segunda-feira, 19 de julho de 2010

Síria - O Direito à Identidade Secular





A Síria proibiu o uso do niqab (véu islâmico que cobre o rosto deixando apenas os olhos a descoberto) nas suas Universidades (ler Aqui). Alegando a defesa da identidade secular do país e da sua cultura, o Ministério da Educação da Síria afirma que o uso do niqab contraria a ética universitária (ler Aqui), denotando nesta afirmação a consciência de que a discriminação sexual é contrária ao conhecimento. A afirmação política nesta matéria por parte de um país cuja História está na raiz da civilização que conhecemos (a sua capital, Damasco, é considerada uma das cidades mais antigas continuamente habitadas) em simultâneo com a sua identidade árabe assumida no nome oficial do país, República Árabe da Síria, e na sua língua oficial, árabe, renova o horizonte de esperança de um mundo melhor para todos, mais equitativo, menos discriminatório, mais igualitário e mais humano, empenhado na construção de uma coexistência pacífica multicultural, capaz de respeitar a diversidade e de promover a ética comum inerente aos Direitos Humanos.

9 comentários:

  1. Cara Ana Paula Fitas
    Completamente de acordo consigo. Nada acrescento ao seu texto, mas apenas constato:
    Penso que a principal causa que constitui obstáculo ao acesso feminino ao ensino superior, na Síria, na Turquia (um país que já visitei várias vezes) e noutros países, são as provas de admissão e não o uso do véu. Vivi experiências enriquecedoras, verbalizadas in loco e possuo documentos fotográficos interessantes, inclusive de autênticas situações "carnavalescas" pelas quais passámos para poder aceder a certos lugares visto que o nosso vestuário era considerado uma afronta.
    O conceito de "identidade", seja no plano lógico ou ontológico simboliza um enunciado declarativo em que em ambos os sentidos se têm entrelaçado e até confundido com frequência. A identidade é uma unidade de ser, de uma multiplicidade de seres que funciona em sentido múltiplo sempre que uma "coisa" é idêntica a si mesma como acontece nestes países que nos dão uma referência face à convivência de cada facto/coisa consigo mesma, remetendo para uma identidade real, identidade racional ou formal, específica, genérica, intrínseca, causal, primária e secundária. Estas distinções obrigam-nos a latejar e muitas vezes a investigação das leis lógicas da "identidade" acabaram por ser levadas a cabo ao fio de uma dupla análise ontológica e lógica, sem que possa determinar-se rigorosamente que sentido da identidade se tornou primário. Penetrar no recinto do suposto (como me aconteceu já em alguns países) equivale a podermos encontrar sempre algo inerente a uma percepção particular e os apelidados "eus" constituem "fases" ou "colecções" de diferentes impressões e para aguentarmos a persistência das percepções imaginamos a alma de uma mulher que não pode ou não deve recusar que o problema da identidade pessoal é, por extensão, o problema de qualquer identidade substancial e insolúvel e nada mais resta que contentar-se com a relativa persistência de fases de impressões nas relações de semelhança, contiguidade e causalidade das ideias que lhe foram incutidas. A identidade concreta do absoluto não é uma identidade vazia: baseia-se na reverência pela mera autoridade e tradição e nos sistemas recebidos enquanto cenários que representam mundos em que a aparição das imagens não diferem entre si consideravelmente.
    Acreditemos nessa esperança que se pretende como meta de um mundo melhor e mais igualitário e humano, promotor de uma ética referenciada pelos Direitos Humanos - como tão bem a Ana Paula advoga.
    Abraço amigo, grato, solidário e prenhe de esperança :) e feliz :)
    Ana Brito

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  2. Olá, Ana Paula,
    A descriminação acentuada que faz com que, muitas vezes, esse direito à Identidade Secular pareça um mito… Ana, mais uma vez, deixe-me ser irónica: vendo bem a coisa o «niqab» até dá jeito para a prática de homicídios… Ai estávamos a falar de Direitos Humanos: "Considerando que o reconhecimento da dignidade…"; "Considerando que o desconhecimento e o desprezo dos direitos do homem…"; "Considerando que é essencial a protecção dos direitos do homem…"...

    Um grande abraço...

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  3. Felicito-a pelo post e pela sua clareza.
    Gostaria de sublinhar que nós, estes seres ocidentais mergulhados na propaganda do sionismo e do anti-arabismo, somos coartados na nossa capacidade de entendimento das diversas realidades do arabismo e dos muçulmanos.
    Não é por acaso que a campanha em curso nos mostra apenas a estupidez e a barbárie de regimes atrasados e reaccionários como por exemplo o Irão...
    Cumprimentos!

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  4. Cara Ana Brito,
    A identidade é, para além da discussão lógica ou ontológica, despertada pelo conceito, a realidade dos modos de ser e de estar que caracterizam os indivíduos "em situação" (não vou recorrer à discussão heideggariana do conceito que, no caso, envolveria uma análise multidimensional capaz de nos afastar do cerne da questão)... Quanto às enriquecedoras experiências que aqui partilha e muito agradeço, cabe-me dizer que são exactamente ilustrativas do significado e da coragem política desta decisão... uma vez que culturas e comportamentos se não mudam "por decreto" e que o seu eventual reforço ideológico só na expressão jurídico-política pode encontrar um paradigma eficaz de intervenção.
    Abraço amigo e solidário :)

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  5. Olá Jeune Dame :)
    ... saudades!... a ironia é uma arma :) no caso, contra a tendência de condenar a mitos os direitos...
    Bjinhos :)

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  6. T. Mike :)
    ... a sintonia é um estado de alma :)
    Grande abraço.

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  7. Caro MFerrer,
    Obrigado pela limpidez das suas palavras... e mais não digo :)
    Um grande abraço amigo.

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  8. … um país que recorre á proibição …é sinal que muitas arestas ainda estão por limar…e que algo de errado há na cultura , na educação e, talvez, na origem do processo civilizatório(?)…

    Saravah

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