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sábado, 4 de janeiro de 2014

Cantar contra o Fascismo... na Missa!!!!

... Foi em Itália, no ano passado mas, como as coisas simbólicas e corajosas não têm tempo, não posso deixar de partilhar o vídeo do que aconteceu em Génova onde, depois da Missa, o sacerdote cantou, acompanhado dos que celebravam o acto dominical, a célebre canção antifascista "Bella Ciao"! Sem medo e de cabeça levantada! Um abraço solidário para Itália no início de mais um ano de luta... também pela Europa do Sul :)

"BELLA CIAO
 
Una mattina mi son svegliata
O bella ciao, o bella ciao, o bella ciao ciao ciao
Una mattina mi son svegliata
Eo ho trovato l'invasor
 
O partigiano porta mi via
          O bella ciao, o bella ciao, o bella ciao ciao ciao
O partigiano porta mi via
Che mi sento di morir
 
E se io muoio da partigiano
          O bella ciao, o bella ciao, o bella ciao ciao ciao
E se io muoio da partigiano
Tu mi devi seppellir
 
Mi seppellirai lassu in montagna
          O bella ciao, o bella ciao, o bella ciao ciao ciao
          Mi seppellirai lassu in montagna
Sotto l'ombra di un bel fior
 
Cosi le genti che passeranno
O bella ciao, o bella ciao, o bella ciao ciao ciao
Cosi le genti che passeranno
Mi diranno che bel fior
 
E questo é il fiore del partigiano
O bella ciao, o bella ciao, o bella ciao ciao ciao
E questo é il fiore del partigiano
Morto per la libertà."

 

sábado, 15 de junho de 2013

Islamismo Guineense Contra a Prática da Excisão...

Em Fevereiro do ano em curso, foi conhecida uma notícia importantissima, cuja divulgação não obteve o destaque que o seu teor justifica!... Com um atraso de vários meses, aqui fica - para conhecimento, regozijo e partilha:

"Guiné-Bissau: Líderes islâmicos decretam proibição da excisão no país
Prática afeta 50 por cento das raparigas e mulheres
 
Líderes islâmicos guineenses pronunciaram esta quarta-feira no parlamento do país uma Fatwa (um decreto religioso) proibindo a prática de excisão que afeta cerca de 50 por cento de raparigas e mulheres. Cerca de 200 imãs vindos de todas as partes do país assistiram no parlamento à leitura da Fatwa e declararam solenemente que a partir de hoje vão reforçar o apelo para o abandono da prática da excisão por não ser uma recomendação do Islão. «De facto a excisão não está no Islão e nos ensinamentos do Profeta Maomé também não vimos nada disso, até porque as filhas do Profeta, as filhas dos seus discípulos, não foram submetidas à excisão. Isto é um uso e costume de certas comunidades islâmicas», declarou o imã Mamadu Aliu Djaló, da mesquita central de Bissau. O imã Djaló, que é também o segundo vice-presidente do Conselho Superior dos Assuntos Islâmicos, defendeu que, com a adoção da Fatwa, «todos os líderes religiosos islâmicos» guineenses «sabem que devem abandonar esta prática». O presidente do parlamento guineense, Ibraima Sory Djaló, que presidiu ao ato, declarou que «alcançou-se um grande marco» no país com a adoção da Fatwa, o que, disse, vai ao encontro da lei aprovada pelos deputados em 2011 criminalizando a prática. «Esperamos agora que a lei seja respeitada para que não seja necessário que se prendam pessoas por causa da excisão» na Guiné-Bissau, declarou Sori Djaló, apelando, contudo, para o reforço da divulgação da lei. Para Fatumata Djau Baldé, presidente do comité nacional de luta para o abandono das práticas nefastas, um consórcio de 18 ONG guineenses e estrangeiras, «hoje é um grande dia» na luta contra «a tragédia silenciosa que afeta cerca da metade das raparigas e mulheres» da Guiné-Bissau. «Hoje é um dia histórico. Não ganhámos a guerra contra a excisão mas alcançámos uma grande conquista contra essa prática degradante para a saúde da mulher guineense», disse Djau Baldé, emocionada. O ministro da Saúde Publica guineense, Agostinho Cá, considerou o dia de hoje como sendo aquele em que se prestou um dos melhores serviços ao povo com a adoção da Fatwa «pelos chefes religiosos» islâmicos, «proibindo uma prática secular» que se caracteriza pela submissão da mulher a situações «atentatórias à sua dignidade». Assistiram à leitura e adoção da Fatwa, a primeira a ser pronunciada na Guiné-Bissau, elementos do corpo diplomático e o representante adjunto do secretário-geral das Nações Unidas, Gana Fofang, que é também o coordenador do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) no país."
(Por: tvi24 / LF | 2013-02-06 - via Paula Brito no Facebook)

sexta-feira, 15 de março de 2013

Argentina...

