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domingo, 1 de junho de 2014

Sim... PODEMOS!

Vale mesmo a pena LER AQUI a mensagem política do PODEMOS... para que se acredite que há quem, neste cenário de degradação e empobrecimento contínuo, encontre, promova e defenda outras formas de organização económica, social e política. Porque as alternativas existem e são possíveis de concretizar - se nos não faltar a coragem para tal. De facto, a decepção cívica relativamente ao sistema político-partidário vigente nas chamadas "democracias ocidentais", nomeadamente no que se refere ao designado "arco da governação" que persiste na alternância entre os partidos socialistas (centro-esquerda?!) e os sociais -democratas (centro-direita?) a que a Europa parece reduzida de há muitas décadas a esta parte, encontrou, também em Espanha (e não apenas no Syriza da Grécia), uma expressão relevante no passado domingo, quando, na contagem dos votos das eleições europeias, se constatou que o  movimento PODEMOS, liderado por Pablo Iglesias, um professor universitário de Madrid, marxista, de 35 anos, alcançou 1,2 milhões de votos e elegeu, na primeira vez que se apresentou a eleições, 5 eurodeputados. 
Agregando o património da mensagem política deixada pelo Movimento dos Indignados (15-M) e inspirado no slogan que elegeu Obama "YES, WE CAN", Pablo Iglesias afirma o fim do bipartidarismo, bem como a necessidade de reinvenção da democracia e da criação de um processo constituinte. Num discurso desassombrado, o PODEMOS solicita e apela à derrogação do Tratado de Lisboa, à nacionalização da banca, à suspensão do pagamento da dívida e coloca, sem medo!, a hipótese da saída do euro - considerando que esse cenário não significaria o caos que nos fazem supor. Claro que uma mensagem tão autónoma e pouco comprometida com o sistema de dependências em que a teia político-partidária se desenvolve, suscita e provoca (como não poderia deixar de ser!), reações e acusações de populismo (ler aqui). Porém, o importante é que os eleitores se identificaram com as propostas apresentadas, acreditaram, investiram e conseguiram resultados que merecem o respeito de todos!... por muito que se esforcem para desacreditar os que, não dependendo do poder, lutam contra ele para o devolver à Polis, isto é, a todos nós, cidadãos. 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

A Venezuela Não Desistirá!

Nicolas Maduro, venceu as eleições na Venezuela, reiterando o apoio popular à política do comandante Hugo Chavez... Viva a Democracia!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

E a Espanha aqui tão perto...

... também nos não deixa outro remédio senão o de nos confrontarmos com os índices de realidade dos dias... e pronto!... as massas continuam a decidir a alternância em processos eleitorais, sempre que o descontentamento económico se torna insustentável... entre a racionalização no campo especulativo do aparentemente "possível" em termos da evidência ideológica de uma desejada mudança, foi agora a vez dos espanhóis voltarem a insistir na solução sem saída que consiste no repetir governações iguais a si próprias, anquilosadas e sem hipótese de vincular a esperança à realidade... entre a necessidade de contestar a realidade actual e a ausência de uma representação credível no que às alternativas políticas diz respeito, a Europa "soma e segue" no caminho do passado -e talvez só eleições em França possam inverter a tendência geral de opção pelo quadrante político mais conservador e defensor dos mercados... verificamos entretanto, também por isso, que continuam válidos os ciclos da alternância a que se reduziu a democracia!... "até quando?" - é a pergunta do dia... e considerando a dimensão e extensão da crise, quanto ao pensamento, fica a questão: e se um dia, definitivamente, os cidadãos deixarem de dar crédito à alternância... e às eleições?

