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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Democracia e Prática Partidária - o caso de Narciso Miranda


As Democracias caracterizam-se pela defesa efectiva dos Direitos Humanos que, integrando os Direitos Fundamentais dos Cidadãos no respeito pelos princípios da liberdade, da igualdade, da não-discriminação e da solidariedade, implicam arquitecturas jurídicas capazes de defender e proteger estes valores equitativamente, bem como práticas políticas, institucionais, sociais e culturais que os promovam e aperfeiçoem. Para além disso e de todas as singularidades que podemos discernir à medida que reflectimos sobre a questão, os Estados de Direito democráticos valorizam e salvaguardam o pluralismo partidário e as liberdades de expressão e de opinião do pensamento crítico, do diálogo e da valorização da diversidade conforme à etica laica - que deve nortear as relações sociais indispensáveis à coexistência pacífica. É por isso lamentável que os partidos políticos funcionem como agremiações de interesses, penalizando o princípio da liberdade individual que reduz a natureza democrática da associação política e que denotem, apesar da sua teórica condenação da centralidade do poder, a penalização e/ou expulsão de cidadãos que optam por defender projectos de intervenção que podem não coincidir com as decisões colectivas... de facto, as decisões colectivas deveriam ser as de maioria de razão e esta, num contexto livre e democrática, não carece de perseguição e condenação dos indivíduos que, conjunturalmente, optam por caminhos próprios - nomeadamente porque os partidos deveriam privilegiar a sua natureza de projectos ideológicos e não a sua organização formal institucional. Para defesa da natureza democrática dos regimes políticos, os indivíduos devem ter a liberdade de se identificar ideologicamente com os programas partidários sem que isso implique a abdicação da sua liberdade individual e da expressão do seu pensamento crítico... o contrário é, apenas!, demonstrativo da fragilidade intrínseca dos aparelhos partidários que, na defesa e prática do recurso à penalização, à perseguição e à indiferença pelo pensamento e acção dos militantes, evidenciam as suas intenções manipulatórias de gestão do controle de poder, descredibilizando o apregoado pensamento plural... vem esta nota, naturalmente!, a propósito das notícias sobre a expulsão do PS de uma ou duas centenas de militantes em que se inclui Narciso Miranda e que, não sendo uma iniciativa nova em Portugal, é efectivamente lamentável, por extemporânea e destituída de substancialidade - tanto mais que esses cidadãos se limitaram a apoiar candidatos diversos dos que as estruturas federativas propunham, não rejeitando e até pelo contrário afirmando a sua identificação ideológica com o Partido Socialista... refira-se aliás que esta atitude, cega e contraproducente, manifesta a negação partidária do reconhecimento de que, como todas as organizações, os partidos estão sujeitos à emergência de corporativismos.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

domingo, 28 de março de 2010

Indicadores de Percepção Pública

Uma expressão curial diz que "as sondagens valem o que valem"... assim é. Porém, vale a pena, independentemente do que podem significar no médio ou no longo prazo, dar atenção aos sinais - ao menos como regulação da nossa imagem da percepção pública... aqui ficam disponíveis (via Margens de Erro) os resultados comparáveis de Março no trabalho da Intercampus para o Rádio Clube e a TVI.

quinta-feira, 4 de março de 2010

A Justiça - do Freeport ao Face Oculta segundo Garcia Pereira



Vale a pena ouvir Garcia Pereira sobre a situação da Justiça em Portugal no programa "Antes pelo Contrário" da RTP1... conhecendo nós a frontalidade de Garcia Pereira e o discernimento com que analisa muita da realidade portuguesa, é duplamente interessante ouvir as suas declarações que se referem, também, aos casos Freeport e Face Oculta.
Observação: tomei conhecimento deste vídeo através de um post de João Pinto e Castro no Jugular

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Noronha do Nascimento - Uma Voz na Guerra de Audiências e Escutas