(via Paula Brito no Facebook) ... entretanto, mais ou menos a (des)propósito, acabei de ver a notícia que podem ler aqui...

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Direitos Humanos... para o Tibete!

Losar Tashi Delek!
O Ano Novo Tibetano inicia-se no dia 11 de Fevereiro, o primeiro mês do calendário que, amanhã, comemora a entrada no ano 2140. As celebrações têm início no 29º dia do último mês do ano e, por isso, começaram ontem, dia 9.
Este ano, em memória das vítimas de auto-imolação que ao longo do ano que agora termina, assinalaram, com a veemência incontornável que implica o preço da vida humana,  a luta pelo direito à paz e ao exercício das liberdades fundamentais no Tibete, em Portugal também não se organizam festividades (ler mais aqui).
 
 

sábado, 20 de agosto de 2011

A Razão dos Indignados e os Exemplos de Cavaco Silva e Vitor Milícias face à Inexistência do PS


Enquanto o Presidente da República expressa a sua discordância com a intenção franco-alemã de vincular a UE à obrigatoriedade de introduzir nas Constituições nacionais, definições relativas ao que, correcta e adequadamente!, Cavaco Silva caracterizou como: "uma variável endógena" referente à orçamentação (vale a pena ler o comentário de João Rodrigues sobre esta matéria!), depois de Londres, é em Madrid que se assume o rosto do descontentamento e da consciência crítica espanhola que, por cá, à falta de uma oposição séria, responsável e consistente (leia-se aqui o comentário de Raimundo Narciso), encontra nas palavras do franciscamo Vitor Milícias a apreciação mais justa e desassombrada que ouvi nos últimos dias, evidente quando afirma, criticando a aparente atenção social do poder que acusa de "assistencialista" para com os mais desprotegidos: "os pobres têm os mesmos direitos -ou mais, porque têm mais necessidades!- que os outros."

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Federico Garcia Lorca, Homenagem aos "Indignados" de Hoje...


Há 75 anos, a 19 de Agosto de 1936, Federico Garcia Lorca era assassinado pelos fascistas que fizeram a Guerra Civil de Espanha... mas, do Poeta ficou a memória que nos move e nos relembra que a criatividade, a crítica e a coragem serão sempre uma ameaça aos ditadores... hoje, uma vez mais e mais do que nunca, faz sentido evocar o passado que, com outras vestes e outros rostos, continua a ameaçar os cidadãos e os povos... por todo o mundo, da Ásia à África, da América do Sul à do Norte, do Médio Oriente ao Magreb mas... também na Europa e ainda, também!, em Espanha...

segunda-feira, 7 de março de 2011

Do Papa e da morte de Cristo a Israel e à Palestina

No livro "Jesus de Nazaré" que esta semana chegará ao mercado, o Papa Bento XVI veio retomar, com grande impacto mediático, a declaração de que a Igreja Católica, Apostólica, Romana já não responsabiliza os Judeus pela crucificação e morte de Cristo. Acontece que a declaração já fora feita e publicamente assumida em 1965 num documento emitido pelo próprio Vaticano (ler aqui, aqui, aqui e aqui). Contudo, católicos e judeus estão hoje a reagir como se de uma novidade se tratasse. Porquê? - é a pergunta que se nos coloca. De facto, num tempo em que o mundo árabe assume um protagonismo internacional de primeira linha, o marketing de que tem sido revestida esta declaração papal não transmite ao mundo o halo de inocência ou genuinidade de transmissão do conhecimento -como, aliás, quase sempre acontece nas declarações desta antiga instituição político-religiosa que, ao longo de mais de 2.000 anos, aprendeu a arte da diplomacia subreptícia, para o melhor mas, infelizmente e demasiadas vezes, para o pior.A verdade é que os territórios em que Jesus de Nazaré viveu, eram povoados por diferentes etnias e clãs, de cuja correlação de forças na diversidade se retirava - como ainda hoje acontece! - a autoridade para o exercício do poder que, à época, era, obviamente!, a que mais próxima se encontrava da defesa dos interesses do Império Romano - para quem a agitação social provocada pelo pensamento revolucionário de então, surgia como séria ameaça, dado o prestígio e a popularidade alcançados pelas intervenções de Jesus de Nazaré e dos seus discípulos. Por isso, em nome da verdade histórica, a leitura linear dos factos que hoje, uma vez mais, o Vaticano e os interesses de Israel (dissimulados numa aparente boa-fé configurada em moldes susceptíveis de manipular os traumas da comunidade judaica) concorrem para publicitar, denota um outro significado que, segundo nos aconselha o bom-senso e a razoabilidade ética e científica, é bom ter em consideração: estaremos ou não perante mais um passo dessa terrível convergência de interesses que recorre à religião como arma capaz de fomentar o desentendimento entre os povos e de acicatar ódios latentes em estratégias doentias e contagiosas que reabrem feridas nos colectivos em que a pobreza e a descrença encontram condições para germinar e crescer? Num tempo em que os povos árabes se esforçam por derrubar, nas ruas, as ditaduras, é, no mínimo, sinal de uma imprudente desinteligência, trazer para a opinião pública este tipo de declarações "envenenadas", sob a chancela de instituições tão poderosas como são o Vaticano e, ainda que subtilmente, Israel.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O Exemplo Mundial da Revolução Egípcia...


