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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Presidência Belga da UE - entre elogios e progressos?!



A Presidência belga da União Europeia diz orgulhar-se do Tratado de Lisboa, alertando contudo, para a necessidade de "a Europa fazer mais progressos" (ler aqui e aqui)... as afirmações requerem, a título de comentário, duas perguntas: 1 - se têm orgulho no Tratado de Lisboa, para que o querem mudar?; 2 - o que entende a União Europeia por "progressos"?... é que, se bem percebi as razões e argumentos até agora vindos a público, os "progressos" a que se referem visam alterar o Tratado de Lisboa e os seus destinatários são os cidadãos, objecto de renovadas medidas relativas à flexibilidade laboral e aos custos de incumprimento dos ditos "critérios de convergência" que, segundo nos diz a experiência, apenas garantem a continuidade da nossa divergência e das condições de deficit e endividamento das economias mais fragilizadas... daí que, mais uma vez se prove que a efabulação política e a argumentação económico-social mais não sejam do que expressões de recurso da retórica e da sofística que permanecem como as grandes armas da diplomacia dos mercados...

sábado, 20 de novembro de 2010

Ainda a Cimeira da Nato em Lisboa...


Um novo conceito estratégico, promotor do reforço da cooperação e do trabalho em rede, designadamente com outras organizações, bem como a criação de um espaço comum de defesa e protecção dos territórios europeu e norte-americano materializada num escudo anti-misseis, foram dois dos objectivos da Cimeira da Nato 2010 que ainda decorre em Lisboa. Outro objectivo, da maior importância no plano da cooperação internacional, dado o aval da ONU à intervenção militar no Afeganistão, foi o estabelecimento do início do período de transição para a retirada das forças militares estrangeiras do território afegão que, negociado com o Presidente Hamid Karzai, definiu a data de 2014 para o início desta operação, preparada a partir de agora com o reforço da formação das polícias afegãs no sentido de viabilizar uma maior sustentabilidade à autonomia da gestão da segurança interna deste país, massacrado por décadas de guerra e que se continua a defrontar com a resistência à participação externa e a instabilidade repressiva e violenta no seu interior. A Cimeira da Nato vai agora, nos trabalhos paralelos da Cimeira Nato-Rússia, discutir e analisar o relacionamento deste país com a organização e o protagonismo da iniciativa é devolvido aos protagonistas que estiveram na origem da criação da Nato, dessa vez enquanto forças antagónicas e, hoje, enquanto parceiros, ou seja, os Presidentes Barack Obama e Dmitri Medvedev, cujas boas relações auguram o sucesso da iniciativa. Numa sociedade cada vez mais globalizada, onde os tráficos de armas, drogas e seres humanos servem os piores propósitos das redes de um contra-poder, a correlação de forças perante ameaças imprevistas e aparentemente avulsas mas, de fortissimo impacto mundial, recorre ao regime de compromissos alargado, como forma de redução da margem de manobra das iniciativas bélicas unívocas e, consequentemente, como estratégia de diminuição da probabilidade de ocorrência de conflitos armados detonados em contextos oportunisticamente susceptíveis de serem provocados a nível bilateral... Manter controlados politicamente os custos sociais da persistência da eclosão das guerras é uma das formas de prevenir a manutenção da Paz... outra, é a manifestação pacífica dos cidadãos que, apelando ao diálogo, relembram que a violência não pode e não deve ser argumento político - como se deseja que seja o caso da manifestação prevista para esta tarde entre o Marquês de Pombal e os Restauradores, em Lisboa.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Da Cimeira da Nato, em Lisboa...