sábado, 17 de setembro de 2011

Jardim e os mais de Mil Milhões de Dividas Ocultas

Alberto João Jardim está a ouvir mal... dívidas ocultas na Madeira??? Buracos financeiros de mais de mil milhões de euros??? Das duas, uma: ou ele está a ouvir mal ou o "contenente" não está a perceber nada... segundo diz o grande líder da pequena ilha, a governação regional a que tem presidido, limitou-se a prosseguir investimentos sem que tivesse fonte de financiamento para o efeito (ler Aqui) - e, presumo eu!, que a essa decisão o seu Governo não chame gestão danosa mas sim, de acordo com o entendimento deste dinossauro político, qualquer coisa como, sei lá!, confiar na Providência (vox populi dixit: "fia-te na Virgem e não corras..." mas, o espírito paroquial do lugar não vai em ironias por muito inteligentes que sejam!)... quanto à realidade da notícia que agrava a imagem de Portugal nos mercados pela denotação do descontrole dos gastos, não percebo a admiração... Alguém pensava ou esperaria outra coisa de um gestor político que age como se o poder fosse pessoal e absoluto, sem preocupações de concertação e cooperação, sem responsabilidade ou partilha de objectivos?... sejamos claros: era previsível e esperemos que se não revele pior!... do reconhecimento da gravidade da questão deram conta, não só os partidos com representação parlamentar e a própria Comissão Europeia, como o próprio Passos Coelho que afirmou estar nas mãos dos eleitores o testemunho sobre a confiança política que merece quem assim actua... a verdade é que a Madeira ficou mais isolada com a prepotência política que a tem governado... e a obra feita não chega para o justificar - ainda que aos madeirenses o possa parecer.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Da Economia e Da Ideologia, Hoje...

A fragilidade dos mercados face à crise económico-financeira que desabou sobre o mundo ocidental há cerca de um ano e cujos efeitos persistem, designadamente na desestruturação das economias nacionais com maior défice público e maior grau de endividamento externo, conduziu os países mais ricos, associados no G20 e reunidos na Cimeira de Toronto (Canadá) com o objectivo de prevenir e evitar novas reedições dos mais graves cenários das crises financeiras, a determinar a concertação para a redução comum dos défices e a aplicação de uma taxa fiscal bancária - a definir por cada Estado (ver Aqui). Apesar de todas as consequências dramáticas em que a decisão se multiplicará ao nível do investimento e do empreendorismo e consequentemente, das dinâmicas empresariais e do desemprego, esta decisão é o sinal e o exemplo maior do reconhecimento do grau de risco social e político-económico que a desestabilização financeira dos mercados implica no que se refere à arquitectura social dos Estados. Os factos revelam, antes de mais, de forma inequívoca, a falência social do modelo político-económico e financeiro que assenta na completa liberalização dos mercados. Por isso, agora, o mundo está a organizar contabilisticamente a forma de pagar a factura por uma opção ideológica que, radicando no século XIX, teve um desenvolvimento decisivo na segunda metade do século XX quando tal opção foi levada ao extremo, no climax de uma euforia de movimento de capitais que a lógica do lucro tratou, simplificadamente, de duas formas: não reconhecendo sinais de desgaste e declínio e perspectivando como solução para os problemas emergentes a continuidade da abertura e da persistência no incremento da liberalização dos mercados. Consequentemente, o desemprego nas sociedades europeias está aí para, pelo menos no médio prazo, ficar. A gravidade do problema é, contudo, mais vasta porque sempre que o dramatismo deste cenário social sofrer diminuições atenuantes, a propaganda e o marketing irão envolvê-lo em estratégias de manipulação de massas de conhecida demagogia, capazes de justificar a opção ideológica neo-liberal... até ao esgotamento da capacidade de resistência das populações cujo grau de empobrecimento diminuirá, seguramente, a respectiva resiliência. O grau de sofisticação tecnológica que se pretende continuar a introduzir nos processos produtivos, a par da globalização centralizada das redes de comercialização e distribuição e a praticamente irreversível reconversão dos aparelhos produtivos nacionais, constituem os 3 vectores de uma gestão ideológico-política que condiciona toda a mudança imperativa no funcionamento económico para que as sociedades democráticas que conhecemos não colapsem ao peso da pobreza e da exclusão social. Por tudo isto, quando analisamos os programas, as prioridades e os argumentários políticos do espectro partidário nacional, ficamos, justamente, com a percepção de que a própria política está esvaziada de sentido, convertida numa espécie de manual de gestão corrente de consumos domésticos... e para além de tudo o que, sobre cada um se poderia agora dizer, registo apenas o quão extraordinário é ver como o PSD insiste e persiste, apesar dos apregoados tempos de mudança levados a cabo pela sua nova direcção, na defesa intransigente dos princípios da redução da acção do Estado e do reforço da liberalização dos mercados (ver Aqui) como se estivesse perante uma mensagem ou proposta inovadora, capaz de garantir a salvação nacional.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Foi Bonita a Festa, pá...