A Praça Tahrir é hoje um exemplo mundial da afirmação cívica da coexistência pacífica da diversidade religiosa e da consciência de que o bem-comum e os interesses das populações requerem um Estado não-confessional (ler e ver Aqui). O Egipto levantou a voz através dos seus manifestantes para dizer que não quer um Estado religioso nem um Estado militar (ler e ver Aqui). O mundo viu hoje o símbolo de uma paz possível e o sinal de que os preconceitos são para combater... Cristãos Coptas e Muçulmanos ou o Egipto a "Uma Só Voz" são o testemunho de uma reconstrução das relações internacionais e dos povos... Obrigado também por isso ao Povo Egípcio!

sábado, 4 de dezembro de 2010

O Brasil Solidário...


O Brasil reconheceu oficialmente o Estado Palestiniano, assumindo como legítimas as fronteiras definidas antes da ocorrência da tétrica Guerra dos Seis Dias, em 1967 (ler aqui e aqui),. Sem ceder às pressões agressivas do ocupante palestiniano (ler aqui), o Governo brasileiro presta um tributo ao desenvolvimento dos processos de paz no mundo, afirmando a credibilidade internacional que já é reconhecida por muitas outras razões, de que vale sempre a pena destacar o forte crescimento económico e o persistente combate à fome.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Ainda o Eixo Franco-Alemão...

A propósito do que escrevi num post recente (ler Aqui), muitos e muitas comentadoras vieram insurgir-se contra os considerandos apresentados, defendendo uns o nacionalismo radical e outros o pensamento de Angela Merkel enquadrando-o em discursos em falam em pluralismo cultural e religioso ... e, se até agora não publiquei tais comentários, a razão deve-se ao facto de ter decidido que o farei quando tiver tempo para responder sustentadamente aos que considero editáveis (já que, naturalmente!, neste espaço não promovo a divulgação de ideias que possam atentar, directa ou indirectamente, contra a defesa dos Direitos Humanos). Porém, este "preâmbulo" é apenas subsidiário relativamente ao que, neste momento, considero pertinente partilhar e que, recorrentemente, o justifica. Trata-se de uma notícia trazida hoje ao conhecimento público: Angela Merkel e Nicolas Sarkozy reclamam a revisão do Tratado de Lisboa 2m 2013. Objectivo: aumentar a pressão política sobre os limites e os custos do deficit de cada Estado-membro. Por outras palavras e independentemente dos países com economias mais fortes estarem, deste modo, a defender o seu próprio poder: as exigências da dupla Merkel-Sarkozy reeditam o conhecido Eixo Franco-Alemão (a história repete-se? - eis a questão que muitos colocarão), promovendo a mesma ideologia proteccionista que tanto condenaram em nome da liberdade do mercado e contrariando o princípio da solidariedade entre Estados-membros que subjaz à ideia fundadora do espaço comunitário europeu. Apesar de muita demagogia verbalizada (leia-se a título de exemplo o texto de Daniel Rosário no Correio Preto), esperemos que Parlamento Europeu e Comissão Europeia resistam ao braço-de-ferro que estes dois líderes agora protagonizam contra os restantes países da UE... de outro modo, pergunta-se: está ou não em causa a Europa Social? Faz ou não sentido interpretar as declarações e atitudes políticas dos líderes europeus como veículos ideológicos que se não esgotam nos assuntos que servem de pretexto para a sua enunciação (recordo não só as supra-citadas declarações alemãs sobre a multiculturalidade como a questão da população europeia de etnia cigana, ainda há pouco tão discutida e perseguida no espaço comum europeu)?