A NATO é a organização de defesa dos países da Europa que, do Tratado de Países do Atlântico Norte (ler aqui), passou a uma espécie de forum da defesa dos países do mundo ocidental e que tem, nos próximos dias, o seu Encontro Anual em Lisboa (ler aqui). Cabe esclarecer que, se até hoje, o papel da NATO ficou conhecido pelo seu carácter belicista decorrente da famigerada Guerra Fria que opunha o Pacto de Varsóvia (ou mais, concretamente, a ex-URSS) aos países europeus pró-americanos, nos dias que correm, face à conturbada e globalizada sociedade mundial em que nos movemos (ler aqui), se a sua existência se justifica é, apenas, no sentido de se alterar o seu perfil belicista e de se procurar que cumpra, ao nível dos seus objectivos reais, além da defesa dos cidadãos (e não do belicismo ideológico-económico), a função de desenvolver a política de desarmamento nuclear e de segurança internacional que todos almejam. A extinção da NATO não é, por ora, previsível, no contexto da luta pela Paz, dada a complexidade da segurança/insegurança internacional; porém, a participação de novos protagonistas na gestão da organização, designadamente daqueles cuja filosofia política se aproxima mais da que preconizam os cidadãos de boa-vontade, pacifistas e convictos defensores do diálogo e da negociação, pode ajudar a alterar o seu perfil político e organizacional. É o caso do Presidente Barack Obama que, apesar de todos os problemas em que a conjuntura ou, melhor dito, a correlação de forças dominante, o leva a ter que participar como parte activa no âmbito das respectivas dinâmicas colectivas, pode contribuir para a mudança substancial do "espírito" da organização!... apesar de tudo - sublinhe-se!... porque não é fácil mudar instituições nem ideologias e menos ainda, porque a dificuldade é proporcional à dimensão do seu poder económico-político-financeiro e ideológico... por isso, é bom que os cidadãos continuem a manifestar-se pacificamente pela defesa da Paz, contra a guerra e a lógica belicista que promove a indústria da guerra contra o reconhecimento da diversidade cultural... sem que isso implique a incompreensão da existência de foruns internacionais sobre a defesa de todos! Pela Paz, Lutar, Lutar! Dentro e Fora das Organizações! Sempre, Pacificamente... porque a Razão estará sempre ao lado da Não-Violência! ... e um mundo melhor para todos -mas mesmos todos!, os "cidadãos do mundo", é preciso!... um mundo onde a defesa e o respeito pelos Direitos Humanos sejam o primeiro e inalienável princípio, na teoria e na prática... Que o caminho não é fácil, já o sabemos... que o caminho se faz caminhando é também, desde sempre, a nossa certeza!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A propósito de Presidentes da República...

A propósito de Presidentes da República é útil lembrar que, num país cuja vida económica é de uma debilidade evidente e cuja organização política se deixa sucumbir a querelas partidárias sem o investimento empenhado na resolução de uma crise que, sem soluções conjuntas, não será ultrapassada de acordo com o que ditam as necessidades da população, é fundamental que o Presidente da República seja o garante democrático sustentado de um Estado Social que se requer forte para resistir ao impacto social das medidas internas e externas que facilmente cedem aos interesses economicistas do mercado. Por isso, vale a pena ler o que pensa Jorge Sampaio sobre os problemas europeus que alguns "grandes" lideres andam a propagandear no sentido de legitimar a Europa a Duas Velocidades e o que propõe Manuel Alegre.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Da Construção dos Manifestos...


Há uma geração que tornou possível a Liberdade e nos deu, para a vivermos, nos seus bons e maus momentos, a Democracia!... O meu orgulho nessa geração é imenso e sinto-me, se me permitem!, parte do seu legado! Maior é ainda essa alegria quando encontro, nos dias que correm, as palavras e os actos com que, pela sua força, o seu exemplo, a sua coragem e a sua determinação, identifico a raiz do meu sentido de justiça e liberdade! Hoje, encontrei no Água Lisa, um lindissimo texto de João Tunes que, no Carta a Garcia, Osvaldo Castro, tentando escapar à referência explícita, reencaminhou para o que propõe ser um "pré-argumentário" do Manifesto da campanha de Manuel Alegre! Todos percebemos porquê!... e eu, por mim, subscrevo o sentido, a intenção e... agora, amigos, companheiros e cidadãos, vamos à luta... por uma sociedade que não perca as referências pelas quais tantos lutaram e que, tantos de nós, hoje, queremos manter vivas... por um Futuro Humano, Livre e Digno!

Condenar Israel - Apoiar a Palestina!

