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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Da Falta de Reflexão e Investigação Científica à Praxe Académica...

Vale a pena ler AQUI o artigo hoje publicado no jornal Público sobre a decisão institucional de deixar de investir nas ciências sociais... O país, vítima da crise e da incapacidade de autoestima e de afirmação, aceita e institucionaliza a incapacidade de pensar criticamente, sob argumentos que chegam à realidade absurda de ter que "parar" o país para pensar o problema das praxes académicas que são, inequivocamente!, o elogio da preguiça, da violência, da humilhação e da submissão a uma hierarquia gratuita, destituída de autoridade moral ... O problema da incompetência cultural e científica que subjaz às decisões e às práticas institucionais e sociais é um drama epidémico a que o país está a  hipotecar a liberdade!... em nome de um passado sem luz e sem glória, por causa de um presente sem brilho e sem futuro! 

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Marinho Pinto, o Bastonário do Povo


As ordens profissionais foram criadas para defesa dos seus profissionais e, acima de tudo, para que sejam respeitados os seus códigos éticos e deontológicos, desinteressados e em defesa dos cidadãos. A Ordem dos Advogados também e, por isso, se a população votasse nas suas próximas eleições, iria, seguramente, reeleger o seu actual Bastonário, Marinho Pinto. Marinho Pinto, criticado pela forma apaixonada como defende os seus pontos de vista, tem tido a coragem de, desassombradamente, colocar "os dedos nas feridas" da Justiça e da advocacia. Merecido é, portanto, o prestígio e a admiração que conquistou, por mérito próprio, entre os portugueses. Quanto à sua reeleição é de sublinhar que, se os advogados defendessem de facto a causa pública acima dos interesses corporativos da classe, iriam votar no mesmo sentido em que o faria a população e o próximo Bastonário da Ordem dos Advogados, seria, como o país merece, Marinho Pinto.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A25 - Bombeiros, INEM e Protecção Civil entre a Tragédia e o Socorro

Entre Viseu e Aveiro, na A25, perto de Sever do Vouga, no nó de Talhadas, viveu-se um inesperado cenário de tragédia, com um nevoeiro denso ao ponto de, segundo testemunhas no local envolvidas no grave acidente de hoje, as chamas do grande incêndio que deflagrou entre as viaturas sinistradas se não verem a pouca distância... muitas dezenas de feridos, 48 dos quais em estado grave e 5 mortos é, para já, o balanço deste episódio negro da nossa história rodoviária, ocorrido quase em simultâneo nos 2 sentidos da auto-estrada. "Dantesco" e "aterrador" foram alguns dos qualificativos utilizados na descrição do acidente que ocorreu ainda longe das localidades mais próximas. Contudo e apesar de todas as críticas que estão sempre prontas a aparecer a propósito de todos os incidentes, dizem os presentes no local que a chegada de socorro da Protecção Civil, dos Bombeiros e do INEM, foi rápida, competente e eficaz... e foi gratificante ouvir a serenidade profundamente triste mas, concentrada e competente, das palavras do Senhor Comandante da Protecção Civil na descrição dos esforços desenvolvidos para responder à calamidade em que não poupou elogios à articulação dos serviços do INEM, dos Bombeiros e da própria Protecção Civil. Para que conste, é justo e merecido assinalar que, em Portugal, há ainda serviço público, sentido de missão, competência e seriedade! Bem-hajam!