A guerra de audiências nas estações televisivas está ao rubro e, curiosamente, denota-se perfeitamente compatível com o aparente corporativismo que tem emoldurado o mais recente caso sobre "escutas". O exemplo maior desta realidade foi apresentado ontem aos portugueses que, conhecedores da anunciada entrevista ao Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do Nascimento, à RTP 1, no programa "Grande Entrevista" com Judite de Sousa, foram surpreendidos, nos 30m que antecederam a transmissão, com uma entrevista realizada por Clara de Sousa, na SIC, ao mesmo magistrado. Num tom acusatório e à revelia da ética da cidadania que nos dita a consideração e a boa-fé perante os entrevistados, ambas adoptaram como forma de entrevistar o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, o recurso a perguntas insistentes e manipulatórias que visavam a obtenção de respostas que, para si-próprias, pareciam pré-definidas como ideais, no sentido de virem a corroborar afirmações lesivas da Justiça e da lisura da actuação de Noronha do Nascimento. Os tele-espectadores puderam assim assistir a um lamentável episódio da comunicação social portuguesa muito mais evidente do que a alegada falta de liberdade de imprensa... ao ponto do entrevistado ter que perguntar a Clara de Sousa (que afirmara a idoneidade dos que acusam a sentença de destruição das escutas como uma espécie de "favor" aos escutados) se, na opinião da própria, ele próprio merece ou não a mesma consideração de idoneidade.... ou de ter que confrontar Judite de Sousa com a evidência jurídica dos procedimentos legais, enunciando um exemplo paradigmático: se alguém diz que vai cometer um crime, pode essa afirmação ser considerada prova do próprio crime?... Não, claro que não! Como Noronha do Nascimento bem explicou, a "escuta" não é meio de prova, podendo, como acontece em alguns países como Portugal, ser considerada indício susceptível de levantar uma investigação se, naturalmente!, nela existirem indícios de ilícitos criminais. É tudo! A ignorância sobre procedimentos jurídicos foi aliás, perfeitamente clara quando se percebeu que a entrevistadora nem sequer concebera que a validação de um dado instrumento processual pode -e, no caso, era!- ser objecto de juízo conjuntural sem implicar necessariamente a análise ou a pronúncia sobre todo o processo... tal como a revelação de que não percebiam como é que a não-validação das mesmas não implica a condenação formal da sentença do Tribunal de Aveiro que se referia a todo o processo e não, apenas, a este instrumento. Enfim!... Como disse o próprio Presidente do Supremo, podem ser solicitados esclarecimentos sobre a responsabilidade política das afirmações escutadas mas, não sobre a sua natureza criminal que, materialmente, não existiu. O problema está a ultrapassar os limites do razoável e já ultrapassou em muito o âmbito da informação... a guerra é uma guerra que está para além da liberdade de imprensa ou do esclarecimento de dúvidas suscitadas por "escutas" a conversas privadas... mas os jornais vendem, particularmente porque, em contextos onde se aplica o ditado "casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão", os cidadãos ficam disponíveis e expostos à manipulação que pode servir de bode expiatório aos seus reais problemas e dificuldades. Entretanto, enquanto os jornais se alimentam de polémicas que, à opinião pública, soam a "enredos" e "lavagem de roupa suja" e que evoluem para narrativas que efabulam sobre processos de intenção dirigidos ao Governo acusado de ter tido um plano de compra de dois grandes grupos que são proprietários de vários meios de comunicação social (Cofina - CM e Controlinveste - DN, JN e TSF) , o país continua a precisar que todos se empenhem na sua recuperação mas, pelo que podemos constatar, uns estão nisso interessados, outros não! ... certo é que, de qualquer modo, Cultura Cívica e Política, Precisa-se!

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Ajudas insólitas... Bizarrias indesejadas!




A construção social dos factos tem, por vezes, resultados inoportunos e incompreensíveis que, pela sua bizarria e extemporaneidade, se transformam, a partir de um escandaloso oportunismo, num ridículo testemunho contraproducente, capaz de anular, de uma só vez, a efémera credibilidade em que assenta uma das mais significativas dimensões da imagem pública do que se entende por "interesses partidários", remetendo os cidadãos para uma redutora e lamentável dicotomia entre ética e política que, também se avalia em processos eleitorais... é o caso da Lei do Financiamento dos Partidos, assunto sobre o qual escrevi esta manhã no Eleições 2009....

terça-feira, 2 de junho de 2009

Uma Ordem Medieval...