Chocante e inqualificável é o mínimo que se pode dizer da actuação de Israel contra os activistas pró-palestinianos (ler aqui e aqui) que tentavam fazer chegar alguma ajuda humanitária a Gaza. A persistência do cerco e a agressividade sistémica contra os territórios ocupados da Palestina, faz lembrar métodos de extermínio dissimulados que não passarão incólumes na História, reconhecido que é o exercício abusivo do terrorismo de Estado de Israel. É urgente que o povo israelita dê o rosto e a comunidade judaica levante a voz contra esta permanente violação dos Direitos Humanos, sob pena da comunidade internacional, pelo menos, em termos de sociedade civil, deixar de reconhecer a legitimidade do Estado de Direito de Israel... porque, em pleno século XXI, Israel não fará o mundo recuar nos seus princípios democráticos, na defesa dos Direitos Humanos e do Estado de Direito, pela persistência patológica do seu desempenho como Estado agressor. Enquanto Israel mantiver esta postura de tudo atacar (consequência de uma deformação cultural assente no medo e incentivada, política e socialmente, pela manipulação doentia de um trauma materializado na catarse de uma permanente lógica de guerra), as palavras de ordem continuarão a ser: Solidariedade com a Palestina, Já! Solidariedade com a Palestina, Sempre!

(Este post foi também publicado no Forum Palestina)

domingo, 30 de maio de 2010

O Apoio do PS a Manuel Alegre...



O Partido Socialista reúne hoje a sua Comissão Nacional e aí decidirá o seu apoio à candidatura presidencial de Manuel Alegre... No panorama que se coloca hoje aos portugueses, expostos como sempre às tácticas e estratégias políticas das máquinas ou movimentos de apoio aos candidatos (de que o DN destaca uma pequena mas ilustrativa síntese que se pode ler Aqui), esperemos que o apoio do PS a Manuel Alegre seja claro e, acima de tudo, que se venha a revelar útil, empenhado e convicto... porque, como se costuma dizer: "só faz falta quem está"! Por mim e por muitos de nós, Manuel Alegre é, inequivocamente!, o Presidente de que Portugal e os Portugueses precisam! Com alegria e confiança, vamos eleger Manuel Alegre!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Vale a pena ver e ouvir!

Um exemplo cívico de pedagogia mediática...

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Indignação contra a Justiça - Por Baltazar Garzón!

O Juiz Baltazar Garzón foi hoje suspenso do exercício das suas funções pelo poder judicial espanhol (por unanimidade!!! - pasme-se!) e viu também suspensa a sua integração no Tribunal Penal Internacional na sequência do processo que lhe abriram para impedir a continuidade do seu trabalho que se não esgota (como todos sabemos!) na luta pela reposição da verdade sobre os Crimes Contra a Humanidade cometidos pelo regime de Franco (vale a pena ler AQUI o que se escreveu no "El Pais"). À saída da audiência, o Juiz Garzón foi vivamente aplaudido ao som da palavra de ordem: "Garzón Amigo, o Povo está contigo"!
Justamente emocionado como se pode ver neste vídeo (que localizei através do Carta a Garcia e cuja disponibilização aproveito para agradecer):

é ainda no sentido de dar a conhecer a opinião de nuestros hermanos sobre este escândalo, que aqui partilho convosco este seu sintomático exemplo:

O Mundo precisa da coragem de Homens como Baltazar Garzón e da Solidariedade dos Povos de que, neste caso, são exemplo, quer o povo de Espanha, quer todos os cidadãos Europeus que não desistiram de manifestar o seu apoio a quem dignifica a Justiça e a Democracia!

domingo, 9 de maio de 2010

A Europa, Hoje...

Hoje, 9 de Maio, celebra-se o Dia da Europa... para o assinalar, fica o simbolismo desta imagem a que as palavras de Weber do Mainstreet dão mais sentido!

