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terça-feira, 14 de abril de 2015

Ecos de Galeano...


"O código moral do fim do milénio não nos condenou à injustiça mas, ao fracasso."

"Dos medos nascem as coragens. Os sonhos anunciam outra realidade possível, e os delírios, outra razão. Somos o que fazemos para transformar o que somos. A identidade não é uma peça de museu, quietinha na vitrine, mas sempre assombrosa síntese das contradições nossas de cada dia."

"Hay un único lugar donde ayer y hoy se encuentran y se reconocen y se abrazan. Ese lugar es mañana"

EDUARDO GALEANO

 

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Do Medo e da Libertação...

... Eduardo Galeano, sem medo... em nome da Vida incendiada de esperança, para além de todas as ameaças...

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Do Pensar como Coragem da Desesperança e da Transformação...

O princípio é simples e muitíssimo bem explicado por imagens, alegorias e representações: o pensamento, enquanto força motriz, é, antes de mais, "coragem da desesperança" e esta sua dimensão constitui-se como alavanca decisiva para concretizar a mudança. Quem o diz é Giorgio Agamben, o filósofo contemporâneo que deu uma entrevista rara e extraordinária no que respeita à natureza do exercício do pensar... porque é preciso transformar! (Ler Aqui)

quinta-feira, 10 de abril de 2014

O Inoportunismo - de Manuel Alegre...

A escrita de Manuel Alegre revela, na íntegra da essência de cada texto, pensamentos e mensagens que se constituem como as mais raras manifestações de lucidez e desassombro a que a mediocridade política dos dias nos permite aceder... Para quem não chegou a ler, partilho o que escreveu, no passado mês de Março, no DN:
 
"O inoportunismo
 
Antigamente nunca era oportuno. Quem discordasse do governo era comunista. Quem se opusesse à guerra colonial era traidor à Pátria. Quem, no exílio, criticasse o regime e defendesse a liberdade era acusado de calcar a bandeira nacional. Eis que ressurgiu uma linguagem que parece vinda do passado. Começou com Paulo Rangel. Desde que emagreceu, perdeu o ar de intelectual bonacheirão e tornou-se agressivo.
Primeiro no Congresso do PSD, onde apresentou como programa para as europeias um ataque descabelado ao PS a quem acusou de estar isolado por não seguir a capitulação de alguns congéneres europeus perante a via única da política de austeridade e de submissão ao neoliberalismo. Ora isso não é fraqueza, pode até ser força do PS e de Seguro, desde que resistam à tentação de ser iguais aos outros.
Depois foi o destempero do ataque às declarações feitas por Seguro em Londres. Quem é contra a linha fundamentalista do governo é contra o interesse nacional. Pouco faltou para dizer que Seguro tinha calcado a bandeira.
Entretanto apareceu o documento dos 70, em boa hora. Estou-lhes grato como português. Mudaram o debate e vieram demonstrar que o consenso entre pessoas de quadrantes diferentes é possível, desde que não seja para condenar o país ao empobrecimento e à sujeição, mas para procurar soluções que permitam pagar a dívida sem sacrificar duas ou três gerações, que foi a única conclusão possível de retirar do prefácio do último “Roteiros” do Presidente da República.
Lá vem o coro: não é oportuno. Desde o Primeiro Ministro, passando pelos porta-vozes na comunicação social até ao Presidente da República, que, desta vez, não hesitou, exonerando no mesmo dia os dois assessores que tiveram a coragem de assinar o documento. Mas não era oportuno. Nunca é oportuno ser livre nem pôr em causa o pensamento único e a subserviência perante essa nova forma de totalitarismo que é a ditadura dos mercados.
Procurar outra via que não a de conduzir a um protectorado não é oportuno. Não é oportuno resistir a este novo “ansschluss” económico, que não precisa de tropas porque as suas armas são as dos governos que se submetem. Setenta portugueses a quem presto homenagem recusaram-se a ser colaboracionistas. Puseram o essencial, o país, acima do económico. Mas não era oportuno. Nunca é. Quarenta anos depois do 25 de Abril voltámos ao reino do inoportunismo. Que é, como se sabe, uma ideologia do poder. Ideologia dos fracos, dos cobardes, dos submissos e dos oportunistas."
 