Nos tempos que correm, troca-se a embalagem pelo conteúdo e a imagem pelo significado... ou, talvez não nos tempos que correm porque, provavelmente, foi essa a tendência dominante ao longo dos tempos. Se assim não fosse, que sentido teriam as palavras e as reflexões dos filósofos da Antiga Grécia que, na senda da construção da racionalidade, insistiram na oposição entre "aparência" e "verdade"?! De facto, a forma emotiva que caracteriza a expressão do Bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, não é comum na sociedade portuguesa onde as meias-verdades, o "politicamente correcto", o discurso de circunstância e a ambiguidade são recurso corrente para uma auto-defesa sempre presente, na expectativa de um provável retorno do que se diz, evitando sempre a frontalidade. É aliás esta a forma de actuação inerente às redes de dependência que, noutros tempos, salvaguardavam e preservavam vassalagens geridas em nome do que hoje se ousa chamar, a "berlusconização" do poder. Faz, por isso, sentido que Marinho Pinto qualifique como medieval, a Ordem de que é Bastonário... e se muito do que afirma pode sustentar a discussão "inter pares", facto é que, ao contrário de muitos, Marinho Pinto não defende incondicionalmente o corporativismo da classe em que reconhece os reflexos da sociedade que temos: defesa de interesses próprios, lobbies, ilegalidades, perversões de princípios, dependências, negócios, falta de transparência e até criminalidade... porque não seria verdadeira esta versão desta realidade específica se dela vamos tendo sinais, de quando em quando, na comunicação social, se é voz corrente entre a opinião pública e se é impossível manter a imunidade de uma instituição no quadro complexo de uma mentalidade cultural assente no inter-conhecimento? De facto, para além das influências político-partidárias dos seus orgãos que a essa lógica social também não escapam, que fundamento razoável pode ter a exigência de que Marinho Pinto deve acusar pessoas, para ser credível? A investigação das suspeitas, sabe-se!, pertence ao Ministério Público e não ao exercício da delação, instrumento de recurso dos regimes anti-democráticos que, in extremis, tiveram o seu máximo expoente na Inquisição... Marinho Pinto é um homem corajoso, dotado de boas intenções e consciência democrática, intrinsecamente convicto das competências de um Estado de Direito que deve merecer a confiança dos cidadãos. Por interferir com "interesses instalados" e ser incómodo para os que usufruem do actual estado de promiscuidade das esferas da política e dos negócios, é alvo da reacção extremada de muitos... contudo, reconheçam-se as razões de Marinho Pinto que salvaguardam o interesse público, mais do que estamos habituados a ver defender com a contundência com que o faz... Marinho Pinto faz bem à democracia portuguesa!... e credibiliza a advocacia e a classe aos olhos dos cidadãos, ao contrário do que pretendem fazer crer os que lhe declararam guerra.

sábado, 30 de maio de 2009

Uma Pedrada no Charco...



A reacção de Vital Moreira ao caso BPN tem suscitado uma onda de comentários, grande parte dos quais se caracteriza por uma gratuita bizarria - se pensarmos na gravidade do assunto em causa e nas suas implicações... enquanto se aguarda o desenvolvimento noticioso sobre o enredo fraudulento onde "figuras gradas" se envolveram, aproveitando os benefícios de uma opaca e suspeita relação entre política e negócios que faz lembrar a Itália de Berlusconi, a campanha eleitoral para as Europeias entra na sua recta final com sondagens que começam a afastar-se do tão insípido e constrangedor "empate técnico" que a abstenção pode proporcionar... talvez a inesperada energia de Vital Moreira, emergente na Marinha Grande, a partir de um provável e justificado cansaço das águas pantanosas a que o argumentário político parecia reduzido, seja a "pedrada no charco" susceptível de mobilizar os eleitores... para que se não perca a oportunidade eleitoral de levar para o Parlamento Europeu pessoas capazes de unir esforços com os seus "pares", no sentido de se reconstruirem caminhos úteis às populações socialmente indefesas, vítimas do desemprego e de uma lógica de mercado que persiste em não se reformar, reduzindo cada vez mais os direitos dos cidadãos pelo reforço continuado de políticas laborais que fomentam o agravamento das condições de sobrevivência dos europeus em detrimento da qualidade de vida democrática... neste contexto, vale a pena ler os textos de Valupi, no Aspirina B e de João Abel de Freitas no PuxaPalavra...

