sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Índia atribui a Lula da Silva o Prémio Indira Gandhi...


Lula da Silva, o Homem que foi a imagem da Luta contra a Pobreza e um símbolo do que deve ser o exercício de um poder presidencial de prestígio e relativamente a quem a actual Presidente do Brasil se referiu afirmando que "teremos que ser inovadores nas políticas sociais" e evocando a sua "herança bendita" (ler Aqui e Aqui), foi hoje agraciado pela Índia com o Prémio Indira Gandhi da Paz, Desarmamento e Desenvolvimento 2010 (ler AQUI). Justamente merecido, o mundo congratula-se com a nomeação e nós, cidadãos do mundo, esperamos que o seu exemplo seja um modelo a reproduzir e a não esquecer. Parabéns, Presidente Lula!... e obrigado à Índia por não ter esquecido esta personalidade maior da luta por um mundo melhor para todos!

O Estado Social são Direitos Sociais Concretos para Pessoas Concretas...


... Quem o disse foi Manuel Alegre, num jantar que ontem juntou em Tavira, cerca de 450 pessoas... vale a pena ler a intervenção do candidato à Presidência da República que denota a importância do desempenho do mais alto cargo da Nação na defesa dos Direitos dos Cidadãos e, consequentemente, do Bem-Comum... para além de todos os apoios e dos supostos desempenhos "politicamente correctos"... porque, se é verdade que somos o que fazemos e o que pensamos, é igualmente verdade que também somos o que dizemos... Ora, se quem não diz não se compromete, quem diz em voz alta assume, sem medo e sem preguiça, os compromissos que proclama (ler AQUI).

Barack Obama em Lisboa


Barack Obama chegou hoje a Lisboa e a sua presença honra-nos, em particular porque, como Mikail Gorbatchev e Lula da Silva, representa a mudança de paradigma que era urgente imprimir à gestão política mundial dos últimos 60 anos. Não lhes podemos exigir a perfeição nem deles poderiamos esperar alterações radicais - ainda que possam corresponder aos seus melhores valores que, estou certa!, todos partilhamos... mas é gratificante para todas as gerações vivas partilhar um tempo em que ascendem ao poder Homens capazes de trabalhar para a Paz e contra a Pobreza, apesar de todas as guerras, de todas as dificuldades e de todas as resistências em nome da democracia e do Bem-Comum de todos os cidadãos. Em exclusivo para Portugal, o Presidente dos EUA escreveu um artigo publicado no jornal Público na edição deste primeiro dia da Cimeira da Nato onde apresenta as linhas gerais do seu entendimento global sobre o papel desta organização nos tempos que correm e que justificam a alteração do conceito estratégico que lhe subjaz (ler AQUI).

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Desejos e Vontades...


... em "Voar" de Tim (Xutos e Pontapés) com a colaboração de Rui Veloso... porque é preciso voltar a sonhar... a acreditar... a lutar!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Da Cimeira da Nato, em Lisboa...


