à Rua, mais uma vez: Bem-haja, Professor!

Sampaio da Nóvoa, o Discurso de Portugal...

O discurso do Professor Sampaio da Nóvoa, Reitor da Universidade de Lisboa, na cerimónia de celebração do 10 de Junho, protagonizou a verdade de um sentir colectivo, corajosamente assumido - talvez de forma imprevista mas, inequivocamente!, gratificante para todos nós. Centrado nas dificuldades económico-sociais do país, o discurso de Sampaio da Nóvoa referiu-se abertamente a todas as "chagas" que ardem, abertas, no coração das pessoas e no país que somos - para além da ilusória, fastidiante e alienatória invocação dessa figura fantasmagórica com que, internacionalmente, se presume poder prender os povos ao medo... Sampaio da Nóvoa falou da liberdade, da igualdade, do mérito e do conhecimento... falou do colectivo, da fome, da emigração, do desemprego, da autonomia e da falta dela... falou da falta de organização estrutural de um país que se rende ao exterior por não apostar na cultura, no ensino e na ciência com que se poderia estruturar internamente, de modo a resistir às dependências a que o desinvestimento endógeno conduziu... Citando Teixeira de Pascoaes, Antero de Quental, Sofia de Mello Breyner Andersen e Zeca Afonso, Sampaio da Nóvoa, num discurso que é, de facto!, sinónimo da essência da Política, acordou o país para o Abril que somos e temos o direito de querer continuar a ser! Obrigado, Professor António Sampaio da Nóvoa! Muito, muito obrigado!

sábado, 9 de junho de 2012

10 de Junho - Canto Chão...


... "Rosa Branca Desmaiada", pelos "Canto Chão"... (via Silvina Miranda no Facebook)

Espanha - O Selo Oficial da Crise...



Depois da Espanha ter recorrido à "ajuda" internacional e do descalabro da economia europeia continuar na senda do desemprego, torna-se verdadeiramente "suspeita" a razão que justifica a persistência no, cada vez mais!, abusivo recurso às alegadas "medidas de austeridade"... a megalomania autoritária do poder germânico vai conduzir os povos da Europa a uma situação de que não será fácil sair... cada vez menos!... contudo, as soluções à vista, apontadas por tantas e tantas avisadas e desinteressadas vozes, no sentido de se aumentar o investimento e promover o emprego, continuam a ser ignoradas e ludibriadas por pequenos "remendos" que se limitam, de forma dissimulada, a agravar a realidade... provavelmente, porque compromissos "de outra ordem" requerem uma miséria extrema e colectiva, para garantir o baixo custo de uma mão-de-obra que se quer alienada e escravizada, em nome da sobrevivência!... a "tradicional" lógica da gestão política, defensora do neoliberalismo e subordinada à ditadura dos mercados-sem-rosto, foi sempre, tendencialmente, o maior inimigo do interesse público... Hoje, essa tendência é inequívoca e assumida!... até um dia!... até ao dia em que os povos se levantarão em peso, nas ruas, contra a insustentabilidade que os poderes vão considerando "controlada"... nessa altura, infeliz mas justamente, ficaremos todos a perder - ainda mais!... porque, juntas, fome e descrença, irão optar, de forma cega, pelas soluções radicais que, ao longo dos tempos, criaram conjunturas cumulativa e sucessivamente cristalizadas, em estruturas que chegaram à destruição civilizacional... ou talvez não!... e enquanto aguardamos as respostas que só a História guarda no enigma do futuro, está nas mãos dos cidadãos, a resistência com a qual se invertem as dinâmicas de um futuro anunciado...       

Da Autonomia das Escolas...

Do blogue "A Educação do Meu Umbigo" de Paulo Guinote (a quem aproveito para agradecer a partilha), transcrevo o texto que põe o "dedo na ferida" - da autoria de José Calçada, pensador que dispensa apresentações e que muito prezo: 

"Autonomia das escolas — o que é isso?

