quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Sindicatos... "à portuguesa"?!

As centrais sindicais entraram "em guerra". A propósito das provocatórias e/ou indiscretas palavras de João Proença que se lembrou de dizer que "altos dirigentes" da CGTP tinham incentivado a UGT a assinar o acordo dito de "concertação social" a que Carvalho da Silva reagiu, dizendo que iria agir judicialmente contra o líder da UGT, por considerar disparatadas as declarações. Enfim... Lamentamos!... Acima de tudo, lamentamos o grau de "provincianismo" a que "desce" o nível de análise política da esfera sindical, optando por uma "guerrilha" que se justifica no âmbito da pretensa legitimação da postura da UGT que ninguém compreende e da defesa da não anuência da CGTP a um acordo que não revela qualquer protecção dos direitos dos trabalhadores - nomeadamente, porque os cidadãos trocariam de bom grado mais 30 m de trabalho diário do que o hipotecar de dias de férias e todas as decisões assumidas por esta "concertação" que, a partir de agora, serão lei... Lamentamos essencialmente por todos os portugueses, trabalhadores e desempregados!... Lamentamos porque, ao invés de melhorarem as suas "performances", os sindicatos continuam sem defender, de forma  sustentada!, pelo menos até agora, o direito fundamental dos cidadãos ao emprego, resumindo-se a mobilizar alguns dos que arriscam deixar de trabalhar por ameaça de falência ou deslocalização empresarial, tendo perdido a confiança de muitas -diria até, de demasiadas! pessoas... Lamentamos porque, recentemente, os sindicatos tinham granjeado a simpatia da sociedade civil pela associação que fizeram ao chamado movimento dos "indignados", unindo esforços no sentido de construir uma unidade de resistência à crise internacional que atingiu a Europa no seu âmago e, consequentemente, agravou a fragilidade estrutural da sociedade e da economia portuguesas... Lamentamos porque os cidadãos ficam mais desprotegidos apenas e só porque estas posturas resultam, afinal de contas!, perante a opinião pública, na aparente preferência pela intriga e a vitimização, fruto da alienação a uma gestão comprometida com corporativismos que vão além do interesse público... Lamentamos!... entretanto, vá lá perceber-se porquê!, ocorreram-me ao longo da redacção deste post, não só as palavras do Presidente da CIP (ler aqui) mas, também, a imagem final da anedota do escorpião que deu boleia à rã para atravessar o rio!!!   

"O Melhor do Mundo São as Crianças..."


... disse o Poeta!... e este menino, brasileiro, nos seus 11 anos de idade e na expressividade genuína de um prazer consciente e partilhado, comprova-o... vale a pena ver com atenção e... deixar sorrir o coração!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Concertação?... de quê e para quê?

Os ventos não sopram de feição para os cidadãos, qualquer que seja o seu estatuto, trabalhadores ou desempregados. O lado mais negro desta "crise" que perde, a "passos largos", o seu carácter conjuntural e se começa a assumir como a tendência estrutural das sociedades, pelo menos destas primeiras décadas do século XXI, é, inequivocamente, a má gestão social em que assenta a política, que inflige danos dificilmente recuperáveis à qualidade de vida que as democracias pareciam ter criado e garantido. Testemunho maior deste facto são os resultados da chamada "concertação social" que, de "concertação", tem apenas o facto de significar a concordância "entre partes" a que é completamente alheio o interesse de quem trabalha e o próprio bem-comum, entendido enquanto interesse público. Na verdade, as chamadas "conquistas" deste acordo assinalam, sem escrúpulos, o fim dos direitos laborais e um retrocesso cívico e político como, de há muito, não há memória... é caso para dizer que, "água mole em pedra dura tanto dá até que fura" no sentido em que a constante acusação contra a protecção e os direitos de quem trabalha, deu os frutos desejados... Registe-se, na voragem desta vertiginosa inversão social que vivemos e a que assistimos, que a vigência destes direitos não evitou a calamidade económica a que nos conduziu a exploração económica da especulação neoliberal... mas, acima de tudo, entenda-se: as novas regras vão acentuar esta "crise", sem qualquer benefício para a sociedade e a democracia, como o prenunciam já, não só a continuidade da "desaceleração" económica europeia mas, também, a previsão do desemprego acima dos 13,4% para o ano em curso. Garantidos o aumento da pobreza, da exclusão social, do medo e da violência social, bem como, a diminuição sem paralelo do poder de compra, do consumo, da motivação e da confiança de consumidores, estamos perante a construção de uma arquitectura política capaz de concretizar o que, até há pouco, se considerava improvável: fazer o tempo voltar atrás... Quanto ao preço desta tão grande irresponsabilidade, veremos como será pago, sendo certo que os seus construtores serão os primeiros a insistir em que a solução é: regredir, regredir, regredir... Até onde?  O tempo o demonstrará.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

As Palavras Interditas...


... Eugénio de Andrade, o Mestre, disse "As Palavras Interditas"... palavras transparentes, como estas: "(...) uma criança passa de costas para o mar (...)" ... palavras em que a Poesia diz o tanto que há de "não-dito" por dizer - o "não-dito", essa matéria com que se faz o sentido do Poema e se expressa, de forma lúcida e mágica, o pensar em português...

Acrescentar Um Conto... para Fazer História...


Na rubrica "Grande Reportagem" da SIC, foi apresentado um trabalho que divulga uma boa prática escolar, capaz de fazer jus ao que de melhor exigimos à educação. Apelando à criatividade, uma Professora de Português, no norte do país, levou à prática uma estratégia de motivação à leitura que concilia eficácia instrutiva e educativa, ao ponto de ter contribuido para envolver não só a comunidade escolar de que partiu mas, toda a comunidade social envolvente. Através da leitura de contos, cuja dimensão e síntese narrativa permitem a adesão das crianças à leitura, a estratégia "Acrescenta um Conto", levou a literatura às famílias, desenvolveu e reforçou laços afectivos entre pais e filhos e promoveu relações intergeracionais notáveis. Com uma simplicidade brilhante, a ideia que nasceu da necessidade de ajudar as crianças a ler mais e melhor, denota uma quantidade assinalável de funções didáctico-pedagógicas educacionais - razão pela qual, com humildade e orgulho, deveria ser adoptada por todo o país!

domingo, 15 de janeiro de 2012

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Da tragédia europeia à renovação democrática...