A NATO é a organização de defesa dos países da Europa que, do Tratado de Países do Atlântico Norte (ler aqui), passou a uma espécie de forum da defesa dos países do mundo ocidental e que tem, nos próximos dias, o seu Encontro Anual em Lisboa (ler aqui). Cabe esclarecer que, se até hoje, o papel da NATO ficou conhecido pelo seu carácter belicista decorrente da famigerada Guerra Fria que opunha o Pacto de Varsóvia (ou mais, concretamente, a ex-URSS) aos países europeus pró-americanos, nos dias que correm, face à conturbada e globalizada sociedade mundial em que nos movemos (ler aqui), se a sua existência se justifica é, apenas, no sentido de se alterar o seu perfil belicista e de se procurar que cumpra, ao nível dos seus objectivos reais, além da defesa dos cidadãos (e não do belicismo ideológico-económico), a função de desenvolver a política de desarmamento nuclear e de segurança internacional que todos almejam. A extinção da NATO não é, por ora, previsível, no contexto da luta pela Paz, dada a complexidade da segurança/insegurança internacional; porém, a participação de novos protagonistas na gestão da organização, designadamente daqueles cuja filosofia política se aproxima mais da que preconizam os cidadãos de boa-vontade, pacifistas e convictos defensores do diálogo e da negociação, pode ajudar a alterar o seu perfil político e organizacional. É o caso do Presidente Barack Obama que, apesar de todos os problemas em que a conjuntura ou, melhor dito, a correlação de forças dominante, o leva a ter que participar como parte activa no âmbito das respectivas dinâmicas colectivas, pode contribuir para a mudança substancial do "espírito" da organização!... apesar de tudo - sublinhe-se!... porque não é fácil mudar instituições nem ideologias e menos ainda, porque a dificuldade é proporcional à dimensão do seu poder económico-político-financeiro e ideológico... por isso, é bom que os cidadãos continuem a manifestar-se pacificamente pela defesa da Paz, contra a guerra e a lógica belicista que promove a indústria da guerra contra o reconhecimento da diversidade cultural... sem que isso implique a incompreensão da existência de foruns internacionais sobre a defesa de todos! Pela Paz, Lutar, Lutar! Dentro e Fora das Organizações! Sempre, Pacificamente... porque a Razão estará sempre ao lado da Não-Violência! ... e um mundo melhor para todos -mas mesmos todos!, os "cidadãos do mundo", é preciso!... um mundo onde a defesa e o respeito pelos Direitos Humanos sejam o primeiro e inalienável princípio, na teoria e na prática... Que o caminho não é fácil, já o sabemos... que o caminho se faz caminhando é também, desde sempre, a nossa certeza!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Marinho Pinto, o Bastonário do Povo


As ordens profissionais foram criadas para defesa dos seus profissionais e, acima de tudo, para que sejam respeitados os seus códigos éticos e deontológicos, desinteressados e em defesa dos cidadãos. A Ordem dos Advogados também e, por isso, se a população votasse nas suas próximas eleições, iria, seguramente, reeleger o seu actual Bastonário, Marinho Pinto. Marinho Pinto, criticado pela forma apaixonada como defende os seus pontos de vista, tem tido a coragem de, desassombradamente, colocar "os dedos nas feridas" da Justiça e da advocacia. Merecido é, portanto, o prestígio e a admiração que conquistou, por mérito próprio, entre os portugueses. Quanto à sua reeleição é de sublinhar que, se os advogados defendessem de facto a causa pública acima dos interesses corporativos da classe, iriam votar no mesmo sentido em que o faria a população e o próximo Bastonário da Ordem dos Advogados, seria, como o país merece, Marinho Pinto.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A Europa e o País à beira de um ataque de nervos?!