(Artigo de Manuel Alegre no DN em 14-03-2014)

quarta-feira, 9 de abril de 2014

"País de Abril" de Manuel Alegre - Quartel do Carmo

Hoje, pelas 18.30h, no extraordinariamente simbólico espaço do Quartel do Carmo, em Lisboa, Manuel Alegre vai lançar a sua Antologia "Pais de Abril". Em tempo de celebração do 40º aniversário da Revolução do 25 de Abril de 1974,  numa altura em que os ideários políticos se encontram condicionados, pelo pensamento único ditado pelas lógicas corporativas partidárias e em que, o contexto económico e financeiro determina a limitação social dos direitos humanos e dos trabalhadores ao ponto da condição de "desempregados" e "pobres" se tornar uma espécie de condição "natural", a iniciativa é, seguramente!, um grito de alerta em defesa dos Direitos Humanos - nomeadamente, do direito ao trabalho, à saúde, à educação, à segurança social e às condições de vida digna - de que a inexistência do direito à autodeterminação política e económica nos priva, tolhendo-nos a liberdade de decisão e condicionando, de forma intencional, manipulatória, injusta e cruel, a existência e o pensamento. Ao Quartel do Carmo, pela memória e a esperança sempre viva de um "País de Abril"!  

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Do Encerramento das BELAS-ARTES....

"1. Foi a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa surpreendida com uma notícia da comunicação social onde o Exmo. Secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, anuncia a assinatura do protocolo com vista ao alargamento do espaço do Museu do Chiado.
2. Este alargamento é feito às custas de espaços devolutos no edifício do Convento de São Francisco, e onde se encontra a Faculdade de Belas-Artes desta Universidade.
3. Estes espaços foram há pouco tempo deixados devolutos pelo Ministério da Administração Interna (Governo Civil e PSP).
4. A Universidade de Lisboa, e a Faculdade de Belas-Artes, têm estado envolvidas nas negociações para partilha Museu+FBAUL+CML, com vista a um protocolo que se encontrava em negociação e preparação.
5. Sem mais aviso, foi a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa surpreendida com o anúncio da assinatura da cedência de espaços apenas ao Museu do Chiado.
6. Esta assinatura à revelia reveste-se de gravidade, pois consubstancia uma deslealdade entre as restantes partes interessadas.
7. O Exmo Secretário de Estado da Cultura parece ter ultrapassado o Exmo Ministro da Educação, que tutela a Universidade de Lisboa, bem como todo o histórico do processo, para além das regras de boa-fé entre os intervenientes.
Perante tais factos, o Diretor da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa solicita a anulação do protocolo em causa, e esclarecimentos a nível do Governo de Portugal.
Como forma de assinalar a indignação está encerrada a Faculdade de Belas-Artes com efeito a partir das 8h00 de 6 de fevereiro.
O Diretor da Faculdade de Belas-Artes
Professor Doutor Luís Jorge Gonçalves"

domingo, 19 de janeiro de 2014

Da Palavra como Expressão...

"Sem dúvida, somente uma palavra em que a pura prosa da filosofia interviesse num certo momento para quebrar o verso da palavra poética, e em que o verso do poema chegasse inesperadamente para flectir a prosa da filosofia, seria a verdadeira palavra humana."

Giorgio Agamben, "Le Langage et la Mort. Un séminaire sur le lieu de la négativité", Paris, Christian Bourgois Éditeur, 1997 [ed. it. de 1982], p. 140.
(citação via Vitor Oliveira Jorge)

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Premonições de Natália Correia...

O texto, composto de citações, chegou através da lucidez inteligente, incisiva e atenta de Filipe Benjamin - a quem aproveito para agradecer... fica a partilha:
 

"A nossa entrada (na CEE) vai provocar gravíssimos retrocessos no país, a Europa não é solidária com ninguém, explorar-nos-á miseravelmente como grande agiota que nunca deixou de ser. A sua vocação é ser colonialista".

