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domingo, 9 de janeiro de 2011

Leituras Cruzadas

Por estes dias, a especulação sobre a intervenção do FMI na economia portuguesa tem estado na ordem do dia... por motivos vários, é certo! Pelos interesses externos protagonizados pelos mercados e pelos interesses partidários internos que não resistem à campanha eleitoral em curso para fazer alusões ao que, de facto, esperam do resultado destas eleições. Vale, por isso, a pena ler o post de Seixas da Costa no Duas ou Três Coisas e reflectir na proposta de Ana Gomes no Causa Nossa... A verdade é que a capacidade crítica de que o caso brasileiro é exemplo (leia-se o texto publicado por Eduardo Marculino no História Viva) e de que a memória e a História de Portugal nos deixa marcos grandiosos de dignidade e coragem (leia-se o texto de Osvaldo Castro no A Carta a Garcia), nos obrigam a repensar o interesse nacional em termos que estão muito além dos interesses corporativos e partidários (atente-se no post de Rodrigo Manuel no Folha Seca)... Vale também a pena, por tudo isto, ler as reflexões e comentários que as próximas eleições presidenciais merecem a muitos portugueses, como é o caso de Ariel no Cirandando, de Miguel Gomes Coelho no Vermelho Cor de Alface, de Pedro Correia no Albergue Espanhol, de Vitor Dias no Tempo das Cerejas, de Rogério Pereira no Conversa Avinagrada e de Rui Namorado no Alegro Pianissimo. Enquanto isto, a realidade, complexa e paradoxal, merece a nossa melhor atenção... para que continuemos a pensar pela nossa cabeça!... e, a este propósito, sugiro ainda a leitura sobre o caso passional que deu origem a um crime chocante, publicado por Eduardo Pitta no Da Literatura.

sábado, 22 de agosto de 2009

Leituras cruzadas...

Em tempo de campanha eleitoral, quando os candidatos ainda exercitam o tom do discurso para aferir as escolhas que irão materializar as linhas estratégicas das intervenções públicas, medidas e pensadas ao milímetro para bem explorar o impacto mediático, é difícil resistir ao que o país nos vai revelando, numa evidência clara dos interesses (quase sempre subliminares, sob a égide da demagogia), dos princípios (ou melhor, da sua ausência) e das propostas (por um lado, dissimuladas, à direita, na hipocrisia de uma revolta que saliva na vontade de aceder ao poder e, por outro lado, protegidas, à esquerda, pela desresponsabilização da governação)... vale por isso a pena ler a excelente síntese de Valupi no Aspirina B sobre o protagonismo de Manuela Ferreira Leite sobre quem também se pronuncia de forma sistémica José Reis Santos no Simplex. De facto, num contexto em que o pensamento de alguma esquerda se envolve em difusos considerandos como os que justificam as palavras de João Tunes no Água Lisa e considerando a inqualificável e vergonhosa postura protagonizada num artigo publicado no jornal "Avante" que mais não faz do que revelar até que ponto se pode recorrer à mesquinhez quando está em causa o poder (no caso, a Câmara de Almada) mas ao qual Paulo Pedroso reage no Banco Corrido com sangue-frio e dignidade, somos remetidos para a racionalidade que Osvaldo Castro nos propõe no texto "Manter o Rumo... é recusar a ideia coligatória".

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Leituras cruzadas...

Enquanto se incendeia o ódio que a pobreza, a fome e o obscurantismo alimentam em espaços menos longínquos do que se pode imaginar, localizados em pontos estratégicos do planeta, que podendo unir, separam civilizações, povos e culturas (vale a pena ler o texto de JMCorreia Pinto no Politeia sobre o Afeganistão), vivemos a Democracia, no nosso país e na Europa, como se de um dado adquirido se tratasse, ignorando o violento potencial que os conflitos sociais arrastam, de formas mais ou menos evidentes. E de tal modo é grave e opaco este pressuposto que não se vislumbra, entre os protagonistas partidários portugueses, uma visão de presente ou de futuro reveladora de valores e princípios inequívocos e universais, constatando-se, por exemplo e com estranheza, entre a direita e a esquerda, a proclamação de interpretações e opiniões verdadeiramente chocantes. Refiro-me ao profundo e assustador equívoco que, do PSD ao BE, tem vindo a ser afirmado publicamente, a propósito da legitimidade de candidatura de arguidos a actos eleitorais... porque, na realidade, o princípio da presunção de inocência não seria minimamente "beliscado" se os arguidos não fossem candidatos; sê-lo-ia se e apenas se, no caso de serem candidatos, ao longo do processo de candidatura, viessem a constituir-se como arguidos, sendo afastados dessa candidatura, assumida e exclusivamente, por essa razão. A questão dos princípios que, supostamente, separaria a honestidade intelectual que se requer à política, da permeabilidade à corrupção e ao corporativismo, fica posta em causa, nestas considerações que já foram defendidas em primeiro plano nas televisões, por líderes políticos como Guilherme Silva ou Francisco Louçã, porque a confiança dos cidadãos e a credibilidade nos valores e nas instituições, surge lesionada pela secundarização do interesse público, refém do apoio de um grupo a um dado cidadão - apoio esse que, em alguns casos se tem demonstrado válido pela aferição da sua inocência mas que, noutros, tem resultado em situações inequivocamente graves (lembremo-nos do caso BPN e Dias Loureiro)... Vivemos de facto uma realidade virtual de que pouca conta nos damos, entretidos no jogo de espelhos da política, da tecnologia e da mediatização... ao ponto de um princípio geral do direito (a presunção de inocência) ser invocado para justificar opções que, pelo seu carácter deferido no tempo, condicionam o voto à incerteza do carácter e do cumprimento de compromisso com boas práticas que é suposto conduzirem o processo de escolha dos eleitores... compreende-se assim que, considerando o que tem ocorrido no processo de elaboração de listas dos partidos às próximas Eleições Legislativas, no Delito de Opinião tenham surgido dois sintomáticos textos, um de Sérgio de Almeida Correia intitulado "Política de Verdade ou a Verdade da Política?" que ilustra o distanciamento da política relativamente à ética e, outro, de João Carvalho, "Tudo pela Derrota?" que, numa perspectiva alargada, reflecte o paradoxo a que chegou a vida partidária, na senda de uma ânsia de poder capaz de não prescindir de compromissos internos mais ou menos claros, em detrimento da transparência pública que se exige às eleições, desvalorizadas ao ponto de um dos maiores partidos só disponibilizar os seus conteúdos programáticos quando faltar apenas um mês para o acto eleitoral, adiando até ao limite as respostas que os cidadãos procuram, como evidenciam as que se colocam no texto de Carlos Santos no O Valor das Ideias. Felizmente, o mundo não pára aqui e vão, apesar de tudo, chegando notícias do contínuo esforço em repensar o mundo (como nos demonstra Rui Hebron no A Escada de Penrose) e investir na prevenção das catástrofes e na preservação do planeta, da vida e do património (como se comprova no Sustentabilidade É Acção, de Manuela Araújo).