Foi bonita a festa, pá... porque sempre que o povo vota, o poder revitaliza-se e legitima-se. Aprende-se sempre com a ida às urnas! Agora, no dia seguinte à Grande Festa do UNIR LISBOA que traz, simbolicamente, à capital do país uma maioria absoluta -com correspondência no que o povo exprimira nas legislativas, quando atribuiu à Esquerda 60% da representatividade parlamentar... agora, no dia em que é indigitado Primeiro-Ministro José Sócrates que assumiu como primeira decisão a audiência de todos os partidos com representação parlamentar no sentido de constituir um Governo coeso com condições de governabilidade sustentada... agora, depois das mudanças no poder local, justificadas pelo reconhecimento do trabalho de muitos (é justo destacar as maiorias absolutas de Rui Rio no Porto e de Luís Filipe Menezes em Gaia e a manutenção de Câmaras como Mora, Arraiolos ou Avis para a CDU) e as mudanças que os tempos justificam (como é o caso de Beja, Leiria, Aljustrel, Marinha Grande, Crato, Alvito, Alpiarça e Faro, nomeadamente), demonstrando que o trabalho político tem que ser constante, vigilante e permanentemente revitalizador... agora, dizia eu: temos à frente o futuro, cuja responsabilidade de gestão, os portugueses justificam! ... um bom augúrio foi, entretanto, este ciclo eleitoral de que se justifica dizer: Foi bonita a festa, pá!... Agora, mais uma vez, temos nas mãos, tudo o que há para fazer... e, ninguém tem dúvidas: é muito... mesmo muito!... mas é possível!

O povo é quem mais ordena...


Terminou o grande ciclo eleitoral de 2009. No curto espaço de 5 meses, os portugueses foram chamados a votar por 3 vezes para eleger os seus representantes, primeiro no Parlamento Europeu, depois na Assembleia da República e no Governo e, finalmente, no poder autárquico ou seja, nas Assembleias e Câmaras Municipais e nas Assembleias e Juntas de Freguesia. Ao contrário do que seria expectável, os cidadãos responderam à chamada e a abstenção apresentou um comportamento interessante de que vale a pena destacar a sua maior incidência no acto eleitoral considerado mais distante ou seja, nas eleições europeias que, a abrir este ciclo de renovação do poder, foi utilizado também como oportunidade de penalização do partido de um Governo que atravessou tempos conturbados apesar dos resultados alcançados no seu principal objectivo: debelar o défice, não só pela prolongada campanha negra que, sem escrúpulos, foi dirigida contra o Primeiro-Ministro José Sócrates como pelos efeitos da maior crise económico-financeira internacional do último século. Reduzida a abstenção nas eleições legislativas e apesar da dispersão radicalizada dos argumentos partidários na campanha, foi vencedor o PS que, em maioria relativa, irá agora formar Governo e que, a considerar a expressão popular do voto, deverá governar à esquerda tanto mais que foi a esquerda a ganhar a representatividade parlamentar em cerca de 60%. Agora, contados os votos das eleições autárquicas, constatam-se 52 alterações partidárias na gestão autárquica ao nível das Câmaras Municipais, tendo sido reduzida de 49 para 7 a diferença do número de Municípios liderados pelos 2 maiores partidos, PS e PSD. O PS foi o grande vencedor deste ciclo eleitoral... porque nas eleições europeias, tendo ficado em 2º lugar, a diferença de votos não é, de facto, substantiva, designadamente, se pensarmos na motivação dos eleitores e na taxa de abstenção... porque, nas eleições legislativas, o PS ganhou sem equívocos e a sua votação reforçou o projecto ideológico-programático que lhe subjaz, aumentando a votação geral da esquerda... no que ao poder local respeita, volta a ganhar o PS com mais 20 Câmaras eleitas, o maior número de votos e uma extraordinária maioria absoluta em Lisboa com a candidatura UNIR LISBOA liderada por António Costa... Quem perdeu foi o PSD que, apesar da vitória das europeias, teve uma fraca votação nacional nas legislativas e perde 19 Câmaras Municipais... A CDU fica com um balanço de relativa estabilidade, com alguns resultados negativos compensados com o aumento do número de votos... o CDS tem um aumento acrescido nas eleições legislativas decorrente do descontentamento nacional da direita com o PSD... quanto ao BE registe-se que tem, talvez, os resultados mais interessantes destas eleições sem grandes alterações no Parlamento Europeu, com a duplicação do número de deputados eleitos nas legislativas mas, praticamente eliminado do panorama do poder local de tal modo que o seu balanço justifica a leitura de que a população utiliza este partido como espaço de protesto mas a ele não recorre como espaço de afirmação assertiva de um projecto político... Portugal está reconfigurado politicamente para os próximos 4 anos, com o rosto que o povo lhe quis dar para enfrentar o futuro. Vamos a isso!


