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domingo, 31 de agosto de 2014

Leituras Cruzadas...

Hoje, para além do inexplicável e inadmissível aumento da despesa pública em Portugal que se limita a reiterar a total descredibilização na política de austeridade e outros instrumentos demagógicos afins, o diagnóstico económico-político e social europeu adquiriu uma complexidade que não podemos ignorar e que, infelizmente, há muito se pressentia e pressagiava. De facto, para além da constatação da asfixia financeira a que foi conduzida a União Europeia (com particular destaque para os países do sul), em nome dos rostos anónimos do grande capital multinacional que se oculta sob os interesses económicos promovidos pelas "troikas" que vamos, progressivamente, conhecendo e desmultiplicando cada vez mais e melhor, a problemática pode agora ser melhor compreendida, no qu esse refere à sua extensão e dimensão, se atendermos à situação geoestratégica em que nos encontramos, enquadrados, a sul, pelos problemas protagonizados, a título de exemplo (e sem evocar todos os outros, efetivamente reais e particularmente graves como é o caso da Palestina, da Síria, do Afeganistão, etc., etc., etc.) pela emergência do Estado Islâmico e, a norte (sem esquecer a estratégia alemã e o silêncio que se abateu sobre a região dos Balcãs), pelo conflito russo-ucraniano.
A este propósito, partilho uma excelente reflexão da autoria do Senhor General Professor Doutor José Loureiro dos Santos e um interessante artigo também por ele divulgado, da autoria de Anne Applebaum:
 
 
 
A ler!... indiscutível e urgentemente!   

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Leituras Cruzadas...

Pensar a actualidade é mais frutífero quando o exercício, feito a várias mãos ou, se preferirem, a várias vozes, denota preocupações e apreensões comuns. Hoje, no plano internacional, considero particularmente relevantes as realidades vividas, por um lado, no Médio Oriente, onde a tensão persistente entre a Palestina e Israel justifica o apoio dos cidadãos à exigência de uma resolução justa e imediata do cerco à Faixa de Gaza (veja-se e assine-se a Petição que Daniel Oliveira disponibiliza no Arrastão) e, por outro lado, a incomensurável maré negra provocada pela exploração sem regras dos recursos naturais finitos no contexto de uma economia liberal sem escrúpulos (veja-se o apontamento ilustrado pelo vídeo que MFerrer apresenta no seu Homem ao Mar)... Enquanto isso, no que ao espaço europeu respeita, mantenho como prioritária a reflexão sobre a sua gestão económica e retenho algumas das principais ideias e das principais problemáticas que têm sido assinaladas nos últimos dias (leia-se o texto de JMCorreia-Pinto no Politeia e registem-se as chamadas de atenção referenciadas por Osvaldo Castro no Carta a Garcia e de Rui Caetano no Urbanidades da Madeira). Por cá, pelo carácter demagógico da sua justificação, são objecto da minha perplexidade aqui partilhada, as duas mais recentes medidas anunciadas pelo Ministério da Educação, a saber, o encerramento das escolas com menos de 21 alunos e a passagem do 8º ao 10º ano sem frequência aprovada do 9º, medidas que não posso compreender sem as atribuir exclusivamente a duas causas óbvias, designadamente, no caso da primeira, à redução de custos que acarreta uma menor contratação de professores e de manutenção de equipamentos e, no caso da segunda, à potencial degradação da qualificação do ensino público - uma e outra concorrendo para desvalorizar o reconhecimento da utilidade do saber e para massificar competências nominais dos mais jovens, contraproducentes para a preparação especializada que a competetividade requer no combate ao desemprego (a este propósito, registo duas observações sobre o tema, uma de João Carvalho no Delito de Opinião e outra de José Adelino Maltez no Albergue Espanhol). E, a terminar, para além de um apontamento sobre a questão estratégica da PT/Telefónica (ver o post publicado por Paulo Querido no Certamente), deixo a referência de um texto reflexivo do Professor Raul Iturra publicado no Aventar que nos enriquece os modos de ler e pensar, com maior equidade, a sociedade e a cultura portuguesas.

domingo, 14 de junho de 2009

Leituras cruzadas (3)...

Afinal, esta semana, sugiro ainda mais 4 leituras... cruzadas, claro está!... porque, a partir de um cruzamento temos sempre melhor percepção da circulação e da paisagem... neste caso, porque, através destas leituras, podemos aceder, com relativa facilidade a um olhar sobre o mundo em que hoje caminhamos, no que à dimensão da invisibilidade estrutural diz respeito... de facto, composta que é a realidade pela conjugação permanente do dito e do não-dito ou, se se preferir, do visível e do oculto, é urgente não esquecer e, preferencialmente, reconhecer, a dimensão central das dinâmicas internacionais que transcendem o conhecimento comum da opinião pública, no percorrer de uma inexorável marcha contínua no sentido da concretização de objectivos corporativos que, nas teias e atalhos do cruzar tranquilo dos negócios, dos rituais e da sociabilidade, encontramos preparada para continuar a influenciar o mundo em todos os lugares onde a vulnerabilidade espreita e o poder fica acessível. É o caso do Afeganistão onde se jogam os medos e os horrores do mundo, num país onde a pobreza e os estragos do narcotráfico criaram condições para a coexistência de um governo comprometido com tudo o que nesse país ocorre e o refúgio dos fundamentalistas armados talibãs (leia-se o texto de JMCorreia Pinto no Politeia)... ou a razão de ser de organizações internacionais que assumem a relação entre a religião e a política, à revelia da distinção das duas esferas de acção que caracterizam os estados democráticos -onde os valores e as práticas relativos à igualdade não podem ficar reféns de dogmas religiosos sob pena de sentirmos que nos escapa o domínio das dinâmicas socio-políticas supostamente transparentes (ver o texto de JRV no Activismo de Sofá)... implica tudo isto que, num país como o nosso, se oscile entre o perturbado e o provinciano (vale a pena ler o texto de Valupi no Aspirina B), dilema que é urgente resolver, investindo na responsabilidade cívica e política de um itinerário vocacionado para a construção de uma sociedade mais livre e mais justa... uma vez que ainda estamos num tempo e num espaço de reforço de competências muito incipientes (veja-se o texto de José Manuel Dias no Cogir) para que se concretize, em Portugal, um grau de sustentabilidade económico-financeira capaz de nos permitir o usufruto da sempre ansiada e expectável liberdade com que se faz a Paz e se consolida a autenticidade da Democracia.