No presente momento concreto, quando se fala de “autonomia” das escolas, de que é que estamos realmente a falar? A pergunta é legítima, na exacta medida em que é fundamental distinguirmos as palavras dos actos. À primeira vista, não há ninguém — ou quase ninguém, como adiante se verá — que discorde da autonomia, o que, dados os diferentes modos de encarar a escola, não deixa de ser estranho. Estamos perante um suspeito unanimismo, que não é fácil de romper.
Este (aparente) unanimismo só é possível porque, usando todos a mesma palavra, esta encerra no entanto conceitos diferentes e até antagónicos. Para a generalidade dos professores e das escolas, autonomia significa a possibilidade de se verem libertos da teia burocrática e centralizadora do MEC, onde cada passo, mesmo o mais ínfimo, tem de ser superiormente requerido e autorizado. Ou seja, a autonomia é conceptualizada pela negativa. “Eis do que nos queremos ver livres” — mas para fazer o quê?, para nos afirmarmos como? Mas o MEC, pelos vistos, também adora a autonomia, enche a boca com ela todos os dias. Então, se assim é, o que é que para o MEC significa a autonomia? Pela sua prática quotidiana, o MEC “autonomiza” as escolas, não libertando-as, mas libertando-se delas, “autonomizando-se”, ele, Ministério, em relação a elas — e não sem antes as mergulhar num colete-de-forças de onde dificilmente sairão. As escolas gozam de autonomia, sim — mas só depois dos cortes orçamentais decididos pelo “quarteto troika+Nuno Crato”, mas só depois do despedimento de milhares de professores, mas só depois da imposição dos megagigaagrupamentos desumanizantes e pedagogicamente ingovernáveis, mas só depois do aumento do número de alunos por turma, mas só depois do desastre para que foi empurrada a educação especial, mas só depois do presente envenenado da nomeação dos instrutores dos processos disciplinares pelos directores, que coloca professores contra professores, etc, etc …
Não há autonomia que resista a tais condicionantes — e o MEC sabe-o perfeitamente. Desprezando em absoluto a educação e o ensino como uma das funções essenciais do Estado, consagrada na Constituição da República, o MEC autonomiza as escolas, autonomizando-se delas, atirando-as para cima de uma coisa difusa a que pomposamente chama “comunidade educativa” e, mais tarde ou mais cedo, para cima dos municípios, num processo que já se iniciou — como se a nossa história fosse a da Noruega ou da Finlândia! Quando é que as pessoas começam a compreender que, neste quadro de autonomia, não é a escola que se liberta do Ministério, fortalecendo-se, mas são o Ministério e o Estado que tudo farão para se libertarem inconstitucionalmente da escola, enfraquecendo-a?
Aliás, a pretexto da autonomia, o papel da escola tem vindo a ser “reforçado” — dizem — com a atribuição de funções que ela não está nem tem de estar estar em condições de exercer. Na televisão fala-se da sida e da sexualidade, e logo aparece alguém, cheio de boa vontade, a reclamar para a escola um papel determinante na solução do problema; mas logo um outro fala da sinistralidade rodoviária, e a escola lá surge como tábua de salvação; e um terceiro lembra-se da tragédia da obesidade nos nossos jovens, e entende logo que a escola não pode passar à margem do problema… Os exemplos seriam infindáveis! Fica-se com a impressão de que o país fora da escola é um deserto, de que não existe no país nenhuma outra instituição, que não a escola, vocacionada para o que quer que seja! Basta de sobrecarregar a escola! Será que, por exemplo, as nossa crianças são todas elas órfãs, não têm pais, não têm família? E os pais e as famílias não desempenham qualquer papel na educação das crianças — ou também eles acham mais fácil atirar os problemas, isto é, os filhos, para cima das escolas? Será esta a famosa escola-a-tempo-inteiro que afinal desejam?
Não existe autonomia que resista a estes outros constrangimentos. Na generalidade, os nossos pais não servem para reforçar a autonomia das escolas, não sabem trabalhar com ela, assumem-se muito mais como seus juízes. Certo é que, com excepção dos profissionais liberais ou dos empresários, os nossos pais não usufruem de condições legais mínimas que lhes permita ir à escola tratar de questões dos seus filhos. E a “crise” que actualmente nos foi imposta não contribui para uma melhoria da situação. Não se está a ver um trabalhador com salário mínimo e contrato precário pedir dispensa de horas ao patrão para se deslocar à escola por causa do seu filho… Sim, porque “dantes” é que era bom. A escola abria-se apenas a alguns, para aqueles com origem socioeconómica tranquila, e assim a escola era feita à sua medida, era uma escola naturalmente sem problemas. Mas agora, particularmente depois do 25-de-Abril, a escola abriu-se a todos, todos entram na escola — e os problemas de todos também lá entram, não podem ficar à porta ou pendurados no bengaleiro. Entram o desemprego, a precariedade, a pobreza envergonhada, mesmo a fome, e o insucesso e a indisciplina (sim, porque o insucesso e a indisciplina entram na escola, não são gerados lá dentro) — e que pode a escola fazer? Sim, porque a pergunta é “que fazer?”, ou, se quisermos, que fazer com a autonomia, ou ainda, que autonomia para se fazer o que não pode deixar de ser feito? (Mas não podemos esquecer que hoje não há mais insucesso ou mais indisciplina do que os que existiam nos anos ’60 do século passado — se tivermos como referência um mesmo universo sociocultural e económico dos alunos).
Assim, qual a autonomia desejável, na obediência à Constituição da República? As escolas deveriam possuir um currículo nacional clássico, imposto e definido a nível central pelo MEC, implicando um total de 20 a 25 horas semanais. As nossas crianças e os nossos jovens não podem continuar a suportar a brutalidade das cargas curriculares que agora lhes são impostas! Mas, fora destas horas, as escolas deveriam poder organizar-se de modo a garantirem aos seus alunos condições reais para o sucesso escolar e educativo. Porque não existem duas crianças e dois alunos iguais, todos eles devem ser considerados “especiais” — e devem assim beneficiar de apoios à medida de cada um, ou de cada grupo homogéneo. Porque o drama das nossas escolas não se situa dentro da sala de aula, mas sim no “antes” e no “depois” — que frequentemente é resolvido com “explicações”, fora da escola, pelos pais com maior poder económico. Ora, a escola tem a obrigação de responder a este “antes” e a este “depois”, e tem de se organizar para tal — e, neste quadro, é absolutamente falso que existam professores a mais, o que temos é sistema educativo a menos! É nesta componente nobre e essencial que a autonomia e a criatividade de cada escola se deveriam revelar.

José Calçada (Paredes, Junho de 2012)" no A Educação do Meu Umbigo de Paulo Guinote

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Além dos bastidores e da propaganda...

Enquanto a sociedade emudece, vítima da anomia a que a conduziu o medo, a estupefação, a dúvida e a guerra continuada da contra-informação, D. José Policarpo apela a uma "revolta cultural" para responder à crise... e a corroborar a dimensão do iceberg da consciência social de que poucos, para além dos sindicatos, são rostos públicos, as notícias sucedem-se e acumulam-se:
... a Fitch baixou 3 níveis o rating de Espanha (2 níveis acima do que se considera "lixo")...
... a Moody's baixou o rating a 7 grupos bancários alemães*...
... a Moody´s baixou o rating dos 3 principais bancos austríacos*...
... a Espanha vai precisar de "ajuda externa"...
... Junker diz que a União Europeia está disponível para "ajudar" se Madrid quiser...
... a Comissão da UE avisa que Portugal pode ser vítima de "contágio"...
... a Grécia continua em vertiginoso colapso social (mais de 21% de desemprego e 53% de jovens sem trabalho) e o grau de dependência criado é de tal forma que o próprio Syriza defende que o país não deve sair do Euro...
... em Portugal, o desemprego aproxima-se dos 16% e o desemprego jovem atingiu os 36%...
... em França, país de esperança para os imigrantes (europeus, magrebinos e não só!!!)  durante mais de um século, o desemprego atingiu os 10%...
... Merkel protagoniza a hipocrisia de um pretenso drama que todos conhecemos e diz que a Europa a duas velocidades está a manifestar-se...
... a chanceler alemã afirma que, enquanto isto acontecer, não haverá equilíbrio (presume-se que se refere à desestruturada União que -reconheça-se!- o não chegou a ser)...
... João Semedo constatava ontem, no "Frente-a-Frente" que os mercados têm "vida própria" e "impõem-se à política"...  
... a ONU diz que a crise europeia é a maior ameaça à economia mundial!...
... e pronto... palavras para quê?... nas suas "Teses sobre Feuerbach", Marx afirmou que "os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras mas, o que importa é transformá-lo"...
... alguém duvida?... Não!... E agora?... por quanto tempo vamos continuar a assistir e a alimentar esta inequívoca insustentabilidade?...
(estes dados assinalados com * decorrem da atualização informativa que me chegou via Carlos Fonseca e que aqui aproveito para agradecer)

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Porque...

... "o caminho é sempre em frente" -como bem dizia o Zeca Afonso...

Horizontes...


... obviamente... Van Gogh...

A Cor do Sentido...

... da criatividade e da arte... como resistência ao obscurantismo...

Criatividade... para Sorrir...

(via Luís Santiago no Facebook)

Da Poesia feita Terra...


(imagem do Landscape Architects Network no FB)

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Para um Dia Bonito...

... quando a distância não significa o horizonte do coração...

terça-feira, 5 de junho de 2012

Leituras Cruzadas...

JMCorreia Pinto no Politeia
João Rodrigues no Ladrões de Bicicletas
Manuela Araújo no Sustentabilidade é Acção
Francisco Clamote no Terra dos Espantos
Joana Lopes no Entre as Brumas da Memória
Pedro Correia e Helena Sacadura Cabral no Delito de Opinião
Renato Teixeira no Cinco Dias
Carlos Barbosa de Oliveira no Crónicas do Rochedo
João José Cardoso no Aventar
Folha Seca no Folha Seca
Graza no Arroios
Francisco Seixas da Costa no Duas ou Três Coisas
Daniela Dorin no Dani e suas Histórias

Um (belo) Quebra-Cabeças...

