É interessante verificar o ataque "cego" à opção do Syriza em se aliar com os independentistas gregos. Sendo certo que não conheço Alexis Tsipras nem sequer a densidade ideológica do Syriza, a verdade é que dou a A.Tsipras o benefício da dúvida... e penso que a condenação "a priori" da sua aliança política para garantir uma maioria na governação da Grécia, resulta de um "parti pris" cujos resultados conduziram, até agora!, às calamitosas incapacidades de gestão e de salvaguarda das soberanias e das economias nacionais que põem em causa o regime democrático... Vale a pena perguntar se, por acaso!, já alguém colocou a hipótese da decisão de Tsipras ser uma estratégia inteligente que garante a viabilidade do governo que se propôs em campanha eleitoral? É que, de facto, uma aliança com alegados nacionalistas, reduz a margem de apoio popular à extrema-direita e alarga o apoio político parlamentar e dos cidadãos que querem emancipar a gestão do seu país das teias da dependência internacional!... Por isso, o mínimo que é exigível à pretensa esquerda portuguesa que "corre" a condenar a opção do Syriza, subscrevendo o incapaz "stablishment" que tão bem conhecemos!, é dar ao novo governo grego o benefício da dúvida. De qualquer forma, o cumprimento das promessas eleitorais, a escassíssimos dias das eleições legislativas!, aí está, já!, sob a forma de legislação pronta a ser usufruída pelo povo -que é, afinal, a razão de ser, primeira e última!, de todo o Estado e de toda a política: aumento do salário mínimo, suspensão das privatizações e eletricidade gratuita para os mais carenciados!... Será a raiva que o Syriza suscita uma reação de "velhos do Restelo"? ... Será que o Syriza vai provar que a mudança é possível?... Esperemos, sinceramente!, que o "governo de salvação nacional" que Tsipras protagoniza tenha sucesso e que, objetivamente!, a Europa comece a mudar!
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
domingo, 25 de janeiro de 2015
Da Grécia à UE - A Responsabilidade do Syriza
Hoje, na Grécia, podem votar 9 milhões de pessoas. O Syriza ocupa o primeiro lugar nas sondagens, a 6 pontos do segundo partido com maior taxa de intenção de votos. Considerado radical, o partido liderado por Alexis Tsipras, pode representar, para toda a Europa, o reacender da esperança. Hoje, Somos Todos Gregos e todos, pelo menos, em Portugal e em Espanha, gostaríamos de aí poder votar porque é incontornável e generalizada, a vontade extrema de mudança face à já insuportável política de austeridade que, sob o comando internacional do FMI, da troika e da política europeia, tem vindo, progressivamente e sem dar tréguas, a sufocar as economias em nome da extorsão de receitas cujo único objetivo é estancar a subida, imparável!, dos juros da famigerada "dívida", liquidando postos de trabalho e direitos fundamentais dos cidadãos: do emprego à saúde e da educação à habitação (para além da apropriação das casas pelos bancos, face à incapacidade das pessoas pagarem empréstimos contraídos em tempos em que tal dificuldade se não colocava, dada a existência de emprego, registe-se, por exemplo, que, na Grécia, 10% das famílias vive já sem eletricidade por ausência de capacidade financeira para pagar os consumos). Ao caos social europeu a que se somam os problemas de segurança acumulados pela dimensão da imigração, designadamente, magrebina, africana e do leste, bem como as péssimas condições de vida em que sobrevivem nos "países de chegada" (dando consistência à lógica de reprodução da pobreza) e o risco de sedução da violência e do extremismo que, face à desigualdade de oportunidades, se exerce sobre os jovens levando a que integrem e protagonizem actos atentatórios dos direitos e da vida das pessoas, a União Europeia e, em particular, os países da Europa do Sul deixaram de dar resposta! - preocupados apenas com os números de que se alimentam os organismos financeiros internacionais de anónimos rostos movidos por insaciáveis interesses accionistas e apesar do custo social que daí decorre, materializado em milhões de pessoas a viver sem trabalho e sem horizontes de esperança! Faz, por isso, todo o sentido, o aparecimento do discurso político do Syriza e, em Espanha, do Podemos, que, finalmente, emergem, anunciando a defesa de posturas políticas diferentes, valorizadoras da vida dos cidadãos e de economias sustentadas, orientadas para a produtividade e a distribuição social da riqueza, com o objetivo de devolver aos cidadãos os direitos que lhes foram usurpados e as condições de vida dignas que a suposta Europa Social garantiria. Da capacidade e competência de levar a cabo tais objetivos, no contexto das forças dominantes antagónicas que reeditaram, de forma incontestável, a luta de classes, falarão os tempos mais próximos. Hoje, os olhos estão postos na Grécia e a responsabilidade social do Syriza é, não só, nacional mas, europeia. Do seu sucesso depende, de certa forma, o nosso futuro! Por isso, hoje, mais uma vez: Somos Todos Gregos!
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
Do Programa Económico do PODEMOS...
Transcrevo:
"A maioria dos portugueses despertou pela primeira vez para as mudanças da realidade politica em Espanha no passado fim-de-semana, quando o Podemos apareceu pela primeira vez nas intenções de votos à frente de PSOE e do PP. Conheça o que defende o movimento de Pablo Iglésias para as áreas económicas.
Redução da jornada de trabalho para 35 horas, diminuição da idade de reforma ou a criação de uma agência de “rating” europeias são algumas das políticas que o Podemos tem no seu programa, disponível na internet. Os gestores ouvidos pela Renascença dizem que uma coisa são as propostas que estão no papel de um programa e outra as medidas que a realidade obriga a escrever. Ainda assim, aqui fica para memória futura.