terça-feira, 27 de abril de 2010

Urgências (2) - Do Desemprego à Saúde a Soldo


Para fazer a ligação ao post anterior, começo por referir que os call-centers são o mais flagrante exemplo do erro estrutural das políticas de emprego... não apenas pelo que implicam e significam ao nível da desumanização dos serviços (daí a imagem que escolhi para ilustrar este apontamento e que, como muitos reconhecerão, é uma cena do filme "Nas Nuvens") com consequências que podem ser gravissimas para os utentes e para os próprios trabalhadores mas, também, porque a precariedade contratual dos seus funcionários em nada contribui para a sustentabilidade social e para o aumento da riqueza ou da produção nacional... claro que têm a vantagem de permitir a quem aí trabalha, não estar, pelo menos temporariamente, desempregado mas, esse é um efeito perene que não integra a criação de emprego, nem concorre para a segurança ou a estabilidade quer dos cidadãos, quer das famílias (factor decisivo para a dinâmica saudável das sociedades de consumo)... lembremos-nos aliás, a este propósito, que na Índia, onde se situam os maiores call-centers do mundo, os seus trabalhadores são cidadãos que vivem, de acordo com os padrões que, por ora, ainda temos no ocidente, de forma paupérrima! Contudo, apesar de tudo isto ser uma evidência, a lógica deste capitalismo desenfreado, feito de um neo-liberalismo que se auto-representa como complacente, valorizando a criação do trabalho precário como uma benesse, chegou ao ponto extremo de, sob uma ideologia perversa e pervertida, desenvolver empresas que promovem o trabalho temporário, minimizando o quanto concorrem para consolidar a realidade da rotatividade e da exploração dos trabalhadores... e, para cúmulo, atingiu agora sectores estruturais, especializados e que põem em risco direitos fundamentais dos cidadãos, da educação à saúde! As recentes notícias sobre os desempenhos médicos nos serviços de urgências hospitalares, contratualizados através de empresas que, a soldo, vendem serviços de pessoas licenciadas em Medicina às administrações hospitalares é um erro grave e um risco sério para a segurança dos cidadãos nos serviços de saúde... é verdade que a Ordem dos Médicos está atenta mas, é urgente intervir uma vez que, no nosso país, há muitos agentes políticos disponíveis para apoiar privatizações a todo o custo e a qualquer preço - contrariamente ao que constatamos ser o grande esforço e a grande vitória interna de Barack Obama nos EUA...

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Da Justiça e da Extinção do Poder Absoluto... dos Juízes




O ridículo mata - diz-se!... mata e assusta - digo eu! De facto, a afirmação de António Martins, na qualidade de representante da Associação Sindical dos Juízes, é assustadora e, mais do que isso, inadmissível! num Estado de Direito democrático. São, por isso, mais do que legítimas as afirmações do Bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto e as manifestações de indignação, designadamente, de Ricardo Sá Fernandes. Horroriza-me pensar que o representante dos Magistrados e os que subscrevem as suas opiniões ascendam ao poder político, tal como me horroriza o facto de ter invocado uma espécie de direito à impunidade dos Juízes porque, para além da impossibilidade teórica de, em democracia, se proibir o direito de expressão da opinião pública ou profissional, há sentenças incorrectas, erradas e injustas... em última análise, porque os Juízes não são imunes à corrupção ou ao tráfico de influências!... António Martins prestou um mau serviço à Justiça portuguesa e aos Magistrados! Só espero que não venha agora, propôr a criação de uma Alta Autoridade de Regulação da Justiça!!! - mas, pela prepotência ideológica que se adivinha subjacente às suas declarações, não me surpreenderia!

domingo, 7 de março de 2010

Dos Capitães de Abril...


Costa Martins foi uma das vítimas mortais da queda de uma avioneta, ocorrida ontem à noite em Montemor-o-Novo. Capitão de Abril a quem se deve a ocupação do Aeroporto de Lisboa e a interdição do espaço aéreo português, operação levada a cabo isoladamente já que os reforços chegaram mais tarde, Costa Martins foi também, entre 1974 e 1975, Ministro do Trabalho dos II, III, IV e V Governos Provisórios. Soube da notícia aqui mesmo, na blogosfera... e pela admiração maior que nos merecem os Capitães da Liberdade, não posso deixar de assinalar este facto e partilhar convosco o texto com que, no Politeia, JMCorreia-Pinto retrata Costa Marins (ver AQUI).
Na fotografia, Costa Martins ao lado de Vasco Gonçalves.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Madeira - Entre a Devastação e a Reconstrução