"A sua influência (dos retornados) na sociedade portuguesa não vai sentir-se apenas agora, embora seja imensa. Vai dar-se sobretudo quando os seus filhos, hoje crianças, crescerem e tomarem o poder. Essa será uma geração bem preparada e determinada, sobretudo muito realista devido ao trauma da descolonização, que não compreendeu nem aceitou, nem esqueceu. Os genes de África estão nela para sempre, dando-lhe visões do país diferentes das nossas. Mais largas mas menos profundas. Isso levará os que desempenharem cargos de responsabilidade a cair na tentação de querer modificar-nos, por pulsões inconscientes de, sei lá, talvez vingança!"

"Portugal vai entrar num tempo de subcultura, de retrocesso cultural, como toda a Europa, todo o Ocidente".

"Mais de oitenta por cento do que fazemos não serve para nada. E ainda querem que trabalhemos mais. Para quê? Além disso, a produtividade hoje não depende já do esforço humano, mas da sofisticação tecnológica".
"Os neoliberais vão tentar destruir os sistemas sociais existentes, sobretudo os dirigidos aos idosos. Só me espanta que perante esta realidade ainda haja pessoas a pôr gente neste desgraçado mundo e votos neste reaccionário centrão".
"Há a cultura, a fé, o amor, a solidariedade. Que será, porém, de Portugal quando deixar de ter dirigentes que acreditem nestes valores?"
"As primeiras décadas do próximo milénio serão terríveis.
Miséria, fome, corrupção, desemprego, violência, abater-se-ão aqui por muito tempo. A Comunidade Europeia vai ser um logro. O Serviço Nacional de Saúde, a maior conquista do 25 de Abril, e Estado Social e a independência nacional sofrerão gravíssimas rupturas. Abandonados, os idosos vão definhar, morrer, por falta de assistência e de comida. Espoliada, a classe média declinará, só haverá muito ricos e muito pobres.

A indiferença que se observa ante, por exemplo, o desmoronar das cidades e o incêndio das florestas é uma antecipação disso, de outras derrocadas a vir".

Natália Correia

Fajã de Baixo, São Miguel, 13 de Setembro de 1923 — Lisboa, 16 de Março de 1993

(Todas as citações foram retiradas do livro "O Botequim da Liberdade", de Fernando Dacosta).
 

sexta-feira, 19 de abril de 2013

domingo, 6 de maio de 2012

Das eleições e da mudança - França e Grécia


Daqui a umas horas saberemos o resultado das eleições que decorrem este domingo, em França e na Grécia... A Europa ou, pelo menos, uma parte dos cidadãos europeus, aguarda estes resultados com a expectativa de que possam significar mudanças políticas nacionais e comunitárias, capazes de inverter a degradação económica e social em que estamos, todos, envolvidos... e enquanto os eleitores definem o que daqui a pouco será uma realidade, vale a pena pensar na composição deste mosaico que é a União Europeia dominada pela lógica do poder financeiro alemão que todos os governos têm seguido acriticamente e lembrar esta outra metade mais a sul e o protagonismo que deve merecer a uma construção europeia coesa, coerente e solidária... para o efeito, deixem que cite, quase livremente, Predag Matvejevitch: "(...) O Mediterrâneo não é apenas uma geografia. (...) A Europa nasceu no Mediterrâneo. (...) O Mediterrâneo não é apenas uma história. (...) As culturas do Mediterrâneo não são unicamente culturas nacionais. (...) O Mediterrâneo e o seu discurso são inseparáveis. (...) No Mediterrâneo o Renascimento não conseguiu em toda a parte ultrapassar a Idade Média. As aparências do Mediterrâneo têm também o seu papel a desempenhar. O sol que sobre ele se ergue e profusamente o ilumina parece estar no céu só por causa dele e só a ele pertencer. (...) A influência dos raios solares dá lugar a certos fenómenos psicológicos, efémeros ou persistentes. A vastidão e a limpidez dos céus suscitam acaso estados místicos e despertam o temor do além. O Mediterrâneo erigiu monumentos à fé e à superstição, à grandeza e à vaidade. (...) No Mediterrâneo o corpo envelhece mais depressa que o espírito. (...) O Mediterrâneo é um coleccionador apaixonado. (...) Falou-se, mais que com razão, dos lados que unem correntes e destinos em todo o Mediterrâneo. (...) a poética da modéstia ainda está para nascer no Mediterrâneo. (...) O Mediterrâneo é uma tentação constante, um mar terrestre. (...) Não é o clima o único responsável: no Mediterrâneo os próprios milagres são diversos. (...) Nem todas as nações do Mediterrâneo conseguiram tornar-se mediterrânicas. (...)" (in "Breviário Mediterrânico") ...     