terça-feira, 27 de abril de 2010

Urgências (3) - Profissionais nas Urgências e Dignidade do SNS



Apesar da precariedade laboral que também atinge os profissionais de saúde e da múltipla factorialidade do seu enquadramento (privatização dos serviços de saúde, desinvestimento no SNS, redução de custos com pessoal com total liberalização das suas relações contratuais e a sua consequente mobilidade), o problema das urgências hospitalares coloca-se de um outro modo que é preciso não escamotear e que, de igual modo, afecta decisivamente a qualidade dos serviços de saúde portugueses! Refiro-me designadamente ao elevadissimo número de médicos que solicitaram e ansiosamente aguardam pela reforma antecipada, cansados e esgotados da falta de qualidade das suas condições de trabalho... porque, por um lado, é inadmissível que profissionais de qualidade, formados no contexto de um dos melhores Sistemas Nacionais de Saúde, com uma experiência médica que nunca deveria ter deixado de integrar o percurso médico (a saber, o "trabalho de terreno" proporcionado pela prática médica à periferia nos termos holísticos em que foi praticada nos primeiros tempos do SNS) sejam compelidos a aderir à reforma antecipada, criada com o objectivo de reforçar a liberalização dos serviços no sector; por outro lado, porque a lógica dos médicos de família continua ineficaz de tal modo que, daqui a pouco tempo, se forem realizados estudos rigorosos sobre o impacto social dos serviços de saúde verificar-se-ão retrocessos sérios na efectiva igualdade de acesso à qualidade dos serviços e na qualidade de vida das pessoas. Finalmente, este desinvestimento no SNS e esta liberalização de serviços reforça o erro estrutural das políticas de combate ao desemprego e de criação de emprego por se aproximar da lógica da precariedade a um ponto tal que lembra, como referi no post anterior, a política dos call-centers e, mais grave ainda!, desresponsabiliza os médicos da prática dos seus actos (um dos efeitos da contratualização das administrações hospitalares através de empresas, cujos recursos humanos prestam serviços sem sequer poderem emitir receitas médicas assinadas/validadas com o seu próprio nome e consequente identificação da respectiva cédula profissional)... Contudo, decerto por necessidade mas, sem dúvida, muito louvável, foi a decisão de, nos Serviços de Urgência dos Hospitais de Santa Maria, São José e Curry Cabral serem contratados médicos com grande experiência profissional e perfil adequado aos serviços para integrar equipas permanentes de atendimento que, nos termos do Protocolo de Manchester (triagem por gravidade dos casos), possam responder às necessidades dos cidadãos que recorrem justamente a estes serviços, aflitos e doentes sem que, necessariamente, sejam casos - pelo menos, no imediato! - considerados prioritários, ou seja, "entre a vida e a morte"!

domingo, 11 de abril de 2010

Pela Praça da Canção...


Conhecem o site: Praça da Canção? Quem o não conhece, pode aceder-lhe AQUI...

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

"A Carta a Garcia" chegou à blogosfera...

"A Carta a Garcia" é o nome do recém-nascido blogue da autoria de um pequeno colectivo liderado pelo nosso amigo Osvaldo Castro que, anteriormente, podiamos apenas ler no Praça Stephens. Um blogue que vale a pena seguir pelo olhar atento que anuncia relativamente à realidade social e política e ao relevo que sempre atribui à problemática dos Direitos Humanos.
"A Carta a Garcia" pode ser encontrado AQUI.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Haiti







Enquanto os países ricos se enredam nos dilemas absurdos de um desenvolvimento que não tem garantido até agora, o respeito pelos Direitos Humanos, permitindo a miséria, a fome e a guerra que decorrem da desmedida ambição financeira dos detentores do poder, os cidadãos dos mais pobres países continuam indefesos perante os dramas que a Humanidade se não envergonha de não ter escolhido como prioridade política... resta-nos a solidariedade... com o Haiti!... o belo Haiti das paisagens paradisiacas e dos mais desoladores cenários de pobreza que agora se vê, simplesmente, demolido!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Direitos de Parentalidade - o Governo contra o Código do Trabalho?!

Nos dias que correm, a igualdade e a não-discriminação emergem como prioridade da agenda política que, estranhamente, se afirma de aplicação irregular e não transversal, como seria expectável no que à sua natureza e ao "mainstreaming" de género, diz respeito... Alegando o Acordo de Empresa, o Governo caucionou, contra a mais elementar leitura dos Direitos de Parentalidade e o parecer da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE), o não pagamento dos prémios de desempenho devidos a várias trabalhadoras da TAP que, no pleno usufruto dos seus direitos (garantidos, como diz o especialista na matéria, Garcia Pereira, pelo próprio Código do Trabalho), estiveram ausentes do serviço por motivos de maternidade. A questão que se coloca é a de saber, por um lado, até que ponto as questões da igualdade são perspectivadas como Direitos Civis, efectivamente vinculativos e, por outro lado, em que legitimidade ética assenta uma postura governativa que institucionaliza o retrocesso dos Direitos dos Trabalhadores, actuando contra o próprio Código do Trabalho, em defesa de interesses empresariais conjunturais. Lamentável e indefensável, esta atitude deita por terra todo o investimento político na promoção da igualdade e confere às políticas sociais um carácter aleatório em que os cidadãos não podem confiar, descredibilizando-se assim a própria governação socialista.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Novos Modelos Familiares e Velhas Tácticas Políticas