1. Programa de investimentos e políticas públicas para a recuperação económica, a criação de emprego. A reconversão do modelo produtivo que crie uma economia baseada na inovação e contribua para o bem comum tendo em conta os critérios de responsabilidade social, ética e ambiental.
2. Promoção do protagonismo das pequenas e médias empresas na criação de emprego, dando importância ao papel das instituições da economia social. Uma política de contratação pública favorável às pequenas e médias empresas que inclua cláusulas sociais na adjudicação dos contractos.
3. Redução da jornada de trabalho para as 35 horas semanais e diminuição da idade de reforma para os 60 anos.
4. Proibição dos despedimentos em empresas com benefícios fiscais
5. Auditoria dos cidadãos à dívida. Perceber quais as partes ilegítimas e interpor processos. Reestruturar o restante montante.
6. Conversão do BCE numa "instituição democrática" para o desenvolvimento económico dos países. Criação de mecanismos de controlo democrático, através dos parlamentos nacionais. Modificação dos estatutos desta instituição com a incorporação de objectivos prioritários que passem pela criação de emprego, prevenção de ataques especulativos e de apoio ao funcionamento públicos dos estados, através da compra de dívida nos mercados primários.
7. Criação de uma agência europeia de “rating” que substitua as três que agora determinam a política económica da UE. O Podemos quer que esta instituição funcione longe dos interesses das empresas privadas.
8. Sistema financeiro deve-se reorientar para consolidação de uma banca ao serviço dos cidadãos, com a democratização das caixas de aforro e dos bancos. Ampliação das competências do Banco de Fomento no apoio às PME. E proibição de instrumentos financeiros propícios à especulação como os fundos abutres.
9. Nacionalização de sectores estratégicos da economia. Recuperação do controlo público de sectores estratégicos como as telecomunicações, a energia, a alimentação, o transporte, a saúde, e a educação para que a população acesso universal a estes serviços. Limitar as privatizações de empresas reconhecendo o poder patrimonial que os contribuintes têm sobre as empresas públicas, portanto todas as privatizações devem estar sujeitas a um referendo.
10. Intercâmbio de informação fiscal entre as administrações tributárias europeias com sanções para quem não cumpra.
11. Obrigatoriedade de todas as multinacionais e as filiais apresentarem contas em termos globais e divididas por países. Estabelecimento de um novo modelo para evitar a dupla tributação e prevenir a fraude fiscal. Tipificar o delito fiscal a partir dos 50 mil euros e aumentar os meios de combate à evasão fiscal. Endurecimento das sanções por este delito, penalizando as entidades financeiras que ofereçam produtos que facilitem a evasão fiscal.
12. Impostos às grandes fortunas e fiscalidade progressiva sobre os rendimentos. Política tributária justa e orientada para a distribuição de riqueza que sirva um novo modelo de desenvolvimento.
13. Direito a um rendimento mínimo para todos com um valor mínimo superior ao limiar da pobreza."
1. Programa de investimentos e políticas públicas para a recuperação económica, a criação de emprego. A reconversão do modelo produtivo que crie uma economia baseada na inovação e contribua para o bem comum tendo em conta os critérios de responsabilidade social, ética e ambiental.
2. Promoção do protagonismo das pequenas e médias empresas na criação de emprego, dando importância ao papel das instituições da economia social. Uma política de contratação pública favorável às pequenas e médias empresas que inclua cláusulas sociais na adjudicação dos contractos.
3. Redução da jornada de trabalho para as 35 horas semanais e diminuição da idade de reforma para os 60 anos.
4. Proibição dos despedimentos em empresas com benefícios fiscais
5. Auditoria dos cidadãos à dívida. Perceber quais as partes ilegítimas e interpor processos. Reestruturar o restante montante.
6. Conversão do BCE numa "instituição democrática" para o desenvolvimento económico dos países. Criação de mecanismos de controlo democrático, através dos parlamentos nacionais. Modificação dos estatutos desta instituição com a incorporação de objectivos prioritários que passem pela criação de emprego, prevenção de ataques especulativos e de apoio ao funcionamento públicos dos estados, através da compra de dívida nos mercados primários.
7. Criação de uma agência europeia de “rating” que substitua as três que agora determinam a política económica da UE. O Podemos quer que esta instituição funcione longe dos interesses das empresas privadas.
8. Sistema financeiro deve-se reorientar para consolidação de uma banca ao serviço dos cidadãos, com a democratização das caixas de aforro e dos bancos. Ampliação das competências do Banco de Fomento no apoio às PME. E proibição de instrumentos financeiros propícios à especulação como os fundos abutres.
9. Nacionalização de sectores estratégicos da economia. Recuperação do controlo público de sectores estratégicos como as telecomunicações, a energia, a alimentação, o transporte, a saúde, e a educação para que a população acesso universal a estes serviços. Limitar as privatizações de empresas reconhecendo o poder patrimonial que os contribuintes têm sobre as empresas públicas, portanto todas as privatizações devem estar sujeitas a um referendo.
10. Intercâmbio de informação fiscal entre as administrações tributárias europeias com sanções para quem não cumpra.
11. Obrigatoriedade de todas as multinacionais e as filiais apresentarem contas em termos globais e divididas por países. Estabelecimento de um novo modelo para evitar a dupla tributação e prevenir a fraude fiscal. Tipificar o delito fiscal a partir dos 50 mil euros e aumentar os meios de combate à evasão fiscal. Endurecimento das sanções por este delito, penalizando as entidades financeiras que ofereçam produtos que facilitem a evasão fiscal.
