Em Espanha, está a tremer o panorama político partidário do "arco da governação", perante o "PODEMOS" que já surge, nas sondagens, como potencial primeira força política, deixando para trás o PSOE e o PP... Imprevisível no tradicional quadro político-partidário europeu (apesar do precedente exemplo do SYRIZA na Grécia), o problema coloca a todos os partidos, povos e cidadãos europeus a questão: Como?... como é que isto é, de facto!, possível?... A resposta é simples: porque, para além de diagnósticos e críticas, o PODEMOS tem propostas e medidas para responder às necessidades das populações e das pessoas e à chamada "crise de financiamento" da vertente social do Estado, apresentando sugestões viáveis para o incentivo ao investimento e à criação de emprego, sem medo de enfrentar banqueiros e grandes empresas a quem exigem um pagamento proporcional ao lucro e ao volume de negócios, com a legitimidade requerida pela responsabilidade social que cabe a TODOS os agentes sociais - sem excepção! PODEMOS!... apesar de, em Portugal (quiçá, demonstração de mais um reflexo da inércia cultural -identitária?!- subjacente às pretensas dificuldades de aprendizagem da matemática das nossas crianças que bloqueiam perante a colocação de problemas ao invés de discernirem soluções -por medo, insegurança, dependência, cobardia e falta de autonomia e autoestima!?!), continuarmos "às voltas sobre nós próprios" a identificar problemas velhos, de há muitas décadas!, recusando dar o passo "em frente", que nos pode libertar da armadilha da ilusão do "fado" ou da "sina", resgatando o passado, recriando o presente e construindo o futuro! VALE A PENA LER AQUI, no EL PAÍS! porque sim: PODEMOS!
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domingo, 2 de novembro de 2014
PODEMOS!... a 1ª Força Política nas Sondagens em Espanha!
Em Espanha, está a tremer o panorama político partidário do "arco da governação", perante o "PODEMOS" que já surge, nas sondagens, como potencial primeira força política, deixando para trás o PSOE e o PP... Imprevisível no tradicional quadro político-partidário europeu (apesar do precedente exemplo do SYRIZA na Grécia), o problema coloca a todos os partidos, povos e cidadãos europeus a questão: Como?... como é que isto é, de facto!, possível?... A resposta é simples: porque, para além de diagnósticos e críticas, o PODEMOS tem propostas e medidas para responder às necessidades das populações e das pessoas e à chamada "crise de financiamento" da vertente social do Estado, apresentando sugestões viáveis para o incentivo ao investimento e à criação de emprego, sem medo de enfrentar banqueiros e grandes empresas a quem exigem um pagamento proporcional ao lucro e ao volume de negócios, com a legitimidade requerida pela responsabilidade social que cabe a TODOS os agentes sociais - sem excepção! PODEMOS!... apesar de, em Portugal (quiçá, demonstração de mais um reflexo da inércia cultural -identitária?!- subjacente às pretensas dificuldades de aprendizagem da matemática das nossas crianças que bloqueiam perante a colocação de problemas ao invés de discernirem soluções -por medo, insegurança, dependência, cobardia e falta de autonomia e autoestima!?!), continuarmos "às voltas sobre nós próprios" a identificar problemas velhos, de há muitas décadas!, recusando dar o passo "em frente", que nos pode libertar da armadilha da ilusão do "fado" ou da "sina", resgatando o passado, recriando o presente e construindo o futuro! VALE A PENA LER AQUI, no EL PAÍS! porque sim: PODEMOS!quarta-feira, 25 de junho de 2014
Direitos do Consumidor - Manipulação e Marketing...
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... selecione as legendas em português, veja, ouça... e pense! Há um binómio, constituído pelo consumismo e o marketing que, para além de nos criar uma certa ilusão de qualidade relativamente à alimentação, contribue, consciente e perigosamente, para nos tornar ignorantes intencionais!... com o intuito, cruel e simples, de garantir o funcionamento do mercado... e o lucro dos seus accionistas!
(via Maria de Lurdes Mateus no Facebook)
segunda-feira, 21 de abril de 2014
quarta-feira, 19 de março de 2014
Perspectiva... - evocação de Medeiros Ferreira!

Primeiro, fiquei triste, desalentada e, entre um baixar de olhos e um lento, quiçá imperceptível!, menear de cabeça, pensei qualquer coisa como "menos um..."... Depois, esta manhã, surgiu-me a frase: Era um Homem que, apesar da força da convicção e para além da opinião, mantinha sempre a consciência da Perspetiva!... pensei não escrever... pensei que a noção de "perspetiva" protegeria o silêncio... mas, fiquei incomodada - por querer dizer, não qualquer coisa mas, não mais que a medida certa... até porque Medeiros Ferreira merecia mais do que lhe dedicaram, publicamente, desde ontem!... Felizmente, surgiu, no Facebook, o texto de José Magalhães e, de súbito, visualizei a articulação entre a frase que persistia na minha cabeça, o conhecimento quase-telúrico de que José Magalhães dá testemunho e a magnífica imagem que aqui partilho e que vira publicada no Facebook de Diamantina Evaristo... Se me permitem, faço desta "composição" a minha homenagem a José Medeiros Ferreira!
