domingo, 21 de março de 2010

Portugal... Ontem e Hoje...

"PORTUGAL EM PARIS
Solitário
por entre a gente eu vi o meu país.
Era um perfil
de sal
e Abril.
Era um puro país azul e proletário.
Anónimo passava. E era Portugal
que passava por entre a gente e solitário
nas ruas de Paris.
Vi minha pátria derramada
na Gare de Austerlitz. Eram cestos
e cestos pelo chão. Pedaços
do meu país.
Restos.
Braços.
Minha pátria sem nada
sem nada
despejada nas ruas de Paris.
E o trigo?
E o mar?
Foi a terra que não te quis
ou alguém que roubou as flores de Abril?
Solitário por entre a gente caminhei contigo
os olhos longe como o trigo e o mar.
Éramos cem duzentos mil?
E caminhávamos. Braços e mãos para alugar
meu Portugal nas ruas de Paris."
(Manuel Alegre in "O Canto e as Armas - Canto V-Lusíada Exilado")

Recados... subliminares...



"Zero and One"... de Laurie Anderson... sabem porquê?...
Por exemplo:



Porquê? Sabem porquê? Porque...



... Tenham uma Boa Primavera!... e que nela renasça... toda a poesia e toda a consciência!

sábado, 20 de março de 2010

Tributo...


... a Ibrahim Ferrer ... com o imortal: "Dos Gardenias"!... para prenúncio de uma urgente e doce Primavera :)

quarta-feira, 17 de março de 2010

Do PEC às Funções Sociais do Estado...

Confesso! Ainda não compreendi a razão pela qual se chama PEC-Programa de Estabilidade e Crescimento ao... PEC! O rigor requeria que o documento se designasse, honesta e frontalmente, Programa de Austeridade para o Combate à Crise... no mínimo! - e para além de todas as justas e merecidas críticas que o nome aqui sugerido pudesse implicar mas teria, pelo menos, o mérito de não efabular os objectivos das medidas a adoptar e de não desvirtuar os conceitos de "estabilidade" e "crescimento"!... porque é uma amarga e desrespeitosa ironia, designar por "programa de estabilidade e crescimento" um conjunto de medidas que incidem mais sobre os mais pobres do que sobre a taxa de 45% de IRS ou o adiamento de infra-estruturas, no contexto de uma hipótese decorrente de uma espécie de "overbooking", previsto para os utentes dependentes de prestações sociais como o subsídio de desemprego, o Rendimento Social de Inserção ou o suplemento complementar para idosos (vale a pena ler o que Paulo Pedroso bem escreveu sobre a matéria no Banco Corrido). Vejamos... quando se designa e anuncia um documento desta natureza, num clima socio-económico fragilizado como o nosso, como instrumento de apoio ao crescimento e à estabilidade, está, assumidamente!, a perverter-se a linguagem, a ideologia e a percepção cívica da governibilidade de toda uma população que vive de facto!, cada vez mais, em dificuldades, num cenário onde não páram de crescer os apelos aos sacrifícios colectivos - que, a serem feitos, deveriam ser fundamentados, justificados e compreendidos como expressão de "último recurso", no quadro de uma governação que valorizasse e defendesse, "de factum" e "de jure", as funções sociais do Estado. É caso para reflectir... porque fica cada vez mais inverosímil a defesa destas propostas e procedimentos adoptados por quem governa e constrói o referido programa a pensar em termos pauperrimamente economicistas, reduzindo a vida nacional ao deficit e ao esforço de controle das contas públicas que o exterior tutela e penaliza, em prejuízo da sociedade portuguesa e do efectivo crescimento da economia nacional - que, diga-se em abono da verdade!, se dá ao luxo de se pensar e apregoar, ignorando potencialidades de investimento e desenvolvimento de sectores estratégicos nacionais de que destaco, a título de mero exemplo, a indústria naval portuguesa.

terça-feira, 16 de março de 2010

Leituras Cruzadas...