As sociedades democráticas europeias foram um marco histórico, no sentido em que o seu desenvolvimento assinala a cooperação internacional de vários países, com compromissos políticos selados a partir de valores e representações promotoras dos Direitos Humanos, da Igualdade e da Cidadania... e é este o motivo pelo qual, para os trabalhadores e pessoas de todo o mundo, a crise que, há anos, devasta o "velho continente" (cuja economia continua a "desacelerar") se reveste de uma tão trágica dimensão - afinal, de certa forma é mais uma "utopia" perdida ou, pelo menos, (quase) derrotada! Por esta razão (e não apenas pela dimensão mercantil que representa para o mundo da alta finança, das bolsas e dos ratings), vale a pena pensar o problema - nomeadamente porque o modelo permitido pelo Direito Comunitário, reforçados os princípios da subsidiariedade e da solidariedade, garantiria um outro rumo, decorrente de orientações políticas conjuntas que optassem pela revitalização orgânica da sustentabilidade económica dos Estados-membros e, consequentemente, da União Europeia. No fundo, bastava que, garantindo a vigência e o efectivo respeito pelos princípios da não-discriminação, a Europa das Nações optasse pela sustentabilidade das suas Regiões, planeando a produção económica em todas as suas vertentes (da agricultura aos serviços, passando pelo tecido industrial e o comércio). De facto, uma produção europeia concertada concretizaria o pleno emprego, a autonomia alimentar, o combate à pobreza e à exclusão e criaria riqueza capaz de viabilizar um plano de exportações eficaz pois é inegável que, sem desequilíbrios territoriais, uma sólida política de coesão social permitiria contornar o problema da dependência externa de mercados - cuja prioridade, contrária ao interesse público, é o mercado bolsista assente na dinâmica da especulação. O planeamento económico articulado na perspectiva da complementaridade, a par da sua monitorização e de uma constante avaliação para efeitos rectificativos, fomentaria, não só a emergência da iniciativa privada e da criatividade, como também a independência dos Estados, ao mesmo tempo que garantiria a sustentabilidade social que perdemos diariamente, a "passos largos"... deste modo, além de tudo o que foi dito, ficariam salvaguardadas as identidades culturais, as práticas reais da cidadania, da democracia participativa e da sua expressão representativa. Por tudo isto, a actual "crise" poderia e deveria ser um ponto de viragem no sentido do reforço dos valores e do modelo social idealizado para a "comunidade europeia" nos termos do que chegou a ser definido por "Europa Social"... mas se, como tem estado "à vista", assim não acontecer, o problema decorre, exclusivamente!, da ideologia e da (in) cultura cívica e moral das pretensas "elites" políticas contemporâneas e das suas actuais lideranças.        

Tradição e Modernidade...

(via Paula Brito no Facebook)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

"Corta Com a Violência"...


.. campanha de sensibilização da APAV para crianças e jovens contra a violência, designadamente: bullying, violência no namoro, violência sexual e violência doméstica. Esta campanha integra ainda a sensibilização contra a violência contra crianças e jovens, direccionada para profissionais.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Respostas Alternativas...

Sobre a necessidade de conferir visibilidade à Auditoria Cidadã da Dívida Pública e de reforçar a confiança dos cidadãos para aumentar a mobilização social nas iniciativas da democracia participativa a que no post anterior fiz referência, vale a pena ler o texto de Yorgos Mitralias no site do Comité para a Anulação da Dívida no Terceiro Mundo (CADTM), também divulgado aqui.

Direitos Cívicos sobre a Crise...

... porque os cidadãos têm o direito de conhecer, de forma sustentada, os fundamentos e implicações de uma "crise" que lhes afecta o quotidiano de forma quase insustentável, é urgente que os mecanismos da democracia participativa funcionem e resultem, para que, através da respectiva eficácia, a sua intervenção seja credível, justificando a confiança dos cidadãos... e se, de facto, a actualidade se encontra "cristalizada" numa espécie de imobilismo (decorrente do conflito de interesses entre corporativismos políticos, burocracia institucional e interesse público), a sobrevivência democrática do direito e da prática de uma cidadania activa encontra-se numa fase decisiva da sua legitimação social - a qual, refira-se!, se perdida, reverterá no facilitismo da total perda de direitos adquiridos... (vídeo via Flávio Pinho no Facebook)

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Sonoridades Intemporais...


... Mozart, segundo Ingmar Bergman, num excerto de "A Flauta Mágica". (via Nuno Sotto-Mayor Ferrão no Facebook)

Sem Comentários...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Da Identidade Colectiva...


... o testemunho da coexistência na dimensão universal da composição e da interpretação musical... com Jan Garbarek, L.Shankar, Zakir Hussain e Turlok Gurtu em "Song for Everyone"...

domingo, 8 de janeiro de 2012

"A Velha Chica"...


... nas vozes de Dulce Pontes e Waldemar Bastos... porque a música é um inestimável património!

Leituras Cruzadas...

De vez em quando, o país é assaltado por sensacionalismos que, mesmo que ilustrem o painel e o puzzle da multiplicidade das práticas atribuídas à  corrupção e ao tráfico de influências, ficam sempre impunes como se de um pequeno sobressalto, sem consequências, se tratasse. A forma algo criteriosa e dissimulada com que o fogo-fátuo das pretensas descobertas é, superficialmente e em jeito de pequeno escândalo, trazido a público, é o sinal maior de que o problema não será resolvido pela ideologia vigente na organização política que conhecemos - mais que provavelmente porque é à luz desta lógica de procedimentos que se configura (ainda que, segundo as aparências, informalmente) a prática da democracia representativa do século XX que se prolonga por este início de século XXI - sem que possamos, por ora, garantir que a sua progressiva transformação será melhor para os cidadãos e para a transparência democrática... tudo isto apesar da gravidade que o modelo representa para a institucionalidade política, económica e social que, colectiva e idealmente, se tem pretendido. Vale a pena ler alguns dos textos que exemplificam bem o que está em causa; por exemplo: Ricardo Santos Pinto no Aventar, Rui Bebiano no A Terceira Noite, PSL no Pedro Santana Lopes, João Moreira de Sá no Pegada, Valupi no Aspirina B e Weber no Mainstreet. Entretanto, a conjuntura histórica que atravessamos (leiam-se as caracterizações paradigmáticas que nos propõem os textos de Carlos Fonseca no já citado Aventar, de Osvaldo Castro no A Carta a Garcia, de Francisco Clamote no Terra dos Espantos, de João Pinto e Castro no Jugular, de João Rodrigues no Ladrões de Bicicletas e no recente post do We Have Kaos in the Garden), aproxima-se grosseiramente de uma radical alteração de ideários de que Paulo Varela Gomes dá exemplo no texto transcrito pela Joana Lopes no Entre as Brumas da Memória... Moral da História: uma vez que as dinâmicas dos antagonismos sociais continuam sem confirmar que o futuro se dirige à construção de um mundo melhor para todos, tudo o que nesse sentido fizermos, não será, de facto!, demais.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Sonoridades Intemporais...

... Taraf de Haidouks e a Kocani Orchestra...

"Se me Das a Eligir"...

... de Manu Chao.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Sons Femininos...


Lévon Minassian, a franco-arménia que interpreta de forma única o duduk, instrumento tradicional da Arménia com mais de 3.000 anos - que integra, sem sombra de dúvida, o nosso comum "património da Humanidade"... "Doudouk" é, por razões óbvias, o nome do tema que aqui partilhamos.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Uma Reflexão Partilhada... a não perder!



... porque a reflexão contemporânea da realidade é, cada vez mais, um mosaico composto pela diversidade coexistente dos olhares, partilho: a curta-metragem do realizador José Meireles "Últimos Dias" (via Facebook) e a citação do filósofo contemporâneo Giorgio Agamben:

"(...) No [livro] "Estado de Excepção" [p. 64 da versão inglesa] Agamben volta a sublinhar a questão do jogo como central para a desactivação do poder: "um dia a humanidade jogará com a lei como as crianças fazem com os objectos fora de uso, não para os recuperar para o seu uso canónico, mas para se verem livres deles de vez." O jogo torna-se assim o caminho para, e a prática de, um tempo messiânico ou redimido."

Alex Murray, in THE AGAMBEN DICTIONARY (ed. A. Murray & J. Whyte), Edinburgh University Press, 2011, p. 153.

(citação de Agamben via Vitor Oliveira Jorge no Facebook).

A Arte da Alegria...


... de que o "Cirque du Soleil" é símbolo... felizmente!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Paulo Morais, uma voz desassombrada...