"José Medeiros Ferreira
"José Medeiros Ferreira
Nos últimos tempos, publicava menos no blog,mas viajava no seu lugar, com estoicismo assumido sem alardes, selectivo na administração da energia. Colocava nos lugares certos os seus sinais, as disposições finais,vendo uns, falando ou não falando com outros. Sem pressa, como se tivesse à frente todo o tempo do mundo, deu entrevistas de balanço, sem concessões nem meias-tintas. Cortantes, mas sem acrimónia, com a panache de quem cumpriu o seu dever e mais teria cumprido se tivessem sabido pedir-lhe. Mas não pediram,apesar de saberem sobejamente do que era capaz. Conseguiu coisas formidáveis, mas era absolutamente incapaz de fingir crer no que não lhe merecia crédito. Por isso fez tantas vezes o seu percurso em contra-corrente. Vi-o argumentar com brilho impressionante em causas desesperadas e travar batalhas perdidas com fleumática energia, sorriso irónico nos lábios e nos olhos No Congresso do PS de 2004,com o Osvaldo de Castro, Marques Júnior e Maria de Belém , apoiámos Manuel Alegre. Assim foi eleito para órgãos do PS , cargo a que renunciou dois anos depois. Um dos últimos posts que assinou espelha bem o estilo e o homem, fiel aos amigos e a uma forma especial de sabedoria: "Ontem fui a Coimbra participar num colóquio organizado pelo «Clube- Manifesto para uma Renovação Socialista», ou seja organizado Pelo Rui Namorado-que conheço desde as expulsões políticas da Universidade nos anos sessenta! O tema era o da questão europeia, vista esta mais de uma perspectiva social do que propriamente MACRO que tanto atrai os nossos pensadores. Rui Namorado conseguiu reunir pessoas como Maria de Belém,presidente do PS, Carlos Silva o novo Secretário-Geral da UGT. O meu painel, intitulado «A Europa em tempo de crise» foi moderado por outro membro do Clube da Renovação Socialista, Jorge Strecht Ribeiro, e contou ainda com a participação do Luis Marinho, que não via praticamente dos tempos do PE. Foi um dia de intensos debates sobre a Europa Social e o papel dos partidos socialistas na actual fase da crise europeia. Tudo isto graças ao Rui Namorado, sem subsídios nem apoios dos gabinetes da dogmática situacionista." Em poucas palavras : que coisas pode dizer um livre pensador, quando se põe a pensar!" (José Magalhães in "Facebook-José Magalhães")
domingo, 5 de janeiro de 2014
O Precipício Europeu...
Não há projeto social europeu que sobreviva ao esgotamento político feito sobre as economias nacionais... As taxas de desemprego variam, em toda a Europa, entre 5% (na Áustria) e 28% na Grécia!... De facto, a ideia do pleno emprego que se constituiu como bandeira do projeto comum europeu a que aderimos nos anos 80, desapareceu do horizonte coletivo e da visibilidade que uma competente comunicação social obrigaria a manter presente, como prioridade da análise e do comentário sociopolítico. Hoje, a Europa em que vivemos é a que, paradigmaticamente, aparece simbolizada na realidade de uma Europa do Sul, explosiva, à beira da implosão económica e social! Inquestionavelmente, com taxas de desemprego que vão dos 28% na Grécia aos 26% em Espanha (vale a pena explicitar, só para se ter uma ideia do valor real que se oculta sob a estatística, que, aqui, no território que nos é contíguo, estamos a falar de 5 milhões de pessoas!) e em que Itália, Portugal e Chipre se enquadram na mesma lógica económica de degradação societária, não podemos ter ilusões sobre o futuro europeu! Independentemente do que se diz e do que se gostaria de poder dizer, independentemente da invenção da esperança que a demagogia utiliza e à qual a própria arquitetura institucional vai ter que recorrer no curto prazo, a lógica de destruição dos aparelhos produtivos e das soberanias nacionais em nome do monopólio europeu dominado pela dependência alemã que gostaria de ser o único negociador nos blocos regionais internacionais (EUA, Mercosul, Países Árabes e Mercado Asiático), deixou-nos reduzidos a um cenário de empobrecimento real, contínuo e incontornável. Não haja ilusões de espécie alguma: tudo o que for anunciado como recuperação, poderá sê-lo mas não terá comparação nem capacidade de recuperação de tudo o que perdemos, vertiginosamente, nos últimos anos!... A evolução faz-se por saltos?!... provavelmente!... mas são saltos em que entropias e incertezas implicam retrocessos cujos sentidos e orientações só a persistência concertada das massas pode (assente num conhecimento construído e perspetivado com sistematicidade estratégica), inverter. Até agora, da guerra nas ruas, salvou-nos a cidadania que fomos construindo num mundo em que os valores deixaram que a ideia da ética e da responsabilidade social, se massificasse como nunca ocorrera na História da Humanidade até meados do século XX... Porém, este grau de consciência social (soubemo-lo sempre!) nunca foi suficiente!... Por isso e por tudo quanto a ciência permite prever, não é suposto que o seja agora, tão desgastados estão os cidadãos de pretensos "sacrifícios" que são, apenas!, medidas que lhes foram impostas de forma autoritária e autocrática e que lhes são apresentadas como se de um esforço intencional coletivo se tratasse! Não é! É, isso sim, a atuação demagógica da ditadura financeira dos mercados internacionais em defesa dos lucros dos seus investidores, manipulando as "marionetas" vaidosas das políticas nacionais que atuam como protagonistas de uma verdadeira e concertada dissimulação manipulatória das massas... Moral da história: será muito improvável que as pessoas não revelem que compreendem a perversidade com que a gestão política está a atuar na governação da Polis e da "coisa pública"! Por isso, em nome de valores e princípios complexos e ambíguos, "a Nação", "a Pátria", "o interesse nacional", é previsível que assistamos à derrocada de um grande sonho coletivo e à emergência de uma catástrofe social europeia! Cabe-nos, portanto, (re)colocar a pergunta que se justifica neste contexto: "O Que Fazer?"... e, já agora, para a reinvenção ou construção de eventuais respostas, convém relembrar que o cerne da questão reside na falta de cultura inerente ao exercício de uma efetiva responsabilidade social que carateriza os protagonistas das inexistentes "elites" do pensamento político-partidário contemporâneo.