O Interesse Público em Cenário de Eleições Europeias


Reconhecida a emergência da deflação (leia-se o texto de Carlos Santos no Valor das Ideias) e a menos de uma semana para a realização das Eleições Europeias, o interesse público manifesta-se hoje como um dos mais esclarecedores critérios para a aferição do sentido de responsabilidade inerente à actuação e argumentação dos candidatos ao Parlamento Europeu. Neste contexto e apesar de ainda não termos tido oportunidade de ouvir a pressuposta série de debates sistémicos sobre os dossiers temáticos que justificam o empenho nacional na participação política ao nível da UE e de que hoje destaco o desenvolvimento regional (a este propósito pode ler-se o meu texto "Uma PAC para o Alentejo"), duas questões têm, no nosso país, nos últimos dias, contribuido para o esclarecimento dos eleitores sobre o sentido de responsabilidade social e política no panorama partidário português; refiro-me, por um lado, à questão do Provedor de Justiça (sobre a qual escrevi no Eleições 2009) e, por outro lado, ao caso BPN que tanta tinta fez e ainda fará correr (veja-se a notícia que hoje faz manchete no Expresso), em relação ao qual fazem , afinal, sentido as declarações de Vital Moreira que tanta polémica suscitaram, mesmo entre alguns dirigentes do PS (vale a pena ler a notícia da Lusa que Osvaldo Castro transcreve no Praça Stephens e o texto do próprio Vital Moreira no Causa Nossa)... porque a actuação e argumentação políticas são, ainda hoje, factores essenciais para que os cidadãos possam definir as suas opções eleitorais, identificando quem efectivamente merece a sua confiança.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

A pseudo-preocupação social da direita...

Os acontecimentos na Bela Vista proporcionaram ao PSD e ao CDS uma oportunidade mediática de darem incontidas "largas" às respectivas demagogias... sem credibilidade, uma vez que o PSD não pode avocar protagonismos na área das políticas sociais e o CDS tem inscrita, na sua história, a condenação de todas as medidas de apoio a desempregados e carenciados em idade activa, torna-se quase surpreendente (não fosse o habitual "rol" de promessas que, sem escrúpulos, consideram justificado em períodos eleitorais) a pseudo-preocupação com que abordam, nestes dias, os problemas sociais do país... uma pseudo-preocupação quase imoral, se me permitem porque nada mas, mesmo nada, torna verosímivel a aparente ética que tentam transmitir... mas, mais não direi... porque, JM Correia Pinto o disse, de forma contundente e clara, num texto clarividente que podemos ler no Politeia.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Do Eleitoralismo à Qualidade Democrática...


O paradigma político português reflecte-se de forma evidente na nova lei de financiamento dos partidos, aprovada quase por unanimidade na AR (excepção feita ao Deputado António José Seguro do PS), enquanto exemplo elucidativo da estratégia e dos critérios da actuação política nacional... por um lado, significa que, tal como aconteceu relativamente ao Estatuto dos Açores, é possível obter consensos políticos alargados, designadamente com o apoio de todos os partidos com representação parlamentar; por outro lado, denota que o denominador comum exigido por estes partidos a título de factor consensual é, sempre, o seu próprio interesse eleitoralista... e não, infelizmente para o eleitorado!, o interesse público!... Do significado desta qualidade democrática muito fica por esclarecer... ou, pelo contrário, pouco ou nada merece ser acrescentado... às respectivas demagogias!

terça-feira, 5 de maio de 2009

Da Consciência à Convergência Democrática...