O nervosismo e a precipitação são maus conselheiros. Sabemo-lo todos. Por isso, não se compreende o desassossego do espectro partidário nacional face às declarações de Teixeira dos Santos sobre o "risco elevado" de Portugal ter que recorrer à ajuda externa, designadamente por efeito do contágio de outras situações (com destaque para a Irlanda e a Grécia), por se dever atender a que o que está em causa é "a estabilidade da zona euro". Não se compreende tanto mais que a alemã Angela Merkel tem pressionado a Irlanda no sentido de empreender diligências no sentido de receber ajuda financeira da UE e do FMI, depois de ter solicitado, não só a necessidade de revisão do Tratado de Lisboa que implica maiores penalizações para os Estados-membros que não cumpram os critérios de convergência mas, também, a redução de direitos políticos dos países incumpridores, na gestão da UE. A pressão europeia que incendeia os rastilhos políticos nacionais teve hoje nova expressão na afirmação de Merkel sobre "se o euro falhar, a União Europeia falhará". De facto, à beira de um ataque de nervos, esta lógica da perseguição e da ameaça mais não faz do que somar maiores dificuldades a todos, obrigando a restrições orçamentais e aumentos das cargas fiscais que agravam as condições de vida das populações cada vez mais empobrecidas... O problema é, no seu todo, sintomaticamente grave e requer calma, tranquilidade política e concertação de esforços que visem, antes de mais, defender a arquitectura da Europa Social que se procurou construir e de que nos afastamos a passos largos. Sendo duvidoso que os defensores da Europa financeira dos mercados neo-liberais venham a revelar disponibilidade e capacidade para inverter as tendências económico-políticas que se empenham em defender como se fossem as únicas alternativas, é necessário que cidadãos e governos dos países desprotegidos face a esta lógica que exige a subserviência e não privilegia o diálogo e a (re)negociação das regras e dos critérios, esquecendo o fundamento ontológico da Economia que existe para servir a Sociedade, tomem medidas que mais não seja fazendo ouvir a voz da Razão e exigindo não ser meros súbditos pacíficos de todas as imposições mas, pelo contrário, partes activas na definição de novas e mais adequadas soluções nacionais e comunitárias... porque, para além do eurocentrismo e dos nacionalismos que tendem a reforçar o clima de agitação colectiva em que a crise nos mergulha continuamente, o problema que, até há meia dúzia de anos, se esboçava como uma possibilidade de longo prazo, aproxima-se vertiginosamente com a apropriação dos meios económico-financeiros por muitos países que, exteriores ao espaço europeu e cujos códigos políticos não revelam qualquer respeito pelos Direitos Humanos, vão seguramente, assim que tiverem garantido o controle dos mecanismos de emprego no espaço do Velho Continente, aplicar, sem hesitações, as suas próprias lógicas político-económicas que, ignorando Direitos Sociais ou Fundamentais tal como os conhecemos, ditaram os índices de sucesso que os torna agora nossos compradores. A Europa está, de facto e com razão, à beira de um ataque de nervos mas, a maior evidência que desta análise se destaca é a incapacidade político-cultural dos actuais dirigentes europeus trabalharem eficazmente a(s) causa(s) do problema.

Retrato do Olhar - ou Da Realidade Assimilada...


"O Pássaro"... de Júlio Resende.

domingo, 14 de novembro de 2010

Responder à Crise... para sobreviver...

Independentemente da lógica especulativa dos mercados (a que alude a entrevista a Joe Berardo que se pode ler aqui) e das pequenas boas notícias que é preciso aguardar para reconfirmar e consolidar no que respeita às tendências de evolução da economia nacional (ler aqui e ouvir aqui), a realidade encontra-se, indesmentível e urgente, nos factos de que, além do quotidiano, encontramos expressos em informações como as que podemos ler Aqui e Aqui... porque os pedidos de ajuda que as IPSS's registam por todo o país, são a manifestação clara das condições de vida dos cidadãos a que é preciso dar resposta, seja qual for o estado e o resultado das contas públicas... porque as famílias e as populações não podem continuar a pagar o preço imposto por uma lógica financeira que as torna reféns de uma pobreza que, para além de lhes hipotecar o presente e o futuro, atrasa decisivamente o desenvolvimento das competências de produtividade e competitividade que é preciso aumentar sob pena de assistirmos ao implodir da vida social do país... Para o evitar e tornar viável a governabilidade, é indispensável que Governo e Parceiros Sociais se empenhem na definição concertada de soluções imediatas para uma crise que requer, no imediato, decisões de carácter assistencialista ao nível das políticas sociais e da criação de emprego que possam garantir a criação, no curto prazo, de mecanismos de auto-sustentabilidade cujas redes possam, no médio prazo, desenvolver a sustentabilidade socio-económica endógena sem a qual continuaremos ao sabor dos ritmos das crises que, pelas mais diversas razões, vão continuar a emergir, no quadro de uma economia globalizada cujos mercados se equilibram a partir das suas próprias flutuações.

Júlio Resende - Da Nudez da Arte...











sábado, 13 de novembro de 2010

Da Bondade...











Aung Suu Kyi - O Rosto de uma Luta Internacional...