A tragédia que se abateu sobre a Madeira, torna-se mais clara e dolorosa à medida que vamos conhecendo as imagens do Funchal. Assustadora, a força das águas, em enxurrada, rompeu as infra-estruturas e "levantou" o chão da cidade... o medo, a desolação, a tristeza e a ansiedade sentem-se e pressentem-se em cada notícia. Agora, sob a tensão e o stress pós-traumático que, inevitavelmente, se sucede a situações de choque, organiza-se a limpeza do caos e pensa-se a reconstrução. Decretados 3 dias de luto nacional em sinal de respeito e solidariedade pela dôr do povo da Madeira que não pode ainda indicar o número definitivo de vítimas e cujo balanço provisório aponta para 42 mortos, 120 feridos e duas dezenas de desalojados, a Madeira precisa de apoios de emergência. Portugal pediu, através do Secretário de Estado dos Assuntos Europeus, autorização à União Europeia para a activação do Fundo de Solidariedade criado em 2002. É preciso que a reconstrução da Madeira seja sólida, bem planificada e que sejam corrigidas e melhoradas as situações de ordenamento do território e as condições de construção. É sem dúvida uma tarefa hérculea mas indispensável. A Madeira precisa, depois de assegurar a assistência às vítimas, de uma intervenção integrada de carácter cirúrgico, onde a atenção à orografia e à hidrografia sejam, de facto, o primeiro critério para a reconstrução. A esperança, a resiliência e as condições de vida do povo madeirense justificam o empenhamento na mais correcta aplicação dos apoios à reconstrução.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Leituras Cruzadas - Especial - Eleições Presidenciais

Hoje, em Coimbra, Manuel Alegre janta com apoiantes e conta com a presença de António Arnaut, personalidade incontestada da democracia portuguesa e responsável pela criação do Serviço Nacional de Saúde. Entretanto, Fernando Nobre, mais ou menos na mesma altura, anuncia a sua candidatura no Padrão dos Descobrimentos. Independentemente do texto que, há já alguns dias, aqui escrevi e cujo teor continuo, naturalmente! a subscrever, a controvérsia que o anúncio desta última candidatura suscitou, merece a nossa melhor atenção. A Presidência da República não é um cargo simbólico designadamente porque, como sabemos, o nosso sistema político se aproxima do conhecido modelo semi-presidencialista (atente-se apenas no facto do PR ter o poder, no âmbito das suas competências, de dissolução da Assembleia da República apesar da sua eleição por sufrágio universal directo)... e se mais não fosse, esta é uma razão essencial para debater, com seriedade e sentido de responsabilidade, o problema. Na minha opinião, está, de novo, "na mesa" e em causa, o interesse nacional. Sugiro, por tudo isto e por tudo o mais que ainda está por discutir, a título de informação e de contributo para a reflexão, as seguintes leituras cruzadas:
O nosso Mahatma - Rui Bebiano in A Terceira Noite
Não há Duas sem Oito e Nobreza? - João Rodrigues in Arrastão
Confirma-se o Azul e Branco em Belém - Nuno Castel-Branco in Aventar
A Coroação do Presidente - Sérgio Lavos in Arrastão
As Presidenciais e a Esquerda - João Abel de Freitas in PuxaPalavra
O Candidato Válvula de Escape - Ferreira-Pinto in Abirritante
A Propósito de Fernando Nobre - Valupi in Aspirina B
Presidenciais -Fernando Cardoso in Ayappa Express
As Faces de Janus - Bruno Sena Martins in Arrastão
Para Mais Tarde Recordar - Joana Lopes in Entre as Brumas da Memória
E a Lebre Chama-se - João Tunes in Água Lisa
As Primeiras Razões porque Não Apoio o Dr. Fernando Nobre - T.Mike in Vermelho Côr de Alface (introduzido às 22.55h)
Axioma - Rui Herbon in Jugular (introduzido às 23.11h)
Manobras Presidenciais - Eduardo Graça in Absorto (introduzido às primeiras horas do dia seguinte ao da publicação inicial deste Leituras Cruzadas)
Nobre é o Spam quando vem da Causa Monárquica - João Tunes in Água Lisa (introduzido às últimas horas do dia seguinte ao da publicação inicial deste post).

sábado, 30 de janeiro de 2010

O Julgamento dos Mentores da Guerra do Iraque







Tony Blair foi hoje ouvido durante 6 horas pelo Tribunal a que foi presente, para ser interrogado, pelo papel activo que teve na eclosão da Guerra contra o Iraque... Afirmou-se responsável mas não arrependido, defendendo que fez aquilo em que acreditava... cá fora, um dos entrevistados da manifestação de apoio ao julgamento, disse: "(...) todos os criminosos da História disseram o mesmo!(...)" e, se a citação apenas nos serve para reiterar que nenhum dirigente do mundo tem o direito de declarar guerra a alguém apenas por, na sua opinião (formulada com base em informações polémicas, discutíveis ou mesmo, falsas), considerar que o deve fazer, a notícia é importante por denotar que ninguém está acima da lei... Tony Blair foi presente a Tribunal a bem de uma ideia de democracia participada, igualitária e justa capaz de salvaguardar os direitos de cidadania. Porém, a Tribunal deveriam, também, ser presentes F. Aznar, G.W.Bush e J.M.Durão Barroso. O caos, a violência e a destruição de um país assim o exigem!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Somos Todos Haitianos!




