sábado, 22 de janeiro de 2011

Da Função Social da Arte - Símbolo e/ou Significado em Vésperas de Eleições Presidenciais

"É possível falar sem um nó na garganta
É possível amar sem que venham proibir
É possível correr sem que seja fugir.
Se tens vontade de cantar não tenhas medo: canta.
É possível andar sem olhar para o chão
É possível viver sem que seja de rastos.
Os teus olhos nasceram para olhar os astros
Se te apetece dizer não grita comigo: não.
É possível viver de outro modo. É
possível transformares em arma a tua mão.
É possível o amor. É possível o pão.
É possível viver de pé.
Não te deixes murchar. Não deixes que te domem.
É possível viver sem fingir que se vive.
É possível ser Homem.
É possível ser Livre, Livre, Livre."
Manuel Alegre
(A imagem é de um quadro de Maria Keil chamado "Abril"... o poema de Manuel Alegre foi "surripiado" ao A Carta a Garcia... com os meus agradecimentos!)

Pelos Valores e os Princípios...


... que os tempos fragilizam e que as crises vão servindo para corroer... todos os esforços se justificam!... para manter acesa a Democracia e viva a Liberdade!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

"É Pior a Emenda que o Soneto" ou "A Vingança Serve-se Fria"?... Olhem que não...

Costuma dizer-se que "as sondagens são o que são"... de qualquer modo, o que me preocupa é a tendência portuguesa para, por um lado, tentar penalizar o que considera causas do seu descontentamento e, por outro lado, a ainda deficitária interiorização da ética republicana que grassa na sociedade portuguesa. O que quero dizer com isto? Simplesmente que os portugueses, numa tentativa de penalização do governo e, consequentemente, do PS, podem projectar na votação no seu principal opositor a manifestação do seu "castigo"... o raciocínio é demasiado simplista e transporta em si próprio alguma perversidade que só os mais ingénuos podem descurar, para gáudio dos que fruirão desta decisão. Porque, na verdade, o exercício desta forma de acção significa que, para efeitos de provocação de um desagrado imediato ao partido do governo, os portugueses preferem não equacionar o futuro, recusando pensar nas consequências dos seus actos! De facto, se houvesse hábitos reflexivos na opinião pública, a hipótese de um cenário em que se altere a conjuntura parlamentar por via de eleições legislativas, seria colocada e a consciência de que as alternativas económicas à actual governação não são, nesse mesmo cenário, do interesse público, os cidadãos iriam perceber que votar Cavaco Silva é contribuir para legitimar um caminho que será muito mais penoso para Portugal do que o que actualmente trilhamos. Por outro lado, por razões que se prendem com a cultura democrática relativamente incipiente nas populações menos alfabetizadas, menos informadas e menos politizadas, a representação social do Presidente da República é ainda o que resta do que, entre nós, legitima o "apadrinhamento social" e a "lógica do favor" em prejuízo da "cultura do mérito" - razão pela qual a mudança presidencial se processa, no nosso país e ainda que num regime democrático, por desistência do cargo, seja por limite de mandatos ou por vontade própria... como se a essa figura coubesse uma "intocabilidade"entendida de forma ainda próxima de concepções religiosas medievais em que o poder se associava ao "sagrado"! Ganha aqui sentido a expressão "nem para si próprios sabem ser" porque esta forma de pensar aproxima a sociedade daquilo que as pessoas mais temem: o empobrecimento e o autoritarismo!... e, como sabemos, apesar de se dizer que "a vingança serve-se fria", a verdade é que a vingança nunca é a melhor forma de resolvermos os problemas!
(Também publicado no Alegro Pianissimo)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Manuel Alegre - Ouvir e Participar para Acreditar!


Hoje, num almoço quente e concorrido na Cervejaria Trindade, Manuel Alegre fez um discurso aberto e claro, veemente e preciso, sobre as prioridades do país. Sem cair na tentação de perder demasiado tempo com os adversários, Manuel Alegre afirmou-se como o garante da Democracia, o defensor do Estado Social, da Educação Pública, da Segurança Social, o promotor dos interesses nacionais contra a desertificação e os interesses especulativos, cegos e anónimos dos mercados, o portador de uma ideologia de liberdade e resistência em nome do interesse colectivo dos portugueses e o companheiro de viagem dos cidadãos na sua luta e no seu empenho por uma sociedade melhor. Afirmando a necessidade de continuar a trabalhar sem cedências num projecto comum para uma Europa Democrática, Social e Plural, Manuel Alegre falou da cultura e da educação como fontes de reconstrução de uma identidade que precisa de consolidar raízes para enfrentar o futuro. Ouvir Manuel Alegre é recuperar a Vontade de Acreditar. Hoje, às 21horas, no Coliseu dos Recreios em Lisboa, Manuel Alegre estará com todos os que quiserem investir, com a razão e o coração, na não desistência de um sonho: um Portugal melhor para todos, um Portugal que não ajoelha e se levanta, digno e convicto, na defesa do interesse da Democracia e dos Cidadãos.

"O Meu Melhor Amigo"...


... dos "Companheiros de Aventura" de Tim...

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Contra a Crise, Suspender a Democracia?

Já ouviramos da ex-líder do PSD que a suspensão da democracia por 6 meses para efeitos de, digamos assim!, "endireitar as coisas", seria uma das soluções a ponderar - à época, é certo!... Agora é a vez de Cavaco Silva alarmar os portugueses dizendo que mais 2 semanas de campanha eleitoral, seria penoso e "insustentável" para o país... Acontece que a eventualidade de existir campanha eleitoral por mais 2 semanas, significaria que o povo português exigira, através do exercício do voto, uma 2ª volta... Será que o actual Presidente da República, no final do seu 1º mandato, está a sugerir contenção eleitoral para não agravar a crise? - ou, simplesmente, a criar falsos argumentos populistas para induzir os eleitores em erro, na pressuposição de que uma eleição à 1ª volta reduz os custos de uma crise financeira cujo controle não está, de todo!, nas mãos dos portugueses?... sejamos sinceros, para além de extremamente demagógica, é uma falácia gravosa ao nível do entendimento político que se requer a um Presidente da República... ou, pelo menos, de muito mau gosto! (ler e ouvir aqui)
(Também publicado no Alegro Pianissimo)

Brasil - O Som Solidário (Tim e Vitorino em Companheiros de Aventura)


... "Adeus, ó Serra da Lapa" é um tema lindissimo, inequivocamente português, que, depois de cantado por Vitorino, viu associar-se-lhe a voz de Tim numa versão extraordinária que pode ser ouvida no seu álbum "Companheiros de Aventura"... hoje, não sei porquê!, ao ouvir esta canção, senti que dela emanava um sentimento que visualizei brasileiro... talvez por causa da zona serrana do Rio onde os deslizamentos de terras soterraram e silenciaram inesperadamente centenas de cidadãos... talvez por isso, "Adeus, ó Serra da Lapa" é, esta noite, um canto solidário... pelo Brasil encharcado de água, lama e lágrimas que o sol há-de secar e a força das gentes, seguramente, vencer e superar.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Manuel Alegre, candidato do PS?

Enquanto crescem as expectativas sobre as possibilidades de uma 2ª volta nas eleições presidenciais do próximo domingo, alguns dirigentes políticos expressam as suas opiniões apoiando ou manifestando desagrado pelos candidatos apoiados pelas forças político-partidárias a que pertencem. No caso de Manuel Alegre, talvez não seja uma má estratégia! Pelo menos, os que receiam que a candidatura de Alegre se esgote numa candidatura presidencial do PS, ficam mais seguros da independência ético-política do candidato e podem, também assim, confirmar a natureza de esquerda que o seu perfil apresenta, propõe e garante. (ler aqui, aqui, aqui e aqui)
(Também publicado no Alegro Pianissimo)

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Leituras Cruzadas...