Incongruente e, porque não dizê-lo?, incompreensível... refiro-me ao que o DN designou por "braço-de-ferro" entre o Primeiro-Ministro e a Direcção do Grupo Parlamentar do Partido Socialista. A incongruência resulta de 2 postulados (a saber: 1- aprovação como parte integrante do programa eleitoral do PS e do programa de Governo, do casamento entre pessoas do mesmo sexo; 2- a questão da adopção de crianças por casais homossexuais não integrou a agenda político-partidária eleitoral ou governativa do PS) que, no contexto das propostas parlamentares, são objecto de posições diversas e antagónicas, conforme o previsto... Cumprindo-se o compromisso de legislar sobre o casamento homossexual, fica assegurada, no essencial, a política de combate às discriminações e de eliminação de estereotipos, razão pela qual, atendendo à dimensão ética de carácter individual inerente ao juízo sobre práticas comportamentais, se torna, de certo modo, inútil e contraproducente a imposição da disciplina de voto na condenação da adopção a este modelo familiar que agora se institucionaliza. De facto, o PS seria muito mais coeso (ao contrário do que possa pensar quem considera que a unanimidade forçada vale mais que a liberdade de expressão) se permitisse liberdade de voto aos seus deputados... mais ainda quando deixa aberta duas excepções: a de Miguel Vale de Almeida e a de Sérgio Sousa Pinto, a primeira das quais perfeitamente compreensível e a segunda, apenas, verdadeiramente discriminatória em relação aos restantes deputados. De facto, incongruente... de facto, incompreensível. ... como aliás o foi também a extemporaneidade da proposta de "união civil registada" do PSD que, tanto tempo depois do problema estar na agenda política vem, ostensiva e gratuitamente, apresentar uma proposta que poderia ter feito sentido em tempo próprio mas que, agora, é meramente um instrumento de oposição político-partidária esvaziado do próprio conteúdo que poderia manifestar.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A Violência Contra as Mulheres



Muito se tem falado na violência doméstica e na violência de género, nomeadamente porque o passado dia 25 de Novembro assinala, simbolicamente, a preocupação social e política com o fenómeno. Entretanto, são cada vez mais os casos públicos destas formas de violência pela visibilidade que a comunicação social lhes confere e pela capacidade que as vítimas vão adquirindo no que à confiança institucional respeita, registado que é o aumento, por um lado, da quantidade de denúncias e, por outro lado, da produção legislativa nesta matéria. A discussão do problema é, porém, muito mais vasta e se a prioridade é, de facto, assistir às vítimas e prevenir a recorrência destes crimes ditos passionais, a verdade é que esta realidade é quase sempre reflexo de enormes dificuldades de afirmação pessoal e identitária por parte dos intervenientes que neles se envolvem, em contextos caracterizados por uma excepcional vulnerabilidade, directamente associada às afectividades que as carências socio-individuais configuram e os cidadãos tentam ultrapassar num mundo de silêncios personalizados em conflito com o mundo... Não há esquerda nem direita, nem religião ou ideologia nesta conflitualidade violentissima que grassa na privacidade e no espaço público... há, isso sim, uma dimensão cultural que permite encarar o outro com sobranceria e hipervalorizar o "próprio" como detentor do poder, para além de todos os valores e juízos que possam ser defendidos e enunciados... a violência é sempre expressão de uma representação de direito ao seu exercício e salvo situações extremas de auto-defesa, visa sempre exercer esse poder sobre o outro e... vencer. Independentemente de outras abordagens que aqui iremos , eventualmente, fazer sobre o tema, dá a pensar a possibilidade legitimada pela cultura tradicional da representação masculina da mulher assentar ainda numa perspectiva da sua dependência individual... uma espécie de infantilização da mulher, mãe e filha, objecto da protecção e da condescendência do mais forte... como se as mulheres não tivessem direitos de opção, opinião e decisão própria, como se todos eles dependessem da concordância masculina!... Infelizmente, o problema não se esgota na sociedade portuguesa e merece, também por isso, maior reflexão.