No extremo oposto do teor da afirmação da líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, quando sugeriu a suspensão da democracia em nome de um suposto "bem nacional", presumo que é fácil perceber que, ao invés da criação de condições para a reedição de um Bloco Central, a consciência da fragilidade de uma maioria relativa deveria conduzir à disponibilidade para uma concertação estratégica no sentido de, por um lado, o não provocar e, por outro lado, viabilizar o que Jorge Sampaio, numa expressão feliz, designou por «consensos transversais». Assim, inverter-se-ia o bem colocado problema que JMCorreia Pinto enunciou no Politeia, garantindo margem de manobra futura para tempos que se avizinham difíceis e que terão tendência para piorar na exacta proporção da continuidade da vigência de um sistema económico-financeiro cujos efeitos já conhecemos e que o mercado só está disposto a reformar de forma pontual e na medida do absolutamente necessário. Na verdade e considerando a súmula de alegações que Carlos Santos nos propõe num texto do Valor das Ideias, penso que esta disponibilidade para a convergência é, de momento, o que, na retaguarda, podemos preparar como estratégia para enfrentar a tremenda crise social que tem milhões de rostos, razões e corações e que se oculta na tragédia da sua angústia a caminho da desesperança sob a figura amarga do desemprego... Porque "para grandes males, grandes remédios" ou, se quiserem, dito de outro modo, "p'ra pior já basta assim". Haja sentido de Estado, consciência social e capacidade para, acima de tudo, agir em conformidade com a que deve ser a prioridade das prioridades: o interesse público!


sexta-feira, 1 de maio de 2009

A Vergonha Anti-Democrática no 1º de Maio em Portugal

Hoje, Dia do Trabalhador, vi as imagens que as televisões transmitiram e captaram em directo... imagens que enchem de vergonha os democratas e o espírito solidário do 1º de Maio... por isso mesmo, acabei de publicar no blog do Público, "Eleições 2009", um post com este mesmo título: "A Vergonha Anti-Democrática no 1º de Maio em Portugal"... porque, efectivamente, como se demonstra pelo que hoje aconteceu no início da manifestação da CGTP em que Vital Moreira foi insultado e agredido, a Democracia não é um dado adquirido!

terça-feira, 28 de abril de 2009

O que há de novo? (2)


Afinal, há algo de novo, no horizonte!... não, não é o facto de, uma vez mais, a Dra. Manuela Ferreira Leite só ter a noção do que diz quando o lê mas, o facto de ter rejeitado a sugestão governativa que se lhe ouviu e que tem vindo a ser notícia por vários motivos - e o seu contrário!... A sugestão não terá, ao que se percebe!, decorrido de um acto volitivo e estratégico podendo, aparentemente, ter sido motivada por uma qualquer inspiração, quiçá pouco convicta mas, indiscutivelmente assertiva quando interpelada directamente pelo jornalista sobre se estaria disposta a subscrever uma proposta de tipo Bloco Central ou AD?!... Porque foi aí que a frase que a líder do PSD utilizou e que a comunicação social tem vindo a citar de uma forma tal que, quase branqueando o respectivo contexto enunciativo, parece o contrário daquilo que efectivamente foi! ... Como o afirma o Director do DN no seu editorial de hoje, como se reitera na crónica de António Costa Pinto publicada na edição impressa deste jornal e na narrativa sobre a entrevista "de que se fala" que também foi objecto da atenção do DN de hoje. Apesar de muitos alegarem não ter ouvido a entrevista, fomos muitos os que, realmente!, ouvimos em directo o que bem descrevem os textos do DN... portanto, de novo, no nosso país, parece ter acontecido uma espécie de interferência eléctrica, após a qual já ninguém sabe o que diz ... ou o que ouve!!! - esperemos que não seja o prenúncio de uma nova pandemia...

sábado, 25 de abril de 2009

Dos Discursos à Entrevista - a Memória, a Esperança e a Coragem...



Hoje, 25 de Abril, na Sessão Solene que, anualmente, celebra o Dia da Liberdade na Assembleia da República, foi comovente ver um Capitão de Abril subir à tribuna para se emocionar pela memória da coragem que levantou o Movimento dos Capitães para acabar de vez com a Guerra Colonial, dar voz à Liberdade de Expressão e abrir a porta do país à Democracia! Da arrogante campanha que Paulo Rangel aproveitou para fazer em nome do PSD à feliz consistência do discurso de Jaime Gama, o discurso do Presidente da República insistiu no combate à abstenção... A crise, sempre presente, deu mote a todas as intervenções... entretanto, ocorre-me a lembrança de que, antes da coragem que tornou possível o 25 de Abril, havia muita pobreza, muito medo, fome e até guerra!... por isso, apesar de todas as dificuldades, é preciso não perder o discernimento e saber a natureza do caminho que escolhemos, com a responsabilidade da consciência que nos conduz o voto!... sabemos que, em 1984, a governação desses anos deu lugar à entrevista de Zeca Afonso que aqui vos trago... para que não esqueça!... e para que, face aos problemas do presente, não desistamos do sonho, da esperança e da coragem!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

As palavras que fizeram nascer Abril...