O ritmo dos dias corre de tal modo acelerado que, entre tarefas e cansaços, nem tempo tenho tido para responder a quem por aqui passa e deixa contributos e apreciações dignas da minha melhor atenção... contando com a generosidade do entendimento de todos pela qualidade humana a que já me habituaram, continuo a escrever nos breves intervalos de que vou dispondo e deixo hoje umas Leituras Cruzadas sem grandes comentários porque a citação lhes basta para o relevo que merecem (e a promessa de retomar as respostas devidas tão breve quanto possível). E por ser incontornável o drama que atingiu o Brasil, na solidariedade que nos merece a melhor atenção, sugiro a leitura dos registos de Celso Martins no Sambaqui na Rede e de Luciano Turl no Vida de Bombeiro; além disso e por se saber dos múltiplos rostos que a esperança solidária assume, cabe-nos também aqui destacar a Revolução do Jasmin que teve lugar na Tunísia e sobre a qual escreveram Raimundo Narciso no PuxaPalavra, João Ricardo Vasconcelos no Activismo de Sofá, Francisco Clamote no Terra dos Espantos e João Tunes no Água Lisa. Porém, porque Portugal está à beira de eleições presidenciais, vale a pena ler o que escreveram Osvaldo Castro no A Carta a Garcia e Garcia Pereira no António Garcia Pereira num tempo em que a demagogia, o populismo e a frágil memória minimizam o que preferiam ignorar e que nos relembram JM Correia-Pinto no Politeia, Weber no Mainstreet e João Magalhães no Câmara Corporativa... Porque os dias que correm não estão para brincadeiras como bem nos lembram José M.Castro Caldas no Ladrões de Bicicletas e, em particular, Henrique Sousa no Grão de Areia e Eduardo Marculino no História Viva.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Da Comunicação Social Portuguesa à WikiLeaks...

... talvez seja bizarro o título deste post mas, não me ocorre melhor para referir 2 exemplos estranhos mas, significativos do que acontece na comunicação social deste país à beira-mar plantado: a) como justificar que o caso da Aldeia da Coelha não tenha sido analisado à luz das suas maiores evidências? Dou apenas como exemplo, para as mentes distraídas!, que, ainda há dias, o Banco Português de Negócios e a Sociedade Lusa de Negócios eram tema de primeira página, tendo desaparecido literalmente com o silêncio que Cavaco Silva decidiu para si próprio sobre o assunto; as questões que se colocam são, por um lado, a de saber, qual a razão porque se não aprofundam e esclarecem as relações interpessoais subjacentes ao problema já que nelas se destacam "pormenores"(?) tais como o do banqueiro ter integrado, com destaque, a governação de Cavaco Silva, ter sido ele e o seu banco quem vendeu e comprou acções a preço "da chuva" a Cavaco Silva que jurara nunca ter comprado ou vendido coisa alguma ao BPN/SLN e que agora se vem a saber da coexistência de ambos e do amigo Dias Loureiro (que, por motivos próximos, saiu do país há meses sem dar sinal, escondido algures num resort qualquer, depois de jurada inocência sobre tanta fraude e corrupção, ele próprio também ex-Ministro de Cavaco Silva) na dita Aldeia da Coelha?... finalmente, neste primeiro exemplo, cabe ainda a pergunta: Cavaco Silva impôs silêncio a si próprio mas, pelo que se constata, esse silêncio tem extensões complexas ou perigosas, não sei mas, seguramente, opacas e suspeitas. b) sobre o 2º exemplo a que pensei referir-me, as perguntas são 2 mas são simples: que razão justifica que o maior comício da campanha de Manuel Alegre não tenha aparecido nas televisões, contrariando a lógica de toda uma campanha que, diariamente e várias vezes por dia, percorre os noticiários com a ilustração das actividades de todos os candidatos??? ... pois... é por isso que me ocorreu a referência ao WikiLeaks... sem um trabalho de transparência o mundo não seria a mesma coisa!... Ora, não esqueçamos que afinal de contas, nós queremos um mundo diferente! Um Mundo Melhor!
(Também publicado no Alegro Pianissimo)

Homenagem ao Brasil - Tristes Rios de Janeiro (2)

... mais de 500 mortos sob as lamas do que é considerado o maior deslizamento de terras conhecido... mais de 8.000 desalojados... de luto, o Brasil e o Rio de Janeiro choram e lutam para recomeçar tudo de novo... são 7 dias de luto... a nós, do lado de cá do oceano, resta-nos a expressão da solidariedade e da confiança no povo e na cultura que nos tem alimentado a esperança... Vamos lá, Brasil! "com força e com vontade" - como dizia a canção!... para combater a "Tristeza" que, mansamente, Vinicius de Moraes e Toquinho, um dia, tocaram e cantaram assim:

sábado, 15 de janeiro de 2011

Demagogia e Populismo? Não, Obrigado!

Manuel Alegre denunciou o carácter demagógico e populista que, na campanha de Cavaco Silva, sobe de tom ao ponto de chegar ao ridículo recurso de exemplificar com a pensão da mulher, a situação dos pensionistas... o mais caricato e profundamente reaccionário destas declarações de Cavaco Silva foi, como referiu Manuel Alegre, o facto de ainda ter dito que a mulher, por ter uma reforma tão pequena, depende dele, a quem, de acordo com as suas palavras cabe o papel de a proteger... porque, apesar de toda a solidariedade que é suposta entre os membros dos agregados familiares, a declaração de Cavaco Silva devolveu as mulheres à dependência masculina num apelo tradicionalista, piegas e patético que se não adequa, de modo algum, com a imagem de uma democracia moderna, promotora de igualdade de oportunidades e de género.
(Também publicado no Alegro Pianissimo)

A Revolução do Jasmin, o Magrebe, a Europa e o Médio Oriente

A Revolução do Jasmin marca a história tunisina e enche de expectativas todos os que, contra as ditaduras, aspiram à concertação internacional pela paz... A Tunísia, enquanto parte integrante do Magrebe, pode agora desenvolver um esforço de cidadania no exercício das suas próximas eleições livres, de forma a que a região reforce o seu empenhamento na luta pelos Direitos Humanos, demonstrando ao mundo que os povos muçulmanos não rejeitam a construção histórica da sua identidade histórica partilhada com os povos vizinhos a ocidente e a oriente e que a sua confiança na democracia não legitimará opções integristas e fundamentalistas radicais (vale a pena ler o que escreveu sobre esta matéria o Embaixador Seixas da Costa no Duas ou Três Coisas). A verdade é que seria uma boa notícia para o futuro de todos nós, se a Tunísia erguesse uma democracia sem medo a partir da Revolução do Jasmin, capaz de inspirar a Argélia, Marrocos, o Sahara Ocidental, a Mauritânia e a Líbia... O reflexo que a democracia tunisina pode vir a representar para o Médio Oriente e para a Turquia pode significar uma nova etapa nas relações políticas, sociais e culturais entre civilizações, contribuindo para o redesenhar da geografia multicultural da paz... Oxalá os tunisinos não percam esta oportunidade que será também uma oportunidade para os povos das regiões envolventes, a saber, Magrebe, Médio Oriente e Europa... Com a Tunísia rumo ao futuro, eis o que todos devemos desejar e apoiar.

