domingo, 19 de setembro de 2010

Corporativismo tácito, inútil e infeliz na A.R.

Talvez não surpreenda muitos... mas, surpreende sempre alguns que não serão tão poucos como possam imaginar os que pensam que a relativização da realidade, reduz, de facto, a existência e a essência dos factos... e, mais que a surpresa, certo é que indigna, entristece e, porque não dizê-lo?, choca!... Refiro-me à expressão parlamentar do PS no que à votação da proposta do BE, PCP e Verdes contra a expulsão de cidadãos europeus, de etnia cigana, de um país-membro da própria União Europeia, diz respeito. Votar contra?... desculpem lá mas, com que fundamento maior que os valores, ditos europeus!, da igualdade de tratamento e de oportunidades ou dos direitos de livre circulação e mobilidade das pessoas no espaço europeu e dos princípios da não-discriminação e da valorização da diversidade?... o argumento dos interesses de Estado pode interpretar um corporativismo igual a tantos outros!... no caso, designadamente, porque Sarkozy, Berlusconi e a própria Merkel não são legítimos representantes da Europa Social já que representam, isso sim!, a Europa economicista, próxima da alta finança e do mais feroz neo-liberalismo encapotado de um nacionalismo dissimulado capaz de defender duas velocidades para o estatuto e o papel político dos Estados-membros da UE, protagonizando um populismo europeu ideologicamente próximo da mesma direita que tem agravado as leis mercado pela insistência em eixos de convergência assentes numa competitividade que não temos capacidade de defrontar como iguais e que nos torna, a todos!, reféns de uma instabilidade social depressiva que tem o seu mais negro rosto no número desmesurado do desemprego que o próprio FMI reconhece como insustentável... haveria necessidade de Portugal baixar a defesa íntegra dos princípios democráticos para condescender ao apoio tácito de países que nos fazem pagar uma crise por eles próprios criada?... felizmente, houve um voto contra e algumas - poucas, é certo! mas, honrosas - abstenções... contudo, perante tão pouca expressividade na coerência entre alegados princípios e efectivas práticas, há, de facto, margem para, triste mas adequadamente, se colocar a questão: Esperança? Confiança? - como, senhores?.. como?...

14 comentários:

  1. Enfim, o PS igual a si próprio!
    É, sobretudo, nestes momentos que a voz da cidadania tem que se fazer... gritante.

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  2. A sua pergunta: Esperança? Confiança? - como, senhores?.. como?...
    A minha resposta: Mantendo a esperança, ter confiança... noutros senhores...
    Ã resposta é mordaz, mas é pensada. Esta representação dificilmente mudará o quer que seja, esgota-se em tacticismo e no enunciar de princípios que deixa todos os valores-bandeira arrumados no canto de uma memória que seria de manter bem viva. Aposte noutros senhores e escusa de interrogar estes...

    Abraço

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  3. Olá, Ana,
    Pois, de facto, "é uma votação" lamentável. O pensamento é básico: Se o Sarkozy pode, então…
    Eu pensava que a legislação europeia não sustentava expulsões colectivas! Argumentar um abuso do direito de livre trânsito?! Ainda tenho esperança nas futuras "palavras" da Viviane Reding...
    Um abraço, um abraço.

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  4. Razão tem quem defende a redução do número de deputados, se a maioria não consegue pensar pela sua cabeça, se não passam de acólitos do(s) mestre(s) para quê manter uma assembleia tão onerosa?
    Gostei, pena que pelo menos para assuntos deste teor não haja liberdade de voto.
    Um abraço
    Gia

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  5. Mais uma vez,o que sinto, o que queria dizer está aqui!!
    Um beijo,Ana Paula.

    tina

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  6. ... sim, minha amiga, que a globalização não se limite ao poderio económico e financeiro, mas que desnude a face humana...«é urgente»...«é imperioso» uma globalização com consciência! sob pena do retorno há barbárie...e ao tal abysmo, com y, de que nos alerta Fernando Pessoa.
    Como fazer? Fazendo… e nunca, mas nunca! perder a esperança... porque lá do lugar de onde regressei diz que a cor da esperança é rosa...

    O meu abraço, humano.

    Saravah

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  7. T.Mike,
    É importante que nós, cidadãos europeus, tratemos com frontalidade e consciência os problemas que se nos colocam porque, de outra forma, a tentação do poder em manipular o conhecimento e a opinião colectiva contando com a transmissão acrítica da comunicação social, facilmente transformará o espaço comunitário no quintal (mas, não no jardim!) dos portentados económico-políticos.
    Abraço.

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  8. Zé dos Papéis,
    ... na sequência da minha resposta ao T.Mike do Vermelho Cor de Alface, reitero a sua afirmação: "a voz da cidadania tem que se fazer... gritante"!
    Obrigado.
    Abraço.

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  9. Rogério,
    Seria uma hipótese a considerar - não fosse a desconfiança de experiência feita que nos impede de acreditar que as alternativas efectivas de acesso ao exercício do poder tendem a reproduzir e agravar os procedimentos que os antecedem... este é, aliás, um fenómeno nacional curioso que gostaria de verificar noutras realidade: regra geral, quando um grupo político intervém no sentido de alterar o estabelecido por opções anteriores, opta por mais autoritarismo!!! ... ocorre dizer que estudaram pouca, digamos assim, para ser breves e delicados, "pedagogia".
    Abraço.

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  10. Olá Jeune Dame,
    Vale-nos o olhar lúcido de pessoas como Viviane Reding que carece da nossa melhor atenção local e nacional para que continue a ter representação possível nos espaços de influências dos Sarkos deste mundo que hipotecam princípios, legalidades e a própria democracia às estratégias de interesse próprio ou corporativo de que nunca sairão por equacionarem a realidade sempre, apenas e só, em função da fidelização de eleitorado...
    Grande abraço.

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  11. Gia,
    é de facto lamentável que em matérias de direitos, liberdades e garantias não haja liberdade de voto... o facto torna os deputados reféns da disciplina partidária que se sobrepõe à ética e à consciência individual - questão que deixa largem e justa margem para a discussão da democraticidade de algumas práticas da democracia representativa contemporânea.
    Abraço :)

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  12. Tina,
    Obrigado por dar eco a estas reflexões que são, felizmente! também, eco das suas :)
    Um beijinho.

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  13. Saravah, minha amiga :)
    Permite-me parafrasear-te e dizer:
    É urgente a humanização e o re-centramento nas pessoas para que possamos escapar ao abysmo e a esperança se consolide na cor das rosas :)
    Aquele abraço humano, amigo e quente.

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