A democracia portuguesa atravessa um período curioso... claro que todos sabemos que, em tempos de crise, se verifica o aumento exponencial da contestação e do autoritarismo... mas, mesmo assim, quando, em França, se regista, para além de uma elevadissima taxa de abstenção, a clara vitória dos socialistas nas eleições regionais, por cá, o segundo maior partido do espectro parlamentar nacional, afirma métodos e defende procedimentos (vejam-se os textos de José Freitas no Aventar, de António Manuel Venda e de Carlos Barbosa de Oliveira no Delito de Opinião, de Filipe Tourais no O País do Burro e de José Adelino Maltez no Sobre o Tempo que Passa e no Albergue Espanhol). Claro que o espírito da participação democrática é uma questão que merece, em todos os partidos (sem excepção, apesar das omissões e acusações mais ou menos irónicas, melhor ou menos bem conseguidas), uma atenta, séria e descomplexada reflexão sobre a natureza das organizações partidárias e o respectivo espírito de conformidade relativamente à essência conceptual da Democracia... mais, a discussão aberta sobre a relação efectiva entre funcionamento partidário e exercício efectivo das competências democráticas, implica a discussão sobre o grau de articulação entre representatividade e participação democráticas que se pretende vigente no sistema político e, nomeadamente, no que se refere à liberdade de expressão e ao recorrente exercício do pensamento crítico em organizações que se pretendem de discussão e formação de opinião (leiam-se os textos de Vitor Dias no O Tempo das Cerejas, de Ricardo Santos Pinto no Aventar e de Paulo Querido no Certamente). Num tempo em que urge encarar com seriedade os desafios da sociedade global que continua a revelar dificuldades de compatibilização com as realidades socio-económicas e culturais nacionais (leiam-se os textos de João Rodrigues no Ladrões de Bicicletas e de Rui Herbon no Jugular)... Para, em última análise, deixarmos de contribuir para o aumento de factos e de probabilidades como a que, no Jugular, Ana Matos Pires tão frontalmente enuncia.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Um Certo Entendimento da Representatividade Democrática

Não sei se por motivos de desassombro político, quiçá suscitados pela decisão em se assumir a verdadeira vocação de um partido que, sob a designação PPD-PSD, avoca a social-democracia!, mas, o facto é que a calendarização estatutária do direito ao exercício da crítica e a afirmação de que o PSD deve assumir a bipolarização do sistema político em Portugal, apresentadas como propostas por Pedro Santana Lopes (ontem no Congresso Extraordinário -efectivamente!!!- do PSD em Mafra e hoje no Jornal da Noite, na SIC-Notícias), denotam um entendimento da democracia representativa a que, de democrático, resta apenas o epíteto e cuja efectiva representatividade reduz a democracia pluralista ao binónimo da alternância partidária. Não sei se esta dimensão do 2º maior partido português é surpreendente ou se apenas confirma o que muitos, de há muito!, afirmam quando não hesitam em associar o PSD à direita!... Centro? Qual centro? Social-democracia? Qual social-democracia? Os conceitos já não são o que eram ou a sua evocação foi sempre meramente populista? - eis a questão que se colocaria ao eleitorado se a comunicação social disponibilizasse o seu tempo e o seu espaço para o exercício da análise e do pensamento crítico - a não ser, é claro!, que receie incorrer no risco de expulsão!

domingo, 14 de março de 2010

Em Cartaz: Um PSD Ensandecido...


Manuela Ferreira Leite anunciara a suspensão da democracia... por isso, não poderá ser surpreendente para quem nela acreditou, o facto de, para quem nunca reconheceu seriedade e credibilidade às suas palavras, o PSD, enquanto organização partidária, denotar agora sinais inequívocos que o demonstram ensandecido. Primeiro, os delegados só puderam participar activamente nos trabalhos do Congresso (ainda que, em democracia, um Congresso partidário se presuma como Forum onde a participação é equitativa e apenas sujeita às inscrições prévias acessíveis a todos); depois, foram as sanções para quem "falar mal" dos líderes, sanções que culminam com a expulsão dos críticos!!!... A loucura total!... para abrir os trabalhos e para os fechar... com coerência, está à vista! Faz, por isso, sentido que o populismo do discurso dispersivo do Presidente da CM Caldas da Rainha tenha galvanizado o Congresso... apesar de ter dito coisas espantosas para quem defende o projecto PPD-PSD (que nem me atrevo a designar por social-democrata!); como, por exemplo: "(...) onde é que Sá Carneiro aceitava, Dra. Manuela Ferreira Leite, que os mercados mandassem no Orçamento ou na Assembleia da República? (...)"... e, provavelmente, faz também sentido que Rui Machete tenha declarado (corroborando a tese simplória da ainda líder, sobre o facto das regras, quando existem, serem para cumprir mesmo se é de uma versão da "Lei da Rolha" que se fala), que se não trata de uma medida persecutória!!!... Palavras para quê? ... eles falam por si!... e sim, são artistas portugueses cuja marca de pasta dentífrica, mesmo se medicinal, é seguramente venenosa para a Democracia e para a sociedade portuguesa!

sábado, 13 de março de 2010

Cidadania e Criatividade...