Tunísia - A Revolução do Jasmin

Terminaram 23 anos de ditadura na Tunísia e os tunisinos celebram, nas ruas, a democracia! "Cada líder árabe está a olhar para a Tunísia com medo. Cada cidadão árabe está a olhar para a Tunísia com esperança e solidariedade." - esta é a mensagem que, via twitter, circula no mundo inteiro (ler aqui)! A Revolução do Jasmin é já considerada a primeira revolução pós-colonial do mundo árabe! O futuro da Tunísia é complexo... entre a cultura e a religião, a sociedade e a influência civilizacional contemporânea, a cidadania tunisina tem agora o desafio de decidir o seu futuro (ler aqui)... Com a Tunísia, por um mundo mais livre para todos, fica a expressão da nossa alegria e da nossa camaradagem! Viva a Tunísia! Viva a luta pela liberdade!

Entre a Má-Língua e os Silêncios, o Desconforto...

Factos, intriga, associação aleatória de dados com intencionalidade política?! - certo é que as notícias em circulação, nos últimos dias, causam estragos na auto-estima da sociedade portuguesa e descredibilizam as figuras públicas... seja a propósito da psicopatologia criminosa ou das alianças interpessoais que configuram promiscuidade entre a política e os negócios... incómodo maior se todas têm uma qualquer relação, real ou fictícia, com um candidato presidencial... não seria tão importante e talvez até pudesse ser minimizado, não fosse estarmos em vésperas de eleições presidenciais... não, não se trata de emitir uma opinião; trata-se de ler o que tem vindo à luz do dia, escrito e publicado... por exemplo aqui, aqui, aqui e aqui... E, diga-se em abono da verdade, que o mal que a imagem de desconfiança provoca ao país, no exterior e, em particular, nos mercados, encontra, no interior da sociedade portuguesa,um efeito paralelo no que nos provocam notícias -e mais que isso!- realidades, como estas que recolhemos em várias fontes, ao longo do dia. Respeito pela ética, pela transparência, pelos valores democráticos, pela honestidade, pelo mérito e pelo Portugal que somos, precisa-se! ... afinal, vivemos numa República e em Democracia... ou (já) não?

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Tristes Rios de Janeiro...


Assustadoras, as águas desceram sobre a "cidade maravilhosa" e arrastaram centenas de pessoas, mortas, feridas e aterrorizadas, sob a enxurrada de lama... entretanto, ruiu mais de um milhar de casas onde se encontravam os bens de muitas centenas de famílias... As cheias no Brasil, face às que também inundaram a Austrália, relembram a inequívoca urgência do combate à pobreza e do investimento em estruturas habitacionais seguras para todos os cidadãos - ainda que, na que é já conhecida como a maior tragédia natural brasileira, até as ricas vivendas não tenham resistido... assim como a cada vez maior imprevisibilidade das catástrofes naturais que o aquecimento global continua a provocar. Se é grande e dramática a tarefa da nova Presidente do Brasil, Dilma Rousseff,é hercúleo o desafio que se coloca ao planeta.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Precisamos de um Portugal Sem Medo...


Portugal não pode, nem deve!, ter medo de enfrentar as pressões externas... e se temos bem feito o trabalho que nos exigem, como o disseram ontem e hoje os alemães, apesar dos custos que desse trabalho têm decorrido, com a dura penalização dos cidadãos, cabe-nos agora eleger um Presidente da República capaz de dialogar e apoiar o diálogo com o exterior, defendendo a soberania nacional... Hoje, o Presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, afirmou que as taxas de juro das dívidas de Portugal e Espanha são "absurdas", tornando inequívoca a nossa consideração de que os países mais frágeis da UE estão sob um forte ataque especulativo dos mercados. Por isso, ouvir dizer a Cavaco Silva que não se pode, nem deve!, criticar "quem nos empresta dinheiro" é, de facto, depararmo-nos com uma atitude subserviente e não-combativa, contrária à que tem defendido, em alto e bom som, Manuel Alegre, para quem a defesa da autonomia nacional assume um papel prioritário... nos tempos que correm, precisamos de um Presidente da República capaz de se colocar ao lado dos cidadãos e não de complacência perante os ditadores. Recorrentemente, a este propósito, escrevi ontem, com uma intenção demonstrativa o post que se pode ler aqui no Alegro Pianissimo... e hoje, depois dos bons sinais resultantes do leilão onde foi apresentada a dívida portuguesa, mais do que nunca, sabemos que não devemos desistir da nossa razão e não podemos ignorar que um Presidente da República com o perfil de Manuel Alegre seria fundamental para a confiança e a auto-estima que, enquanto portugueses, sabemos que o nosso país merece!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Só uma total falta de inteligência...

... não permite a emergência imediata de um imenso e autêntico sorriso deliciado perante a preciosidade que AQUI pode ver... com a minha homenagem à Arte e à capacidade de transformação com que o Humor nos devolve a realidade!

Orgulho Português - 2


... e ainda "O mio bambino caro" de Puccini, na voz de Marina Pacheco...

Orgulho Português - 1


... depois do orgulho que nos fez sentir José Mourinho, vale a pena lembrar outros motivos que nos orgulham do Ser e da Arte do que Somos e Somos Capazes!... no caso, as interpretações de Marina Pacheco e de Sérgio Almeida com os "Opera Ensemble" deste excerto da famosa "Traviata"...

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Porque... "Eu Sou Português Aqui..."...


... digam lá que razão terá despertado em mim esta memória... noutro tempo, dir-se-ia: "dão-se alvíssaras" a quem, justamente!, explicar o sentido deste poema de José Fanha, nos dias de hoje... um poema intitulado: "Eu Sou Português Aqui".

Curiosidades Pertinentes...

Da execução orçamental e da vontade de poder...

Enquanto a execução orçamental permite a descida do défice (ler aqui e aqui), Marcelo Rebelo de Sousa critica a apressada tese de Passos Coelho em defender a substituição do governo na eventualidade de uma intervenção externa (ler aqui)... a sede de poder corre à frente da realidade - só ainda não percebi se para chegar primeiro ou se para não chegar a lado nenhum! A verdade é que, para além desta retórica e desta ansiedade, objectivamente, nada se conhece sobre medidas concretas que o PSD proponha como respostas alternativas e credíveis ao actual "estado da arte" da economia e da sociedade portuguesas... assim, dado que a intenção se resume a simples e gratuitas mudanças políticas, estamos conversados: não, obrigado!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A desumanidade estrutural dos mercados contra o uso humano da globalização...


O Bangladesh, um dos mais pobres países da Ásia e do mundo, sofre também a crise dos ricos e poderosos (ler aqui). Apesar dos esforços de Muhammad Yunus (ler aqui) e do Banco Grameen (ler aqui)... é isso que torna mais cruel o mundo arrogantemente considerado "desenvolvido" por cuja lógica financeira sofrem todos os cidadãos do mundo, destituídos de poder económico e político. Além da Ásia e da África (ler aqui o exemplo da Guiné), a América do Sul é também vítima de um funcionamento económico-político sem escrúpulos de que a morte de 2.000 crianças na Guatemala, apenas entre os meses de Janeiro a Novembro é suficiente ilustração (ler aqui). Os valores, a consciência e os princípios democráticos não podem permitir que o mundo seja obrigado a pagar com a morte, a fome e a pobreza extrema, a lógica dos mercados. A globalização implica soluções integradas e universais... é por isso que a crise não se resolve com intervenções do FMI para corrigir "desvios" que repõem a mesma dinâmica... é por isso que é urgente exigir uma reforma económico-política radical... é por isso que não podemos perder oportunidades no caminho a trilhar para que se alcance este objectivo... por muito tempo que ainda falte, não temos o direito de ignorar e de não colaborar!... não se trata apenas dos pobres e das pessoas sem-abrigo que conhecemos no espaço que habitamos! O preço que a Humanidade paga pela lógica liberal e neo-liberal do lucro é o rosto da nossa maior desumanidade! (ver aqui o mapa comparativo dos países com mais elevada taxa de pobreza).

