quarta-feira, 24 de junho de 2009

Iguais a si próprios...



É verdade... tentei evitar colocar este vídeo dos "Contemporâneos" de modo a não reduzir a política partidária nacional ao, apesar de tudo, sempre saudável, humor!... porém, depois da entrevista de MFL à SIC, não é fácil evitar a tentação e, sorrindo com gosto, cedo!... De facto, é extremamente curioso assistir e analisar as potencialidades da "indústria da imagem" por um lado, e, por outro, a leitura subliminar do que lhe está subjacente. Manuela Ferreira Leite surgiu sem efeitos dissimuladores excessivos em termos de maquilhagem, contente consigo própria (com razão, designadamente pelas baixas expectativas que a sua liderança trouxe ao maior partido da oposição até às recentes eleições europeias), assertiva e sistémica na verbalidade... como se não via há muito, diria - talvez desde que terminou o seu mandato como Ministra das Finanças!... Contudo... alegria de Pirro!, tudo devido ao efeito do deslumbramento provocado pelo resultado das Europeias, eleições cuja natureza se reduziu à emissão de um sinal sobre os caminhos da governação ou, talvez mais objectivamente, um sinal sobre o descalabro social das condições de vida das famílias e a re-emergência da pobreza... Manuela Ferreira Leite nada disse de novo. Sistematizou o que tem vindo a dizer, em frases soltas e intervenções pontuais, só que, desta vez, com maior contundência e fluência, influenciada pelo regozijo provocado pela imagem de revitalização que o resultado de 7 de Junho induziu na actual direcção das hostes sociais-democratas... punho esquerdo fechado sobre a mesa, num inequívoco gesto de agressividade contida em termos de manifestação expressiva, Manuela Ferreira Leite alegou que: a) não é preciso autorização para abrir "uma sapataria ou um café" (argumento assaz bizarro para uma economista que, pelos vistos, tão arredada tem andado desde sempre da realidade, que nunca ouviu falar em licenças ou alvarás?!!?); b) designou a derrocada internacional do sistema financeiro e os seus reflexos nas economias nacionais (referindo-se, designadamente, à economia portuguesa) como um "abalozinho de terra"; c) afirmou alto e bom som que, a ser PM, não aumentaria impostos nem reduziria os custos da política de acção social (sem explicar como é que aumenta as receitas nacionais com estes dois "a priori"); d) insistiu em falar no apoio às PME's sem que diga com que critérios (pois, como diz o próprio ex-Ministro Mira Amaral, "nunca haverá dinheiro suficiente para apoiar todas as PME's") e deixando sem resposta a apresentação de uma programa económico sustentável para o país; e) nem sequer tem a coragem de abordar um problema que, desde que se tornou "moda" condenar os investimentos públicos se tornou "inexistente", a saber, como justificar o não recurso ao significativo volume dos fundos comunitários exclusivamente aplicáveis a investimentos específicos, como é, por exemplo, o caso do TGV... Em jeito de balanço, é caso para se reflectir sobre se a oposição e a crítica a determinada praxis política, legitima, por si só, o seu oposto... Penso que não... de facto, penso que não!

7 comentários:

  1. Vamos sorrir ao mesmo tempo?!risos.um abraço.

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  2. Ana Paula

    Deixo o meu cansaço, por momento, só para lhe dizer que subscrevo do início ao fim, todo o seu artigo.
    Com amizade
    Tina

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  3. Jeune Dame,

    Risos simultâneos... com um abraço feliz.

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  4. Tina,

    Obrigado por ter lido e ter tido a energia capaz de enviar este sinal de concordância... com amizade, Tina, deixe que lhe peça o pequenino (ou imenso) esforço de relaxar e descansar um pouco, sorrindo... a Tina merece... faça-o, por favor!... por si. Um grande abraço.

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  6. O comentário anterior foi eliminado por se tratar de um lapso (repetição de um dos que já foi publicado).

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  7. Não vi a MFL à conversa com...Mas, fazendo fé na sua descrição não é preciso ver ou ouvir porque desse centrão político nada de novo pode vir.
    Queria que MFL dissesse o que?
    Não podia dizer, por exemplo, que as empresas não podem manter o mesmo nível de lucros dentro de uma economia que está em recessão. Não é legitimo que o façam e, portanto, deveria condenar todos os grandes gestores que enviam os trabalhadores para o desemprego para cortarem nos custos e tentarem manter os lucros. Como Sócrates, também, não pode dizer tal coisa.
    Mas, não dizer isto é objectivamente estar ao lado dos mais ricos em detrimento dos mais pobres. Só têm lucros chorudos as GALPS as EDPs, e quejandas, porque as pequenas debatem-se para não "afundarem".
    Não pode dizer que temos de dar qualidade de vida às pessoas e às familias, libertando-as do "workolismo", para terem tempo para se encontrarem.
    E então a eficácia e a eficiência?
    Mas isto é o que defende Socrates. Mais trabalho. Mais horas a trabalhar.
    Não vejo ninguém falar da má gestão. Da má organização das empresas. Da qualificação dos empresários e dos patrões. Será que Socrates vai defender a redução dos tempos de permanência, das pessoas, nas empresas?
    Será que MFL, tão preocupada com o social, vai propor que as famílias que residem nas periferias de Lisboa possam vir morar para Lisboa, custeando o Estado e as empresas, dentro da sua responsabilidade social, parte das despesas com as rendas do aluguer de casa? O que poupariamos em gasolina talvez dessa para isso.
    Claro que não. São mesma ninhada. Mudam a imagem e o papel consoante estão no poder ou na oposição.
    Quem acredita nestas almas, que nos consideram estúpidos e jogam mediáticamente com os sentimentos mais primários das pessoas?
    Só participa quem entende o que se passa e quem tem tempo para saber, para se informar, sobre o que as coisas são.
    Algum destes senhores(as) está interessado na pedagogia da participação? Claro de 4 em 4 anos, para legitimar as sua permanência no poder.

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