(Este post foi também publicado no Público-Eleições 2009)

domingo, 4 de outubro de 2009

A Hora das Inovações - o caso das Autárquicas...



Aproximam-se as eleições autárquicas... de âmbito local e exactamente pelo seu grau de proximidade relativamente à vida dos cidadãos, é nas eleições autárquicas que constatamos a ousadia renovadora ao nível da respectiva cultura organizacional... dos movimentos plurais emergentes que se consubstanciam em convergências activas e solidárias, sem medo da desidentificação identitária relativa às particularidades dos sectores que as integram, temos exemplo na candidatura Unir Lisboa (ver: http://www.antoniocosta2009.net/ e o blogue: http://unirlisboa.blogs.sapo.pt/)... mas, ousadia e investimento na mudança estão também presentes de forma evidente na congregação da diversidade cívica, equitativamente partidária e independente, norteada acima de tudo pelo prestígio, a qualidade e a diversidade dos perfis dos candidatos e apoiantes, numa outra candidatura notável, a saber: Porto para Todos (ver: http://www.portoparatodos.com/ e o blogue: http://ograndeporto2009.wordpress.com/)...

No contexto actual, registe-se que as eleições autárquicas inauguram uma forma de fazer política adequada à governação do país... Seria desejável, por isso, que os actores político-partidários nacionais se inspirassem no sucesso destes exemplos... Por todos nós: está na hora de apostar sem medo na negociação cooperante... com confiança e seriedade!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Compromisso à Esquerda - uma Causa em Movimento

Compromisso à Esquerda é o nome do Manifesto que apela ao entendimento interpartidário entre o Partido Socialista, o Bloco de Esquerda e a Coligação Democrática Unitária no sentido de ser viabilizada a necessária estabilidade governativa a partir de um elenco programático que garanta uma governação à esquerda, no respeito pela vontade expressa pelos eleitores no sufrágio do passado domingo. O documento foi ontem apresentado à imprensa, no Martinho da Arcada em Lisboa, com a colaboração de alguns dos seus Primeiros Subscritores, de que Ulisses Garrido, Maria do Céu Guerra e eu própria, fomos porta-vozes. Após 30 anos de não entendimento entre as diversas sensibilidades de esquerda no nosso país, a realidade actual da economia e da sociedade portuguesa justificam o empenho e o esforço de boa-fé indispensável à união da esquerda.
Leia, assine e divulgue o Compromisso à Esquerda.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Razões de Uma Escolha...

Queremos um País Melhor!... Apostado nos grandes desafios do século XXI e capaz de: promover o uso das energias alternativas, limpas e amigas do ambiente; valorizar um Ensino Público de qualidade, igual para todos; consolidar o Serviço Nacional de Saúde e a Segurança Social; combater o desemprego reforçando a auto-estima dos cidadãos e reforçando as suas competências de inserção e integração social; garantir formas de formação e reconversão profissional; oferecer condições para o aparecimento de novas entidades empregadoras através do estímulo ao investimento público, ao investimento externo e à dinamização do mercado interno de forma a que possamos revitalizar o ritmo de aparecimento das PME's; desenvolver uma política de segurança assente na resposta multifacetada dos meios de combate ao crime organizado e da prevenção da exclusão social e da opção por modos de sobrevivência que não revejam na economia paralela as formas mais fáceis de subsistência ou afirmação social; colaborar activamente numa política externa multilateral defensora da coexistência pacífica e da regulação negociada dos conflitos internacionais; facilitar a ascensão social em função do mérito e das competências individuais; defender as liberdades fundamentais dos cidadãos e os Direitos Humanos... Queremos um País Melhor!... um país que não perca mais tempo, retrocedendo socialmente para pontos de partida constantemente repetidos que não alcançam nunca o seu ponto de chegada, isto é, os seus objectivos. Queremos um País Melhor!... um país que prossiga no caminho da paz e da conciliação, que construa as condições indispensáveis para o desenvolvimento sustentado de que pessoas e regiões precisam para poder vencer desvantagens e assimetrias estruturais... Queremos um País com Futuro que se não disperse em reacções estéreis de ressentimento ou vingança que conduzirão à continuidade dos impasses de que tanta dificuldade temos tido em sair... Queremos Viver Melhor!... num país mais justo e fraterno que, em paz, possa vencer a crise e avançar no caminho do progresso consolidado e inequívoco da Democracia!... por isso, sem desvalorizar outras formas de ser e pensar, votamos, convictamente, com a seriedade consciente da partilha de uma responsabilidade social comum, no Partido Socialista, cuja visão do mundo e programa de acção política para gerir o Estado e o País, nos permite sonhar e esboçar um futuro viável... sem demagogias fantasiosas ou omissões equívocas, com transparência e determinação! Por todos nós!
(Este post tem publicação simultânea no Público-Eleições 2009 e no Simplex)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Leituras cruzadas...