(o vídeo da imortal canção de Joan Baez foi surripiado ao Poet'Anarquista)

Mourinho, Orgulho Português!

José Mário dos Santos Mourinho Félix, nasceu no dia 26 de Janeiro de 1963, em Setúbal. Hoje, a poucos dias de fazer 48 anos, José Mourinho foi eleito pela FIFA, o Melhor Treinador do Mundo na que pode ser considerada a mais competitiva modalidade desportiva, o futebol! Depois de "ganhar tudo o que havia para ganhar" como têm dito todos os comentadores, o treinador português conhecido em todo o mundo pela alcunha que, justamente, ganhou em Inglaterra, o "Special One" ganhou traduções dessa alcunha como "Lo Speciale" (Itália) e "El Especial"... por mérito próprio! Parabéns, José Mourinho!... e obrigado por sentires orgulho em seres português! Nós, portugueses, temos um orgulho enorme em ti e no teu trabalho que é, sem sombra de dúvida, uma Arte!

Eleger Manuel Alegre não é uma questão partidária!

A eleição presidencial não pode reduzir-se aos apoios políticos das candidaturas... e se este receio dos cidadãos tem penalizado a expressão das intenções de voto em Manuel Alegre nas sondagens que têm vindo a público, vale a pena lembrar o peso do destaque que tem sido dado aos apoios partidários à sua candidatura que decorre, essencialmente, do evidenciar da diferença da presente candidatura face ao que caracterizou a que apresentou às anteriores eleições presidenciais... porque, a verdade é que não foi o candidato que mudou; o que mudou foi a expressão pública dos apoios partidários da esquerda protagonizada por socialistas e bloquistas. A verdade é que Manuel Alegre é o mesmo Homem e o mesmo Político e que as teses que agora defende como prioritárias para o desempenho das funções presidenciais, em nada se distinguem das que tem vindo a defender de há anos a esta parte e que justamente lhe garantiram a admiração dos portugueses. Por isso, é importante reter que, ontem, nos Açores, Manuel Alegre afirmou veementemente que a sua vitória não será uma vitória do PS, do BE ou sequer do PDA! Manuel Alegre é um cidadão que lutou pela democracia, com ideias claras e reconhecidamente adequadas à orientação da gestão política nacional nos tempos que correm e para quem o interesse nacional do bem-estar social da população e a soberania nacional são, através da defesa do Estado Social e da dignidade do Estado, princípios maiores de uma representação das funções presidenciais, essencial para o país e para os portugueses. Por isso, urge perceber e transmitir que a eleição de Manuel Alegre não é uma eleição partidária... e que permitir essa confusão é não perceber o que está em causa no dia 23 de Janeiro!
(Também publicado no Alegro Pianissimo)

Redescobrir "Instinto"...


O filme, realizado por Jon Turteltaub, é de 1999 e tem como intérpretes Anthony Hopkins, Cuba Gooding Jr., Maura Tierney e Donald Sutherland... a história é a de um antropólogo que abandona tudo apaixonado pelo trabalho que lhe permite a compreensão da vida e que, em sua defesa, é preso e condenado, recebendo como advogado um psicólogo que o leva a redescobrir a filha e a quem ele ensina o essencial do que há para saber... entretanto, na prisão descobre e revela em cada um dos companheiros esse traço de união que nos torna humanos e iguais... "Instinto" é, sem dúvida, um dos filmes da minha vida!... digo-o sempre que o revejo e hoje, repito-o porque, há pouco, revi uma parte no canal Hollywood... faz bem revê-lo!... para regressarmos ao melhor de nós próprios... e à essência da Humanidade!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Leituras Cruzadas

Por estes dias, a especulação sobre a intervenção do FMI na economia portuguesa tem estado na ordem do dia... por motivos vários, é certo! Pelos interesses externos protagonizados pelos mercados e pelos interesses partidários internos que não resistem à campanha eleitoral em curso para fazer alusões ao que, de facto, esperam do resultado destas eleições. Vale, por isso, a pena ler o post de Seixas da Costa no Duas ou Três Coisas e reflectir na proposta de Ana Gomes no Causa Nossa... A verdade é que a capacidade crítica de que o caso brasileiro é exemplo (leia-se o texto publicado por Eduardo Marculino no História Viva) e de que a memória e a História de Portugal nos deixa marcos grandiosos de dignidade e coragem (leia-se o texto de Osvaldo Castro no A Carta a Garcia), nos obrigam a repensar o interesse nacional em termos que estão muito além dos interesses corporativos e partidários (atente-se no post de Rodrigo Manuel no Folha Seca)... Vale também a pena, por tudo isto, ler as reflexões e comentários que as próximas eleições presidenciais merecem a muitos portugueses, como é o caso de Ariel no Cirandando, de Miguel Gomes Coelho no Vermelho Cor de Alface, de Pedro Correia no Albergue Espanhol, de Vitor Dias no Tempo das Cerejas, de Rogério Pereira no Conversa Avinagrada e de Rui Namorado no Alegro Pianissimo. Enquanto isto, a realidade, complexa e paradoxal, merece a nossa melhor atenção... para que continuemos a pensar pela nossa cabeça!... e, a este propósito, sugiro ainda a leitura sobre o caso passional que deu origem a um crime chocante, publicado por Eduardo Pitta no Da Literatura.

Um Cravo por Vitor Alves - O Homem que não Falava Demais

Vitor Alves, o inesquecível Capitão de Abril, morreu hoje, vítima de doença prolongada (ler aqui). O país fica mais pobre e menos seguro porque a existência dos grandes homens dá sempre aos cidadãos o sentimento de segurança e tranquilidade, como se a sua presença, algures!, garantisse que, se necessário, se irão pronunciar e assumir a posição justa e adequada, a cada momento. Vitor Alves é um rosto que se registou na minha memória como se de um cravo humano se tratasse. A minha homenagem fica aqui, registada e sentida, pela admiração que sempre me mereceu o Capitão cujos olhos diziam da atenção, da razão e da compaixão profunda com que pensava e via o mundo e o país mas que, nunca!, falou demais, deixando a democracia e a liberdade seguir o caminho natural da sua construção - ainda que, estou certa!, acompanhasse, circunspecto e sério, a gravidade dos desvios que a Revolução e o Espírito de Abril sofreram ao longo dos anos! Viva o 25 de Abril! Viva o Major Vitor Alves, Capitão de Abril!

Da Economia à Política - ou do FMI a Passos Coelho?


O discurso de Manuel Alegre, ontem, em Almada, foi contundente e incisivo. Referindo-se ao que, actualmente, é a prioridade do interesse nacional, Manuel Alegre reiterou a sua oposição à cedência do país às pressões externas, designadamente ao pedido de intervenção do FMI na economia portuguesa. Vale apenas ouvir e ler (aqui) algumas das suas afirmações que, por estas e outras razões, são decisivas para a salvaguarda do futuro de Portugal.
(Também publicado no Alegro Pianissimo)

sábado, 8 de janeiro de 2011

Do "dumping" proteccionista franco-alemão ao desmantelamento económico da UE...