... sim, sim... os portugueses "A Jingsaw" em "The Strangest Friend"...

segunda-feira, 4 de junho de 2012

A Jigsaw - um Quebra-Cabeças para a Cultura


... sim... é uma banda portuguesa!... justamente considerada uma das melhores bandas "indie" europeias... como o seu nome ("A Jigsaw") indica, são "Um quebra-cabeças" para os meios de divulgação da cultura portuguesa que, "das duas, uma": não os conhece ou não os promove... não era preciso "levar à letra" o ditado "casa de ferreiro, espeto de pau"... enfim!... Vale mesmo a pena ouvir!
(com um abracinho à minha amiga Elsa Rodrigues pela inspiração)

domingo, 3 de junho de 2012

Sonoridades...


... hoje, no "Rock in Rio" a sensação foram os "James" que, em português, acabaram por, de certa forma, interpelar as formas de gestão político-económica... como ainda não localizei os temas que tocaram, partilho a sonoridade inequívoca de Bruce Springsteen...

"Quando a Alma não é Pequena..."


... "Dead Combo"... precioso!

sábado, 2 de junho de 2012

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Um Conto Português... para Crianças... e Adultos...

"A MOIRA QUE MORA NA LAPA, EM PENHA GARCIA

A Moira que mora na Lapa fez-se ver pela primeira vez há muitas luas e muitos sóis, quando estes campos ainda não se douravam de feno pelo Verão, e os homens temiam os lobos e os raios que rachavam ao meio os pequenos arbustos secos.
... Caçavam para viver, como os animais, e como os animais sentiam alegria quando nasciam filhotes, e tristeza quando morriam os mais velhos. Como os animais, não pensavam no que fariam no dia seguinte, e não tinham cidades, nem exércitos.
Não eram tão fortes como o mamute ou o javali, mas cedo perceberam que eram mais matreiros... Mais maus, às vezes, e outras vezes capazes de darem tudo pelos seus. Já se pareciam muito connosco!
A pouco e pouco, começaram a inquietar-se, e a fazer muitas perguntas sobre tudo, uns aos outros –e até a si mesmos, nos momentos de repouso:
–Quem fará nascer o dia, e vir a noite? E cair a chuva, e soar os trovões? E, se não somos nós, quem faz correr os rios e soprar o vento, agora para um lado, depois para outro?
Perguntas sem resposta, porque todos sabiam o mesmo sobre a vida e o mundo! Quer dizer, ninguém sabia nada...
Até que uma noite, quando se aqueciam na gruta a que hoje chamamos Lapa, lhes pareceu que do fogo se levantava um fumo com a forma de uma mulher. Os pés lembravam raízes fixas no chão, e os cabelos as nuvens de estrelas que viam no céu. Os olhos eram fundos, mas doces como os das mães. Os braços e pernas fortes tinham a cor ocre da terra revolvida. Por aqueles lugares, muito mais tarde, dar-lhe-iam o nome de Moira.
Tudo agora parecia estar no seu lugar, ter sentido: a Moira tinha criado o Mundo que eles conheciam, a Moira “era” o Mundo.
E a Moira falou pela primeira vez..., cantando:
–Chama-se Música a língua em que vou, a partir de agora, falar convosco, e vós comigo. Nessa língua, com palavras ou sem palavras, e usando a boca ou bocados de madeira, ossos, fios, peles, poderemos sempre entender-nos, se os vossos ouvidos, cabeça e coração estiverem atentos.
Pegou num osso furado que estava na fogueira e soprou por ele. Nunca tinham ouvido um som tão bonito, e no entanto ele lembrava-lhes o assobio suave do vento, ou o rumor tranquilo de um regato. Era a primeira flauta.

Assim como apareceu, assim se foi a Moira. Os homens esqueceram-se dela, mas, quando cantam ou tocam algum instrumento, ela volta a erguer-se de uma fogueira que se acende na Lapa, em Penha Garcia, na Beira Baixa..."

Flávio Pinho, 2009

Crianças de Todo o Mundo...

... unidas na Diversidade e nos Direitos!...

Dia da Criança - Direitos e Desejos...

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Europa - Do Estado da Arte...

... a ver, inquestionavelmente!, até ao fim!! (oferta da minha amiga Paula Brito)

O Grande Combate...


 Agenda

  • Plenário do MSE
    • Data: Quinta, 31 de Maio de 2012 - 18:30
    • Local: Clube de Santa Catarina - Calçada do Combro 49,1º (Lisboa)
    • Ordem de trabalhos:
      1. Preparação da Manifestação de 30 de Junho
      2. Outros assuntos
    • Evento no Facebook: http://www.facebook.com/events/287806031311357/
  • Manifestação Pelo Direito ao Trabalho, convocada pelo MSE
    • Data: Sábado, 30 de Junho de 2012 - 15:00
    • Lisboa: Largo do Camões » São Bento
      Porto: Praça da Batalha » Praça D. João I
    • Pelo direito ao trabalho e por políticas de pleno emprego!
    • Evento no Facebook: http://www.facebook.com/events/278059855623119/

Unidos pelo Direito ao Trabalho e à Dignidade!

Site: http://www.movimentosememprego.info
Página no Facebook: http://www.facebook.com/groups/movimentosememprego/
Twitter: https://twitter.com/MovSemEmprego

terça-feira, 29 de maio de 2012

Patrimónios de Esperança...

(via Maria João Fitas no Facebook)

segunda-feira, 28 de maio de 2012

A Ilegitimidade desumana da pseudo-ciência...

... o tempo da verdade chega sempre... antes tarde... que nunca!... o pior são as vítimas que nunca poderão deixar de o ser... privadas para sempre do direito à escolha e ao conhecimento!... Injusto, inadmissível... mas, real... e, nesse contexto, incontornável e injustificável... porque a Ciência é Humana e não pode invocar-se o direito sobre a vida e a liberdade dos seres que a criam, a sustentam e lhe dão sentido... porque, recordemo-lo!, o seu propósito é servir a Humanidade e a Vida... sem preconceitos e sem pressupostos hierárquicos que funcionam subordinados aos princípios da discriminação hierárquica!... por isso, a pergunta que se impõe por estarmos perante um facto que se repete, diariamente, por todo o mundo, contra os mais indefesos, é a que interpela os autores destas iniciativas sobre os princípios que lhes legitimam os actos... e, face à irrelevância manipulatória dos argumentos que poderão invocar, a resposta é, naturalmente!, a condenação pública... por crimes contra a Humanidade!... ontem, estes.. hoje outros... amanhã... nós! Ler Aqui

Da Comunicação Social à Cidadania...