domingo, 29 de abril de 2012

Miguel Portas... um olhar mediterrânico...

O Mediterrâneo somos nós... a luz do céu, o brilho do sol e a azul atmosfera ardente e fria que nos envolve e em que nos envolvemos, quer de noite, quer de dia, com as diferenças a aproximar-nos mais do que aparentam as formas irrequietas e inquietantes que nos traz o deslizar, silencioso e rápido, do passar das horas com que se veio construindo o muro que nos distrai da essência do que sentimos e queremos ou partilhamos... e enquanto pela História avança o sentido dos sinais que nos distinguem, uma quietude mansa cresce por dentro de cada um, assumindo no todo colectivo, clandestinamente, um consciente desejo de paz que se não vê mas se deseja... até, sem se saber como, ser alcançado pela capacidade de ultrapassagem deste tempo  sem idade e já sem donos...

quinta-feira, 26 de abril de 2012

"Fernando Pessoa - Uma Quase Auto-biografia"...

... hoje, na Casa Fernando Pessoa, José Paulo Cavalcanti Filho apresentou o seu livro "Fernando Pessoa, Quase uma Autobiografia", testemunho inequívoco do mérito da etno-literatura e da etno-psicanálise... José Paulo Cavalcanti Filho trabalhou na investigação agora publicada pela Porto Editora, durante 8 anos... e por ela recebeu o Prémio da Academia das Ciências do Brasil. Justamente!... porque é inédita a leitura que aqui nos apresenta e pela qual realiza a desconstrução de um mito, para que, enfim!, se assuma a grandeza da condição humana, mais humilde e mais fantástica do que o pode supor toda a ficção... e eu que, regra geral!, nem sequer gosto de ler comentadores, comovi-me pelo contributo que o século XXI agradece a Cavalcanti -autor que teve, além do mais, a pedagógica gentileza de oferecer 600 exemplares às escolas e bibliotecas portuguesas!

domingo, 25 de março de 2012

Da Transversalidade Essencial da Cultura...


... a Cultura será sempre o maior aliado da nossa humana condição de seres viventes em sociedades cada vez mais complexas... por isso, não há idade para que a Cultura se torne o alimento do que nos faz o Ser e o Crescer... fica aqui, a fazer-nos lembrar essa série fantástica que as televisões em boa hora transmitiram "Era uma Vez o Homem..."... desta vez, num exercício criativo intitulado "O Fogo Mágico" que ilustra a vida num castro mais de uma centena de anos antes de Cristo...

quinta-feira, 8 de março de 2012

Elas...


“Elas fizeram greves de braços caídos.
Elas brigaram em casa para ir ao sindicato e à junta.
Elas gritaram à vizinha que era fascista.
Elas souberam dizer salário igual e creches e cantinas.
Elas vieram para a rua de encarnado.
... Elas foram pedir para ali uma estrada de alcatrão e canos de água.
Elas gritaram muito.
Elas encheram as ruas de cravos.
Elas disseram à mãe e à sogra que isso era dantes.
Elas trouxeram alento e sopa aos quartéis e à rua.
Elas foram para as portas de armas com os filhos ao colo.
Elas ouviram falar de uma grande mudança que ia entrar pelas casas.
Elas choraram no cais agarradas aos filhos que vinham da guerra.
Elas choraram de verem o pai a guerrear com o filho.
Elas tiveram medo e foram e não foram.
Elas aprenderam a mexer nos livros de contas e nas alfaias das herdades abandonadas.
Elas dobraram em quatro um papel que levava dentro uma cruzinha laboriosa.
Elas sentaram-se a falar à roda de uma mesa a ver como podia ser sem os patrões.
Elas levantaram o braço nas grandes assembleias.
Elas costuraram bandeiras e bordaram a fio amarelo pequenas foices e martelos.
Elas disseram à mãe, segure-me aí os cachopos, senhora, que a gente vai de camioneta a Lisboa dizer-lhes como é.
Elas vieram dos arrebaldes com o fogão à cabeça ocupar uma parte de casa fechada.
Elas estenderam roupa a cantar, com as armas que temos na mão.
Elas diziam tu às pessoas com estudos e aos outros homens.
Elas iam e não sabiam para onde, mas que iam.
Elas acendem o lume.
Elas cortam o pão e aquecem o café esfriado.
São elas que acordam pela manhã as bestas, os homens e as crianças adormecidas. “
Maria Velho da Costa (1976)