sábado, 31 de outubro de 2009

Contra o Desemprego, Proteger os Cidadãos


Temos hoje, na Europa, 22 milhões de desempregados e, em Portugal, mais de 510.356 de cidadãos sem trabalho... numa economia e numa sociedade como a nossa, onde é indispensável promover, com resultados efectivos, o aumento da produção nacional para, na expressão de Ernâni Lopes, "criar riqueza", a prioridade política é, incontornavelmente, combater o desemprego. O fenómeno, demolidor da estrutura social pelo vertiginoso ritmo de empobrecimento da população, justifica a sua eleição como matéria de interesse nacional que o Governo reconhece, assumindo-o como seu principal objectivo e que, as entidades vocacionadas para a defesa dos direitos das pessoas, designadamente, os sindicatos, desenvolvam meios de pressão política no sentido de serem materializadas as condições indispensáveis ao apoio social aos cidadãos, cada vez mais fragilizados. Felizmente, reconheça-se... porque, por um lado, a questão se inscreve no quadro dos Direitos Humanos e dos Direitos Fundamentais e porque, por outro lado, quando atingidas por processos que aceleram a exclusão social, as pessoas perdem capacidade para resistir a uma realidade que, de forma evidente, transcende a sua esfera de intervenção. Por isso, numa atitude pró-activa de intervenção, a central sindical CGTP lançou uma Petição apela: a) ao alargamento da protecção no desemprego; b) à revogação do factor de sustentabilidade; c) à alteração das regras de actualização das pensões e das prestações. A Petição pode ser lida e assinada AQUI.

sábado, 24 de outubro de 2009

Um Destaque de Alerta... pelo Ambiente, a Vida e a Cidadania!

Há situações urgentes no nosso país a que é preciso dar resposta! ... uma delas, surpreendente pela dimensão da sua gravidade, pode ser conhecida AQUI.
(Permitam-me que vos recomende, com particular ênfase dada a importância da informação em causa, a leitura, visualização e audição do texto e do vídeo que este post que aqui vos disponibilizo, da autoria de Manuela Araújo no Sustentabilidade É Acção, permite a quem, como eu, não teve oportunidade de ver a reportagem a que se refere e que possa não ter tido conhecimento da respectiva notícia).

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Just Perfect...


A blogosfera, a par da exposição opinativa e analítica, da crítica e da argumentação, tem, também destas coisas: simpatias, amabilidades, empatias, reconhecimentos, cumplicidades. Dimensões gratificantes, convenhamos... às vezes, muito gratificantes. Como o foi receber da Manuela Araújo a quem envio um grande abraço pela qualidade do Sustentabilidade é Acção que nos brinda com um prémio que merece ser retribuído; refiro-me ao Selo VIP "Just Perfect" que aqui reproduzo e partilho pelos seguintes congéneres, dedicando-lhes a frase com que devemos justificar a atribuição deste Selo: "Your Blog is just perfect to learn something every day":













sábado, 10 de outubro de 2009

Leituras Cruzadas - Especial...

Barack Obama recebeu o Prémio Nobel da Paz. A notícia, ao invés de suscitar o regozijo de todos, levantou reservas aos protagonistas dos media que se empenharam no desenvolvimento de críticas e pseudo-teorias, ignorando as avisadas palavras do General Loureiro dos Santos (ontem à tarde num noticiário da RTPN) e visão estratégia do mundo que urge sustentar (afinal, o conflito no Afeganistão perdura há 8 anos e todos os conflitos em que Obama se envolveu como mediador com uma determinação louvável datam de há décadas e não podem ser resolvidos em actos volitivos voluntariosos de um "piscar de olhos")... Sejamos sérios e humildes sem medo de reforçar a raridade da coragem e a "ousadia da esperança" como, felizmente o fez, porque o mundo não pode esperar por sinais assertivos de esperança, a Academia Nobel da Noruega ao assumir o rasgo inteligente de fazer justiça ao visionário criador do Prémio... por tudo isto, vale a pena ler João Tunes no Água Lisa mas também, ver os vídeos que nos facultam o Expresso e o Público... Entretanto, entre nós, expressão da luta contra as discriminações, emociona saber que António Serzedelo, fundador da Opus Gay, activista LGBT e meu amigo, o primeiro a escrever em Portugal após o 25 de Abril, contra a homofobia (no Diário de Lisboa, em 1974), é candidato suplente na lista liderada por António Costa à Câmara Municipal de Lisboa na coligação Unir Lisboa... a terminar e antes de sair para o Alentejo, porque este post é afinal uma celebração à solidariedade fraterna e consciente, destaque para as palavras do meu amigo Vitorino, um marco inquestionável da liberdade no mundo da música e da arte.

domingo, 16 de agosto de 2009

Leituras cruzadas...