Há 35 anos, na noite de 24 para 25 de Abril, depois das senhas cantadas na Rádio que abriram caminho para a Democracia através de uma revolução que ficou conhecida em todo o mundo como "A Revolução dos Cravos", um Comunicado do Movimento das Forças Armadas marcou, para sempre, Portugal... foi aí que, para o país nasceu o 25 de Abril!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Liberdade e Informação...


Este texto não pretende esgotar-se no caso emblemático que refere... pretende contudo, quando nos aproximamos da celebração do 25 de Abril, alertar-nos para a dupla dimensão ilusória que participa na formatação das mentalidades e no uso dos meios da sociedade contemporânea. O DN traz hoje uma notícia que merece a atenção da sociedade portuguesa que, ao longo dos últimos meses, tem sido avassaladoramente bombardeada com suspeições, intrigas, omissões e pressupostos a propósito do designado Caso Freeport que agora tem novos desenvolvimentos, relevantes, no contexto do ambiente misteriosamente conspirativo com que a comunicação social portuguesa tem apresentado este "caso". A este propósito refira-se ainda que, ontem, na entrevista à RTP1, José Sócrates transmitiu uma imagem de determinação, clareza e segurança política apesar do teor das análises dos "comentadores de serviço" das diversas estações televisivas - que, naturalmente, legitimam a nossa perplexidade... na verdade, mais uma vez, trabalhando contra si próprios na ânsia de protagonismo e audição, qualificaram o que viram e ouviram (será que viram e ouviram?) de um tal modo que vale a pena lembrar o velho ditado "mais cego é aquele que não quer ver"... depois de tantos "tiros no pé", seria não só gratificante mas, acima de tudo, dignificante, se, um destes dias, a comunicação social portuguesa recusasse ser um contributo pró-activo da manipulação da opinião pública e voltasse a trabalhar com o profissionalismo responsável que todos os cidadãos merecem e dela têm o direito de esperar... porque os cidadãos querem e precisam de ser informados com objectividade e lisura... é isso que compete ao exercício democrático sério e livre... o tempo do boato, da intriga e da suspeição participa de uma organização social retrógada que em nada coincide com a sociedade do conhecimento e com o sentido de responsabilidade cívica inerente à dimensão de fenómenos como a globalização... o boato e a suspeição podem ser notícia, assumida que seja a sua condição de origem; contudo, nesses termos, não deveriam ocupar as agendas de modo a forçar à indução da culpa ou da interpretação de hipóteses especulativas como verdades. A Liberdade que o 25 de Abril de 1974 proporcionou à sociedade portuguesa, celebra, no próximo sábado, 35 anos... lembremo-nos que a suspeição infundada, o medo, o alarmismo, a manipulação e o boato dos fascismos (cuja polícia política também se designou "polícia de informação") foi uma arma política que pode assumir a forma de liberdade de imprensa ou de expressão se os seus protagonistas não mantiverem sempre presente, na formação e na acção, a ética democrática do direito à verdade e à justiça. Viva o 25 de Abril!

domingo, 19 de abril de 2009

Eleições - entre o pragmatismo ideológico e a honestidade intelectual...