12. Impostos às grandes fortunas e fiscalidade progressiva sobre os rendimentos. Política tributária justa e orientada para a distribuição de riqueza que sirva um novo modelo de desenvolvimento.
13. Direito a um rendimento mínimo para todos com um valor mínimo superior ao limiar da pobreza."
(fonte: Rádio Renascença - excertos do texto de 07-11-2014 assinado por João Carlos Malta
via Renato Teixeira no Facebook)
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
Da Crise e das "Ajudas" a Portugal e à Grécia como Resgastes de Bancos Alemães
A notícia, chocante!, decorre da entrevista que, Philippe Legrain concedeu a propósito do lançamento do seu livro European Spring: Why our Economies and Politics are in a mess (ou seja: "A Primavera Europeia: Porque estão uma confusão as nossas Economia e Políticas"). Philippe Legrain foi conselheiro de Durão Barroso, enquanto Presidente da Comissão Europeia e regista, sem dissimulações ou equívocos, a natureza da estratégia das chamadas "ajudas" a Portugal e à Grécia que nos conduziram à pobreza, à inércia e à dependência em que hoje se encontram os países do sul europeu. Publicada no jornal Público, a notícia que aqui transcrevo pode ser lida aqui:
"Philippe Legrain, foi conselheiro económico independente de Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, entre Fevereiro de 2011 e Fevereiro deste ano, o que lhe permitiu acompanhar por dentro o essencial da gestão da crise do euro. A sua opinião, muito crítica, do que foi feito pelos líderes do euro, está expressa no livro que acabou de publicar “European Spring: Why our Economies and Politics are in a mess”.
A tese do seu livro é que a gestão da crise da dívida, ou crise do euro, foi totalmente inepta, errada e irresponsável, e que todas as consequências económicas e sociais poderiam ter sido evitadas. Porque é que as coisas se passaram assim? O que é que aconteceu?Uma grande parte da explicação é que o sector bancário dominou os governos de todos os países e as instituições da zona euro. Foi por isso que, quando a crise financeira rebentou, foram todos a correr salvar os bancos, com consequências muito severas para as finanças públicas e sem resolver os problemas do sector bancário. O problema tornou-se europeu quando surgiram os problemas da dívida pública da Grécia. O que teria sido sensato fazer na altura – e que era dito em privado por muita gente no FMI e que este acabou por dizer publicamente no ano passado – era uma reestruturação da dívida grega. Como o Tratado da União Europeia (UE) tem uma regra de “no bailout” [proibição de assunção da dívida dos países do euro pelos parceiros] – que é a base sobre a qual o euro foi criado e que deveria ter sido respeitada – o problema da Grécia deveria ter sido resolvido pelo FMI, que teria colocado o país em incumprimento, (default), reestruturado a dívida e emprestado dinheiro para poder entrar nos carris. É o que se faz com qualquer país em qualquer sítio. Mas não foi o que foi feito, em parte em resultado de arrogância – e um discurso do tipo ‘somos a Europa, somos diferentes, não queremos o FMI a interferir nos nossos assuntos’ – mas sobretudo por causa do poder político dos bancos franceses e alemães. É preciso lembrar que na altura havia três franceses na liderança do Banco Central Europeu (BCE) – Jean-Claude Trichet – do FMI – Dominique Strauss-Kahn – e de França – Nicolas Sarkozy. Estes três franceses quiseram limitar as perdas dos bancos franceses. E Angela Merkel, que estava inicialmente muito relutante em quebrar a regra do “no bailout”, acabou por se deixar convencer por causa do lobby dos bancos alemães e da persuasão dos três franceses. Foi isto que provocou a crise do euro.
Porque a decisão de emprestar dinheiro a uma Grécia insolvente transformou de repente os maus empréstimos privados dos bancos em obrigações entre Governos. Ou seja, o que começou por ser uma crise bancária que deveria ter unido a Europa nos esforços para limitar os bancos, acabou por se transformar numa crise da dívida que dividiu a Europa entre países credores e países devedores. E em que as instituições europeias funcionaram como instrumentos para os credores imporem a sua vontade aos devedores. Podemos vê-lo claramente em Portugal: a troika (de credores da zona euro e FMI) que desempenhou um papel quase colonial, imperial, e sem qualquer controlo democrático, não agiu no interesse europeu mas, de facto, no interesse dos credores de Portugal. E pior que tudo, impondo as políticas erradas. Já é mau demais ter-se um patrão imperial porque não tem base democrática, mas é pior ainda quando este patrão lhe impõe o caminho errado. Isso tornou-se claro quando em vez de enfrentarem os problemas do sector bancário, a Europa entrou numa corrida à austeridade colectiva que provocou recessões desnecessariamente longas e tão severas que agravaram a situação das finanças públicas. Foi claramente o que aconteceu em Portugal. As pessoas elogiam muito o sucesso do programa português, mas basta olhar para as previsões iniciais para a dívida pública e ver a situação da dívida agora para se perceber que não é, de modo algum, um programa bem sucedido. Portugal está mais endividado que antes por causa do programa, e a dívida privada não caiu. Portugal está mesmo em pior estado do que estava no início do programa.
Quando diz que os Governos e instituições estavam dominados pelos bancos quer dizer o quê?
Quero dizer que os Governos puseram os interesses dos bancos à frente dos interesses dos cidadãos. Por várias razões. Em alguns casos, porque os Governos identificam os bancos como campeões nacionais bons para os países. Em outros casos tem a ver com ligações financeiras. Muitos políticos seniores ou trabalharam para bancos antes, ou esperam trabalhar para bancos depois. Há uma relação quase corrupta entre bancos e políticos. No meu livro defendo que quando uma pessoa tem a tutela de uma instituição, não pode ser autorizada a trabalhar para ela depois.