Seria útil voltar a analisar o papel e a função social da comunicação e do jornalismo nas sociedades ocidentais... porque o conhecimento requer o exercício sistémico da análise crítica, designadamente face à mudança de paradigmas, critérios e condições em que se processam tais desempenhos... Na realidade, o facto de ter sido social e transversalmente assumida a perspectiva empresarial e a dimensão do mercado de trabalho precário em todos os setores da vida económica e social, não retira aos profissionais e aos cidadãos a legitimidade da discussão da ética, da deontologia e da transparência... contudo, parece que já poucos se lembram do que significa e do que fundamenta a liberdade de expressão... e quando a comunicação social é, repetidamente!, notícia por motivos que causam séria apreensão, faz sentido que toquem, a rebate!, os sinos... - antes que comecem a dobrar... por todos nós! - por muitas e várias razões... mas, também, pelas que podemos constatar AQUI e AQUI...

domingo, 27 de maio de 2012

Sonoridades Femininas...

... Buika em "No habrá nadie en el mundo..." (via Laura Rodrigues no Facebook)

Contra Muros...



Discernimento...


(via Tomé Laranjinho, Manuel Duran Clemente e Maria Albertina Silva no Facebook)

sábado, 26 de maio de 2012

O Melhor de Nós...


... uma extraordinária imagem deste precioso património que é a mais pura essência da vida...

(via O Bosque de Berkana no Facebook)

Sonoridades Femininas...

... Laurie Andersen em "Language is a Virus"... (via Fernando Cardoso no Facebook)

Os olhos dos camponeses...


... cantava Adriano... e porque há vozes que ultrapassam o tempo... partilho...

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Do Património de Maquiavel...

... enquanto a troika brinca ao "faz de conta" ao manifestar surpresa com a taxa nacional de desemprego e as agências de notação financeira descem o rating de 5 bancos espanhóis, só a liberdade de expressão e o imaginário nos podem afastar deste tétrico mundo de realidades e efabulações - com que se pretendem dissimular as evidências!... não há paciência... nem merecem comentários as atitudes e as divagações especulativas de quem ignora, intencionalmente, os princípios sem os quais não existe coexistência pacífica, democracia ou ética... a configuração cultural em que as pessoas se construiram, define, inequivocamente!, a forma como hoje encaram e interpretam factos, atitudes e até símbolos... o mundo da desconfiança e da descrença tomou conta do lugar onde muitos acreditaram residir a credibilidade, por tanto se insistir na exibição do controle e do poder... dizia Maquiavel: "o poder corrompe... o poder absoluto corrompe absolutamente"... e, como diria o povo: "contra factos, não há argumentos"... está à vista!  


Sonoridades...

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.. Miles Davis e John Coltrane em "So What"...
(via Nuno Ramos de Almeida no Facebook)

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Agir - entre paradoxos e escolhas ...


O Dalai-Lama recebeu, no passado dia 14, por ocasião da sua visita a Londres, o prémio Templeton 2012, um dos mais bem pagos do mundo. O valor do prémio ronda o montante de 1,1 milhão de libras que corresponde a cerca de 1,77 milhões de dólares e será doado pelo próprio Dalai-Lama para apoiar projetos direcionados para as crianças desnutridas da Índia, através da ONG "Save the Children" (1,5 milhões) e para promover o desenvolvimento da investigação do Instituto Mind and Life que se dedica a procurar "caminhos" entre a ciência e a espiritualidade (200.000 dólares)... o restante será dedicado à educação científica dos monges tibetanos. Grandes escolhas... de um Grande Homem!     

Portugal no Relatório da Amnistia Internacional...

Não surpreende?... mas deveria surpreender!... porque a referência não é nova mas, persiste... e a forma como a opinião pública parece encarar o facto, denota a interiorização da discriminação e da violência como "normal", contribuindo para a continuidade destes fenómenos que  justificam a reincidência da presença de Portugal no Relatório da Amnistia Internacional por violência doméstica, discriminação contra os ciganos no acesso à habitação e maus tratos praticados por agentes das autoridades... Mudanças à vista?... Só quando todas as dimensões da vida societária estiverem envolvidas, com convicção e seriedade, no combate a este tipo de práticas... a começar nas escolas e nas ruas... para que seja eficaz a intervenção... do espaço público às esferas familiares e privadas...     
LER AQUI

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Pessimismo?!...

(via Manuel João Araújo e Fernanda Guadalupe no Facebook)

Da OCDE à Dignidade da Vida Humana...

A OCDE é uma instituição credível ao nível das previsões socio-económicas, razão pela qual devem ser tomados em séria consideração os dados que ontem foram conhecidos: em 2013, Portugal continuará em recessão, a dívida pública atingirá 120% do PIB e o desemprego ultrapassará os 16%... conclui a OCDE, em sintonia com a teoria económico-política dominante, que o país terá que aumentar as medidas de austeridade... e se a conclusão não é, seguramente!, a indicada para efeitos da promoção da melhoria das condições de vida das populações, a verdade é que está de acordo com o que, na actual conjuntura política europeia e nos termos que regem a gestão global das finanças internacionais, se pode prever... porque não há, no horizonte político dominante, designadamente no que se refere às relações internacionais, sinais de alteração das regras e dos princípios que subalternizam as pessoas, os direitos e a cidadania. A degradação social continuará por isso ao vertiginoso ritmo que estamos a viver, corroendo, cada vez mais perigosamente, a democracia e o crescimento (ao contrário do que se "apregoa" por esta Europa que pretende integrar a aparente diversidade que muitos pensam poder ver na nova liderança francesa) continuará a caminho do chamado ponto zero... Calamitosa, a realidade é inequívoca no apelo que implica relativamente à indispensável mudança radical dos métodos de gestão das economias... ignorá-lo é, no mínimo, um atentado contra a dignidade da vida humana.      

terça-feira, 22 de maio de 2012

Leituras Cruzadas...

JM Correia Pinto no Politeia
Helena Sacadura Cabral no Delito de Opinião
João Rodrigues no Ladrões de Bicicletas
Estrela Serrano no Vai e Vem
Maria Flor Pedroso no Sem Embargo
João Abel de Freitas no PuxaPalavra
Eduardo Pitta no Da Literatura
Carlos Barbosa de Oliveira no Crónicas do Rochedo
Joana Lopes no Entre as Brumas da Memória
Miguel Madeira e Miguel Serras Pereira no Vias de Facto
Porfírio Silva no Machina Speculatrix
João José Cardoso no Aventar
Graza no Arroios
Carlos Fonseca no Solos sem Ensaio
Ricardo Alves no Esquerda Republicana
Rogério da Costa Pereira e Luís Moreira no Pegada
... entretanto...
Manuela Araújo no Sustentabilidade é Acção.

Cenários da memória...


... "Si me quieres escribir" - uma das canções que, em tempos de Guerra Civil em Espanha, ficaram na memória popular...
(via Carlos Salomé no Facebook)

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Provas de Verdade...

... de que não há impossíveis... (via Pedro Quartin Graça no Facebook)

Sonoridades Femininas...