(...entretanto, partilho convosco a versão de Manu Chao do imortal "Bella Ciao"...)
terça-feira, 11 de junho de 2013
Da Convergência como Avenida...
Ouvi na televisão as palavras de António Costa e de Jerónimo de Sousa na inauguração da Avenida Álvaro Cunhal, em Lisboa... comoveu-me a dignidade do Presidente da CML ao referir a "seriedade pessoal" de Álvaro Cunhal... comoveu-me porque, de facto, é de seriedade que se trata quando pensamos na responsabilidade cívica e humana que a existência, associada à ética, implica, no que à atividade política respeita... por isso, agradeço-lhe hoje essas palavras, transcrevendo o texto da Antena 1 que encontrei no blogue Antreus da autoria de António Abreu:
"Apelo de António Costa a "convergência" na inauguração da Avenida Álvaro Cunhal
«Antena 1 - 08 Jun, 2013, 14:48
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, apelou hoje à "convergência no essencial", na cerimónia de inauguração da Avenida Álvaro Cunhal, na freguesia lisboeta do Lumiar, durante a qual foi tocada "A Internacional".
O autarca socialista considerou que o centenário do nascimento de Álvaro Cunhal acontece num tempo difícil, que "exige a nossa intervenção e não a nossa indiferença, a nossa ação e não a nossa submissão, a nossa convergência no essencial e não a nossa divisão no acessório.
Precisamos de ideias, de causas, de esperança e de confiança no futuro", afirmou."Penso que o melhor tributo que podemos prestar a Álvaro Cunhal é olhar para aquilo que na sua vida e na sua luta nos pode inspirar, unir e mobilizar.
Falo no seu exemplo de seriedade pessoal, da coragem na adversidade, da audácia na ação, da capacidade de resistir e de persistir, da clareza nos propósitos e objetivos, da firmeza e da tenacidade na luta", acrescentou.
Segundo António Costa, "qualquer que seja o juízo que se tenha" das ideias e do legado político de Álvaro Cunhal, "ninguém lhe pode negar a entrega total e pessoalmente desinteressada àquilo em que acreditava, a coerência firme e inflexível, a militância constante e determinada, a fidelidade e a devoção aos seus princípios ideológicos e políticos".
"Ao atribuir o nome de Álvaro Cunhal a uma avenida da nossa cidade, a Câmara Municipal de Lisboa cumpre a sua responsabilidade institucional na construção de uma memória coletiva aberta, plural, tolerante e atualizada", defendeu, acrescentando mais tarde que o líder histórico do PCP "era uma figura imprescindível no espaço público da cidade de Lisboa".
Questionado pelos jornalistas sobre se tinha feito um apelo a uma convergência da esquerda, António Costa riu-se e escusou-se a desenvolver o assunto.»"
sábado, 1 de junho de 2013
Todos os apelos do mundo...
... por um país melhor para todos que já tarda e se não pode continuar a adiar!
quinta-feira, 25 de abril de 2013
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Por Abril, Antes de Abril...
"O Meu 25 de Abril Não Foi um Dia de Festa
Helena Pato
Uma semana antes do dia da revolução, finalmente, regressámos a casa: tínhamos andado por Londres, fugidos, à espera que a situação dele se definisse. De tempos a tempos era isto.
Voltámos na convicção de que o perigo de prisão havia passado, mas, mesmo assim, no dia da chegada queimámos tudo quanto era papel que pudesse incriminar-nos. Eram tantos – ou ...a nossa minúcia tão grande – que a sanita em que decorreu a operação estalou com o calor. Depois, pela noite fora, ainda fizemos inúmeros lançamentos da varanda do nosso quarto para os pátios do casario do Bairro das Colónias: Avantes e Militantes, comunicados à população, jornais e posters da CDE, tudo em rolos atados com cordéis (com uma batata dentro para pesarem mais). Foguetões de imprensa ilegal disparados para o espaço para que alguém a lesse e aproveitasse com aquela operação de limpeza. Os materiais clandestinos eram sagrados: evitávamos desperdiçar os que, pelo seu conteúdo e actualidade, constituíam um meio de informação acerca do que se estava a passar no país e nas colónias. A seguir fomos deitar-nos em paz. Paz, porém, efémera.