A poesia é, pela manhã, uma forma de reinventar os dias... foi isto que, hoje, ao ler Mário Quintana, redescobri perante as palavras certas que nos relembram o valor da criatividade de que as sociedades necessitam urgentemente, enquanto há tempo para a catarse e a libertação das doenças alienantes que o desemprego e a descrença política provocam, despertando depressões, angústias, ansiedades e anomias. Diz Mário Quintana:
"Esses que puxam conversas sobre se chove ou não chove - não poderão ir para o Céu! Lá faz sempre bom tempo"...
... num tempo em que reivindicamos o exercício da cidadania e em que somos conscientes dos meios legais que condicionam e configuram a opinião pública, temos o direito e o dever, por obrigação de auto-defesa humana, de salvaguardar o nosso próprio raciocínio e o nosso juízo individual sobre as lógicas e os modos de viver em sociedade... A sociedade contemporânea, com a parafernália de media e tecnologias de informação que disponibilizou aos cidadãos, produziu uma espécie de "efeito secundário", em relação ao qual é preciso desenvolver o distanciamento: acreditar na avaliação individual dos múltiplos dados informativos e opinativos que nos chegam é, hoje, fundamental. E, se o refiro, faço-o por constatar que a baixa-auto-estima dos cidadãos, os deixa vulneravelmente expostos à manipulação e ao código de corporativismos comportamentais ditados pela moda e pelos estereotipos em que assenta o que se reconhece como padronizado. O exercício pleno da cidadania acontecerá no dia em que as pessoas deixarem de evitar a responsabilidade de assumir as suas próprias opiniões e opções e se sintam capazes de as defender e discutir, sem medo da diferença e sem necessidade de recorrer ao dogmatismo e ao fundamentalismo. Nesse dia, cumprir-se-á a Liberdade e a Democracia levantará a cabeça para dizer, como Goethe:
"Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força da sua alma, todo o universo conspira a seu favor"!

sexta-feira, 12 de março de 2010

Da Opinião Pública - Paradoxos ou Evidências

É um dado revelador, o facto das sondagens para o mês em curso, realizadas pela Eurosondagem para o Expresso/SIC/Rádio Renascença e pela Universidade Católica, continuarem a dar a vitória ao PS, remetendo o 2º maior partido para uma distância assinalável... Revelador porque, do actual contexto de crise económica com o respectivo anúncio de medidas de austeridade para a sociedade portuguesa, à oposição frontalmente mediatizada face à discussão e votação parlamentar do Orçamento e à análise do PEC (Programa de Estabilidade e Crescimento), não encontramos, "a priori" muitas razões evidentes para que assim seja... a não ser que se considere que a opinião pública se constrói de forma cada vez mais distanciada do definido pela tradicional cartilha da comunicação social empenhada, desde há muito, na exploração e desenvolvimento de uma sistemática campanha de acusações e suspeitas relativas ao Primeiro-Ministro e ao Governo...

segunda-feira, 8 de março de 2010

Um Contributo Feminino - Da Tradição Oral à Multiculturalidade



(Se preferir ver com legendas,clique em "view subtitles" e procure, com o cursor, o idioma "Português de Portugal")

A multiculturalidade contemporânea é a mais-valia que a globalização representa para uma cidadania capaz de se cumprir no pleno exercício dos direitos cívicos em nome de uma coexistência enriquecedora e pacífica. Capaz de contrariar sentimentos xenófobos e racistas e práticas discriminatórias que a pluralidade étnica, cultural e religiosa pode suscitar, designadamente enquanto pretexto catártico para o descontentamento social, a multiculturalidade requer o exercício pedagógico de um ensino/aprendizagem societário que permita aos cidadãos reconhecer, respeitar e valorizar a diferença.
Chimamanda Ngozi Adichie é uma jovem escritora nigeriana, romancista e novelista que se auto-denomina "contadora de histórias" que, na Conferência Anual da TED (organização não-governamental para a divulgação de Ideias com Mérito e Valor), em Oxford, apresentou uma intervenção intitulada "O Perigo da História Única". Em "O Perigo da História Única", Chimamanda Adichie pronuncia-se de forma extraordinariamente inovadora e simples, sobre o perigo da educação unilateral e etnocêntrica, promotora de mundivisões monolíticas e de representações deturpadas da realidade... inaugurando assim, pelo recurso à tradição oral dos contadores de história, um modo autêntico e eficaz de transmissão da mensagem e da consciência da contemporaneidade, que urge despertar e partilhar com todas as crianças e todos os adultos do planeta.
(O nosso agradecimento ao Osvaldo Castro, autor do A Carta a Garcia pela divulgação partilha do vídeo que aqui partilhamos)

O Dia da Mulher, Hoje...