Aung San Suu Kyi, Prémio Nobel da Paz, foi hoje libertada, depois de uma prisão política concretizada pela ditatura da Birmânia, justamente contestada a nível internacional (ler aqui e aqui). Por quanto tempo? - é a primeira questão que se nos coloca. De facto, é previsível que o regime de Myanmar exerça sobre o seu protagonismo público uma vigilância cerrada, uma vez que a comunidade internacional não recebeu qualquer sinal de abertura política deste país, sobre a sua predisposição para, a partir de agora, existir no seu território e na sua noção de ordem pública, ser contemplado o respeito pelos Direitos Humanos... Aung Suu Kyi pediu unidade na luta pela Birmânia livre e democrática e irá aproveitar a sua liberdade para continuar a sua luta... O mundo espera que os birmaneses façam justiça ao seu combate e a uma causa que, sendo de todos, é ainda razão da perseguição e penalização de muitos. A libertação do Prémio Nobel da Paz de 2010, Liu Xiaobo, precisa da sua solidariedade enquanto expressão de afirmação da continuidade do combate que todos precisamos de continuar a travar.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Política de Gestão!?...

Ao escrever o que se pode ler aqui, decidi que abordaria a matéria sobre a qual queria partilhar a reflexão, em, pelo menos, mais um ou dois post's. A dimensão política da questão reside no facto do problema em causa afectar o modo de concretização das opções políticas, porque o que me ocorreu colocar à nossa consideração remete para a causa do insucesso das opções socio-económicas que, sucessivamente, desde há décadas ou, pelo menos, desde os anos 80, tem provocado um quase contínuo declínio ou, no mínimo, uma quase constante estagnação da economia portuguesa. Podemos (e assim tem sido feito pelas oposições, os meios de comunicação social, os analistas e os comentadores) considerar que o erro do insucesso económico nacional reside exclusivamente nas opções técnicas ou ideológicas dos partidos que têm gerido o poder e/ou por força dos seus acordos... contudo, apesar da diversidade dessas opções não ser tão radicalmente diferente que se possa dizer que já tentámos tudo e tendo em atenção que as políticas defendidas pelos partidos mais à esquerda ou mais à direita não foram, de facto, linhas programáticas das várias governações, a verdade é que, sejam quais forem os modelos teóricos subjacentes à pluralidade das escolhas, a sua concretização é feita por pessoas e através de dinâmicas por elas protagonizadas... e é exactamente aqui que pode estar o cerne da questão. Um dado a ter em consideração nesta perspectiva resulta da constatação de, essencialmente, sermos um país gerido há décadas por advogados, economistas, engenheiros e gestores. Outro dado, de dimensão mais profunda, decorre da representação social da "confiança" subjacente à cultura de cidadania que ainda não temos e que reduz, próxima de uma mentalidade própria de um mundo não urbano e não metropolitano ou, se quisermos, de carácter corporativo, a sua existência como uma espécie de legado garantido pelo inter-conhecimento confinado a pessoas próximas das relações interpessoais dos grupos pelos quais se acede ao poder. A perversidade da lógica de um sistema gerido desta forma, afasta qualquer viabilidade técnico-científica de intervenção, bloqueia o desenvolvimento, limita o crescimento e revela, não apenas as desadequações das referidas opções político-ideológicas mas, concorre para realizar a impossibilidade de um funcionamento socio-institucional eficaz e independente. Assim, permanecemos reféns de uma lógica que, se não é de classe, é de grupo e que arrasta para a falência toda a sociedade quando o seu exercício político encontra dificuldades... se assim não é, pelo menos, parece! - apesar de uma comum defesa de valores como "Democracia" e "Igualdade de Oportunidades" que, afinal, não encontram terreno fértil para medrar... Será?!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Alegria de Outono...