Ao alvorecer, tal como era prática deles, tocaram-nos à porta – e, exactamente à mesma hora, à porta de mais uma dúzia de antifascistas em Lisboa. Em nossa casa, quase em simultâneo, o telefone começou a tocar ininterruptamente: eram jornalistas e familiares de amigos (que também haviam sido presos), querendo avisar-nos da vaga de prisões. A notícia estava a chegar aos jornais. Para nós era tarde. Já nos tinham entrado pela casa dentro três agentes da PIDE/DGS e um inspector. Este, logo à entrada, informou o Zé de que ia ser «detido para averiguações» – a fórmula do costume. Mandaram-no arran- jar-se com brevidade e, enquanto um deles se colou à porta, entreaberta, da casa de banho, os outros dois passaram a pente fino os quartos, a sala, a cozinha, tudo. Procuravam algo que o incriminasse. Em vão, que a operação de limpeza feita na véspera não deixara rasto
das actividades que desenvolvíamos. «Para fazer uma busca a sério aqui nem uma semana», dizia, desalentado, o agente Coelho.
O telefone não se calava. «Que ninguém responda! Bem sabemos que há muita gente a querer falar consigo», avisou um deles, um tal Bronze, enquanto folheava manuscritos, numa busca minuciosa dos trabalhos do historiador, acompanhada de comentários. Nem eu nem o Zé tivemos dúvidas do que, pela cidade, estaria a acontecer.
Finda a busca esmiuçada, começaram a atirar para o chão livros que retiravam das estantes: umas dezenas, seleccionados para apreensão, em grande parte, com base em critérios que evidenciavam a profunda ignorância daquela gente da PIDE/DGS. Poucos minutos depois, uns atapetavam a sala, outros acumulavam-se em pilhas. Enquanto a devassa decorria, os nossos filhos aguardavam por Abril. Ela, com 1 ano e meio, dormia, serena. Ele, com 3 anos, interrogava, inocente: «Estão a ler os nossos livros?»
No dia seguinte fiz 35 anos e reuni a família em casa, num jantar, a fazer de conta que a vida prosseguia. As crianças batiam palmas, contentes, soprando as velas do bolo de aniversário, e eu só ansiava pelo 25 de Abril... Assim mesmo: pelo dia 25 de Abril. Parecerá estranho, mas tem explicação: tinha-me sido marcada a primeira visita com ele para essa histórica quinta-feira.
Na véspera deitei-me ansiosa por que chegasse a manhã. Às 11 horas ia a Caxias vê-lo e levar-lhe roupas.
Pelas 4 da madrugada, o telefone tocou na sala e, em sobressalto, fui atender. Do outro lado, uma voz grave: «Venho informá-la de que estão em curso movimentações militares para derrubar o regime… Estamos a começar uma revolução e uma das primeiras coisas que vamos fazer é libertar o seu marido e todos os presos políticos.»
«Só me faltava este!», pensei e, sem dizer uma palavra, desliguei o telefone. «Provocadores!», resmunguei, enquanto regressava à cama. Pelas 6 horas acordaram-me outra vez, mas agora era alguém que reconheci a dar-me a notícia. O jornalista António Santos falava e, ao fundo, ouvia-se o barulho da rotativa do jornal.
Desde então e até à madrugada do dia 27 segui nas margens da revolução, sem testemunhar a sua componente popular. Horas e horas num sufoco, com o coração no fio da navalha.
Vi o telejornal do dia 25 em casa de um amigo que conhecia da Seara Nova e das CDE, o Alberto Pedroso. Hoje, passados todos estes anos, não me lembro de coisas que então julguei que iriam ficar dentro de mim até ao fim dos meus dias. Vividos em estados emocionais exacerbadíssimos e numa explosão de afectos, aqueles acontecimentos pareciam estar a ser inscritos de forma indelével na minha memória. É, pois, surpreendente que não tenha a menor ideia do que, à noite, vi na RTP e nem me lembre de uma grande parte do que fiz durante o dia. Ficaram-me retalhos: uma reunião dos familiares dos presos em Benfica (em casa do Fernando Correia e da Julieta), uma ida à rádio com a Aida Magro, a convite do Comando do MFA, para falarmos em representação das famílias, e o meu pai, ao meio-dia, no passeio em frente da casa da Encarnação, vestido de uma maneira inusitada – impossível de o imaginar – e numa exteriorização pública de sentimentos impensável na sua personalidade. Fui lá deixar os meus filhos, e ele, em pijama e com ar calmo, cansado de décadas sem liberdade – referindo-se à PIDE, ao governo e aos fascistas –, clamava para os vizinhos e a quem passava: «Eles têm de ser julgados num tribunal plenário. Não pode haver perdão para o que fizeram!» Talvez seja esta a imagem do dia 25 de Abril que retenho com maior precisão. O resto aparece-me formatado em sequências de «quadradinhos» dispersos, como se fosse uma banda desenhada desconstruída.