Como era aquela oportuna quadra de António Aleixo?....


"O mundo vai mal, dizemos
E vai de mal a pior,
Mas afinal nada fazemos
P'ra que ele seja melhor"
(in "Este Livro que Vos Deixo")


Reflexões que, no actual momento político, deixam em revisão os pequenos interesses... será?... por falta de aviso, não, seguramente já que, dados e sinais estão lançados (como, provavelmente, diria, de novo, Sartre)... restam-nos as decisões... a ler, como sugestões denotadoras de que a perfeição é, apenas, um esforço de aproximação e a imperfeição, humana, ficamos, como sempre, por mais que o relativizemos, com o futuro nas mãos das nossas escolhas... porque, de facto, melhor é possível mas, voltar atrás não é, pelo menos neste contexto e neste momento, a melhor forma de o tentar... e a união do diverso é que faz, no concreto, a força... no caso, a força da razão a que subjaz um sentido de altruísmo responsável e desinteressadamente, convicto.

No Margens de Erro, Pedro Magalhães

No Delito de Opinião, Carlos Barbosa de Oliveira, Pedro Correia e Sérgio de Almeida Correia *

No Politeia, JM Correia Pinto *

No Câmara dos Comuns, Carlos Santos

No Activismo de Sofá, JRV

No Vermelho Côr de Alface, T.Mike

No Simplex, Eduardo Graça

No Crónicas do Rochedo, Carlos Barbosa de Oliveira

No Puxa Palavra, Raimundo Narciso

No Duas ou Três Coisas, Francisco Seixas da Costa

(os dois post assinalados com asterisco, da autoria, respectivamente, de Sérgio de Almeida Correia e de JM Correia Pinto foram integrados hoje, dia 14/09, pelas 16h)

sábado, 12 de setembro de 2009

Refrescar a Memória...

Em 2005, as eleições caracterizaram-se pelo debate sobre o défice da economia portuguesa. Equacionados os programas e os candidatos, os portugueses deram a vitória ao Partido Socialista e José Sócrates assumiu a governação. Nessa altura, exigia-se ao Primeiro-Ministro de Portugal que equilibrasse as contas públicas, a título de condição para o desenvolvimento do país. Apesar de difícil, o desafio cuja vitória nunca foi perspectivada pelos próprios eleitores como garantida, foi vencido a meio da legislatura e os cidadãos quase nem acreditavam que, finalmente, uma tão continuada e ingrata luta, fora vencida. O país respirou de alívio e sorriu, numa auto-representação valorizadora da democracia e da esquerda democrática. É bom não o esquecer! Porque a crise económica internacional que sobreveio depois, faz agora praticamente um ano, não é da responsabilidade do Governo português… e a forma, bem sucedida no contexto internacional, com que o Governo de Sócrates a enfrentou, conseguiu que os dois últimos trimestres do ano fossem positivos e que o país saísse da recessão técnica. Nesta vitória, apenas a França e a Alemanha conseguiram o mesmo resultado que Portugal. E se, apesar do efeito dramático da subida do desemprego e das crises de sustentabilidade das empresas, Portugal escapou ao descalabro espanhol que viu o número de desempregados chegar aos 18%, mantendo no limiar dos 10% (que não chegámos a atingir) e se, apesar de tudo o que no actual Código do Trabalho pode ser criticado, o país conseguiu que o regime de contratação precária fosse reduzido e que o lay-off funcionasse devolvendo a potenciais desempregados o seu local de trabalho, ninguém pode dizer que o Governo se não empenhou até ao limite para re-negociar com os patrões das multinacionais, condições de continuidade no país. Nesta breve caracterização do panorama económico nacional há uma garantia de seriedade e transparência de actuação política que não temos o direito de ignorar!... principalmente quando quem elegeu como seu inimigo o Partido Socialista se caracteriza pelo exercício de uma demagogia, no caso do PSD, marcada pela ambiguidade e a omissão que tudo permitirá ou, no caso do BE, pela discursividade radical e sem qualquer utilidade ou sustentação para um país cuja classe média fica muitíssimo mais perto do empobrecimento, da estagnação e do retrocesso social.
(Este post tem publicação simultânea no Público-Eleições 2009 e no Simplex)

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Um Debate Transparente...