Paulo Morais, ex-Vice-Presidente da CMPorto e actual Vice-Presidente da organização internacional "Transparência Internacional - Portugal" que, neste vídeo da RTP podemos ouvir, foi, há poucos minutos, o interlocutor da rubrica "Olhos nos Olhos" da TVI24 em que Judite de Sousa e Medina Carreira, vão analisando a realidade económico-financeira e política da sociedade portuguesa... Interessantissimas, as intervenções de Paulo Morais colocaram o "dedo na ferida" da maior parte das questões que inquinam a democracia no nosso país. Desassombrado, Paulo Morais afirmou que o caso BPN deve ser o maior atentado à democracia, nomeadamente por se tratar de um Banco cujo processo tem, desde a sua génese, uma origem política e cujo processo decorreu de uma privatização cujos ganhos e prejuízos acabaram por ser pagos pelo Estado que acabou por devolver a gestão da instituição aos privados!... mais!... afirmou, sem medo nem reservas, que a corrupção, nos útimos 10 anos, aumentou, em Portugal, ao ponto dos indicadores internacionais terem descido a nossa posição de um 23º para um 30º lugar. Afirmou ainda que a maior parte dos negócios decorre da especulação imobiliária com terrenos e que os bancos são cúmplices destas "negociatas"... mas, nem sequer ficou por aqui: declarou, sem titubear!, que os políticos "desde que se profissionalizaram" (condição decorrente do facto de "serem sempre os mesmos") têm vindo a produzir legislação de forma a "ninguém perceber nada" - porque, por outras palavras!, muitas das regras contrariam a essência do que está a ser legislado, viabilizando a sua legitimação. Extraordinária foi ainda a exemplificação de que se socorreu: não é normal que os políticos ligados à Comissão da Defesa trabalhem na mesma empresa de advogados em que trabalhavam os representantes dessa área no governo anterior e que esta realidade esteja presente em todas as instâncias do sector... disse mais!... Disse tanto que todos os cidadãos, num regime democrático, deviam ter acesso às suas palavras, aos seus comentários e às suas denúncias!  Para que melhor pudessem pensar e falar sobre a Europa e o país em que vivemos!

Leituras Cruzadas...

Talvez o que escrevemos seja o melhor retrato da História... um retrato que ganha em ser visto na multiplicidade das suas melhores perspectivas... por isso, a abrir 2012, sugerimos - para que se não perca o ritmo da reflexão:
JMCorreia Pinto no Politeia
Raimundo Narciso no Puxa Palavra
Osvaldo Castro no A Carta a Garcia
Filipe Tourais no O País do Burro
Miguel Cardina no Arrastão
Miguel Gomes Coelho no Vermelho Cor de Alface
Alexandre Rosa no Olhares do Litoral
João Rodrigues no Ladrão de Bicicletas
Luís Moreira no Pegada
Fernando Mora Ramos (através de Pedro Penilo) e Tiago Mota Saraiva no Cinco Dias
... mas há mais... até porque, felizmente!, o nosso quotidiano não esgota o mundo! Por isso, vale a pena reflectir sobre importantes memórias do nosso património colectivo (leia-se Raimundo Narciso no Memórias), sobre o que os outros pensam sobre as personalidades que influenciaram decisivamente o país que somos (leia-se Eduardo Marculino no História Viva) e aquilo que somos capazes de escrever sobre a nossa realidade quando não temos a "alma fardada" (leia-se Rogério Pereira no Conversa Avinagrada).

domingo, 1 de janeiro de 2012

Homenagem ao Pensar e ao Dizer (d)o Sul...



"(...) Nunca ouvi um alentejano cantar sózinho
Com egoísmo de fonte.

Quando sente voos na garganta
Desce a solidão do caminho do seu monte
E canta em coro com a família do vizinho.

Não parece pois necessária outra razão
- ou desejo de arrancar o sol do chão -
para explicar a reforma agrária no Alentejo.

É apenas uma certa maneira de cantar."

(José Gomes Ferreira in "Circunstâncias IV")

2012 - For All the World

sábado, 31 de dezembro de 2011

O Poema...


... o VIII de "O Guardador de Rebanhos" de Alberto Caeiro... 

Hasta Siempre...

(via Armando Santos no Facebook)

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Para se não perder o sentido da realidade...


... é fundamental lembrar, por exemplo, o que David Attenborough aqui partilha, ao som de "What a Wonderful World" de Louis Armstrong...

Sonoridades Intemporais...

... Patxi Andion "Con toda la Mare Detras"...

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Das Reformas na Saúde, Hoje...

É chocante o que está a acontecer no Serviço Nacional de Saúde (ler aqui e aqui). Porque se é verdade que há um imoral desperdício de verbas, seriam bom que os cidadãos soubessem em que sectores ocorrem as brutais despesas que todos vamos pagar: com menos saúde, menos assistência, mais doenças e, previsivelmente, mais mortes que seriam, seguramente!, evitáveis porque é inequívoca a relação entre diagnóstico precoce e eficácia terapêutica. É por isso incompreensível que se associe directamente o excesso de gastos à qualidade dos serviços pelo que seria muito interessante aferir questões colaterais mas decisivas como, por exemplo: a quem beneficiou o dinheiro desperdiçado e qual a natureza e justeza dos critérios de elegibilidade de espesas que, nesta área, tudo pagam a "peso de ouro": formações, deslocações, representações, e outros "ões"... Injusto e socialmente lesivo do interesse público é o facto dos exames de diagnóstico, o preço das consultas de urgência e as taxas moderadoras, tornam o acesso à saúde num luxo e num risco!... porque, para além destes aumentos revelarem um completo distanciamento das condições de vida dos portugueses (que se não reflectem linearmente nas fórmulas de cálculo económico-financeiro), perde credibilidade quem, avaliando a questão à "vol d'oiseaux" não recorre a critérios de avaliação clínica desinteressada e respeitadora do Juramento de Hipócrates para, com rigor, aliar os resultados das auditorias do Tribunal de Contas à realidade e aos objectivos do Serviço Nacional de Saúde, protegendo os cidadãos dos interesses corporativos... ... porque este caminhar a grande velocidade para um serviço de saúde tipo norte-americano não interessa a ninguém... nem aos americanos! É, por isso, indispensável exigir com eficácia uma gestão política da saúde assente numa elevada ética da responsabilidade social... ou, dito de outro modo, haja moral e competência!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Um Manifesto Actual...


... de Almada Negreiros o "Manifesto Anti-Dantas" na voz, no tom e no timbre inimitáveis de Mário Viegas.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Da Emigração à Ausência de Políticas Credíveis

No ano que agora termina, saíram de Portugal 100.000 cidadãos em busca de melhores meios de sobrevivência e a emigração, de mera possibilidade, passou a cenário de uma realidade sombria que paira, de facto!, sobre o país (ler aqui), apesar dos evidentes prejuízos que o facto arrasta para a economia e a sustentabilidade social portuguesa!... é por isso completamente absurda, inusitada e despropositada a condescendência (para não dizer, incentivo!) à emigração que muitos dos escolhidos pelos eleitores para o exercício governamental, têm vindo a fazer, trocando a política por um senso-comum que revela, não só pouca sensatez, mas, também, o contrariar da prioridade que a escolha democrática supostamente implicaria, a saber: um eficaz empenhamento na criação e apresentação de soluções capazes de promover o crescimento endógeno nacional... e se é verdade que, também em 2006, emigraram 100 mil pessoas deste pequeno território que é o nosso, podemos dizer que a ostracização dos cidadãos é o que a política económica nacional entende por sustentabilidade do tecido social e política demográfica!... Qualquer que seja a justificação e a interpretação dos dados, a verdade é que o esvaziamento do país, tem custos de que a História dificilmente recupera (veja-se, para se não ir mais longe, o caso do Alentejo)... É, por isso, importante relembrar a urgência da seriedade nas propostas e no entendimento do momento que atravessamos e que requer, antes de mais, sentido de responsabilidade social - até porque, não sei se repararam! mas, de soluções fáceis, "está o inferno cheio"!!! 