Por vezes, colo às recordações que guardo as imagens audiovisuais reproduzidas na comunicação social ao logo destes trinta e tal anos e deixo de ter o meu 25 de Abril para passar a ter outro, o que a história me vem ajudando a desenhar. Acontece-me dar comigo a responder a questões colocadas por jovens nas escolas, ou por amigos, acerca de acontecimentos que eu mesma vivi no dia da revolução, usando informação colhida em documentários transmitidos actualmente pelas televisões, e não, como seria natural, recorrendo ao testemunho pessoal, na sua pureza. Aparente pureza – talvez este fosse realmente o menos objectivo, já que entretecido pelas emoções da revolução com as naturais «revoluções» da minha memória.
Muito diferente é, na verdade, o que me sucede com a memória
da noite de 25 para 26, essa parecendo-me infinitamente precisa
tenho a sensação de que nada se perdeu, nada foi acrescentado, nada do que vivi me foi adulterado.
O estertor do regime revelou-se particularmente difícil para os presos políticos, sobretudo para aqueles, homens e mulheres, que se encontravam em Caxias. Começaram por desconhecer a natureza das movimentações de que se davam conta, admitindo tratar-se de um golpe da extrema-direita. Depois foram horas e horas de espera, de angústia, que partilhámos com eles, porque lha adivinhámos, minuto a minuto. No exterior do forte, nós, as famílias, tínhamos a informação de que estavam a decorrer cuidadas negociações e conhecíamos o risco de os “pides” ou os guardas prisionais, antes de se entregarem, poderem abrir fogo contra os presos. Pouco terá ficado registado, gravado, filmado, impresso, acerca do desfiar das longas e dramáticas horas vividas por quem aguardava cá fora – sobretudo na proximidade da prisão. Na memória do grupo aí presente estarão, de certeza, esculpidos pedaços tenebrosos do princípio da revolução.
Soubemos mais tarde que, perante a hipótese de irem sendo libertados a conta-gotas, de acordo com um critério supostamente negociado, responderam: «Só saímos todos de uma vez, ao mesmo tempo!» Assim aconteceu. As portas da prisão de Caxias só se abriram a 27 de Abril de 1974.
Assisti, de longe, à saída. Tentei aproximar-me dele, mas não consegui. Nem sequer acenar-lhe. Percebi que nesse momento não me pertencia: havia uma multidão que o envolvia e um mundo de jornalistas que o entrevistavam. Vi-o entrar para um carro e avançar a custo por entre milhares de pessoas que o saudavam com a alegria própria das horas de libertação. Entretanto, eu, ali parada junto dos amigos, sentindo que os nossos corações batiam a compasso, aclamava todos os companheiros que iam saindo. Houve um jornalista que me deu o recado: «O Tengarrinha pediu-me para lhe dizer que vai ter a casa depois das reuniões que agora o esperam com o MFA e com a CDE.»
Para mim iam começar os belos e difíceis dias da revolução!"
Voltámos na convicção de que o perigo de prisão havia passado, mas, mesmo assim, no dia da chegada queimámos tudo quanto era papel que pudesse incriminar-nos. Eram tantos – ou ...a nossa minúcia tão grande – que a sanita em que decorreu a operação estalou com o calor. Depois, pela noite fora, ainda fizemos inúmeros lançamentos da varanda do nosso quarto para os pátios do casario do Bairro das Colónias: Avantes e Militantes, comunicados à população, jornais e posters da CDE, tudo em rolos atados com cordéis (com uma batata dentro para pesarem mais). Foguetões de imprensa ilegal disparados para o espaço para que alguém a lesse e aproveitasse com aquela operação de limpeza. Os materiais clandestinos eram sagrados: evitávamos desperdiçar os que, pelo seu conteúdo e actualidade, constituíam um meio de informação acerca do que se estava a passar no país e nas colónias. A seguir fomos deitar-nos em paz. Paz, porém, efémera.
Ao alvorecer, tal como era prática deles, tocaram-nos à porta – e, exactamente à mesma hora, à porta de mais uma dúzia de antifascistas em Lisboa. Em nossa casa, quase em simultâneo, o telefone começou a tocar ininterruptamente: eram jornalistas e familiares de amigos (que também haviam sido presos), querendo avisar-nos da vaga de prisões. A notícia estava a chegar aos jornais. Para nós era tarde. Já nos tinham entrado pela casa dentro três agentes da PIDE/DGS e um inspector. Este, logo à entrada, informou o Zé de que ia ser «detido para averiguações» – a fórmula do costume. Mandaram-no arran- jar-se com brevidade e, enquanto um deles se colou à porta, entreaberta, da casa de banho, os outros dois passaram a pente fino os quartos, a sala, a cozinha, tudo. Procuravam algo que o incriminasse. Em vão, que a operação de limpeza feita na véspera não deixara rasto
das actividades que desenvolvíamos. «Para fazer uma busca a sério aqui nem uma semana», dizia, desalentado, o agente Coelho.