Quero dizer que os Governos puseram os interesses dos bancos à frente dos interesses dos cidadãos. Por várias razões. Em alguns casos, porque os Governos identificam os bancos como campeões nacionais bons para os países. Em outros casos tem a ver com ligações financeiras. Muitos políticos seniores ou trabalharam para bancos antes, ou esperam trabalhar para bancos depois. Há uma relação quase corrupta entre bancos e políticos. No meu livro defendo que quando uma pessoa tem a tutela de uma instituição, não pode ser autorizada a trabalhar para ela depois.
Também diz no seu livro que quando foi conselheiro de Durão Barroso, o avisou claramente logo no início sobre o que deveria ser feito, ou seja, limpar os balanços dos bancos e reestruturar a dívida grega. O que é que aconteceu? Ele não percebeu o que estava em causa, ou percebeu mas não quis enfrentar a Alemanha e a França?
Sublinho que isto não tem nada de pessoal. O presidente Barroso teve a abertura de espírito suficiente para perceber que os altos funcionários da Comissão estavam a propôr receitas erradas. Não conseguiram prever a crise e revelaram-se incapazes de a resolver. Ele viu-me na televisão, leu o meu livro anterior (*) e pediu-me para trabalhar para ele como conselheiro para lhe dar uma perspectiva alternativa. O que foi corajoso, e a mim deu-me uma oportunidade de tentar fazer a diferença. Infelizmente, apesar de termos tido muitas e boas conversas em privado, os meus conselhos não foram seguidos.
Sublinho que isto não tem nada de pessoal. O presidente Barroso teve a abertura de espírito suficiente para perceber que os altos funcionários da Comissão estavam a propôr receitas erradas. Não conseguiram prever a crise e revelaram-se incapazes de a resolver. Ele viu-me na televisão, leu o meu livro anterior (*) e pediu-me para trabalhar para ele como conselheiro para lhe dar uma perspectiva alternativa. O que foi corajoso, e a mim deu-me uma oportunidade de tentar fazer a diferença. Infelizmente, apesar de termos tido muitas e boas conversas em privado, os meus conselhos não foram seguidos.
Porquê? Será que a Comissão não percebeu? A Comissão tem a reputação de não ter nem o conhecimento nem a experiência para lidar com uma crise destas. Foi esse o problema?
Foram várias coisas. Claramente a Comissão e os seus altos funcionários não tinham a menor experiência para lidar com uma crise. Era uma anedota! O FMI é sempre encarado como a instituição mais detestada [da troika], mas quando foi juntamente com a Comissão à Irlanda, as pessoas do FMI foram mais apreciadas porque sabiam do que estavam a falar, enquanto as da Comissão não tinham a menor ideia. Por isso, uma das razões foi inexperiência completa e, pior, inexperiência agravada com arrogância. Em vez de dizerem “não sei como é que isto funciona, vou perguntar ao FMI ou ver o que aconteceu com as anteriores crises na Ásia ou na América Latina”, os funcionários europeus agiram como se pensassem “mesmo que não saiba nada, vou na mesma fingir que sei melhor”. Ou seja, foram incapazes e arrogantes. A segunda razão é institucional: não havia mecanismos para lidar com a crise e, por isso, a gestão processou-se necessariamente sobretudo através dos Governos. E o maior credor, a Alemanha, assumiu um ponto de vista particular. Claro que isto não absolve a Comissão, porque antes de mais, muitos responsáveis da Comissão, como Olli Rehn [responsável pelos assuntos económicos e financeiros], partilham a visão alemã. Depois, porque o papel da Comissão é representar o interesse europeu, e o interesse europeu deveria ter sido tentar gerar um consenso de tipo diferente, ou pelo menos suscitar algum tipo de debate. Ou seja, a Comissão poderia ter desempenhado um papel muito mais construtivo enquanto alternativa à linha única alemã. E, por fim, é que, embora seja politicamente fraca, a Comissão tem um grande poder institucional. Todas as burocracias gostam de ganhar poder. E neste caso, a Comissão recebeu poderes centralizados reforçados não apenas para esta crise, mas potencialmente para sempre, que lhe dão a possibilidade de obrigar os países a fazer coisas que não conseguiram impor antes. É por isso que parte da resposta é também uma tomada de poder."
(o conhecimento da notícia chegou via Senhor General José Loureiro dos Santos no Facebook)
Foram várias coisas. Claramente a Comissão e os seus altos funcionários não tinham a menor experiência para lidar com uma crise. Era uma anedota! O FMI é sempre encarado como a instituição mais detestada [da troika], mas quando foi juntamente com a Comissão à Irlanda, as pessoas do FMI foram mais apreciadas porque sabiam do que estavam a falar, enquanto as da Comissão não tinham a menor ideia. Por isso, uma das razões foi inexperiência completa e, pior, inexperiência agravada com arrogância. Em vez de dizerem “não sei como é que isto funciona, vou perguntar ao FMI ou ver o que aconteceu com as anteriores crises na Ásia ou na América Latina”, os funcionários europeus agiram como se pensassem “mesmo que não saiba nada, vou na mesma fingir que sei melhor”. Ou seja, foram incapazes e arrogantes. A segunda razão é institucional: não havia mecanismos para lidar com a crise e, por isso, a gestão processou-se necessariamente sobretudo através dos Governos. E o maior credor, a Alemanha, assumiu um ponto de vista particular. Claro que isto não absolve a Comissão, porque antes de mais, muitos responsáveis da Comissão, como Olli Rehn [responsável pelos assuntos económicos e financeiros], partilham a visão alemã. Depois, porque o papel da Comissão é representar o interesse europeu, e o interesse europeu deveria ter sido tentar gerar um consenso de tipo diferente, ou pelo menos suscitar algum tipo de debate. Ou seja, a Comissão poderia ter desempenhado um papel muito mais construtivo enquanto alternativa à linha única alemã. E, por fim, é que, embora seja politicamente fraca, a Comissão tem um grande poder institucional. Todas as burocracias gostam de ganhar poder. E neste caso, a Comissão recebeu poderes centralizados reforçados não apenas para esta crise, mas potencialmente para sempre, que lhe dão a possibilidade de obrigar os países a fazer coisas que não conseguiram impor antes. É por isso que parte da resposta é também uma tomada de poder."