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Estratégias desesperadas...

(via Paula Brito no Facebook)

domingo, 25 de dezembro de 2011

Do Natal como Invenção da Alegria...


... hoje é Dia de Natal... um dia para todas as crianças... as que o são e nós, os outros, que, felizmente!, o não deixaremos de ser - porque a alegria se inventa dentro de nós: votos de um Alegre Natal... :))

sábado, 24 de dezembro de 2011

Da Ética da Responsabilidade Social...

... e se estes são dias de alegria para muita criançada, para muitas pessoas, em todo o mundo, não são... e a ética de responsabilidade social que deveria ser prioritária, exige que o não esqueçamos... (vídeo via José Manuel Pureza no Facebook)

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Leituras Cruzadas...

As grandes preocupações de 2011 ficam sintetizadas nos textos de JMCorreia Pinto no Politeia... mas, os dramas com que a vida social e política, em Portugal, se confronta, assumem contornos assustadores perante notícias que, ao invés de promoverem o investimento na qualidade de vida nacional, defendem projectos de emigração (leiam-se os textos de Luís Moreira, de António Filipe e de Francisco Clamote no Pegada) - para justa indignação de todos! O drama (como bem dizem João Rodrigues e Alexandre Abreu no Ladrões de Bicicletas) reside, de facto!, no tipo de critérios e na natureza dos ciclos políticos (bem ilustrados por Miguel Abrantes no Câmara Corporativa) a que os partidos com perfil governamental assente na experiência eleitoral que temos, sujeitam os Estados, vergados a variações que ignoram as necessidades das populações e se reduzem a uma autofágica valorização de "ganhos" demagógicos e partidários, pondo em causa a vitalidade e a transparência democrática... e se é verdade o que já percebemos (leia-se João Ricardo Vasconcelos no Activismo de Sofá), a realidade é, felizmente!, mais vasta e não se esgota na mediocridade das "vistas curtas" com que nos tentam obrigar a interpretar o mundo contemporâneo (leia-se Paulo Pedroso no Banco Corrido). Não chega, por isso, culpabilizar quem reage (leia-se Osvaldo Castro no A Carta a Garcia) a um tal regime de empobrecimento da qualidade de vida e da democracia que ainda temos... porque quem reage, trabalha e não pode continuar a pagar os riscos incomportáveis de decisões políticas que nos transcendem, em nome dos anónimos mercados que são, afinal de contas, os principais demolidores dos regimes democráticos! - "coisa" que, diga-se de passagem, não espanta ninguém!... verdade?!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Uma Democracia Com Falhas não é uma Democracia!

A prestigiada revista "The Economist" considerou hoje, pela primeira vez, que Portugal vive uma "democracia com falhas" (ler AQUI)... a notícia não surpreende a não ser os políticos que vivem da auto-ilusão com a imagem que eles próprios criam e vendem!... é, contudo, muito interessante e importante que a comunidade internacional perceba que as consequências de uma economia improdutiva, hipotecada e resgatada à dependência do exterior não é útil sequer como aliada no plano da política internacional!... e assim, no seio da indiferença subserviente e aquietados pelo medo do desemprego, iremos, de alienação em alienação, perder todas as competências, toda a iniciativa, todo o mérito e toda a liberdade... porque... com fome, não se pensa!... mas, com medo e sem esperança, também não!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O Medo...


... este texto de Mia Couto sobre o medo é não apenas belo mas, acima de tudo, importante, verdadeiro e necessário à reflexão de que urgentemente precisamos... para agir!
(via Rui Linhan no Facebook a quem agradeço a excelente escolha e a partilha).

domingo, 18 de dezembro de 2011

Goa e a Queda do Império Colonial Português

Há 50 anos, no dia 18 de Dezembro, Goa foi palco do início da queda do chamado "império colonial português". A este propósito, no jornal Público, pode ler-se num artigo de Constantino Xavier, investigador na Universidade J.Hopkins:
"(...)A Índia eliminou há muito os complexos do passado. Lembro-me da estupefacção entre diplomatas portugueses quando, numa recente visita a Lisboa, um oficial da Marinha indiana enalteceu Goa como símbolo de "fusão dos valores luso-indianos" e se referiu a Vasco da Gama como "o descobridor que nos abriu as portas ao mundo". Isto só pode surpreender se continuarmos a ignorar que a maioria dos indianos se orgulha do que Portugal deixou na Índia.(...)" (via Tim Tim no Tibete.)
Entretanto, na edição online do mesmo jornal, podem ouvir-se antigos soldados portugueses que, à data, estavam destacados em Goa (ver AQUI) e amanhã, no Jornal da Noite da TVI, na rubrica "Reportagem TVI", vai ser interessante ouvir outros tantos testemunhos recolhidos pela jornalista Maria José Garrido. Neste contexto, não posso deixar de referir a lúcida leitura do General Vassalo e Silva, Governador de Goa entre 1958 e 1961, no livro editado em 1975 pela Liber e com coordenação de Botelho da Silva: "Dossier Goa - A Recusa do Sacrifício Inútil". Registe-se que o então Brigadeiro Vassalo e Silva, presente na rendição de Goa em 19 de Dezembro de 1961, foi demitido pelo Conselho de Ministros de Salazar no dia 22 de Março de 1963, na sequência dos desentendimentos sobre a resposta a dar à situação de Goa no início da década de 60 e sobre a qual Vassalo e Silva escrevera: "(...) Acabou tudo. Goa já não é portuguesa. (...)" (pg.96 in ob.cit.). 

Das Pescas em Portugal - ainda uma homenagem a Cesária Évora


... hoje, morreu Cesária Évora... ficámos seguramente mais pobres mas, guardaremos para sempre a sua voz sentida e inigualável, com que, de forma tão bela, cantou, não só a vida e a terra mas, também, o mar!... talvez por isso, a morte da Rainha das Mornas, descalça e inteira, me faça pensar nos pescadores... no mesmo dia em que Portugal conseguiu um acréscimo de 6% nas quotas das pescas, ultrapassando significativamente a barreira de partida da Comissão Europeia que defendia 11% para a sua redução... aumenta assim, para regozijo nacional, no quadro da pesca sustentada, a capacidade de captura de espécies preciosas para a economia (como é o caso do bacalhau, do tamboril, da pescada e do carapau) pela frota pesqueira industrial nacional... mas, se ao facto não é alheia a ruptura do protocolo comunitário de pescas com Marrocos que expulsou das suas águas 100 embarcações da frota de pesca europeia (14 das quais portuguesas), há um outro rosto, mais humano, nesta questão... um rosto de pescadores que, tisnados de sol, sal e luta querem conhecer a tradução desta vantagem na sua vida e na faina da pesca artesanal portuguesa enquanto expressão económica e manifestação cultural que a modernidade não tem o direito de exterminar... (recordo a este propósito o que se pode ler e ver aqui e aqui).

sábado, 17 de dezembro de 2011

Cesária Évora - " Sodade" que nos deixa...