O debate entre José Sócrates e Francisco Louçã tornou evidente a demagogia gratuita e confrangedora do programa eleitoral do Bloco de Esquerda que, para além de um diagnóstico conhecido de toda a gente e que tem, aliás, servido de base a todas as intervenções políticas e partidárias (do Governo ao PSD, do CDS ao BE, da CDU ao MEP e por aí adiante) e de uma enumeração de medidas também conhecidas dos portugueses desde o PREC, se caracteriza pela incapacidade de explicar os eixos sobre os quais assenta. Vejamos o que propõe, grosso modo, o programa eleitoral do BE através da sua problematização: a) onde vai o Estado encontrar fontes de financiamento para arrecadar receitas que lhe garantam sucesso na gestão das nacionalizações da banca, dos seguros e das empresas energéticas?; b) onde vai o Estado encontrar dinheiro para, além do referido na alínea anterior, suportar a Segurança Social, o Sistema Nacional de Saúde e o Ensino Público?; c) com que receitas pode o Estado, através da Caixa Geral de Depósitos, suportar a importação de créditos mal-parados de, por exemplo, um BPN?... De facto, o Bloco e o seu líder entusiasmaram-se na redacção de um documento sem viabilidade económica ou financeira que não é, de modo algum, uma alternativa política para o país. Por mérito próprio e pela sustentabilidade do programa eleitoral do Partido Socialista, ficou ontem claro, para os eleitores, que José Sócrates representa, de facto, sem aspirações a perfeições que só existem no imaginário e que apenas devem ter como função ser referenciais de acção, um projecto adequado ao estado da economia e da sociedade portuguesa no actual contexto de crise... o projecto da Esquerda possível no Portugal da 1ª década do século XXI.
(Este post tem publicação simultânea no Público-Eleições 2009 e no Simplex)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

sábado, 5 de setembro de 2009

Sentido de Estado...

Sentido de Estado!... o debate entre José Sócrates e Jerónimo de Sousa revelou, antes de mais e sem prejuízo da afirmação assumida das respectivas diferenças, sentido de Estado. Registe-se. Faz falta a Portugal a dignidade do debate político. Portugal Primeiro!



(Este post foi publicado no Público-Eleições 2009 e no Simplex)

domingo, 30 de agosto de 2009

A galinha dos ovos de ouro...

Impressiona a facilidade com que o BE recorre à mais gratuita demagogia, lembrando os que, identificados com a direita mais populista, acenam bandeiras de facilitismo ilusionista... refiro-me a uma das medidas que o Bloco propagandeia, alto e bom som, como se fosse uma medida mágica de resolução de um dos problemas estruturais da sociedade portuguesa: taxar as fortunas como forma de angariar dinheiro para aumentar as pensões e sustentar a Segurança Social... Sejamos objectivos!... Se é justo, como aliás o defende também o PS, proceder a um cálculo mais justo dos impostos em função dos rendimentos, não podemos sequer imaginar que, nesse procedimento reside, a solução para o problema! Porque os ditos "ricos" não são a galinha dos ovos de ouro dos portugueses! Não, não são! E só o pode imaginar quem não conhece o país onde vive e ignora o cenário concreto da dimensão económico-financeira que o sustenta! Somos um país pequeno e pobre... negá-lo é ser incapaz de enfrentar a realidade e, consequentemente, não estar em condições de criar propostas que lhe sejam adequadas. Quantos ricos temos? Quão ricos são? Por quanto tempo o serão? ... responder a estas três perguntas permite-nos ter a noção exacta do irrealismo da proposta do Bloco... porque alguém duvida que, a aplicar-se uma tal medida à sociedade portuguesa, os potenciais contribuintes deslocariam o seu património para onde a sua penalização não fosse o bode expiatório de uma sociedade cujo problema é, antes de mais, o do emprego e da revitalização do aparelho produtivo? ... O pior que se encontra nos arautos da virtude é levarem tão longe a sua demagogia, ao ponto do seu horizonte ser um espaço que não corresponde a território algum... na verdade, adoptar levianamente uma tal medida apenas contribuiria para, algures, num qualquer paraíso fiscal, fazer crescer as off-shores...