As representações sociais são particularmente interessantes por evidenciarem, muitas vezes, dimensões do "não-dito", induzido, dissimulado ou inconsciente... é o caso da mais recente, infeliz e desnecessária exposição política do PS que não pode deixar de levantar dúvidas sobre o que pensam das mulheres, os defensores da paridade... de facto, depois da escolha de Joana Amaral Dias para mandatária de Mário Soares, é caso para pensar que um erro repetido é mais do que uma simples coincidência... No brevissimo post de Pedro Correia no Delito de Opinião, os comentários, dão uma ideia do que pensam os portugueses que não acreditam que o mérito resida na "fashion" ou no nome de família... de facto, a nomeação para mandatária da juventude, de uma pessoa que se pronuncia de um tal modo sobre a vida que dá a sensação de pertencer a um filme do tipo "Ironia e Mau-Gosto", merece, no mínimo, ser interpelada como o faz Sofia Loureiro dos Santos no Defender o Quadrado. Quando se pensa, dada a proximidade eleitoral, estar em causa o futuro da governação nacional e se assiste ao desenvolver de estratégias que justificam análises como a que Paulo Pedroso enuncia no Banco Corrido ou a que Valupi descreve no Aspirina B, sendo certo que, por razões a que alude o texto de Rui Paulo Figueiredo no Câmara dos Comuns, há um silêncio bilioso que espreita em busca de fragilidades para se aproveitar, maquiavelicamente, do que António Manuel Venda ilustra no Floresta do Sul é, convenhamos!, confrangedora esta "inutilidade" de última hora que, por uma daquelas complexas associações de ideias que podem até levar-nos a pensar no absurdo, me faz evocar as palavras de Miguel Vale de Almeida no Os Tempos que Correm.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Leituras cruzadas...

Hoje surgiu, com alguma surpresa da comunicação social, uma notícia de todos reconhecida, há muito, no nosso país: a classe média já não consegue enfrentar o endividamento e falha o cumprimento dos compromissos bancários. O problema é antigo e não faz sentido ser apresentado como se estivesse em causa uma novidade, apenas porque as instituições de gestão do endividamento reiteram uma realidade que elas próprias já tinham divulgado, há um bom par de meses... aliás, mais grave ainda, o Banco Alimentar Contra a Fome já referiu, repetidas vezes, que a ele recorrem famílias que integram, designadamente, médicos e professores... por isso, das duas, uma: ou médicos e professores não integram a classe média ou o que o Banco Alimentar Contra a Fome afirmou foi tomado de ânimo leve - como se fosse possível fazer afirmações desta natureza no caso de serem infundadas. Num país em que a relação entre custo de vida e desemprego é extremamente gravosa e em que todas as instituições vocacionadas para a assistência social registam o aumento em número e diversidade de utentes, os pobres de hoje não são os indigentes de ontem mas, entre eles, regista-se, face à desestruturada rede de apoios sociais que, as pessoas em idade activa, rapidamente, por extinção ou reestruturação dos locais de trabalho, se encontram em situações que podem vir a ser, face à estrutural mudança das suas vidas, os indigentes de amanhã... Uma reestruturação socio-económica é, cada vez mais, um imperativo nacional (veja-se o artigo de Carlos Santos no O Valor das Ideias), sob pena de realidades como a violência social e a criminalidade aumentarem exponencialmente... o fenómeno cuja dimensão se não esgota no nosso país (por mais que Paulo Portas se esforce em o associar à governação para rentabilizar, demagogicamente, a expressão popular do que o célebre Ricardo III de Shakespeare designou por "inverno do nosso descontentamento") assinala com evidência os efeitos dessa imensa crise económico-financeira que vamos reconhecendo como causa... a não ser assim, como poderemos justificar os surtos de violência urbana atribuídos aos jovens e as tendências registadas no que se refere ao aumento do défice em França (leia-se no Politeia, sobre este assunto, o texto de JMCorreia Pinto e, no que a um plano mais alargado respeita, o de Rui Herbon no A Escada de Penrose). Entretanto, enquanto se preparam os argumentos e a estratégia de campanha das forças políticas, Cavaco Silva assume, contrariamente ao que é requerido a um Presidente da República, um intervencionismo que, ao invés de contribuir para o reforço da confiança institucional de que os cidadãos precisariam, se limita a reforçar posturas partidárias do que é afinal o seu partido, "caindo por terra" o lema criado e adoptado pelo exercício dos seus antecessores, a saber: ser "Presidente de todos os portugueses"... da pertinência da questão, adquire-se uma imagem que vale a pena ter em consideração em dois textos que vale a pena ler: um de Valupi, no Aspirina B e outro, de JMCorreia Pinto no Politeia.
... e enquanto a sociedade avança com estereotipos que, por vezes inconscientemente, denotam as representações socio-culturais que determinam os nossos comportamentos (veja-se o significado do episódio de Hilary Clinton na República Popular do Congo que Maria João Pires destaca no Jugular ou o hastear da bandeira monárquica na Praça do Município, facto sobre o qual merece a nossa atenção o texto de Valupi no Aspirina B), desaparece deste "prime time" da política a preocupação primeira dos cidadãos: emprego, liberdade e garantias de continuação na inclusão social...