Ao sol destes dias do início de Novembro chama a tradição o "Verão de São Martinho" evocando-se hoje, dia 11, no calendário corrente, este patrono que, segundo reza a lenda, dividiu a capa com quem hoje seria designado por "pessoa sem-abrigo". O momento, ritual de transição para o aprovisionamento necessário ao tempo frio, celebra-se com a partilha do conhecido Magusto e com a prova do "vinho novo"... é sempre, de qualquer forma, um tempo que nos remete para o refúgio e que se caracteriza por um colorido de frutas doces, quentes e saborosas! Fruta para Todos deveria ser um dos lemas da Luta contra a Pobreza!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Uma questão complexa... e prioritária!


... é uma questão complexa que deixa perplexos os portugueses apesar da sua aparente invisibilidade - e digo "aparente" apenas porque a invisibilidade, no caso, se aplica só ao enunciar público do problema já que, no que respeita à sua consideração em termos de resultados, a respectiva complexidade é, pelo contrário, de uma evidência a que o termo "chocante" se adequa na perfeição. Comecemos pelo princípio: as Ciências Sociais e Humanas que, nos anos 60, em França, tiveram um desenvolvimento e uma visibilidade públicas de inegável dimensão, chegaram a Portugal nos anos 80 apesar de, ainda hoje, 30 anos depois, ser visível a negligência intelectual, científica e política a que são votadas no nosso país onde, a cada passo, se descobre que ninguém sabe para que servem - e que, perante tal ignorância não assumida, decidem que o melhor é delas desinvestir, deixando-as sucumbir à errónea percepção pública da sua inutilidade. Decorrente deste raciocínio provinciamente pragmático, foram formadas gerações de pessoas com qualificações superiores que hoje preenchem lugares sem ligação com as respectivas áreas de formação ou que se encontram em situação precária de desemprego ou sub-emprego. Dito isto, deixamos à reflexão de todos a apreciação do que acontece na sociedade portuguesa relativamente à articulação deste binómio que se requer, por definição, concertado: "qualificação/produtividade"... por fim, atendamos ao que me conduziu à redacção destas linhas: após o desinvestimento na formação académica vocacionada para o ensino e para a investigação socio-cultural, Portugal investiu, desmesuradamente!, de há décadas a esta parte, na formação de economistas e gestores!... Ora, a questão é: com tantos especialistas na matéria ou, pelo menos, com tantos quadros disponíveis que, no âmbito de um exercício institucional e organizacional estruturado e competente, poderiam aperfeiçoar os conhecimentos adquiridos, adaptando-os (e sublinho: adaptando-os!!!)ao mundo concreto do trabalho, como justificar a inoperância de resultados na economia portuguesa? ... não, a questão não é de somenos importância! ... porque o problema da dívida soberana e da estabilidade económico-financeira do país não se resolve com mais endividamento acrescido de elevadissimas taxas de juro ou com a sistémica engenharia financeira decorrente da criativa correlação orçamental entre receitas e despesas mas, isso sim, com a revitalização e o investimento no aparelho produtivo sem o qual nem exportações nem sustentabilidade endógena serão viabilizadas... e esta incontornável realidade tem, reconhecida e indiscutivelmente, uma relação próxima e directa com a questão da qualificação e dos recursos humanos que, em Portugal, tem que ser revista de forma radical ao nível dos critérios, dos conceitos e do projecto de futuro do país em termos de modelo de desenvolvimento pretendido e adequado, bem como, necessariamente, da definição estratégica das metodologias, mecanismos e procedimentos indispensáveis à sua operacionalização. Não, não se trata de "pura teoria" ou de argumentação abstracta; trata-se, pelo contrário, de não fugir à realidade e de não obliterar pressupostos e resultados... tudo o resto, sim!, isso é que é, de facto!, pura e gratuita demagogia.

Leituras Cruzadas...