No dia 8 de Março de 1857, um grupo de operárias têxteis, em Nova Iorque, decidiu fazer greve, ocupando, para o efeito, a respectiva fábrica. Reivindicando a redução do horário de trabalho de 16 para 10 horas e contestando o facto de receberem apenas um terço do salário pago aos homens, pela prestação do mesmo trabalho, as operárias foram fechadas nas instalações dessa fábrica em que veio a deflagrar um incêndio e, nesse dia de luta pela igualdade de direitos laborais, morreram cerca de 130 mulheres. Em homenagem a estas operárias, em 1910, numa conferência internacional de mulheres, decidiu-se celebrar o dia 8 de Março como Dia Internacional da Mulher.
Celebram-se pois, hoje, 100 anos deste Dia que muitos problematizam mas cujo sentido se revê na actualidade, apesar de já terem passado 153 anos sobre o episódio que acabou por simbolizar a internacionalização da luta das mulheres pela igualdade de direitos. Porque, apesar do reconhecimento internacional dos Direitos das Mulheres, da Igualdade de Oportunidades e do combate a todas as formas de discriminação de que se destaca, pela sua transversalidade, a discriminação em função do sexo, as mulheres continuam, em muitos sectores de actividade, a não ter o produto do seu trabalho reconhecido em igualdade de circunstâncias com o sexo masculino. E se esta realidade ocorre ainda no Ocidente, no planeta é esta a realidade maioritária do mundo laboral, multiplicada exponencialmente várias vezes se pensarmos no exercício de direitos cívicos, políticos e religiosos ou na valorização e reconhecimento dos direitos relativos à identidade individual, cultural e sexual das mulheres.

Vítimas de todo o género de violência, as mulheres continuam a liderar taxas de pobreza e exclusão uma vez que, infelizmente, o género, na sua transversalidade, acaba por se constituir como factor de dupla discriminação, concorrendo, em particular, no feminino, para a persistência das discriminações múltiplas.

Por Todas as Mulheres em Todo o Mundo faz sentido assinalar o Dia Internacional da Mulher!

(Sobre o Dia Internacional da Mulher escrevi também AQUI)

domingo, 7 de março de 2010

Dos Capitães de Abril...


Costa Martins foi uma das vítimas mortais da queda de uma avioneta, ocorrida ontem à noite em Montemor-o-Novo. Capitão de Abril a quem se deve a ocupação do Aeroporto de Lisboa e a interdição do espaço aéreo português, operação levada a cabo isoladamente já que os reforços chegaram mais tarde, Costa Martins foi também, entre 1974 e 1975, Ministro do Trabalho dos II, III, IV e V Governos Provisórios. Soube da notícia aqui mesmo, na blogosfera... e pela admiração maior que nos merecem os Capitães da Liberdade, não posso deixar de assinalar este facto e partilhar convosco o texto com que, no Politeia, JMCorreia-Pinto retrata Costa Marins (ver AQUI).
Na fotografia, Costa Martins ao lado de Vasco Gonçalves.

Para começar... no Aventar

Pode ler-se AQUI o meu primeiro post no Aventar onde, a partir de agora, também me poderão encontrar.

sábado, 6 de março de 2010

Leituras Cruzadas - Especial...