Quando, no final do século XX, se anunciou o "fim das ideologias" e o "fim da História", assistiu-se à emergência do pragmatismo como retórica de uma espécie de angustiada pós-modernidade, ansiosa por se libertar de um passado que sentia desadequado às respostas necessárias a que apelava o ritmo anunciado de uma mudança vertiginosa, visível na senda da globalização informativa e económico-política. Na altura, dizer que essa representação de um pragmatismo pós-moderno era, ela própria, efeito do confronto com a mudança e como tal, efémera e hiperbólica, seria atribuível a "velhos do Restelo"... convenhamos agora que, hoje, apesar dessa rejeição "a priori", a "moda" do dito pragmatismo resultou numa tal plasticidade de recurso à argumentação que, ao cidadão comum, eleitor, é cada vez mais difícil discernir entre o pensamento comunista, socialista, social-democrata ou democrata-cristão porque, no auge das campanhas feitas por oposição à governação em exercício, todos se socorrem dos mesmos considerandos... são disso exemplos claros, problemas políticos recentes registados em Portugal de que destaco, pela sua evidência, a discussão sobre o Estatuto dos Açores (sobre o qual aqui escrevi) e o discurso do Presidente da República aos Empresários Cristãos (que aqui comentei) em que, designadamente, responsáveis de partidos tais como o PCP, o BE, o PSD e o CDS assumiram as mesmas posturas, ignorando contextos e significados do teor de cada um dos assuntos referidos... registando-se que é no pragmatismo ideológico que este oportunismo eleitoralista encontra sustentabilidade, cabe agora à comunicação social e aos próprios partidos, em nome da honestidade intelectual e política, esclarecer, sistemática e inequivocamente, o teor dos seus projectos, programas e princípios... se é que os têm e se efectivamente querem merecer o voto consciente e sólido do eleitorado. De outro modo, será apenas a mediatização partidária a vencer, através de votos emocionais decorrentes da tradição, da mistificação ou do dogmatismo corporativo, em que o voto é o simples registo de um ritual que a sociedade da imagem impõe, justificando a abstenção e, consequentemente, o reforço do descrédito político.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Leituras Cruzadas...

Hoje, 17 de Abril, vale a pena ler o que diz Rui Tavares no Sem Muros, reflectindo, exactamente no dia em que, em 1969, em Coimbra, os estudantes universitários deram voz à contestação (veja-se o post de Osvaldo Castro no Praça Stephens), o que ocorre no Ensino Superior... na verdade, compreender hoje o nosso país passa pela recuperação da memória e pelo não negligenciar de um passado que, constantemente interpelado, deixa à actualidade uma problematização incessante que, sem anular a inquietude, arrasta como virtude o não nos deixar adormecer (leia-se o comentário no Não-Ficção Portuguesa ao livro recentemente dado à estampa "Salazar, o Maçon")... Talvez assim se perceba melhor o estado da arte do momento que justifica a notícia de que faz eco Pedro Correia no Delito de Opinião, a emergência de raciocínios como o de Miguel Madeira no Vento Sueste ou o texto de Carlos Santos no Eleições 2009... mas, para nos viabilizar informação capaz de nos continuar a deixar pensar por nós próprios, talvez seja mesmo interessante visitar o PNET Política e o PNET Economia...

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Recriar a Polis - uma ideia para Lisboa!


O aparecimento de um movimento cívico que apoia a organização de uma coligação de esquerda para se candidatar à CML é uma ideia interessante. Na verdade, fazem falta elementos, individuais e decorrentes de dinâmicas de grupos, capazes de refrescar ideias e projectos, de propôr novas soluções e de permitir a emergência da criatividade na gestão da Polis. Há, demasiado frequentemente, nos partidos políticos, a cristalização de clichés de governação que, enredados na complexidade dos interesses políticos que tenta evitar fricções sempre exploráveis pelas oposições, perdem a sua actualidade e deixam de motivar o eleitorado... quando os cidadãos precisam de se sentir mais próximos do exercício do poder é preciso responder-lhes de forma assertiva, criando mecanismos que viabilizem essa aproximação - o que nem sempre acontece em função de investimentos financeiros... Há soluções viáveis de aproximação da governação aos eleitores e formas eficazes de promover a participação cívica das pessoas... aguardam-se conteúdos para dar forma a esta ideia que, esperemos!, não seja liminarmente rejeitada por "miopias" partidárias... afinal, sabemos que tudo o que passa na cabeça dos homens, pode ser discutido com dignidade!... e, quando a sociedade emite sinais que prenunciam tempos difíceis (leiam-se a este propósito 3 textos que José Manuel Dias no Cogir e João Rodrigues no Ladrões de Bicicletas publicaram ainda há pouco), são necessárias plataformas de entendimento... para se recriar a Cidade!