Vão em jeito de "a seco" estas propostas de leituras que hoje aqui sugerimos, por mérito dos autores... na verdade, nem pensara em fazer esta noite umas Leituras Cruzadas; porém, alguns dos textos que aqui proponho são demasiado interessantes para aguardarem o merecido destaque... e, de facto!, vale a pena ler as seguintes publicações:
João Tunes no Água Lisa;
Rafael Fortes no Cinco Dias;
Filipe Tourais no O País do Burro;
Carlos Barbosa de Oliveira no Crónicas do Rochedo;
Sérgio de Almeida Correia no Delito de Opinião;
Miguel Abrantes no Câmara Corporativa;
João José Cardoso no Aventar;
MFerrer no Homem ao Mar;
Donatien Alphonse François no Donatien Alphonse François...
... até porque, assim, de um ou de outro modo, nos vamos revemos uns nos outros, caleidoscópio dos dias em ecos de diversos mas coerentes pensares e sentires...

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Malgré Tout, Portugal é o país mais pobre da UE...

A persistente negação da realidade ou a sua politica e mediática minimização não anulam a verdade dos factos nem determinam necessariamente a representação dos outros sobre os fenómenos. Apesar da fixação que a classe jornalistica denota na tentativa de redução da dinâmica socio-política e económica à sua vertente discursiva - como se vivessemos no reino da sofística e do jogo argumentativo (ainda ontem, na RTP-2, a jornalista Márcia Rodrigues no programa Olhar o Mundo, tentava reduzir a análise política da política norte-americana feita por Teresa Botelho e José Gomes André a esta perspectiva) - a verdade que subjaz ao que ontem referimos (ler aqui) e que foi também, de certo modo, tema da edição de ontem do programa P'rós e Contras da RTP-1, encontra hoje eco no Financial Times (The Eurozone) que afirma, sem rodeios, que Portugal é o país mais pobre da União Europeia... para além da crise internacional e dos suspeitos interesses das agências de rating que estão a suscitar fortes reacções na banca portuguesa e apesar da expectativa de recuperação da confiança dos mercados que ainda ontem o mesmo Financial Times referia (ler aqui), a verdade é que a taxa de juros da dívida pública continua a persistir numa perigosa aproximação aos 7% que o próprio Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, identificou como o limite para a intervenção do FMI no nosso país. Se dúvidas houver sobre a imperiosa necessidade de alterar a estrutura organizacional e funcional do actual modelo de gestão nacional e da visão de país que todos (nomeadamente, PR, Governo e 2 principais partidos com representação parlamentar) têm defendido e protagonizado, não haverá forma de controlar o endividamento nacional que os negócios da China com Hu Jintao não chegaram para criar margem de confiança internacional. Para além do risco de dissolução da soberania nacional, está em causa a sobrevivência digna de milhares e milhares de portugueses. A coragem política para alterar o indispensável bem pode ir inspirar-se em bons exemplos que, na América do Sul, malgré tout, muito tem a ensinar...

Sarahuis e Palestinianos - A persistência de uma perseguição...




Depois da greve de fome de Aminatu Haidar, deixámos de ouvir falar no Povo Sarahui... contudo, a sua luta, a sua perseguição e a violência contra um povo que reivindica o direito à auto-determinação, continuam sem tréguas, ao ponto de ser hoje notícia o ataque violentissimo das forças militares marroquinas contra o campo de refugiados "Campo da Dignidade". Aminatu Haidar apelou, por isso, à intervenção do Governo português, enquanto membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas, no sentido de serem respeitados os direitos do Povo Sarahuí e de se exigir o fim da sua continuada agressão. Entretanto, um pouco mais abaixo nesta geografia mediterrânica que mais nos une do que nos afasta, Israel retomou as provocações contra o Povo Palestiniano, autorizando a construção de mais 1300 casas no território de Jerusalém Oriental e ostentando um total desprezo pelas negociações para um processo de paz, relativamente ao qual o seu empenho é de cada vez mais difícil credibilidade - apesar de toda a sua demagógica propaganda dirigida à comunidade internacional. O poder financeiro, económico e militar continua a insistir na exibição da sua força à revelia de toda a razão, de toda a justiça, de toda a ética e de toda a diplomacia... até quando?

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Pobreza, Justeza e Honra num Estado Democrático de Direito...