Este Leituras Cruzadas é especial... não sei bem porquê mas, é um destaque de "meia dúzia" de textos importantes que encontrei hoje na blogosfera. São textos diversos no conteúdo, na orientação e na forma mas são, essencialmente, a prova de que, por um lado, a demagogia, a desconfiança, a intriga e a má-fé fazem mal ao país e de que, por outro lado, a democracia precisa de concretizar a coexistência desejável e possível entre todos os que defendem a salvaguarda do interesse nacional e sabem que a instabilidade é, designadamente em situações de crise, o pior inimigo da qualidade de vida. Acima de tudo, este Leituras Cruzadas é o resultado de uma reflexão entristecida sobre as razões que justificam grande parte das posturas políticas e uma espécie de chamada de atenção à nossa melhor capacidade de olhar desmistificadamente e com humildade o mundo e o que com ele podemos aprender, para além dos limites estreitos dos nossos egoísmos e das nossas pretensões... Vale a pena ler:
- JMCorreia-Pinto, A Visita de Miliband a Lisboa in Politeia;
- Nuno Ramos de Almeida, 6 de Março de 1921 in 5 Dias;
- Osvaldo Castro, Freeport, Fonte Judicial desmente Expresso in A Carta a Garcia;
- Raimundo Narciso, A Política na Sanita in PuxaPalavra;
- Miguel Abrantes, Ainda que mal pergunte in Câmara Corporativa;
- A. Pedro Correia, Os Pequenos que se julgam Grandes(...) in Aventar;
- Pedro Correia, Frases do Ano (6) in Delito de Opinião;
- Manuela Araújo, Uma Visão do Futuro - Transição in Sustentabilidade é Acção;
- António Manuel Venda, Frase Assustadora in Delito de Opinião.

Sons Femininos...



"There's A Chance (Peace Will Came)" de Melanie Safka...

Uma Reflexão... pela Humanidade, pelo Chile e pelo Planeta

"As catástrofes da natureza" é o título de um texto publicado pelo Professor Raul Iturra no Aventar, cujo espaço de escrita começarei a partilhar a partir de Abril... Chileno, o Professor Raul Iturra é um antropólogo, um cientista social e um cidadão com cujas reflexões muito continuo a aprender... e que, naturalmente!, vale muito a pena ler.

quinta-feira, 4 de março de 2010

A Justiça - do Freeport ao Face Oculta segundo Garcia Pereira



Vale a pena ouvir Garcia Pereira sobre a situação da Justiça em Portugal no programa "Antes pelo Contrário" da RTP1... conhecendo nós a frontalidade de Garcia Pereira e o discernimento com que analisa muita da realidade portuguesa, é duplamente interessante ouvir as suas declarações que se referem, também, aos casos Freeport e Face Oculta.
Observação: tomei conhecimento deste vídeo através de um post de João Pinto e Castro no Jugular

quarta-feira, 3 de março de 2010

Leituras Cruzadas

Estranho e curioso país o nosso, reconhecidamente localizado numa Europa que se pretende exemplo democrático, no complexo mundo em que vivemos e se vê quase reduzido a representações que, sob múltiplas formas de expressão, mais lembram populismos demagógicos que precedem uma espécie de "golpes de estado" conhecidos por "mexicanizações", sejam elas "de secretaria" ou simplesmente, como era apanágio das sociedades de cultura oral, por via da intriga e do boato. Apesar de meio milhão de desempregados (100.000 dos quais jovens), de uma taxa de emigração igual à de há 50 anos atrás, da falência de mais de 700 empresas no espaço de meses e do problema comum da recuperação económica e da protecção das populações que nos colocam as devastações que as condições atmosféricas têm evidenciado por todo o lado (do Haiti à Madeira ou do Chile a França), Portugal continua a ter, por um lado, uma oposição empenhada em minar a governabilidade possível de um país a braços com uma profunda crise económica e, por outro, uma comunicação social sedenta de escândalos, determinada em corroer a confiança da opinião pública - apesar da ausência de pertinência ou fundamento de pseudo-notícias assentes na especulação gratuita que merecem o nosso veemente repúdio, designadamente pela evidência que denotam de concorrer para objectivos que se não esgotam no que relatam. É neste contexto que se pode compreender o critério jornalístico que levou a que um jornal nacional como é o "i", na sua edição de ontem, tenha escolhido uma não-notícia para colocar, em grande destaque na sua primeira página, sobre uma matéria bizarra que de informativo nada tem e que, em termos de contributo para a formação da opinião pública, nada acrescenta senão mais um contributo para o confuso e suspeito clima de intrigas com que oposição e comunicação social vêm encarando e retratando o país em que vivemos. A polémica suscitada mereceu, naturalmente!, uma série de reacções de que destaco os textos de Eduardo Pitta no Da Literatura, de Nanda no Sacode as Nuvens, no Léxico Familiar de Pedro Adão e Silva, de Tomás Vasques no Hoje há Conquilhas ou de Luís Novaes Tito no A Barbearia do Senhor Luís, bem como outros que, pela ironia denotada (veja-se o post do 31 da Sarrafada) ou pela solidariedade insuspeita reveladora da indignação de pessoas decentes (veja-se o post de Gabriel Silva no Blasfémias) justificam aqui a respectiva referência. A questão não é gratuita nem deve ser negligenciada porque, enquanto cidadãos, nos cabe o direito de exigir mais respeito pelos leitores, em nome de um jornalismo claro, informativo e de qualidade que não troque o interesse nacional por "fait-divers", ainda por cima de sentido escuso e/ou enviesado... Porque é o país e não a intriga e a suspeição indiscriminada que nos interessa e entretanto, enquanto grassa a confusão que muitos aproveitam para problematizar em sentidos diversos (vejam-se os textos de Luís Moreira e de Fernando Moreira de Sá no Aventar), ficam sem resposta as verdadeiras questões que se nos colocam para desmistificar tudo o que tem vindo a ser explorado exaustivamente em registo acusatório mas, pelo que se tem vindo a apurar, infundado(vejam-se os textos de João Abel de Freitas no PuxaPalavra e de Daniel Oliveira no Arrastão), sem se retirarem ilacções do que efectivamente se vai conseguindo fazer de positivo (veja-se o texto de Rui Caetano no Urbanidades da Madeira) ou, sem sequer se apresentarem leituras sérias suscitadas pela realidade dos factos (vejam-se os textos de JMCorreia-Pinto no Politeia, de Leonor Barros no Delito de Opinião e de Francisco Seixas da Costa no Duas ou Três Coisas). O país, o mundo e os cidadãos merecem mais e melhor!
(2ª Observação posterior à publicação deste post: os links para o Aventar já estão activos - informação gentilmente cedida pelo Fernando Moreira de Sá supra-citado a quem agradeço; para quem não lera a 1ª observação, acrescento que a mesma referia o facto dos links do Aventar terem estado temporariamente inoperacionais).