Inesquecível, Cesária Évora foi hoje descansar... felizmente, fica connosco a sua herança, arte maior de um património inestimável onde melodia e afecto construiram a estrutura rítmica que a sua sonoridade eternizou.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Auditoria Cidadã - uma Prática da Democracia Participativa

Amanhã, sábado, dia 17 de Dezembro, a partir das 10h, no Cinema S. Jorge, em Lisboa, a Auditoria Cidadã à Dívida Pública vai desenvolver os trabalhos iniciados ao fim da tarde de hoje com um debate público sobre a temática. Para quem quiser conhecer melhor esta iniciativa e proceder à inscrição que, registe-se!, é gratuita, fica a indicação do respectivo link, AQUI.

Sonoridades Intemporais...

... o final "O Lago dos Cisnes" de Tchaikowsky interpretado pelo Grande Circo da China que dá testemunho, através da inexcedível expressão de uma forma de dançar, do sentido criativo da eternidade da arte...

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Indignados - um Símbolo Histórico para o Século XXI


O Movimento dos "Indignados" mereceu a capa da prestigiada revista "Time" na sua edição da "Pessoa do Ano 2011", a cuja imagem foi associado o texto que justifica o destaque: "Da Primavera Árabe a Atenas, do Ocupa Wall Street a Moscovo"! Deste modo consagra-se o fenómeno social criado pelos Indignados como uma inequívoca marca da História neste final da 1ª década do século XXI... Felizmente!... pelo poder democrático que as nossas manifestações cívicas representam, de forma universal como convém à Humanidade (- e independentemente do que a História tiver que escrever nos anos que se vão seguir)... 

Sonoridades...

Sigur Rós em "All Allright" (via Maria João Fitas no Facebook)

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Aquilo de que Merkel fala e do que é incapaz de perceber...

... para tempos agitados e inquietantes, a sonoridade latina de Paco de Lucia que, nesta 2ª parte do "Concerto de Aranjuez", dá uma lição de sensibilidade e sabedoria aos que pensam poder impor a "sua" versão da história, do "seu" poder e da "sua" ideologia... "para sempre"!!!, ainda que essa decisão contrarie, de forma inadmissível em democracia, os interesses e a dignidade dos povos europeus - como o atestam as afirmações de Angela Merkel, há cerca de 15 dias, no mais recente Congresso do seu partido, onde, para lograr obter o apoio dos seus conterrâneos, evocou pretender "castigar os latinos"!!! Não tendo conseguido encontrar as palavras xenófobas e inadmissíveis da Chanceler, cabe aqui referir a fonte que nos deu a conhecer este "cair da máscara" de velhos traumas e síndromas com que a Alemanha muito assustou a Europa do século XX. Foi um homem geralmente bem informado quem o disse, permitindo-nos aceder a considerações preciosas que, de certo modo, evidenciam o perigo da demagogia em "defesa própria" se aproximar do exercício do poder da legitimação autoritária e racista - e que o facto de Merkel estar "a falar para dentro" não pode, de forma alguma!, justificar. Refiro-me a Vicente Jorge Silva que o transmitiu, num dos frente-a-frente do "Jornal das 9", quando Nuno Magalhães referiu o dito Congresso (distanciando-se das palavras da Fraulein: ... ... e se dúvidas houvesse sobre o "polimento" discursivo a que a linguagem política recorre, por razões de conveniência estratégica que urge denunciar, ouçam-se agora as palavras da mesma senhora, desta vez no Parlamento alemão, antes da Cimeira do fim-de-semana passado... e tentem perceber-se as diferenças:

sábado, 10 de dezembro de 2011

10 de Dezembro - Direitos Humanos, Sempre!

Hoje, 10 de Dezembro é Dia Internacional dos Direitos Humanos - a causa incondicional e eterna que felizmente inventámos para atravessar todos os tempos e todos os espaços... para que se não esqueça!

Real Politik Europeia...

(via Vermelho Cor de Alface)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A Saída do Euro

As dívidas soberanas não vão poder ultrapassar os 3% e o défice deve corresponder a 0.5% do PIB de cada país! Além disso, estes limites (que só deixam feliz a narcisista Chanceler Angela Merkel, em contraste com o Reino Unido e a Hungria que não aderiram às mudanças hoje anunciadas, também contestadas pela Holanda e a Finlândia) implicam a sua inscrição nas Constituições nacionais, relegando "de jure" e "de fatu" as soberanias nacionais para 2º, 3º, 4º ou 5º planos e impondo, com muito frágil consenso por maioria qualificada e sem aproximação à pretendida unanimidade a não ser (ainda que com reservas!) entre os que já integram a Zona Euro (e apesar da reunião dos 27 se ter prolongado até às 5h da manhã!!!), a supranacionalidade que se institui, afinal!, por imposição do Directório Franco-Alemão, contra o espírito da Europa Comunitária que os fundadores e a adesão dos Estados-membros subscreveram. Extraordinário é, não só o facto do Primeiro-Ministro se mostrar surpreendido e decepcionado mas, acima de tudo, a afirmação do PS em que se regista a sua tentação em aceitar tal medida, contra a opinião dos mais credíveis analistas e especialistas, como é o caso do Professor Jorge Miranda que, justa e correctamente!, afirma que a inscrição destes limites faria sentido na Lei Orçamental e não na Constituição - até porque, como muito bem diz, o facto desta inscrição ter sede constitucional não implica o seu cumprimento! Para além de sabermos a verdade a que Jorge Miranda se refere, pela experiência própria de mais de 30 anos de democracia (a nossa Constituição garante a todos, entre outros, o direito à educação, à saúde, à habitação e ao emprego; contudo, tal determinação não é, de forma alguma!, cumprida!!!), vale a pena dizer: este pacote de medidas não tem valor absolutamente nenhum para o reforço das democracias e das economias europeias, consistindo exclusivamente num mecanismo de controle político da Europa, destruidor das economias nacionais e da própria UE. Por isso, a única resposta válida a estas imposições é levar à mesa negocial a hipótese de saída do Euro por parte dos Estados-membros (com contrapartidas, como disse Ilda Figueiredo, eurodeputada), até a Alemanha e a França se reconhecerem sózinhas, assumindo a sua vulnerabilidade. (ler aqui)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Leituras Cruzadas...

JMCorreia Pinto no Politeia
João Rodrigues e Nuno Serra no Ladrões de Bicicletas
Luís Moreira no Pegada
Eduardo Pitta no Da Literatura
Francisco Seixas da Costa no Duas ou Três Coisas
Osvaldo Castro no A Carta a Garcia
João Abel de Freitas no Puxa Palavra
Raquel Varela no Cinco Dias
Filipe Tourais no O País do Burro
Manuel Brandão Alves no A Areia dos Dias
Rogério Pereira no Conversa Avinagrada

"Festa dos Livros Gulbenkian"

Até dia 23 de Dezembro, das 10 às 20h, com a qualidade que é sua imagem "de marca", na Fundação Calouste Gulbenkian, está aberta a "Festa dos Livros", uma iniciativa digna de registo. As obras de excelência à venda justificam a visita e se tal razão precisasse de mais motivos, podem acrescentar-se, justamente, não só as sessões de apresentação de livros às 18.30h, com entrada livre, na Cafetaria do Museu (ver aqui o programa) mas, também, os vários produtos inovadores e de requinte que, a preços convidativos, estão disponíveis (latinhas de chá, chávenas, guardanapos de papel, marcadores, blocos de notas com a inscrição da arte e da cultura que continuamos a associar à Fundação)... Como se não bastasse, continua patente ao público, até dia 8 de Janeiro, a extraordinária exposição "A Perspectiva das Coisas - A Natureza-Morte na Europa - Séculos XIX-XX (1840-1955)".