domingo, 17 de outubro de 2010

Angela Merkel, o paradigma da desinteligência europeia


Angela Merkel veio hoje anunciar que a sociedade multicultural falhou na Alemanha (ler Aqui). A falta de cultura e a evidente desinteligência estratégica reveladas por esta declaração devem ser encaradas com efectiva preocupação por todos os cidadãos europeus. De facto, para além da conhecida xenofobia germanófila (vale a pena ler o texto de Carlos Fonseca), o problema tem hoje uma dimensão gravissima designadamente por ter sido enunciado desta assertiva e negativa forma, pela líder política de uma das mais poderosas economias europeias. A verdade é que, antes de mais, esta afirmação é uma inaceitável asneira conceptual porque a construção da sociedade multicultural é um processo em permanente consolidação que depende da atenção político-pedagógica e cívica socialmente reconhecida no que à importância desta questão respeita e que se constitui como peça fundamental para a coexistência pacífica dos cidadãos. O sucesso desta construção não depende, por isso, de um decreto nem tem, obviamente, prazo de conclusão! Por isso, Angela Merkel deu o sinal maior da sua verdadeira ignorância científica e da sua incompetência política na gestão social de uma qualquer população. Como se tudo isto não fosse já, por si, suficientemente grave, dois factos acrescem ainda à hecatombe socio-política das declarações de Merkel: por um lado, em plena crise, institucionalizar a xenofobia reconhecendo que a não-discriminação não é prática e valor incontornável das sociedades em que participamos é uma forma de legitimar a violência social e criar condições para o aumento dos crimes de ódio que, para além de cruéis e profundamente injustos e infundados, servem apenas para criar mais instabilidade, insegurança, medo e agressividade entre as pessoas, 84 milhões das quais são pobres! Por outro lado, uma afirmação desta natureza deixa enunciada a desresponsabilização política pela defesa dos Direitos Humanos, dos princípios da igualdade de tratamento e de oportunidades para todos, da não-discriminação e da valorização da diversidade. Com esta declaração, a União Europeia neoliberal e capitalista no plano económico-financeiro, passou a assumir uma ideologia política e social perigosa, que cabe a todos nós, defensores de um projecto de Europa Social, combater sem tréguas.

sábado, 28 de agosto de 2010

Contra a Pena de Morte - Manifestação Contra a Lapidação em Lisboa

Foi hoje, entre as 18 e as 19h, no Largo Camões, em Lisboa, que cerca de uma centena de pessoas se juntou para tornar pública a sua condenação ao regime penal que autoriza a pena de morte por lapidação. O pretexto foi a condenação que um tribunal iraniano ditou a Sakineh Ashdanti, mulher de 43 anos, mãe de 2 filhos e que, alegadamente, terá tido um envolvimento afectivo exterior ao casamento... primeiro alegaram que tal envolvimento acontecera quando já se encontrava viúva, depois que, afinal!, tinha sido enquanto casada... de qualquer modo, condenada a 99 chicotadas, Sakineh foi forçada a uma confissão pública na televisão que seria, mais tarde, desmentida... agora, dizem que a pena será, já não a lapidação!, mas, o enforcamento!!!... e a comunidade internacional organizou para hoje, num total de 111 a 130 cidades, manifestações de condenação a este tipo de execuções praticado, entre outros países, no Irão onde os números de execuções por apedrejamento são assustadores, ultrapassando, por ano, mais de 300, maioritariamente contra mulheres. Entre outros pequenos textos, foram lidos, durante este período de concentração solidária, vários artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

sábado, 22 de maio de 2010

Do Inquérito Luso-Castelhano...


Hoje de manhã ouvi, na RTP1, a divulgação de um inquérito feito a portugueses e espanhóis em que se tentava apurar da receptividade de um e outro povo relativamente à criação de uma união ibérica. Com todas as relatividades (não sei como foi constituída a amostra mas a RTP garantia uma fiabilidade acima dos 95%), a que se não pode deixar de acrescentar a dimensão e percepção da crise económico-social que atravessamos, é interessante constatar que 50% dos portugueses se mostrava favorável à ideia enquanto apenas 30% dos espanhóis partilhavam essa opinião... saliente-se contudo que, segundo um especialista da matéria, 30% da população espanhola é, no caso, também, uma elevada taxa de boa recepção à ideia - nomeadamente porque, segundo disse!, este é um assunto que não faz parte da agenda espanhola! Do facto, destaco apenas que esta aproximação às representações sociais nacionais reflecte uma profunda descrença na capacidade da sociedade portuguesa resolver os seus problemas... ora, este problema é muito mais grave para a auto-estima do país e para a sua resiliência, do que se pode ser tentado a pensar, através da redução do problema a questões de descontentamento político com o Governo!

domingo, 9 de maio de 2010

Da Política Social e da Acção Social da Igreja em Portugal...