(Este texto tem publicação simultânea nos blogues: Público-Eleições 2009 e Simplex)

Leituras cruzadas...

Uma panorâmica sobre o estado da arte no que à campanha eleitoral diz respeito, merece a atenção do "Leituras Cruzadas" de hoje... sem grandes comentários porque se torna uma evidência: o que é comum às forças partidárias candidatas às próximas eleições legislativas não é a apresentação de programas políticos para o país mas, apenas, o acesso ao poder pelo qual estão dispostos a tudo... assim, infelizmente, não se trata de lutar pelo país mas, apenas, de combater a qualquer preço, sem discernimento,bom senso, justeza ou altruísmo democrático, o PS... é pena! Fica o país a perder e, se não houver contenção racional e se persistirem no extremismo radical, ficarão também a perder muito mais do que querem reconhecer, todos os democratas... porque os que agora arriscam tudo contra o Governo concorrem para que aceda ao poder quem defende a limitação das liberdades individuais, a extinção do PCP, o mercado sem regras, a privatização da Segurança Social, da Saúde e da Educação, etc., etc., etc. ... sugiro, por isso, agora, a leitura de alguns breves testemunhos críticos, inteligentes, interessantes e importantes:


Paulo Gorjão: "Uma Dúvida"




Valupi: "Delenda Cavaco"


Leonel Moura: "A Grande Ilusão"




sábado, 29 de agosto de 2009

Neo-liberalismo? Não, obrigado!

O apoio de Pina Moura ao programa do PSD não deve surpreender ninguém. Pina Moura veio assumir o que já de há muito se percebera estar presente nas escolhas subjacentes ao seu percurso profissional. Seduzido pelo fascínio dos grandes negócios e do mundo do dinheiro que ignora e minimiza, nas suas prioridades, o domínio social em que se move o mundo real dos cidadãos dolorosamente marcado pelo desemprego e o empobrecimento da qualidade da vida, o testemunho de Pina Moura vem subscrever afinal, um programa político que mais não é do que o Manifesto dissimulado do neo-liberalismo reeditado à maneira portuguesa, no contexto de um mundo que assumiu, com a crise, a dúvida sistemática sobre a utilidade e adequação do mercado sem regulação. O programa do PSD é, para além da ambiguidade vaga de uma demagogia populista e insidiosa, um apelo ao ressuscitar de receitas gastas e prejudiciais ao recuperar de uma economia que só com um planeamento tranquilo e coordenado pode consolidar a tímida convalescença que se anuncia.
(este texto tem publicação simultânea no Público-Eleições 2009 e no Simplex)

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Critérios!?...



Enquanto pelo mundo se sucedem atrocidades contra a sobrevivência do planeta, se expulsam do seu habitat populações, se ignora a dimensão rural dos países e se propagandeiam manipulações que fazem a "agenda" da comunicação social, os pobres continuam mais pobres e agrava-se, dia-a-dia, o seu despojamento enquanto os "media" dão destaque à criação de "casos políticos", noticiando duas e três vezes a mesma notícia como se de duas ou três realidades distintas se tratasse numa clara evidência de que a estratégia política "joga" tudo na imagem comprometida de acordos político-partidários eleitoralistas e informais... como se a comunicação social fosse uma parte das forças em campanha!... sem qualquer requisito profissional de gestão do distanciamento e da objectividade, sem atender sequer aos interesses e direitos dos públicos a que pretende dirigir-se... disso tivemos exemplo, nos últimos dias, no nosso país, no tratamento do caso da crítica sofisticada a uma medida justa preconizada por José Sócrates que diz respeito às taxas fiscais a aplicar sobre rendimentos acima da média e que levou uma estação televisiva a recorrer ao testemunho de fiscalistas para provar que, quem tem mais de 10.000 euros de rendimentos mensais, após as deduções fiscais obtém 5.400 euros líquidos, montante considerado indispensável para despesas correntes de uma família!... fiscalistas que disseram ser "miséria" um ordenado de 1.000 euros!... o que dói é o absurdo de um insulto que se dirige desta forma à realidade social do país, onde a maior parte das pessoas não ganha 1.000 mensais... disso foi também exemplo o caso de, dois dias após o anúncio dos novos números do desemprego, a comunicação social anunciar, como se não se tratasse da demonstração sequencial e evidente desses números, o facto de ter aumentado, nos Centros de Emprego, o número de pessoas inscritas... entre outros!... entretanto, os problemas de fundo que a todos afectam e a discussão das suas possíveis soluções, ficam sem resposta e sem visibilidade, prova de que os dramas maiores das sociedades contemporâneas são remetidos para esse espaço de silêncio dos "sem voz" que justificou e continua, cada vez mais, a justificar a persistência da luta pela democracia, os direitos humanos, a liberdade e a dignidade humana... Em período pré-eleitoral é urgente conhecer o que pensam e o que estão dispostos a fazer os concorrentes candidatos ao exercício do poder... para que nos não defrontemos com trágicas
"soluções" como as de... Cabo Polónio!