... Laurie Andersen "Strange Angels"... (via Josefa Paias no Facebook)

domingo, 20 de maio de 2012

A soberania... é deles?!

As dinâmicas da História revelam o futuro na forma como se vão definindo ao longo do presente... contudo, só quando o presente se torna passado, se revela a integralidade dos objetivos subjacentes às opções que as vão configurando e os efeitos que daí decorrem... como já constatámos em relação a tantas realidades (previstas, analisadas e relativizadas de modo a nunca se verificar o desenvolvimento atempado de mecanismos que as evitem), mais uma vez, não estamos perante qualquer tipo de fatalidade mas, apenas, face a lideranças da gestão política e económica, arreigadamente conservadoras, que vão resistindo a toda a mudança, em função de uma subserviência que denota a absoluta subalternização do interesse público dos cidadãos e um compromisso incondicional com o que consideram essencial à sua continuidade no poder, nos termos em que o impõe a conjuntura internacional em que se inscrevem... atravessam assim os tempos, esses poderes cuja legitimidade radica na eficácia da manipulação das opiniões públicas... ao ponto de invocarem o exercício de uma autoridade que ninguém lhes concedeu ou, sequer, lhes reconhece... é o caso da mais escandalosa afirmação de Jean Claude Trichet que vem agora sugerir/defender a perda de soberania para os países que não cumprem as "recomendações" (??!!) das instâncias financeiras internacionais... a proposta é tão prepotente, como o é a passividade das reações das lideranças a que se dirige... nomeadamente porque, para além de todos os argumentos susceptíveis de serem invocados, aceitam ignorar o mais elementar princípio subjacente a todo o Direito: o entendimento entre as partes e o carácter negocial das regras... ora, se, como diz o Poeta, "somos feitos de palavras", a afirmação de Trichet abre caminho à extinção dos países enquanto entidades soberanas e inaugura a promoção pública da centralização global do poder, afastando as pessoas da participação política e arrasando, de vez!, o espírito com que se quiseram construir as Democracias  (LER AQUI)...

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Sonoridades...


... "Esse Olhar Que Era Só Tu"... dos Dead Combo esta extraordinária banda portuguesa que, em 2011, editou "Lisboa Mulata"... e que agora alcançou o top norte-americano...

quinta-feira, 17 de maio de 2012

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Para uma Esquerda Livre!...


"Portugal afunda-se, a Europa divide-se e a Esquerda assiste, atónita.

As raízes desta crise estão no desprezo do que é público, no desperdício de recursos, no desfazer do contrato social, na desregulação dos mercados, na desorientação dos governos, na desunião europeia e na degradação da democracia.

Em Portugal e na Europa, a direita domina os governos, as instituições e boa parte do debate público. A direita concerta-se com facilidade, tem uma agenda ideológica e um programa para aplicar. A direita proclama que o estado social morreu e que os direitos, a que chamam adquiridos, são para abater.

Em Portugal e na Europa, a esquerda está dividida entre a moleza e a inconsequência. Esta esquerda, às vezes tão inflexível entre si, acaba por deixar aberto o caminho à ofensiva reacionária em que agora vivemos, e à qual resistimos como podemos. Resistir, contudo, não basta.

É necessário reconstruir uma República Portuguesa digna da palavra República e construir uma União Europeia digna da palavra União.

É preciso propor aos portugueses, como aos outros europeus, um horizonte mais humano de desenvolvimento, um novo caminho para a economia e um novo pacto de justiça social.

É possível fazê-lo. Uma esquerda corajosa deve apresentar alternativas concretas e decisivas para romper com a austeridade e sair da crise, debatidas de forma aberta e em plataformas inovadoras.

A democracia pode vencer a crise. Mas a democracia precisa de nós.
Apelamos a todos aqueles e aquelas que se cansaram de esperar – que não esperem mais.
É a nós todos que cabe construir:

UMA ESQUERDA MAIS LIVRE, com práticas democráticas efetivas, sem dogmas nem cedências sistemáticas à direita, liberta das suas rivalidades, do sectarismo e do feudalismo político que a paralisa. Uma esquerda de cidadãos dispostos a trabalhar em conjunto para que o país recupere a esperança de viver numa sociedade próspera e solidária.

UM PORTUGAL MAIS IGUAL, socialmente mais justo, que respeite o direito ao trabalho condigno e combata as injustiças e desigualdades que o tornam insustentável. Um país decidido a superar a crise com uma estratégia de desenvolvimento económico e social, com uma economia que respeite as pessoas e o ambiente, numa democracia mais representativa e mais participada, com um Estado liberto dos interesses particulares que o parasitam.

UMA EUROPA MAIS FRATERNA, à altura dos ideais que a fundaram, transformada pelos seus cidadãos numa verdadeira democracia. Uma Europa apoiada na solidariedade e na coesão dos países que a formam. Uma Europa que ambicione um alto nível de desenvolvimento económico, social e ambiental. Uma União que faça do pleno emprego um objetivo central da sua política económica, que dê um presente digno aos seus cidadãos e um futuro promissor às suas gerações jovens."
(VER AQUI E ASSINAR AQUI)

terça-feira, 15 de maio de 2012

Lucidez... da Crise ao Princípio "A União Faz a Força"

"Uma esquerda comprometida

É preciso juntar forças. Somar gentes que se oponham à política da troika e que sejam intransigentes nesse combate. Juntar partidos, movimentos e cidadãos que não se reconheçam no capitalismo. Construir uma esquerda com a ambição de vencer que esteja comprometida com a luta pela a igualdade.
A crise é uma máquina de liquidação dos direitos sociais e políticos da maior parte da população. Vai ser difícil a mobilização das pessoas atormentadas pelo medo, separadas pelo receio de perderem o pouco que têm.
A esquerda da igualdade tem de saber que o seu campo se edifica construindo novos sujeitos políticos que não se esgotam na política institucional. A afirmação de uma política de esquerda passa por dar poder às pessoas, fazê-las sujeitos e não espectadores da construção de uma alternativa. Não se trata de mudar a composição de um parlamento trata-se de inventar uma outra forma de fazer política. Afirmar que todos somos actores da nossa própria emancipação.
O terreno desta luta está na conquista da rua e na afirmação da intervenção radical. A massificação da rua não pode impedir a multiplicação das tomadas de posição que procurem o choque. As acções concretas devem servir para demonstrar a irracionalidade das políticas neoliberais e de pôr à vista a violência de um Estado que reprime para as aplicar. Elas devem reivindicar o princípio do olho por olho e dente por dente.
Vivemos num mundo global. Nenhuma luta é somente nacional, mas todas são feitas num local concreto.
A crise ainda agora chegou, a multiplicação das redes de activistas, o reforço das suas ligações e o aumento do número de militantes combativos são uma das premissas fundamentais para transformar a crise, num determinado momento, em crise do capitalismo.
"
(Nuno Ramos de Almeida in Cinco Dias)

"Moda Revolta" - Pela Primavera Global...