Os mercados continuam a pressionar Portugal, sob influência da Alemanha e da França que, persistindo nos elos do eixo franco-alemão, exigem que o nosso país, à imagem da Grécia e da Irlanda, solicite intervenção externa dos Fundos Comunitários, deixando aberta a porta à entrada do FMI. A exigência, a que a revista Der Spiegel dá voz, aparentando uma análise económica que dissimula a intenção política dos países que querem reduzir a União Europeia a uma Comunidade Económica em que uma dúzia de Estados domina o mercado europeu (a quem interessou o alargamento apenas e só enquanto os Estados-membros garantiram o funcionamento linear da oferta e da procura, estimulando o consumo e promovendo o lucro dos seus accionistas) que viu na união política um instrumento interessante para a institucionalização de uma espécie de muralha de aço para a economia liberal... O esforço de demonstração da inviabilidade do projecto europeu comum e igualitário "inter pares" dos países mais ricos decorre, como bem sabemos, não de uma qualquer preocupação com o bem-estar das populações mas com o exercício concertado de nacionalismos proteccionistas contra os quais legislaram os que agora, subversivamente, os promovem... e se é verdade que muitas economias europeias estão ameaçadas, a realidade é que não podemos ceder à estratégia de usarem Portugal como um duplo exemplo: quer como condicionador do funcionamento de outras economias em dificuldades pelo medo da intervenção do FMI, quer como "caso" capaz de desdramatizar esta intervenção face ao eventual e mais que prevísivel período de sérias dificuldades com que a Hungria, a Bulgária e outros se irão defrontar no futuro próximo... veja-se a Roménia que acabou de ver disponibilizados 900 milhões pelo FMI e cuja população, já de si tão pobre!, nem imagina o preço que terá que pagar!... De facto, o eixo franco-alemão parece interessado em "salvar o coiro" do processo de desmantelamento desta união económica, assumindo sem reservas, através das exigências que fazem, que o interesse político da União Europeia não lhes interessa para nada e, naturalmente!, menos ainda, a Europa Social!

Esquerda Unida, Já!

"(...) A direita está unida (...) a direita detém o poder económico e o poder económico com o poder político e o poder mediático é todo o poder (...) a direita quer dominar todo o poder em Portugal (...)" - disse hoje, num almoço em Palmela, Manuel Alegre. A evidência das suas palavras está à vista na realidade quotidiana dos portugueses e pouco importa o quadrante partidário em que se manifesta. A direita existe, por todo o lado. Era importante que toda a esquerda exibisse agora, num ímpeto inesperado, a sua capacidade e a determinação das suas convicções. Está (ainda!) nas mãos de todos. Assim o queiram.
(Também publicado no Alegro Pianissimo)

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Estado Social ou Visão Assistencialista do Estado

Na entrevista de Manuel Alegre a Judite de Sousa, ontem, na RTP1, uma ideia central que ilustra com clareza a distância ideológica e a representação política do exercício do poder entre Manuel Alegre e Cavaco Silva, foi enunciada pelo entrevistado quando evidenciou a diferença entre as concepções do Estado Social que sempre tem defendido e a visão assistencialista do Estado que subjaz às considerações de Cavaco Silva e da maior parte do pensamento político da direita sobre as questões da justiça social, da igualdade de oportunidades, do combate à pobreza e à exclusão social e afins. De facto, a visão assistencialista do Estado pressupõe a possibilidade de recurso pontual em casos de necessidade extrema a respostas de apoio social disseminadas por respostas da sociedade civil, desresponsabilizando o Estado da prática constitucional (razão fundadora do empenho do PSD na revisão constitucional?!) de uma efectiva garantia de prestação de serviços básicos (saúde, educação, segurança social) a toda a população em condições objectivas de igualdade de oportunidades caucionada pela existência politicamente assumida de um Estado Social... neste confronto de representações em que não estão em causa meras doutrinações ideológicas, é caso para reflectirmos na realidade social dos portugueses e decidirmos o que, indiscutivelmente, melhor serve o interesse nacional na perspectiva do interesse de todos e do Bem-Comum... porque a verdade é que o nosso país tem perdido cerca de 322 postos de trabalho por dia tal como, também por dia, têm aberto falência cerca de 11 empresas, ao mesmo tempo que o número de pessoas desempregadas ultrapassou o meio milhão (cerca de 10,9% da população ou seja, de 600 mil pessoas) e a dívida pública tal como o endividamento nacional continuam a comprometer seriamente o desenvolvimento e a autonomia económica do país, fragilizando a sua estabilidade social. Cientes da crise financeira e económica internacional em que nos encontramos e a cuja influência e contágio não temos condições para resistir, podem os portugueses prescindir do Estado Social e deixar o futuro nas mãos de um assistencialismo irregular, incerto e privado, de sustentabilidade precária?... confiar na Previdência é, sabemo-lo todos!, uma fé e o país não pode ficar nas mãos do acaso até porque a consolidação de uma sociedade e das suas condições de vida decorrem de decisões racionais.
(Também publicado no Alegro Pianissimo)

Da "Chamada" dos Bancos à Campanha Eleitoral...



... aliás,nesta "chamada" dos bancos privados à campanha eleitoral, uma questão que se coloca ao mais elementar senso-comum é a de perceber que semelhança pode encontrar-se entre, por um lado, a relação que o cidadão Cavaco Silva manteve com o BPN enquanto accionista da SLN e cujo despacho de venda das acções foi assinado pelo próprio Oliveira e Costa e, por outro lado, um texto literário produzido por diversas personalidades sobre a sua relação com o dinheiro que, tendo sido utilizado como uma forma de publicidade, conduziu Manuel Alegre a protestar, dando indicação para que o texto fosse retirado da dita linha publicitária?!
(Também publicado no Alegro Pianissimo)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Alegro Pianissimo

Malangatana, o Pintor...


Malangatana, o pintor moçambicano que imortalizou a imagem africana na pintura mais quente e humanizada que conheço, morreu esta noite, aos 74 anos, no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos... Malangatana, cuja experiência de vida lhe concedeu uma visão do mundo capaz de transcender os espaços físicos, levando sempre consigo, a identidade cultural dos seus territórios interiores, foi colaborador da Unicef e, em 1997, foi nomeado pela Unesco "Artista pela Paz" (ler Aqui e Aqui)... Em silêncio, deixamos a evocação da extraordinária obra a que a sua vida deu alma.

Contar pelos Dedos... ou Das Falácias para Diminuir a Dimensão da Crise...


Foi hoje conhecida a nova metodologia que o INE vai utilizar para recolher dados sobre o número de desempregados... pressupunha-se uma metodologia aperfeiçoada, capaz de identificar o que, nas anteriores formas de recolha escapou, conferindo aos dados oficiais um desvio mais do que o estritamente necessário para a caracterização do problema... mas, não! Não é isso que o INE vai fazer, expondo sem preocupação alguma de dissimulação da sua precária credibilidade científica, os procedimentos que utiliza para legitimar a manipulação. Assim, a recolha de dados que nos permitirão invocar os números oficiais do desemprego, vai ser realizada através de contactos telefónicos!... Apetece-me dormir e acordar do incómodo pesadelo!... a nova metodologia do INE, para além de assentar na intenção objectiva de diminuir o número de desempregados uma vez que o não-atendimento destes contactos não contabiliza positivamente os desempregados que não atenderem, parte do princípio que os desempregados mantêm telefones fixos, tal como há 10 anos atrás!!!... Por favor, não brinquem mais com os portugueses, readquiram o brio pela credibilidade institucional ou, simplesmente, vão trabalhar para agências publicitárias, campanhas político-partidárias ou no mercado do marketing... mas, tenham a honestidade de não pretender fazer trabalho técnico-científico porque a evidência da manipulação intencional e "a priori" dos dados, lesa a dignidade do país... a não ser que o grau de consciência técnico-científica dos técnicos e dirigentes do Instituto Nacional de Estatística esteja já a um nível tal que não será de espantar que a próxima inovação metodológica seja... contar os desempregados pelos dedos das mãos!... assim, quando se acabarem os dedos, termina a contagem e a crise ficará virtualmente resolvida, para gáudio dos "vendilhões do templo" e infelicidade dos cidadãos condenados não só à pobreza e à miséria mas, também, à mais perfeita invisibilidade!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Da Transparência na República - ou da falta dela...