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Afinal, a Europa Social era mesmo uma utopia...

... mais depressa do que poderão ter suposto os mais optimistas, o Directório europeu cancelou hoje o sonho da Europa Social... propondo (exigindo!?!) um novo Tratado para Março (ler Aqui)! Sem receio de chocar os cidadãos, a proposta que hoje foi apresentada para efeitos de preparação da Cimeira das próximas 5ª e 6ªfeiras, afirma que o futuro Tratado estará aberto aos 27 países Estados-membros da União Europeia... apesar de poder vir a ser um Tratado a 17 - se não forem aceites exigências como um défice cujo limite máximo será, na proposta do eixo franco-alemão, de 3% (ler também Aqui).

domingo, 4 de dezembro de 2011

A Fuga de Caxias e o Início do Fim de Salazar...


Decorreram 50 anos desde a famosa Fuga de Caxias (ler aqui) que, em 4 de Dezembro de 1961, surpreendeu Salazar... dias depois, entre 18 e 19 do mesmo mês, aconteceu a Operação Vijay que inaugurou, na Índia, o início do fim do império colonial português (ler aqui)... sinais distantes, no espaço, que prenunciaram a queda do regime de Salazar!... Afinal, apesar de longas, as ditaduras face às quais as resistências parecem perder-se num tempo que, nesses períodos, parece eterno, não são invencíveis... e é por isso, pelo que nos ensinam as dinâmicas da História, que vale a pena alimentar a esperança e insistir em pensar e mudar... o presente! 

Da Ideologia da Crise...

O artigo que aqui transcrevo por considerar que merece a nossa melhor atenção. é de Filipe Luís e foi publicado, no passado dia 5 de Outubro, na coluna "Sexto Sentido" de que é autor na revista "Visão"...
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"A guerra pode ter já recomeçado
A inflamada declaração de Angela Merkel, numa entrevista à televisão pública alemã, ARD, em que sugere a perda de soberania para os países incumpridores das metas orçamentais, bem como a revelação sobre o papel da célebre família alemã Quandt, durante o Terceiro Reich, ligam-se, como peças de puzzle, a uma cadeia de coincidências inquietantes. Gunther Quandt foi, nos anos 40, o patriarca de uma família que ainda hoje controla a BMW e gere uma fortuna de 20 mil milhões de euros. Compaghon de route de Hitler, filiado no partido Nazi, relacionado com Joseph Goebbels, Quandt beneficiou, como quase todos os barões da pesada indústria alemã, de mão-de-obra escrava, recrutada entre judeus, polacos, checos, húngaros, russos, mas também franceses e belgas. Depois da guerra, um seu filho, Herbert, também envolvido com Hitler, salvou a BMW da insolvência, tornando-se, no final dos anos 50, uma das grandes figuras do milagre económico alemão. Esta investigação, que iliba a BMW mas não o antigo chefe do clã Quandt, pode ser a abertura de uma verdadeira caixa de Pandora. Afinal, o poderio da indústria alemã assentaria diretamente num sistema bélico baseado na escravatura, na pilhagem e no massacre. E os seus beneficiários nunca teriam sido punidos, nem os seus empórios desmantelados.
As discussões do pós-Guerra, incluíam, para alguns estrategas, a desindustrialização pura e simples da Alemanha - algo que o Plano Marshal, as necessidades da Guerra Fria e os fundadores da Comunidade Económica Europeia evitaram. Assim, o poderio teutónico manteve-se como motor da Europa. Gunther e Herbert Quandt foram protagonistas deste desfecho.
Esta história invoca um romance recente de um jornalista e escritor de origem britânica, a viver na Hungria, intitulado "O protocolo Budapeste". No livro, Adam Lebor ficciona sobre um suposto diretório alemão, que teria como missão restabelecer o domínio da Alemanha, não pela força das armas, mas da economia. Um dos passos fulcrais seria o da criação de uma moeda única que obrigasse os países a submeterem-se a uma ditadura orçamental imposta desde Berlim. O outro, descapitalizar os Estados periféricos, provocar o seu endividamento, atacando-os, depois, pela asfixia dos juros da dívida, de forma a passar a controlar, por preços de saldo, empresas estatais estratégicas, através de privatizações forçadas. Para isso, o diretório faria eleger governos dóceis em toda a Europa, munindo-se de políticos-fantoche em cargos decisivos em Bruxelas - presidência da Comissão e, finalmente, presidência da União Europeia.
Adam Lebor não é português - nem a narração da sua trama se desenvolve cá. Mas os pontos de contacto com a realidade, tão eloquentemente avivada pelas declarações de Merkel, são irresistíveis. Aliás, "não é muito inteligente imaginar que numa casa tão apinhada como a Europa, uma comunidade de povos seja capaz de manter diferentes sistemas legais e diferentes conceitos legais durante muito tempo." Quem disse isto foi Adolf Hitler. A pax germânica seria o destino de "um continente em paz, livre das suas barreiras e obstáculos, onde a história e a geografia se encontram, finalmente, reconciliadas" - palavras de Giscard d'Estaing, redator do projeto de Constituição europeia.
É um facto que a Europa aparenta estar em paz. Mas a guerra pode ter já recomeçado."
(O original pode ser lido Aqui)

sábado, 3 de dezembro de 2011

Dos "Empaladores" face à Cultura...

Chama-se "Café Mário" e é uma peça de teatro fundada na pura criatividade assente na vida. O encenador é Pierre-Etienne Heymann e os actores são a Companhia do CENDREV, esse património material e imaterial da cultura portuguesa, cuja existência corre sérios riscos de extinção, apesar do trabalho cultural, pedagógico e transversal que desenvolve no Alentejo desde 1975. Como o próprio nome indicia é uma homenagem - uma Grande HOMENAGEM! - a Mário Barradas, o Homem que pegou nas chaves do Teatro Garcia de Resende, (à data desactivado, degradado e destruído) e que, com o grupo de actores que reuniu, limpou e criou o Teatro que se fez Escola de grande parte dos actores portugueses das últimas gerações, distribuindo prestígio e saber e multiplicando capacidades inventivas de criação, realização, encenação e interpretação. O "Café Mário" vai estar em cena até ao dia 18 de Dezembro, em Évora, com teatro, poesia, reflexões filosóficas, políticas e estéticas que têm a voz e o corpo das interpretações notáveis, dignas e emocionantes dos actores do CENDREV. A todos os que puderem, sugiro com convicção: Vão Ver!... e a todos mas, mesmo a todos!, os que acreditam e sabem que a cultura é mais do que dinheiro de bilheteiras, apelo: assinem a petição que podem encontrar AQUI.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Homenagem aos Pescadores de Caxinas

Desaparecidos desde 3ªfeira, nas águas frias do mar das Caxinas, os 6 pescadores foram hoje resgatados vivos!... o drama da vida no mar continua, renovando o rosto e as vozes que apelam ao investimento na melhoria das condições de vida e de trabalho dos pescadores. Pelos pescadores! Pelas mulheres dos pescadores!... e pela economia nacional, revitalizada e capaz de nos resgatar das crises a que a demagogia da dependência nos traz amarrados! Hoje, somos todos Pescadores!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Para uma Epistemologia da Crise...