É doloroso assistir às catástrofes que, inexoravelmente, o mundo vive, por natureza e condicionalismo, eco-cultural... mais doloroso é ver o desesperado desalento das pessoas, incapazes de contrariar as tragédias que ninguém previne, evita ou minimiza pela atenção aos custos previsíveis... e os custos são vidas!... vidas/vidas e vidas/mortes... São milhares de pessoas sem casa, com fome, com sede, acompanhando "in loco" a agonia de outros tantos cidadãos, milhares de pessoas feridas, no corpo e na alma, para sempre, milhares de pessoas que nunca mais esquecerão que nem o chão é firme, para além do quotidiano combate sem tréguas por uma sobrevivência precária, tão difícil de vencer, ao longo de anos e gerações... os povos, colectiva e individualmente, têm uma capacidade de resistência sempre superior ao que sobre ela se presume mas, de facto, há cenários tão devastadores gravados no saber e no sentir de cada um, que se torna quase desumana a possibilidade de ultrapassar o trauma. Tem sido incansável, é certo, a mediatização da ajuda internacional mas, sejamos claros: não chega! Nunca chega! ... e, pior que isso!, não anula nem apaga a realidade! ... A culpa, a culpa de toda a Humanidade e dos países ricos, do capitalismo desenfreado e selvagem tem o rosto do Haiti!... porque, no século XXI, a desinteligência inaceitavelmente absurda e incontornavelmente persistente com que teimam em gerir o mundo, permite que os frágeis e pouco consistentes alertas que a ciência ainda vai fazendo ouvir, sejam ignorados... até que o medo aconteça perante os factos! Depois de se alardear a sociedade do saber, da informação e do conhecimento, devem os Governos e os financeiros de todo o mundo cobrir-se de vergonha pelas prioridades bélicas de comercialização de bens móveis e imóveis com que obrigam a política a olhar o mundo e pela qual se rendem os homens, tentados pelo lucro fácil e a imagem efémera de uma fama sem sentido que desaparecerá na voragem da História... por isso, o que move quem determina, pessoas e organizações, os campos de investimento nacional, europeu e internacional é, apenas, o interesse egocêntrico, pessoal e de grupo... porque o "sistema" não se faz sózinho mesmo que a economia aparente uma mecânica própria... o "sistema" move-se pela acção dos seus protagonistas e esses, sim, esses!, são culpados pela cumplicidade e a negligência dos efeitos conhecidos por todos, "a priori". Não podemos ser complacentes com a crueldade que se esconde sob a capa anónima do "sistema"... no fundo de nós, persiste porém, felizmente!, a nossa capacidade de retirar ensinamentos de tudo o que é susceptível de ser conhecido... chama-se Esperança, essa aprendizagem humana, humilde e autêntica que nos faz resistir e persistir mesmo quando, como agora, Somos Todos Haitianos!

domingo, 3 de janeiro de 2010

A Fuga de Peniche





Faz hoje 50 anos um dos episódios mais brilhantes do combate ao fascismo em Portugal: a Fuga de Peniche! Símbolo maior de que tudo é possível se a organização fôr exímia no rigor do planeamento e se os recursos humanos tiverem o carácter que garante a confiança!... Nos dias que correm, quando se pretende branquear a memória da ditadura pela eliminação dos símbolos que elucidam o sofrimento que causaram e que concorreram decisivamente para o atavismo que ainda sofremos, nas mentes e nos procedimentos socio-culturais (como acontece com a eliminação da placa sobre a PIDE de que tanto - mas tão pouco!!! - se tem falado), é importante lembrar: a Humanidade tem uma História de crueldades a que a nossa sociedade não escapa e já é tempo de não contribuirmos mais, de forma alguma, para que a negligência e a cumplicidade continuem a alimentar e aumentar as fontes do agravamento das condições de vida dos cidadãos, na economia e na guerra, na comunicação social e nas instituições... porque da complacência e do descontentamento que conduz às catástrofes sociais e à fome, resulta a aproximação às diversas formas de usurpação autoritária do poder. Peniche, nunca mais! Obrigado a Todos os que Fugiram! Pelo Exemplo e a Mensagem de Futuro!... e, já agora, para além do que podemos ir lendo (destaque-se o texto de Osvaldo Castro no Praça Stephens e o link para que remete), vale a pena ler o conto de final nobre e comovente da autoria de Álvaro Cunhal: "A Estrela de Seis Pontas".