... muito há a pensar e a dizer sobre o significado da transparência na "res pública" e sobre o seu valor enquanto regra de ouro da responsabilidade social que deveria presidir à governação, à prática política e à cidadania, enquanto testemunho do interiorizar dos princípios da liberdade, da igualdade e da pluralidade. Contudo, tal é a dimensão desta problemática, desencadeada essencialmente pela constatação da sua relativização e do desprezo a que é votada, em particular por acção dos protagonistas do poder económico, social e político, que mais vale ir apresentando a questão, caso a caso, de modo a que o seu contraditório a não elimine, por artes da pura retórica e de alguma sofisticada demagogia sempre disponível para efeitos afins... e se Portugal tem acumulado múltiplas dúvidas sobre casos de natureza judicial, neste momento, dada a proximidade das eleições presidenciais, requeria-se que os candidatos assumissem a sua quota de responsabilidade na prestação de contas aos eleitores que, democraticamente, por sufrágio universal, irão eleger o próximo Presidente da República. A evidência lógica deste válido raciocínio de senso-comum torna assim incompreensível a obstinação de Cavaco Silva em não responder às interrogações que a sociedade coloca às suas relações com o BPN e a SLN... Aliás, remeter os cidadãos para o site da Presidência da República é uma opção pouco lúcida que mais suspeição desperta sobre a matéria, por denotar o recurso ao estatuto do mais alto cargo da Nação para efeitos de esclarecimento de atitudes individuais exercidas no simples exercício da condição de cidadão. Cavaco Silva tem mais a perder do que a ganhar com esta recusa em responder, com clareza e frontalidade, a todas as questões que o assunto coloca à opinião pública... mas parece ser o único a não perceber isso, assumindo uma atitude que facilmente se confunde com a arrogância e com uma representação da sua existência social próxima da imagem que a expressão "acima da lei" evoca.

Leituras Cruzadas...

Regresso à realidade... do país que é nosso e onde a premeditação sem rosto viaja por múltiplas vozes aparentemente sem ligação entre si mas cujo resultado efectivo ilustra uma coerência que não edifica a dignidade cívica de um povo e dita o destino branqueado dos cidadãos que não chegam a exercer os direitos de liberdade, igualdade e cidadania que lhe assistem... - eis as considerações sobre as quais me apetecia dissertar não fosse o cansaço tolher-me o esforço da metáfora... ficam por isso, sugestões de boas leituras, esclarecedoras para o retrato subliminar do que da realidade dão a pensar os protagonistas dos dias que fazem o nosso presente... das presidenciais à economia e às representações institucionais que se opõem à imagem do que cultivamos e defendemos como boas práticas e valores... Começo por referir um texto lúcido e revelador da liberdade de pensamento, rara nos tempos que correm em que as "modas" e as demagogias tudo legitimam, escrito por Vital Moreira no Causa Nossa. Depois, já a propósito do "estado da arte" e daquilo que se pretende dele fazer, relativamente às eleições presidenciais de Janeiro, vale a pena ler os textos de JMCorreia-Pinto no Politeia, de Porfírio Silva no Machina Speculatrix, de Sofia Loureiro dos Santos no Defender o Quadrado e de MFerrer no Homem ao Mar... já quanto ao dinamismo da relação entre política e economia, limito-me a referir dois post's: um de João Tunes no Água Lisa e outro de Emídio Fernando no Correio Preto; finalmente, a terminar e porque as oposições salientam a essência da diferença, volto a citar João Tunes num outro post publicado também no Água Lisa, Camões no Poet'Anarquista e Manuela Araújo no Sustentabilidade é Acção.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Roménia - Coragem Cigana no Elo Mais Fraco de uma Europa com Pés de Barro...


A Roménia é um país pobre, cuja sociedade sobrevive sobre uma economia desmantelada... por isso, a sua população, nomeadamente a que tem origens ciganas e rurais, emigra sem reservas, alicerçada na esperança de uma vida melhor e exposta à exploração de redes de emigração ilegal sem escrúpulos que "despejam" pessoas em espaços de que desconhecem a língua e as dificuldades de emprego. O caso dos 30 emigrantes que residiram em Almada em condições infra-humanas é disso um exemplo (ler aqui)... um exemplo trágico que apenas fez história porque um grupo de cidadãos os decidiu ajudar a regressar à terra-natal em que, apesar da pobreza e do desemprego, têm família e um domínio maior das hipóteses locais de sobrevivência. A Roménia é o rosto dramático de uma Europa que espreita sob o fantasma do desemprego massivo que as crises anónimas do mercado arrastam, devorando corpo e alma dos humanos que somos. Hoje, em Portugal, a taxa de emigração atinge os níveis dos anos 60 do século XX... e quando se conhecerem os números efectivos da mobilidade humana e das migrações no espaço europeu, ficaremos a conhecer a realidade em que respiram os europeus, para além da atmosfera que a mediatização social e política nos deixa respirar... Hoje, a Roménia, amanhã muitos mais... A reforma europeia é urgente - dizemo-lo todos!... urge agora realizá-la para que a coragem dos que arriscam lutar por uma vida melhor se não transforme no pesadelo que ninguém quer viver!

Catástrofes Naturais, Alterações Climáticas

As inundações na Austrália devastaram uma área territorial igual à soma de dois países europeus, a saber, França e Alemanha. O número de pessoas atingidas é de 200.000 e são 22 as localidades submersas (ler aqui). Entretanto, para já inexplicavelmente, cairam 2.000 pássaros nas terras do estado americano do Arkansas (ler aqui) e a 200km do local, morreram 100.000 peixes... De facto, a pergunta urge para além de toda a filosofia ecológica, ao nível mais elementar do senso comum: se não estamos perante efeitos gravissimos e massivos das alterações climáticas para que as organizações e os cidadãos chamam insistentemente a atenção, conseguindo que o poder político e alguns dos seus protagonistas (ocorre-me o papel de Al Gore) tenham dedicado alguma da sua agenda política a esta questão, o que pode justificar esta evidente quebra do equilíbrio natural cuja dimensão ultrapassa os evocados episódios que na História parecem assemelhar-se aos dramas que hoje, com uma frequência inusitada, invadem o planeta? A verdade é que o eco-sistema que nos tem garantido a sobrevivência dá sinais cada vez menos dissimuláveis de que estamos a arriscar muito neste braço-de-ferro sem sentido entre a Natureza e a Cultura... até quando? Até ser tarde demais?

Da Arte às Marcas da Guerra...


Kseniya Simonova foi a vencedora da edição ucraniana do concurso "Got Talent" em cujo final apresentou uma animação, feita em directo, com areia, que evocava a II Guerra Mundial, designadamente, a ocupação alemã do seu país, a Ucrânia. Obra de arte demonstrativa de como a guerra marca por gerações, os povos, as sociedades e a memória colectiva, o trabalho de Kseniya Simonova é, de facto, notável e surpreendente, comovendo os que nela identificam o rosto da própria dor e dando a pensar, com seriedade, a todos, o sentir e o significado da sua mensagem. Vale a pena ver!
(Com os meus agradecimentos ao Francisco Manuel do blogue Al-Tejo que me enviou o link do vídeo via e-mail)

domingo, 2 de janeiro de 2011

Chile - Sismo de grau 7.1 ...