(o conhecimento da notícia chegou via Senhor General José Loureiro dos Santos no Facebook)
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
Da Soberania Nacional à Globalização... em nome do Espírito Santo!
Ontem, na SIC Notícias, Martim Avilez afirmava, com a sobriedade possível a quem refere realidades como se de cenários hipotéticos se tratasse, que situações como as da OPA apresentada pelo grupo mexicano intitulado ANGELES, ao grupo Espírito Santo Saúde, poderiam, caso também se verificassem em setores estratégicos como a energia ou as telecomunicações, levar o país a situações complicadas porque poderiam "até" pôr em causa a soberania nacional. Considerando que Martim Avilez é um jornalista com vasta experiência (mais próximo de uma geração mais madura, culta e conhecedora dos códigos decisivos para a prática profissional de um bom desempenho nesta área, do que dos jovens estagiários mal pagos que pululam nas redações) que, além de nada dever à inteligência (a não ser, com a devida vénia!, o que decorre do seu uso estratégico e, consequentemente, cauteloso), costuma deter informação interessante de fontes fiáveis (independentemente da natureza mais ou menos tendenciosa dessas fontes), penso que é justo dizer que, por esta razão, terei que entender o "tom credível" com que se pronunciou, como demonstração de refinada ironia!... Refira-se que, apesar de preferir que o assunto fosse discutido frontalmente e sem peias por todos os políticos, líderes partidários, comentadores políticos, jornalistas, economistas e ativistas sociais, a verdade é que este comentário foi, até agora!, o único que tocou no cerne da incurável ferida que arde, como uma chaga abrasiva, no coração do nosso país!... Salvaguardando o facto de pensar que todos os que vão lendo o que tenho vindo a escrever publicamente, de há muitos anos a esta parte, estarem certos de que sou insuspeita de qualquer afirmação, sentimento ou prática xenófoba, designadamente, de natureza étnica ou similar, a verdade é que, enquanto os mexicanos compram o setor estratégico da saúde, o da energia já foi comprado pelos chineses enquanto outros, como é o caso das telecomunicações, o foram por, entre outros, africanos e sul-americanos - e mais longe nem vale a pena ir, sendo necessários e suficientes apenas os exemplos que Martim Avilez enunciou...
É, por isso, de facto!, um requinte de ironia (a lembrar queirosianas alusões), a referência a uma soberania que já não temos e cuja realidade entrou no registo lendário das evocações a que também nos não podemos "agarrar", vendidos e sujeitos à escravatura da dependência internacional das multinacionais anónimas e sem rosto - sob as vestes das Troikas e dos apoios aos "governozitos nacionais", medíocres em todas as acepções da palavra!, que tudo aceitam em nome de mais uns anitos a "juntar patacos", à velha maneira salazarista!, para "fazer um pé-de-meia" em nome de filhos e netos... porque "nunca se sabe e não vá o Diabo tecê-las" no âmbito desta dinâmica voraz de uma globalização sem escrúpulos que, com um sorriso cínico, leva os filhos dos mais poderosos ao desempenho de cargos de relevância nacional como se a República fosse afinal, apenas e só!, uma degradada monarquia já "sem rei nem roque" e onde a proclamada "política de austeridade", bem como o próprio pagamento de impostos parecem, cada vez mais!, actos expiatórios de uma heresia que só os olhos gananciosos, inquisitoriais e mesquinhos dos seus executores vislumbram, justificam e compreendem.sábado, 26 de julho de 2014
Da Promiscuidade entre o Público e o Privado...
Quando, há umas décadas atrás, se começou a promover a ideia da cooperação entre o ensino superior, a ciência e o mundo empresarial privado, o conceito, aparentemente interessante e capaz de dinamizar o desenvolvimento e o crescimento sustentado no âmbito da competitividade contemporânea, alertou os sinos da consciência cívica e sociológica... não só porque o caminho começou de imediato a ser mal traçado, tornando a investigação universitária subserviente no que respeita aos interesses conjunturais do "mercado", centrados no objetivo do lucro mas, também, porque, previsivelmente, conduziria a uma absoluta redução do conhecimento às possibilidades de investimento ditadas pelos interesses particulares, à revelia de todo o espírito científico (no sentido epistemológico do termo, claro) e do sentido filosófico do conhecimento enquanto produção direcionada para o incentivo e a concretização de meios capazes de proporcionar, de forma universal, mais qualidade de vida à Humanidade. Nada mais certo!... Infelizmente, claro!... Exemplo disso, é a promiscuidade de que dá nota, entre muitas, muitas outras que apenas não tiveram até agora visibilidade pública, o texto que serve de ilustração a estes comentários... De ministros sem qualificações certificados ilegalmente a patrocínios pagos com prestígio, o país vai, de asneira em asneira e de "deslize" em "deslize", até à total descredibilização de instituições e, "por arrastamento", dos indivíduos que lhes dão rosto e rumo... Eis uma ocasião em que a notícia, nas circunstâncias da nossa história tão recente, traz à memória o velho ditado "Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és" ... ou, se nos quisermos ficar por uma citação mais sofisticada: "Malhas que o Império Tece"...!...
quinta-feira, 15 de maio de 2014
Efeitos perversos...