... de Vitorino...
(via Carlos Salomé no Facebook e Aqui)

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Krugman - A Grécia fora do Euro?!

A notícia de que o economista Paul Krugman afirma que a manutenção da estratégia alemã na gestão europeia da crise ditará o fim do euro, merece a nossa melhor atenção (publicada AQUI, passo a transcrever o seu texto):

"Krugman: fim do euro está próximo, se Alemanha mantiver a estratégia

O economista norte-americano Paul Krugman considera “muito possível” que a Grécia saia do euro no próximo mês e defende que, para evitar a rutura do euro, a Alemanha terá de aceitar ceder garantias à dívida de Itália e Espanha.

Artigo
14 Maio, 2012 - 15:06

A “receita” de Krugman para evitar o colapso do euro é a Alemanha aceitar injetar, de forma indireta, créditos públicos nos “gigantes” da Itália e de Espanha, com garantias para a dívida dos países ou, caso contrário, será o fim do euro. Numa entrada do seu blogue no New York Times intitulada "Eurodämmerung" (O Crepúsculo do Euro), o Nobel da Economia, Paul Krugman, admite que é “muito possível” que a Grécia abandone o euro já no próximo mês e explica o modo como lhe parece que o euro poderá acabar… ou não.
Primeiro, uma saída da Grécia, “muito possivelmente no próximo mês”. Entretanto, haverá “enormes levantamentos” dos bancos espanhóis e italianos, com os “depositantes a tentar mudar o seu dinheiro para a Alemanha”. Para Krugman, é também possível que sejam instituídos “controlos de fato, com os bancos proibidos de transferirem depósitos para fora do país e limites aos levantamentos em dinheiro”.
Perante este cenário, Krugman diz que o Banco Central Europeu (BCE) terá que intervir para fornecer liquidez aos bancos.
A “receita” de Krugman para evitar o colapso do euro é a Alemanha aceitar injetar, de forma indireta, créditos públicos nos “gigantes” da Itália e de Espanha, com garantias para a dívida dos países ou, caso contrário, será o fim do euro.
Krugman lembra que para dar alguma esperança a Espanha são necessárias garantias sobre a sua dívida (para os custos de endividamento se manterem suportáveis) e uma inflação mais elevada na zona euro, para tornar possível um ajustamento relativo dos preços.
A alternativa é o “fim do euro”, dentro de meses, e não de anos. É assim que lhe parece que "o jogo pode acabar”.
As previsões de Krugman surgem numa altura de grande impasse político na Grécia, depois das últimas eleições de 6 de Maio, com o cenário de novas eleições em meados de Junho a ganhar força. Isto depois de os três partidos mais votados, o Nova Democracia, o Syriza e o PASOK não terem conseguido chegar a acordo para formar um governo de unidade nacional.
Esta indefinição está a aumentar os receios entre os investidores quanto à possível saída da Grécia da união monetária, o que está a pressionar o euro e as bolsas europeias na sessão desta segunda-feira. Espanha e Itália continuam a pagar custos elevados para se financiarem no mercado de dívida. Após os leilões desta manhã, os juros da dívida acentuaram os ganhos, não só em Espanha e Itália, mas também em Portugal."




domingo, 13 de maio de 2012

Sonoridades Intemporais...

... Tchaikowsky, "Valsa das Flores" (in "O Quebra Nozes")...

sábado, 12 de maio de 2012

De um País Doloroso à Dor da Europa e do Mundo...


... em Lisboa, terão sido 3.000 os participantes de hoje no protesto internacional "Primavera Global" (ler AQUI)... a disparidade numérica relativamente ao número de participantes que as estações televisivas se fartaram de "apregoar", a saber, 300!!!, coloca, incontornável, uma tripla questão: a) a primeira refere-se ao facto de que, se o número anunciado nas televisões fosse verdadeiro, significaria que a população sofreu um tão acentuado decréscimo de auto-estima que se encontra num estado anómico quase pré-comatoso - o que, diga-se de passagem!, faria todo o sentido após o estímulo governamental à emigração e à consideração de que o desemprego é, afinal "uma oportunidade" para "mudar de vida" (como, aliás, reconheceu, por um lado, o psicólogo José Gameiro ao relembrar que as pessoas em situação de desemprego precisam de reforços de auto-estima e não de desadequadas demagogias e, por outro lado, o próprio Ministro das Finanças, Vitor Gaspar, ao afirmar que, apesar dos estudos científicos provarem que, regra geral, as pessoas revelam bons desempenhos na adaptação à mudança face à perda, isso não acontece no que se refere a situações de desemprego!); b) quanto à segunda hipótese, é a de estarmos perante mais um dos rostos da polifacetada "estratégia de contenção de custos"; c) finalmente, ainda mais tristemente do que de costume!, teremos que constatar que a manipulação informativa atinge níveis próximos da inverosimilhança?!...  

Pela Mudança Radical - Primavera Global...


Os protestos são internacionais da "Primavera Global" são o símbolo da urgência de uma mudança radical que é preciso introduzir na gestão das sociedades... uma mudança assente na inequívoca primazia dos direitos humanos... uma mudança, senhores!, que assuma como princípio e como objetivo a valorização das pessoas, o seu direito ao emprego e a condições de vida dignas e onde, para além do pão, se permita a realização o "desenvolvimento integral do indivíduo" (Bento de Jesus Caraça). Em pleno século XXI não é admissível que a política seja apenas o resultado de uma demagógica sofisticação assente em regras de economia política inspiradas na realidade industrial do século XIX a que se somaram os raciocínios inerentes à lógica do lucro e dos mercados... tal como não é legítimo, dada a tecnologia disponível e a riqueza existente, que a distribuição do capital se mantenha refém do direito à acumulação da fortuna por parte de quem, por ser rico, fica em vantagem num sistema que quer fazer crer que a competição pode existir de pleno direito em sociedades ditas democráticas que afirmam o direito à igualdade como eixo político estruturante!! Pelo direito à vida numa sociedade globalizada para o bem e para o mal, o lema só pode ser, por todos nós: Indignados de Todo o Mundo, Uni-Vos!

sexta-feira, 11 de maio de 2012

O Piano Não Emudece...

... o piano encanta, ilumina e atravessa todos os tempos... sem fronteiras! Obrigado, Bernardo Sasseti!

Bernardo Sasseti, Fala Piano...

... sem palavras... porque o silêncio chega assim... de repente... piano... piano... piano...

Grécia - Uma Luz Mediterrânica para a Esperança Europeia...


Pode a Europa mudar?... Pode!... independentemente dos resultados decorrentes das tomadas de posição iniciais que têm vindo a emergir na Grécia (ler AQUI, AQUI e AQUI), a realidade é que a mudança é possível e que, de facto, a chamada "crise" não é uma inevitabilidade, principalmente porque decorre de princípios inflexíveis na lógica de gestão financeira que não têm, objectivamente, sustentação social e humana mas, apenas, o objectivo de preservar o status quo da dominação económica contemporânea!... (ler mais aqui) 

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A nova geografia política da Europa...