Voltei hoje a casa, depois de uns dias no Alentejo... fazia frio, é certo - como no resto do país, aliás... mas, o calor que se retira dos regressos é sempre maior que o frio gelado do ar que se respira... cheguei e encontrei belos e calorosos comentários e, apesar da crise, sinto que o Ano Novo é sempre dentro de nós... por isso, escolhi a voz de Katie Melua para dar vida ao post anterior, numa espécie de dádiva partilhada da serenidade destes primeiros dias de Janeiro... agora, vinha, atrasada mas ansiosa, falar do discurso de Dilma Roussef, Presidente do Brasil... porém, o terrível sismo que abalou o Chile este fim de tarde (ler aqui e aqui), deixou-me sem palavras... de magnitude 7.1 na escala de Richter, o sismo com que os chilenos iniciam 2011, ocorreu no sul do país, numa região habitada por 800.000 pessoas... ainda não há registo de dados capazes de ilustrar a dimensão dos danos mas, certo é que a natureza continua a surpreender-nos de formas ora belas, ora aterradoras e que, por isso, devemos manter acesa a consciência da importância da nossa luta comum por um mundo que substitua os investimentos bélicos e a lógica do lucro, pela investigação e o apoio social aos cidadãos que, por todo o planeta e pelas mais diversas razões, ficam, subitamente, reféns de fenómenos e factos que transcendem a nossa presunção de controle da realidade. Solidariedade é a primeira grande mensagem de 2011. Hoje, com o Chile!

Suavidades...


... ainda a abrir o Ano Novo, "Moon River" na melodiosa voz de Katie Melua...

Danúbio Azul,a Valsa, dirigida por von Karajan

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Sons Femininos... Katie Melua


"Happy Place" de Katie Melua... com votos de que seja uma boa inspiração para entrar no Ano Novo!

Uma Prece... para 2011!


... nas vozes de Mercedes Soza e Beth Carvalho!
Feliz Ano Novo!

A Figura do Ano - Lula da Silva - Apelo ao Futuro!


O Presidente do Brasil, Lula da Silva é, incontornavelmente, a Figura do Ano. Na hora da despedida, o Presidente falou aos cidadãos brasileiros e, nas suas palavras, o mundo recolhe a Esperança... Agora, Lula da Silva faria muito falta nas Nações Unidas... Assim o queira! Feliz Ano Novo, Presidente!

O Debate Presidencial - Manuel Alegre versus Cavaco Silva


O debate entre os candidatos presidenciais Manuel Alegre e Aníbal Cavaco Silva que ontem, praticamente, fechou a pré-campanha, deixando um bom sinal para a campanha que se aproxima, foi, sem sombra de dúvida, o mais útil de todos estes encontros entre candidatos. O melhor porque estiveram em confronto os únicos candidatos em condições de ganhar a próxima eleição para a Presidência da República... e é isso que importa: ganhar a Presidência da República! O resto são tempos de antena que cada um utiliza como pode e como considera que podem servir os seus interesses... mas, o interesse nacional não se revê nos interesses corporativistas de cada um, porque aquilo de que o país efectivamente precisa é de um Presidente da República que salvaguarde os interesses colectivos de uma população desprotegida face aos efeitos de uma crise desumanizada que os mercados provocaram e que os mesmos mercados procuram ultrapassar, em procedimentos de auto-defesa dos seus lucros e sem qualquer preocupação social. Daí a importância do próximo acto eleitoral que deveria registar, por estas razões, uma baixa abstenção, demonstrativa do interesse dos cidadãos com o seu próprio futuro! Provavelmente, não será assim e a abstenção, por razões várias (decepção, excesso de confiança, indiferença e descontentamento), pode registar indices indesejavelmente elevados. Contudo, este debate trouxe à evidência, as razões que deveriam levar-nos a votar: Manuel Alegre e Cavaco Silva apresentaram ontem, clara e inequivocamente, duas formas diferentes de estar e pensar a política e a sociedade. Apesar de ambos terem afirmado não estar na corrida eleitoral para, gratuitamente, derrubar e ajudar a eleger governos, o facto é que Cavaco Silva preferiu afirmar não dever prescindir do uso dos seus poderes, deixando antever uma eventual dissolução da AR em caso de intervenção do FMI (a qual, reconheça-se, disse só ser justificável após a intervenção do Fundo de Estabilidade Europeia), enquanto Manuel Alegre considerou que, a não piorar a situação económica, o Governo está em condições de continuar a governar... A este propósito, cabe perguntar se a dissolução da AR, mesmo em caso de intervenção do FMI, terá efectiva utilidade uma vez que se não conhece nenhum programa de intervenção económica proposto no espectro partidário, capaz de ultrapassar a crise e dar ao país a estabilidade e a criação de emprego de que a população precisa, tanto mais que, como diz, Manuel Alegre, todos, incluindo Cavaco Silva!, são responsáveis pelo estado a que chegou a economia nacional. De qualquer modo, para além do tom agressivamente despropositado com que o actual PR abriu o debate, provavelmente na presunção de que Alegre seria um adversário fácil, a prestação de Cavaco Silva não foi, nem de longe!, tão sedutora para a opinião pública como as anteriores! Manuel Alegre confrontou o seu adversário com factos (e não, como pretendeu Cavaco Silva, com insinuações!), de forma correcta, frontal, séria e relevante para o país, demonstrando com essa evocação que: a) as escolhas do candidato apoiado pelo PSD e do CDS, no que se refere a muitos dos seus mais relevantes anteriores colaboradores (designadamente, os que protagonizaram os crimes do BPN e da SLN) foram, no mínimo!, irresponsáveis e imponderadas já que esses colaboradores, usufruindo da influência política adquirida no exercício das funções para que foram nomeados por governos liderados pelo actual PR, desenvolveram uma promiscuidade entre política e negócios inequivocamente grave; b) que o caso da suspeita de escutas à PR foi politicamente usado pelo actual re-candidato, de forma inaceitável do ponto de vista ético, uma vez que os esclarecimentos que a matéria requeria, por implicar o regular funcionamento das instituições, vieram tarde e foram formulados de forma ambígua; c) a incapacidade de resposta digna à incorrecta alusão do Presidente da República Checa à dívida portuguesa denotou falta de sentido de Estado por parte de Cavaco Silva. A estratégia de Manuel Alegre, neste debate, alcançou dois grandes objectivos: por um lado, evidenciar uma prática política de Cavaco Silva que contraria a pretensa imagem de correcção que o seu discurso exibe como se fosse a sua actuação fosse perfeita e inatacável e, por outro lado, criar na opinião pública, a esperança de que a sua actuação não produziria tais incorrecções (a saber: trabalhar com pessoas e escolher apoiantes que pratiquem promiscuidade entre política e negócios; manipular suspeitas para criar uma imagem negativa do funcionamento institucional, contribuindo para denegrir, intencionalmente, uma governação partidariamente oposta à sua; ser passivo perante os ataques externos à dignidade do Estado português). Depois deste debate, ficam claras para os portugueses algumas das diferenças essenciais no perfil político dos candidatos a Belém, para além do que anteriormente era dado como único argumentário, a saber, a defesa do Estado Social (com que, aliás, Cavaco Silva pretendeu identificar-se, afirmando defender a saúde para todos e não pretender destruir o Estado Social -sem, contudo, defender a Escola Pública e a Segurança Social com a assertividade com que o faz Manuel Alegre). Assim, dado que Cavaco Silva nada disse de novo e não respondeu com a firmeza e transparência que se lhe requeria neste momento, se algum dos candidatos saiu a ganhar deste debate foi , sem dúvida alguma, Manuel Alegre.