"O ofício de ser português - por Baptista Bastos
Ser português não é, somente, uma nacionalidade: é um rude e dificultoso ofício, cujo exercício deixa os seus praticantes depauperados e atormentados. Tudo aquilo que constituía o edifício moral da sociedade foi depredado pela mentira, pelo embuste e pela malevolência. A pecha é transversal: todos os sectores têm sido atingidos e creio ser extremamente difícil remover a nódoa. Começou a campanha eleitoral, e o propósito de esclarecer não melhorou. Como acreditar nos que, até agora, apenas acirraram os nossos desgostos, aumentaram os nossos sofrimentos e acrescentaram o ódio às nossas raivas? A imprensa perdeu o viço e nada esclarece, como lhe competia, a fim de racionalizar o que as televisões noticiam. Os rostos mortos daqueles que tais surgem nos ecrãs com uma persistência que revela a preguiça e a ignorância de quem os alimenta. Perdeu--se o lado humano da vida e admitiu-se como fundamental e regra o número a estatística, a futilidade vaporosa que oculta a verdadeira natureza das coisas.
"A época é de charneira", disse um preopinante de voz grossa e escrita fininha. Um outro, que usa como pseudónimo o patronímico de um português ilustre, proclamou, impávido porque se julga impune, que nada devemos aos capitães de Abril. Claro que são criaturas obnubiladas pelo verdete de se saberem inseguras, fragilizadas pela consciência da sua pessoal menoridade. Mas o mal que têm feito é persistente e cria raízes. O "pensamento" de direita deixou de o ser para se substituir pela inconsistência do oportunismo e da insignificância. É impressionante assistir-se à reescrita da história e à desfaçatez de quem se transformou num democrata instantâneo como o pudim flan, depois de ter sido o que quer que seja de repugnante. A selecção natural do talento, da decência e da honra deixou de exercer o seu império. E a chusma de medíocres alcançou carta de alforria na política, no jornalismo, na literatura, nas ciências sociais. Sem antagonistas, ou porque estes não o querem ser ou por receio de represálias.
Bem desejaria que estes problemas e outros semelhantes, eriçados no nosso país, fossem discutidos entre os candidatos. Não me parece que tal seja possível. Apenas um modesto exemplo: que diferença há entre o Paulo Rangel e o Francisco Assis?, ambos a tocar no mesmo pífaro. Rangel é de direita, e não o esconde. Assis é da ala mais conservadora do PS, e também não faz questão de o dissimular. Foram escolhidos pelas direcções dos seus partidos, e não é preciso acreditar em Deus para se descortinar o porquê das preferências.
Apesar de tudo, chega ser imperioso que votemos. Votemos naqueles que mereçam o favor da nossa consciência e a imposição moral das nossas pessoais opções."
(O texto de Baptista Bastos, publicado ontem no DN, chegou via Ruben Menezes no Facebook)
(O texto de Baptista Bastos, publicado ontem no DN, chegou via Ruben Menezes no Facebook)
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Austeridade e Cortes não Serviram para Nada?!!!!
O insuspeito Conselho de Finanças Públicas revelou ontem o seu mais recente Relatório, confirmando as mais assustadoras de todas as expectativas (LER AQUI). De facto, a suspeita era mais do que justificada: os alegados "cortes na despesa" foram feitos quase exclusivamente pela parte da Receita, ou seja, com a gravíssima e escandalosa subida de impostos que reduziu o povo português ao maior grau de pobreza, desemprego e desesperança de que há memória desde que a democracia, há 40 anos, foi implantada no país! ... Pior que isso, só mesmo a indesmentível constatação dos economistas que proferiram esta conclusão e que acrescentaram que as medidas de austeridade não produziram efeitos práticos nenhuns!!! ... No momento em que decorre a 12ªavaliação da troika e em que os credores internacionais continuam a exigir mais "austeridade" (isto é, mais impostos, mais cortes, menores salários e por aí adiante), perante a obediência crua e incontornável da atual governação política nacional, os resultados apresentados pela equipa de Teodora Cardoso falam mais e melhor e são, inequivocamente, arrasadores para o Governo - enquanto espelho da realidade do país em que vivemos... 40 anos depois do 25 de Abril! segunda-feira, 31 de março de 2014
REESTRUTURAR A DÍVIDA... JÁ!
quarta-feira, 19 de março de 2014
Portugal, Risco de Extinção? - Retrato Demográfico de um País
Portugal pode extinguir-se em 2204?... Eis uma forma abrupta de colocar o problema mas, é exatamente assim que o faz o Courrier International (LER AQUI). De facto, a caraterização demográfica da realidade nacional, é cada vez mais dramática - apesar de se tratar de uma realidade para a qual se vêm fazendo alertas desde há décadas... Alertas que, contudo, os políticos (com muito raras e muito honrosas excepções) sempre relevaram, considerando que seriam "miudezas da especulação científica"! Por isso, as atuais preocupações do Presidente da República constituem-se, neste momento, elas sim!, como recados protocolares ou, de outro modo dito, "miudezas" da propaganda de um regime que se pretende esclarecido e atento. Porquê? Porque as regras do crescimento demográfico não decorrem do voluntarismo (cristão ou não!) dos cidadãos, dos casais ou das famílias mas sim, das dinâmicas socio-económicas - em função dos contextos políticos, culturais e ideológicos do tempo histórico... Haja desenvolvimento e combate efetivo da pobreza e do desemprego! Nessa altura, incontornavelmente, haverá alterações estruturais no tecido social português... porque o facto de termos chegado ao ponto em que nos encontramos é, apenas, o indicador inquestionável da lógica de contínua e sistémica degradação das condições de vida do povo português, iniciada nos anos 80 e ainda, por tempo indeterminado, a crescer de forma galopante - e porque não dizê-lo?, vertiginosa!...