No Ano Europeu de Combate à Pobreza regista-se quer um aumento drástico do fenómeno, quer um crescimento do risco de desinvestimento nesta área efectivamente prioritária da intervenção cívica, social e política. A sociedade portuguesa precisa por esta razão, com urgência, de emitir sinais claros do seu sentido de responsabilidade social porque, para além da dívida soberana, do deficit, das contas públicas, das finanças, da economia e da crise, o Estado são as Pessoas. Compreende-se por isso a preocupação parlamentar (ler AQUI) e de sectores ligados ao desempenho de uma efectiva solidariedade social que faz jus à real defesa dos Direitos Humanos. É o caso das IPSS's, laicas ou de origem religiosa e das próprias Religiões que, no âmbito dos seus espaços, das suas competências e das suas áreas de influência, desenvolvem um trabalho real e meritório no apoio a cidadãos carenciados. Interessante e digno de nota, para esclarecer os espíritos desconfiadamente obscurecidos pelos preconceitos, é o facto das próprias instituições procederem de forma laica sem qualquer exigência ou pedido de fidelização religiosa aos que recorrem aos seus inestimáveis serviços. Vivemos, de facto, numa sociedade e num Estado que é e deve, inquestionavelmente, manter uma filosofia política de gestão objectiva e inequivocamente laica mas, a verdade é que os cidadãos, a sobrevivência e a dignidade da existência são, incontornavelmente, o primeiro valor do Estado Democrático de Direito. Por isso, é natural que as instituições sociais manifestem grandes e justas preocupações com o cenário económico-social contemporâneo (ler Aqui), uma vez que, apesar de leigos, cristãos, católicos, muçulmanos, budistas, hindus e outros, organizados de formas várias, vão tentando debelar os efeitos do mais grave fenómeno social contemporâneo (ler Aqui, Aqui, Aqui, Aqui, Aqui, Aqui, Aqui e Aqui, entre muitos outros) sem que essa luta tenha quer o sucesso, quer o reconhecimento necessário e indispensável à visibilidade e continuidade do seu trabalho - que, lembremo-lo!, é um dever que cabe a todos e que deveria ser obrigatório, designadamente para os que, do aparelho governativo ao sector empresarial e, muito particulamente, ao sector bancário, são detentores dos meios financeiros capazes de assegurar um investimento concreto neste combate social de primeira necessidade!... Lutar Contra a Pobreza, de forma responsável e sutentada é o mínimo que podemos exigir à sociedade e à política no século XXI, um tempo em que presumimos ter interiorizado, nas Sociedades Democráticas e nos Estados de Direito, a plena e indefectível defesa dos Direitos Humanos.

domingo, 7 de novembro de 2010

Um País, Um Povo, Um Presidente!



Dia 24 de Novembro, as duas principais centrais sindicais, CGTP e UGT, estarão, juntas, na organização da Greve Geral que marcará a grande reacção colectiva dos cidadãos e dos trabalhadores portugueses. Hoje, no encerramento da IX Congresso da Corrente Sindical Socialista da CGTP, Manuel Alegre afirmou o seu apoio inequívoco à manifestação cívica pela defesa dos direitos dos trabalhadores e do direito ao trabalho de todos os cidadãos:
"A minha posição é muito clara, eu sempre defendi o direito à greve e considero muito importante esta greve geral, não apenas como manifestação da liberdade de expressão e do direito de protesto, mas como alerta à sociedade e como um fator capaz de criar uma dinâmica nova, social, que abra o caminho à mudança e que abra o caminho à procura de novas soluções e de alternativas sociais". Depois de alertar os portugueses e os políticos para o risco de perda de soberania nacional que a crise financeira e a situação económica estão a determinar e de intitular os procedimentos internacionais do FMI como próprios dessa conhecida ave de rapina que é o abutre, fica clara a resposta do candidato à Presidência da República sobre a dinâmica social portuguesa e a sua interpretação do rumo económico que alguns programas político-ideológicos visam incentivar e desenvolver em Portugal... para esclarecimento dos insidiosos desconfiados e cínicos do costume. (Ler Aqui e Aqui).