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Nota Prévia a eventuais Projectos de Revisão Constitucional...

"O Caso Mental Português" é uma espécie de manifesto sociológico da autoria de Fernando Pessoa cuja pertinência e actualidade justificam a sua evocação em contextos diversos... desta vez, a propósito da polémica suscitada pelas mais recentes declarações públicas de Alberto João Jardim. evoco-o num texto que se pode ler AQUI.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Da Memória - memórias e patrimónios...

O blogue "Não Apaguem a Memória" foi hoje suspenso, mantendo-se para efeitos de consulta dos textos e documentos publicados... felizmente, a título de objectivos, a intenção deste Movimento Cívico vai continuar presente na blogosfera, através do Caminhos da Memória onde, exactamente ontem, foi inserido um texto de homenagem a Hermínio da Palma Inácio. É importante que a Memória perdure... na vida e na personalidade dos povos, das culturas, das sociedades e dos cidadãos... porque a Memória é a matéria-prima da identidade e, como tal, torna-se facilmente presa da manipulação... se não houver transmissão, aprendizagem e compreensão da dimensão patrimonial da Memória o seu determinante poder para a construção e afirmação dos seres e das coisas, fica gravemente exposto às tentações ideológicas do poder dominante que branqueia o passado para controlar o presente e preservar o seu poder, no futuro... Em Espanha, o movimento associativo que levou à proclamação governamental da "Lei da Memória" reivindica agora, através de 65 associações representativas de muitissimos mais cidadãos, famílias e até gerações, uma alteração qualitativa desta Lei que o Governo de "nuestros hermanos" proclamou mas, que ficou de aperfeiçoar... trata-se de reivindicar, nas palavras de Miguel Ángel Rodriguez, Professor de Direito Penal na Universidade de Castilla-La Mancha e um dos redactores do movimento que integra as Associações de Memória Histórica: "Que seja o Estado e não as famílias, quem assuma os trabalhos de identificação e exumação das vítimas". A reivindicação, trazida a público sob a forma de Manifesto, intitula-se: "Pelo Normal Cumprimento do Convénio Europeu de Direitos Humanos em Espanha para o Caso dos Desaparecidos" e classifica a Lei da Memória História como uma "lei da vergonha histórica", lembrando que Espanha é o segundo país do mundo com mais "desaparecidos" que, enquanto se sentiu a influência da Guerra Civil e do franquismo, atingiu a efectivamente vergonhosa e revoltante cifra de 1.500 pessoas, número que, convém salientar como o fazem os protagonistas desta iniciativa: "só fica atrás do Cambodja de Pol Pot". A intenção, a que Zapatero ficou de responder em reunião a realizar durante o ano em curso, 2009, é a de legitimar uma investigação "oficial, efectiva e independente" que, para além dos "desaparecidos", faça luz sobre outra tragédia, paralela e simultânea, a saber "o caso dos meninos perdidos" ou seja, das crianças separadas das famílias republicanas por razões de estratégia e chantagem política levada a efeito contra los Rojos.
[Obs: a) informação recolhida na edição de dia 8 de Julho do jornal "El País"; b) tradução minha das citações referidas;]