sábado, 10 de julho de 2010

Persistências Disfuncionais - do PSD à extrema-direita e ao Vaticano?!

Enquanto propagandeia intenções de resgatar o país com a repetição das velhas receitas do neoliberalismo, Passos Coelho dá continuidade aos dislates de Manuela Ferreira Leite e Paulo Rangel defendendo, em jeito de intriga internacional, fora do país, o que, contrário ao interesse nacional, visa encontrar ecos de apoio entre eventuais aliados estrangeiros sem consciência de que, face à crise actual que a todos afecta, essa postura suscita, cá e lá, o reconhecimento do seu provincianismo bacoco, incapaz de resistir à demagogia de uma campanha partidária contra o Governo e à completa ausência de sentido de Estado - que se encontra no cerne da reflexão interna a que a generalidade dos Estados-membros, para além dos discursos feitos "para inglês ver", está a proceder. A mesma tentação demagógica teve hoje outro rosto, em Cascais, na praia do Tamariz, onde o PNR resolveu passear, manifestando-se contra a insegurança que muitos identificam com o próprio projecto de autoritarismo nacionalista que defendem... e como se não bastasse, soube-se hoje que o Vaticano teve, em 2009, prejuízos de mais de 4 milhões de euros (ler Aqui) o que, final e felizmente!, lança alguma luz sobre as ocultas razões subjacentes à reunião mediatizada que Bento XVI realizou em Portugal com as IPSS's e ONG's... Como se constata, a democracia continua exposta a graves e sistémicas fragilidades endógenas que nos permitem até relativizar outras ameaças conhecidas como globais e que vão dos equilíbrios nas relações internacionais à luta pelos Direitos Humanos ou ao aquecimento global. Dá vontade de lembrar a canção: "P'ra pior já basta assim..." - ou será que já ninguém se lembra da esperança e do esforço que implica a defesa da liberdade e da democracia para todos - apesar da persistência do sussuro popular: "Estamos bem arranjados"...

4 comentários:

  1. Cara Ana Paula
    Excelente. As ideias não devem ficar em silêncio e, de facto, atravessamos uma maré que parece que "chove dentro de tudo". Plenamente de acordo com o que designa de "Persistências Disfuncionais".
    O projecto iniciado em 1974 encontra-se inacabado.
    "Do rio que tudo arrasta se diz que é violento, mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem" (Brecht)
    Neste desabrido desconcerto do país e do mundo, neste timing de incertezas, deparamos, é certo, com baixas estaturas morais, mas como diria Luís de Sttau Monteiro "Felizmente (ainda) há Luar", embora falte operacionalizar a modernização: mudou a população, alteraram-se as oportunidades sociais, mudou a estrutura social, alterou-se a relação entre o poder temporal e espiritual e, portanto, ainda é sob o signo da hegemonia de uma modernização conservadora que o país adormece e acorda adentro uma jovem democracia que ainda se encontra na sua fase de primeira adultez.
    Ora, este conservadorismo nos comportamentos e mentalidade ainda não foi completamente superado e, portanto, reclama-se uma tarefa política que deve ser protagonizada por uma esquerda socialista moderna.
    Como diria José Bergamin "se tivesse nascido objecto, seria objectivo, mas como nasci sujeito, sou subjectivo" - o que equivale a dizer que podemos fazer leituras diferentes da mesma realidade que podem muito bem corresponder ao mesmo eixo ou ângulo de observação. O problema do nosso país não é de análise, mas sim de execução, e necessitamos, a todo o vapor, de um Estado moderno e eficiente que majore as conquistas da Democracia.
    Um grande abraço :)
    Ana Brito

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  2. Cara Ana Brito
    Excelente... simplesmente excelente a súmula que aqui partilha sobre a dinâmica da mudança no nosso país. Subscrevendo as suas palavras, diria apenas: falta-nos agir estrategicamente para executar racional e humanamente o presente em nome da viabilidade do futuro.
    Um grande abraço :)

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  3. Obrigado, Carlos... fico feliz por isso :)
    Abraço.

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