(via Joaninha Duarte no Facebook)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Do "Acordo" (?) Ortográfico...

... Pronuncio-me hoje, sobre o dito Acordo Ortográfico, para dizer: Não!... e se ainda o não fizera, foi apenas por razões que se prendem com o escrupuloso cuidado que é devido a tais matérias... Porém, acabei por assinar a iniciativa que o rejeita (aqui)!... Pela falta de rigor com que foram definidas as alterações (apesar dos forçados argumentos linguísticos!) em que se baseia e por não respeitar a evolução cultural das línguas!... de certo modo, perdoem-me o desabafo!, mais parece um exercício resultante de uma pretensa "modernidade"... sem "claridade" ou função social (utilidade - se o preferirem!) que o justifique.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

"O Cemitério de Praga"...

Acabei de ler "O Cemitério de Praga" de Umberto Eco. As minhas desculpas aos "aficcionados" de "O Nome da Rosa" e sem qualquer menosprezo por uma obra genial como o foi a publicação deste grande romance do historiador e filósofo italiano que deu à estampa uma narrativa ficcionada com o objectivo explícito de ajudar a desmistificar a Idade Média e, de certo modo, os meandros "ocultos" da Igreja Católica... mas, "O Cemitério de Praga" é uma obra ousada, actual e pertinentissima para se compreender o processo das interacções histórico-culturais ecléticas que justificam a travessia europeia do século XX e, de certo modo, o nosso século XXI. Nesta obra, Umberto Eco situa-nos no século XIX onde, entre jesuítas, maçons, o esoterismo, a emergência de ciências como a psicanálise e a grande discussão, à época, sobre os judeus, se edificaram as raízes do que  sustentou o inconsciente colectivo europeu em que se alicerçou o nacional-socialismo de Hitler. Não é um livro fácil... e, às vezes (muitas vezes!), é um livro (quase) odioso... mas, acreditem!, é, indubitavelmente!, um livro interessantissimo e diria mesmo, essencial!, para o entendimento contemporâneo. Vale a pena ler.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Da Verdade - entre o Sentido e o Significado...

"Pede-se a uma criança: Desenha uma flor! Dá-se-lhe papel e lápis. A criança vai sentar-se no outro canto da sala onde não há mais ninguém. Passado algum tempo o papel está cheio de linhas. Umas numa direcção, outras noutras; umas mais carregadas, outras mais leves; umas mais fáceis, outras mais custosas.
A criança quis tanta força em certas linhas que o papel quase não resistiu. Outras eram tão delicadas que apenas o peso do lápis já era demais. Depois a criança vem mostrar essas linhas às pessoas: Uma flor! As pessoas não acham parecidas estas linhas com as de uma flor! Contudo a palavra flor andou por dentro da criança, da cabeça para o coração e do coração para a cabeça, à procura das linhas com que se faz uma flor, e a criança pôs no papel algumas dessas linhas, ou todas. Talvez as tivesse posto fora dos seus lugares, mas, são aquelas as linhas com que Deus faz uma flor!"
(Texto: Almada Negreiros;
Imagem: Wassily Kandinsky)

Da Dignidade... na Poesia...

"Para ser grande, sê inteiro

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive"

                                                  (Ricardo Reis)