O telefone não se calava. «Que ninguém responda! Bem sabemos que há muita gente a querer falar consigo», avisou um deles, um tal Bronze, enquanto folheava manuscritos, numa busca minuciosa dos trabalhos do historiador, acompanhada de comentários. Nem eu nem o Zé tivemos dúvidas do que, pela cidade, estaria a acontecer.
Finda a busca esmiuçada, começaram a atirar para o chão livros que retiravam das estantes: umas dezenas, seleccionados para apreensão, em grande parte, com base em critérios que evidenciavam a profunda ignorância daquela gente da PIDE/DGS. Poucos minutos depois, uns atapetavam a sala, outros acumulavam-se em pilhas. Enquanto a devassa decorria, os nossos filhos aguardavam por Abril. Ela, com 1 ano e meio, dormia, serena. Ele, com 3 anos, interrogava, inocente: «Estão a ler os nossos livros?»
No dia seguinte fiz 35 anos e reuni a família em casa, num jantar, a fazer de conta que a vida prosseguia. As crianças batiam palmas, contentes, soprando as velas do bolo de aniversário, e eu só ansiava pelo 25 de Abril... Assim mesmo: pelo dia 25 de Abril. Parecerá estranho, mas tem explicação: tinha-me sido marcada a primeira visita com ele para essa histórica quinta-feira.
Na véspera deitei-me ansiosa por que chegasse a manhã. Às 11 horas ia a Caxias vê-lo e levar-lhe roupas.
Pelas 4 da madrugada, o telefone tocou na sala e, em sobressalto, fui atender. Do outro lado, uma voz grave: «Venho informá-la de que estão em curso movimentações militares para derrubar o regime… Estamos a começar uma revolução e uma das primeiras coisas que vamos fazer é libertar o seu marido e todos os presos políticos.»
«Só me faltava este!», pensei e, sem dizer uma palavra, desliguei o telefone. «Provocadores!», resmunguei, enquanto regressava à cama. Pelas 6 horas acordaram-me outra vez, mas agora era alguém que reconheci a dar-me a notícia. O jornalista António Santos falava e, ao fundo, ouvia-se o barulho da rotativa do jornal.
Desde então e até à madrugada do dia 27 segui nas margens da revolução, sem testemunhar a sua componente popular. Horas e horas num sufoco, com o coração no fio da navalha.
Vi o telejornal do dia 25 em casa de um amigo que conhecia da Seara Nova e das CDE, o Alberto Pedroso. Hoje, passados todos estes anos, não me lembro de coisas que então julguei que iriam ficar dentro de mim até ao fim dos meus dias. Vividos em estados emocionais exacerbadíssimos e numa explosão de afectos, aqueles acontecimentos pareciam estar a ser inscritos de forma indelével na minha memória. É, pois, surpreendente que não tenha a menor ideia do que, à noite, vi na RTP e nem me lembre de uma grande parte do que fiz durante o dia. Ficaram-me retalhos: uma reunião dos familiares dos presos em Benfica (em casa do Fernando Correia e da Julieta), uma ida à rádio com a Aida Magro, a convite do Comando do MFA, para falarmos em representação das famílias, e o meu pai, ao meio-dia, no passeio em frente da casa da Encarnação, vestido de uma maneira inusitada – impossível de o imaginar – e numa exteriorização pública de sentimentos impensável na sua personalidade. Fui lá deixar os meus filhos, e ele, em pijama e com ar calmo, cansado de décadas sem liberdade – referindo-se à PIDE, ao governo e aos fascistas –, clamava para os vizinhos e a quem passava: «Eles têm de ser julgados num tribunal plenário. Não pode haver perdão para o que fizeram!» Talvez seja esta a imagem do dia 25 de Abril que retenho com maior precisão. O resto aparece-me formatado em sequências de «quadradinhos» dispersos, como se fosse uma banda desenhada desconstruída.
Por vezes, colo às recordações que guardo as imagens audiovisuais reproduzidas na comunicação social ao logo destes trinta e tal anos e deixo de ter o meu 25 de Abril para passar a ter outro, o que a história me vem ajudando a desenhar. Acontece-me dar comigo a responder a questões colocadas por jovens nas escolas, ou por amigos, acerca de acontecimentos que eu mesma vivi no dia da revolução, usando informação colhida em documentários transmitidos actualmente pelas televisões, e não, como seria natural, recorrendo ao testemunho pessoal, na sua pureza. Aparente pureza – talvez este fosse realmente o menos objectivo, já que entretecido pelas emoções da revolução com as naturais «revoluções» da minha memória.
Muito diferente é, na verdade, o que me sucede com a memória
da noite de 25 para 26, essa parecendo-me infinitamente precisa
tenho a sensação de que nada se perdeu, nada foi acrescentado, nada do que vivi me foi adulterado.