(a notícia do Courrier International chegou via João Maria Grilo no Facebook)
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
domingo, 8 de dezembro de 2013
Estaleiros de Viana...
Neste momento, destruir estruturas e infraestruturas produtivas em qualquer sector da atividade económica nacional é um atentado contra a soberania do país e, neste sentido, um crime de lesa-pátria! De facto, o desmantelamento dos Estaleiros de Viana do Castelo e a alegada necessidade da sua privatização constitui inequivocamente um acto doloso uma vez que a potencial e tantas vezes anunciada procura dos seus serviços, denota a sua efetiva viabilidade (da construção e reparação de submarinos, às encomendas venezuelanas e a todo o mercado que poderiam abranger se a sua promoção e gestão fosse profissionalmente concretizada, a partir de uma determinação política séria e competente). Por isso e sem precisar de mais argumentos, a questão deve colocar-se de forma incontornável, imediata e minimalista: se uma empresa privada (a Martinfer) vai adquirir uma estrutura desta dimensão, convicta na sua capacidade lucrativa, como pode o Estado alegar a sua natureza inviável? Desrespeitar os trabalhadores, os cidadãos e o país é um preço que a História cobrará... entretanto, mais pobreza grassará no Minho e mais deficitárias ficarão as competências portuguesas para Portugal sobreviver enquanto país soberano.
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
Da construção ruinosa do futuro!
Em apenas 6 meses, as empresas públicas portuguesas apresentaram 731 milhões de prejuízo... Como não pode haver outra explicação, é evidente que se trata de um resultado decorrente de uma estrutural gestão danosa que, em última análise, negligenciou os esforços metodológicos capazes de inverter a lógica vertiginosa da ruína... uma ruína que viabiliza os negócios da privatização no âmbito da dinâmica especulativa dos mercados!... pois... "palavras para quê?" - como dizia o anúncio...
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Cortes - ou do progresso do fim da democracia?!...
Os cortes anunciados para 2014, designadamente no que se refere aos vencimentos e às pensões dos funcionários públicos, são, simplesmente, imorais!... Estamos a viver uma vertiginosa e histórica fase de investimento na destruição dos direitos dos trabalhadores e da qualidade de vida dos cidadãos... Há um preço que toda a sociedade irá pagar por isto... e não é a libertação da dívida e dos credores internacionais ou um efetivo e real fim da recessão (para além de todas as nominalidades estratégicas de que o ilusionismo político se possa socorrer para garantir a continuidade da manipulação das massas)!... Os políticos contemporâneos, designadamente ao nível europeu e no contexto do mundo da alta finança em que se move o G20 e o G8, estão a atravessar, sem precaução, o gelo fino que separa as sociedades do enregelamento total do humanismo e deixa a nu os caminhos da crueldade, da desigualdade, da injustiça e da violência. Vivemos um interregno político sem ética, sem valores e sem referências capazes de, inteligentemente, transformarem a economia e as finanças em instrumentos de uso e recurso úteis à sociedade. É urgente que a tomada de consciência coletiva seja real, global e incisiva e não apenas conjuntural e setorial... para que a mudança aconteça!
domingo, 14 de julho de 2013
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Da Comunicação nos Dias que Correm...
"A COMUNICAÇÃO DE CAVACO - Ele e o Seu Governo
Nenhuma emoção, absolutamente nenhuma, antecede a comunicação que dentro de pouco tempo Cavaco Silva vai fazer ao país.
Não há memória nas comunicações de Cavaco de alguma delas ter a ver com problemas do país.
Todas as comunicações que fez até hoje como Presidente da República têm a ver com ele. Com as suas queixas, com as suas justificações, com as suas anteriores advertências, enfim, com assuntos que não interessam nada à generalidade dos portugueses e que têm apenas a estulta intenção de à distância do presente tentar condicionar a história que no futuro se fará sobre a sua actuação enquanto responsável político que por mais tempo, depois de Abril, esteve à frente dos destinos do país. A de hoje não será diferente. Cavaco vai tentar justificar por que mantém o Governo em funções, apesar de aos olhos da maioria dos portugueses se ter tornado evidente que o rearranjo dos protagonistas antes desavindos não merece qualquer credibilidade, consequência, aliás resultante, da falta de credibilidade desses mesmos protagonistas.
A Cavaco nem passará pela cabeça explicar aos portugueses as razões que justificam que um partido minoritário se torne, segundo o novo arranjo, no principal responsável pela condução dos negócios públicos. Como igualmente lhe não passará pela cabeça explicar, politicamente, o que é que, segundo ele, este novo Governo tem de diferente relativamente ao anterior.
Não, isso não são interesses que prendam a atenção de Cavaco. Cavaco estará mais interessado em afirmar que, gozando o Governo da confiança da maioria parlamentar, não vai ser ele, como Presidente da República, que irá contribuir para a desestabilização do país.
Desestabilizar, para Cavaco, significa, permitir que o poder mude de mãos quando está nas mãos da direita. A desestabilização para Cavaco nada tem a ver com a políticas que o Governo leva ou tenta levar a cabo contra a vontade da esmagadora maioria dos portugueses, mas apenas com o facto de Governo se encontrar aparentemente coeso. Sendo coesão sinónimo de manutenção em funções quaisquer que sejam as vicissitudes que acompanham essa manutenção e quaisquer que sejam as políticas que conjunta ou separadamente os parceiros da coligação ponham em prática ou publicamente defendam.