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Perguntas incomodamente insidiosas...




Há coisas assim... incómodas!... emergem, súbitas, à nossa mente e instalam-se, venenosas, insidiosas, persistentes, inquisitivas... perguntas, interrogações, dúvidas... talvez por uma espécie de reflexo condicionado provocado pelas faces ocultas de tantas coisas, pelo hábito sistemático que se vai tornando costume, de tudo, em política, acabar por revelar um preço, à partida, insuspeito - pelo menos para os incautos e os de boa-fé... vejamos... cheguei a hesitar em formular esta sequência de perguntas para mim mesma, em a pensar em voz alta, mais ainda em a escrever e a partilhar... mas torna-se-me pesado o silêncio e a persistência em a ignorar... assim, de boa-fé, aqui fica: será que se pode estabelecer alguma relação entre a defesa da continuidade dos colonatos judaicos na Cisjordânia e a aprovação do plano de saúde para milhões de norte-americanos até agora privados de um direito fundamental? ... será que um direito fundamental num canto do planeta pode justificar o contribuir para a violação de direitos fundamentais num outro espaço planetário?... que raio de humanidade é esta que inquina a acção política deixando o livre-arbítrio condicionado a opções tão injustamente desumanas?... será que nos habituámos de tal modo a encontrar razões escusas em todos os procedimentos, ao ponto de inventarmos causalidades e correlações, misturando factos e hipóteses explicativas?... será que perdemos, de vez, a nossa ingenuidade?... ou estaremos agora na posse de um molho de chaves perante um sem-número de portas, à procura de supostas correspondências?...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Leituras cruzadas...

Enquanto se desenvolvem as investigações sobre as faces mais ou menos ocultas do poder que grassam pelo nosso pobre país enquanto a Europa se debate com problemas que, cedo ou tarde, terão continuidade em impasses para os quais o funcionamento institucional da UE não está devidamente preparado (vale a pena ler os textos de António Serzedelo no Vidas Alternativas), o mundo celebra uma das mais simbólicas quedas do mundo contemporâneo: a do Muro de Berlim que, há 20 anos e por 28 anos, dividiu, política e militarmente, o espaço europeu. A data, 9 de Novembro, regista, entre nós, interessantes comentários, díspares é certo mas, sintomáticos do enriquecimento que significa a pluralidade democrática (vejam-se os textos de João Pinto e Castro no Jugular, de Pedro Correia no Delito de Opinião, de Daniel Oliveira no Arrastão, Vitor Dias no O Tempo das Cerejas, João Pedro Dias no Câmara dos Comuns, Raimundo Narciso no PuxaPalavra, Carlos Barbosa de Oliveira no Crónicas do Rochedo e João Tunes no Água Lisa* ).
Entretanto, como bem se demonstra numa leitura rápida do noticiário seleccionado pelo SOS Racismo, continuamos a construir outros muros por todo o lado (leia-se a reportagem da BBC transcrita pelo Forum Palestina) até que esteja interiorizada politicamente a noção de que a Educação é que construirá a Cultura de Cidadania de que todos e as novas gerações em particular, precisamos (vale a pena reflectir sobre o texto de Paulo Querido no Certamente) para que o planeta sobreviva às dicotomias que a História já demonstrou contraproducentes e ineficazes para a gestão humanizada da organização económico-social... porque, com uma economia de mercado em plena crise (leia-se o texto de João Rodrigues no Ladrões de Bicicletas) a reeditar a reflexão urgente sobre valores e ideologias mas, em relação à qual se não registam respostas desassombradas e corajosas, capazes de se inclinarem humildemente perante as lições da História, temos ainda, passe a expressão, "muita pedra para partir"... resta-nos desejar que o preço não custe a vida ao futuro!
(Nota: o texto de João Tunes foi inserido neste post posteriormente à data inicial da sua publicação)