O estertor do regime revelou-se particularmente difícil para os presos políticos, sobretudo para aqueles, homens e mulheres, que se encontravam em Caxias. Começaram por desconhecer a natureza das movimentações de que se davam conta, admitindo tratar-se de um golpe da extrema-direita. Depois foram horas e horas de espera, de angústia, que partilhámos com eles, porque lha adivinhámos, minuto a minuto. No exterior do forte, nós, as famílias, tínhamos a informação de que estavam a decorrer cuidadas negociações e conhecíamos o risco de os “pides” ou os guardas prisionais, antes de se entregarem, poderem abrir fogo contra os presos. Pouco terá ficado registado, gravado, filmado, impresso, acerca do desfiar das longas e dramáticas horas vividas por quem aguardava cá fora – sobretudo na proximidade da prisão. Na memória do grupo aí presente estarão, de certeza, esculpidos pedaços tenebrosos do princípio da revolução.
Soubemos mais tarde que, perante a hipótese de irem sendo libertados a conta-gotas, de acordo com um critério supostamente negociado, responderam: «Só saímos todos de uma vez, ao mesmo tempo!» Assim aconteceu. As portas da prisão de Caxias só se abriram a 27 de Abril de 1974.
Assisti, de longe, à saída. Tentei aproximar-me dele, mas não consegui. Nem sequer acenar-lhe. Percebi que nesse momento não me pertencia: havia uma multidão que o envolvia e um mundo de jornalistas que o entrevistavam. Vi-o entrar para um carro e avançar a custo por entre milhares de pessoas que o saudavam com a alegria própria das horas de libertação. Entretanto, eu, ali parada junto dos amigos, sentindo que os nossos corações batiam a compasso, aclamava todos os companheiros que iam saindo. Houve um jornalista que me deu o recado: «O Tengarrinha pediu-me para lhe dizer que vai ter a casa depois das reuniões que agora o esperam com o MFA e com a CDE.»
Para mim iam começar os belos e difíceis dias da revolução!"
(Com um agradecimento e um grande abraço à Helena Pato, autora que partilhou este extraordinário testemunho no Facebook)
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Contra o Colaboracionismo!
"Antonis Samaras, o líder conservador do governo grego, não quer ser bom aluno da troika. Não é! Usa tudo o que pode para minorar os efeitos perversos da austeridade, recorrendo até ao argumento extremo das reparações de guerra, os efeitos da presença dos exércitos da Alemanha nazi na Grécia, há setenta anos. Antes isso do que ser um colaboracionista empenhado."
(texto de Paulo Dentinho, a quem agradeço a partilha no Facebook; a imagem, também via Facebook, chegou através da Graça Camões Galhardas)
segunda-feira, 8 de abril de 2013
O Que Fazer?!...
... a evocação surge a propósito da grande pergunta: "O Que Fazer?" face a tudo o que nos é dado como incontornável!?... e também ao que AQUI podemos ler, sinal de que os autoritarismos se não reformam, mesmo depois das sucessivas demonstrações da sua ineficácia e inequívoca desadequação à realidade, no caso, por já tantos países europeus...
(a imagem chegou via Helena Pato no Facebook)
sexta-feira, 22 de março de 2013
domingo, 10 de março de 2013
Da Resiliência...
“A sobrevivência do Euro fez-se à custa da destruição de instituições sociais e de uma enorme taxa de desemprego na periferia. Isso é um desastre." (James K. Galbraith). Oportuna, a citação que acabei de ler no mural de Flávio Pinho, deu-me o mote: não há muito a acrescentar perante os factos, designadamente quando a necessidade de intervir é tão inequívoca... Afinal, só a China proclama acreditar na UE por estar segura de que o seu expansionismo de mercado tem aqui todas as garantias... sim, a mesma China que executa milhares/milhões de pessoas em nome de um controle político que ninguém reconhece como legítimo - a não ser nos termos da desresponsabilização coletiva com que os governos e as sociedades estão, cada vez mais, a deixar de pensar e de exigir o respeito pelos Direitos Humanos (ler aqui). Por cá, o absurdo demagógico de uma "política de poder" (dominante e oposicionista) que deixa silenciada a chamada "magistratura de influência", reforçando a inflexibilidade da subordinação política do governo aos interesses das instâncias internacionais, arrefece, progressivamente, a pressentida ausência de convições e alternativas do principal partido opositor da designada democracia representativa... Participativa e/ou representativa, a forma democrática subjacente ao sistema eleitoral está nas mãos dos cidadãos... e ainda que o seu horizonte seja tão repetitivo e insatisfatório como o panorama protagonizado pelos protagonistas políticos dos nossos dias, a esperança, resiliente!, continua a tentar encontrar caminho...
segunda-feira, 4 de março de 2013
domingo, 3 de março de 2013
Grândola à Solta para Separar o Trigo e o Joio...