terça-feira, 2 de março de 2010

Daqui a Bombaim e Cabul...




Enquanto o país se desdobra em dificuldades económicas, com um desemprego elevadissimo, empresas falidas e medidas de austeridade indispensáveis ao esforço de compensação das contas públicas e os media persistem na busca incessante de matéria sensacionalista, o mundo dos cidadãos busca respostas para a complexidade dos dias... Felizmente, existe a literatura que é, sem dúvida, como aliás, sempre foi!, uma ajuda inestimável para se alcançar esse fim. A multiculturalidade e as relações internacionais trazem, actualmente, à informação e à opinião, uma torrente plural de dados que, cruzados, nos dão da realidade uma imagem que a não esgota... incorre-se assim, cada vez mais, em resultado de uma globalização que se pretendeu transparente, no risco de tornarmos mais opaca a verdade e de ficarmos cada vez mais alienados de representações que são construídas intencionalmente com objectivos obscuros que se podem resumir na percepção dos fenómenos de manipulação da opinião pública de que podemos escapar, quase paradoxalmente, através da ficção. Há pouco tempo citei aqui uma das frases importantes da obra de Aravind Adiga "O Tigre Branco" (ed. Presença), uma das obras que considero, nos dias que correm, ter o poder de nos devolver à realidade... Entretanto, hoje, lembrei-me de um outro livro fascinante pela autenticidade narrativa com que foi escrito e que transparece à leitura. Trata-se de: "O Menino de Cabul" de Khaled Hosseini, editado pela Relógio d'Água, já há uns anos (2005). O primeiro tem como cenário a Índia e o segundo o Afeganistão... e se ambos nos aproximam de realidades culturais diversas, ambos nos permitem, pelo distanciamento que os seus contextos imprimem à nossa leitura, uma aproximação valiosa ao mundo dos cidadãos de outros lugares que, na informação mediática que conhecemos, nos são dados como lugares onde valores e práticas nos parecem formas alheias à nossa visão do mundo... mas que, afinal, nos devolvem a imagem do que somos como indivíduos integrados em sociedades que nos moldam... muito mais iguais, muito mais compreensíveis, muito mais racionalmente próximos uns dos outros, filhos todos de uma mesma Humanidade que, por todo o lado, a lógica do poder determina e manipula, alheia, ela sim, à justiça, à equidade e à verdade, deixando-nos reféns de representações de um mundo ideal que permanece aí mesmo, no mundo das ideias, como mero referencial de acção e de luta.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Recomeçar...


... porque Março é um bom mês para reeditar a esperança... porque o tempo de recomeçar é sempre o tempo certo e Março pode ser, para muitos, o tempo de recomeçar sobre o que se perdeu e para outros tantos, o tempo de iniciar tudo o que há por construir... porque, afinal de contas, a vida é o eterno recomeço...