sábado, 15 de agosto de 2009

A Gravidade do Impacto Económico das Falácias Políticas

Ao anúncio do primeiro sinal de crescimento do PIB após 3 trimestres de queda contínua, seguiu-se a divulgação da actual taxa de desemprego: 9,1% ou seja, cerca de meio milhão de portugueses. A notícia, preocupante, teve um impacto social interessante: para a população em geral significou a confirmação das previsões que vinham a ser divulgadas desde que a crise deflagrou, não implicando, por esta razão, nenhuma surpresa extraordinária, nomeadamente porque os cidadãos têm uma noção clara da dimensão deste flagelo já que o vivem diariamente nas famílias e na gestão da sobrevivência; para a oposição, oportunista e sensacionalista, foi a oportunidade para, uma vez mais, demagogicamente, atribuirem culpas ao Governo por uma realidade que transcende em muito a capacidade de intervenção do Estado... porque o desemprego decorre da fragilidade do tecido económico, da ausência de criação de postos de trabalho, da falência das empresas - tal como a pobreza resulta da precariedade, da mobilidade e da flexibilidade laboral capaz vez mais atingida e exposta à exploração dos trabalhadores, vítimas do aumento incontrolado dos horários de trabalho e de uma assustadora e crescente prática de baixos salários... a título de enquadramento macro-económico contam-se, entretanto, como se não bastasse o que acabamos de sistematizar, ou melhor, na sequência destas realidades, as condições económicas inerentes ao deficitário investimento externo e ao recorrente endividamento externo assente numa reduzida taxa de exportações. É evidente por tudo isto que, quer a crise estrutural, quer, em si próprio, o problema económico nacional, não decorrem de uma legislatura. Mais, uma rede de problemas interactivos desta natureza cria uma espécie de bloqueio aos efeitos das medidas positivas que, conjunturalmente, podem alterar, sectorialmente, aqui e ali, a realidade. Por isso, sejamos sérios: antes de mais, reconhecendo que foi a persistente reivindicação político-partidária dos grandes defensores do mercado liberal que conduziu a economia às condições que configuram o panorama nacional; depois, denotando a consciência do papel dos compromissos comunitários e internacionais em que reside grande parte dos condicionalismos que conduziram à desmaterialização progressiva do aparelho produtivo nacional e, finalmente, mas não menos importante, quiçá determinante, o facto da alternância política em que o eleitorado vai apostando, numa lógica simplista de penalização do agravamento das condições de vida, que deita por terra esse recente e martelado argumento das maiorias govenamentais dos últimos 15 anos... porque uma maioria de 4 anos, seguida de uma maioria de sinal contrário por outros tantos anos, significa, nada mais, nada menos do que um jogo de soma zero que não permite a rentabilização das medidas políticas adoptadas pela governação e, consequentemente, a emergência dos seus efeitos e do seu impacto na vida dos portugueses. A gravidade das falácias políticas da oposição em que assentam as suas campanhas demagógicas e sensacionalistas é e será a principal responsável pelas dificuldades com que continuaremos a deparar-nos, no caso de não haver uma maioria socialista para governar... e digo uma maioria socialista porque o seu programa governativo, na sequência do que tem vindo a ser feito, é o único com garantias de execuibilidade ou seja, o que, no espaço de tempo de uma legislatura, pode concretizar medidas viáveis de recuperação económica, a mais urgente das quais é o combate ao desemprego e o atenuar dos efeitos do empobrecimento e da exclusão social que paira, como uma ameaça, cada vez mais próxima, sobre os portugueses.

(Este texto tem publicação simultânea nos blogues; Simplex, PNET Política e Público-Eleições 2009)