"Eu vi este povo a lutar..." - diz a canção de boa-memória e que a História reedita, simbólica e relevantemente, nos dias que correm, ao som de um renovado e transversal canto de "Grândola Vila Morena". Evidência maior da natureza complexa das soluções simplistas que, durante muitos anos, na quente reação de oposição aos negros tempos da ditadura, nos fizeram acreditar que o facto de vivermos num regime democrático (leia-se: em que o sistema eleitoral e o pluralismo político-partidários se encontram garantidos), nos permite a certeza de que estamos protegidos contra a abusiva tentação de perpetuar o autoritarismo, o presente defronta-nos com o maior dos desafios: o de saber como resolver legitima e pacificamente o exercício danoso de políticas que atentam contra o interesse nacional e violentam os direitos das pessoas, promovendo o empobrecimento, a exclusão e o exílio de quem procura, apenas!, sobreviver em dignidade. E se temos, na Constituição da República Portuguesa, o melhor dos instrumentos de referência para a orientação da vida do país, na assertiva consagração dos princípios e valores que elegemos, reconhecemos e exigimos sem relativismos ou abdicações, a verdade é que constatamos a escalada inexorável da degradação das condições de vida dos cidadãos, através da degradação sem retorno das condições e dos fatores de produção que nos poderiam resgatar de um intensivo regime de austeridade cujos fins, exclusivamente financeiros e inequivocamente infutíferos, agravam a cada dia uma realidade económica e social insustentável e reduzem a possibilidade de recuperação da soberania e da sustentabilidade das populações que os Estados têm, desde a sua fundação, como primeira e inequívoca obrigação. Por isso, agora, numa altura em que assistimos a um constante e incansável movimento que devolve a vida às palavras que fizeram do poema e da canção "O Povo Saiu à Rua" (ex-libris da exercício da consciência política e do apelo à Liberdade), ocorre-me a sugestão que, um dia, a propósito de uma realidade que não quero intencionalmente aqui referir porque não vem ao caso e implicaria considerandos que se não aplicam à situação relativamente à qual a evoco, Pinheiro de Azevedo (personagem por quem nem sequer nutri qualquer simpatia) relembrou aquilo que designou por "marcha verde", em referência ao que escrevera sob o título "como executar uma nova carta de escambo"! ... porque se um dia o número de pessoas a apelar à mudança e a imparável e repetida manifestação de vontades e opiniões for igual ou superior a dois terços, no caso, dos eleitores (e não da população conforme o previsto na doutrina evocada pelo referido Almirante), esse facto deveria ser suficiente para garantir aos portugueses a possibilidade de exigir com efeitos concretos novas políticas, novas governações e, quem sabe, apresentar um modelo conforme à Constituição que garantisse novas modalidades de gestão económico-social... porque está, de facto, em causa a vida de milhões de pessoas... e isso é matéria inequívoca de Direitos Humanos!
sábado, 16 de fevereiro de 2013
Hoje, Contra a Exploração e o Empobrecimento!
A manifestação marcada para hoje, sábado, dia 16/02, parte às 15h do Largo do Príncipe Real em direção à Praça do Município, em Lisboa. Espera-se que o país venha para a rua demonstrar que a austeridade imposta pela política financeira não conta com a complacência dos cidadãos, sufocados ao limite pelo desemprego, a carga fiscal e a progressiva degradação do exercício dos direitos sociais e dos trabalhadores.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Um Gesto Faz Mudar o Mundo...
Rosa Parks, a mulher que, de forma desassombrada, se recusou, simplesmente!, a sair do lugar onde se sentara num autocarro apenas porque o racismo "obrigava" à humilhação e ao reconhecimento público da "primazia" branca, nasceu há 100 anos... Presa, na sequência da sua legítima decisão, Rosa Parks assumiu uma atitude que uniu os seus concidadãos na revolta contra a desigualdade e na reivindicação de direitos iguais, tornando-se um exemplo inequívoco para todos os indivíduos e povos com valores e práticas discriminatórias, nomeadamente, em função da etnia e da cor. Exemplos como o de Rosa Parks, lembram-me sempre o lema de um dos heróis de Shaolin, cuja série televisiva fez as delícias de muitos adolescentes e adultos: "Um homem pode mudar um povo, um povo pode mudar o mundo!"... porque Rosa Parks é um exemplo de dignidade que, com uma simples atitude, deveriamos erguer bem alto como inspiração de cada acto nas nossas vidas! (o vídeo chegou via Nuno Ramos de Almeida)
domingo, 27 de janeiro de 2013
Preservar a Memória...
... para que se não esqueça!... porque as vítimas foram muitas, foram milhões (ler aqui)... entre eles, também, portugueses...
(via Maria João Fitas no Facebook)
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Entre a Austeridade e a Mente... segundo A.Damásio
... seria repetir uma verdade de senso comum, dizer que o conhecimento assenta na necessidade e no esforço de promoção do bem-estar da sociedade... uma verdade que, diga-se em abono da verdade!, políticos e financeiros pretendem ignorar (como se uma tal atitude alterasse a realidade!)... enfim!... talvez por isso e pela ambivalência em que o mundo oscila entre extremos, contrários e contradições, não seja demais relembrar: o conhecimento e o saber são instrumentos de aperfeiçoamento da humanidade e, nesse sentido, visam a equidade e a justiça social - e se assim não acontece, o problema não decorre do conhecimento em si mesmo mas, do carácter e da ética de quem o manipula!... enfim... para me não repetir, partilho aqui as palavras de António Damásio...
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