A crise económica, social e política com que as sociedades europeias se defrontam não decorre do que se pode designar por "falhanço das ciências sociais" - tese sugerida num oportuno comentário do Porfírio Silva ao post anterior. Pelo contrário, na minha opinião, a crise decorre de uma negligência intencional no uso e recurso a um saber técnico e tecnocrático sustentado através de dinâmicas que, em última análise e em detrimento do conhecimento científico, viabilizam a eficácia da manipulação dos interesses financeiros (em termos de controle dos movimentos de circulação dos capitais)... e se esta lógica funciona é porque aos interesses instalados em que se integra a comunicação social, as explicações simplistas servem de justificação para o legitimar dos enquadramentos "teóricos" das medidas que, enunciadas sob a aparência de uma pretensa racionalização científica (que, regra geral, ninguém problematiza), servem de caução à tomada de decisões. Na verdade,  não foram os cientistas sociais a criar, implementar e desenvolver estas dinâmicas económicas, sociais e políticas... quando muito, foram os protagonistas políticos sob pareceres e "estudos" pretensamente científicos, feitos por pessoas que se pensam e se intitulam (ou se deixam intitular) como "cientistas sociais" que serviram de justificação e fundamentação aos regimes... o que é, de facto, muito diferente do que devemos entender e entendemos por "espírito científico"! De facto, na minha perspectiva, a crise, a desigualdade, a injustiça e a desinteligência processual decorrem da ausência de espírito científico, contrário ao saber que socialmente nos é apresentado como tal e que mais não é do que generalização abusiva, retórica e estatística deficientemente interpretada - instrumentos que têm servido de "pseudo-ciência" para validar a vigência da orgânica económico-social e política contemporânea. Entretanto, como escrevi em resposta ao comentário do Porfírio que muito agradeço!, penso que esta é uma das feridas em que se deve colocar o dedo: repensar e esclarecer a relação entre epistemologia, ciências sociais, política e desenvolvimento.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Da Austeridade ao Ressuscitar Dos Dilemas Históricos...

O que diariamente se vai tornando uma evidência, ficou hoje caucionado nas palavras do Professor Jorge Miranda sobre o indiscutível risco de "desagregação da Europa" (ler Aqui). No mesmo dia em que a agência de notação Moody's ameaça baixar o rating de 87 bancos europeus e de todos os países da Zona Euro... como se não bastasse esta crise que, já sem tibiezas, ameaça a Itália, a Bélgica, a Espanha, a França e a própria Alemanha e a que acrescem não só as preocupações dos EUA mas, também, a reiterada afirmação do FMI que continua a alertar para o facto de nenhum país ser imune à hecatombe provocada pelos mercados!... Por tudo isto, torna-se, cada vez mais, incompreensível a ausência de medidas políticas e económicas ou até de recomendações dos organismos internacionais no sentido de promover e privilegiar o reforço dos aparelhos produtivos nacionais... porque, sem esse reforço, nenhum país poderá sobreviver e nenhuma economia poderá garantir a subsistência das suas populações sem um empobrecimento radical e generalizado da sociedade. Evidencia-se assim a completa ausência de legitimidade, no sentido da razoabilidade ou da eficácia, das medidas que pretendem evocar a necessidade de aumento de produtividade com a imposição de mais 30m de trabalho diário ou o aumento da taxa do IVA em sectores estratégicos como a restauração que, a troco da subida efémera de mais dinheiro fácil para reduzir a despesa pública, implicam, por um lado, a redução da produção nacional e do poder de compra dos cidadãos e, por outro lado, o aumento do desemprego, da pobreza e da violência social. Das duas uma: ou os economistas não percebem nada da ciência em que se pensam especialistas ou estão todos, economistas e políticos!, empenhados em deixar as populações europeias servir de isco à fome dos monstros esfaimados dos mercados que, sem rosto, devoram países e pessoas.... moral da história: ainda têm dúvidas sobre o facto de não ter acabado a História, nem o antagonismo de classes ou sequer o confronto das ideologias? 

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Das Verdades como Matéria para Mentiras...

Vendem-nos mentiras para nos obrigarem a ignorar a Verdade e a aceitar as ilusões gratuitas com que nos compram a alma. Até quando?... e quão longe vão nesta loucura ignóbil? Vale a pena ouvir até ao fim os exemplos que nos traz Eduardo Galeano: (via Entre as Brumas da Memória)

domingo, 27 de novembro de 2011

Leituras Cruzadas...

Hoje, é, simplesmente!, assim:
XPTO no AL-TEJO
Rui Bebiano no A Terceira Noite
Paulo Guinote no A Educação do Meu Umbigo
Vital Moreira e Ana Gomes no Causa Nossa
Graza no ARROIOS
Ferreira no On The Road
Bruno Santos Ribeiro no MOESCOR
T.Mike no Vermelho Cor de Alface
Rogério Pereira no Conversa Avinagrada
... com votos de Parabéns ao João Ricardo Vasconcelos e de uma vida longa ao Activismo de Sofá :)

Fado - A Singularidade Universal do Canto

O FADO é, a partir de hoje, reconhecido pela comunidade internacional que a UNESCO simboliza, Património Imaterial da Humanidade. Portugal fica Maior e a Cultura também!

"Reza" de Argentina Santos:

"Sei de um Rio" por Camané: "Cansaço" por Ana Moura: "Um Homem na Cidade" por Carlos do Carmo: "Acho Inúteis as Palavras"... por Amália Rodrigues, Embaixadora do Fado, cuja religiosidade cantada, na voz e na vida, ilustra a raiz do que, hoje, a comunidade internacional reconheceu:

sábado, 26 de novembro de 2011

Fado - Alma Portuguesa, Património da Humanidade


... na Voz de Argentina Santos, a Diva que Canta por Dentro, Rasgado e Baixinho, o Sentir da Alma Colectiva, em Português...

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Pela Eliminação de Todas as Formas de Violência

Em 1999, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou o dia 25 de Novembro como Dia Internacional pela Eliminação de Todas as Formas de Violência contra as Mulheres (LER AQUI)... e se é verdade que a Violência Social e Doméstica afecta mulheres, homens, idosos, jovens, crianças e adolescentes, é um facto que o maior número de vítimas são mulheres... Em 5 anos, morreram em Portugal 176 mulheres, vítimas de violência doméstica!... e a maior parte destas mortes ocorreu em contexto familiar e mais especificamente, no âmbito das relações interpessoais de natureza conjugal. Por isso, hoje, foi lançada a Campanha Nacional Contra a Violência Doméstica 2011. Vale a pena ver... e reflectir!

Da Identidade Cultural como Património Imaterial da Humanidade

A diversidade cultural é o registo identitário da Humanidade. ADN da especificidade da nossa estrutura organizacional, o património imaterial tem sido reconhecido pela UNESCO para que se conservem e protejam alguns dos mais carismáticos símbolos das mais conhecidas produções culturais planetárias. Hoje, no momento em que se cumprem 25 anos sobre a elevação do Centro Histórico de Évora a Património da UNESCO, Portugal tem uma candidatura forte e prestigiada internacionalmente para que o FADO venha, também, a ser reconhecido como Património da Humanidade! (VER E LER AQUI)

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Da Greve Geral ao "Lixo Financeiro"...