(via Jose Luis Montero no Facebook)

Cinema - Retrato de um País mais Pobre...

(via Precários Inflexíveis no Facebook)
(fotografia via Joaquim Paulo Nogueira no Facebook)
Também pode ler AQUI

Da Dignidade - entre a Liberdade de Expressão e a Ditadura...

(via Miguel Gomes Coelho no Facebook)

quarta-feira, 9 de maio de 2012

... contra a ignorância e a (in)cultura...

... lutar, lutar!... pelos Direitos Humanos... que, perspectivados em "escala" são muito mais do que o "distanciamento" nos pode fazer supor...

Da arte como catarse...

... pois... vale-nos isto... porque, de facto, "A arte lava a alma do pó da vida quotidiana"...
(via Francisca Parreira no Facebook)

Poderes humanos...

(via Eulália Miranda no Facebook)

terça-feira, 8 de maio de 2012

Desabafos...


... os homens tornam a "terra" pouco credível... faz, por isso, todo o sentido que, tantas e tantas vezes, se recorra à Lua... para evocar a diferença!... porque a distância torna possível a autenticidade que o mundo dos homens torna descrença...

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Da responsabilidade do futuro...


... "Canção para um menino da rua" na voz de Patxi Andión... porque em cada 10 crianças que nascem, apenas 3 terão uma casa e uma cama... aos outros 7 resta a rua...

França - Um grito de alma...


... agora, está nas mãos de quem afirma a diferença... a Europa precisa de firmeza, responsabilidade e a coragem... e hoje todos somos o que de melhor este grito da França representa!... assim, a política lhe saiba fazer jus!
(a inspiração para a escolha do vídeo chegou via Pedro Faria Bravo no Facebook)

domingo, 6 de maio de 2012

Das eleições e da mudança - França e Grécia


Daqui a umas horas saberemos o resultado das eleições que decorrem este domingo, em França e na Grécia... A Europa ou, pelo menos, uma parte dos cidadãos europeus, aguarda estes resultados com a expectativa de que possam significar mudanças políticas nacionais e comunitárias, capazes de inverter a degradação económica e social em que estamos, todos, envolvidos... e enquanto os eleitores definem o que daqui a pouco será uma realidade, vale a pena pensar na composição deste mosaico que é a União Europeia dominada pela lógica do poder financeiro alemão que todos os governos têm seguido acriticamente e lembrar esta outra metade mais a sul e o protagonismo que deve merecer a uma construção europeia coesa, coerente e solidária... para o efeito, deixem que cite, quase livremente, Predag Matvejevitch: "(...) O Mediterrâneo não é apenas uma geografia. (...) A Europa nasceu no Mediterrâneo. (...) O Mediterrâneo não é apenas uma história. (...) As culturas do Mediterrâneo não são unicamente culturas nacionais. (...) O Mediterrâneo e o seu discurso são inseparáveis. (...) No Mediterrâneo o Renascimento não conseguiu em toda a parte ultrapassar a Idade Média. As aparências do Mediterrâneo têm também o seu papel a desempenhar. O sol que sobre ele se ergue e profusamente o ilumina parece estar no céu só por causa dele e só a ele pertencer. (...) A influência dos raios solares dá lugar a certos fenómenos psicológicos, efémeros ou persistentes. A vastidão e a limpidez dos céus suscitam acaso estados místicos e despertam o temor do além. O Mediterrâneo erigiu monumentos à fé e à superstição, à grandeza e à vaidade. (...) No Mediterrâneo o corpo envelhece mais depressa que o espírito. (...) O Mediterrâneo é um coleccionador apaixonado. (...) Falou-se, mais que com razão, dos lados que unem correntes e destinos em todo o Mediterrâneo. (...) a poética da modéstia ainda está para nascer no Mediterrâneo. (...) O Mediterrâneo é uma tentação constante, um mar terrestre. (...) Não é o clima o único responsável: no Mediterrâneo os próprios milagres são diversos. (...) Nem todas as nações do Mediterrâneo conseguiram tornar-se mediterrânicas. (...)" (in "Breviário Mediterrânico") ...     

Dos Afectos como Essência...

(via Ana Maria Godinho Costa no Facebook)

sábado, 5 de maio de 2012

Sonoridades Intemporais...


... há pouco, a Lua nasceu maior e mais brilhante! ... porque hoje, mais próxima da Terra, a Lua aparece 14% maior e 30% mais brilhante, desde a hora do seu nascimento e as 5h da madrugada de amanhã, domingo, em que atingirá o que podemos percepcionar como apogeu da "super-lua" do ano (ler Aqui)!... vale a pena olhar o céu!

Um por Cento Para a Cultura!


... com tão pouco se poderia mudar... tanto!... mas é verdade!... com 1% de investimento do OE, a cultura poderia deixar de estar refém da imobilidade a que a actualidade a condena como se fosse o bode expiatório de uma crise (que não provocou!)... e o país melhor que todos desejamos ficaria mais perto!... alguém duvida?

As palavras... surreais...

É preciso dizer rosa em vez de dizer ideia 
é preciso dizer azul em vez de dizer pantera 
é preciso dizer febre em vez de dizer inocência 
é preciso dizer o mundo em vez de dizer um homem 
É preciso dizer candelabro em vez de dizer arcano
é preciso dizer Para Sempre em vez de dizer Agora
é preciso dizer O Dia em vez de dizer Um Ano
é preciso dizer Maria em vez de dizer aurora

Mário Cesariny


... e é por esta evidência que as palavras do poeta actualizam, tornando claro o trajecto que nos permite dar e trazer "novos mundos ao mundo", que urge assumir: o mercado editorial português está pobre!... pobre na capacidade de publicação e não apenas no que se refere à sua capacidade de investimento mas, também, no que respeita à margem de sustentabilidade indispensável à sua própria sobrevivência... Falta-nos, poesia, ciência, conhecimento e arte!... falta-nos, enfim!, a valorização institucional e colectiva da dimensão estrutural que reconhece à cultura o seu papel decisivo para o desenvolvimento e o crescimento das competências que podem abrir caminho ao futuro!...

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Fernando Lopes - Do Cinema, da Literatura e da Arte...