Sons Femininos... Skunk Anansie


... Skin é o nome da banda em que aqui canta Skunk Anansie, ícone da nossa contemporaneidade urbana e multicultural... vale a pena ouvir e ficar a conhecer a voz desta mulher na interpretação dos temas "Trashed" e "Faithfulness"...

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Blog d' Ouro - Leituras Cruzadas - Especial

2010 está a chegar ao fim... por isso, vale a pena destacar os Bloggers e Blogues que, ao longo deste ano, valeu mesmo a pena ler e que, por isso, admiro:
Ana Gomes e Vital Moreira no A Aba da Causa

Carlos Barbosa de Oliveira no Crónicas do Rochedo

Fernando Cardoso no Ayyapa Express

Eduardo Marculino no História Viva


José Manuel Correia-Pinto no Politeia

Manuela Araújo no Sustentabilidade é Acção

Osvaldo Castro no A Carta a Garcia

Rogério Pereira no Conversa Avinagrada

Valupi no Aspirina B



Vários no Vias de Facto

Weber no Mainstreet.

... continuemos pois, rumo a um 2011 que precisa de todos e que muito nos dará a pensar e a dizer! Feliz Ano Novo!

Solidariedade das Inteligências

Há anos, no final da década de 90, estive em Estrasburgo, num encontro internacional intitulado "Solidariedade das Inteligências". O encontro decorreu no Parlamento Europeu e juntou pessoas e Organizações Não Governamentais de todo o mundo. Estavam na agenda política casos de violação de Direitos Humanos, a importância da laicidade, a necessidade de valorização da diversidade e o reconhecimento do direito à independência e à autonomia dos povos que a reivindicavam... Palestina, Tchetchénia, Croácia, refugiados, globalização e valores éticos de igualdade e solidariedade foram momentos temáticos centrais dos trabalhos que tiveram lugar nesses 3 dias que durou o encontro. A mim, pessoalmente e para além dos conteúdos e abordagens que aí tiveram lugar, impressionou-me o título da iniciativa: "Solidariedade das Inteligências" por ser a expressão exacta do que a realidade nos dita como urgente e indispensável, essencial à ultrapassagem dos conflitos e das crises... Hoje, no âmago da hecatombe socio-financeira e político-económica que Portugal e a Europa atravessam, na indefinição de um cenário de futuro claro e menos ainda, tranquilizador, a solidariedade das inteligências é a única forma de ultrapassarmos a crise, escapando às teias tecidas pelas manipulações políticas e partidárias a que estamos, indiscutível e constantemente, expostos... lembrei-me por isso, instigada até por um comentário feito a propósito de um post recente do A Nossa Candeia pelo nosso amigo Rogério Pereira do Conversa Avinagrada, de um programa onde as intervenções de personalidades cultas da sociedade portuguesa (de que destaco os Professores José Barata Moura e Adriano Moreira), podem ajudar-nos a configurar a confiança e a esperança no diálogo que a democracia viabiliza... quem viu o programa, pode agora, repensá-lo ou à memória que dele guardou criticamente; quem o não viu, não perde tempo se atender às considerações que os Professores José Barata Moura e Adriano Moreira mas, também, D. José Policarpo e António Barreto, aqui enunciaram:
RTP - PRÓS E CONTRAS
... resta-nos continuar a trabalhar para que a Democracia seja Possível e Acessível a todos os cidadãos... pelo passado que nos conduziu a este presente mas, principalmente, pelo futuro que, queiramos ou não, temos a incontornável responsabilidade de construir.

O "Manifesto Comunista" e a Viragem Histórica...


Em 1848 foi publicado, pela primeira vez, o "Manifesto Comunista", escrito por Karl Marx e Friedrich Engels... e se há documentos que inscrevem a mudança e assinalam a viragem na História da Humanidade, o Manifesto Comunista é um desses textos - testemunho de uma contemporaneidade diversa de todo o tempo anterior, pela interpretação sociológica e política que, pela primeira vez, surge desmistificando radicalmente a estrutura organizacional da arquitectura do poder. Hoje, descobri esta sua versão, animada... partilho-a aqui para que não esqueçamos a herança de uma História que não podemos ignorar, em nome de um aperfeiçoamento democrático que não pode perder de vista o essencial (o tal que, como dizia o Principezinho "é invisível aos olhos") e onde a participação e a cidadania sejam, efectivamente!, motores e não agentes passivos desse poder que, já em meados do século XIX, Marx e Engels deram a compreender ao mundo...

José Barata Moura, a Voz Portuguesa num Poema de Neruda


Na voz de José Barata Moura ressoa a sabedoria profunda da terra, perante a qual se manifesta a sensibilidade humana e se constrói o sentido da vida... desta vez, na leitura da "Ode à Idade" de Pablo Neruda...

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O Perigoso Jogo Europeu - Demagogia e Combate à Pobreza


Estamos a cumprir os últimos dias de 2010, Ano Europeu de Combate à Pobreza e à Exclusão Social... Ironia? Não! Destino? Não! Paradoxo? Sim! A Comissão Europeia, por Decisão conjunta do Parlamento Europeu e do Conselho (ler Aqui), instruiu todos os Estados-membros no sentido de promoverem iniciativas de luta contra a pobreza e a exclusão social - iniciativas, diga-se em abono da verdade!, que se pretendiam eficazes e que se não esgotassem na divulgação necessária à visibilidade e compreensão do fenómeno que o respectivo Manifesto enfatiza, reconheça-se!, em jeito de desresponsabilização "a priori" (ler Aqui). Aparentemente irónica, a realidade económico-social da União Europeia eclodiu na maior crise de que há memória desde a institucionalização deste modelo pró-federal de organização socio-política, a pobreza "disparou" desmedidamente por toda a Europa, manifestando-se de forma inequívoca a partir da perseguição à etnia cigana e, progressiva mas vertiginosamente, a toda a sociedade, ferindo "de morte" a própria classe média que parecia consolidada no espaço europeu enquanto aumentava astronomicamente o número de pessoas pobres, sem-abrigo e em risco grave de empobrecimento súbito (consultem-se aqui os dados do Eurobarómetro sobre a pobreza e a exclusão social). A confiança dos cidadãos e dos consumidores no projecto europeu que se prestigiara e ganhara a adesão da opinião pública dos Estados-membros sob a mensagem da construção de uma Europa Social, foi, por isso, justa e seriamente abalada, devolvendo as populações à descrença política a que tinham sido conduzidas pelas economias nacionais, face à constatação das assimetrias de desenvolvimento de países vizinhos coexistentes no espaço, agora comunitário. O sentimento de fatalidade a que a gestão política vai, repetidamente, conduzindo as sociedades defronta-se actualmente com o evidente "abandonar do barco" das economias alemão, francesa, eslovena e de outras tantas que, por ora, guardam silêncio processual no que à resolução da crise respeita, nomeadamente quando se pensa em economias com dívidas públicas descontroladas do ponto de vista dos mercados... Não é por isso de estranhar e, bem pelo contrário, é de louvar a coragem, a assertividade e a frontalidade de Carvalho da Silva que, hoje mesmo, declarou o Ano Europeu de Combate à Pobreza e à Exclusão Social, um "falhanço total" (ler Aqui). O paradoxo interno da União Europeia está à vista, entre a expressão de projectos de intenção demagógicos e propagandisticos e uma lógica de mercados financeiros a que a Europa política cede, preferindo a falência do seu pretenso modelo de desenvolvimento, à reforma efectiva e eficaz da sua organização económico-financeira. Quem paga os custos deste perigoso jogo? Os cidadãos, claro!... e, provavelmente, num futuro não muito longínquo, a qualidade de uma democracia que já exibe, sem pudor, a desregulação e a exclusão social como frutos do seu exercício.