A Greve Geral de hoje, 24 de Novembro, registou, conforme o previsto, a grande adesão dos cidadãos à iniciativa. Infelizmente, frente à escadaria da AR, os confrontos entre polícias e manifestantes (de que as centrais sindicais, CGTP e UGT, já se distanciaram), ensombrou o final deste dia de manifestação cívica (ler aqui)... porém, como se não bastasse, além da nova agência de notação financeira chinesa, a Fitch baixou o rating de Portugal em 2 níveis para a classificação de "lixo financeiro" (ler aqui). Torna-se agora incontornável a face da guerra dos mercados que se tornou insustentável. Até quando continuará a política a limitar a sua acção, numa lógica de assustada subserviência, à obediência a este tipo de avaliações destituídas de legitimidade socio-económica, é o problema que se coloca às sociedades e às democracias ocidentais contemporâneas... e o negligenciar da resposta adequada a esta pergunta significa a disposição em aceitar o crescimento vertiginoso da pobreza e, consequentemente, o aumento exponencial da violência!... 

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Greve Geral - 24 de Novembro

Porque sem a voz dos cidadãos, regressaremos mais depressa a um estado de servidão e de pobreza que nos aproximará das economias miserabilistas e do despotismo político característico das sociedades europeias anteriores à democracia... Porque sem a demonstração do descontentamento social e da indignação colectiva será cada vez menor o investimento no desenvolvimento real das condições de vida dos trabalhadores... Porque sem exigências sociais, o desemprego subirá muitissimo mais - já que as tecnologias e os mercados cada vez têm menos pejo em exibir o facto de não precisarem de mão-de-obra e da sua disposição ser apenas a de a comprar a preços mínimos, incompatíveis com o que se estabeleceu como patamar da dignidade humana... Porque sem o exercício da reivindicação pública, a Europa e a ideia de um federalismo previsivelmente próximo adquirem maior legitimidade para invocar a ausência de oposição cívica às políticas financeiras que vão tomando o comando das economias... Porque sem o Povo na Rua, os políticos não inverterão o sentido das suas visões socialmente minimalistas, centradas nos fluxos de capitais e não irão enveredar pelo caminho imperioso do investimento nos aparelhos produtivos nacionais e na autonomia económica, indispensável à capacidade de permanecer e negociar nos mercados!... Porque sem a alteração estrutural do pensamento político e económico dominante não voltaremos ao caminho que nos garante chegar a uma sociedade melhor para todos!    

"Nau Derivante"...


nau derivante from Pedro Davim on Vimeo.
Valorizar e revitalizar a autonomia económica, defender a identidade cultural e promover o património... hoje, com "Nau Derivante" de José Meireles... um filme sobre a pesca do arrasto, em Espanha.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Mais eurobonds, mais federalismo... e depois?

As previsões anunciam os que se seguem: Hungria, Espanha, França, Bélgica. Por isso, para além dos "eurobonds" pelos quais já optou o Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, e da reivindicação, também anunciada!, de revisão dos Tratados e do assumir de mais federalismo a que os Estados-membros serão conduzidos, a realidade, avisada!, diz-nos que tudo isso serão meros "remendos" para as sociedades, cujas dívidas soberanas decorrem de economias assentes num endividamento que se julgou controlado mas que, só planificadas, no contexto de uma perspectiva regional (europeia) integrada, poderão encontrar formas de recuperação... ainda que tenham que se afastar das lógicas especulativas dos mercados financeiros - cujo domínio decorre, apenas!!!, da vigência de realidades virtuais em que só acredita quem quer... e quem quer são, exclusivamente!, os investidores anónimos internacionais, cujas margens de lucro dependem da redução dos custos de produção e, consequentemente, da mão-de-obra... que somos, afinal!, todos nós!

E a Espanha aqui tão perto...

... também nos não deixa outro remédio senão o de nos confrontarmos com os índices de realidade dos dias... e pronto!... as massas continuam a decidir a alternância em processos eleitorais, sempre que o descontentamento económico se torna insustentável... entre a racionalização no campo especulativo do aparentemente "possível" em termos da evidência ideológica de uma desejada mudança, foi agora a vez dos espanhóis voltarem a insistir na solução sem saída que consiste no repetir governações iguais a si próprias, anquilosadas e sem hipótese de vincular a esperança à realidade... entre a necessidade de contestar a realidade actual e a ausência de uma representação credível no que às alternativas políticas diz respeito, a Europa "soma e segue" no caminho do passado -e talvez só eleições em França possam inverter a tendência geral de opção pelo quadrante político mais conservador e defensor dos mercados... verificamos entretanto, também por isso, que continuam válidos os ciclos da alternância a que se reduziu a democracia!... "até quando?" - é a pergunta do dia... e considerando a dimensão e extensão da crise, quanto ao pensamento, fica a questão: e se um dia, definitivamente, os cidadãos deixarem de dar crédito à alternância... e às eleições?

sábado, 19 de novembro de 2011

Da Crise da Democracia na Europa à Comissão da Verdade no Brasil...

Os Crimes Contra a Humanidade não prescrevem! Não podem prescrever! Não podem prescrever porque são as pessoas que justificam a existência social e sustentam economias, políticas e culturas e, nesse sentido, nada justifica a perseguição sem tréguas, a tortura e a morte dos que, por expressarem uma opinião diferente ou por, simplesmente, estarem expostos à determinação do poder abusivo, são vítimas de um  poder abusivo que se legitima com o silêncio e a extinção dos adversários e dos excluídos que, sem culpa formada, servem de bode expiatório à diversidade das formas de autoritarismo. É, por isso, extremamente importante relembrar as vítimas e esclarecer os processos colectivos desta criminalidade, particularmente em contextos em que a realidade económica multiplica as taxas de desemprego, de pobreza, de empobrecimento e, justamente, da contestação social, dado o risco de endurecimento da intervenção policial e, quiçá!, a ascensão ao poder de ideologias cada vez menos democráticas (a actualidade dos casos da Grécia e da Itália, com a nomeação dos governos não eleitos, é uma realidade a que deveriamos dar muito mais e melhor atenção!!!). E se a Espanha deu um extraordinário exemplo (que, apesar de ter feito vítimas, todos tentaram relativizar vendo o particular sem atender à essência da questão e remetendo o facto para o capítulo dos "fait-divers" culturais e patrimoniais) com a abertura da investigação das valas comuns das vítimas do regime franquista (ler aqui) e a criação do processo Memória Histórica (ler aqui), é agora o Brasil, através da Presidente Dilma Rousseff, que institucionaliza a investigação dos crimes da ditadura militar brasileira entre 1946 e 1988, com a criação da Comissão da Verdade (ler aqui). A iniciativa mereceu, justamente!, o elogio das Nações Unidas (ler aqui). 
(Imagem: Monumento Contra a Tortura, Cidade de Recife, Brasil)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

As 3 Notícias do Dia...

A 1ª refere-se à progressão da crise que tocou agora o maior protagonista dos que andaram a propor a "Europa a Duas Velocidades" e consiste no anúncio que, hoje, foi feito: a agência de notação Moody's baixou o rating de 12 bancos alemães!... a 2ª quase surpreende pela "latitude" da sua incidência: Duarte Lima e o filho foram detidos no âmbito do caso... BPN!... finalmente, a 3ª decorre da intervenção de Miguel Portas no Parlamento Europeu (via Ferreira On The Road):

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Sonoridades Intemporais...

... A valsa de Tchaikovsky em "A Bela Adormecida".