Além de ser um inimigo declarado da “instabilidade”, Cavaco também não quer, tal como Passos Coelho ou o CDS, que os sacrifícios dos portugueses tenham sido feitos em vão. Cavaco quer ter a garantia de que esses sacrifícios vão continuar e se vão até agravar, passando a atingir áreas e pessoas que doravante serão muito mais penalizadas do que já foram até aqui.
É isso o que significa realmente evitar que sacrifícios já feitos tenham sido em vão.
É claro que os portugueses sabem perfeitamente que os sacrifícios que até agora fizeram, além de se não justificarem por não serem consequência de factos por eles cometidos, mas antes destinados a salvar os bancos, a pagar os roubos de pessoas ligadas ao poder ou com ele intimamente relacionadas, a repor as verbas necessárias para cobrir os negócios ruinosos, ou mesmo fraudulentos, feitos por governantes no interesse de terceiros, sabem também que esses sacrifícios em nada contribuíram para regularizar aquelas situações que lhes diziam serem as causas de todos os males: redução do défice e da dívida, crescimento económico, etc. Sabem que nada disso se verificou e que, pelo contrário, tudo se agravou a ponto de tais factos se terem tornado hoje realidades económicas verdadeiramente insustentáveis.
O que porventura os portugueses não sabem, ou muitos, pelo menos, não saberão, é que os novos e vultosos sacrifícios que lhes vão ser exigidos são sacrifícios a somar aos anteriores. Sacrifícios que não têm em vista permitir-lhes no futuro uma vida melhor, mas, pelo contrário, consolidar a opção por uma vida pior. Quem hoje estiver reformado e perder uma parte da sua reforma nunca mais a recuperará; quem hoje for agente ou funcionário público e for despedido nunca mais arranjará emprego no Estado; quem hoje passar a pagar mais ou muito mais pelos cuidados de saúde nunca mais vai ver diminuídas as suas contribuições no sector sempre que precisar de recorrer aos seus serviços; quem hoje passar a pagar pela educação dos seus filhos o que ontem não pagava não mais poderá esperar que essas contribuições baixem no futuro ou deixem de existir; quem hoje perder apoios sociais de protecção ao desemprego, à maternidade, à velhice, etc., não mais voltará no futuro à situação em que estava antes.
É nisto e apenas nisto que consiste a ameaça permanentemente feita sob a forma de chantagem destinada a impedir que o poder mude de mãos …para “se não perderem e não terem sido em vão os sacrifícios dos portugueses”.
A “estabilidade” imposta pelos credores e pelos patrões da Europa exige que “esses sacrifícios se não percam”. Exigem que se consolidem!"
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Fundamental e Prioritário...
... desculpem, mas a citação ocorreu-me, em termos analógicos, a propósito da relação do nosso país com os seus credores, alguns dos quais consideram Portugal um caso de sucesso, pelas políticas de austeridade com que tem vindo a aplicar as imposições internacionais... mas, também, pela alegria sem sentido dos que, do lado de cá da mesa, preferem o elogio do martírio da sociedade portuguesa à afirmação contundente de propostas alternativas à arquitectura económico-financeira europeia... enfim... cada um é aquilo em que acredita... mas se, afinal de contas, devemos avaliar os procedimentos pelos seus efeitos, é caso para dizer que ideologia, demagogia e diplomacia estão, nos dias que correm, cada vez mais de mãos dadas, afastando-se vertiginosamente dos valores democráticos de que, por ora, ainda se alegam representantes - apesar de o serem apenas enquanto público e intérpretes de uma burlesca pantomina, cientes da fição irónica e mal-ensaiada com que desempenham o papel de bom-aluno, pago com a exposição pública dessa humilhação perante os milhões de vítimas de uma austeridade que precisa urgentemente de se simular e fantasiar para credibilizar a sua legitimação (já agora e por curiosidade: por outras palavras, foi mais ou menos isto que Bagão Félix disse no seu comentário televisivo de 4ªf)... pois... talvez por tudo isto seja de retomar esse princípio básico da responsabilidade social que deve presidir à gestão da Polis em todas as suas dimensões: o respeito pelos cidadãos é fundamental e prioritário... sem ele, é mesmo o regime que está em causa!
domingo, 19 de maio de 2013
Sózinhos na Sala...
"Estamos sózinhos na sala..." dizia, há pouco, José Sócrates no seu comentário semanal... e reiterava, afirmando que somos já o único bom aluno, que estamos sózinhos na sala e que já nem há professores para tutelar a defesa da ideologia da austeridade que subjugou a Europa... a mesma Europa de que alguns partidos alemães querem expulsar os países do sul, em que a Alemanha não cresce, em que a França entrou em recessão técnica e em que, além da Irlanda, da Grécia, de Portugal e do Chipre, a Espanha e a Itália estão economicamente demolidas... Disse-o hoje, de forma feliz (infeliz mas lucidamente!), na rubrica semanal da RTP1 "A Opinião de José Sócrates", resumindo a contemporaneidade e a essência da realidade portuguesa:
sexta-feira, 26 de abril de 2013
Do Euro Alemão à Desigualdade de Estados...
... vale a pena ouvir o economista João Ferreira do Amaral
(o vídeo chegou partilhado por Rogério V.Pereira)
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Libertar os Países Intervencionados...
"Tirem as Mãos!" Hoje no Parlamento Europeu, manifestação dos eurodeputados da Esquerda Europeia contra as medidas de austeridade no Chipre, Portugal, Grécia, Espanha, Irlanda!
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