... excerto de "Uma Abelha na Chuva" de Carlos de Oliveira pela mão do cineasta Fernando Lopes, cuja vida e obra inequivocamente se associa ao estado da Arte em Portugal... um estado que, no momento actual, justifica a iniciativa de que ontem foi palco, em Lisboa, o Cinema S.Jorge e cujos fundamentos podem ser conhecidos AQUI...

quinta-feira, 3 de maio de 2012

"Estereótipos, Desemprego e Profecias" - um texto de Fernando Mora Ramos

"Estereótipos, Desemprego e Profecias
Dizem os jornais que na Grécia as “piadas” – estereótipos, escreve-se no Púbico - sobre os alemães têm na Alemanha o seu inverso oposto – os anedotários nacionais são reveladores de humores e tendências da mentalidade dominante e devem, por isso, ser encarados como sintomas evidentes de doenças que se podem agravar e prolongar. Não são expressão de uma visão livre, radicam em tendências comportamentais identitárias, são expressão da voz do vulgo, da massa (o que esta palavra não carreia…), particularmente as anedotas que surgem de febres conflituais nunca erradicadas e profundamente gravadas na história e corpo da Europa. Se na Grécia, e com razão, se lembram dos nazis e estendem essa imagem ao conjunto do povo alemão, sem razão, na Alemanha, com acinte e arrogância, falam de proteger as carteiras na presença de um grego, ou de uma grega – quem roubou os gregos foram os alemães, com prova histórica, como aliás outros grandes europeus.
A Europa nada deve à Alemanha e esta, tudo lhe deve, aos aliados europeus e também aos americanos. Se a Alemanha, para se pôr de pé, quando esteve de rastos, tivesse de indemnizar todos os povos europeus pelo que fez e pelo que pilhou e saqueou, estaria ainda hoje a pagar o que deve, para além do que nenhuma indemnização paga e não deve ser esquecido, pelo contrário deve permanentemente ser lembrado para que não se repita seja de forma semelhante, seja por outras formas, através de armas financeiras e legais manipuladas segundo um qualquer exercício de força por se ter força de o impor – que são os tais mercados que não se entendam como pura violência, outros modos de guerra? Se agora estão de novo com a crista alta – os alemães da senhora chanceler e esta - é porque são potencialmente um povo com disponibilidade tragicamente maioritária para ser exército, seja ele militar e armado, seja laboral, tendo também uma predisposição nacional forte para se portarem de modo nacionalista e pretensamente superior, como se entre os humanos pudesse existir um campeonato sempre em marcha de competências caracteriais laboriosas e de predisposições intelectuais superiores – Marx, Hegel, Goethe, Brecht, são alemães muito pouco alemães neste sentido, são universalistas.
Os alemães e a Alemanha são de novo a potência forte da Europa e mandam no Banco Central Europeu, tudo gerindo segundo critérios financeiros e não segundo critérios económicos, de crescimento económico satisfazendo finalidades europeias – a Alemanha para conduzir a Europa com a sua força maior só pode fazê-lo com o consentimento de todos os outros e olhando os outros como se fossem alemães, o que não está a respeitar. Só aí o preconceito rácico e o nacionalismo se extinguiriam, em vez de agora regressarem não como estereótipos mas como arreigadas posições antagónicas entre povos e nações de um espaço que se diz comum – o estereótipo não é uma visão morta e deslocada, é pura ideologia em acção e é deste tipo de material vulgar que se fazem as “argumentações” xenófobas e se constrói o fascismo quotidiano e larvar, o que leva ao outro, ao sistémico, regime quando não houver obstáculos. Comum, espaço comum europeu, significa o quê? Que uns decidem que os outros são escravos e que eles são senhores, que há povos sopeiras e povos marquesas?
Ao fim da experiência histórica do nazismo, dos campos de concentração e dessa extraordinária capacidade de cegueira generalizada alemã que a isso levou, contra a qual muitos alemães perderam a vida e muitos construíram a sua obra – Brecht é todo um percurso contra Hitler, o pintor de paredes e contra a gestação capitalista do monstro – temos de novo uma chanceler que se mostra não só incapaz de ver além da nação, como é incapaz de ter um ponto de vista europeu, isto é, tão grego quanto alemão. Se os gregos fossem alemães e se Atenas fosse a capital da Alemanha será que a chanceler e os seus apoiantes vulgares defenderiam com a mesma facilidade as soluções anti gregas que se jogam nesta europa anti europeia?
Para espantar ainda mais o Primeiro-ministro português, um homem com visão de futuro, promete aos portugueses, aquilo que a austeridade alemã tem aprofundado: mais desemprego durante mais tempo. As coisas estão a ficar completamente claras: o alemão Passos Coelho, sub-chanceler assumido para a ingovernável província mais a ocidente sul da Europa, promete aos portugueses que estes terão mais desempregados – números, taxas – e por um tempo superior ao que se previa e que isso resolverá a crise. De previsão em previsão vamos mesmo para o caixão pois cada medida tomada é um prego acrescentado neste. E o que é mais curioso é que estes governantes fazem as contas de acordo com o seu tempo de vida útil e as coisas coincidem – haverá crise enquanto lá estiverem, pois a crise convém-lhes e não perdem o emprego nem o negócio governativo enquanto ela render."
Fernando Mora Ramos (no Facebook - com o devido agradecimento pela escrita e a partilha)

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Sinergias de um Capitalismo sem Escrúpulos?!...



... ontem, o Pingo Doce protagonizou o assumir da lógica do lucro sobre todos os direitos das pessoas e ultrapassou, sem titubear!, as regras deontológicas que o respeito e o exercício da responsabilidade social impõe a cidadãos, entidades e empresas a quem se exige responsabilidade social... ao mesmo tempo, o ministro das finanças alemão comentava em moldes que passo a referir (sem ter a pretensão de reproduzir na íntegra as suas palavras) as consequências de uma potencial eleição de François Hollande para a continuidade das relações franco-germânicas no contexto europeu: o que está em causa (leia-se: a persistência da austeridade e a convergência das políticas económico-financeiras na UE) não depende dos resultados eleitorais porque tudo vai ter que continuar a seguir o rumo pelo qual enveredámos... Disse e está dito!... as democracias representativas não têm qualquer papel na definição das políticas económicas e financeiras e as eleições deixaram de ser reconhecidas politicamente como instrumento de mudança!!!... Até agora ninguém assumira tão claramente o que se tornava, cada vez mais, uma suspeição generalizada que muitos tentavam atribuir a "leituras de esquerda"... e agora?... que contra-argumentação haverá a apresentar contra esta afirmação pública de uma hegemonia anti-democrática, cuja raiz, de má-memória, não pode deixar de evocar um nacionalismo político fundado nos interesses financeiros que, há pouco mais de 60 anos, exterminou milhões e milhões de pessoas? ... sinergias, coincidências, pretensas fatalidades ou o que lhe queiram chamar, a verdade é factual... resta-nos esperar que a incultura não seja tanta na diversidade do mosaico político europeu que não percebam que estamos todos (mas mesmo todos!) em causa...

terça-feira, 1 de maio de 2012

"Maio Está na Rua...


... A Luta Continua"... faz, mais do nunca!, todo o sentido!... porque o presente mais parece uma prenda envenenada (repare-se na campanha com que o Pingo Doce surpreendeu o país num dos mais provocatórios exemplos de que há, na democracia!, memória) e o futuro teima em permanecer envolto numa névoa quase opaca que, suspeitamos bem, se pensarmos que resulta de um excesso de poluição política, feita de desvios desumanizantes e muita, muita ignorância...

1º de Maio - Uma História Alentejana

(via Carlos Salomé no Facebook)