O combate à pobreza e o desenvolvimento das políticas sociais foi objecto de forte investimento, nos anos 90, através da governação de António Guterres que, na sua luta contra a pobreza, cedeu à pressão socio-política da Igreja, para encontrar parceiros que pudessem materializar no terreno a acção social de apoio aos cidadãos mais carenciados. De facto, de forma transversal (idosos, mulheres, crianças, doentes, toxicodependentes, indigentes, desempregados e famílias numerosas) e progressivamente, a par do desenvolvimento da execução dos programas estatais de apoio aos mais pobres, com relevante destaque para o Rendimento Mínimo Garantido, a Igreja criou uma rede de instituições particulares de solidariedade social que, não só redinamizou a rede de Santas Casas da Misericórdia de forma quase monopolizadora no que respeita ao papel do serviços privados na prestação de assistência social às populações, como devolveu à Igreja Católica a possibilidade de gerir serviços de saúde (é o caso de muitos hospitais concelhios)... O aproveitamento que a instituição fez desse apoio político foi de tal ordem que a Igreja é actualmente um parceiro indiscutível da prestação de serviços sociais na sociedade portuguesa. E se esta realidade faz sentido num país onde a Concordata se mantém vigente, o problema coloca-se em termos que não podemos ignorar num Estado Republicano e Laico onde a tolerância democrática admite a parceria público-privada mas onde não faz sentido que a execução da política social de assistência aos desfavorecidos esteja concentrada nas mãos de uma instituição religiosa. Porque nos cabe o dever de objectivar justamente a realidade, não podemos ignorar a rede de interesses económicos da Igreja Católica e a riqueza patrimonial de muitas das suas Misericórdias espalhadas pelo país cuja influência decorre, não só da sua acção social mas também, do facto de serem hoje entidades empregadoras de relevo. E se o cerne do problema reside nesse carácter quase monopolizador que a institução representa no sector e no grau de dependência socio-profissional que daí advém, a questão revê-se, por outro lado, na desconfortável e injusta percepção e representação social da Igreja num Estado que é, relembre-se!, Laico. Vêm estas considerações não só a propósito do clima de "tolerância papal" e até do facto dos deputados do PS não serem contemplados no "pacote" de destinatários dos que irão usufruir da "tolerância de ponto" mas, essencialmente, do facto de ter ouvido, numa noite da semana que findou, um debate televisivo onde participaram Alfredo Bruto da Costa, Maria José Nogueira Pinto e Bagão Félix, cujas afirmações convém referir e assinalar como efectivamente contestáveis. Assim, apesar do silêncio da comunicação social, vale a pena dizer que, se, por um lado, é verdade que, como disse Bagão Félix, se as IPSS's fechassem, seria o caos e o colapso, é, por outro lado incontornável a pergunta: E se o Estado deixasse de comparticipar, através da Segurança Social, as IPSS's, sejam elas Misericórdias, Centros Paroquiais ou outras? Seria ou não o colapso? Poderão estes comentadores, com legitimidade, avocar para a Igreja qualquer tipo de prevalência no exercício do "princípio da subsidiariedade" em detrimento do papel do Estado? Sejamos honestos! Não, não podem! Porque mesmo a alegada solução tripartida ao nível do apoio concertado entre Estado, Entidades-IPSS's e Família, não sobreviveria sem o apoio do Estado! Ignorar ou até mesmo relativizar esta dimensão do problema é, de facto, uma manipulação inaceitável que apraz à direita católica mas que lhe retira toda a credibilidade... porque, "contra factos, não há argumentos"! ... porém, face ao silêncio de todos perante estas declarações oferecidas televisivamente sem contraditório, a realidade torna-se mais próxima do que dessas representações resulta, do que da verdade em que assenta. Mais: a desejável capacidade destes serviços em sobreviverem apenas com financiamento próprio e da "comunidade de fiéis" evocada por A.Bruto da Costa está muito longe de ser possível e devo dizê-lo: felizmente! Porque o Estado é Laico e a prestação de serviços de apoio social às populações não pode depender de um monopólio religioso!... em última análise, pelo risco de discriminação mais ou menos subtil que pode implicar ao nível da igualdade de oportunidades no acesso aos serviços e do exercício da liberdade religiosa.